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quarta-feira, 4 de abril de 2012

SOME, DEMÓSTENES. . .

Do Tijolaço.
Operação “Some, Demóstenes”.
Os grandes jornais pedem a renúncia do Senador Demóstenes Torres. A TV Globo fez o mesmo hoje de manhã.
Parece haver uma cruzada nacional para varrer rapidamente Demóstenes Torres das páginas dos jornais, fazendo com que entregue o mandato e não se inicie um processo de cassação, com audiências, testemunhas, versões e, sobretudo, fatos vindo à tona.
O Demóstenes grego, ao ver-se cercado pelos soldados de Antípatro, suicida-se.
O goiano, entretanto, não parece disposto a isso. Na carta de desfiliação que apresentou ao DEM, teve o cuidado de destacar que a alegação que contra ele se fazia (descumprimento reiterado do programa partidário) estaria contemplada pela  Resolução nº 22.610, de 25 de outubro de 2007 do TSE, que o protegeria de um processo de perda de mandato.
Ou seja, que vai ficar no cargo.
Ora, experiente que é, Demóstenes sabe que não há a menor perspectiva política de sobreviver no Senado. Seu esforço não visa a preservação do mandato, inexoravelmente perdido.
Está, sim, sinalizando que tem como despejar cachoeiras de lama a torto a direito. O fato de ter representado o papel de paladino da moralidade, enquanto recebia presentes e fazia favores a um bicheiro já mostra como este homem é frio e cínico.
É por isso que querem sepultá-lo rápido, tirando, pela renúncia, um mandato de senador que, pelos trâmites legais, vai permitir muitas e muitas sessões – com direito a televisão – de defesa, de testemunhos e de acusações a muitos que estão posando de vestais.
Demóstenes ameaça tornar-se um cadáver político insepulto e e seus odores ameaçam “meio submundo”  da política.

domingo, 20 de novembro de 2011

CHEVRON ! ! ! FORA JÁ ! ! !

A criminosa omissão da Chevron é maior ainda.
Hoje, finalmente, a Folha se deu conta de que a Chevron omitiu informações essenciais dobre a causa do vazamento no campo de Frade.
Mas não é verdade que tenham sido cinco dias de criminoso silêncio.
Foram, pelo menos, dez.
Às datas:
Dia sete houve o “kick” – uma súbita elevação de pressão, com a subida de líquidos ou gás pela coluna de perfuração.
O equipamento de segurança – blowout preventer – segurou essa pressão, porque está especificado para suportar até 10 mil psi, uma medida de pressão que representa 700 quilogramas-força por centímetro quadrado.
Os operadores da Chevron-Texaco sabiam que a pressão que “subiu” por dentro do tubo foi igual à que subiu por fora dele, entre a parede externa do tudo e a parede rochosa do furo.
Como eles certamente fizeram o 2° grau, sabem aquela regrinha de que “os líquidos transmitem integralmente as pressões por eles recebidas” e, portanto, a coluna exterior ao poço, composta de água e lama, foi fortemente pressurizada e transmitiu ao solo esta pressão, até a base da primeira e única cimentação que recebera, a 567 metros de profundidade no solo.
Quando, dois dias depois, os técnicos da Petrobras localizaram os sinais de óleo sobre o mar e avisaram à empresa, era impossível não relacionar isso ao evento no poço.
A Chevron-Texaco sabia que o óleo vinha da coluna externa do poço e que esta só estava bloqueada pela cimentação a 567 metros do leito marinho e ficou muda.
Por que?
O poço estava a 2300 metros no solo marinho. Logo, havia um “túnel” de quase 1800 metros que foi submetido a pressão quando do “kick”.
Foi aí que se abriram as fissuras para que o óleo subisse à água, drenando pelo solo de sedimentos finos.
A cimentação aos 500 metros estava prevista do EIA apresentado pela Chevron.
A esta altura, segundo os planos seria feita a “perfuração da sapata do revestimento 13 3/8”, seguida da substituição do fluido (ou lama) de perfuração”. E, em seguida, a a execução do teste de absorção. Diz o documento, com meus grifos: “Este teste é efetuado logo após a perfuração da sapata para medir a resistência da formação abaixo da mesma, fornecendo o maior peso especifico de lama que pode ser utilizado durante a perfuração da seção, sem causar a ruptura da formação e a conseqüente perda de fluido para a mesma – perda de circulação.
Traduzindo: um vazamento pela rocha em torno da cavidade anular, o espaço entre o tubo metálico e a parede rochosa.
Quantas mudanças de diâmetro de perfuração e de revestimento tubular foram feitos? Deveriam ter recebido selamento por cimentação, impedindo a subida do petróleo ou do gás?
Se não receberam, qual foi a razão? Economia de custos operacionais?
Só no dia 13, mesmo sabendo desde o dia 9 que o vazamento se devia à perfuração e à elevação de pressão foi tomada a decisão de fechar o poço. Ou seja, de tampar o buraco de onde o óleo subia para a rocha e, daí, para o mar.
No dia 18, a petroleira chega ao cúmulo de soltar nota oficial dizendo: “A Chevron reitera que não houve qualquer vazamento da cabeça do poço.” Claro, sabiam que o vazamento era do poço, não na cabeça – contato com o solo marinho – mas algumas centenas de metros abaixo. É a meia-verdade dos hipócritas.
Nada é gratuito, tudo tem dinheiro – e muito – envolvido. Inclusive no silêncio de vários dias da Chevron.

