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segunda-feira, 16 de abril de 2012

FUMAÇA

As fitas estão com Demóstenes.

Pelo noticiário, as fitas das gravações de 3 anos já estão com o Sen. Demóstenes, agora no conselho de ética ele poderá reviver seus momentos de promotor em Goiás, vai mostrar quem é quem nestas articulações com o Cachoeira, além é claro mostrar que não tem o rabo preso com niguém, vejam que o nome de Rubens Otoni do PT já não mais frequenta o noticiário, por que? 
O Governador de Brasilia já esta saindo de fininho, por quê? 
E o Governador do Rio de Janeiro é inocente? 
E o famoso PAC com a Construtora Delta.

sábado, 14 de abril de 2012

OBRAS DA DELTA

CGU aponta fraudes em obras da Delta.
Maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Delta Construções tem obras com irregularidades no governo federal, cujos contratos somam R$ 632 milhões. A constatação é da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou pagamentos ilegais, indícios de superfaturamento, serviços mal executados e diversos tipos de impropriedade em contratos fiscalizados a partir de 2007. Uma das principais construtoras do setor rodoviário, a Delta concentra serviços no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), além de atuar na Transposição do São Francisco e na reforma de aeroportos. Só nas BRs, a CGU encontrou problemas em 60 obras de pequeno, médio e grande portes. Em boa parte dos casos, o valor dos contratos é inflado. A empreiteira, influente entre políticos e doadora de campanha pluripartidária, recebeu cerca de R$ 900 milhões da União no ano passado. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

NÃO HÁ "CORTES", HÁ "INCREMENTOS". !?!

Por achar o Congresso otimista demais no cálculo da arrecadação e para garantir que terá R$ 140 bilhões para pagar juros da dívida pública ao “mercado” este ano, o governo bloqueou R$ 55 bilhões do orçamento aprovado pelos parlamentares. O corte poupou o programa de combate à miséria e investimentos em obras de infra-estrutura e construção de moradias populares. E tenta preservar saúde e educação.
Segundo a equipe econômica, há determinação da presidenta Dilma Rousseff para que se melhorem serviços públicos em educação e saúde, a fim de atender as pessoas que entraram na classe média a partir do governo Lula.
Já no caso dos investimentos, a manutenção dos gastos aprovados pelo Congresso busca contribuir para o país crescer este ano pelo menos 4,5%, mais do que em 2011, cujo resultado na casa de 3% resultou, entre outras razões, de uma retirada igualmente elevada de recursos do orçamento (R$ 50 bilhões).
A tesourada de agora foi anunciada nesta quarta-feira (15) e ficou aquém do que esperava o "mercado" (R$ 60 bilhões). Parte sacrificará investimento em obras incluídas no orçamento por iniciativa de parlamentares (emendas). O valor, porém, não foi divulgado.
Para preparar o espírito da classe política para o que viria, Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, haviam se reunido, na véspera, com o Conselho Político, formado por dirigentes e líderes de partidos governistas.
Na reunião, mesmo sem falar no tamanho do corte, Dilma e Mantega haviam exposto o eixo central da gestão atual (qualificar os serviços públicos em saúde e educação e incentivar o crescimento via investimentos), a fim de mostrar aos aliados que seria bom apoiar os planos do governo.
Segundo o ministro diria depois à imprensa, o sucesso do governo é “compartilhado” pela base aliada, que poderia tirar proveito disso em discursos e eleições. É com este tipo de argumento que o governo espera convencer os aliados a apoiar suas decisões, mesmo sabendo que, em ano eleitoral, é grande a tentação dos parlamentares de lutar por mais emendas e gastos.
Ao explicar o bloqueio nesta quarta-feira (15), Mantega fez questão de deixar claro que conciliar melhoria em educação e saúde, com crescimento de 4,5% e pagamento de juros da dívida ao mercado era a premissa básica do governo, ao ajustar o orçamento.
Na entrevista, o ministro disse que, depois de ajustado, o orçamento “privilegia o aumento do investimento, que é a locomotiva do crescimento”. Que é um “contingenciamento alto, sim, que vai garantir a obtenção do resultado primário [pagamento de juros]". Que vai “viabilizar mais serviços públicos e com mais qualidade”. E que, por tudo isso, "não é um ajuste fiscal clássico, conservador", que "corta tudo", como se vê na Europa.
Otimismo x realismo.
A lei, já sancionada pela presidenta, define quais são os limites máximos de gastos com os quais o governo pode trabalhar em cada área e no geral. O governo pode ou não usar o limite máximo. O que faz em todo o início de ano é anunciar qual é o seu próprio teto, posteriormente formalizado por meio de um decreto.
A lei aprovada pelo Congresso dava ao governo federal o limite de R$ 937 bilhões em gastos, sendo R$ 97 bilhões para juros da dívida (os outros R$ 43 bilhões, para totalizar R$ 140 bilhões, sairão de estados e municípios) e R$ 866 bilhões para as demais despesas. Depois do ajuste do governo, a receita caiu para R$ 908 bilhões, as despesas, para R$ 811 bilhões, enquanto os juros continuaram em R$ 140 bilhões.
O ajuste nas receitas foi feito porque o governo sempre acha que o Congresso exagera no otimismo – é uma queda-de-braço antiga. “Somos um pouco mais realistas”, afirmou Mantega.
Na comparação entre o que foi aprovado pelo Congresso e o que o governo diz agora que vai gastar de fato, quem mais perdeu dinheiro foi a saúde (R$ 5,4 bilhões). Mas, na comparação com o projeto de orçamento 2012 que o governo mandara ao Congresso, a saúde ganhou cerca de R$ 500 milhões. E, na comparação com o que foi de fato gasto no ano passado, a despesa de R$ 72 bilhões este ano será R$ 8 bilhões superior.
O mesmo vale para a educação, e por isso o governo diz agora que estas duas áreas sociais foram poupadas da tesourada. A educação recebeu R$ 25 bilhões em 2011, o governo propôs que recebesse R$ 33 bilhões em 2012, o Congresso subiu esse valor para R$ 35 bilhões, e agora o governo devolveu o limite para R$ 33 bilhões.
O programa de combate à miséria terá exatamente o que o Congresso aprovou, R$ 27 bilhões, R$ 1 bilhão acima do projeto original do governo. O mesmo aconteceu com os investimentos dos programas de obras de infra-estrutura (PAC) e de construção de imóveis. Juntos, ambos terão R$ 42 bilhões, o mesmo que tinha sido proposto pelo governo e que foi aprovado pelo Congresso.
Leia Mais:

