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sexta-feira, 11 de março de 2011

A FINANCEIRIZAÇÃO DA FOME

Nos últimos 30 anos, a desregulamentação e a liberalização da finança quebraram as barreiras impostas pelas reformas dos anos 30 do século passado, criaram os supermercados financeiros e promoveram a securitização dos créditos. No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores (ainda que os países desenvolvidos tivessem mantidos os subsídios a seus agricultores) e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao capricho e à sanha especulativa dos mercados futuros.

Depois do crash de 1929, o Glass-Steagal Act proibiu o envolvimento direto dos bancos comerciais em operações nos mercados de capitais, mercados imobiliários e na especulação nos mercados de alta volatilidade, como é o caso das commodities. Nos últimos 30 anos, a desregulamentação e a liberalização da finança quebraram as barreiras impostas pelas reformas dos anos 30 do século passado, criaram os supermercados financeiros e promoveram a securitização dos créditos. Na verdade, as inovações financeiras alteraram as relações entre bancos de depósito, bancos de investimento e outras instituições financeiras que se aproximaram das funções cumpridas pelos bancos comerciais. Ao mesmo tempo, estes passaram a executar funções próprias dos bancos de investimento, ao criar os SIVS (Special Investment Vehicles) para carregar os papéis lastreados nas operações de crédito, não só os hipotecários.
Entre outras consequências, as transformações impulsionaram a securitização dos créditos, estimularam a “alavancagem” (palavra horrível) abusiva - ou seja, a utilização do crédito barato para sustentar a posse de ativos em desproporção perigosa com o capital próprio. Na maioria dos casos, antes da crise, a relação era de 30 para 1. Não espanta que tais procedimentos da alta finança tenham promovido o inchaço das operações com derivativos nos mercados futuros de juros, câmbio, matérias-primas e alimentos. No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores (ainda que os países desenvolvidos tivessem mantidos os subsídios a seus agricultores) e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao capricho e à sanha especulativa dos mercados futuros.
O Federal Reserve o Tesouro americano deixaram correr farra da alavancagem e o festival da multiplicação de securities lastreadas em empréstimos hipotecários. Essa música tambem embalava a especulação altista

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

DOIS MENINOS PERIGOSOS E SUA HERANÇA

Maria Clara Bingemer, Jornal do Brasil
Parece amarga ironia que hajam sido batizadas de “meninos” (Little boy e Fat boy) as duas bombas atômicas que há 65 anos caíram sobre Hiroshima e Nagasáki, no Japão, lançadas por aviões norte-americanos. No dia 6 de agosto, o avião Enola Gay deixava cair seu fardo destruidor sobre Hiroshima. Três dias depois, era a vez de Fat boy ser lançada sobre a cidade de Nagasáki. As duas bombas mataram cerca de 140 mil pessoas em Hiroshima e 74 mil em Nagasáki. Este número aumentou expressivamente nos anos seguintes devido às sequelas causadas pela radiação.
Menos de uma semana depois dos ataques nucleares, em 15 de agosto de 1945, o Japão se rendia e a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim, deixando atrás de si o maior saldo de mortes da história da humanidade: mais de 50 milhões, além dos cerca de 28 milhões de mutilados. O genocídio do povo judeu ceifou quase 6 milhões de vidas.
A amargura da ironia se torna maior. À destruição causada pela guerra se acrescenta outra ainda maior. Para deixar de matar por um lado, mata-se mais e mais cruelmente pelo outro. O mundo parece um doente terminal que, ao ser tratado de um mal, outro é desencadeado, e ao tomar um remédio que cura uma doença desperta outra no organismo frágil e esgarçado.
O capitão Theodore Van Kirk, tripulante do avião que lançou a bomba atômica sobre Hiroshima, entrevistado, não deixou transparecer um único sentimento de arrependimento pela violência que protagonizou. Ao contrário, disse sentir-se orgulhoso da missão que, segundo ele, salvou muitas vidas e pôs fim a uma odiosa guerra. Declarou que, assim como seus companheiros, tinha pleno conhecimento sobre o tipo de armamento que levavam. Isso fez com que passassem a noite anterior ao lançamento da bomba jogando pôquer, já que não podiam dormir. O “menino” explosivo que carregavam requeria vigilância permanente. Acrescentou, no entanto, que esse tipo de arma não deveria voltar a ser usado nunca mais.
Sessenta e cinco anos depois, o triste aniversário se celebra como de praxe. Minuto de silêncio pelos mortos. Discursos emocionados relembrando as vítimas e emitindo desejos de paz. Os hibakusha, como são chamados em japonês os sobreviventes da tragédia, estiveram no centro das celebrações. Receberam o preito de homenagem dos visitantes ilustres e serão recebidos pelo papa Bento XVI.
Mas esta celebração teve um toque diferente. Ali comparecerem pela primeira vez representantes dos Estados Unidos, Reino Unido e França. As três grandes potências, protagonistas da Segunda Guerra e aliadas no bombardeio a Hiroshima e Nagasáki, marcaram presença no Japão em sinal de apoio ao desarmamento nuclear.
Parece crescer a consciência de que não se combate a violência com mais violência. Ou de que a vitória final não é daquele que tem mais potencial destrutivo. Os dois “meninos” atômicos que deixaram esse rastro de dor e morte no Japão há 65 anos precisam ser definitivamente varridos da história e do cenário mundial.
Pois, como bem disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a única maneira de assegurar que as armas nucleares não serão usadas é eliminá-las. Se outros “meninos” como os do Enola Gay ficarem à solta, os habikusha podemos ser todos nós.
Maria Clara Bingemer é autora de 'A argila e o espírito - Ensaios sobre ética, mística e poética' (Ed. Garamond), entre outros livros. wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape

