sexta-feira, 11 de junho de 2010

MATEMÁTICA PURA.

CHUPADO DA FOLHA DE SÃO PAULO.
Espanha vai ganhar a Copa do Mundo, diz matemática.
MARCEL MERGUIZO
A Espanha ganhará a Copa do Mundo. Chute? Não. A previsão é matemática.
A mesma que dizia que o Fluminense tinha só 1% de probabilidade de não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2009 (escapou) ou que o São Paulo tinha 1% de chance de ganhar a competição em 2008 (foi campeão).
Mas eram chances, declaram os especialistas. Para chegar a elas, economistas criaram até uma fórmula para calcular quem tem a maior probabilidade de levar o título na África do Sul. Deu Espanha, com o Brasil como vice.
A equação da copa.
Se o máximo de matemática que você consegue ver no futebol é que 4-4-2 + 3-5-2 = 11 (jogadores) de cada lado, sinta-se um gênio. E chute à vontade o resultado final da Copa sul-africana. A conclusão pode ser tão certa quanto a dos economistas que usaram o tempo livre e a experiência com números para criar o modelo matemático que prevê o campeão.
Não espere, entretanto, uma bola de cristal em campo. A tal fórmula-padrão de probabilidade já ajudou a prever até a recessão nos Estados Unidos. Ajudou? Enfim, foi com base nessa fórmula que economistas da LCA, uma das maiores e mais respeitadas consultorias do Brasil, criaram a tal equação matemática, e não mágica, para a Copa deste ano.
"Para nós, é uma brincadeira. Afinal, futebol é número, porcentagem de vitória, gols pró, gols contra. Qualquer pessoa, quando aposta em um resultado, tem um modelo na cabeça, nem que seja apenas saber o histórico dos times", diz Márcio Pages.
"O que fizemos foi o que um consultor em economia precisa fazer sempre: criar um modelo simples para explicar algo que parece complexo", acrescenta o diretor
da LCA, Celso Toledo.
As 12 maiores chances de ser campeão na África do Sul.
'EM ALTA', 'EM BAIXA'
Equação pra lá, simulação pra cá, entre o atendimento a uma grande empresa e outra, os economistas descobriram que a seleção que tem mais chance de vencer a Copa é a da Espanha, atual campeã europeia, com 15,7%.
A matemática deixou o Brasil em segundo (12,9%) e a Holanda com a terceira maior chance (9,4%).
Na sequência, Alemanha (6,5%), Itália (6,4%), Portugal (6,1%), Argentina (4,6%), França (3,9%), Inglaterra e Sérvia (ambos 3,8%) comple­tam os dez favoritos.
"O resultado ficou próximo do que aparece nos sites de apostas pelo mundo. A única distorção que percebemos é o favoritismo que alguns atribuem a Inglaterra e Argentina", diz Toledo.
"Se fosse apresentar o resultado a um apostador ou investidor, diríamos para 'vender' esses dois países, pois 'os preços de mercado' nos parecem excessivamente elevados", afirma.
"Melhor seria apostar na Holanda, ou até na França e na Sérvia, que estão 'em baixa' ainda", emenda o economista, que aplicará a fórmula, ao menos, em seu bolão.
Outros modelos como esse feito pela LCA foram desenvolvidos fora do Brasil.
O banco de investimentos americano JP Morgan prevê a Inglaterra campeã. E diz que a final diante da Espanha será decidida nos pênaltis. Loteria? Não. Retrospecto, de acordo com os consultores.
O Brasil, de acordo com o JP Morgan, deve ser eliminado nas quartas de final, pela Holanda. Confronto bastante provável de ocorrer, aliás.
Já os especialistas em investimentos do banco Goldman Sachs também dão o vice-campeonato aos espanhóis. Mas, para eles, o vencedor será o time de Dunga.
"Também ficamos surpresos com alguns resultados que apontam chance de 50% de vitória para cada um dos times em confrontos muito equilibrados", afirma Pages.
"Não consideramos disputas por pênaltis como outros modelos, pois é questão de cara ou coroa. É a tal caixinha de surpresas do futebol. Acreditamos que previsões econômicas são mais fáceis."
Além de economistas e casas de apostas, também o videogame tem favoritos. A empresa EA Sports, fabricante do jogo oficial Fifa 2010, fez a simulação e chegou à final: Espanha 3 x 1 Brasil.
De acordo com o modelo brasileiro, a final mais provável é mesmo Brasil x Espanha. E os espanhóis teriam 55% de probabilidade de saírem campeões. Mas a maior chance é de empate no jogo, com a decisão nos pênaltis.
Brasil fase a fase.
CONTA 'SIMPLES'
Pegue os jogos entre seleções desde a última Copa. Subtraia as partidas dos primeiros seis meses pós-Alemanha-06 e dos últimos seis pré-África do Sul-10, para evitar distorções. A soma entre amistosos e torneios oficiais deve ser de 4.651 jogos.
Separe esses resultados, atribuindo um peso elevado ao ranking da Fifa. Compute a diferença entre os rivais na lista de melhores do mundo.
Some as chances de vitória de cada um dos times à probabilidade maior de triunfo de certas seleções em relação às outras participantes.
Pronto! Quase lá. Agora basta pegar as chaves e os critérios de desempate da Fifa, simular 5.000, 10 mil vezes o Mundial e... você já sabe qual seleção tem mais chance de erguer a taça.
Contudo, se quiser apostar na Coreia do Norte, primeira rival do Brasil, saiba que ela tem menos de 1% de chance. De ser campeã? Não, de passar para as oitavas de final.

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