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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Está na hora dessa gente bronzeada cair na real.
Por Marcelo Bechler
Desde 2009, quando derrotou a Inglaterra (com apenas quatro titulares de 2010), o Brasil não vence uma seleção top 10 no ranking da FIFA. Desde então, perdeu para a Holanda uma vez e empatou outra. Perdeu para França, Argentina e Alemanha. A dificuldade de vencer os melhores expõe que não somos os donos do mundo.
Para se fazer o trabalho de renovação é preciso começar deste ponto. Não somos mais os melhores e a partir daí podemos aceitar que perder da Alemanha, sendo dominados durante 90 minutos, não é absurdo. Aceitar e não se preocupar são coisas diferentes. É preciso trabalhar, ter um norte. A ideia era amadurecer Neymar e Ganso, principais expoentes de talento no Brasil, para estarem maduros o bastante em 2014.
Contra a Alemanha, Mano Menezes optou por Fernandinho na vaga de Ganso. Fortaleceu o meio; perdeu posse de bola. Tentou evitar o jogo rápido dos alemães e abriu mão da convicção que tinha enquanto Paulo Henrique estava machucado: a presença dele era indispensável. Escolher fortalecer o meio-campo com Fernandinho é pensar em ocupar espaços e não perder o jogo. É pensar no emprego. Mano errou em Stuttgart.
Não se vê evolução no futebol, mas não se vê também a renovação falada. A Alemanha entrou em campo com média de idade de 23,5 anos – e Joaquim Low já havia deixado o time mais jovem desde o fim da Eurocopa de 2008. O Brasil de Dunga tinha média de idade de 29 anos na Copa da África. O time desta quarta-feira, três anos antes do Mundial, tinha média de 26.
Não estamos jogando bem, nem nos renovando tanto assim. De quebra, não somos mais os melhores. Está na hora dessa gente bronzeada cair na real.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

SE FOSSE O BARÇA

Por Marcelo Bechler.
Ao Santos, o jogo espetacular faz mal.
Desde 12 de dezembro de 2003, quando o São Caetano venceu o Internacional por 5 a 0, um time de Muricy Ramalho não sofria cinco gols. Méritos para o Flamengo, especialmente para Ronaldinho Gaúcho, lembrando os tempos de Barcelona – como na falta do quarto gol, quase idêntica a que cobrou contra o Werder Bremem na Espanha. Mas o Santos sofreu cinco gols. O que não acontecia com Muricy há sete anos e meio. Justamente na estreia do meio-campo dos sonhos.
Não há sonho que resista a um time exposto, em que o volante mais recuado, Arouca, sai para o jogo e que Íbson ajuda pouco o lateral. Elano, lento demais para acompanhar o ataque adversário, deixa espaço generoso no meio. Em menos de cinco meses, o Santos vai encontrar um adversário especialista em aproveitar o campo que o adversário teima em não oferecer. Se deixar o Barcelona jogar, ele te atropela impiedosamente. Certo, Manchester?
Ao Santos, o jogo seguro e compacto da Libertadores vale mais a pena que a roleta russa vista na noite de quarta na Vila Belmiro. O time super técnico e com muitos recursos ofensivos pode não ter mais do que 30% de posse de bola para tentar jogar no Japão. De repente, Henrique parece mais importante do que Íbson e Adriano mais jogador do que Elano.
O grande jogo do Flamengo não pode ser desprezado. Mas o Santos da Libertadores não levava cinco gols. Aliás, levou sim. Somando os oito jogos do mata-mata foram cinco gols sofridos. De uma vez só, time de Muricy Ramalho só em 2003. E ontem era o Flamengo. Imagine se fosse o Barcelona…

domingo, 3 de julho de 2011

JOGUINHO FEIO ? ?

