quinta-feira, 1 de julho de 2010

BLATTER PENSA NO JOGO

JUCA KFOURI.
O cartola, enfim, reconhece que é preciso fazer algo para corrigir tantos erros de arbitragem.
JOSEPH BLATTER não é um cartola exatamente igual aos outros. Como todos, gosta do poder e das mordomias que tem por presidir a Fifa. Mas quem não gostaria?
E sua primeira eleição, em 1998, na França, foi manchada por casos comprovados de corrupção, compra de votos etc., como é também habitual na escolha de sedes para Copas do Mundo, Olimpíadas, eleições no Comitê Olímpico Internacional e nas federações esportivas pelo mundo afora, com exceção do Brasil, é claro! O que há de clamorosas evidências aqui na África do Sul de grossa corrupção em torno de estádios erguidos com dinheiro público só não serve de alerta para o Brasil porque, felizmente, há séculos banimos quaisquer resquícios de desrespeito à coisa pública.
Mas o suíço tem uma clara diferença em relação à esmagadora maioria de seus pares: ele gosta de futebol. É perceptível que ele fala com amor ao jogo, com paixão mesmo, que entende seus meandros, que se preocupa em preservá-lo, ao menos, dentro de campo - o que não significa, necessariamente, que não haja manipulações até numa Copa, porque o jogo da política no esporte não é diferente do em outras áreas de atividade.
Mas Blatter gostaria mesmo que os erros de arbitragem fossem corrigidos, e percebe que cada vez mais a introdução de tecnologia se faz obrigatória. Talvez, quem sabe, já para a Copa do Mundo no Brasil, daqui a quatro anos, pois antes tarde do que nunca.
O simples fato de ele ter admitido a hipótese, de ter pedido desculpas aos prejudicados ingleses e mexicanos - desculpas que, na verdade, só são aceitas em nome de agrados futuros - revela que alguma coisa está por acontecer antes de terminar o século 21, embora já devesse ter sido feita no 20 mesmo. Ora, nenhum argumento sobrevive contra o avanço quando se vê uma bola entrar mais de meio metro no gol, e o gol não ser validado.
Os que dizem que a tecnologia não poderá ser usada em todos os campos e torneios são aqueles adeptos de que o bom é inimigo do ótimo, uma falsidade. Também no tênis a eletrônica entra em poucas quadras, e de poucos torneios. Só dos mais importantes. E já não é bom?
Afinal, zelar pela verdade do resultado do jogo é a primeira obrigação do gestor esportivo.

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