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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

NORDESTINO COM ORGULHO


Por Andrea Grace, Blog Pragmatismo Político.
Não sou uma pessoa que costuma envolver-se em polêmicas ou declarar seus posicionamentos de forma ferrenha, pois acredito na palavra “Democracia” em toda a sua extensão e profundidade. Entretanto, diante de alguns – para não dizer centenas - de comentários que li via twitter, decidi escrever essa carta.
No último dia 31/10, dia em que o Brasil votou e elegeu a sua primeira presidente mulher – um avanço para o nosso país- os nordestinos foram extremamente desrespeitados e discriminados por terem sido os protagonistas do resultado eleitoral nacional. Comentários como “pessoas sem esclarecimento”, “sem acesso a informação”, “alienadas” foram difundidas, em pleno século XXI, apregoando uma ideia ridícula de segregação do norte e nordeste, em relação ao resto do país.
Para surpresa de alguns desinformados que twitaram tais absurdos, nós nordestinos conseguimos ler, fato que alguns julgaram impossível, pois acreditavam que no nordeste “ninguém sabia nem o que era twitter”. Engraçado é que muitos nordestinos acessam o twitter, o orkut, o facebook e os seus blogs, a partir de notebooks, netbooks, Iphones e Smartphones que, pasmem, nós sabemos o que é cada ferramenta dessa e trabalhamos a ponto de ter acesso a comprá-los, inclusive através dos websites do sudeste. É... os correios também atendem à região nordeste...
Além disso, escrevo de uma cidade do interior paraibano – Campina Grande- situada entre as nove cidades tecnológicas do mundo, segundo a revista NewsWeek (vide: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=7202)., exportando tecnologia da informação para países, como Espanha, EUA e China. Ademais, somos a primeira cidade do Brasil a dominar a tecnologia do plantio de algodão colorido ecologicamente correto. Vivemos num estado, assim como todos, com uma indiscutível má distribuição de

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Serra realiza manobra perigosa ao acusar Dilma sem provas.
Candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra voltou a acusar, mesmo sem apresentar quaisquer provas, a candidata adversária Dilma Rousseff (PT) e o governo federal pela quebra do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra. Desta vez, o público foi cerca de 300 prefeitos, durante evento na capital paulista.
– O segredo fiscal de pessoas que o governo identifica como adversários foi quebrado por gente na Receita Federal evidentemente a serviço de uma operação político-partidária e eleitoral – discursou o candidato da aliança dos partidos da direita brasileira. Além dos prefeitos, havia deputados e vereadores na assistência. Serra vem usando, desde junho, o mote da quebra de sigilo como forma de atacar a candidatura apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele já responde a processos por calúnia e difamação, tanto na Justiça comum quanto nos tribunais eleitorais, por tentar ligar sua adversária à confecção de um possível dossiê contra ele e demais dirigentes tucanos.
O mais novo capítulo da série de acusações envolve a divulgação de dados sigilosos da filha de Serra, Verônica, em acessos realizados por um contador, Antonio Carlos Atella Ferreira, em setembro e outubro do ano passado, em agências da Receita Federal no ABC paulista. O próprio contador admite ter tirado cópias das declarações do Imposto de Renda de Verônica, ex-sócia de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas. Ela e o irmão são investigados pela Polícia Federal por formação de quadrilha e evasão de divisas.
O candidato tucano está 24 pontos atrás da candidata do PT, Dilma Rousseff, nas últimas pesquisas de opinião. Dilma tem 51% das intenções de voto e Serra, 27%, segundo o Ibope. Sua equipe de marketing já