domingo, 13 de novembro de 2011

O TRAFICANTE  DA ROCINHA  E O BRASIL DE LULA " ... a UPP não adianta se for só ocupação policial. Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade. Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada? Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade... (Lula)  é quem mais combateu o crime, por causa do PAC. Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras. Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum. Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil " (Antonio Francisco Lopes, o 'Nem', chefe do tráfico na Rocinha, em entrevista a Ruth de Aquino, antes de ser preso  na última 4ª feira; Época) (Carta Maior; Domingo, 13/11/ 2011)

sábado, 16 de julho de 2011

DNIT . . .

Governo considerou algemar o diretor do DNIT.
Causou indignação até no Palácio do Planalto a denúncia de que a Ana Paula Batista Araújo, dona da Construtora Araújo Ltda, ganhou contratos de pelo menos R$ 18 milhões do DNIT, onde o marido dela, José Henrique Sadok de Sá, é o poderoso diretor-executivo. A notícia deixou a presidenta Dilma tão irritada que o governo considerou prender Sadok em flagrante e retirá-lo do cargo algemado pela PF.
Jornais não demitem . . .
Após o ímpeto de meter Sadok na cadeia, a turma do “deixa disso” convenceu o governo a só afastá-lo, “para não dar trela à imprensa”.
Dono da caneta . . .
Alem de diretor-executivo, o maridão da dona da empreiteira era diretor-geral interino do DNIT, nas atuais “férias” de Luiz Pagot.
É a mãe . . .
Já teve o filho do ministro dos Transportes superfaturando, agora a mulher do diretor do DNIT. Só falta colocar a mãe de outro no meio.
Pacto . . .
São do PAC, menina dos olhos de Lula e Dilma, as obras nas BR's 174, 432 e 433, que a construtora da mulher do diretor-executivo do DNIT José Sadok de Sá ganhou, e ele diz que “não tem nada com isso”.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O governo federal já admite informalmente adiar por 90 dias o leilão do trem-bala, marcado para o próximo dia 11. Será o segundo adiamento da licitação. Na semana que vem, a presidente Dilma Rousseff se reúne com técnicos do governo para acertar detalhes e a nova data. As justificativas para o novo adiamento são a realização de ajustes no edital da concorrência e a necessidade de mais tempo para que outros grupos apresentem suas propostas no leilão.

