sexta-feira, 11 de junho de 2010

VAI ROLA A BOLA

JUCA KFOURI
Jamais na história a seleção do país-sede perdeu no jogo de sua estreia em Copas do Mundo.
SE A ÁFRICA do Sul perder hoje na abertura da 19ª Copa do Mundo, será a primeira vez em que a seleção anfitriã é derrotada em sua estreia no torneio.
Foram 14 vitórias dos times da casa e apenas cinco empates, o mais frustrante deles o da Espanha, contra Honduras, em 1982.
Então, como agora, a Fúria era vista como favorita, e a decepção foi do tamanho da expectativa.
Ninguém espera que a África do Sul ganhe a Copa, embora, no fundo, no fundo, haja um sentimento de que seja possível repetir a façanha do rúgbi, em 1995, tão bem registrada no filme "Invictus" e no livro em que o filme se baseia, do agora vizinho de coluna John Carlin, "Conquistando o Inimigo".
Será, no entanto, uma tristeza enorme se os Bafana Bafana não passarem pelos mexicanos, que, por sinal, têm a experiência de enfrentar os donos da casa em estreias em Copas do Mundo, eles que já foram vítimas das seleções do Brasil, em 1950 (4 a 0) e da Suécia, em 1958 (3 a 0), além de, como anfitriões, terem empatado com a URSS, em 1970 (0 a 0), e vencido, em 1986, a Bélgica, por 2 a 1.
Jogos de estreia são em regra tensos, e não se deve esperar nada de muito belo da abertura que o mundo testemunhará no Soccer City.
De todo modo, o simples fato de ter bola rolando para valer, e não esses amistosos perigosos e enganosos, já basta para que todos esfreguem as mãos -não apenas para afastar o frio que faz pelas bandas de Johannesburgo, mas, fundamentalmente, de satisfação.
Se os mexicanos jogarão como nunca e perderão como sempre, todos saberemos logo mais, porque não passa pela cabeça de nenhum africano outro resultado que não seja de vitória.
Afinal, simpáticos e educados como são os sul-africanos, eles esperam dos mexicanos a mesma gentileza que concederam aos anfitriões, na Copa da França, em 1998, quando perderam por 3 a 0.
Tão grande quanto a expectativa pelo jogo é a de como se chegará ao estádio, teste definitivo para a organização da Copa. Porque o temor é o de um monumental congestionamento de trânsito, pelo menos para os que não forem contemplados com batedores para abrir o caminho para a Cidade do Futebol. Milhares de carros, poucos, pouquíssimos, raros ônibus, e nenhum, rigorosamente nenhum jeito de chegar de metrô.

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