terça-feira, 20 de julho de 2010

ASSIM SERÁ

O FRACASSO DOS PALANQUES.
Por Carlos Chagas
Muitas razões podem ser apresentadas para justificar o fracasso dos dois primeiros comícios da campanha de Dilma Rousseff. No caso da inauguração de seu comitê central, em Brasília, terça-feira, o local péssimamente escolhido, uma engarrafada rua do centro da capital, e a súbita ausência do presidente Lula. No Rio, a chuva que não deu tréguas, da Candelária à Cinelândia, mais o fato de que a organização a cargo do governador Sérgio Cabral não propriamente empolgou os cariocas.
No fundo de tudo, porém, estão os novos tempos da mídia eletrônica, claro que reunida ao desgaste cada vez maior da classe política. Nas décadas de cinqüenta e sessenta, quando não havia televisão, ou quando ela engatinhava, o eleitor precisava comparecer à praça pública, se queria ver e ouvir seus candidatos. É verdade que nos anos oitenta, milhões se reuniam nas principais capitais, mas era para protestar e demonstrar indignação diante da ditadura militar já nos estertores.
Mesmo assim, há que registrar: continuando as coisas como vão, encerra-se a milenar temporada dos comícios. A comodidade e o desencanto do eleitor servem de coveiros daquelas monumentais manifestações populares. Acrescente-se, porém, a titulo de compensação: em 1945 os comícios do brigadeiro Eduardo Gomes empolgavam o país. Grandes oradores, dezenas de milhares de lenços brancos abanando ao final de cada noite, ao tempo em que os comícios do general Eurico Dutra eram os mais lamentáveis. Pouquíssima gente e uma oratória abominável por parte do candidato. Abertas as urnas, um banho. De quem? De Dutra...

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