sábado, 13 de agosto de 2011

FIDEL CASTRO

Um homem que não se ajoelha, cria asas.
O tempo, aos seres humanos, vai nos substituindo de presença para memória.
Na equação entre passado e presente que resulta no futuro, vamos nos tornando o primeiro, em lugar do segundo.
E aí, quando as décadas nos encolhem e encurvam, o valor dos atos humanos, dependendo do que fomos e fizemos, mingua ou reluz.
Há muito tempo, Victor Hugo escreveu, em seu magnífico “Os trabalhadores do Mar”, que diante do desconhecido e do medo trazido pela noite, “um homem abate-se, ajoelha-se, prosterna-se, roja-se, arrasta-se para um buraco, ou então procura asas.”
Sim, porque homens têm asas, e essas asas se chamam sonho, e este sonho, se vira luta, torna-os gigantes, ainda quando o tempo apequena e fragiliza seus corpos.
Tão grandes que a grandeza os sublima, e os faz seguir, teimosamente, dando aos sonhos que encarnaram as últimas gotas de suas vidas, seus pensamentos, as lições que aprenderam e que seus nomes espalham ainda.
Fidel Castro faz, hoje, 85 anos.
Aquele a quem tantas vezes se tentou matar enfrenta o tempo com a serenidade de quem sabe que seguirá vivendo. Um pouco mais, como homem. Muito e muito mais, como um grande pássaro, ao qual o sonho e a luta deram - ele deu a uma geração inteira – asas para voar e vencer o medo.
Longa vida a Fidel e vida eterna a seus sonhos!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Na Folha de hoje: “O ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez uma revelação sobre sua preferência na disputa presidencial do ano passado: “Eu votei no Serra”.
Na avaliação dele, se o tucano José Serra tivesse derrotado a petista Dilma Rousseff, o governo “seria a mesma coisa” no manejo das recentes crises políticas, como a do combate à corrupção no Ministério dos Transportes.(…)
A escolha eleitoral de Jobim sempre foi conhecida ou pelo menos intuída nos bastidores em Brasília. Dilma também sabia, diz ele.
Azedou a relação? “Azeda quando você esconde. Eu não costumo fazer dissimulações, então não tenho dificuldades”, disse.
Passada a eleição, entretanto, o assunto foi esquecido nas conversas entre o ministro e a presidente. “Não se toca no assunto.”
Há menos de um mês, ele se envolveu em polêmica ao afirmar, durante cerimônia pelos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que “os idiotas perderam a modéstia”.
No governo, a interpretação foi de uma crítica à administração Dilma. Ele repetiu não ter sido cobrado pela presidente: “Não, não. Ela até riu”.
Jobim deu entrevista ontem ao programa “Poder e Política”, uma parceria da Folha e do UOL, em Brasília.
O ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, de quem sempre se discordou fortemente das idéias, era do PSDB, votou em Serra em 2002. Quando aceitou participar do Governo, porém  jamais ficou de gabolices frívolas, afirmando que não tinha votado em Lula.
O  contrrário do que faz o ministro Nélson Jobim.
Jobim tornou-se  um símbolo nacional. É inexcedível em matéria de vaidade, de arrogância, de grosseria. Não se constrange de constranger. Não sabe se manter discreto, não sabe ser respeitoso, não sabe nada senão jactar-se de sua própria “grandeza”.
O ministro Nélson Jobim perdeu, realmente, a modéstia.
Deveria perder o cargo, também.

terça-feira, 22 de março de 2011

De volta para um lugar de onde nunca saí.
Não posso começar esta nova fase do Tijolaco.com sem, em primeiro lugar, agradecer de coração a compreensão, a paciência e a solidariedade amiga que os amigos deste blog me deram.
Que bom quando até mesmo o silêncio da gente é compreendido e a confiança sobrevive ao silêncio e à ausência necessários.
Durante o mês de dezembro e parte de janeiro, um tratamento mais intenso e uma cirurgia produziram significativa melhora em minha visão e, por isso me mantive afastado. Depois, o posto de secretário de Trabalho do Rio de Janeiro não apenas me absorveu o tempo como, de alguma forma, obrigou-me a manter numa posição mais discreta.
Afinal, quando se ocupa uma função de governo, tudo o que você diz ou faz tem muito mais implicações do que quando se ocupa apenas um mandato político parlamentar.
E, por reassumir hoje este mandato, reassumo, também, de imediato, este nosso espaço de diálogo.
Volto à Câmara para ajudar no combate, que não será fácil, em defesa dos rumos que o Brasil tomou com Lula e que prosseguem com Dilma Rousseff: o do crescimento econômico com justiça social, dois pilares da afirmação do Brasil como país soberano e que luta para interromper o processo histórico de drenagem de nossas riquezas.
Que ninguém pense que as intenções e ações das forças que só enxergam o Brasil das elites e dos negócios vão mudar. Podem, durante algum tempo, ser menos explícitas e mais traiçoeiras.
A Presidenta Dilma tem a seu favor duas características que asseguram que a mudança, em nosso país, não apenas vai continuar como irá se aprofundar.
A coragem e a determinação que marcam toda a sua trajetória e seu comportamento austero - que já ficou claro nestes menos de três meses de Governo – dão a todos a certeza de que seu Governo, partindo do patamar que deixou Lula, vai alcançar um sucesso e solidez que os nossos grandes “analistas” da imprensa – entre eles os que foram fazer papel de informantes políticos do Governo dos EUA – não são capazes de compreender, como jamais acreditaram que Lula – para eles, quase um bronco - pudesse governar o país anos-luz à frente de FHC.
Aliás, é curioso como a mídia brasileira – salvo exceções - se curvou submissa ao espetáculo de marquetagem e de abusos que foi a visita de Barack Obama terminada ontem. A ideia – abortada, felizmente – de um comício na Cinelândia, à revelia do Governo brasileiro, e a desfaçatez de tratar sem reserva – a ordem de ataque militar à Líbia em pleno território de um país estrangeiro (para ele) foram de uma grosseria que não me lembro de ter presenciado outras vezes.
Muito bem fez o Lula – que não tem mais o dever de governante a limitar-lhe as ações – em recusar o convite para amenidades e sorrisos com Obama. Guerra, independente dos motivos que tenha, não combina com este comportamento.
A ausência de Lula foi uma resposta digna e silenciosa a este “oba-obama” midiático.
Não há nisso qualquer tipo de xenofobia ou antiamericanismo primário. Ninguém nega a importância econômica e cultural dos EUA para o Brasil e, se houve Lincolns Gordons a ajudar a implantar a ditadura de 64, também houve Thomas Jefferson a inspirar os inconfidentes de Minas, dois séculos antes.
Mas, para além da sombra da guerra a obscurecer e amargar a visita de Obama, ficou flagrante a falta de gestos concretos para superar as barreiras comerciais, as restrições tecnológicas e a unilateralidade da ordem mundial, apontadas no discurso e propostas da Presidenta Dilma.
Mesmo que, depois de oito anos de Bush, seja inegável a simpatia de Barack Obama, os brasileiros esperávamos muito mais do presidente norteamericano do que enaltecer nossas belezas, nossa pluralidade e oferecer serviços das empresas norte-americanas.
Mas isso é assunto para os próximos (e muitos) posts, que me andaram fazendo falta escrever.
E que, daqui a pouco, começam a entrar no ar, para – eu espero – que esse Tijolaco.com volte a ter a força e o apoio de seus leitores, de onde vem a energia para continuar a luta.
Para um combate de onde nunca saí.

