quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

OBESSÃO PELA LIBERTADORES

Por Antero Greco, no Viramundo
A maior ameaça ao Corinthians.
O corintiano está com o coração na mão, por causa do jogo com o Tolima, na noite desta quarta-feira. Com razão. Nem tanto por desconfiar da capacidade do time – não entusiasma como dois anos atrás, mas também não é um cardume de cabeças de bagre. A apreensão se deve ao peso que, no Parque São Jorge, se dá à Libertadores. É excessivo, fora de propósito.
A obsessão pelo torneio continental fez a desgraça do Corinthians em diversas ocasiões. Só pra lembrar algumas: duas vezes caiu diante do Palmeiras, duas também foram as trombadas que levou do River Plate. No ano passado, o sonho de conquista no centenário virou fumaça contra o Flamengo. Fora outras tentativas frustradas que a Fiel prefere apagar da memória.
Pressinto tensão idêntica no segundo confronto com os colombianos. Em circunstâncias normais, o Tolima estaria longe de tirar o sono alvinegro. Mas tirou. Como franco-atirador, deu sufoco no 0 a 0 da semana passada no Pacaembu. Como continua no lucro e não tem nada a perder em casa, volta a preocupar – Tite e jogadores reconhecem que a responsabilidade recai sobre o Corinthians, o mais forte, mais famoso e mais popular nesse duelo.
A ansiedade é inimigo mais devastador do que o Tolima. Portanto, maior obstáculo a ser superado. O segundo, que também se refere apenas ao Corinthians, é a fixação pela Libertadores, esse complexo de inferioridade em relação a Santos, São Paulo e Palmeiras, rivais paulistas que já botaram a mão na taça. Não é a ausência desse troféu que vai diminuir a importância do clube no futebol brasileiro.
O terceiro desafio está no futebol que o Corinthians apresentou até agora. Exceto no primeiro tempo do jogo com a Lusa (na abertura do Paulistão), as apresentações seguintes mostraram um time irregular, ainda sem fôlego e com baixo poder de fogo. No torneio paroquial, até que essas deficiências não farão muita diferença como se classificam oito para as quartas de final certamente haverá um lugar garantido.
As limitações técnicas podem emperrar a vida na Colômbia. Tite tratou de se coçar, ao tirar Bruno César, antes visto como cérebro do meio-campo e agora relegado à reserva. Paulinho entra para tornar o setor mais pegador. A ausência de Roberto Carlos também pode ser um baque. Apesar de tudo, não vejo um quadro para catástrofe. Dá para beliscar a vaga, pelo menos com empate de 1 a 1. Superado o medo, será necessário jogar muito, mais muito mais, na fase de grupos. Não poderá ter bola meio murcha.

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