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domingo, 1 de julho de 2012


Para pensar e agir. . .
São Paulo vive situação dramática. 
Só neste ano foram assassinados 40 policiais, todos fora de serviço.
Por Marta Suplicy
São Paulo vive situação dramática. Só neste ano foram assassinados 40 policiais, todos fora de serviço. Vários ônibus foram incendiados numa possível ação orquestrada contra o comando das autoridades policiais. Isso sem falar dos arrastões a restaurantes e prédios.
É nesse contexto de agravamento da violência, tanto na região metropolitana quanto no restante do Estado, que se inserem os casos de violência contra a mulher.
De setembro de 2011 a maio deste ano, tivemos 55.174 casos de mulheres vítimas de lesão corporal dolosa e, destes, 34.906 casos foram no interior --dados da Secretaria da Segurança Pública.
Estudo do Instituto Sangari indica que a violência doméstica ainda é a maior causa de assassinatos de mulheres no Brasil (em São Paulo, em 2010, 663 morreram). Enquanto os homens morrem nas ruas, as mulheres morrem e são agredidas dentro de suas casas.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a violência contra a mulher vem apurando denúncias de omissão em diversos Estados brasileiros.
Em São Paulo, Franco Montoro foi pioneiro com a criação da Delegacia da Mulher. Entretanto, quando se aprofunda a questão, as ações são gotas d'água num oceano de problemas --que os números mostram que só se agravaram nas últimas décadas, sem empenho realmente sério por parte do Estado diante dos fatos.
Não existe um programa de atendimento integrado às vítimas e há somente uma Delegacia de Defesa da Mulher com atendimento 24 horas! Mais grave, não existe orçamento nem a devida contrapartida do recurso federal.
As verbas federais para ações de combate à violência contra a mulher não têm sido aplicadas com a transparência necessária pelo governo estadual. Em um Estado com 645 municípios, só existem 34 equipamentos específicos para atendimento às vítimas. O problema das mulheres agredidas e assassinadas tem sido tratado como ocorrência pouco importante ou relevante.
Fico pensando quantos desses que batem em mulher ou quantos assaltantes que estão fazendo da vida do paulista um inferno não são fruto de lares violentos. De mulheres espancadas, humilhadas e abandonadas à própria sorte. Que não tiveram assistência nem oportunidade para tentar, com seus filhos, uma vida melhor. Que, por circunstâncias, não conseguiram criar cidadãos.
Embora 70% das situações de violência contra a mulher ocorram na residência da vítima, esse não é um problema que será resolvido dentro de casa. O Estado tem que estar presente: na infância, prestando assistência às mães, ou, depois, construindo cadeias. Os resultados e diagnósticos da CPMI, se levados a sério, podem fazer diferença.

domingo, 4 de março de 2012


Romário diz que Valcke tem razão. Mais um gol?
Embora tenha considerado deselegante a colocação do representante da FIFA em relação ao atrazo na COPA, o craque não lhe tirou a razão; terá sido mais um golaço do baixinho?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em entrevista à revista Playboy, a cantora, que sempre teve imagem de certinha e inocente, revelou: “É possível ter prazer anal”

247 – A aguardada edição de agosto da revista Playboy, da editora Abril, está causando polêmica antes mesmo de chegar às bancas. Apenas uma frase dita pela cantora Sandy e divulgada na chamada de capa da revista, que comemora seus 36 anos nesta edição, foi capaz de causar uma grande repercussão. “É possível ter prazer anal”, afirmou a cantora.
A frase não teria o mesmo efeito, claro, se fosse dita por outra pessoa. Após romper a parceria com o irmão Junior, Sandy vem tentando modificar a imagem de boa moça construída durante anos, por ela e pela família. Entre essas tentativas, Sandy tornou-se garota-propaganda da cerveja Devassa, em que apareceu de cabelos loiros no início deste ano.
Em sua página no Twitter, o diretor da Playboy, Edson Aran, faz uma chamada instigante da entrevista, que segundo ele, “você nunca leu, e provavelmente não lerá em nenhuma outra revista". De acordo com a Playboy, durante um raro momento, em que a cantora aceitou falar sobre sua intimidade, ela revelou também que é “boa em fazer strip tease”.
Em poucas horas da revelação da publicação, o assunto se tornou líder na lista de temas mais comentados no Twitter mundial. Os comentários se dividem entre os que estão chocados com a notícia, os que não a considera digna de tanto barulho e os que se aproveitam do espaço para fazer piadas, relembrando, por exemplo, de uma das músicas da infância da cantora: “Que que 'ocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?”.
Em sua página no Twitter, Sandy respondeu: “Não foi bem aquela a minha resposta. Mas, tá valendo a brincadeira... rs... Eu nunca falei e não falo detalhes sobre minha vida sexual”, publicou a cantora.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