domingo, 24 de outubro de 2010

Lamentável a declaração da senadora Marina Silva de que não assume posição no segundo turno porque , nas suas palavras, “não acredita em voto de manada.”
Senadora, os eleitores, muito menos os seus, não são manada. Têm opinião própria. Mas quando se referenciam numa liderança, estabelecem com ela uma relação de confiança e troca.
Não me ocorreu que Marina pudesse considerar um “voto de manada” o crescimento de sua candidatura na reta final do primeiro turno. Se ela diz que a “onda verde” que fez crescer sua candidatura, como ela diz, “o voto democrático do cidadão que acreditou na sua plataforma, discurso, postura e trajetória”, deve achar que as pessoas a seguiram por serem livres para escolher, não porque sejam uma “manada”. Aliás, a propaganda de Marina foi recheada de declarações de voto de celebridades e pastores e nem por isso eles trataram os eleitores como “manada”. Ou trataram?
Portanto, embora tenha o direito de não declarar o voto, Marina não tem o direito de dizer que aqueles que recomendam o voto tratam o eleitor como manada.
Aliás, pessoas que, no mundo inteiro, se preocupam com a questão ecológica está muito mais associada a uma candidatura do campo popular que à velha direita que construiu um modelo mundial de devastação. Tanto que os líderes históriocos do movimento verde na Europa, manifestaram, em carta, seu que, em carta, declararam apoio a Dilma, como informa o Opera Mundi.
“A manutenção da esquerda no poder é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica no país”, diz a carta. “A vitória da direita representaria o triunfo do complexo agro-industrial e dos céticos em matéria de aquecimento global”, enfatiza o documento, ressaltando conquistas como o estatuto da floresta, “que começou a limitar a devastação na Amazônia e no Mato Grosso”, e a demarcação de terras indígenas, como Raposa Serra do Sol.
Os verdes europeus não se limitam apenas às questões ambientais, destacando também que no plano internacional, “os aspectos mais inovadores da política Sul-Sul de Lula (certamente pelo fato de seu apoio a Ahamdinejad), seriam condenados ao ostracismo com um realinhamento com os Estados Unidos”.
A carta dos verdes europeus faz um alerta sobre José Serra, a quem não consideram sequer um social democrata de centro. “Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão”, afirma a carta.
Os verdes elogiam Gilberto Gil, por conclamar o voto em Dilma “sem ambiguidade”, e manifestam compreensão pelo não posicionamento de Marina sob o argumento de que seria difícil um alinhamento imediato com quem ela entrou em conflito quando estava no governo. “Mas nossa experiência como força política e de oposição e governo na Europa nos permite afirmar a nossos companheiros brasileiros que, nas atuais circunstâncias do Brasil, a ancoragem na esquerda é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica.”
A carta é assinada por Dany Cohn Bendit (Alemanha), co-presidente do grupo de deputados do Partido Verde no Parlamento europeu; Monica Frassoni (Itália), co-presidente do Partido Verde europeu; Philippe Lamberts (Bélgica), co-presidente do Partido Verde europeu , e os franceses Dominique Voynet, senadora, prefeita da Cidade de Montreuil e ex-Ministra do Meio Ambiente; Yves Cochet, deputado nacional e também ex-MInistro do Meio Ambiente; Noël Mamère, deputado Nacional e prefeito de Bègles; José Bové, deputado europeu; Alain Lipietz, dirigente dos Verdes e ex-deputado europeu; Jérôme Gleizes, dirigente da comissão internacional dos Verdes, e Yann Moulier Boutang, co-diretor da Revista Multitudes (Paris).
Uma pena que Marina, a quem a história deu a oportunidade de ser a grande líder da causa ambiental no Brasil, preferindo a omissão pessoal. O líder, quando é mesmo líder de uma causa e não de um projeto pessoal, não se omite. Escolhe um campo e enfrenta as batalhas decisivas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

IBOPE, SIM, ACERTOU FEIO O SERRA

Por Brizola Neto, Do TIJOLAÇO.
Coloco aí em cima a matéria do Jornal Nacional com o resultado que apontou Dilma 12 pontos à frente de José Serra nos votos válidos, com 56% contra 44% do tucano. Na pesquisa onde entram os nulos, brancos e indecisos, Dilma aparece com 51%, contra 40% do candidato da direita.
Essa foi a única coisa que atingiu de verdade Serra, hoje.
E amanhã tem mais, porque, segundo o jornalista Ricardo Noblat, do insuspeito O Globo, o Sensus adiou para amanhã a divulgação de sua pesquisa. Explicação:
“O Instituto Sensus fechou ontem sua mais nova pesquisa. Espantou-se com a descoberta de que Dilma abrira pouco mais de 14 pontos de vantagem. Então resolver refazer as contas.”
Aí está a origem da nova ofensiva do terrorismo tucano.

