sábado, 13 de agosto de 2011

OS ESPERTOS E OS INOCENTES

Por Carlos Chagas.
Formou-se  na Europa a   canhestra onda para enfrentar  a crise econômica, passando depois aos Estados Unidos, chegando ao Chile e aproximando-se do Brasil. Fala-se das iniciativas adotadas na Grécia,  Irlanda, Portugal, Espanha, França, Itália e arredores, seguida pelo Partido Republicano e parte do Partido Democrata, em  Washington,  e já despertando reações contra o governo chileno.
Sem tirar nem pôr, trata-se de mandar a conta dos fracassos do neoliberalismo para os mesmos de sempre, ou seja, as massas. O povão, que em maior ou menor grau insurge-se contra o aumento de impostos, as demissões descontroladas, o corte nas políticas sociais e a supressão dos raros direitos  trabalhistas ainda existentes.
No reverso da medalha, nenhum encargo suplementar  para as classes abastadas, muito menos contenção da especulação financeira ou redução das dívidas internacionais.
Essa  formula certamente vem dos tempos de Ramsés II, adotada em Atenas e Roma, tornando-se descessário referir não haver mudado até hoje. As elites se locupletam e os pobres pagam. Alguns estóicos protestaram através dos tempos, uns perdendo a cabeça, outros queimados na fogueira,  sem condições de alterar o processo que faz os espertos iludirem os inocentes.
Haverá, neste limiar do Século XXI, condições para  a equação ser invertida? Parece que não, após o fracasso do socialismo autoritário na ex-União Soviética e a adesão da China ao capitalismo ditatorial. A África dilui-se em suas próprias entranhas e nós, aqui na América Latina, jogamos o “faz-de-conta” de estarmos preparados para enfrentar a crise, que acabará estourando, como sempre, no andar de baixo.  Tempos atrás apareceu um movimento que parecia puro e inovador, destinado a inverter a equação. Era o PT, hoje transformado em  mais um  refúgio dos espertos,  algoz dos inocentes.

CONSULTORIAS E CONFERÊNCIAS.
O climax do capitalismo acontece para certo número de indivíduos que se especializam em dar consultoria a grupos empenhados em multiplicar seus ganhos ou, em paralelo, em fazer conferências para demonstrar como chegaram a seus altos patamares.
Não há nada contra consultorias e conferências, pode-se até aprender alguma coisa, nestas, e auferir alguns lucros, naquelas. O diabo é quando essas duas atividades são exercidas  por gente que durante toda a vida pregou e praticou o contrário de seus atuais conselhos e palestras. Disfarçaram-se no passado apenas para chegar a esse presente oposto à sua antiga  trajetoria?  E às suas lições?
Quem quiser que fulanize, mas será sempre bom lembrar que o Lula, quando da fundação do PT, falava em transformar os operários em donos dos  meios de produção e em proprietários dos frutos de seu trabalho.  De forma isolada, ele conseguiu, mas precisou abandonar propostas e seguidores. Era isso que desejava desde o início?

PEDRO PRIMEIRO.
Já se encontra na presidência da República, para ser sancionado, projeto aprovado no Senado e na Câmara dando a Pedro Aleixo a condição de ex-presidente da República. Assim foi feito, anos atrás, com Tancredo Neves. Um não pode assumir por motivo de doença. Outro, de usurpação, pois diante do impedimento do presidente Costa e Silva, por derrame cerebral,  pela Constituição Pedro Aleixo  deveria ter assumido o governo. Foi garfado e preso pelos três ministros militares da época. O Congresso acaba de fazer justiça a mais um mineiro ilustre. Quando a presidente Dilma sancionar o projeto, nos próximos quinze dias, o ex-vice-presidente da República será elevado à galeria dos presidentes.
A propósito de Pedro Aleixo, uma historinha: Milton Campos era govbernador de Minas e o dr. Pedro, secretário do Interior, a segunda figura no estado.    O dr. Milton, com sua fleugma de professor de democracia, dividia com o amigo as responsabilidades de governo. Qando lhe traziam um problema complicado, dizia sempre: “fale com o Pedro, primeiro”. Virou Pedro Primeiro, na verve das Gerais...

QUE SE CUIDEM, POIS VEM MAIS...
Pouco adianta a greve desencadeada na Câmara pelos líderes dos partidos da base governista. Não vão conseguir interromper a cascata de investigações, denúncias e demissões nos  ministérios sob suspeita, por coincidência aqueles com titulares indicados por eles. Poderão, no  máximo, ver liberadas algumas verbas referentes às suas emendas ao  orçamento.  Na verdade, mesmo insurgindo-se contra alguns excessos nas operações de faxina, como as algemas da Polícia Federal,  a presidente Dilma não recuará um milímetro na determinação de ver a administração federal, senão livre, ao menos bem mais afastada da sombra da corrupção. Não se duvida,em Brasília, de que novas investigações revelarão novas lambanças, em outros ministérios.

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