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sábado, 30 de março de 2013

NA EUROPA


Os costumeiros agentes da intriga e da deturpação, insatisfeitos porque suas teorias estão indo para o beleléu, inconformados com o alto nível de emprego do pais, a alta renda do trabalhador e a inclusão social, ficam levantando questões que servem apenas para torná-los mais ridículos. 
Apagão aéreo, da saúde, da energia, inflação, exportações mais baixas tudo serve para essa gente mostrar os caninos, exercitar as suas contrariedades mal contidas, afirmando que o governo está no caminho errado, que o plano real não existe mais, que a inflação está fora de controle etc. 
Tudo bem, é verdade que o custo de vida deu uma guinada forte, do fim do fim de 2012 para este ano, porém é bom que se examine que podem ter decorrido de fatores climáticos, na maior parte. 
Os articulistas falam da seca nos USA (não sua cabeça só existe esse país) mas abstem-se de falar da cruel e longa estiagem no Nordeste, que também estimula a alta de preços. 
Em suma, em vez da racionalidade, impera o despeito com o sucesso do governo. 
Que coisa! 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

INFRA-ESTRUTURA

BNDES libera R$ 67,866 bilhões em empréstimos no mês de julho.

O valor total de empréstimos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram 67,866 bilhões de reais no acumulado de janeiro a julho, queda de 2% ante igual período de 2011. Já as aprovações de novos financiamentos somaram 86,817 bilhões de reais no ano, até julho, informou o banco nesta quinta (6). 
A indústria recebeu 22,848 bilhões de reais em empréstimos de janeiro a julho, o setor de comércio e serviços ficou com 16,822 bilhões de reais e o de infraestrutura, separado na classificação do BNDES, com 22,843 bilhões de reais da instituição. 
Já a agropecuária recebeu 5,354 bilhões de reais em empréstimos no período.

MAIS DINDIN?!?

Ayres Britto quer aumento de 7,12% nos salários dos ministros do STF.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Calos Ayres Britto encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei solicitando aumento de 7,12% nos salários dos ministros da Corte já para o início de 2013. O reajuste passaria de R$ 26, 7 mil para R$ 28,6 mil. "A revisão pretendida encontra respaldo na Constituição Federal de 1988 que, no artigo 37, assegura periódica adequação do subsídio à realidade econômica do país", afirma Britto. Para ele, o reajuste traria um impacto de R$ 285 milhões no Poder Judiciário da União. Como o salário de ministro representa o teto do funcionalismo público e vários vencimentos são vinculados a ele, o aumento também beneficiaria juízes e procuradores.

terça-feira, 14 de agosto de 2012


Revista Forbes tira uma da cara dos 'brazucas'.

O jornalista Kenneth Rapoza, da Forbes, em tom debochado tirou uma com a cara dos brasileiros que se acham em grande status ao comprar por mais de R$ 80.000,00 um Civic, um Corola ou um Jeep Grand Cherokee por US$ 89.500,00. Diz Rapoza, que enquanto um americano gasta com um carro novo a metade do que ganha em uma ano de trabalho, um brasileiro gasta o equivalente a um ano inteiro de salário com um automóvel que custa três vezes mais do que no país de origem da marca. 
Enquanto no Brasil uma montadora lucra 30% do preço do veículo, na Itália, no Reino Unido, na França e na Alemanha, essa proporção varia entre 15% e 17%. No Japao, é de 9,1%; nos EUA, de 6,1%. 
Depois dessa demonstração fica a pergunta: o cara tá errado? Somos mesmo uns otários!

domingo, 8 de julho de 2012

PESSIMISMO


Pessimismo empresarial trava retomada, diz presidente do BNDES
Por Valdo Cruz/Ana Estela de Sousa Pinto, da FolhaPress.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, comemora o fato de não estar mais "solitário" dentro do governo na defesa de uma taxa cambial mais competitiva e insinua que o real poderia estar ainda mais desvalorizado.
Declara-se motivado com o fato de que o desafio de "salvar, revigorar, reindustrializar cadeias que perdemos" ter se tornado consenso no governo. "Fui solitário neste processo", disse em entrevista à Folha.
Ele atribui boa parte da estagnação da indústria ao fato de a moeda brasileira ter passado por "longos períodos" de valorização.
Cita especificamente os "últimos dois anos", período no qual o dólar chegou a ameaçar cair abaixo de R$ 1,50, quando diz ter vivido um "período de grande angústia". Conselheiro da presidente Dilma, Coutinho diz que o empresariado brasileiro é ciclotímico e está numa posição "muito mais pessimista" do que o potencial brasileiro justifica no momento.
Para ele, esse é um dos fatores para a demora na recuperação do crescimento. O empresariado "travou um pouco o investimento".
Ele evita fazer previsões sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), mas diz que indústria começa a dar sinais de recuperação.
Classificando a era dos juros altos como uma "página virada" e nosso "último ato" a recuperação da "solidez cambial", Luciano Coutinho diz que o país tem, agora, dois desafios principais: a redução da carga tributária e a melhoria da competitividade e da produtividade.
Coutinho reconhece, porém, que a redução da carga tributária, "complexa e imperfeita", é difícil de ser implementada, por envolver disputas federativas.
No curto prazo, o governo vai atacar os "custos sistêmicos" do país, entre eles o de energia, afirma.
Responsável pelas ações do governo no financiamento de grandes projetos da economia, o presidente do BNDES aponta o setor de bens de capital como o que mais "sofreu" na indústria brasileira e anuncia que vai adotar medidas para revigorá-lo. Ressalva, porém, que serão estímulos progressivos. "É fácil, muito mais fácil destruir do que construir."
Rebatendo as críticas de que o governo Dilma está se limitando a medidas pontuais para combater a crise, Coutinho diz que são elas que permitem uma "transição" para a indústria "sobreviver" durante o período de turbulências. Reconhece, porém, que, apesar de serem "necessárias", não são "suficientes".
Segundo ele, o que o governo tem feito é dar "oxigênio" para "manter vivo" o setor de bens de capital durante o desaquecimento da economia brasileira. Diz, porém, que apesar de "um ou outro pequenininho" estar na UTI, não há problemas mais graves. "Problema eu tive em 2008 para 2009, aqui foi problema", quando a economia nacional entrou em recessão.
Leia trechos da entrevista.
Joel Silva/Folhapress
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, no escritório do banco em São Paulo, no Itaim
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, no escritório do banco de fomento em São Paulo, no Itaim