A HORA DO DESPERO

Por Brizola Neto, TIJOLAÇO
Preparem-se, amigos. A última semana de campanha terá momentos terríveis. Os golpes de propaganda vão variar entre a sujeira e a sordidez. O motivo? Nem as pesquisas de opinião podem esconder que a vantagem de Dilma, neste segundo turno, tornou-se intransponível para Serra.
Não em condições normais.
Só a manipulação e a fraude podem mudar o resultado da eleição.
O Jornal Nacional de hoje foi escandaloso. Quase dez minutos de matéria sobre a quebra do sigilo da filha e do genro de Serra.
Que sigilo? Que segredo? Que informações ilegais vieram à tona?
Nenhuma.
Embora não se justifique pagar pelas informações protegidas e se o jornalista – que nega ter feito – o fez deve ser punido de acordo com a lei, assim como quem financiou a operação, porque é difícil crer que ele fosse, simplesmente, investir uma significativa soma em dinheiro para comprar as informações, as passagens e correr este risco sem uma motivação concreta ou se não tivesse alguma ordem da empresa em que trabalhava para isso.
Não tenham dúvida, está na ilustração que encabeça este post a razão disso. Daqui a pouco volto com mais sobre o assunto.

COMANDO SERRISTA "REFORMA" TÍTULO NO ESTADÃO

Por Brizola Neto, TIJOLAÇO
O comando serrista na mídia não perde tempo. O Estadão, que tratou com a cautela jornalística necessária a suposta agressão a Serra no Rio, pouco depois alterou o título da matéria para ficar mais ao agrado do candidato tucano.
Na primeira matéria publicada, seguindo o relatado pela jornalista, o título dizia: “Assessoria diz que Serra foi atingido durante caminhada tumultuada no Rio”. O cuidado em atribuir a afirmação à assessoria era correto, já que a repórter não viu, e escreveu isso, qualquer ferimento na cabeça de Serra.
Pouco depois, porém, o título foi alterado para “Serra compara PT a grupo nazista em caminhada tumultuada no Rio”. Como a repórter, que estava no local, não alterou uma letra sequer na correta cobertura que havia feito, o que levou o jornal a modificar um título correto e imparcial por outro francamente favorável a Serra?
O Estadão tinha feito melhor jornalismo que a Folha, que não colocou a agressão em xeque e intitulou assim sua matéria: “Serra leva pancada na cabeça em confusão com militantes do PT no Rio”. Pela matéria da Folha, o tucano “foi atingido por um rolo de adesivos na testa, logo acima do olho direito”.
Em seguida, afirma que “Serra chegou a colocar gelo na cabeça para amenizar a dor, mas não chegou a sangrar”. Se o local atingido foi a testa, logo acima do olho direito, porque o candidato colocaria gelo na cabeça?
Mas esse tipo de pergunta somos só nós, ingênuos, que fazemos. A mídia está aí para ajudar Serra e não complicar sua vida, como prova a mudança no título da matéria do Estadão.

AINDA DA PRA FICAR MELHOR

Por Brizola Neto, no TIJOLAÇO.
Programa de Dilma melhora, mas falta mais Lula.


Ainda faltam declarações mais fortes e menos protocolares de Lula, mas o programa de Dilma de ontem à noite já foi bem melhor. Mais leve. incisivo no que importa e otimista.
Logo em sua primeira fala, Dilma falou que trilharia o caminho aberto por Lula e mais tarde disse que a garantia de que fará o que promete é o que já fez “lado a lado com o presidente Lula”. A referência permanente à Lula é necessária até porque Serra usou mais um de seus recursos vis e explorou com insistência a palavra continuidade, como se ele a representasse.
Dilma também falou mais relaxada, em tom de conversa, e não presa numa imagem de estúdio. O programa destacou bem o que interessa à maioria da população, como o microcrédito, a banda larga nas escolas públicas, a casa própria e o significado do pré-sal para melhorar a vida dos brasileiros. Foi boa a vinheta “o Brasil tá mudando e não pode parar” entremeando as grandes obras que vem acontecendo no país e que serão garantidas por Dilma.
A aparição do vice Michel Temer foi no tom certo, destacando a importância da maioria parlamentar conquistada que permitirá a Dilma governar com tranquilidade.
A manifestação de artistas e intelectuais pró-Dilma que aconteceu na segunda-feira a noite no Rio deveria ter sido mais bem explorada, mas a escolha pelos depoimentos de Chico Buarque e de Gilberto Gil caiu bem.
Só a declaração de Lula, que não era nova, destoou do tom do programa. Lula precisa aparecer como é, falando sem roteiro e sem as amarras que ficam visíveis quando ele é obrigado a ler algum texto. A sua presença no programa é fundamental e decisiva e não pode ser desperdiçada.