LARISSA RIQUELME CONVOCA

À guerra, do Paraguai!
Se há uma coisa que a modelo paraguaia Larissa Riquelme sabe fazer é aproveitar, e muito bem, seus quinze minutos de fama. Eles começaram na Copa de 2010, na África do Sul, quando ela chamou a atenção de fotógrafos do mundo todo com sua beleza de olhos grandes, sorriso rasgado e seios fartos. Sempre sob as cores da seleção paraguaia, cuja escalação Larissa tem na ponta da língua. Hoje, os paraguaios têm uma noite decisiva, de verdadeira guerra, contra a seleção da Venezuela. O jogo, marcado para 21h50, em Mendoza, na Argentina, levará o vencedor para a final da Copa América.
O Paraguai já ganhou a competição duas vezes (1953 e 1979), quando ainda não contava com uma torcida feminina que anda encantando os estádios pelos quais a equipe se apresenta. Foi assim no domingo 17, em que, nos pênaltis, o Paraguai desclassificou o Brasil. Como se estivessem com as atenções desviadas para a beleza de Larissa e suas conterrâneas, Elano, Thiado Silva, André Santos e Fred, de maneira jamais vista, perderam seus pênaltis. A julgar pelas fotos da desinibida Larissa para a Soho, a tática do Paraguai passa, mais esta vez, por desviar a atenção dos adversários do campo de jogo para a beleza de sua mais famosa torcedora.
Acompanhe o ensaio completo no endereço abaixo:

segunda-feira, 4 de julho de 2011

POR QUE ? ? ?


POR QUE CHICO BUARQUE PASSOU A DESPERTAR ÓDIO NA INTERNET? PORQUE TEM LADO.