Apatia da Argentina, pelo menos, derruba máximas do futebol
Por Marcelo Bechler.
O futebol ainda vive de máximas. Quando a discussão fica tática demais e parece que a bola é um mero detalhe, alguém vai lembrar “é só escalar os melhores e lá dentro eles resolvem tudo naturalmente”. A Argentina mostra o contrário. Messi, Tévez, Di Maria, Aguero são referências em suas equipes. Até mesmo Lavezzi, de péssima estreia, não é o jogador desprezível como parece para quem o conheceu contra a Bolívia.
O time de Sérgio Batista pode mais. Para isso, precisa ser time. A formação com três atacantes, além de Cambiasso e Banega apoiando, era para parecer o Barcelona. Na prática, foi o anti-Barça. A Argentina não valorizou a posse de bola, não teve passes curtos e pouco conseguiu colocar Messi no jogo. Quando era desarmada, tentava sufocar em marcação pressão e se perdia em faltas tolas.
Batista tem um bom grupo em mãos. O preparou, pensou, treinou e ainda assim foi controlado pela frágil Bolívia. A Argentina tem toda a Copa América para se recuperar, agradar o seu torcedor e sair com o título. Existe a possível comparação com a Espanha, campeã do mundo, mas derrotada na estreia pela Suíça. A diferença é que a Fúria era um time consciente.
A derrota espanhola pareceu um acidente, a argentina é um aviso. Não adianta ter jogadores de mais e organização de menos. Futebol não é tão simples assim.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Para o corinthiano pensar quando estiver parado no trânsito
Por Marcelo Bechler, Radio Globo.
Quando se fala em São Paulo é difícil esquecer o trânsito. Quem precisa ir à cidade ou pensa em morar na maior metrópole do país sempre pondera o que terá de encarar para se locomover. No final de maio os funcionários do metrô entraram em greve, reivindicando melhores salários. São Paulo travou. Os metroviários tinham o salário-base de 1.067 reais e depois de negociações e paralisação passam a receber 1.154,27. Aumento de 85 reais.
Enquanto isso, o estádio do Corinthians (não é Fielzão ou Itaquerão – uma empresa pagará pelos naming rights. Popularizando-se outro nome, desvaloriza-se a marca e o próprio clube ganha menos) poderá ter desconto – não previsto por lei – de 420 milhões em IPTU e ISS.
O metrô e o estádio parecem não ter relação nenhuma, mas quem paga os funcionários do transporte é o contribuinte, via impostos. Quem paga IPTU para morar na cidade também é o contribuinte. Com 420 milhões, é possível pagar aos 8.600 metroviários o salário de 1.154 reais por 42 meses, ou três anos e meio.
Os funcionários já tiveram o aumento (de 8% e não de 10% como reivindicavam), por tanto os 420 milhões poderiam ser usados de forma diferente. São Paulo tem hoje 70 km de linhas de metrô e o dinheiro seria suficiente para construir mais 7 km. Aumento de 10%.
Quando você, corinthiano, estiver preso no trânsito, nas plataformas lotadas do metrô, ou tomando chuva em um ponto de ônibus e sem ter o que fazer, pense no quanto quase meio bilhão de reais poderia ajudar a resolver o problema seu e de todos que estão ao seu lado.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

MARCAÇÃO CERRADA

Antecipação da janela tira o poder de barganha dos clubes.
Por Marcelo Bechler, do O Globo.
A janela para transferências internacionais será antecipada e o futebol brasileiro tende a perder com isso. Espera-se que os clubes possam inscrever jogadores entre 15 de junho e 15 de julho. Neste momento, Corinthians, Grêmio, Vasco e Botafogo ganham os reforços de Alex, Mirales, Gilberto Silva, Juninho Pernambucano e Renato por dez rodadas a mais do que se o estipulado previamente fosse cumprido.
São quatro clubes e cinco atletas beneficiados.
O número deve ser maior até 15 de julho, mas a tendência é que todos saiam perdendo.
A temporada europeia acabou de ser encerrada e os clubes mal começaram as avaliações de elenco para 2011/12. Negociar com um atleta, mesmo que esteja encostado em uma equipe da Europa hoje, é muito mais difícil do que no final de julho ou início de agosto, quando já se terão definidos os jogadores que serão utilizados na temporada.
É o caso de Henrique, que interessa ao Palmeiras ou Keirrison, nos planos de Atlético-MG e Bahia. Os dois jogadores pertencem ao Barcelona. Henrique estava emprestado ao Racing Santander e ainda não sabe se será incorporado ao time de Pep Guardiola.
Caso não tenha espaço na Catalunha, o Barça tentará re-emprestá-lo a algum clube europeu. Em seguida, o Palmeiras.
Como convencer os espanhois?
Com dinheiro.
Muito mais do que seria gasto em agosto. Nada impediria o Palmeiras de fixar uma proposta e esperar o fracasso de outros negócios, podendo subir a oferta eventualmente. Hoje, o Palmeiras não tem o benefício da espera e precisa subir a pedida. O caso de Keirrison é idêntico.
Fora isto, em agosto abre-se também a janela na Europa. Um jogador que for contratado na Itália, Inglaterra ou Alemanha, tira espaço de outro e cria a oportunidade de um negócio de ocasião. Se o Shakhtar Donetsky contrata um centroavante em 20 de julho, encosta Luiz Adriano ou Marcelo Moreno, por exemplo. Os brasileiros que precisarem de um jogador para a posição, terão de chupar dedo e esperar até janeiro.
Se a prematura abertura da janela vai de fato ser ruim para os clubes no Brasil, será impossível cravar. Certo é que se perderá o poder de barganhar bons negócios.