DOS JORNAIS VELHO

Por Brizola Neto, do Tijolaço
Para quem imagina que privatização é conversa fiada...
Mudar o nome de petrobras para petrobrax, não foi o primeiro passo para a privataria que os tucademos patrocinavam...
Como eu completei 32 anos semana passada, de vez em quando me dou conta que, pro pessoal que está votando pela primeira vez, eu já sou quase um “coroa”. E sei que pra muita gente que saiu da adolescência já nos oito anos do Governo Lula, certas coisas aqui são encaradas como “ouvi dizer”, queria mostrar que esta história de privatização da Petrobras não é “conversa fiada” da gente.
Por isso, fui buscar a matéria publicada pela Folha de S. Paulo, no dia 27 de dezembro de 2000 (assinantes podem acessar aqui) que reproduz o anúncio da mudança de nome da Petrobras para PetroBrax.
Reparem que a mudança de nome ia custar R$ 213 milhões (US$ 50 milhões de dólares da época, corrigidos pelo IGP-M). Ia, mas acabou custando R$ 1,57 milhões, pagos sem licitação à empresa Und Comunicação Visual.
Gostaria que ninguém deixasse de atentar que o presidente da empresa, na ocasião do anúncio da mudança, diz que a iniciativa tinha “o aval do presidente Fernando Henrique Cardoso”.
A grita dos brasileiros foi geral e o Governo teve de recuar. Mas a mudança valeu tempo suficiente para a própria Folha, dois dias depois, falar do patrocínio de uma peça estrelada pela (magnífica) atriz Fernanda Montenegro, referia-se ao patrocinador como “PetroBrax”.
Eu gostaria que a campanha da Dilma, para ajudar as pessoas que são incrédulas, conseguisse os exemplares do jornal em papel. Serviria não só para provar que a dupla Serra-FHC estava matando a maior empresa brasileira como, também para enrolar e matar, com uma boa jornalada, a mosca-azul que está pousando na cabeça desta gente.

sábado, 16 de outubro de 2010

A volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.
Durante dia, este e os demais “blogs sujos” – expressão com que o Sr. José Serra classifica a blogosfera pró-Dilma – evitaram publicar a matéria que corria solta na internet sobre o relato de um ex-aluna da Sra. Monica Serra que diz – secundada por outras colegas- que a mulher do candidato que faz campanha com fundamentalismo e acusações de “abortismo”a Dilma contou, ela própria, ter sido levada a praticar um aborto.
Não publiquei e não vou publicar. Quem quiser lê-lo, vá ao Correio do Brasil, que divulgou o depoimento de Sheila Canevacci Ribeiro, na quarta-feira. Não acho que a experiência que certamente foi dolorosa ao casal Serra seja assunto que se reflita – em condições normais - na sua situação como candidato a Presidência da República.
Em condições normais.
Mas Serra retirou a normalidade do processo eleitoral. Contaminou-o com a inaceitável mistura entre religião e política de Estado, algo que o próprio Cristo rejeitou. E não o fez por princípios humanos ou sentimentos de fraternidade, mas pela mais abjeta exploração eleitoreira de posições de confissões religiosas.
Agora, é o “limpíssimo” jornal Folha de S. Paulo – aliás, sem o devido crédito ao Correio do Brasil – quem estampa a história de Monica Serra, aquela que foi às ruas acusar Dilma de querer “matar as criancinhas”. Não está em sua edição eletrônica, mas foi reproduzida por portais como o Terra, e vai virar o assunto mais comentado de hoje e dos próximos dias.
Serra não pode reclamar. Aliás, o “santinho” que mandou distribuir, fantasiando-se de líder religioso é a ilustração perfeita de sua hipocrisia.
É, como no verso de Geraldo Vandré, a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.
Não servirá para retirar dele o apoio de quem, como ele, faz uso hipócrita da fé.
Servirá, porém, para revelar o quanto de hipocrisia há nisso.
A onda de imundície encharcou que quis fazer e fez uso dela. Serra atirou a primeira, a segunda, a terceira pedra. Não tem o direito de invocar sua intimidade como defesa.
Peço desculpas aos leitores que discordarem da minha posição de não explorar este assunto. Não estou censurando, obviamente, a informação, que está disponível nos links que indiquei.Tenho pouco tempo de vida pública, mas este pouco tempo é suficiente para ter aprendido que, mesmo na guerra política, nunca se pode abandonar os princípios éticos, sob pena de que o cinismo e a hipocrisia que praticarmos vir, amanhã, a nos engolfar, como acontece agora com o Sr. José Serra.
Agora, o paladino da fé, José Chirico Serra, está sujeito a ouvir em dobro tudo o que disse. Vai mandar prender sua própria mulher? Ou a si mesmo, por ter concordado?
Que vergonha que o debate tenha sido levado, por ele próprio, para este caminho torpe. Mas que bom que as pessoas mais simples, que se deixavam, de boa-fé, iludir por isso vejam, desnuda, o caráter de um homem que lhes diz, para amealhar votos, qualquer coisa que lhe convenha.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