Folha - No momento em que o BNDES completa 60 anos, a indústria brasileira passa por um momento delicado, num quadro em que nossa economia não dá sinais de recuperação. Qual o papel do banco hoje?
LUCIANO COUTINHO - Não sei se é um momento delicado, acho que é rico em desafios positivos para o país. Tivemos mudanças qualitativas importantes na combinação câmbio e juros, uma redução real da taxa de juros, considerada alta demais diante dos bons fundamentos macroeconômicos.
Ficamos com uma herança de juros muito altos, mas isso está sendo corrigido, tirando proveito de uma janela de oportunidade que é a crise internacional.
Estamos caminhando firmemente para ter um patamar de juros condizente com nossa condição macroeconômica.
O que é isso?
O Brasil é um dos poucos países que está reduzindo sua dívida líquida sobre o PIB, tem um superávit primário, caminhando para um déficit nominal muito baixinho. Um déficit nominal de 1%.
Todos os países desenvolvidos estão com deficit de 6%, 7%, 8% do PIB. Os europeus vão suar sangue para chegar a 5%, 6%.
Temos uma condição macroeconômica privilegiada, e isso vai se refletir numa taxa de juros mais baixa. O que abre caminho para uma grande mudança qualitativa em termos de desenvolvimento do sistema financeiro privado do país e do mercado de capitais.
Então, nós precisamos ter em perspectiva que temos, e repito sempre isso, uma fronteira de investimentos de alta rentabilidade, que será um fator de propulsão do crescimento brasileiro.
A combinação dessas duas grandes condições é que nos permitirá crescer, aumentar os investimentos em relação ao PIB, e crescer a taxas mais altas do que das taxas recentes. E essas taxas poderão ser tanto mais altas quanto mais capazes sejamos de enfrentar os dois grandes desafios que restam, que são estruturais. Quais? O desafio da competitividade e da produtividade. E o da estrutura tributária. São os dois desafios de longo prazo.
Por que ainda não enfrentamos de frente esses dois desafios? A taxa de câmbio passou dos R$ 2, os juros estão mais baixos, mas a confiança do empresário segue também muito baixa.
É verdade. Estamos falando de uma circunstância de curto prazo. Precisamos lembrar aqui duas coisas. Primeiro, o empresariado é muito ciclotímico. O mercado é ciclotímico em geral.
Ele vai para a euforia quando, em 2010, tínhamos um estado de euforia que ia além da realidade. Quando as coisas, especialmente com a crise internacional, são mais difíceis, o empresariado também cai numa posição muitas vezes mais pessimista do que o potencial brasileiro.
Ele está mais pessimista do que deveria estar?
Acho que sim. Está muito afetado pela conjuntura de curto prazo de um lado. De outro, aí é uma questão específica da indústria, tivemos muitos períodos de apreciação cambial.
Primeiro, foi o Plano Real, um período de cinco anos, até que ele se desfez da forma como foi concebido e foi para o sistema flutuante. Aí tivemos um período relativamente curto de câmbio mais favorável. Depois, veio um outro período, também longo, de contínua apreciação cambial, que vem de 2004 até a crise de 2008.
Houve uma breve interrupção e o sucesso brasileiro em vencer a crise levou de novo a um ciclo de apreciação. Esse mais recente.
Até 2010 e 2011.
Esse mais recente, até o ano passado, quando a política de redução de juros e a intervenção regulatória, de regulação do mercado cambial, via impostos, via IOF, mitigou a situação.
E a crise internacional também mudou de mão. Aí você conseguiu escapar de uma trajetória de apreciação cambial.
Agora, ao longo desses períodos, a indústria veio perdendo substância. Foi perdendo lentamente mercado no exterior, porque vários concorrentes se aparelharam, tomaram market share.
O México capturou nosso market share de manufaturados no mercado americano. Houve a tremenda expansão chinesa para todos os mercados de manufaturados. Esse movimento começou a induzir a um esvaziamento das nossas cadeias produtivas, com ampliação da importação de partes, de peças.
Esse processo tornou-se mais claramente percebido por todos nos últimos dois anos.
Eu pessoalmente vivi um período de grande angústia com isso. Em muitos momentos eu fui solitário neste processo.
Foi um momento de críticas à política cambial do governo por parte do empresariado.
Eu fui solitário neste processo e acho que, depois, hoje, isso virou.
Aquele sentimento meu, que era solitário, virou um sentimento de todos. O que me deixa muito feliz, porque finalmente acho que sociedade brasileira e o empresariado brasileiro começam a compreender porque é tão relevante ter uma indústria forte e competitiva.
Porque a indústria é essencial hoje em nossa sociedade, não tanto para gerar empregos, porque a indústria cada vez mais eficiente vai para padrões de automação mais profundos, mas porque, nos serviços pré e pós-manufatura, ela cria empregos de alta qualificação.
Na pré-manufatura são serviços de engenharia, design, informatização, sistemas.
Depois, vêm os serviços pós, desde os de assistência até os de marketing, que só se cria quando você tem uma indústria.
O que o país ainda está devendo, ainda não está sendo resolvido, ficou para trás?
Ficou por conta de um conjunto de fatores. O câmbio apreciado.
Quais são os fatores?
Primeiro, a subida de uma série de custos sistêmicos, como o de energia na margem. Combinada com o aumento de carga tributária sobre os insumos em geral e sobre a energia também.
O Brasil passou de uma economia onde os custos sistêmicos eram competitivos, nos anos 70 e parte dos anos 80, para uma economia em que eles se tornaram altos.
De outro lado, tivemos um saudável processo, mais recente, do governo do presidente Lula, de aumento da taxa de crescimento do país.
Esse processo, embora aquém do que todos gostaríamos que fosse, combinado com a transição demográfica brasileira, que fez reduzir o crescimento da população economicamente ativa, produziu um aumento muito saudável do emprego formal.
Num contexto em que a economia cresce e a taxa de desemprego cai, os salários reais sobem. O que é saudável, porque melhora a distribuição de renda no país.
O que ajuda a segurar a popularidade da presidente Dilma.
Por mérito do governo. Mas não quero discutir política. O fato é que isso afeta o custo da competitividade, há uma pressão sobre os custos sistêmicos e um aumento de custo de salário unitário.
Combinados com a apreciação da taxa de câmbio, provocaram uma pinça de esmagamento da rentabilidade da indústria, da taxa de retorno na atividade industrial, reduzindo sua competitividade.
Temos também um problema de produtividade, sim, especialmente do trabalho. O Brasil precisa subir rapidamente a produtividade do trabalho, ter uma agenda de reforço da automação para preservar a capacidade competitiva da indústria.
Temos um tremendo desafio, que é salvar, revigorar, reindustrializar cadeias que perdemos, de tal maneira que a indústria brasileira volte a ter um papel relevante na dinamização da economia brasileira. Eu me sinto muito motivado no momento em que a compreensão desse desafio começa a se tornar consensual.
Dentro do governo?
Na sociedade. Que é mais importante, porque agora há uma compreensão disso.
Por que estou motivado? Porque temos até uma cobrança, que até certo ponto é injusta, de que o governo só está atuando num plano tático, de medidas, quando na verdade a grande angústia é a compreensão de que os problemas são mais estruturais e precisamos de estratégias de longo prazo.
O que posso assegurar é que o governo está plenamente consciente desses grandes desafios.
Eu não mencionei, quando falei dos custos, um outro fator, que é a subida da carga tributária, que não é um fator de um governo, vem desde os anos 70.
À medida que foi subindo, tornou-se tecnicamente mais cumulativa, complexa e imperfeita. Foi ficando qualitativamente pior, não só maior como pior. O governo tem plena consciência de todos esses problemas e desafios estruturais, quais sejam, de ganhar competitividade, produtividade, reduzir a carga tributária, os custos sistêmicos, inclusive os de energia. Porém, a complexidade desses problemas é muito maior do que o manejo diário. Obviamente é uma questão complexa.
O sr. vê possibilidades de a reforma tributária avançar no curto prazo, já está em estudo no governo?
Há uma reflexão que está sendo feita a respeito de como começar. Não quero adiantar, mas há uma reflexão permanente sobre o melhor caminho.
Agora, um pouco para responder à percepção de que nada está sendo feito, o que não é verdade, chamo a atenção primeiro para o fato de um dos grandes desafios brasileiros, que era o primeiro que o empresariado sempre colocava, os juros muito altos, esta é uma página que está sendo virada. Vamos fazer pouco disso? Não.
Segundo, a questão da chamada guerra dos portos. Uma batalha difícil foi enfrentada, outra página que está sendo virada, e que é fundamental para a questão da indústria. E a melhoria relativa da taxa de câmbio real.
Relativa, ainda?
Sim.
Ela deveria ser mais alta ainda?
Acho que a gente deve continuar com o sistema de câmbio flutuante, mas... Eu não quero dar um número, mas eu acho...
Poderia ser maior e seria melhor?
