quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E, de repente, a mulekada estava debutando na seleção, numa noite de gala, nos Estates.
Pra mais de não sei quantos mil. Lá não se brinca em serviço. Viu Neymar? Mas nem tudo foi um mar de rosas. O Mano pela primeira vez no comando do escrete e a Globo com olhos só pra novela, como pode?
De primeira a gurizada escolhida pelo gaúcho, sentiu o bafo, o jogo de força física dos gringos em que empurrar é quase um fundamento, lá pelos quinze minutos tinha passado o baque, botaram a bola no chão, Robinho incorporou o clima, firulou. Com estilo fez nascer o lance que levaria Neymar até a alegria de marcar o primeiro gol.
Ganso bordava a exibição com um longo passe de três dedos e eu pensava: Pecado privar o povão de um troço desse, a massa roeu o osso e agora a seleção vira um luxo? Um tanto indignado, um tanto incrédulo, zapiei, a novela estava rolando solta mesmo.
A seleção só é do povo quando interessa, quando dá lucro.
Bom, no final do primeiro tempo já dava pra ver alguma personalidade no time brasileiro, que alegria, pra reforçar a impressão, Ramires colocou Pato na cara do gol. Um drible e um chute depois... a bola descansava na rede, como a mulekada correu, viu? O bom de ser muleke é isso, é não perder o fôlego rápido, tínhamos de volta o prazer de um time criativo, ai que saudade.
André, que entrou na vaga de Pato, não apareceu muito, vítima de um conjunto já desfigurado. Um Brasil sem Ramires, sem Neymar e sem Robinho, que deixou o campo de bem com a galera, aplaudido pela maturidade demonstrada em campo. Com a meta intocada graças aos pés e não às mãos de Vitor, até Ganso teve a sua hora de sair de cena, fazia tempo que a nossa adorada camisa 10 não combinava tanto com alguém.
Foi bom ver o Brasil dar pistas da razão que nos fez donos do futebol mais coroado do mundo, um futebol que tem tudo a ver com molecagem, com meninos, com leveza, por mais que alguns pensem o contrário. Agora, o Mano deve ficar ligado porque nem tudo será show.
Antes de encerrar explico que o título acima poderá lhe soar familiar. Não estranhe. É que essa situação me fez lembrar de uma antiga campanha e seu slogan: "O Brasil para todos" hoje, infelizmente, nossa seleção foi só de alguns, não me venha falar em Passione.

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