OS NOVOS JUDAS

A coisa mais maravilhosa na verdade é que ela tem uma capacidade inacreditável de brotar, a despeito do quanto busquem escondê-la sob a propaganda. Aliás, nem é preciso que a escavemos, busquemos nas entrelinhas. Não, ela surge, luminosa, nos momentos decisivos, quando uma coeltividade busca seus caminhos. O acessório, o ilusório, o modismo, tudo se dissolve e a realidade aparece.
Ontem, mesmo ainda meio baqueado, já havia dado para divisar a questão central contida na decisão que Nação irá tomar: se vamos continuar no caminho da afirmação soberana do Brasil – a qual passa, indispensavelmente, pelo desenvovimento humano – ou se iremos retormar nossa mal-disfarçada sina de colônia ajoelhada ante as esquadras financeiras da ordem neoliberal, o nome atual do colonialismo e da dominnação pelos países centrais.
Nem precisávamos te-lo feito. Como uma força irresistível, neste momento em que divisaram, graças às explorações mais abjetas e ao papel confusionista da candidatura Marina Silva, a própria direita o evidencia.
A capa do Estadão de hoje, que reproduzo ao lado, mostra que a direita, agora, não quer enfrentar Dilma. Está se achando capaz de enfrentar o que representou o Governo Lula.
Discussões como esta do aborto já deram o que tinham que dar. São lateralidades que serviram apenas – repito, com a tosca colaboração de Marina Silva – para encobrir a questão central. A este tipo de história, ao contrário do que vêm dizendo muitos dirigentes que estão ainda com a cabeça no que aconteceu nos últimos dias do primeiro turno, tem de ser afastado de plano, com um único argumento: ” em oito anos de governo, aponte um ato de Lula ou Dilma neste sentido, ou qualquer coisa que se assemelhe a discriminação religiosa. Não tem, não é?
E vamos direto ao que está em jogo: um Brasil que não se ajoelha, que voltou a se desenvolver, a gerar empregos, a valorizar os salários, a defender da cobiça internacional as nossas riquezas sempre espoliadas e, agora, este imenso tesouro de petróleo encontrado no pré-sal.
Aliás, o genro de FHC e assessor de Serra, Davi Zylbernstein, já deixou claro que as novas leis do petróleo devem ser revistas. Revistas para que fim? Para abrir o petróleo do pré-sal às multinacionais, para negociar, em troca de migalhas, a riqueza que pode ser a redenção do povo brasileiro.
Os marqueteiros vão torcer o nariz, mas temos logo que colar na testa desta gente o estigma que devem ostentar como traidores da pátria: entreguistas. Sim, pois é entreguistas o que eles são.
São, como o foi Fernando Henrique, verdadeiros judas da nacionalidade. Aliás, quem diz é o próprio FHC, Serra é mais vendedor do que ele e foi quam mais pressionou pela venda da Vale e de suas imensas reservas de minério brasileitro.
Se querem discutir religião, tomem logo este nome como padrão: Judas, o que entregou seus irmãos e Cristo por trinta dinheiros. Os judas de hoje são cheios de argumentos sofisticados, mas da parafernália midiática de que dispõe emerge, quando eles estão inflados de pretensão, a verdade cristalina sobre o que são.

sábado, 25 de setembro de 2010

PETROBRAS

Por Brizola Neto.
Retomamos parte do que FHC entregou.
Vou tentar explicar, de maneira resumida, o que significou a capitalização da Petrobras, concluída ontem pelo presidente Lula, como você viu no post anterior.
Antes de Fernando Henrique vender as ações da empresa na Bolsa de Nova York, em 2000, o governo brasileiro era dono de 49% do capital da Petrobras. O BNDES tinha outros 8%, o que deixava 57% do capital social da empresa sob controle público.
Depois disso, o Estado brasileiro viu sua participação reduzida para 32%.
Retirados os 8% do BNDES, 60% das ações da Petrobras, foram parar nas mãos de acionistas privados.
A rigor, a empresa continua a ser estatal porque a União detém a maioria, 55,7%, das ações ordinárias, com direito a voto. Mas três em cada cinco reais de lucro vão para bolsos privados.
Além disso, a abertura de novos poços e o aumento das atividades (e investimentos) em extração e refino exigem capital. E, para levantá-lo, seria preciso recorrer a mais empréstimos, e a capacidade de endividamento da empresa seria comprometida, pois este índice já estava em torno de 34% do patrimônio líquido da companhia.
Portanto, a saída foi aumentar o capital da Petrobras. E o Governo fez isso integralizando a sua parte neste aumento de capital, como é permitido, através de bens. Quais? Até cinco bilhões de reservas de petróleo do pré-sal.
Os acionistas privados tinham todo o direito, pelas regras das Sociedades Anônimas, em conservar suas participações no mesmo nível de antes da capitalização. E, para isso, teria de subscrever, pagando em dinheiro, a parcela de novas ações correspondente. Estes recursos foram diretamente para a tesouraria da empresa e vão servir para financiar os investimentos.
E em que isso aumenta o controle do Estado sobre a empresa?
Simples: como nem todos os acionistas privados conseguem integralizar (pagar) a participação no novo capital, a parcela não adquirida é comprada pela União que, assim, aumenta a sua participação acionária.
O resultado foi que, na soma entre União e BNDES, o Estado brasileiro agora tem 48% do capital total. Os investidores privados ficaram com 45,77%, quando teriam direito a ficar, pela proporção, com 60,2% do novo capital.
Mesmo assim, isso representou uma entrada líquida de US$ 46 bilhões em dinheiro privado e de US$ 70 bilhões em valor patrimonial, com as reservas entregues pelo Governo e convertidas em capital acionário. Portanto, além do financiamento direto, a Petrobras passa a ter maior patrimônio para assegurar a obtenção de crédito.
E este recurso vai permitir que o país, em alguns anos, dobre a sua produção de petróleo, de dois para quatro milhões de barris diários.
Portanto, além do regime de partilha – em lugar da concessão de FHC – que permite que grande parte do petróleo extraído já se converta imediatamente em recurso para o Fundo criado por Lula para distribuir estes recursos na área social e na educação, também ficará com os cofres públicos uma parte maior dos lucros que a Petrobras obtiver na sua exploração.
Por Brizola Neto
Minha equipe acaba de conseguir o vídeo, graças ao trabalho da Lucia Orpham, do discurso de Lula na cerimônia de capitalização da Petrobras. Fiquei tocado por tudo, sobretudo porque, ao falar do que virá da exploração do pré-sal: “trata-se de de universalizar a educação pública de qualidade, que garanta o mesmo ponto de partida para todos os filhos de nossa terra”.
Lula, que usava um macacão de operário sobre o paletó, num gesto simbólico, lembrou que este patrimônio poderia ter sido alienado, “no vazio de um estado dissociado dos interesses nacionais”.
Depois, abandonando o discurso escrito, disse: “quem diria que eu viria na Bolsa de Valores…há dez anos atrás eu passava aqui na porta (da Bovespa) e tremiam: aonde vai este comedor de capitalista… E quem diria que…exatamente este comedor de capitalista…. ia participar do momento mais auspicioso do capitalismo mundial… ”
E disse, bem devagar e irônico: “nunca antes na história da humanidade nós tivemos um processo de capitalização da envergadura que que a nossa Petrobras está fazendo agora”…
Assista, é um momento histórico de expansão das riquezas deste país e uma hora em que recuperamos, em parte, a grande empresa que será ferramenta desta libertação.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

