sexta-feira, 10 de junho de 2011

LIDERES DOS BOMBEIROS SÃO SOLTOS NO RIO

Presos na zona norte, grupo deve passar a noite com bombeiros detidos em Niterói.
Bruno Rousso, do R7.
Os líderes dos bombeiros presos no último sábado (4) após invasão ao Quartel Central da corporação foram soltos na noite desta sexta-feira (10), segundo informou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).
Assim que deixaram o GEP (Grupamento Especial Prisional), onde estavam detidos, os nove bombeiros foram para Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro para encontrar com os mais de 400 companheiros que permanecem detidos no quartel de Charitas, onde devem passar a noite. Eles chegaram ao local por volta das 23h40 e foram recebidos pelos companheiros sob aplausos e muita emoção.
Um dos líderes do movimento, capitão Lauro Botto, disse que o grupo quer permanecer unido:
- A gente começou juntos e vamos juntos até o fim.
Os cabeças estavam presos no Grupamento Especial Prisional, em São Cristóvão, na zona norte. Após a decisão judicial, a Polinter analisava, por volta das 23h, os nomes de todos os bombeiros liberados para checar se há mandados de prisão contra eles. O procedimento é praxe em casos de soltura de presos beneficiados por decisões judiciais.
Por volta das 23h, os bombeiros detidos em Charitas se preparavam para passar a noite no quartel. Em razão do volume de alvarás de soltura, houve atraso na liberação dos bombeiros.
Entenda o caso
Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.
A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.
Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.
Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, desta vez para o quartel de Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.
Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007.
Pressionado por dezenas de protestos e diante da grande repercussão do caso, na quinta-feira (9), o governador anunciou aumento de 5,58 % nos salários de bombeiros, policiais militares, policiais civis e agentes penitenciários. Para isso será antecipado de dezembro para julho os reajustes que já eram previstos. Ele ainda anunciou a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil e nomeou o comandante Simões como titular da pasta.
Na sexta-feira (10), um pedido de liberdade feito pelos deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Doutor Aluizio (PV-RJ) foi aceito pelo desembargador Claudio Brandão de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio. Os 439 bombeiros responderão em liberdade após serem autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão.
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