Por Palmério Doria, do Agota d'água.
Tem dias que o medo vira pânico. Tem dias que a raiva vira ódio. Não dá para saber direito quando Chico Buarque começou a despertar o ódio que acaba de descobrir, estupefato, em mensagens e comentários na internet -- logo ele, que a esmagadora maioria imaginava uma quase unanimidade.
Pode ser desde o momento em que percebeu que tinha lado. Pode ser ao deixar de gravar coisas fofas como A Banda. Pode ser ao passar a gravar hinos nacionais como Roda Viva e Vai Passar. Mas também pode ser ao dar um golpe definitivo na onda de baixo astral que varria o país, dia 18 de outubro, uma noite de segunda-feira, quando o Rio voltou a ser a capital cultural do Brasil, em pleno segundo turno da campanha eleitoral.
Milhares de pessoas, boa parte artistas e intelectuais, lotam o teatro Casa Grande, no Leblon, em ato pró-Dilma, recebida aos gritos de “olê, olê, olê, olá! Dilma, Dilma!”, relembrando o jingle pró-Lula. O arquiteto Oscar Niemeyer, aos 102 anos, é ovacionado de pé ao chegar em cadeira de rodas. Discursa o teólogo Leonardo Boff – cassado pelo Vaticano –, principal formulador da Teologia da Libertação, que empolgou a América Latina nas décadas de 1970-80 ao defender o engajamento de religiosos em movimentos sociais. Boff, que, junto com o sociólogo Emir Sader, organizou o evento Brasil Sem Ódio, emociona:
“Hoje cedo, pedi em minhas orações: Pai, me dê um sinal claro da vitória de Dilma. E o faça através da presença de Oscar Niemeyer. Se ele for ao encontro, é a confirmação de que venceremos!
A massa vibra.
Ao mesmo tempo, ao vivo, na blogosfera, Veja Online vê outra coisa: “Dilma travestida de Lula por uma noite”, diz o título. Para Veja tudo o que se vê aqui é apenas uma “noite tipicamente petista, cheia de jargões esquerdistas”. O discurso de Dilma, contando sua trajetória política, leva gente às lágrimas e aplausos a interrompem, “aplausos fanáticos” para Veja. A menção ao fato de Lula ter recebido o país com inflação elevada e de joelhos perante o Fundo Monetário Internacional? Receita, segundo Veja, para fazer sucesso entre militantes da esquerda. Dilma dá o recado principal, sobre o ódio religioso, que vinha sendo incitado pela grande imprensa.
“O país não destila ódio religioso. Todos os cultos podem se encontrar na mesma escola e conviver. Tentar destilar o ódio religioso ou qualquer preconceito não é característica de um país laico. Não queremos o estado apropriado por nenhuma crença, nenhuma religião. Pregamos a existência de um estado que não pode interferir na vida privada das pessoas.”
A ALMA DA FESTA.
Isso a revista não comentou, claro. Dilma libertava-se nesse momento da pauta medieval, à qual tinha sido obrigada a render-se. A mídia tentou menosprezar o acontecimento. Mais uma vez, não fosse o papel dos “blogs sujos”, do Facebook, do Twitter e da própria propaganda eleitoral, seria enquadrado como tentativa de reedição “das manifestações de 1989, 2002 e 2006, em outra famosa casa de espetáculos da Zona Sul carioca”, como a definiu Veja.
A ideia que queriam passar era a de que intelectuais e artistas tinham fechado com a verde Marina Silva no primeiro turno, e com ela ficaram, ao lado de descolados em geral, inclusive os fascistas descolados, e que o evento no Casa Grande, palco de memoráveis jornadas democráticas, não passava de pajelança petista. Mas as imagens que circulam na internet mostram delírio no teatro. Vemos Chico Buarque, alma da festa, em meio a um chão de estrelas – Margareth Menezes, Beth Carvalho, Fernando Morais, Alceu Valença, Renato Borghetti, o rapper brasiliense Gog, entre outros. O maior cientista brasileiro vivo, Miguel Nicolelis, um dos 20 mais influentes do mundo segundo a revista Scientific America, desculpou-se por não comparecer, estava fora do país, ele que é forte candidato a nos dar o primeiro Prêmio Nobel e que numa entrevista declarou voto em Dilma – “é vital para o futuro do Brasil”, para “nossa soberania intelectual”. Chico diz:
“Vim reiterar meu apoio a esta mulher, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com Bolívia e Paraguai.”
A reunião do Casa Grande foi um dos acontecimentos vitais para repor o bloco na rua. A turma das trevas entrou em pânico, e as declarações de ódio eterno que Chico anda recebendo talvez ainda sejam os efeitos colaterais. Sobrou até para Marieta Severo, ex-mulher do compositor. No começo deste mês, quando a atriz recusou o convite para interpretar Dilma no cinema, um internauta passou ao largo da flagrante inadequação física entre as duas e festejou assim na Folha.com:
-- Diferentemente do ex-marido, ela mostrou-se digna. Ganhou minha admiração. Sua biografia não precisa dessa mancha.

domingo, 3 de julho de 2011

DECEPÇÃO TOTAL

Brasil decepciona e empata com Venezuela.