AS ASSINATURAS DO ZÉ

Dra. Cureau, por que o interesse pela Carta Capital?
O Conversa Afiada informa que a Dra. Sandra Cureau, procuradora da Justiça Eleitoral enviou ofício à Carta Capital para saber quais instituições do governo federal anunciam na revista.
Qual será a nobre intenção da Dra. Cureau? Será que considera que empresas do governo não podem anunciar na Carta Capital como em qualquer publicação? Ou será que acha que essas verbas só devem ir para Veja, Folha e Cia?
O que terá movido a Dra. Cureau? Alguma denúncia? Alguma constatação? Seria interessante em nome do interesse público que ela esclarecesse essas questões. No site do TSE nada aparece.
É possível imaginar que a Dra. Cureau, como funcionária dedicada apenas ao interesse público, esteja preocupada em saber como andam sendo investidas as verbas governamentais para propaganda, que afinal são dinheiro meu, seu, dela e nosso. O fato de isso ocorrer em período eleitoral é mera coincidência, naturalmente.
Aproveito o nobre propósito da procuradora eleitoral para sugerir que dê uma olhadinha no uso do dinheiro público do Estado de São Paulo, coisa pouca, cerca de R$ 9 milhões, na aquisição, em maio desse ano, de assinaturas de jornais e revistas para o chamado Projeto Sala de Leitura, da Rede Estadual de Ensino, cuja relação público abaixo.
E já que anda tão interessada na Carta Capital, a Dra. Cureau podia indagar por que só a Carta Capital não foi contemplada em tão generosos contratos, que nem de publicidade são, mas de compra direta de milhares de assinaturas – cada uma representando 52 – de revistas feitas pelo Governo de São Paulo. E nenhuma delas da Carta Capital, que discriminação…

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

AO MENINO GABRIEL

Portinari - mulher crianças
Por Brizola Neto.
Gabriel, tu chegas com nome e alma de anjo a este mundo cheio de maldades e pecados, ante o qual, um dia, como ao arcanjo te batiza, te caberá tomar da espada e enfrentar. Vais te machucar, vais te ferir, vais ter momentos que engolirá tuas lágrimas para que elas não molhem teus pés e o façam escorregar do seu caminho. Vais, um dia, porém, ter um filho ou um neto que já não precise combater como tu e como nós que viemos antes de você.
Teus combates, porém não serão tão desiguais quanto os que foram e são os de tua mãe, os de tua avó e os de todos que antes dele suportaram o peso da espada flamejante da justiça e da liberdade.
Queria dizer a ti como à minha Maria Clara, o que Vinícius quis dizer ao escrever “menininha, não cresça mais não”. Mas não seria verdade e a verdade é a única bússola, é o único norte, a única e brilhante montanha que nos orienta ao caminhar em meio às desumanidades, às dores, ao sofrimento que vicejam como flores podres da maldade, da ganância, da falta de amor fraterno.
Queria a ti – como a toda criança rica, pobre, negra ou branca, que nasce neste país – trazer-te incenso e mirra, porque Gabriel, João, Maria e todas elas brotam anjos, a quem o mundo impiedosamente vai podando as asas e, às vezes, até o desejo de voar.
Só posso, porém, ajudar a dar-te o presente que sua avó procura dar a ti e a todos que desabrocham nesses dias de suas mães em botão. Você e eles são novas cintilações no universo, mas também serão homens e mulheres que um dia olharão o céu e terão desejo de tocar numa estrela. Não importa que a distância seja impossível, que tuas mãos sejam incapazes de tocá-las. O imprescindível, Gabriel é que teu espírito as busque e teus joelhos não toquem o chão senão por assombro. Que tu nunca aceites as grades de que um homem é feito pra esquecer de voar, como verso de Francis Hime.
Nem eu e nem você temos ou teremos idéia das dores que os que vieram antes de nós suportaram em nome da vida e em nome de um futuro onde eles não estarão, mas onde você os josés, os joões e a minha Clarinha habitarão.
Tu e eles compensam, hoje, em décuplo, choros, dores, angústias, medo, injustiças e brutalidades sofridas. Porque ao te colocarem no colo, tu não pesarás, tu aliviarás nossos pesos. Porque teu aparecimento não nos lembra a nossa própria finitude, mas a continuidade.
O nascimento é a única imortalidade que a alma humana consegue conceber, pois significa que há mais alguém, que há muitos alguéns, para conduzir o sonho que tantas vezes ficou mais forte dos que as nossas costas podem suportar.
Vai, guri, com teu nome de Gabriel, aquele que vela o sono divino, cumprir tua primeira missão. Que sejas, com teus risos e choro de bebê, o alento de que precisa e que merece tua avó combatente. Tu não sabes o quanto ela precisa dele, nos embates finais da batalha em que em que ela lidera o povo brasileiro. Não tens consciência disso, mas um dia ela te dirá.
É da vida que brota a vida, é da escuridão que brota a luz, é de ti Gabriel, João, José, Maria Clara que nos vêm a força para enfrentarmos o nosso destino.
Bem-vindo Gabriel! Tu és mais um entre milhões de meninos e meninas deste país pelos quais nem precisamos jurar que iremos lutar. Porque essa luta, como estavas tu até ontem, está nas nossas próprias entranhas e como fizeste tu, hoje, sai de lá com a forma, um nome e a pureza de anjo que tu tens.