Enfim, se fosse, melhor. Isso é uma coisa que nós temos que pensar em faixa, e não em números.
Seguinte, como os problemas estruturais são difíceis, gera uma ansiedade.
Temos de transformar essa ansiedade em uma consciência e uma criação de condições para enfrentar as questões estruturais. Porque as questões estruturais não podem ser enfrentadas só por governos.
São questões que demandam uma ampla consciência da sociedade, do Congresso Nacional, para poder enfrentar reformas mais profundas.
O sr. diria que as duas mudanças essenciais são o custo da energia e a reforma tributária?
Não só o custo da energia, mas o de vários insumos importantes, incluindo energia. A questão tributária e a da produtividade do trabalho.
E o desenvolvimento do mercado de capitais?
O desenvolvimento de mercado de capitais. O BNDES tem um papel importante em, primeiro, cumprir o papel clássico de suprir créditos, de longo prazo enquanto o mercado não se estrutura. Segundo, o BNDES tem de se preparar para esses novos grandes desafios do futuro.
Quando o sr. pensa na cadeia produtiva da indústria, qual foi a etapa que mais sofreu com essa crise recente, houve em algum setor um problema grave de desindustrialização?
Se olharmos com visão de prazo mais longo, quem sofreu mais? Foram os setores de bens de capital. O Brasil chegou a ter, no início dos anos 80, uma indústria de bens de capital muito mais importante. Ela veio perdendo substância. Perdemos empresas de setores importantes na área de equipamentos de telecomunicações, de eletrônica em geral, um pouco de indústria de informática, na área de farmacêutico e química. Aí, sim, tivemos um renascimento mais recente por causa do mercado de genéricos, mas perdemos muita substância. E permitimos um esvaziamento de valor agregado dentro da cadeia automotiva, que era muito integrada e começou a ficar uma indústria só de montagem final. Num período mais recente, algumas destas tendências se agravaram.
Um dos fatores que vamos preparar, num contexto de recuperação da nossa capacidade e da nossa densidade industrial, é um processo de revisão da política do BNDES da Finame, do financiamento de máquinas e equipamentos. Queremos induzir o fabricante a ganhar mais capacidade de agregar valor no país. Sabemos que, para reverter esse processo, no que toca a equipamentos e bens de capital, teremos de criar estímulos e fazer isso de uma maneira progressiva. É fácil, muito mais fácil destruir do que construir.
Leva quanto tempo?
Não sei exatamente, depende muito do setor. Em algum setor pode levar cinco, em outro, dois.
Por que o setor de bens de capital foi o que mais sofreu na indústria?
Temos uma agenda muito difícil de reforço da estrutura de capital das empresas. Precisamos recuperar primeiro o oxigênio. Esse período de desaquecimento da economia, num período mais recente, inspira que nós nos preocupemos em manter vivo o setor para que ele possa retomar o oxigênio para enfrentar o desafio. Temos uma agenda, de médio e longo prazos, de ganhar capacidade. Na agenda de curtíssimo prazo temos que assegurar a capacidade de sobrevivência da indústria. Daí porque o governo tomou uma série de medidas, que falaram que eram "medidas pontuais, determinou compras de equipamentos". O que quero dizer é que as medidas táticas têm seu valor e seu lugar, sua necessidade, não podemos descartá-las, essas medidas táticas é que permitem uma transição para sobreviver. Elas são necessárias, o que não são é suficientes.
A principal crítica não é nem sobre as medidas de curto prazo, mas a falta das de longo prazo.
Mas elas estão sendo gestadas.
Na área tributária?
Não, a área tributária é a mais difícil. Porque qualquer mexida em sistema tributário tem impacto sobre a distribuição entre esferas de governo e regiões do país. Mudanças tributárias primeiro têm um certo grau de risco. Precisaríamos estar num grau de solidez macroeconômica tal, estamos chegando perto disso, porque qualquer mudança no sistema tributário pode produzir perdas maiores do que as previstas. Um sistema mais perfeito tem de combinar uma redução paulatina da carga tributária, porque não é realista imaginar uma redução radical da carga tributária, como muitos querem. Esse é o desafio mais difícil, precisa ser amadurecido, não é apenas uma coisa de um governo, são propostas que precisam ser amplamente costuradas. Começa na sociedade e com o sistema político, porque caso contrário a chance de sucesso é pequena.
Pensando nos gargalos industriais que o sr. citou, que são a questão tributária, a da energia, eficiência, da automação, a questão de desenvolvimento de um mercado de capitais de financiamento de longo prazo. Qual deles tem mais chance de progresso?
O que tem mais chance de andar mais rápido, com a redução da taxa de juros, é o desenvolvimento financeiro, porque o nosso é sofisticado e temos estoque de poupança preexistente, em grande parte ancorado em papéis públicos que podem migrar para papéis privados. Esta é uma reforma muito relevante e pode acontecer. O outro, que está em processo de reflexão, tem a ver com os custos de energia, mas eu não posso adiantar, mas há uma reflexão a respeito e pode resultar em algum avanço importante.
No caso do custo de energia, a presidente quer uma decisão até o final do ano, é isso?
É, existe uma reflexão em nível de governo deste tema. O tema do aumento da produtividade e da competitividade é de médio e de longo prazo, mas que precisa começar e temos de impulsioná-lo. Acredito que aqui não se constrói da noite para o dia, mas temos de começar a caminhar. Temos condições de avançar em muitas cadeias importantes. Na área de óleo e gás, continuar avançando no agronegócio e na sua base industrial. Temos capacidade de revigorar a nossa indústria automotiva e agregar valor dentro dela.
Temos condição de sustentar e avançar na capacidade competitiva de vários sistemas, nos quais o Brasil ainda tem competitividade, mas tem de preservar. Falo de celulose e papel, da siderurgia. Temos que retomar nossa reflexão a respeito do nosso complexo intensivo de informação, cadeia de fornecimento em telecomunicações, em eletrônico de consumo, nós estamos trabalhando intensamente para trazer a indústria de display, que é fundamental.
Temos condições de avançar na indústria farmacêutica, que tem hoje uma nova geração de produtos de base biotecnológica. Temos que capturar essa oportunidade. Temos que avançar em toda a indústria tanto de equipamento como de consumo para construção. É uma cadeia poderosa. Temos uma oportunidade nova, com a Vale, com a obtenção do licenciamento do projeto Serra Sul, no Pará, vai agregar mais R$ 40 bi de investimentos nos próximos anos, um outro Carajás.
Então, o Brasil tem muita oportunidade e precisamos enxergá-las. Precisamos voltar a pensar a longo prazo. Se tivesse de sintetizar tudo o que estou falando, é o seguinte: o Brasil desorganizou seu modelo de crescimento, nos anos 70, porque tinha um calcanhar de aquiles, que dependia na margem intensamente de poupança externa. Esse modelo foi desarmado pela crise da dívida no início dos anos 80, jogou o ônus da dívida em cima do setor público, desorganizou as finanças públicas, deu quase hiperinflação, tivemos de suar sangue para vencer e fizemos um longo caminho de recuperar a saúde fiscal do Estado, o último ato foi recuperar solidez cambial. E, milagrosamente, conseguimos recuperar um volume de reservas internacionais, que é um colchão superimportante.
Por que o Brasil está demorando tanto a se recuperar neste ano?
Tem uma combinação de vários fatores pontuais e outros conjunturais. Primeiro, você tem a digestão do ciclo de endividamento das famílias, que não é feito da noite para o dia. Segundo, os estoques altos em vários setores. Terceiro, o setor privado é ciclotímico, ele travou um pouco o investimento. E aqui há fatores pontuais. Um pouco de perspectivas, uma visão de mais de curto prazo do setor empresarial. E, no plano do investimento público, a reorganização do Dnit, caiu um pouquinho o investimento.
Pouquinho?
Transportes está sendo recuperado. Esses fatores pontuais vão ser recuperados. Meus dados mais recentes do Finame já apontam uma recuperação na ponta.
Para quando?
Preciso ver ainda qual o ritmo disso, mas parou de cair e está embicando para cima, a venda de bens de capital na Finame. Vamos superar isso, as medidas estão tomadas.
Quando o sr. falou em dar oxigênio para a indústria, eu imaginei logo em hospital. O sr. colocaria a indústria na UTI ou numa unidade semiintensiva?
Esse negócio de hospital já não existe mais.
Mas o sr. falou que ela precisava de oxigênio para se manter viva.
Olha, o oxigênio você obtém tornando o ar mais puro e fazendo as pessoas aprenderem a respirar bem. Com aeróbica.
Então está na fase de reabilitação, fisioterapia?
Está longe [disso], tem um ou outro pequenininho na UTI ou querendo entrar, mas não estamos tendo nenhum problema. Problema eu tive em 2008 para 2009, aquilo que foi problema.
O sr. acha que tem de reduzir superávit primário para impulsionar investimento público?
Não, precisamos manter o superávit para garantir que o BC possa seguir reduzindo juros.
arte2/Editoria de Arte/Folhapress