quinta-feira, 31 de março de 2011

DE LUTO

De luto, Lula recebe título em Portugal sem improvisos.
VAGUINALDO MARINHEIRO, enviado especial a COIMBRA.
Nada de brincadeiras com a plateia, de improvisos, de quebras de protocolo.
Ao receber ontem seu primeiro título de doutor honoris causa numa universidade europeia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu à risca rituais do século 18 numa cerimônia na qual tudo é predeterminado, da cor das roupas à proibição de bater palmas.
A titulação, na Universidade de Coimbra, começou às 10h30, na Biblioteca Joanina, construção que ostenta nas paredes o ouro levado do Brasil pelos colonizadores.
De lá saiu um cortejo com os doutores das várias faculdades, identificadas pelas cores dos capelos (capa que vai sobre os ombros).
Amarelo para medicina, vermelho para direito, a que concedeu o título a Lula.
À frente, um quinteto de sopros conduz à marcha. Da torre, tocam os quatro sinos.
Seguem todos para a Sala dos Capelos, construída no século 13.
Lula é o primeiro a falar. Lê seu discurso, por 10 minutos, sem acrescentar nada.
Nele, elogios à presidente Dilma Rousseff, que o acompanha na solenidade, ao vice José Alencar e a si próprio.
Diz que em seu governo o Brasil deixou para trás "um passado de frustração". "Nos últimos oito anos, (o povo brasileiro) realizou, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social".
Fala, então, da importância do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), "coordenado com talento pela querida companheira Dilma Rousseff".
Por fim, cita Alencar, que morreu na terça-feira: "Nada disse teria sido possível sem a colaboração generosa e leal daquele que foi o meu parceiro de todas as horas, um dos homens mais íntegros que já conheci."
Na sequência, dois professores da faculdade de direito também discursam.
Lembram da educação não-formal de Lula (ele não tem nenhum diploma universitário) para elogiá-lo.
Para um, Lula aprendeu na "universidade da vida trabalhosa e trabalhadora" até adquirir a "sabedoria do inconformismo consequente".
Para outro, é um "intérprete vivo do Brasil".
Alguns dos presentes (como os presidentes de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, e de Cabo Verde, Pedro Pires), parecem cochilar. Lula continua atento, até a hora em que recebe a borla (espécie de chapéu com franjas que significa que ele detém o conhecimento) e o anel (que sinaliza que é doutor).
É quando acontece sua única gafe: começa os agradecimentos antes da hora e é interrompido.
Depois cumprimenta, um a um, os mais de 50 doutores da universidade presentes.
Foram mais de duas horas de cerimônia. Num dia normal, Lula trocaria de roupa e iria comemorar com os brasileiros e alguns portugueses que lá fora gritam seu nome.
Mas o luto por José Alencar desaconselha, e ele entra no carro e vai embora com Dilma com destino ao Brasil.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

LULA, DILMA E A VELHA MÍDIA

Por Emir Sader, da Carta Maior.
O esporte preferido da mídia é fazer comparações da Dilma com o Lula. Sem coragem para reconhecer que se chocaram contra o país – que deu a Lula 87% de apoio e apenas 4% de rejeição no final de um mandato que teve toda a velha mídia contra – essa mídia busca se recolocar, encontrar razões para não ser tão uniformemente opositora a tudo o que governo faz. O melhor atalho que encontraram é o de dizer que as coisas ruins, que criticavam, vinham do estilo do Lula, que Dilma deixaria de lado.
Juntam temas de política exterior, tratamento da imprensa, rigor nas finanças públicas, menos discurso e mais capacidade executiva, etc., etc. Como se fosse um outro governo, de outro bloco de forças, com linhas politica e econômica distinta. Quase como se a oposição tivesse ganho. Ao invés de reconhecer seus erros brutais, tratam de alegar que é a realidade que é outra.
Como se o modelo econômico e social – âmago do governo – fosse distinto. Como se a composição do governo fosse substancialmente outra, como partidos novos tivessem ingressado e outros saído do governo. Apelam para o refrão de que “o estllo é o homem” (ou a mulher), como se a crítica fundamental que faziam ao Lula fosse de estilo.
No essencial, a participação do Estado na economia está consolidada e, se diferença houver, é para estendê-la. Os ministérios econômicos e sociais são mais coerentes entre si, tendo sido trocados ministros de pastas importantes – como comunicação, saúde e desenvolvimento – para reafirmar a hegemonia do modelo de continuidade com o governo Lula.
A política externa de priorização das alianças regionais e dos processos de integração foi reiterada na primeira viagem da Dilma ao exterior, à Argentina, assim como no acento no fortalecimento dos processos latino-americanos, como a ênfase na aproximação com o novo governo colombiano e a contribuição ao novo processo de libertação de reféns comprova.
O acerto das contas publicas se faz na lógica do compromisso do governo da Dilma de estabelecimento de taxas de juros de 2% ao final do mandato, alinhadas com as taxas internacionais, golpeando frontalmente o eixo do principal problema econômica que temos: as taxas de juros reais mais altas do mundo, que atraem o capital especulativo. A negociação do salário mínimo se faz com o apoio do Lula. A intangibilidade dos investimentos do PAC já tinha sido reafirmada pelo Lula no final do ano passado.
Muda o estilo, ênfases, certamente. Mas nunca o Brasil teve um governo de tanta continuidade como este, desde que se realizam eleições minimamente democráticas. A velha mídia busca pretextos para falar mal de Lula, no elogio a Dilma, tentando além disso jogar um contra o outro. A mesma imprensa que não se cansou de dizer que ela era um poste, que não existiria sozinha na campanha sem o Lula, etc., etc., agora avança na direção oposta, buscando diferenças e antagonismos onde não existem.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

