terça-feira, 10 de abril de 2012


Por Carlos Chagas
                                                       Caso não sobrevenham retrocessos, instala-se hoje a Comissão de Ética do Senado, sob a presidência do senador Vital do Rego. Com um pouco de boa vontade, os senadores escolherão também o relator do processo aberto contra Demóstenes Torres. A impressão é de que tudo correrá bem depressa, para evitar o desgaste que seria o prolongamento do inquérito. Claro que o acusado terá amplo direito de defesa.
                                                        Fosse qualquer outro o réu e dúvidas inexistiriam: Demóstenes  Torres seria o relator, em função de sua postura sempre rígida na luta contra a corrupção e a ilegalidade. Seu passado responderia pela designação. Como a vida é sempre mais fascinante e mais complicada do que a ficção, eis que o senador por Goiás encontra-se do outro lado do muro.
                                                        Fazer prognósticos sobre a decisão  do Conselho de Ética será tão prematuro quanto perigoso. Mesmo assim, nos corredores do Senado sopra o vento da condenação, ou seja, da cassação do mandato de Demóstenes.  Ninguém seria mais implacável  no interrogatório dele mesmo e na coleta de argumentos para sua degola.
                                                        O Conselho de Ética  atua politicamente, acima e além das questões jurídicas. Importa  menos aos senadores saber se o ainda colega não poderia ter sido objetivo de investigações policiais sem licença do plenário. Mesmo com  amargura, os dezesseis integrantes do colegiado decidirão tendo em vista  os danos causados ao Senado pelo episódio envolvendo Demóstenes e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Quanto mais rápido  solucionarem a crise, melhor para todos. 

ENTRANDO NUMA FRIA

                                                        Pode  sair pela culatra   a   decisão da presidente Dilma, do ex-presidente Lula e do presidente do PT, Rui Falcão, de promoverem uma intervenção branca no governo do Distrito Federal. Certos  estavam quando verificaram a necessidade urgente de corrigir a inação e a incapacidade do governador Agnelo Queirós de dirigir o Distrito Federal. Depois de um ano e três meses de administração, o companheiro só viu aumentarem as agruras brasilienses, da saúde à segurança pública, da educação ao trânsito. Assim, a alta direção petista optou por impor ao governador a substituição de alguns secretários, substituídos por altos funcionários da presidência da República e arredores, com carta branca para estabelecerem novas políticas públicas e abafar malfeitos porventura acontecidos.
                                                        O problema é que as dificuldades da capital federal, senão insolúveis, exigem mais do que novos chefes de gabinete e secretários de governo. Fruto da  desídia de ex-governadores, palco de incontáveis manobras de corrupção e carente de estruturas éticas, a Brasília atual exige mais do que insuficientes reforços federais.Dá saudade dos tempos em que o palácio do Planalto nomeava e demitia  os prefeitos, depois impropriamente chamados de governadores e, afinal, passando a ser eleitos. Aqui é  a casa do presidente da República, que não pode estar submetida a manobras de partidos, corporativismo, grupos de pressão, líderes ligados à bandidagem e à corrupção. O resultado aí está: Agnelo não conseguiu dar conta do recado. Alguém conseguirá?

ME ENGANA QUE EU GOSTO

                                                        Dias atrás o governo autorizou o reajuste de 8% nos preços dos remédios. Entre alguém numa  farmácia para comprar uma aspirina que seja e verá que os preços,  já elevados muito mais desde a última autorização, há um ano, agora duplicaram. Vigilância não há, muito menos punição. Longe de apenas  lambuzar as farmácias, os aumentos tem sua origem nos  laboratórios. Dá no mesmo para o consumidor, cujas necessidades deveriam estar sendo protegidas, não aviltadas.

ENTRE A CHINA E O IRÃ

                                                        Houve tempo em que até falar da China dava cadeia. Os chineses comiam criancinhas, eram exportadores da subversão e queriam mergulhar o mundo no caos.  Vinham dos Estados Unidos as rígidas determinações para que o quintal, aqui na América Latina, continuasse cultivando o perigo amarelo como o quinto cavaleiro do  Apocalipse.
                                                        De repente, Henry Kissinger foi flagrado em Pequim, logo depois Richard Nixon desembarcou na capital chinesa, aceitando a China como membro permanente do  Conselho  de Segurança das Nações Unidas e humilhando Formosa.  Foi o sinal para que reatássemos relações diplomáticas com os chineses e déssemos o dito pelo não dito, com relação àquele país.
                                                        Agora, os americanos pressionam e exigem que nos posicionemos contra o Irã.  Só que,  na surdina, vão avançadas as sondagens para um ajustamento nas relações entre eles e o antigo Império Persa. Quando a  gente menos esperar, Hillary Clinton e Barack Obama estarão visitando o túmulo de Ciro, o Grande,  tomando chá com os ayatolás. Por isso,  faz bem o Brasil de não se engajar na cruzada contra Teerã.

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