quinta-feira, 24 de maio de 2012

NORMAL !?

Dólar fecha em queda novamente.
O dólar fechou em leve queda pelo segundo dia seguido. A moeda está cotada em R$ 2,029, redução de 0,49% em relação ao fechamento da última quarta (24). O dólar turismo terminou o dia custando R$ 2,18. O Banco Central (BC) está tentando conter a queda do dólar com mais duas operações de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. No primeiro leilão, foram vendidos US$ 507,8 milhões e, no segundo, US$ 54,7 milhões. 
Na primeira intervenção, foram ofertados 40 mil contratos e aceitos 10,2 mil. Na segunda operação, dos 40 mil contratos ofertados, 1,1 mil foram aceitos. Foi o terceiro dia seguido de intervenção do BC.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

JUROS

A  LIÇÃO QUE FICA - A rendição dos bancos ao novo ciclo de queda dos juros  marca um divisor na forma de se fazer política econômica no país. Quebrou-se um lacre político. Rompeu-se uma parede hegemônica ardilosamente defendida durante décadas com argumentos supostamente técnicos.  Em uma semana, o que era uma impossibilidade esférica, condicionada ao atendimento de uma soberba lista de 20 'contrapartidas'  comunicadas a Brasília  com rara deselegância pelo presidente do sindicato dos bancos (Febraban) , Murilo Portugal, reverteu-se em adesão maciça ao corte das taxas.  Como se deu a transumação da inflexibilidade em cordura? O governo e os partidos progressistas não devem temer a resposta que os fatos comunicam: o Estado brasileiro, apesar de tudo, ainda tem poder político e instrumental para reordenar a economia. A maior lição desse episódio é que ele vale também para outras esferas e desafios. (Carta Maior; 5ª feira 19/04/2012)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

NÃO HÁ "CORTES", HÁ "INCREMENTOS". !?!

Por achar o Congresso otimista demais no cálculo da arrecadação e para garantir que terá R$ 140 bilhões para pagar juros da dívida pública ao “mercado” este ano, o governo bloqueou R$ 55 bilhões do orçamento aprovado pelos parlamentares. O corte poupou o programa de combate à miséria e investimentos em obras de infra-estrutura e construção de moradias populares. E tenta preservar saúde e educação.
Segundo a equipe econômica, há determinação da presidenta Dilma Rousseff para que se melhorem serviços públicos em educação e saúde, a fim de atender as pessoas que entraram na classe média a partir do governo Lula.
Já no caso dos investimentos, a manutenção dos gastos aprovados pelo Congresso busca contribuir para o país crescer este ano pelo menos 4,5%, mais do que em 2011, cujo resultado na casa de 3% resultou, entre outras razões, de uma retirada igualmente elevada de recursos do orçamento (R$ 50 bilhões).
A tesourada de agora foi anunciada nesta quarta-feira (15) e ficou aquém do que esperava o "mercado" (R$ 60 bilhões). Parte sacrificará investimento em obras incluídas no orçamento por iniciativa de parlamentares (emendas). O valor, porém, não foi divulgado.
Para preparar o espírito da classe política para o que viria, Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, haviam se reunido, na véspera, com o Conselho Político, formado por dirigentes e líderes de partidos governistas.
Na reunião, mesmo sem falar no tamanho do corte, Dilma e Mantega haviam exposto o eixo central da gestão atual (qualificar os serviços públicos em saúde e educação e incentivar o crescimento via investimentos), a fim de mostrar aos aliados que seria bom apoiar os planos do governo.
Segundo o ministro diria depois à imprensa, o sucesso do governo é “compartilhado” pela base aliada, que poderia tirar proveito disso em discursos e eleições. É com este tipo de argumento que o governo espera convencer os aliados a apoiar suas decisões, mesmo sabendo que, em ano eleitoral, é grande a tentação dos parlamentares de lutar por mais emendas e gastos.
Ao explicar o bloqueio nesta quarta-feira (15), Mantega fez questão de deixar claro que conciliar melhoria em educação e saúde, com crescimento de 4,5% e pagamento de juros da dívida ao mercado era a premissa básica do governo, ao ajustar o orçamento.
Na entrevista, o ministro disse que, depois de ajustado, o orçamento “privilegia o aumento do investimento, que é a locomotiva do crescimento”. Que é um “contingenciamento alto, sim, que vai garantir a obtenção do resultado primário [pagamento de juros]". Que vai “viabilizar mais serviços públicos e com mais qualidade”. E que, por tudo isso, "não é um ajuste fiscal clássico, conservador", que "corta tudo", como se vê na Europa.
Otimismo x realismo.
A lei, já sancionada pela presidenta, define quais são os limites máximos de gastos com os quais o governo pode trabalhar em cada área e no geral. O governo pode ou não usar o limite máximo. O que faz em todo o início de ano é anunciar qual é o seu próprio teto, posteriormente formalizado por meio de um decreto.
A lei aprovada pelo Congresso dava ao governo federal o limite de R$ 937 bilhões em gastos, sendo R$ 97 bilhões para juros da dívida (os outros R$ 43 bilhões, para totalizar R$ 140 bilhões, sairão de estados e municípios) e R$ 866 bilhões para as demais despesas. Depois do ajuste do governo, a receita caiu para R$ 908 bilhões, as despesas, para R$ 811 bilhões, enquanto os juros continuaram em R$ 140 bilhões.
O ajuste nas receitas foi feito porque o governo sempre acha que o Congresso exagera no otimismo – é uma queda-de-braço antiga. “Somos um pouco mais realistas”, afirmou Mantega.
Na comparação entre o que foi aprovado pelo Congresso e o que o governo diz agora que vai gastar de fato, quem mais perdeu dinheiro foi a saúde (R$ 5,4 bilhões). Mas, na comparação com o projeto de orçamento 2012 que o governo mandara ao Congresso, a saúde ganhou cerca de R$ 500 milhões. E, na comparação com o que foi de fato gasto no ano passado, a despesa de R$ 72 bilhões este ano será R$ 8 bilhões superior.
O mesmo vale para a educação, e por isso o governo diz agora que estas duas áreas sociais foram poupadas da tesourada. A educação recebeu R$ 25 bilhões em 2011, o governo propôs que recebesse R$ 33 bilhões em 2012, o Congresso subiu esse valor para R$ 35 bilhões, e agora o governo devolveu o limite para R$ 33 bilhões.
O programa de combate à miséria terá exatamente o que o Congresso aprovou, R$ 27 bilhões, R$ 1 bilhão acima do projeto original do governo. O mesmo aconteceu com os investimentos dos programas de obras de infra-estrutura (PAC) e de construção de imóveis. Juntos, ambos terão R$ 42 bilhões, o mesmo que tinha sido proposto pelo governo e que foi aprovado pelo Congresso.
Leia Mais:

sábado, 5 de novembro de 2011

Os paraísos fiscais e a hipocrisia do G20
Na cúpula de 2009, o G20 definiu como prioridades a reforma do sistema financeiro e o combate aos paraísos fiscais. De lá para cá o balanço é vergonhoso. Os paraísos fiscais são só estão mais ativos do que nunca, como, sobretudo, seguem funcionando ativamente em países como Suíça e Luxemburgo e em potências mundiais como EUA, Japão e Inglaterra. Cerca de 800 bilhões de euros saem dos países do Sul todos os anos para esses paraísos fiscais.


Vídeo da campanha francesa Ajudemos o dinheiro a sair dos paraísos fiscais.
O sistema financeiro, os paraísos fiscais, os impostos às transações financeiras, o nível de decisão dos países emergentes, os temas que deviam ocupar o centro da cúpula do G20 ficaram na sombra. A crise grega engoliu a sexta cúpula do G20 celebrada na luxuriosa cidade de Cannes, na Costa Azul francesa. A agenda da cúpula foi se modificando sob o peso da crise da dívida. A última versão da reunião dos países ricos e emergentes devia estar consagrada a apresentar uma rota de fuga para tirar do marasmo os 17 países da zona do euro e o passo forçado da economia mundial e ao papel que poderiam desempenhar na retomada econômica do planeta as nações emergentes como o Brasil e a China.
Não aconteceu nem uma coisa nem outra. O eixo franco-alemão monopolizou a cúpula mediante uma sólida ofensiva contra o Primeiro Ministro grego Yorgos Papandreu, para obrigá-lo a aceitar o plano de ajuste europeu em troca de um novo pacote de ajuda europeu de 8 bilhões de euros, sem passar por um referendo que, frente à surpresa geral, Papandreu sugeriu antes da cúpula. O espetáculo final mostrou o que os analistas internacionais vem anunciando há anos: o Ocidente se desloca para as suas margens. O vespertino francês Le Monde reumiu muito bem a situação com a manchete de seu editorial de primeira página: "Em Cannes, o festival das novas potências".
Os ricos de antes, EUA e União Europeia, tem os bolsos vazios e nadam em um mar de inoperância disfarçado com um aluvião de boas intenções. Frente a eles, Brasil e China se afirmam como um eixo de sólida responsabilidade. O G20 representa 90% das riquezas