QUEM VIVER, VERÁ ! ! !

Governo promete corte recorde para frear inflação.
Bloqueio de R$ 50 bi, porém, é insuficiente para atingir meta de economia do ano.
Setores do Orçamento afetados não foram divulgados; ministra afirma que área social e PAC serão poupados.
GUSTAVO PATU
VALDO CRUZ
MÁRIO SÉRGIO LIMA
Pressionado pela piora das expectativas para a inflação, o governo reduziu a previsão de crescimento econômico e precipitou o anúncio de um bloqueio recorde de gastos de R$ 50 bilhões, mesmo sem ter concluído estudos sobre que setores e programas serão atingidos.
No entanto, o ajuste -ou a "consolidação fiscal", eufemismo inaugurado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda)- anunciado ontem é insuficiente para atingir a meta de superavit primário, ou seja, da parcela da receita destinada ao abatimento da dívida pública.
Análise dos poucos dados e projeções divulgadas pelo governo mostra que o corte produziria neste ano superavit equivalente a 2,9% do Produto Interno Bruto, abaixo da meta de 3,1% descumprida desde 2009.
Para a meta integral, seria necessário um corte adicional de R$ 8 bilhões (ver quadro nesta página).
O objetivo dos cortes é esfriar a economia por meio da redução do consumo, principalmente, e do investimento público. Espera-se, dessa forma, ajudar o Banco Central a segurar a inflação com menor necessidade de aumento dos juros.
Não por acaso, a estimativa oficial para o crescimento da economia caiu de 5,5% para 5% -o mercado trabalha com 4,6%. No anúncio, Mantega procurou ler os números com otimismo.
"Essa consolidação fiscal não é o velho ajuste fiscal, tradicional, que se fazia no passado. Não se trata daquele ajuste fiscal que derruba a economia, que leva a economia à recessão, que leva a retração do investimento e do emprego", disse Mantega.
"Por isso usamos outro nome", afirmou.
Na campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff havia negado a necessidade de um ajuste fiscal, apesar da visível piora das contas do governo em razão do aumento de despesas sociais, com o funcionalismo e obras.
Após tomar posse, ela decidiu encomendar cortes à sua equipe. O número de R$ 50 bilhões, antecipado pela Folha, era defendido pelo Ministério da Fazenda.
A presidente, porém, ainda não estava convencida desse valor. Optou por ele depois do resultado da inflação de janeiro, o pior desde 2005.
Não foi o único compromisso de campanha derrubado pelo anúncio de ontem: a desoneração da folha de pagamento das empresas, que encabeçaria uma proposta de reforma tributária, agora depende de um ganho inesperado de arrecadação.
Ou então, como disse Mantega, o governo teria de compensar a perda de receita por conta da desoneração da folha com um ajuste na alíquota de outro imposto.
A ministra Miriam Belchior (Planejamento) voltou a negar que a área social e o PAC serão afetados pelos cortes de gastos, cujo detalhamento só deverá ficar pronto na próxima semana.
Mas, reservadamente, integrantes da área técnica avaliam que novas obras, incluindo promessas como a construção de novas creches e prontos-socorros, dificilmente andarão neste ano.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