Foto: Heuler Andrey/Agência Estado.
ASSIM COMO A ARGENTINA, SELEÇÃO BRASILEIRA JOGA MAL NA ESTREIA DA COPA AMÉRICA E NÃO CONSEGUE FURAR O BLOQUEIO VENEZUELANO.
Por Márcio Kroehn, do Brasil 247.
O capitão Lúcio alertou na véspera: não existe mais time bobo no futebol. A frase batida se encaixou perfeitamente na estreia da Seleção Brasileira na Copa América. Com muita vontade e pouca organização, o time comandado por Mano Menezes dominou a Venezuela, criou boas oportunidades de gol no primeiro tempo, mas os jogadores estavam afoitos e, aparentemente, sem confiança. Todos queriam achar um companheiro próximo ao gol ao invés de tentar o chute direto. A quantidade de passes errados foi irritante. E o resultado de 0 a 0 acabou sendo o espelho da partida.
Com uma formação ofensiva com Paulo Henrique Ganso, Robinho, Neymar e Alexandre Pato, a Seleção Brasileira entrou em campo e, com velocidade, teve três excelentes oportunidades para fazer o gol no primeiro tempo. Pato, aos 26, acertou o travessão do goleiro Renny Vega. Depois, aos 37, Neymar ajeitou para Robinho, que chutou rasteiro, colocado, para tirar do alcance de Vega. A bola ia entrar, mas o zagueiro Vizcarrondo, de forma estranhíssima, conseguiu evitar o gol com o ombro. Por fim, Ganso achou Neymar na área aos 44, mas o chute saiu torto. A Venezuela marcava e esperava uma brechinha para acertar um contra ataque.
Na etapa final ficou evidente o nervosismo e o incômodo da Seleção Brasileira com o empate. Muitos passes errados e um desentrosamento que irritou o torcedor. Os passes saíam sem direção e as chances de gol não existiram. A Venezuela passou a incomodar e pode, até, reclamar de um pênalti de Thiago Silva no atacante Nicolás Fedor. Em disputa na área, o zagueiro deixou o braço esquerdo para o venezuelano não alcançar a bola. Não fosse a encenação, o árbitro poderia ter apitado a falta.
O técnico Mano Menezes tentou dar um ânimo novo à equipe. Tirou Robinho, Ramires e Alexandre Pato e colocou Fred, Elano e Lucas, respectivamente. O efeito foi praticamente nulo. A criatividade esperada, principalmente de Ganso, não aconteceu. O Brasil aceitou a marcação da Venezuela no segundo tempo e fez muito pouco para merecer a vitória. Assim como a Seleção Argentina, o Brasil só conquistou um ponto na estreia. Será preciso fazer muito mais contra o Paraguai, no próximo sábado, 9 de julho, às 16 horas.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

247 – O empresário Abilio Diniz está causando, como diz a gíria. Causando constrangimento dentro do governo federal e, ao mesmo tempo, despertando críticas furiosas na própria base parlamentar da presidente Dilma Rousseff.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou hoje dois requerimentos convidando o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a participarem de audiência pública para discutir a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour. A intenção de se fechar um negócio no setor de supermercados foi confirmada ontem pelas empresas.
Os requerimentos precisam ainda ser votados, o que deve ocorrer na próxima reunião, prevista para terça-feira, quando ocorrerá audiência pública sobre a fusão entre Sadia e Perdigão com representantes da empresa e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