terça-feira, 25 de outubro de 2011

LAVAGEM


Brasil não prende ninguém; juízes, MP e MJ pedem nova lei.
Na população carcerária brasileira de 512 mil pessoas, não há um só caso de lavagem de dinheiro, crime que não raro envolve gente de colarinho branco. Para dois juízes federais e um procurador da República, lei de 1998 precisa ser reformada e dotada de regras mais duras e efetivas. Segundo Ministério da Justiça, impunidade ameaça bloqueio de bens no exterior.
O Brasil tem hoje 512 mil pessoas presas cumprindo pena ou à espera de julgamento. Há 1,8 mil diplomados, 15 vezes menos do que o número de analfabetos, e 535 corrompedores, sete vezes mais do que o total de servidores públicos comprados. O perfil da população carcerária ajuda a entender porque, no país, não existe ninguém detido por lavagem de dinheiro, crime tipicamente cometido por gente de colarinho branco, com influência política e poderio econômico.
Essa é uma situação que juízes federais, Ministério Público e ministério da Justiça querem mudar. Eles cobram do Congresso a reforma da atual lei da lavagem, inserindo nela regras mais duras e efetivas contra os autores. “Urge uma atualização do nosso arsenal legislativo, que está extremamente carente de eficácia”, afirma o juiz Sérgio Fernando Moro, da sessão Judiciária do Paraná.
Moro condenou, em 2003, dirigentes e executivos do Banestado, banco que parte da elite nacional usou para mandar ao exterior, ilegalmente, dinheiro muitas vezes com origem irregular e que, um dia, poderia voltar ao país devidamente ensaboado. Todos os condenados estão soltos, pois recorreram a tribunais superiores. “É escandalosa a morosidade da Justiça, a estrutura é totalmente esclerosada”, diz.
“Hoje o crime econômico compensa. Não tem nenhuma ação penal que avance no Brasil e isso é de conhecimento internacional”, afirma o desembargador Fausto de Sanctis, que condenou o banqueiro Daniel Dantas.
A angústia dos dois juizes não acabaria apenas mudando-se a lei 9.613, de 1998, mas seria um começo. Projeto prestes a ser votado na Câmara amplia, por exemplo, as possibilidades de confisco de bens dos “lavadores”, o que ajudaria a inibir este tipo de crime.
“A punição é muito mais dolorosa quando se alcança o patrimônio”, diz o procurador Vladimir Aras, do grupo de trabalho sobre Lavagem de Dinheiro e Crimes Financeiros da Procuradoria-Geral da República.
O projeto tem mais dos dispositivos considerados importantes contra lavanderias. Um é o fim da lista de crimes praticados antes da lavagem, lista esta que precisa ser observada para que se caracterize a lavagem propriamente dita.
Na legislação atual, há oito situações que podem dar origem a lavagens, como lesão aos cofres públicos (sonegação de impostos, por exemplo) ou ao sistema financeiro. A lista seria uma amarra, porque deixaria de fora situações que também levariam a lavagens.
Outro dispositivo relevante seria um maior constrangimento daqueles setores econômicos que, por suas atividades, têm obrigação de colaborar na identificação de crimes de lavagem.
A lei de 1998 criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e mandou 12 setores prestarem informações a órgãos públicos sobre operações estranhas com as quais se deparem. É o caso dos bancos, que precisam relatar movimentações volumosas de quem não costuma fazer isso.
O projeto aumenta para 18 o número de setores obrigados a prestar informações. Entram na dança auditores, contadores, consultorias, juntas comerciais, empresas que transportam valores e até quem negocia jogadores de futebol. Além disso, a proposta eleva de R$ 500 mil para R$ 20 milhões, o teto da multa aplicada a empresa ou pessoa física que não contribuir como devia.
Para o chefe do Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros do Banco Central (BC), Ricardo Liao, uma multa deste tamanho “vai inibir um pouco ou vai fazer refletir um pouco mais”, aqueles que deveriam prestar informações mas acabam tentados a não fazê-lo porque o cliente que denunciariam seria poderoso ou parceiro em negócios futuros, por exemplo.
A falta de combate efetivo à lavagem de dinheiro dentro do Brasil está a ponto de causar problemas internacionais ao país. Como ninguém é condenado de forma definitiva, as autoridades de outros países começam a pensar duas vezes, antes de atender pedido de bloqueio de bens.
“Os criminosos se aproveitaram da globalização, ninguém mais guarda dinheiro aqui no Brasil”, disse o chefe do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional do ministério da Justiça, Ricardo Saadi. “Por causa da falta de sentenças transitadas em julgado, teremos problemas logo.”
Fornecedor dos dados sobre população carcerária que abriram esta reportagem, ele se pergunta: "Será que a lei serve para todos no Brasil ou só para a população mais baixa?"Saadi, Moro, de Sanctis, Liao e Aras participaram nesta terça-feira (25) de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o projeto de reforma da lei de lavagem.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

EURO EM TRANSE

**  greve geral contra arrocho fiscal paralisa a Itália nesse momento.
** contra a receita ortodoxa, Obama prepara um PAC anti-crise:  empregos e obras, a exemplo de Lula em 2007 e 2010.
** tucanato midiático faz terrorismo inflacionário contra corte de  juro.
**Delfim Netto: 'o mundo está literalmente vindo abaixo e ... sugere-se 'esperar para ver'! (Valor 06-09)
O DINHEIRO NÃO OBEDECE E NÃO HÁ NINGUÉM PARA DOMÁ-LO - O euro esfarela desde o início da crise mas  nesta 2ª feira ensaiou estrebuchar.  A União  Européia  praticamente não faz mais jus  ao nome. O laço monetário que a sustentava  deixou de ser um  trunfo para se consolidar em algoz. A Grécia, submetida à terapia ortodoxa para manter a moeda única, naufraga numa recessão que deixará de pé apenas as ruínas antigas, no dizer dos oposicionistas. O PIB deve cair  5,5% este ano. O descrédito é tamanho que  os credores exigiam ontem  taxas de juros de 50% para rolar a dívida grega por mais dois anos.  Eis o retorno  do pacote de arrocho imposto  pela Alemanha e o BCE  para escalpelar a sociedade e devolver confiança aos credores. A Grécia estáparalisada pela crise política:  governo, credores e  sociedade não se entendem. A exemplo de Atenas, a Itália patina nas mãos de credores que desacreditam da solvência de um país que deve 120% do PIB, é incapaz de arrecadar mais impostos da plutocracia, depende apenas de arrocho sobre os assalariados, tem um governante que se chama Berlusconi e está às voltas com uma greve geral que paralisa os transportes neste momento. Impasses semelhantes enfrentam a Espanha e Portugal. A crise aponta claramente as tarefas que se impõem. A salvação da UE pressupõe uma socialização do resgate fiscal de Estados periféricos atingidos no contrapé pela crise mundial. São duas as providencias  inadiáveis: a) arrecadar mais dos ricos e das grandes fortunas para desafogar o endividamento de Estados capturados pelo rentismo no  ciclo de alta liquidez neoliberal; b) lançar euro-bonus que diluam as fragilidades periféricas na força e na credibilidade das economia centrais, Alemanha e França, sobretudo. Angela  Merkel, porém, a dama-de-ferro conservadora resiste em fazer da UE  algo mais do que um quintal cativo das exportações germânicas.  Nem o aço ortodoxo de que é feitam todaviam resiste mais à corrosão da maré vazante. Derrotada  em sua própria base eleitoral nas eleições regionais de domingo último, Merkel deixou de ser referência (autoritária) de futuro para se transformar, ela própria, em fator de incerteza no presente. Bolsas da UE persistem em vermelho nest amanhã de 3ª feira. Em tempo:  e ainda há na mídia demotucana quem, de posse  plena de suas faculdades  mentais, classifique como  'precipitada' a redução de meio ponto na taxa de juro brasileira. O que seria do país se essa lógica ainda fosse governo? (Carta Maior; 3ª feira, 06/09/ 2011)

