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domingo, 8 de janeiro de 2012

MINAS GERAIS

Em seis dias, volume das chuvas era o esperado para o mês de janeiro.
O boletim da Defesa Civil informou neste domingo (8) que o volume das chuvas já registrou 228,7 mm, dos 296,3 mm esperados para o mês de janeiro na capital mineira, o que representa 77% do total esperado para o mês. A previsão para este domingo é de tempo instável em quase todo o Estado, devido à atuação de um sistema frontal no oceano, nas imediações do litoral da Região Sudeste. Há tendência de grande volume de chuva, principalmente, para o Noroeste de Minas Gerais.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sabe o que me intriga? Estão dizendo que Palocci saiu de 300.000,00 de patrimônio para 20.000.000,00 em 4 anos. Parece que isso é fato.
Mas espera aí?
Porque Palocci foi derrubado em 2005?
Foi pelo escândalo do caseiro?
Foi.
Mas o que o caseiro denunciou?
Que o Palocci se reunia com várias pessoas envolvidas em denúncias de corrupção em Ribeirão Preto. Estou enganado?
Quer dizer que o Palocci, sendo prefeito de Ribeirão Preto, não sei por quantos mandatos e depois Ministro da Fazenda além de ser formado em medicina conseguiu em sua vida um patrimônio de 300.000,00? Mas este é um patrimônio de muitas pessoas com carreiras muito menos nobres.
Quer dizer que os ares de suspeita de benefícios de corrupção por parte do Pallocci que toda imprensa fez parecer naquela época era mais um factoide? Quer dizer que aquilo era tudo mais uma mentira?
Ou seja, o que ocorreu hoje prova que tudo que envolveu o caso Palocci de 2005 era fumaça.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MÁRIO DE ANDRADE

Da paulicéia ao desvario de todos os brasis.

Na dimensão de uma cidade multifacetada, até certo ponto bastante cruel para com seus habitantes, Mário de Andrade percebeu o poético inadivinhado de um mundo em construção. Sabia que São Paulo era um empreendimento constante e que, nas suas pegadas, adviria um país inteiro a reboque.
Talvez não seja apenas significativo que o mais importante intelectual brasileiro da primeira metade do século XX, tenha nascido em São Paulo - que fosse um mulato e que tivesse pensado o Brasil em praticamente todas as instâncias da sua cultura - das artes plásticas, ao folclore, passando pela música, a literatura e sabe-se mais o quê. Mário do Andrade, de fato, poderia ter se cingido à paulicéia em seus desvarios como o maior centro a se industrializar no País - com seus rios a sendo intoxicados pelos dejetos das fábricas em seus primórdios; e o seu crescimento desmesurado, com a chegada da mão-de-obra barata vinda principalmente do nordeste. Caberia, quem sabe então, inquirir se foi Mário de Andrade quem inventou São Paulo; ou se foi São Paulo que pariu Mário de Andrade. A última hipótese parece a mais plausível: se o homem é a sua circunstância, não haveria como imaginar outra resposta. É a velha história: sem a Revolução de 1789, a França não teria sido invadida. E, então, Napoleão seria apenas um bom aluno da escola militar Real, de Paris, etc. etc.. Mas Napoleão fez a história da França. Logo...
Seja como for, Mário de Andrade parece ter intuído bem o contexto da predominância de São Paulo sobre o resto do País. Ou nasciam daqui as reflexões totalizadoras sobre um Brasil ignorado pelos brasileiros, ou seria difícil a síntese que ele intentou ao mobilizar intelectuais de norte a sul, para pensar, criticamente, o Brasil, para dissecá-lo, em suma. É muito provável, contudo, que a idéia que daí nasceu, acabaria de uma certa maneira diluída. O personagem "Macunaíma" - "ai que preguiça!" - persiste, sem dúvida, na idéia do "bom malandro"- o tipo simpático que, até certo ponto, ainda se define no brasileiro "cordial". Mas os migrantes que assumiram seus lugares nas linhas de montagem das indústrias, constituíram-se num modelo de trabalhador disciplinado, sofredor e até conformado. No fundo, bastante diferente do personagem arquetípico do brasileiro inventado pelo escritor.
Ao que parece, os "macunaímas" que baixaram em São Paulo, conformaram-se de que até Deus só descansou no sétimo dia, precisamente porque o mundo novo, contemporâneo do capitalismo em mutação, é feito sempre de segundas-feiras; ou melhor, de um ativismo acróitico impreterível, não muito diferente daquele do comendador, o empresário típico, do mesmo "Macunaíma". Esse, como conta o livro, devorava homens por não ter, igualmente, qualquer consciência da autofagia também inscrita na sua atividade. Tempos atrás, um dos maiores industriais brasileiros - paulistano naturalmente - ao admitir só ter saído do Brasil a trabalho e, ao conceder que iria viajar com a esposa para, finalmente, tirar férias depois de dezenas de anos - não concluía, por via de conseqüência que, como dizia Manuel Bandeira (grande amigo de Mário de Andrade), trabalhara para ter toda uma vida "que podia ter sido, mas que não foi".
Mário de Andrade, a seu turno, ele próprio, no fim das contas parece ter sido muito pouco "macunaímico". Os que o conheceram, dizem ter sido um trabalhador incansável. Foi o que afirmou com a sua autoridade de grande mestre, o professor Antônio Cândido num programa da TV Cultura dedicado ao escritor, levado ao ar uma semana atrás. Como disse o professor, Mário nunca deixou de responder cartas, fossem de seus amigos, fosse do mais