À tarde, em meio à reverberação de sua proposta de criação de um conglomerado que abarcaria sob uma mesma bandeira, de uma só vez, quase 40% do setor supermercadista do País, Abilio compareceu à reunião da Câmara de Política de Gestão, Desenvolvimento e Competitividade. Parecia, para ele, cuja jogada para fundir o Pão de Açúcar com o Carrefour abalou até mesmo o movimento normal da Bolsa de Valores de São Paulo, que nada estava acontecendo. Mas estava. Em lugar de comentar a presença do empresário como algo natural no encontro que ela própria presidiu, a ministra chefe do Gabinete Civil, Gleisi Hoffmann, tratou, diante dos repórteres que cobrem o Palácio do Planalto, de afastar qualquer proximidade com Abilio. “Foi uma enorme coincidência”, resumiu. Em seguida, passou a defender o governo quanto frente à manobra do empresário. Segundo ela, o tema não foi tratado na reunião à portas fechadas da Câmara de Gestão. Para ela, a questão é de "enquadramento" e "não tem dinheiro público, nem do FGTS, nem do Tesouro". "É dinheiro do BNDESpar", afirmou.
O visível constrangimento da ministra Gleisi pela presença de Abilio em Brasília é compreensível. A proposta de fundir os dois maiores conglomerados supermercadistas do País tem, na raiz, o apoio financeiro do BNDES. O banco estatal de investimento demonstrou disposição de enfiar nada menos que “dois bilhões de euros”, conforme os termos empregados hoje em nota oficial da instituição, para ajudar o empresário em sua manobra de passar por cima da vontade de seus sócios franceses do grupo Casino. Ou melhor, viabilizarm mais que ajudar. Afinal, a quantia que o BNDES está disposto a, digamos, investir corresponde a nada menos que 85% do valor total estimado para ser entregue ao Carrefour. Em contrapartida, o banco estatal, de acordo com a proposta divulgada na sede do privado BTG Pactual, na terça, em São Paulo, ficaria com algo como 9% do novo negócio. Isso mesmo: 85% do dinheiro para 9% do resultado da compra.
“O BNDES está jogando, com esse negócio, dinheiro fora, pelo buraco”, afirmou ao 247 o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que pertence à base de apoio do governo Dilma. “O banco tem de investir em empresas que irão gerar empresas e não, como nesse caso, num conglomerado a ser criado que irá cortar postos de trabalho”. Juntos, Pão de Açúcar e Carrefour, sob a gestão de Abilio Diniz, controlariam nada menos que 2,2 mil pontos de venda de alimentos, com atuais 214 mil funcionários. Enquanto os fornecedores temem, desde já, enfrentar esse poderia, os sindicatos receiam cortes na mão de obra. O público consumidor, por seu lado, teria menos opções para comprar, o que costuma resultar em elevação de preços. “O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) tem de vetar esse negócio, Abilio Diniz, se quiser, terá de se virar sozinho”.
Pela oposição, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) assinalou ao 247 que não existe interesse público no negócio, apenas o empresarial. “É sempre a mesma coisa. Quase setenta por cento dos recursos do BNDES são canalizados para as grandes empresas, e apenas 27,9% vão para as pequenas e médias empresas, que é onde estão os empregos que deveriam ser fomentados pelo BNDES”, disse o senador em plenário. “O ministro (da Ciência e Tecnologia) Aloizio Mercadante veio dizer aqui ontem dizer que faltam recursos para financiar ciência e tecnologia no Brasil. Esse dinheiro está sendo jogado fora”, completou.
Para tratar das manobras de Abilio Diniz, o grupo Casino, seu sócio no Pão de Açúcar e que não quer aceitar a proposta, contratou um dos melhores criminalistas do Brasil, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, para cuidar das estripulias comerciais de Abilio. “Sinto que há um cheiro de golpe de Estado sobre a vida corporativa”, disse o advogado, hoje, ao Brasil 247. Foi uma referência velada ao movimento de apoio dado ao BNDES para o monopólio que o empresário sonha formar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