sábado, 20 de agosto de 2011

A FORÇA DA GRANA

Parece que países do porte do Brasil não têm margem de manobra para evitar que sua economia seja contaminada pelos fluxos financeiros globais. Os dez maiores fundos operam um valor equivalente a oito vezes o PIB brasileiro! Mas há, sim, o que fazer. O primeiro passo é afastar o conformismo.
Por Paulo Kliass, na Carta Maior.
Os primeiros anos do milênio têm sido pródigos em oferecer todo tipo de novidades em escala mundial, apresentadas em ritmo tresloucado e sendo permanentemente superadas, numa velocidade assustadora. A combinação entre o aprofundamento da internacionalização da economia, a crescente importância adquirida pelo processo de financeirização das atividades econômicas e o desenvolvimento tecnológico fenomenal no âmbito da informática e das telecomunicações oferecem um quadro potencialmente transformador nas relações econômicas em geral, e em particular nas operações em escala mundial.
Um fenômeno que bem reflete as mudanças oferecidas por esse verdadeiro coquetel de inovação são as relações financeiras no plano internacional. Até não muito tempo atrás, as chamadas “praças” guardavam forte conteúdo nacional, e mesmo local. As bolsas de valores de Nova York, Chicago, Londres, Paris e Tóquio eram, por exemplo, as vedetes das operações do mercado de capitais e apresentavam características específicas que as diferenciavam entre si. Porém, o desenvolvimento tecnológico e o aprofundamento do grau de mundialização das empresas fez com que tais particularidades fossem sendo resumidas praticamente às diferenças de fuso horário. Além disso, outros países asiáticos passaram a entrar no time principal das “cities” financeiras, como Hong Kong, Mumbai, Cingapura. E a ironia da história e das localizações geográficas fez com que as praças orientais fossem as primeiras a operar a cada dia útil no mercado financeiro e de capitais. No dizer do jargão financeiro, o mercado “abre” com as bolsas do sol levante.
No entanto, apesar dos meios de comunicação insistirem em tratar a questão com certa dose de transcendência e intangibilidade para o grande público, o fato é que as grande jogadas no circuito financeiro são feitas por poucos e mastodônticos agentes no plano mundial. Perdeu-se quase toda a diversidade local e as tendências globais das operações se consolidam independentemente dos lugares e das diferenças dos fusos. Cada vez mais se concretiza o conhecido dito de Marx de que o “capital não tem pátria”. E agora basta uma decisão do comitê de investidores de uma determinada instituição financeira, uma ordem de execução ao operador da mesa de negócios e um toque na tecla “enter” para que os recursos atravessem fronteiras e meridianos em microlésimos de segundos! Uma única regra a ser respeitada: a busca permanente da maior rentabilidade. O que, é claro, pode
no jargão do financês) o ganho. Outros compram por achar que os preços estão em baixa e poderão subir no futuro. E por aí vai.
Mas a estrutura de composição do mercado financeiro internacional reflete um elevado nível de concentração, com a centralização de poder de decisão em mãos de poucas e imensas empresas. Por outro lado, o processo de financeirização das atividades econômicas em geral terminou por conferir ao mercado financeiro e às instituições que nele operam um sobredimensionamento em relação ao chamado “setor real” da economia. Com o crescimento mais do que proporcional das operações financeiras, esse setor praticamente se descolou da economia concreta, da produção de bens e da oferta de serviços em todo o mundo. A ampliação das oportunidades de ganhos e de realização de negócios introduziu o conceito de mercadoria em praticamente cada nicho da sociedade contemporânea. E aí meras apostas contra tendências econômicas futuras também alçaram características de mercadoria, com seu preço, sua oferta, sua demanda. A sofisticação negocial e tecnológica chega ao aprimoramento de transformar a mera atividade de especulação financeira em operação especial e específica no mercado de capitais. “Mercado de derivativos”, “mercado a termo”, “mercado futuro”, “mercado de hedge”, muitos são os rótulos para a enganosa embalagem para presente de algo que nada mais é do que a prática especulativa pura e simples.
Em escala internacional, a força dos conglomerados financeiros é capaz de subjugar Estados e derrubar governos. Levantamento divulgado recentemente informa que apenas os 10 maiores gestores de fundos financeiros globo afora eram responsáveis, ainda ao final de 2010, pela movimentação equivalente a US 17,4 trilhões. Ou seja, isso significa que um valor em títulos financeiros 20% superior ao PIB dos EUA está em mãos de 10 conglomerados. Ampliando um pouco a amostra, o relatório mostra que os 400 maiores gestores de fundos financeiros do globo eram responsáveis pela movimentação de US$ 53,6 trilhões – um valor difícil de dimensionar e comparar pela sua magnitude. A título de ilustração, ele representa um valor 30% maior do que a soma dos PIBs dos 10 maiores países do mundo.
Ora, sob tais condições, parece evidente que países do porte do Brasil não têm muita margem de manobra para evitar que sua economia seja contaminada por tais fluxos financeiros. Os dez maiores fundos operam um valor equivalente a oito vezes o PIB brasileiro! E, por incrível que pareça, ainda tem gente querendo nos fazer crer que eles “vêm para cá” (eufemismo para dizer que teclam “enter” na destinação “brazil” ) aplicar seus recursos porque acreditam no potencial econômico do nosso País, e todo o blá-blá-blá muito bem conhecido. Nadica de nada! O que buscam é o fabuloso ganho oferecido pela política monetária criminosa e irresponsável praticada pelos sucessivos governos através do Banco Central, quando há mais de uma década ostentamos as maiores taxas de juros do planeta! Ou então aquele “me-engana-que-eu-gosto” de que por aqui, in terrae brasilis, tudo é tranqüilo. Ficaríamos eternamente boiando beleza, como que intangíveis na nossa marolinha tupiniquim, enquanto o resto do mundo sofre as conseqüências do tsunami das crises.
Por meio da complementação perversa entre generalização da mercantilização e intensificação das atividades de financeirização, o mundo da economia atual vive um crescente distanciamento do mundo real. Tudo passa a ser encarado como mercadoria: uma relação social, um serviço público, uma diversão, o usufruto de férias, a satisfação de necessidades humanas básicas. E tudo passa a ser objeto de uma tentativa de financeirização: o empréstimo bancário, o cartão de crédito, o crédito consignado, os diversos tipos de seguro. E, com isso, além dos problemas sociais e econômicos gerais derivados dessa tendência de transformar tudo em mercadoria, cria-se um enorme fosso entre o valor econômico do mundo concreto (por mais impalpável que seja, é verdade) e o valor estratosférico das transações econômicas efetuadas apenas com base na esfera puramente financeira, descolada da atividade do mundo real.
O setor financeiro deveria existir para servir (sim, esse é o termo adequado!) à economia produtiva e ao setor de serviços. Reduzir custos, diminuir riscos, criar eficiência, agilizar operações. Mas o que se viu, ao longo do tempo, foi a crescente autonomização da área das finanças – na nossa vida de cidadãos, no interior das empresas, na estrutura do Estado, enfim, no conjunto da sociedade. A tal ponto que o restante das atividades tornaram-se dependentes, escravas mesmo, do setor financeiro. Uma completa inversão de valores e de prioridades.
Frente à força de tal movimento, por vezes parece-nos que não resta muito mais o que fazer. A atual forma de globalização das atividades sociais e econômicas assume ares de algo inevitável. O referido superdimensionamento da esfera financeira face à esfera produtiva parece igualmente inelutável. E não é bem assim. Por mais que vivamos esmagados sob a atual hegemonia desse modelo que tenta nos convencer de que não há alternativa, o mundo está salpicado de tentativas e experiências bem sucedidas em que um outro modelo de vida em sociedade é possível. O primeiro passo é romper o conformismo e a passividade. Em seguida, ampliar o horizonte de visão e superar a ignorância. Construir uma sociedade em que estejamos menos dependentes da bolha especulativa das empresas de informática na bolsa de Nova York ou dos tremeliques dos agentes das finanças por eventual dúvida a respeito da capacidade de algum país europeu cumprir ou não com sua dívida pública.

sábado, 23 de julho de 2011

É O FUNDO DO POÇO . . .