AS MEIAS VERDADES DA ORTODOXIA

A ortodoxia midiática se lambuza com ‘vazamentos' propiciados por  círculos "muito próximos da Presidência" --afirma-se-- destinados a adestrar  a opinião pública para cortes de gastos públicos a caminho. O anúncio está no forno e deve sair até meados de fevereiro. "Será forte', salivam uns; "já está perto de R$ 40 bi", aplaudem outros; "pode chegar a R$ 50 bi", exultam os ventríloquos na tentativa de contagiar o ânimo do enforcado rumo ao cadafalso.
À população,  sonega-se, todavia, o fundamental: grandezas comparativas indispensáveis a uma avaliação criteriosa da pertinência desse ou daquele corte. Por exemplo, o que pensaria a opinião pública se lhe facultassem saber que a conta dos juros pagos pelo Estado brasileiro aos rentistas, detentores da dívida pública, somou a estonteante cifra de R$ 195,369 bilhões no ano passado os maiores gastos com juros da história do país, uma elevação de 14,24% sobre o ano anterior? Trata-se de um valor três vezes maior que a soma dos investimentos públicos previstos no orçamento deste ano (R$ 63,5 bi), e cuja plena execução é tida como inviável pelos mãos de tesoura de sempre. ‘Na área técnica', informa o jornal Valor, a avaliação é que, sem restringir os investimentos do PAC, os cortes dificilmente passariam de R$ 30 bilhões. Esse valor seria insuficiente para cumprir a meta de superávit primário (economia de recursos públicos para pagar juros), fixada em 3% do PIB este ano. O raciocínio ortodoxo diz que as pressões inflacionárias decorrentes da manutenção dos investimentos públicos (estamos falando de investimento, não corte de despesas inconseqüentes) forçariam novas altas dos juros, atraindo capitais especulativos com a inevitável valorização do Real e asfixia das exportações. A opção de enfrentar esse dilema com medidas como controle de capitais --leia manifesto de economistas  nesta pág--  não cabe no repertório das meias-verdades ortodoxas. Sobra, assim, cortar ou morrer sob um tsunami de  importações baratas, capaz de desbaratar a industrialização brasileira. O mesmo ardil das meias-verdades explica a rigidez  na definição do novo  salário mínimo em R$ 545,00. Um aumento adicional de R$ 5, soletra o dispositivo ortodoxo,  teria um impacto de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão nas contas públicas em 2011, por conta do gasto com aposentados. De fato. Omite-se, porém, de novo, a referência incômoda às meias-verdades: essa despesa representa um valor cento e nove vezes menor que o destinado ao pagamento de  juros em 2010. Em tempo: a presidenta Dilma Rousseff repetiu três vezes esta semana que o PAC não será contingenciado. A ver.  (Carta Maior, 4º feira, 02/02/2011)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

OS PILARES DA LUA DE PRATA

Pois é! Lentamente o nosso querido Brasil está mudando.
E para melhor; apesar do olhar míope e voluntário da maior parte da reacionária mídia nativa, que só enxerga o que lhe interessa (por ordem de seus mandatários e financiadores).
Como nunca antes na história deste país, um governo garante um PAC ao texto constitucional que prevê, dentre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, garantir o desenvolvimento nacional e erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Felizmente, isto está se modificando por meio da mídia blogueira que, aparentemente, não tem a cauda presa com ninguém. Mídia, esta, que tem apresentado um Brasil que não aparece nas novelas. Brasil de gente simples, trabalhadora, honesta e sem futilidades, que não se envergonha de sua cor parda, de seus sotaque, de suas mãos calejadas e de suas rugas não camufladas por maquilagem ou botox.
A imprensa neste País é uma vergonha! Um presidente de tal invergadura é ridicularizado, chamado de analfabeto dentre outras e o Judiciário Alcalino nada faz. Libera Dantas duas vezes em 24 hs, nada fala sobre a podridão do governo paulista, da venda da Vale (3 bi de reais, e hoje fatura isso trimestralmente), e ainda chiam sobre liberdade de expressão?
Sempre votei em Lula, pois já sabia o que iria acontecer com o País, e a única coisa que não gostei de seu governo: Calar a boca dessa imprensa, seja através de verba oficial, seja através da cobrança de emprestimos que o “grande FHC” fez através do BNDES à esses lixos, e ainda terminar de enterrar tais aberrações através da CBF. Isso mesmo, a CBF é hoje o maior meio da Lua de Prata de arrecadar dinheiro, o campeonato brasileiro tem que sair da Lua de Prata.
Escrevi uma vez que os pilares da Lua de Prata são:
1 - Jornal Nacional
2 - Campeonato Brasileiro
3 - Novelas.
Temos que quebrar as três!!

