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terça-feira, 13 de setembro de 2011

POBREZA RECORDE NOS EUA

** atinge 15% da população: 46 milhões de pessoas
**53% dos americanos desaprovam Obama; 60% criticam sua gestão econômica
**Tesouro italiano  paga 5,6% de juro nesta 3ª feira, a maior taxa desde 1999
** faltam ainda a Berlusconi 80 bi de euros para fechar 2011 
**mico: bancos franceses tem 59 bi de euros em títulos gregos
BELLUZZO: MONOPÓLIO DA MÍDIA DIFICULTA SAÍDA PARA A CRISE. O DEBATE VIROU UMA FARSA  "O consenso em torno de certas ideias de dominância financeira  -idéias que estão na origem da atual crise-- não seria possível sem a sua vocalização pela mídia. Não se trata de  uma teoria conspiratória, estou dizendo que isso se deu através de um processo social em que as camadas dominantes impõem as idéias dominantes. A gente nunca pode perder essa dimensão da luta social; como ela se desenvolve e como  maneja os símbolos, os significados, as palavras. Tome o exemplo da queda da taxa de juros brasileira. Isso produziu em certas pessoas (da mídia) uma estupefação; em algumas mais estupefação, em outras  alguma indignação. As que ficaram mais estupefactas sempre ouviram o contrário, que era um perigo, era a ruína . As ideias , como dizia um autor do século XIX,  tem uma força  material enorme  -- a força material das idéias dominantes. Norberto Elias, o sociólogo, dizia que é muito difícil você desconstruir um consenso como este. Daí o papel crucial da luta social e política. Ou você  acha que a crise vai se resolver mecanicamente, por ela mesma? Não vai. É necessário formular alternativas. A solução dita ‘normal' é previsível, diz o economista americano Doug Henwood, que tem uma newsletter de nome muito interessante, 'Left Business Observer'. Henwood  foi encarregado de escrever sobre Wall Street, antes e depois da crise. É muito fácil, asseverou. Antes da crise, Wall Street era o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Depois da crise, Wall Street continua sendo o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Um repórter que te entrevista sobre política monetária e ouve algo  contrário a esses interesses, daqui e de lá, hesita em publicar; se publica o faz cheio de ressalvas. Esse jornalista foi emprenhado pelo ouvido, durante anos, para perguntar e ouvir sempre a mesma coisa. O problema da mídia  no mundo inteiro é esse monopólio de algumas empresas que veiculam a visão dominante. Elas são a classe dominante. Nos anos 50 e 60 na Europa, por exemplo, você tinha uma mídia diversificada que expressava as posições políticas distintas. As pessoas liam o 'Avanti!', o 'La Unità'... Havia debate político. Hoje você não tem debate. O que você tem é uma farsa".(Luiz Gonzaga Belluzzo, no debate ‘Neoliberalismo, um colapso inconcluso'. Leia reportagem nesta pág.) (Carta Maior; 3ª feira,13/09/ 2011)

sábado, 30 de julho de 2011

QUÃO LONGE DO ABISMO OBAMA NOS LEVARÁ?A Câmara  dos EUA aprovou  o pacote orçamentário republicano que adicionava  pouco mais de US$ 900 bi ao teto da dívida pública dos EUA,  valor suficiente para  Obama  governar alguns meses e ficar novamente à mercê de concessões do extremismo neoliberal. Como previsto, o Senado de maioria democrata rejeitou o projeto e tem até a madrugada deste domingo para ampliar a margem de manobra fiscal do Presidente. Ainda que contorne as armadilhas montadas pelos republicanos, Obama perdeu um pedaço precioso de sua credibilidade. Para saciar o conservadorismo ortodoxo, o democrata  já estreitou de modo perverso o acesso dos idosos à saúde pública, através do Medicare.  Não teve o mesmo rigor ao comprometer as contas do Estado para salvar o sistema financeiro da crise. Espremido, comprometeu-se agora a cortar cerca de US$ 2,7 trilhões em investimentos públicos nos próximos anos, amordaçando a própria margem de manobra na campanha eleitoral de 2012. O  discurso claudicante,  a musculatura política complacente sugere alguém disposto apenas a mitigar a aplicação do receituário ortodoxo que originou a crise. Se um dia personificou a esperança numa  superação  progressista da lógica que levou o capitalismo ao seu maior colapso desde 1929, hoje é a imagem gasta da rendição. Obama até certo ponto é refém  das circunstancias. As bases operárias e socialistas que pavimentaram o New Deal nos anos 30 não existem mais. Mas já era assim há quatro anos quando disputou com a extrema direita e venceu. Desde então, de recuo em recuo, redefiniu seu espectro político fixando estacas regressivas em Guantánamo, no Afeganistão e na rendição a Wall Street. Sobretudo, porém,  trocou de interlocutores. Obama é pop. Tem mais de nove milhões de seguidores no Twiter. Fica atrás apenas de Lady Gaga e do não menos pop Justine Bieber. Mas assim como o Twiter  não faz de Gaga uma Rosa de Luxemburgo, Obama não se tornou um Roosevelt digital. Enquanto dispara apelos à mobilização virtual contra o arrocho republicano, cede na prática a essa lógica a ponto de devolver  legitimidade à agenda que havia derrotado nas urnas. Hoje, o mundo  perplexo  sabe o que o Tea Party quer e quão perto do abismo isso significa. Mas ninguém sabe ao certo o que quer Barack Obama. E a que distancia do abismo a sua tibieza nos deixará. (Carta Maior; Sábado, 30/07/ 2011)