Por Heloisa Villela, para o Viomundo, de Nova York.
Afinal, qual é o jogo politico que o presidente Obama esta tentando jogar?
Impossível entender qual é o jogo político que o Presidente Barack Obama está tentando jogar. Ele, que nas horas vagas, faz questão de jogar basquete, será que tem uma estratégia na discussão com os republicanos? Se tem, ainda não deu para entender qual é.
Pois na última sexta-feira terminou o prazo que o presidente deu à oposição para um acordo em torno do nível de endividamento do país. O teto de endividamento tem que subir, caso contrário algo não será pago. Os juros dos títulos do tesouro, as aposentadorias, os salaries dos militares mobilizados para a chamada  Guerra contra o terrorismo. Enfim, calote em algum lugar.
Aos 45 do segundo tempo os republicanos desistiram da proposta de acordo apresentada por Obama. O Presidente da Câmara, John Boehner, em uma demonstração clara de desprezo e desrepeito ao Presidente da República, não respondeu ao telefonema de Obama na quinta-feira e somente falou com o Presidente na sexta, depois de dar uma entrevista à imprensa pra dizer que a proposta do governo não era séria.
E Obama? Foi, também, dar explicações à opinião pública. Difícil é explicar como ele ofereceu tudo que ofereceu e ainda teve a proposta recusada. Uma verdadeira bofetada. Então vejamos: cortes dramáticos na rede de serviços sociais (tudo que os democratas odeiam e os republicanos amam). US$ 3,5 trilhões  em cortes de gastos nos próximos dez anos. Um aumento de impostos muito mais modesto do que no plano conjunto de senadores republicanos e democratas. E nada do fim das benesses em isenções fiscais para as empresas de petróleo e gás, que Obama tanto insistiu em incluir nas negociações.
Ou seja: tudo que os republicanos queriam. Nada do que os democratas almejavam. Risco político sério de comprometer o apoio de boa parte do eleitorado.  Obama conseguiu fazer o plano mais à direita que os republicanos poderiam sonhar em ver um democrata propor. Mas se Obama decidiu ocupar o espaço da direita e não o centro-direita como fez Bill Clinton, qual é o movimento óbvio dos republicanos?
Ficar ainda mais à direita, para se diferenciar do Presidente. E por isso mesmo, foi graças à intransigência dos radicais do Tea Party (a turma da Sara Palin), que os programas de assistência social se livraram dos cortes que Obama ofereceu, gentilmente, à oposição.
É  o velho ditado, quando mais você se abaixa… E Obama só tem feito reverência. Não chama para o confronto. Não impõe limites. A impressão que ele passa é de que quer estar acima do bem e do mal, ser o fiel da balança. O sujeito cool, que nunca levanta a voz. Mas cada vez menos a classe média, os pobres e as minorias têm dificuldade de ver, nele, um líder.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

JURO DE 12,5%

BC APERTA A CORDA NO PESCOÇO DO PAÍS.
O Brasil tem a moeda mais valorizada num conjunto de 58 economias importantes do planeta. Com base num índice de equilíbrio igual a 100, o Real encontra-se hoje num patamar de 158 em relação a uma cesta de moedas. O segundo posto no ranking, bem abaixo, é ocupado pelo yuan chinês, com índice de 116, conforme os cálculos do Banco Internacional de Compensações, informa o Valor. A liderança brasileira encontra explicação em outro recorde: o país tem a maior taxa de juro real do mundo, superior a 6%. O padrão mundial, desde a crise de 20072008, gira em torno de zero. Em busca de lucro fácil, especuladores de todos os mercados –inclusive os nativos-- tomam dinheiro a juro zero lá fora e despejam em títulos públicos aqui. Em junho, em apenas 15 dias conseguia-se com essa operação --carry trade--  um lucro equivalente ao obtido em 24 meses de aplicação em papéis do Tesouro americano. Irresistível. Apesar de todas as medidas mitigatórias tomadas para conter esse tsunami, cerca de US$ 10 bi, entre fluxos comerciais e financeiros, ingressaram liquidamente na economia  na primeira quinzena de julho. Um colosso. A desindustrialização embutida nessa mecânica obedece a um roteiro já banalizado: o Real 'forte' barateia importações, desloca demanda e transfere empregos para fora do país. Nesta 4º feira o BC anunciou a subida de mais um degrau nesse patíbulo, elevando a Selic para 12,5%. Com uma novidade desconcertante, considerando-se os próprios termos da equação monetária: todos os índices de preços sinalizam desaceleração ou deflação. Inutilmente. É como se carrasco puxasse a corda apesar da suposta vítima do crime gritar da platéia: é inocente!  (Carta Maior; 5º feira 21/07/ 2011)

sábado, 5 de março de 2011

INVESTIMENTO PUBLICITÁRIO EM LULA

Sai barato.
Ana Paula Grabois e Adriana Mattos, do Valor Econômico.Saiu barato para o grupo coreano LG os R$ 200 mil pagos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sua primeira palestra após deixar o cargo. Fabricante de televisões, celulares, computadores e eletrodomésticos, o grupo contratou Lula para falar na quarta-feira sobre a economia brasileira a clientes do setor de varejo em um centro de convenções de São Paulo.
Lula e a LG foram notícia e apareceram em jornais, sites, TVs e rádios de todo o país. Somente para se ter uma ideia da economia em publicidade, a exposição por 30 segundos no intervalo do “Jornal Nacional”, da TV Globo, foi de R$ 570 mil por 3 inserções semanais em 2010, de acordo com um anunciante ouvido pelo Valor.
A LG disputa mercado com a Samsung, um dos principais anunciantes do Big Brother Brasil (BBB) 11. No contrato de merchandising, a Samsung paga de R$ 1,2 milhão a R$ 1,4 milhão por três a quatro inserções semanais.
No meio publicitário, a estratégia foi considerada uma boa sacada. “Quem dera ter pensado nisso antes”, comentou o presidente de uma agência paulista. “Eles conseguiram atrair uma simpatia generalizada em relação à marca e por um valor irrisório. Conseguiram o destaque e ainda geraram um “buzz” altíssimo”, afirmou Eduardo Tomiya, sócio diretor da BrandAnalytics. Na linguagem dos executivos de marketing, buzz é o barulho criado em torno de uma ação na mídia.
"Quem faz isso (expor a marca ao lado de uma figura pública), o faz intencionalmente, dentro de um planejamento claro. E não precisa se preocupar em manter, nos meses seguintes, esse barulho gerado com a ação. É tão barato que já foi obtido retorno imediato."O grupo LG é um dos líderes no mercado nacional das televisões de LCD, produto símbolo da nova classe média ascendente da era Lula. Somente em 2010, o faturamento do grupo aumentou 30% no país. Para este ano, o plano é expandir as vendas em 40% com faturamento previsto de R$ 7 bilhões.
O investimento de 2011 deve alcançar US$ 315 milhões em três novas fábricas. Duas serão na Zona Franca de Manaus, de painéis para TVS e de aparelhos de ar-condicionado. Em Paulínia (SP), a LG vai construir uma fábrica de eletrodomésticos de linha branca, como geladeiras e máquinas de lavar. Desde 1995 no Brasil, a companhia possui uma planta em Manaus e outras duas em Taubaté (SP)”.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DUAS LÓGICAS

Rentista e a do desenvolvimento.
Índice de preços de alimentos da FAO estava na marca de 140 em março de 2009; bateu em 215 em dezembro de 2010; encontra-se acima dos níveis recordes registrados na bolha de 2008. Estoques são curtos, mas não há escassez de alimentos que justifique o aumento.
Alta especulativa no plano internacional pressiona inflação doméstica urbi et orbi pela equiparação entre valor exportado e vendas internas.
No Brasil, 'mercados' (sic) pressionam para combater a distorção internacional com outra igualmente nefasta: nova escalada de aumento dos juros (pode ser iniciada a partir de hoje pelo Banco Central) 'para evitar que o choque vindo de fora ganhe corpo e se dissemine nos demais preços' (sic). Juros altos soterram o crescimento e o emprego.
Na Argentina, governo progressista de Cristina Kirchner determinou cotas de exportações para alimentos. Sem alternativa de colocar toda safra no exterior, produtores têm que vender no mercado interno a preços mais baixos, fixados pelo setor público. O 'agrobusiness' quer escalpelar Cristina Kirchner. Mas a população e a economia ficam preservadas da lógica predatória imposta pela supremacia das finanças desreguladas.”