LULA REDESENHOU O MAOA DO BRASIL


O ansioso blogueiro foi a Suape dar um abraço em Lula
Este Conversa Afiada se permite dizer há muito tempo que, desde Vargas, nenhum outro Presidente viu o mapa do Brasil inteiro, diante de si, como Lula.
Lula acelerou dois movimentos de mobilidade: vertical, com a ascensão social; e na horizontal, com a integração do País, economicamente.
E o Farol de Alexandria continua a achar, na sua secundária perspectiva, que a Dilma e o Lula não tem estratégia – clique aqui para ver como Nassif disseca a subalternidade do pensamento do Farol de Alexandria.
JK levou o Brasil para São Paulo.
Lula levou o Brasil para o Brasil, inteiro.
Saiu no Valor de hoje, na pag. A3:
“Petróleo e ferrovias dinamizam portos do Norte e do Nordeste”
Trata-se de reportagem de André Borges que fala da crescente papel dos portos de Vila do Conde (Pará), Itaqui (Maranhão), Pecem (Ceara) e Suape (Pernambuco) na movimentação da carga no País.
E como a expansão ferroviária e a Petrobras participam desse movimento de integração econômica irreversível.
Ainda este ano, a Ferrovia Norte-Sul, que São Paulo dinamitou no Governo Sarney, começa a licitar tráfego de cargas.
A FNS concluiu o trecho Norte e vai dinamizar Vila do Conde e Itaqui.
Vila do Conde, ainda, vai se beneficiar da recente inauguração das eclusas de Tucuruí.
Itaqui vai transportar grãos do Norte e se fortalecer com a refinaria Premium que a Petrobras constrói ali perto, para desespero dos “especialistas”.
A Ferrovia Trans-Nordestina vai cortar o Sertão, em 1.728 km.
Vai ligar o interior do Maranhão e do Piauí a Pecem, no Ceara, e a Suape, em Pernambuco.
Pecem terá que ajudar a outra Premium da Petrobras – para desespero dos “especialistas” – e dar conta da siderúrgica que a Vale constrói ali perto.
E daqui a pouco entra em funcionamento a termoelétrica do Eike Batista
Por fim, Suape, que ajuda a fazer uma revolução em Pernambuco – clique aqui para ler “Suape fez uma revolução em Pernambuco e Eduardo Campos dá de 10 a 0 em Cerra”. e “Bacelar: nunca vi o Nordeste melhor”.
Ali em Suape a Petrobras constrói a refinaria Abreu e Lima, que  vai produzir 230 mil barris/dia.
Daqui a pouco chega a fabrica da Fiat, que Minas perdeu para Pernambuco: um investimento de R$ 3 bilhões para produzir 200 mil carros por ano.
O estaleiro Atlântico Sul prevê expansão e a Petroquímica Suape se instalara.
A produção agrícola e mineral vai sair do interior do Maranhão e do Piauí, pegar a Trans-Nordestina e escolher: sai por Pecem ou por Suape ?
Tudo isso e’ resultado de um projeto que o Globo chama de “empacado “- o PAC do Lula e da Dilma.
(Não esquecer que o maior projeto industrial em curso no Brasil, hoje, é o complexo Comperj, no Rio, uma integração de refinaria com industria petroquímica, sob o impulso da Petrobras, que, um dia, foi Petrobrax.)
Os militares falavam em “integrar a Amazônia para não entregar “.
Era uma visão estreita, nacionalisteira, que só pensava na Chevron – Cerra e Roberto Campos é quem entendem de Chevron.
Não levava o brasileiro, o povão, para a mesa de negociação.
Lula pensou na frente, olhou com os olhos de Vargas.
Pensou em integrar na geografia e no bolso.
Espalhou o crescimento econômico e botou dinheiro e educação ao alcance do pobre.
O crescimento não fica mais restrito aos 20 milhões de brasileiros que vivem na Republica da Daslu.
Lula criou um País de 200 milhões.
Lula redesenhou a geografia econômica do Brasil.
Saravá!
Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

