domingo, 18 de março de 2012

A HORA DE ACABAR COM A VIGARICE


Por Carlos Chagas.
Agora que o Brasil tenta rejeitar nova invasão especulativa internacional, é bom lembrar um alerta do   economista Paulo Rabello de Castro, feito há mais de um ano.  Sem ser radical, muito menos sem pertencer à corrente esquerdista de alguns de seus companheiros, ele denunciou  uma das mais abomináveis heranças do governo Fernando Henrique Cardoso, mantida pelo governo Lula e sem ter sido até agora  corrigida pelo governo Dilma Rousseff.
Quando um especulador estrangeiro procura o Brasil, formando no grupo dos tais investidores responsáveis pelo apregoado sucesso de nossa economia, recebe de 25 a 30% de lucro sobre o seu capital, tanto faz o tempo em que  permaneça aqui. Podem ser meses ou até um simples  fim de semana, compondo o chamado capital-motel, aquele que chega de tarde, passa a noite e vai embora de manhã depois de haver nos  estuprado um pouquinho mais.   O  diabo, para nós, é que o especulador estrangeiro não paga imposto de renda. Sem mais aquela, leva o seu dinheiro de volta acrescido da maior taxa de juros do planeta, muitas vezes sem ter contribuído para criar um emprego ou forjar um parafuso. 
Podemos acrescentar que quando o investidor é brasileiro, preferindo aplicar aqui o seu capital, vê-se atropelado pelo imposto de renda, na base dos 20%. Se for  malandro, dá um jeito de primeiro mandar o dinheiro para fora, repatriando-o depois para especular como se estrangeiro fosse, ou seja, sem pagar imposto de renda, estabelecendo uma ciranda cruel para nossa economia.
O sociólogo criou essas e outras aberrações, como a de liberar plenamente as multinacionais para quantas remessas de lucro pretendam fazer. O que chama a atenção e,  mais do que ela, a indignação, é que o presidente Lula não se  moveu  para conter tamanho crime de lesa-pátria, como também não se move a presidente Dilma.  Antônio Palocci e  Henrique Meirelles, antes, como  Guido Mantega, agora,   mantiveram os privilégios dos tempos do neoliberalismo mais descarado, apesar de a imensa maioria dos países em desenvolvimento ter criado mecanismos de defesa de seus interesses.
A pergunta é até quando  se manterá essa  vigarice.
DO TORTO OU DO DIREITO?
Quando estava para tomar posse, nos idos de 1979, o general João Figueiredo avisou que continuaria morando na  Granja do Torto, que já ocupava como chefe do Gabinete Militar e como chefe do SNI.   Guilherme Figueiredo, irmão do presidente, reconhecido poeta, intelectual e dramaturgo, saiu-se com uma das mais belas exortações  do período: “quem sabe ele troca  o nome da residência e passa a chamá-la de Granja do Direito?”
Até que o  conselho continua aplicável, apesar de a democracia haver sido instalada no país, justiça se faça, graças a certas medidas adotadas pelo último general-presidente, como a anistia para presos políticos e para exilados e o retorno integral à liberdade de imprensa.
Ocupando  a residência alternativa   nos fins de semana,  a verdade é que Dilma Rousseff  ainda teria condições de homenagear Guilherme Figueiredo. Algumas correções fazem-se  necessárias para que as instituições democráticas venham a funcionar em sua plenitude, completando o Estado de Direito entre nós.  Para começar, a reforma política,  em condições  de afastar de uma vez por todas a sombra do poder econômico no sistema eleitoral. E o restabelecimento dos direitos trabalhistas surripiados no governo Fernando Henrique Cardoso. Como a própria presidente  já declarou, também o fim da impunidade que assola o Brasil em progressão geométrica.

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