terça-feira, 5 de julho de 2011

WALL STREET

EMPREGOS DERRETEM. NAÇÕES SE ESGOELAM. BANQUEIROS FATURAM.
O executivo-chefe do Citigroup, Vikram Pandit receberá este ano US$ 80 milhões relativos a pagamentos não salariais, além de bônus e incentivos, num volume que pode superar os US$ 200 milhões. A informação é da agência Bloomberg. O Citi foi o banco símbolo da crise engendrada pela supremacia das finanças desreguladas que esganou a economia, o emprego e a democracia em todo o planeta, como avultam os exemplos da Grécia, Espanha, Portugal etc. Foi, ademais, a instituição financeira que recebeu o maior balão de oxigênio do Estado norte-americano. Em novembro de 2008, no auge da crise,  o governo dos EUA assumiu a responsabilidade de resgatar a montanha desordenada de créditos podres e ações esfareladas que fizeram do Citi um emblema da maior crise do capitalismo desde 1929. A canalização de dinheiro dos contribuintes incluiu US$ 20 bilhões de injeção de capital para mitigar os rombos de caixa do Citi; US$ 25 bilhões em programa de ajuda oficial; garantias do Estado para US$ 306 bilhões de ativos problemáticos (créditos podres ou em processo de putrefação acelerado). Para falar o bom português: o Citi foi estatizado, embora mantido nas mãos do mercado essas coisas existem. A título de  prestação de contas à opinião pública, que naturalmente não digeriu bem o amparo a uma das alavancas da crise que ceifou 30 milhões de empregos no mundo, convencionou-se que o salário do presidente do Citi ficaria restrito a simbólico US$ 1 por ano. Agora se vê que os chamados ‘restos a pagar' -que podem chegar a US$ 200 milhões'- permitiam tal demagogia.  Vê-se, ademais, que, rtrês anos depois da hecatombe, as medidas regulatórias destinadas a devolver a pasta para dentro do tubo fracassaram. E a tal ponto, que, um executivo-chefe como Pandit, que assumiu em 11 de dezembro de 2007, dá-se ao luxo de conciliar ganhos milionários com uma queda de 87% no valor das ações do Citi desde a sua posse. Eis o xis da questão: todas as línguas do mundo aprenderam a dizer 'o fracasso neoliberal' para caracterizar a crise. Mas Wall Street continua mandando. De Obama a socialistas cínicos passando pelos bem intencionados, ninguém bota o guizo no gato. (Carta Maior; 3º feira, 05/07/ 2011)