JEITO DILMA DE GOVERNAR

A nossa presidenta Dilma Rousseff  não é comum nem burocrata,  para o que ela realmente está fazendo. Ela está começando a comandar um pais de mais de 190 milhões de habitantes. Sua vida pessoal não foi nada comum. Sua audácia no comando do Ministério das Minas e Energia, onde foram implementadas as pesquisa que chegaram ao pré-sal, nos programas como o Luz para Todos, no PAC, enfim, não a tornam uma burocrata, mas uma mulher empreendedora. Ela só não tem os calos nas mãos que Lula trazia de sua lida como operário e que certamente o ajudaram na opção pela luta para melhorar a vida de seus companheiros e chegar hoje a ser o que é: o maior líder com quem este país já conviveu. Dilma Rousseff também tem seus calos, cravados na alma, no coração, na memória de quem sabe o terror de enfrentar o algoz e sobreviver a ele, sem perder a ternura. Tudo o que viveu, tudo o que passou e sofreu, todo o seu trabalho ao lado de Lula, a transforaram no que elea é hoje: uma grande PERSONA.
Foi o que Lula viu e fez com que sua escolha para a colocá-la no comando do país, fosse mais um ato de bravura, de audácia, de discernimento, sem medo. Com a mesma convicção que o fez conhecer o Brasil de norte a sul de leste a oeste, para entender a alma brasileira e para saber o que seu povo precisava para viver com dignidade.
A mídia nativa ainda não entendeu nada disso, nada dessa extraordinária pessoa que se chama Lula e muito menos da perssona, Dilma Roussef. Isso, só nós, o povo, pé no chão, entendemos e por isso choramos na posse do Lula e na da Presidenta Dilma Rousseff. Isso eu acredito que nem o Sr. Marcos Coimbra, apesar de concordar diversas vêzes com sua opinião, entende: a Persona que é nossa Presidenta Dilma Rousseff.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DESAFIOS PARA A PRESIDENTE

Dilma Rousseff

A presidente aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?
Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nivel indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados.
Post festum, cabe uma reflexão distanciada do que poderá ser o governo de Dilma Rousseff. Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituída. Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura. A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Familia entre outras. Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.
Não obtante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação.
Agora se coloca a questão: a Presidente aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?
Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidente compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva. O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.
Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias(“mensalão”).
As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será dificil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios. A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.
Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidente deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra. Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidente irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador.

domingo, 24 de outubro de 2010

UMA QUESTÃO DE VIDA

EMÍLIO ODEBRECHT.
A melhor medida da mudança da consciência nacional quanto ao saneamento básico é a posição de destaque que o tema ocupa nos planos de governo dos dois candidatos que concorrem à Presidência da República.
A disposição que ambos revelaram de enfrentar o quadro calamitoso que o censo do IBGE vem confirmando indica o tratamento prioritário que lhe será dado no próximo governo, não importa quem seja o vitorioso na eleição.
Saneamento é o investimento preventivo de melhor custo-benefício para a saúde pública, razão pela qual deveria fazer parte do orçamento do Ministério da Saúde.
Tanto quanto educação, tecnologia e algumas outras áreas que são bases imperativas para a real transformação qualitativa do país, investir em saneamento, com determinação política, é um fator de desenvolvimento e de crescimento sustentável.
Para que se assegure em 15 anos o acesso de todos os brasileiros a água tratada e coleta de esgotos são necessários investimentos da ordem de R$ 13,5 bilhões/ano.
A cifra corresponde a cerca de 0,5% do PIB. Logo, é uma meta viável, principalmente depois que a Lei do Saneamento (Lei 11.445, de 2007) estabeleceu as diretrizes nacionais para o setor.
O Brasil passou pelo processo de concessões federais nas áreas de telecomunicações, transporte e energia e as empresas contribuíram decisivamente para a melhoria dos serviços. Os governadores seguiram o percurso desbravado e o capital privado tem complementado os recursos na esfera estadual, mediante uma gama de modelos de cooperação, concessões e parcerias.
No que se refere ao saneamento, o poder público municipal também é determinante e, hoje, as prefeituras e a iniciativa privada, associadas, têm a chance de fazer uso de diferentes mecanismos para a universalização do atendimento à população.
Do acesso ao orçamento público destinado ao PAC a uma grande variedade de modalidades contratuais, como concessões plenas e parciais, PPPs, subconcessões, locações de ativo e outras alternativas com marcos regulatórios definidos e testados, as diversas formas de aliança para a realização dos investimentos são meios que servem para promover o resgate de um passivo social que ainda persiste entre nós e para o restabelecimento, pela demonstração de respeito, da dignidade de cada cidadão.
Cabe, portanto, aos municípios, cada qual à sua maneira e dentro de sua realidade local, a tarefa de conjugar o ambiente jurídico institucional favorável, a prioridade do próximo presidente e o interesse da iniciativa privada para que o Brasil avance.
Porque saneamento básico é uma questão de vida.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