MEMORIA CURTA??? DO PiG !!!


Por Brizola Neto.
Violado sigilo fiscal de FHC! Em 2000…
Por sugestão de um comentarista, foi possível lembrar que há dez anos atrás, vazaram da Receita Federal os dados do Imposto de Renda de Fernando Henrique Cardoso, Sílvio Santos, Gugu Liberato e dados cadastrais de “apenas” 17 milhões de brasileiros.
Isso foi em abril de 2000. O presidente (o presidente “é o responsável pela bandidagem”, disse há dias o Estadão sobre o caso da atual quebra de sigilo) era um certo senhor chamado Fernando Henrique Cardoso, atualmente em viagem ao exterior e que se apresenta apenas nos seus artigos de jornal, onde pede ao Ministério Público que casse a candidatura de Dilma Rousseff.
Os dados eram vendidos em disquete, pela quantia de R$ 6 mil e a desfaçatez era tanta que chegavam a anunciar em classificados de jornal.
Não me recordo de o assunto ter ido parar nas manchetes de todos os jornais. Não me lembro de uma indignação da grande mídia, dos colunistas advertindo que a democracia estava ameaçada. Não registro a revolta de Serra e de outros “graúdos” da política com o vazamento.
Era um caso de polícia e como caso de polícia foi tratado.
Mas as matérias da Época e a da Folha de 2000 estão aí, recordadas e disponíveis para os “lasserras” de ocasião olharem e se cobrirem de vergonha.
Tolice minha: como hão de se cobrir com o que não têm?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

SERRA FORA !!!

Os paulistas também estão cansados dos tucanos, especialmente de um.
Montenegro: “O povo está cansado de São Paulo”
Está no blog da Hildegard Angel, que encontrou o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, em um restaurante do Rio, no 7 de setembro.
Montenegro afirmou recentemente à Isto É que “o Brasil já tem uma presidente”, e no diálogo com Hildegard Angel disse que essa quebra de sigilo não signfica nada, que o povo está feliz e que ainda “tem o lance de São Paulo”, que deixo na transcrição da conversa.
Meu diálogo com Carlos Augusto Montenegro, que acabo de encontrar, no almoço do Margutta:
- Você acha que ainda há a possibilidade de um fato novo mudar o atual quadro eleitoral?
- Não, não acho.
- Nem mesmo no sentido de provocar um segundo turno?
- Nem assim.
- Mas a grande mídia continua insistindo…
- Não adianta. Se fato novo for esse que está aí, violação de sigilo, não tem jeito. A não ser que houvesse um fato novo assim extraordinário, tipo…. (pausa longa, Montenegro pensando)
- Tipo… (ele prossegue)… um fato novo, uma coisa bem louca, como ser flagrado maltratando criança em praça pública.
- Quer dizer que sem esperança para os tucanos?
- Sem esperança. O povo está muito feliz, não dá pra mudar isso. O Nordeste está feliz. E também tem o lance de São Paulo, o povo está cansado de São Paulo, Fernando Henrique, aquela coisa…

terça-feira, 7 de setembro de 2010

VIVA O BRASIL DE TODOS OS BRASILEIROS ! !

Por Brizola Neto.
O que faz de um país uma nação?
Um língua, uma cultura, uma religião?
São traços, decerto, de uma identidade. Mas elas podem ser iguais e cobrir divisões insanáveis, como vemos em certos países do mundo árabe ou podem ser várias e conservarem-se unidas como vimos em outros países até que a cizânia da dominação se servisse da diversidade para seus objetivos de poder, embora outros estados progridam na sua diversidade linguística e cultural em várias partes do mundo.
Isso não explica que este tenha se tornado um país para os que vieram da Europa, para os que foram arrancados do coração da África e trazidos para cá, para os que restaram dos antigos donos desta terra. Não explica porque tantos, de tantos solos do mundo, se tornaram igualmente filhos deste solo e a ele ofereceram seus próprios filhos e netos.
O que foi nos transformando, desde Guararapes, num país real foi a implacável constatação de que temos um destino comum. Somos tão grandes e tão variados que chega a ser assombroso que não tenhamos nos fragmentado e, ao contrário do que aconteceu com nossos vizinhos sul-americanos, não sejamos um rosário de nações, que só lentamente começam a retomar o sentimento da identidade que possuem.
Mas, se por uma série de eventos históricos, nosso separatismo nunca foi como lá, se nosso amor pela terra jamais perdeu o olhar distante de nossas imensidões, o Brasil não esteve imune à divisão. A separação que aqui também ocorreu. O poder político e o poder econômico, não importa onde estivessem concentrados, nacional ou regionalmente, sempre reproduziram o esquema desigual e leonino que nos veio da era colonial: as riquezas para metrópole – e nela, quase toda para os senhores – , o atraso e a pobreza para a colônia.
Vivemos, na segunda metade do século 20, o que há duas ou três décadas vivem as antigas metrópoles européias: depois de drenarem sua riqueza e abandoná-las sem futuro, elas tiveram de suportar a “vingança” a seu próprio crime, recebendo não mais as ouro, prata, alimentos, mas gente aos milhares, aos milhões, procurando o que são força incontíveis no ser humano: sobreviver e desejar.
Nossas metrópoles internas incharam, suas periferias explodiram, o convívio humano e a vida citadina degradaram-se. As elites brasileiras pagaram este preço por sua estreiteza de raciocínio e de sentimentos. O enigma que não decifram ficou prestes a devorá-la. O egoísmo transformado em ideologia, a ganância transformada em “lógica de mercado”, a sabujice mental transformando em