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

NOVAS NOTAS

O Banco Central (BC) lança na próxima segunda-feira a segunda geração da família de cédulas do real. Primeiro, entrarão em circulação as novas notas de R$ 50 e de R$ 100. Em 2011, será a vez das notas de R$ 10 e de R$ 20 e, por último, a partir de 2012, começará a substituição das notas de R$ 2 e de R$ 5. De acordo com o BC, as duas notas de maior valor são as que demandam maior proteção contra tentativas de falsificação e, por isso, estão sendo lançadas antes das demais. Mais de 70% das cédulas falsas apreendidas no país são de R$ 50 e de R$ 100.
Foto: Divulgação
Banco Central apresenta as novas cédulas: necessidade de dar mais segurança às notas foi a justificativa para a criação da nova família de dinheiro de papel.
“As novas notas entrarão em circulação por meio dos bancos comerciais, sendo que as cédulas atuais continuarão valendo e somente serão retiradas de circulação em decorrência do desgaste natural”, informou o BC, em nota. Na página do banco na internet (http://www.bc.gov.br/), a autoridade monetária avisa que “não há necessidade de trocar as notas antigas por novas na rede bancária, pois as duas famílias conviverão em circulação por prazo indeterminado”.
A necessidade de dar mais segurança às notas foi a justificativa do BC para a criação da nova família de dinheiro de papel. “Com o avanço das tecnologias digitais nos últimos anos, é necessário dotar as nossas cédulas de recursos gráficos e elementos antifalsificação mais modernos, capazes de continuar garantindo a segurança do dinheiro brasileiro nos próximos anos”.
Para lançar as novas cédulas, a Casa da Moeda teve que investir
em equipamentos de impressão, já que as atuais cédulas são impressas em máquinas com mais de 30 anos de uso. Segundo o BC, “os novos equipamentos e insumos permitem a impressão de desenhos mais complexos e com maior precisão, aumentando a percepção de uma impressão de qualidade superior. Alguns elementos já presentes na primeira família – como a marca d’água e o número escondido – foram redesenhados de modo a facilitar a sua verificação pela população”.
Outra mudança está na diferença de tamanho das notas, para garantir o uso seguro pelos deficientes visuais. Além disso, a adoção de tamanhos diferenciados inibe a tentativa de falsificação por lavagem química, uma técnica que consiste em apagar a impressão de uma nota de menor valor e imprimir no papel moeda lavado a estampa de uma nota de maior valor.
Os deficientes visuais também poderão contar com as marca táteis, que são barras em alto-relevo localizadas no canto direito inferior das notas.
Segundo o BC, nas notas de R$ 50 e de R$ 100, “a maior novidade é a faixa holográfica, composta por desenhos descontínuos que, ao serem movimentados, apresentam efeitos de alternância de cores e formas”. Os demais elementos de segurança também são de fácil visualização: marca d’água, que apresenta o valor da nota e a imagem do animal, e o número escondido, que aparece quando a nota é colocada na posição horizontal, na altura dos olhos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

QUANTO VALE UM POBRE ?

LAMBIDO DA FOLHA DE SÃO PAULO.
Em 2006, nos cafundós do Piauí, tive a infelicidade de perguntar ao filho adolescente de uma beneficiária do Bolsa Família quantas vezes por semana eles conseguiam comer alguma proteína. "Não sei o que é isso", foi a resposta.
"Carne. Vocês comem carne?" Ao que respondeu: "De vez em quando a gente acerta um passarinho".
A maior promessa de Dilma Rousseff como presidente é erradicar a pobreza. De propósito ou não, ela usou o termo "miséria" ao fazê-lo.
Especialistas no assunto e o próprio MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), responsável pelo Bolsa Família, usam os termos "pobre" e "indigente".
Assim, é pobre e elegível ao Bolsa Família grupos familiares com renda mensal per capita inferior a R$ 140. Se uma família de quatro pessoas vive com R$ 400 ela é pobre (precisaria de R$ 560 ou mais para deixar essa classificação).
Já os indigentes são os que têm renda familiar per capita mensal abaixo de R$ 70.
Os valores são ridículos. Equivalem a R$ 4,60 por dia (um maço de Malrboro para o pobre) e R$ 2,30 (menos que uma passagem de ônibus em SP para o indigente).
O MDS reconhece que o ideal seria usar o valor do salário mínimo como referência. Assim, uma família de quatro pessoas deixaria de ser pobre quando recebesse (via rendimentos do trabalho e/ou benefícios sociais) R$ 2.040,00, ou R$ 510 por cabeça.
A meta de Dilma com a atual definição de pobreza (abaixo dos R$ 140) é factível e não custaria tanto.
Vista de maneira mais honesta, porém, não seria nada sensacional. Virariam "ex-pobres" os que passassem a viver com os R$ 4,60 ou mais ao dia.
Segundo cálculos do Centro de Políticas Sociais da FGV, o Brasil teria de investir mais R$ 21,3 bilhões ao ano (em cima dos R$ 13,4 bilhões do Bolsa Família) para atingir esse objetivo.
Somados, os quase R$ 35 bilhões corresponderiam a apenas 1% do PIB e chegariam a mais de 80 milhões de pessoas.
Como comparação, nos primeiros oito meses de 2010 o governo separou R$ 50 bilhões para pagar juros de sua dívida. Proporcionalmente, os que receberam em juros esses R$ 50 bilhões são um grão de brasileiros diante de um mar de conterrâneos pobres.

Leo Caldas/Folhapress
O pescador Flavio de Mesquita com mulher e filhos em Porto de Pedras (AL), um dos locais mais pobres do país; beneficiários do Bolsa Família, ainda passam fome.
O pescador Flavio de Mesquita com mulher e filhos em Porto de Pedras (AL), um dos locais mais pobres do país.
O quadro abaixo mostra que o total de pobres e indigentes no Brasil caiu à metade nos últimos dez anos. E mostra onde eles ainda se concentram.
A partir de 2003, mais de dois terços (71%) da redução de pobres se deu porque o mercado de trabalho melhorou. Foram quase 14 milhões de novos empregos formais sob Lula.
Até 2008, para cada 1 ponto de crescimento do PIB, a ocupação também crescia 1 ponto. Hoje, essa proporção caiu quase à metade, pois houve ganhos de produtividade (um mesmo número de trabalhadores passou a produzir mais).
Assim, é de se esperar que o governo Dilma invista mais dinheiro público na área social se quiser mesmo erradicar a pobreza.
Outra questão, nada trivial, é se Dilma se contentará com o atual critério, equivalente ao Malrboro e à passagem de ônibus por dia.
Isso quem deve nos dizer é Dilma. E sua consciência.
Editoria de arte/Folhapress
Fonte: Censo de 2000, atualizado pelas Pnads (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) até 2009. Elaboração Marcelo Neri, CPS/FGV-RJ

domingo, 14 de novembro de 2010

SM R$ 550,00

Lula e Dilma decidem propor mínimo de R$ 550 em 2011.
Valor significa aumento real de 2,2%, abaixo dos 7,7% pedidos pelas centrais
Objetivo é enviar sinal ao mercado; equipes querem barrar projetos que coloquem em risco superavit de 3,3% do PIB.
Valdo Cruz e Letícia Sander
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente eleita Dilma Rousseff querem fixar em no máximo R$ 550 o valor do salário mínimo no próximo ano. Isso daria um aumento real de 2,2%, abaixo dos 7,7% reivindicados pelas centrais sindicais.
As equipes de Lula e Dilma avaliam que esse seria o valor mais aceitável do ponto de vista fiscal, sinalizando ao mercado financeiro que haverá uma busca de controle dos gastos públicos.
Os dois orientaram suas equipes, antes da viagem à Coreia do Sul, a barrar projetos no Congresso que possam comprometer a meta de superavit primário de 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto) toda economia do governo para pagamento de juros da dívida pública.
Daí a decisão de evitar um aumento elevado para o mínimo. A proposta original do governo é de R$ 538,15, sem aumento real, já que a economia não cresceu em 2009 a regra atual prevê reajuste pela inflação, mais a variação do PIB de dois anos antes.
Esse valor representaria um gasto de R$ 8 bilhões no Orçamento do ano que vem.
Lula não quer deixar o governo com "zero de reajuste real". Por isso, acertou com Dilma antecipar uma parcela do aumento real para 2012 - que deve ficar acima de 7,5%, previsão de crescimento da economia em 2010.