Por Valdo Cruz.
A leitura das últimas pesquisas de intenção de voto indicam que o candidato do PSDB a presidente, José Serra, pode ter dormido no ponto. Sua adversária, a petista Dilma Rousseff, já avança até em parcelas do eleitorado que não são totalmente simpáticos ao presidente Lula, como também ultrapassou o tucano na percepção do brasileiro como mais preparada para governar o país.
Esse desempenho favorável à candidatura governista indica que a tática dos tucanos de desconstruir a imagem da petista foi posta em prática um pouco tarde. Demorou tanto para ganhar certa carga de intensidade que permitiu a Dilma não só absorver os votos lulistas como transmitir a imagem de que pode ser confiável a outros segmentos do eleitorado não alinhados ao presidente Lula.
Daí que, agora, insistir na tecla de que Dilma não é exatamente Lula, como já tentou a campanha tucana, pode não render votos a Serra. Pior, corre o risco de aumentar ainda mais esse grupo de eleitores não identificados com o presidente mas que já admitem votar na ex-ministra da Casa Civil.
O dado mais preocupante para a campanha tucana, porém, é o fato de o eleitorado já identificar Dilma como mais preparada do que Serra para ser presidente. Antes do início oficial da eleição presidencial, a cúpula do PSDB apostava que, com a veiculação dos programas de TV, conseguiria consolidar e reforçar a percepção do eleitorado de que seu candidato reúne mais atributos para ser o próximo presidente da República.
Até maio, o cenário eleitoral era realmente mais propício para o tucanato semear esse discurso. Naquele mês, Serra ganhava de Dilma nesse quesito de 45% a 29%. Veio a propaganda eleitoral e a petista inverteu as curvas. Passou a ser vista, segundo a última pesquisa Datafolha, por 42% do eleitorado como a mais preparada para governar o país, contra 38% do tucano. E isso enfrentando a estratégia tucana de mostrar eleitores em seu programa de TV repetindo que Serra é mais preparado do que Dilma. Até aqui, a tática do PSDB não funcionou.
Ou seja, tudo indica que o tucanato dormiu no ponto e perdeu o melhor momento para tentar desconstruir a imagem da petista. Agora, a dúvida é se ainda dá para recuperar o tempo perdido. O prazo é curto. Tudo que deveria ter funcionado desde o início do ano precisa começar a surtir efeito em cinco semanas. Apesar de difícil, a missão de Serra não pode ser classificada de impossível. Levar a eleição para um segundo turno não depende de muitos pontos nas pesquisas. Os próximos levantamentos vão trazer a resposta para a agonia dos tucanos. A conferir.
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