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domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
COM O PÉ NA LAMA
Por Hildegard Angel, do Blog da Hildegard Angel.
Dilma mostra a sua cara na hora da tragédia e estabelece novo padrão de comportamento do poder público!
Porque me ufano de minha presidenta Dilma Rousseff! Leio no jornal que, quando a presidenta Dilma, no primeiro momento da catástrofe, resolveu vir pessoalmente à Região Serrana do Rio conferir a tragédia, uma turma de "assessores" do Planalto tentou dissuadi-la de vir, "porque o governo não teria o que apresentar para enfrentar o drama das chuvas". Leia-se, nas entrelinhas desses insensíveis macLuhans de improviso, "para não se expor e não ter a imagem associada a este momento ruim". Devem ter sido os mesmos assessores que impediram o presidente Lula de vir a público, no primeiro momento da tragédia do acidente da Tam, fazendo-o se representar por um porta-voz...
Naquela ocasião, isso me causou tamanho desconforto e estranheza, dado sobretudo ao conhecido temperamento sentimental e solidário do presidente, que sentei-me diante do laptop e desabafei num artigo duro, severo, condenando-o por sua ausência naquela hora em que escutá-lo e sentir sua dor junto à de seu povo eram o mais importante. Acho que Lula não gostou, pois, de lá pra cá, passou a me olhar com um jeito atravessado, mesmo sabendo que tinha e tem em mim uma grande admiradora na mídia. Fiquei bem triste, até desolada, mas aprendi que o jornalista que ousa ser sincero tem um preço alto a pagar. Porém, é o meu papel, o que hei de fazer?...
Por isso, meu júbilo imenso ao saber que a presidenta Dilma não se acanhou diante dos palpites dos que aparentemente tentavam "preservá-la", mas que de maneira concreta a estariam expondo a um possível julgamento equivocado da população. Esses mesmos maus conselheiros grassam por todo o país, cochichando palpites errados aos ouvidos de governadores e prefeitos, que raramente se mostram quando a notícia é ruim. Mandam em seus lugares o vice, o secretário, o assessor. Nossa presidenta Dilma, ao contrário, mostrou a cara e, não só isso, também se eximiu de culpar estado ou município. Assumiu a responsabilidade do governo federal por não ter atuado a contento nos setores de saneamento e habitação e chamou a si, ao seu governo, a tarefa de fazer isso. Dilma estabelecia, naquele momento, um novo padrão, que esperamos nosso poder público como um todo doravante siga...
NÃO ESTOU NEM AÍ PARA OS MORTOS
Por Bruno Cava, do Blog Quadrado dos Loucos.
A televisão afundou no teledrama. Num refrão desolado, 24 horas por dia, as imagens escavam a morte, a perda, a comiseração. O noticiário capricha nos closes de novela, induz o choro e aguça as lamúrias. Repórteres-abutres farejam os cadáveres e se refestelam na contagem, enquanto âncoras ensaiam as suas melhores poses consternadas. Quem vai contar a história mais triste? Quem vai filmar a cena mais comovente? A morte é repetida centenas de vezes, entre comerciais de cerveja e margarina.A narrativa treina o olhar de espectador e não o agir de cidadão. Passivo, o espectador desmobiliza-se na caridade geral, que ele assume como redenção de si mesmo. O ativismo do cidadão, por sua vez, a TV contorna, pois lhe ameaça com seu senso crítico e sua vontade de mudar. Só interessa à grande mídia fabricar o sofrimento e expiar na piedade. Pois querem a minha compaixão? Não darei.A TV não vai comandar o meu sentir. Não tem como aproximar a dor do outro pela via do sensacionalismo. Compaixão de madame. Termina por celebrar a impotência e disseminar a tristeza, clonando os escravos de um espetáculo vazio. Entorpecido pela pulsão de morte, o olhar televisivo ignora a vida que se debate entre as águas e insiste em perseverar apesar da adversidade.Meu sentir está com essas pessoas que escavam e salvam, que vão à tona e respiram, com quem empenha tudo de si e grita e luta. E não com a morte e a impotência. Porque, ao contrário da narrativa televisiva, não existe conexão com o outro através da morte, senão como culpa. Somente na vida e através dela se pode tocar (n)o outro.
Nesse sentido, os mortos não importam.