sábado, 7 de agosto de 2010

Hiroshima, 6 de agosto de 1945.
Hiroshima, 8:15 do dia 6 de Agosto de 1945. Em plena 2ª Guerra Mundial, uma bomba até então desconhecida foi lançada pelos EUA sobre a cidade japonesa. Era a bomba atômica, uma arma de destruição em massa. Cerca de 140 mil pessoas morreram vítimas do artefato. Escolas, hospitais, igrejas, nada foi respeitado. É certo que a bomba antecipou a rendição japonesa e fez o país repensar seu papel no cenário geopolítico mundial. Mas quantas vidas foram tiradas para resolver a equação da guerra? 65 anos após o uso da arma, uma missa foi realizada no mesmo local atingido pela bomba. Pela primeira vez os EUA enviaram um representante oficial. No Memorial da Paz, em Hiroshima, cerca de 55 pessoas rezaram pelas vítimas da guerra, entre elas, vários sobreviventes.
Prédio atingido pela bomba foi mantido com as marcas da guerra. Hiroshima, 06/08/2010.
Foto: Museu Memorial da Paz/Efe.
Foto: Shuji Kajiyama/AP

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ECONOMIA AQUECIDA

CARLOS CHAGAS
Divulgam os jornais que os Estados Unidos já gastaram mais de um trilhão de dólares na luta contra o terror. Boa parte dessa inimaginável soma serviu para operações militares, produção e aquisição de material bélico e de sofisticados aparelhos para monitorar terroristas. Feliz, mesmo, está o complexo industrial-militar denunciado pelo presidente Eisenhower no discurso em que passou o poder para John Kennedy. Um refrigério na economia americana, só superado durante a II Guerra Mundial. Lucro para muitos. Empregos, também. Acontecerá o quê, se o terror for completamente extirpado?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Museu Anne Frank, em Amsterdã, lançou nesta sexta-feira uma versão em quadrinhos do famoso diário na adolescente judia. O objetivo da iniciativa é que a história da menina que morreu em um campo de concentração nazista ao final da Segunda Guerra Mundial tenha um alcance ainda maior.
Segundo a porta-voz Annemarie Bekker, a ideia é chegar a jovens que não leriam o Diário de Anne Frank de outra maneira. "Nem todo mundo lerá o diário. Um não exclui o outro", disse ela. Annemarie disse ainda que a biografia ilustrada poderia ser usada em escolas como um complemento ao ensino sobre o Holocausto.
A obra é trabalho conjunto do americano Sid Jacobson e do ilustrador Ernest Colon. Eles também trabalharam em conjunto no beste-seller The 9/11 Commission Report. A versão ilustrada do Diário de Anne Frank chegará às lojas no final deste mês nos Estados Unidos. Já estão planejadas versões em francês, italiano e alemão.
Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt, na Alemanha. Aos 5 anos, ela mudou-se para Amsterdã, na Holanda, com a família para fugir das perseguições do regime nazista aos judeus. Seis anos mais tarde, em 1940, os alemães invadiram a Holanda, onde os judeus passaram novamente a ser alvo de leis segregacionistas.
Em julho de 1942, a família Frank se escondeu com a mulher e as duas filhas em um anexo nos fundos do prédio onde funcionava seu escritório. Em um diário, que ganhou pouco antes de se mudarem para o esconderijo, ao completar 13 anos, e deveria servir apenas para narrar os acontecimentos corriqueiros na vida de uma adolescente, Anne passou a descrever a dificuldade da vida no esconderijo.