terça-feira, 26 de abril de 2011

A MATEMÁTICA DA PRIVACIDADE

OU O FIM DA INTIMIDADE - "Para nós, as pessoas são como pequenas partículas que ... se comunicam com outras. Transformamos a sociedade num laboratório no qual o comportamento pode ser observado de modo objetivo" (Albert-Laszlo Barabasi, chefe de um experimento do Laboratório de Dinâmica Humana do MIT  baseado no rastreamento de celulares; Wall Street Journal-Valor) Milhões de ligações de celulares reduzidas a padrões de comportamento humano através de diferentes experimentos em curso na Europa e nos EUA, tornam as recentes suspeitas de bisbilhotagem  promovidas pela Aple e o Google uma brincadeira de salão. Nessas pesquisas, sensores e softwares instalados em smartphones controlam movimentos, relacionamentos, humor, saúde, hábitos ao telefone e gastos do usuário. Da montanha de detalhes íntimos, os pesquisadores extraem padrões de comportamento em relação ao poder político, ao dinheiro, ao amor, podendo revelar sintomas sutis de distúrbios mentais e oscilações de humor coletivo que antecipam viradas na bolsa de valores ou a receptividade à  propagação de idéias políticas à semelhança de um vírus. Sobretudo, permitem que a ciência extrapole aquilo que singulariza a intimidade humana e  construa padrões matemáticos da privacidade. (...) Não se trata apenas de constatar o fenômeno social, mas de influenciar seu curso. Em Boston, EUA, um grupo de cientistas descobriu o quanto as pessoas podiam ser previsíveis estudando a rotina de deslocamento de cem mil usuários de celular (...). A amostra é uma partícula do universo  a ser devassado:  quase 75% da população do planeta tem telefone celular (Carta Maior, com informações WSJ/Valor) - (Carta Maior; 3º feira, 26/04/2011)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Google negocia aquisição da produtora de vídeo.
DA REUTERS, EM NOVA YORK.
O YouTube, do Google, está negociando a aquisição da produtora de vídeo Next New Networks, em um esforço para melhorar a qualidade dos vídeos disponíveis no site e elevar sua receita publicitária, de acordo com uma pessoa que conhece as negociações.
A Next New Networks é uma empresa de capital fechado mais conhecida como a produtora de comédias online tais como "Barely Political", cujo vídeo "I've Got a Crush on Obama" foi grande sucesso em 2008, ganhando cobertura em programas de TV aberta famosos como "Saturday Night Live".
Mas ao que se sabe o interesse do YouTube é pelo serviço de desenvolvimento de vídeo e parceria da Next New dirigido a produtoras menores, com o objetivo de ajudar a melhorar a qualidade do conteúdo no YouTube, o site de vídeo dominante na Web. A empresa poderia considerar a possibilidade de fechar o estúdio da Next New e investir mais no desenvolvimento de vídeos de parceiros para exibição no YouTube, disse a fonte.
As duas empresas se recusaram a comentar.
Desde que foi fundada, em 2007, a Next New levantou cerca de US$ 27 milhões em capital, junto a investidores como Spark Capital, Goldman Sachs, Saban Capital Group e Fuse Capital. Em dezembro, ela levantou 1,2 milhão de dólares por meio de títulos de dívida.
O objetivo para o YouTube seria atrair mais espectadores aos seus vídeos, que, na disputa sempre mutável do conteúdo na Web, agora precisam oferecer valores de produção superiores a fim de concorrer com as ofertas profissionais de sites como Hulu e Netflix, bem como com os sites oficiais de empresas de mídia como a CBS e ABC, da Disney.
O gigante das buscas deve pagar "dezenas de milhões de dólares" pela empresa e o acordo pode ser anunciado na semana que vem, reportou o "Wall Street Journal" na quinta-feira.
O Google enfrenta crescente pressão dos investidores, preocupados por o YouTube não estar contribuindo para os resultados financeiros da empresa apesar do domínio que exerce sobre o setor de vídeo on-line.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

OS ESTADUNIDENSES TEM BOLSA FAMILA


WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer.

In U.S., 14% Rely on Food Stamps.
By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal
.

Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.
O número dos que recebem o cupom de comida (food stamps, a versão americana do Bolsa Família) cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.
Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.
Em números proporcionais, Washington DC (a capital dos Estados Unidos) tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.
Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.
O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.
Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.
Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.
Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.
Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O círculo dos créditos viciosos.

Existe sequência não trivial, no recentíssimo processo contra a Goldman Sachs, pela CVM americana. Parece estar em curso sequência de alvos políticos pré-anunciados por um insistente governo Obama.
O primeiro alvo foi a nova lei de saúde aprovada. Governo americano algum antes conseguira. Em seguida, o desarmamento nuclear, sobretudo com os russos, diminuindo estoque autodestruidor. Agora, a ação penal judicial contra o símbolo dos bancos de investimentos norte americano: o Goldman Sachs.
A acusação é de fraude. É grave. O ministro inglês Gordon Brown fala da falência moral dos bancos de investimentos. Angela Merkel da Alemanha vai investigar. Obama fala de cinismo e enganações financeiras. Há um aroma de indignação no ar. As consequências irão além do Goldman Sachs. Vão se espalhar por todo o mundo. Pelo Brasil também. Por que esse alvo, agora?
Alguns anos antes da crise de Wall Street, foi perguntado a importante banqueiro internacional o que mais temia no funcionamento dos mercados. A resposta foi simples. Não é preciso ser financista, matemático ou economista para compreender. Na pressão da competição do curto prazo, os bancos assumem sempre mais e mais riscos. Quando os riscos se tornam insuportáveis, impagáveis, o que ocorre ciclicamente, correm aos governos, com a faca no pescoço, para que os assuma.
Por: Joaquim Falcão