EX-DIRETOR DA GLOBO . . .


Paulo Nogueira, ex-diretor da Globo, confirma: o dossiê Francenildo foi levado à Época por Antonio Palocci. "A história precisa ser escrita com correção", diz ele; leia a entrevista completa, que toca numa ferida aberta da imprensa.

A turma está se animando a contar as histórias!!!!

Leonardo Attuch_247 – De Londres, o jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor das Organizações Globo, que foi responsável por todas as revistas do grupo, acaba de conceder uma entrevista telefônica ao Brasil 247. Ele conta como foi a operação, pilotada pelo ex-ministro Antonio Palocci, para desqualificar o caseiro Francenildo Costa em 2006.
Leia:
Brasil 247 – Como chegou à redação da Época o dossiê Francenildo?
PAULO NOGUEIRA – O assunto foi levado diretamente pelo ministro Palocci à cúpula das Organizações Globo.
247 – Quando você diz cúpula, a quem se refere? Ao Ali Kamel, o diretor de jornalismo?
NOGUEIRA – Não, o Ali Kamel respondia pela televisão. Eu me refiro aos acionistas.
247 – À família Marinho, portanto.
NOGUEIRA – Isso.
247 – E qual foi a motivação?
NOGUEIRA – Estávamos todos naquela briga das semanais, competindo pelo furo da semana. Só depois ficou claro que a revista Época foi usada como instrumento do ministro Palocci.
247 – Mas, quando surgiu também um crime, uma quebra de sigilo bancário de um indivíduo pelo Estado, você não pensou em abrir uma discussão sobre quebrar o sigilo da fonte e revelar que o ministro Palocci estava por trás de tudo?
NOGUEIRA – Aquilo seria um constrangimento para todos nós, e para a própria revista. E em qualquer empresa existem limitações. Além do mais, tem a vida que segue, a semana seguinte, o projeto de uma nova revista...
247 – Mas por que só agora você decidiu trazer este caso a público?
NOGUEIRA – Uma indignação, o desejo de que meus filhos vivam num país melhor. Tem um conceito do George Orwell que eu admiro muito: decência básica. Só isso. E agora, aqui em Londres, num período sabático, tenho mais liberdade. A história brasileira precisa ser escrita com correção. E fato é: o dossiê Francenildo foi levado à cúpula da Globo pelo ministro Palocci.
247 – O ministro Palocci foi inocentado no caso e a maior parte da culpa recaiu sobre os ombros do seu assessor Marcelo Netto.
NOGUEIRA – O Marcelo Netto tratou do assunto com a sucursal Brasília da Época. Todos sabiam que ele agia a mando do Palocci.
247 – Mas o fato é que ele foi inocentado no Supremo e voltou à vida pública. Se esse processo fosse reaberto, a pedido, por exemplo, do caseiro, você diria as mesmas coisas em juízo?
NOGUEIRA – Evidentemente, eu respondo pelo que eu escrevo. Estou em Londres e no próximo ano estarei de volta ao Brasil
Leia, abaixo, reportagem do Brasil 247, que contextualiza a história:
247 – No dia 27 de agosto de 2009, Antonio Palocci tirou um peso enorme das costas. Graças à competente atuação de seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio, Palocci foi inocentado no Supremo Tribunal Federal, por cinco votos a quatro, da acusação de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A culpa recaiu sobre dois outros réus: seu assessor de imprensa, Marcelo Netto, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. Os dados bancários de Francenildo, expostos pela revista Época, permitiram uma devassa na vida privada de um caseiro e revelaram até que ele era um filho não reconhecido – os depósitos atípicos, de R$ 24 mil, foram feitos pelo pai biológico para tentar encerrar uma ação de reconhecimento de paternidade. O caso Francenildo será sempre um símbolo da violência do Estado contra um indivíduo, mas Palocci escapou. No fim, tudo ficou na conta dos assessores “aloprados”, como se eles agissem à la Gregório Fortunato – personagem que, para salvar o chefe Getúlio Vargas, era capaz de cometer qualquer crime, inclusive o atentado da rua Toneleros.
Palocci foi absolvido, o caso foi encerrado e fogos de artifício foram disparados no meio empresarial. Aos poucos, ele começou a se recolocar no jogo político, até assumir a coordenação de campanha da presidente Dilma Rousseff. Mas o crime do passado, agora, volta a assombrá-lo. De Londres, o jornalista Paulo Nogueira, que era diretor editorial das Organizações Globo, respondendo por revistas como Época, Época Negócios, Marie Claire e Quem, tem publicado posts sobre uma das feridas abertas da casa da família Marinho. “Foi o Palocci quem passou para nós o dossiê calunioso”, disse Nogueira. “Palocci foi quem fez chegar a nós, na redação da Época, informações que supostamente desqualificariam um caseiro de Brasília que dissera que ele frequentava uma mansão pouco recomendável quando ele era ministro da Fazenda. Na época, eu era diretor editorial das revistas da Globo, a principal das quais era e é a Época. Foi um dos episódios mais desagradáveis de minha carreira”, continua o jornalista.
De acordo com o relato do ex-diretor da Época, o dossiê não foi levado diretamente aos jornalistas, mas sim à cúpula das Organizações Globo. “Muitos políticos preferem conversar diretamente com os donos, e não com os jornalistas. Não é uma peculiaridade brasileira. Churchill só falava com os proprietários quando era primeiro-ministro do Reino Unido”, diz Nogueira. “Foi um momento particularmente penoso em minha carreira de editor, por motivos óbvios. Ninguém vai fazer jornalismo para depois ajudar um ministro a desmoralizar um caseiro de forma fraudulenta. Nossos sonhos e ilusões são bem mais elevados.”
Paulo Nogueira, no entanto, afirma que Época não se envolveu nessa operação totalmente ciente da fraude. “Imaginávamos, ao publicar a história, que de fato tinham sido feitos depósitos na conta do caseiro. Logo ficou claro que não. Também ficou clara em pouco tempo a desfaçatez de Palocci ao dizer que não fizera o que fez”.
Mas, por que só agora vir a público e fazer tais revelações, Paulo Nogueira? Esta foi a pergunta feita por um de seus leitores. Paulo responde: “Ora, contei que foi o Palocci porque a ocasião é propícia. Lá está ele num cargo importante de novo sem as qualificações morais necessárias. Claro que ele não teve nada a ver com minha saída da Globo”. O jornalista foi afastado do comando das revistas, numa disputa interna, há pouco mais de dois anos.
Lá atrás, a reportagem de Época que tentou virar o jogo do caso Francenildo chamava-se “Quem está dizendo a verdade?”. Foi assinada pelos jornalistas Andrei Meirelles e Gustavo Krieger – este, hoje, está trabalhando do outro lado do balcão, participando da “gestão de crise”, do caso Palocci, como diretor da FSB em Brasília (leia mais a respeito)