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quarta-feira, 29 de junho de 2011

MUSA ALVINEGRA

Musa alvinegra, gandula combina paixão e trabalho no Engenhão.

Em meio a elogios da arquibancada, Fernanda Maia alimenta o sonho de trabalhar como preparadora física no Botafogo.

Por Gustavo Rotstein.
Roupas largas, meias compridas e, em algumas ocasiões, cabelo preso. A gandula que está à beira do campo nos jogos do Botafogo no Engenhão nem parece aquela que por duas vezes foi uma das finalistas na disputa pelo posto de representante do Alvinegro no concurso Musa do Brasileirão. Desde 2009, Fernanda Maia contribui, mesmo que indiretamente, com seu clube de coração, dando um toque especial às partidas da equipe em casa.
O GLOBOESPORTE.COM acompanhou a rotina de Fernanda nos dias de jogos no Engenhão, desde sua chegada ao estádio, incluindo sua atuação durante as partidas do Botafogo. Combinando profissionalismo e paixão, ela tem lugar cativo na linha lateral no setor Leste do estádio, sempre acompanhando o ataque do Botafogo.
gandula fernanda maia botafogo  (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Fernanda, gandula do Engenhão: musa a serviço do Botafogo.
Foto: André Durão / Globoesporte.com
Fernanda chega ao Engenhão 1h30m antes do início de cada partida. Num vestiário, troca a calça jeans e os saltos pelo calção, camisa larga, meias compridas e tênis. Assim como os outros nove gandulas, ela integra tarefas como encher bolas e até limpar o carrinho-maca. O trabalho começou em 2009, depois que foi ao estádio posar para algumas fotos, ainda quando concorria ao posto de musa do Botafogo. Dali nasceu o convite para estar mais perto da sua paixão.
- Um funcionário anotou meus contatos e me ligou depois oferecendo o trabalho. Comecei como ascensorista, mas sempre quis ser gandula. O Botafogo disse que não havia mulher gandula e que nem teria roupa feminina. Mas eu garanti que não me importava, pois sempre amei futebol e sonhei ver os jogos de perto - disse.
Sonho é integrar comissão técnica do clube de coração.
A feminilidade fica por conta de Fernanda, de 22 anos, que adapta seu uniforme dobrando as mangas da camisa e o calção. Além disso, não dispensa a maquiagem e as unhas feitas antes de entrar em campo. Formada em Educação Física e atualmente trabalhando como instrutora numa academia, ela vislumbrou a carreira como a melhor maneira de viver mais de perto o mundo do futebol. E revela o desejo de estreitar ainda mais os laços com o Botafogo.
Fernanda Maia gandula Botafogo (Foto: Divulgação) 
Sem o uniforme de gandula, Fernanda posa para o Musa do Brasileirão .
Foto: Divulgação
- Quando fui escolher uma profissão, também pensei no jornalismo para estar mais perto do futebol. Minha opção pela educação física foi pelo sonho de trabalhar como preparadora no Botafogo. Sei que é preciso experiência, mas gostaria muito de um dia fazer parte da comissão técnica do futebol, nem que fosse começando nas categorias de base.
Ao entrar em campo, Fernanda é muitas vezes reconhecida pelos torcedores na arquibancada do Engenhão. Mas mesmo sob os gritos de “musa” e algumas piadinhas, Fernanda garante não perder o foco de cada lance das partidas. Ela lembra que é fundamental acompanhar cada jogada e estar atenta à marcação do árbitro para saber quem deve receber a bola na reposição. Mesmo assim, diz que não costuma passar por situações constrangedoras por causa do assédio.
- Todos me respeitam muito. Amigos meus que vão ao Engenhão dizem que alguns me reconhecem e gritam “gostosa”, mas eu nem ouço. Às vezes se manifestam quando eu pego na bola, mas nunca fui desrespeitada. De qualquer maneira, não dou muita ideia. Tenho pouco contato com os torcedores, mas também acabo ficando um pouco escondida por causa das roupas largas - ressaltou ela, que namora há seis anos com um botafoguense.
Moradora das imediações do Maracanã, Fernanda Maia diz ter começado a frequentar os jogos do Botafogo aos 14 anos, sempre acompanhada dos amigos. Mas é no Engenhão que vive suas principais emoções, criando uma tabela entre trabalho e paixão. A admiração é direcionada a Maicosuel, por quem se mostra preocupada cada vez que sofre uma falta.
- Até pergunto aos médicos se ele está bem, fico sempre nervosa quando isso acontece. O Maicosuel tem postura de ídolo, mostra amor pelo Botafogo. Por isso adoro ele - se declara.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SAMBARAZZO

Passista do Salgueiro faz ensaio para o Sambarazzo.

Ela vem lá de cima. Do morro sim senhor. Claudinha, como gosta de ser chamada a musa desta edição do Sambarazzo, tem orgulho, e muito, das suas raízes. Nascida e criada no morro do Salgueiro, essa menina da pele preta tem uma relação de 20 anos com a vermelho e branco da Tijuca. Filha de seu Pedro, antigo diretor de bateria do Salgueiro, Claudinha foi levada pelo pai aos sete anos à quadra da escola. Ali nasceu o amor ao samba, ao Carnaval, e à escola.
"Minha mãe não curte samba, só vai à Avenida pra assistir. Eu não. Adoro, amo. Comecei a desfilar com sete anos na Alegria da Passarela, que hoje é o Aprendizes do Salgueiro, e com 13 já era rainha mirim. Depois passei para a ala de passistas do Salgueiro, estou lá até hoje, e tenho orgulho de dizer que sou da comunidade", diz a musa.
Foto: Divulgação
Mas essa história de amor ao samba foi interrompida por alguns anos para viver uma outra história de amor. Durante uma viagem com um grupo de shows para a Rússia, Claudinha conheceu Jo, com quem viveu um verdadeiro conto de fadas que acabou em casamento, com direito a vestido de noiva dourado, como ela gosta de frisar.
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Vivi um verdadeiro conto de fadas com ele. Nos conhecemos em Moscou. Ele jogava futebol em um time, o CSKA. Namoramos e quando voltei ao Brasil ele veio até aqui e pediu minha mão em casamento aos meus pais. Casamos e fomos para a Inglaterra, onde eu vivi até novembro do ano passado. O casamento acabou, mas a amizade continua".
Fim do conto de fadas. De volta ao Brasil, a carioca salgueirense ganhou um presentaço. Amiga da presidente Regina Celi, Claudinha foi anunciada Musa da Comunidade da Academia, durante uma das feijoadas mensais da agremiação.
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Para mim foi uma emoção sem igual. A minha relação com a Regina e com a escola é muito forte. Aliás, eu tenho que agradecer tudo a eles. Foi a Regina quem me deu a mala pra que eu pudesse viajar com o grupo do Explode Brasil (companhia de shows dirigida por Cintia Levy) e foi o Carlinhos, coreógrafo do Salgueiro, quem me indicou. Se não fosse por eles não tinha vivido tudo isso. Devo a eles toda a minha gratidão".
Quando aceitou o convite para posar para as lentes de Yuri Grameiro fez somente uma exigência. "
Pedi para posar ao som de músicas da Beyoncé para poder me soltar. Pensei nela o tempo todo".
À frente do terceiro carro do Salgueiro, que retrata a Lapa, Claudinha promete arrasar com uma fantasia que representa todos os tipos que freqüentam o lugar. É esperar pra ver o que a bela vai aprontar na Sapucaí.