terça-feira, 20 de julho de 2010

O MACHISMO EM PAUTA

Pe. Alfredo J. Gonçalves.
São bem conhecidas as histórias de Mércia Nakashima e Elisa Samúdio. Com amplo espaço nos telejornais e na imprensa falada e escrita, ambas exibem, e ao mesmo tempo escondem, o machismo dissimulado da sociedade brasileira. É bem verdade que se trata de episódios extremos de violência contra a mulher, mas não deixam de apresentar um retrato do que ocorre à sombra da inviolabilidade do lar e da vida amorosa ou conjugal. "Em briga de marido e mulher não se põe a colher", diz um ditado popular nada apropriado para a consciência crescente da igualdade entre os sexos.
Somados à tragédia de Eloá e Lindenberg, vinculada pela mídia no final de 2008, o destino de Mércia e Elisa são exemplares de uma situação nada exemplar. Revelam a fragilidade e vulnerabilidade da namorada, noiva e esposa frente ao companheiro. Três casos, entre tantos outros, que mostram a mulher refém dos próprios sentimentos ou, pior ainda, dos sentimentos alheios. Fica claro que a situação de namoro, noivado ou casamento, ou até mesmo uma paquera eventual, põe a nu um relacionamento desigual. Enquanto o homem, a qualquer momento pode romper a relação, deixar a companheira e "partir para outra", a mulher tem de pensar duas vezes antes de fazê-lo. Corre o risco de se tornar vítima do rancor, do ciúme ou da vingança que, em casos extremos, significam a morte. Aliás, como evidenciam inúmeras obras de literatura, amor e ódio moram no mesmo coração e na mesma casa.
Mas há outro aspecto que merece reflexão. A veiculação de semelhantes tragédias pelos meios de comunicação tem dupla face. Num primeiro momento, tende a transformar o caso em questão num grande espetáculo, uma espécie de show midiático. Mais do que uma informação sóbria e séria sobre os acontecimentos, o que se vê é um apelo ao emocionalismo do leitor ou telespectador. A forma sensacionalista de apresentar o desenrolar dos fatos, por um lado, e o processo de investigação policial, por outro, repetida com detalhes macabros e à exaustão, dirige-se mais aos sentimentos do que à razão, mais ao coração do que à cabeça.
A notícia já vem revestida de um juízo de valor apelativo e sedutor, impossibilitando uma visão crítica por parte do cidadão. Prevalece a divulgação imediata da manchete, não a análise de suas causas e conseqüências, e menos ainda a contextualização histórica e social da mesma. Impera a idéia do "furo de reportagem", muitas vezes sem confirmação prévia e adequada das condições em que tudo aconteceu. Em semelhante ambiente, não poucos veículos de comunicação adquirem um matiz fortemente panfletário. Isso sem falar do exibicionismo desnecessário e vexatório, que costuma agredir e desnudar a dignidade tanto das vítimas quanto dos suspeitos.
Num segundo momento, a espetacularização de tragédias desse gênero tende a encobrir um cotidiano de agressividade menos sensacionalista, mas não menos violento. Na medida em que se explora situações extremas, recheadas de imagens e detalhes escabrosos, a tendência é deixar na sombra as relações conflituosas do dia-a-dia. Relações que se prolongam por anos e até décadas no interior da vida conjugal e familiar. São centenas, milhares, milhões de vítimas e de agressores silenciosos, protegidos pela privacidade da família. Vítimas constituídas especialmente de mulheres e crianças, quase sempre obrigadas a esconder das pessoas mais íntimas (e das autoridades policiais) seus hematomas e cicatrizes, para não ter a situação ainda mais agravada.
Além de ocultar a violência cotidiana, a espetacularização midiática de alguns casos pode legitimar um machismo que tem raízes profundas na sociedade patriarcal brasileira, para não falar de outros países. "Que !" - tende a dizer o espectador frente ao destino trágico de Eloá, Mércia, Elisa, Isabela Nardoni, entre outras. Cego pelos holofotes e câmaras da mídia espetacular, torna-se incapaz de interpretar como violência o sofrimento silencioso e silenciado, às vezes por anos a fio, da própria esposa, irmã, filha, sogra, avó, da vizinha... Surdo pela estridência sensacionalista com que a notícia é veiculada, torna-se incapaz de ouvir o gemido, o choro, ou até mesmo o grito que vem do interior de sua própria casa... Mudo frente à telinha, por onde seguem desfilando imagens e comentários chocantes, tornar-se incapaz de avaliar o peso de uma jornada dupla ou tripla sobre os ombros da companheira que se encontra a seu lado.