Antes de tudo, para que se faça justiça ao primeiro finalista da Taça Guanabara, é preciso que se reconheça o mérito da campanha do Boavista. Não foi o Fluminense que perdeu; foi o Boavista que ganhou a classificação. O passeio da zebra verde de Saquarema, ontem à tarde, no Engenhão, premiou a campanha meritória de um clube de pouco investimento, que montou um time muito competitivo.
O Boavista chega pela primeira vez à decisão de um turno, superando duas etapas difíceis e que pareciam impossíveis. Na última rodada, era o que tinha menos chance de vaga nas semifinais e acabou ultrapassando o Resende e o Nova Iguaçu, a quem venceu dentro de casa, com a diferença de gols de que precisava. Foram três pequenos com méritos de grandes.
Mesmo duas vezes em desvantagem, diante de adversário mais qualificado em valores individuais e investimento, e atual campeão do país, o Boavista jogou sempre com muita determinação e personalidade. Sua competência na decisão por pênaltis também não pode, sob qualquer pretexto, deixar de ser reconhecida e exaltada. Desmistificou tese tola dos que dizem que pênalti é loteria.
O Boavista é finalista com méritos, competência e valor. Não tem um time caro nem de figuras renomadas, mas joga com vontade, aplicação e não se intimida diante de tradição e de nome. Por isso, é finalista, mostrando que o futebol não é falado, é jogado. O Fluminense não tem do que se queixar. Quando muito, pode lamentar que sua competência tenha limite.
Enquanto o Boavista espera por Botafogo ou Flamengo, o Fluminense terá que se superar nestes poucos dias que antecedem o segundo jogo da Copa Libertadores, para ganhar fôlego em busca da primeira vitória, agora muito mais importante, depois de uma estreia bisonha no empate com o Argentinos Juniors e, mais ainda, da despedida melancólica de ontem da Taça Guanabara.
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