No ano passado, entrou em vigor a Lei Melandri-Gentiloni, que obrigou os clubes a negociarem coletivamente os direitos, após onze anos de venda individual. O decreto previa uma série de critérios de avaliação para a divisão do dinheiro.
Do total obtido com a TV, 40 por cento seriam divididos de maneira igual entre os clubes. O restante seria repartido de acordo com o mérito esportivo e o que se chama na Itália de "bacino di utenza", algo como "área de influência" ou "campo de alcance" de cada equipe.
Os 30 por cento do mérito esportivo obedecem a três critérios: 5 por cento de acordo com a classificação da temporada anterior (20 pontos para o campeão, 19 para o vice e assim por diante), 15 por cento de acordo com a soma dos últimos cinco campeonatos e outros 10 por cento segundo uma classificação histórica dos clubes no pós-guerra (de 1946 em diante).
A discórdia foi gerada pelo tal "bacino di utenza", que tem 5 por cento ligados à população da cidade de cada clube (até aí tudo bem), e os demais 25 por cento de acordo com o tamanho das torcidas.
Medir a área de influência de um clube, sabe-se, é algo controverso. Até porque o texto da lei não cita especificamente os "tifosi", torcedores, e sim os "sostenitori", na tradução literal, apoiadores. É na interpretação deste termo que residem as diferenças entre grandes e pequenos.
Na assembleia realizada no dia 15 de abril, quinze dos 20 clubes da Serie A votaram a favor da contratação de três institutos de pesquisa (Crespi, Doxa e Sport und Markt) para realizar a verificação do campo de alcance dos times, considerando parâmetros como bilheteria, consumo de produtos e até leitura de jornais locais. Votaram contra Milan, Inter, Juventus, Roma e Napoli.
Para o bloco dos grandes, o interesse é uma verificação simples do tamanho das torcidas, desconsiderando as variáveis defendidas pelos pequenos. Que, por sua vez, consideram plausível alguém se declarar torcedor da