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

UM PINOQUIO

É seria bom que filosofia começasse a ser ensinada mais cedo. Mas, filosofia mesmo aquela que ensina a pensar, a tornar realmente o ensino um fator de libertação mais que a visão anglo-saxônica de que a educação disciplina. Tem que disciplinar o raciocínio, não a vontade.
Em muitas das situações, somos cúmplices voluntários da mentira que nos contam, pois estamos sedentos para crer nela. (Deus e a religião, evidentemente, encontram-se nessa categoria)
O voto nulo como protesto, como demonstração da insatisfação, como forma de se fazer ouvir.
Para que o eleitor se conecte com seu universo pessoal de verdade é necessário que ele tenha acesso às "variações do tema"; aquilo que a Educação e o Conhecimento oferecem e do qual carece a grande maioria, esta, ainda vota na verdade que compreende que Estado e Igreja devem controlar decisões pessoais, a exemplo da questão do aborto.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

E A LUTA CONTINUA

Em relação à Marina Silva, um dos resultados que chamou à atenção e até impressionou, negativamente, foi o fraco desempenho dela no Acre, sua base eleitoral.
Ela ficou em terceiro lugar onde teoricamente deveria ter ficado em primeiro.
Até porque lá, em nível estadual, o PT estava coligado com o PV e com o PSol.
Dilma ficou em segundo lugar, o que já era esperado.
Mas quem ganhou lá foi o zé (pedagio) Serra com 52% dos votos.
Ficou parecendo que quem conhecia bem a Marina não quis votar nela.
Infelizmente a Marina Silva perdeu a identidade ideológica e está seguindo o mesmo caminho da Heloisa Helena, que teve uma votação astronômica para presidente em 2006 e agora não conseguiu sequer se eleger senadora em seu estado, Alagoas.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ESPAÑA - HOLANDA

JOHN CARLIN é colunista do diário espanhol "El País" e autor de "Conquistando o Inimigo", livro que inspirou o filme "Invictus"
Tradução de CLARA ALLAIN
Os espanhóis são mais holandeses e mais brasileiros que os próprios. Torço por eles, pelo bem da bola.
"MESTRES DO FUTEBOL!", gabaram-se as manchetes dos jornais espanhóis, ecoando o elogio feito a seus atletas por Joachim Löw, técnico da seleção alemã que eles bateram para conseguir enfrentar a Holanda na final da Copa, hoje. Perdoe-me por dizê-lo, mas deve ser deprimente para os brasileiros ouvir isso ser dito de outra seleção.
Seria consolador imaginar que o jogo bonito da Espanha foi herdado das seleções brasileiras do passado, mas, por ironia, a Espanha aprendeu a jogar como está jogando graças aos holandeses, os "brasileiros" da Europa e rivais na final de hoje.
A Espanha era a chamada Fúria -muito sangue e garra, mas pouca sutileza. Isso mudou quando o grande ideólogo do futebol espanhol chegou a Barcelona como atleta nos anos 70, tendo mais tarde assumido o cargo de técnico. Ele foi o maior jogador de futebol holandês, Johan Cruyff. Sendo os brasileiros da Europa, os holandeses acreditavam que a bola deveria ser acariciada, e não levar pontapés.
Cruyff transmitiu sua filosofia a um dos atletas que treinou, Guardiola, hoje técnico do Barcelona, que joga o futebol mais cultuado hoje e que forma a base da Espanha -sete dos titulares contra a Alemanha são do clube. Guardiola reconhece a dívida com Cruyff, que liderou a Holanda à final de 74 jogando possivelmente o melhor futebol visto na Europa até então, mas perdeu para a Alemanha.
O técnico holandês atual, Bert van Marwijk, moldou um time com a meta de compensar aquela decepção e a que a seguiu, na final de 78 contra a Argentina. Criticado por Cruyff, Van Marwijk sacrifica a arte em prol da eficiência. Sua ideia, semelhante à de Dunga, é que o time todo deve defender. Depois, veremos se saem gols.
O engraçado é que os espanhóis são mais holandeses do que os holandeses e mais brasileiros do que os brasileiros. Não só a posse de bola é a prioridade como os espanhóis são individualmente os mais habilidosos desta Copa. A Espanha tem atletas melhores que os holandeses em quase todas as posições. Muito já se disse do meia Sneijder, mas ele é um artesão, enquanto Xavi é um artista.
Pelo bem do esporte, e para que volte a ser dado ao mundo o exemplo de que o futebol bonito é futebol vencedor, torçamos para que a Espanha vença.