Deixemos que os mortos enterrem os mortos. Desrespeito? E se fosse comigo? E se fosse o meu filho? Nesse caso, a última coisa que lhe faria jus seria capturá-lo nalguma narrativa televisiva. O luto se desenvolve numa relação pessoal. Enluteço-me menos emulando o choro diante de uma câmera, do que num lento mastigar da memória. Esta vencerá a morte precisamente ao expulsar do morto do que ele tem de morto, preservando-lhe a força da vida, o seu calor e seu sorriso. Eis aí o luto como recordação seletiva: faz retornar do passado a diferença querida. Ela que se irá amar eternamente e não uma carcaça inerme.
É preciso pensar nos vivos. Elaborar políticas concretas para populações em áreas de risco. Organizar politicamente a ajuda aos que continuarão e a reconstrução da cidade. Mesmo o sofrimento tem o seu lado positivo, no excedente que dele irrompe. Mesmo na dor, há vibração e espessura na experiência humana. É hora de reafirmar e celebrar a vida, pois o pensamento da morte é o mais imundo. A morte foi inventada pela direita.
Ante a dança de morte que a TV encena, com uma gargalhada trágica se pode romper a lógica da impotência. Algumas imagens, todavia, vazaram da comiseração generalizada. O homem lança a corda, puxa a mulher para fora da turbulência, e sorri. E sorri! Seu sorriso converte a tristeza na alegria de todos, e assim potencializa a resistência dos que lutam. Aí está a distinção entre tragédia e melodrama.
Axé para os vivos.
A faísca deste ensaio brotou de uma conversa com Fabrício Toledo, a quem rendo os créditos. Também contribuíram Sindia Santos, Moana Mayall e Ronald Duarte.
Deixemos que os mortos enterrem os mortos. Desrespeito? E se fosse comigo? E se fosse o meu filho? Nesse caso, a última coisa que lhe faria jus seria capturá-lo nalguma narrativa televisiva. O luto se desenvolve numa relação pessoal. Enluteço-me menos emulando o choro diante de uma câmera, do que num lento mastigar da memória. Esta vencerá a morte precisamente ao expulsar do morto do que ele tem de morto, preservando-lhe a força da vida, o seu calor e seu sorriso. Eis aí o luto como recordação seletiva: faz retornar do passado a diferença querida. Ela que se irá amar eternamente e não uma carcaça inerme.
É preciso pensar nos vivos. Elaborar políticas concretas para populações em áreas de risco. Organizar politicamente a ajuda aos que continuarão e a reconstrução da cidade. Mesmo o sofrimento tem o seu lado positivo, no excedente que dele irrompe. Mesmo na dor, há vibração e espessura na experiência humana. É hora de reafirmar e celebrar a vida, pois o pensamento da morte é o mais imundo. A morte foi inventada pela direita.
Ante a dança de morte que a TV encena, com uma gargalhada trágica se pode romper a lógica da impotência. Algumas imagens, todavia, vazaram da comiseração generalizada. O homem lança a corda, puxa a mulher para fora da turbulência, e sorri. E sorri! Seu sorriso converte a tristeza na alegria de todos, e assim potencializa a resistência dos que lutam. Aí está a distinção entre tragédia e melodrama.
Axé para os vivos.
A faísca deste ensaio brotou de uma conversa com Fabrício Toledo, a quem rendo os créditos. Também contribuíram Sindia Santos, Moana Mayall e Ronald Duarte.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
TRAGÉDIA
Cenário em Canela e Gramado é de pós-guerra. Rajadas de vento ultrapassaram os 120 Km/h, mais de 100 casas foram destelhadas e cerca de três mil ficaram sem luz.
A Serra gaúcha é conhecida nacionalmente pelas belezas naturais. Atrai as atenções de milhares de turistas durante o inverno.
Na manhã desta quinta-feira, dia 22, as manchetes de todo o país retratam a natureza, é verdade. Só que de bela, dessa vez, não tem nada. Uma forte tempestade atingiu as cidades de Canela e Gramado na noite anterior e causou destruição. As rajadas de vento ultrapassaram os 120 Km/h.
Mais 100 casas foram destelhadas, segundo a Defesa Civil do Estado. O número de feridos chega a 11 pessoas atendidas no Hospital de Caridade. Cerca de três mil moradores ficaram sem energia elétrica. Em Gramado, as informações são de que casas também foram destelhadas e duas pessoas feridas.
TORNADO - Meteorologistas ainda não conseguem definir se o vendaval que atingiu nível de tornado. Nesta quinta-feira, a Defesa Civil vai avaliar os estragos e as características do fenômeno. Para ser classificado como tornado, o vento tem que ter velocidade de 116 km/h A 400 km/h. A destruição é rápida e restrita a uma determinada área.
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