SUPEREXPLORAÇÃO

Superexploração dos trabalhadores na maior obra do PAC.
Do Brasil de Fato
Funcionários da usina hidrelétrica construída no Rio Madeira denunciam as condições de trabalho que os levaram à revolta.
Eduardo Sales de Lima, enviado a Porto Velho.
O reajuste salarial foi apenas um dos motivos, dentre tantos outros da revolta e, consequentemente, da paralisação realizada entre os dias 17 e 29 de junho pelos trabalhadores da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO). Os funcionários quebraram o silêncio e denunciaram o estressante dia-a-dia nos canteiros de obra da barragem. Um cenário repleto de acidentes, abuso e intimidação por parte do Consórcio Santo Antônio Civil (CSAC) – comandado pela empreiteira Odebrecht –, responsável pela construção da hidrelétrica.
A usina de Santo Antônio está orçada em R$ 13,5 bilhões e, ao lado da hidrelétrica de Jirau (que custará R$ 10 bilhões), compõe o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A construção de Santo Antônio começou em setembro de 2008 e está prevista para terminar em 2015. Pelo projeto, a usina vai produzir 3.150,4 megawatts, o suficiente para atender 11 milhões de residências ou 44 milhões de pessoas – ainda que o principal objetivo da obra seja atender indústrias eletro-intensivas.
A suntuosidade das cifras, contudo, contrasta com as péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras. Lá, a pausa para o almoço é de apenas uma hora. Pouco para quem leva vinte minutos para se locomover de ônibus até o refeitório e ainda aguarda mais alguns minutos na fila. Nas obras de Santo Antônio, para os que moram nos alojamentos, é obrigatório o pagamento de R$ 26 ao mês para o aluguel da moradia.
A própria concentração dos trabalhadores que vivem no alojamento, quente e sem ar-condicionado, é algo que, de acordo com o advogado Anderson Machado, propicia a escalada da tensão entre os funcionários e aumenta a insatisfação em relação ao trabalho. Machado foi interventor do sindicato que, em tese, representa os funcionários de Santo Antônio, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero).“Concentrar os trabalhadores ali os mantém o tempo inteiro sob pressão. É um trabalho desgastante, tenso, e na hora em que você está descansando, não sai do ambiente da obra”, comenta. Para ele, a atual situação dos trabalhadores reflete, sobretudo, o desejo do consórcio de economizar com transporte e aluguel.
O trabalho é árduo. João* trabalha faz pouco mais de um mês na área de concretagem e reside na periferia da capital Porto Velho. Segundo ele, é comum a não-adaptação dos trabalhadores dentro daquele “buraco quente”. “Os desmaios a gente nem conta. Dentro do buraco é a rocha; e ela esquenta e seca o ar todo. Mandam para o ambulatório e, depois de 15 minutos, a pessoa está na frente do serviço de novo”, descreve. João conta que, nas obras, “parece que a nuvem foge do sol”.
A usina fica sete quilômetros a sudoeste de Porto Velho. Trabalham no empreendimento aproximadamente 7.030 pessoas. Cerca de 84% da mão-de-obra é original de Rondônia. Equipes de detonação e escavação moldam o leito e as margens do rio para receber a barragem. Outros grupos escalam até 50 metros para entrelaçar estruturas de aço que irão abrigar as turbinas da hidrelétrica. Concluída a armação metálica, começa a concretagem, serviço de João. Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá consumido 3,1 milhões de metros cúbicos de concreto que circundarão as 44 turbinas aptas a gerar os 3150 MW.
Os trabalhadores em Santo Antônio, recebem salários que variam de R$ 700 a R$ 1000. Os protestos de junho revelam que eles também estão conscientes desses valores reduzidos.
“Éden”
Em Santo Antônio, os acidentes são recorrentes e, em muitos casos, até as mortes são abafadas pelo consórcio, segundo contam funcionários. João se recorda que os acidentes presenciados por ele ocorreram principalmente por dois motivos: o despreparo de funcionários inexperientes e o ritmo de trabalho imposto pelos funcionários responsáveis por gerir a obra, chamados de “encarregados”. “Por causa da pressa, há muitos acidentes com quedas de barras de ferro de 30 metros, ocasionando ferimentos”, conta.
Ir ao ambulatório, entretanto, parece não ser uma prática saudável. “Não vá lá, senão os encarregados vão achar que é proposital, que você não quer trabalhar”, afirma Antônio*, há cinco meses no setor de Terra e Rocha.
“Costumamos chamá-los (os encarregados) de sobrinhos de (Marcelo) Odebrecht (diretor-presidente da empresa), quer dizer, o mais interessado no sucesso da empresa. São os senhores de senzalas. É uma coisa comum, dentro da barragem, eles chamarem os trabalhadores de ‘filho da puta’”, denuncia João. Por causa da pressão por parte dos encarregados e do estresse gerado, ele afirma que alguns trabalhadores terminam por brigar verbalmente ou fisicamente com os supervisores ou entre si e “levam sua quita” (são demitidos) mais cedo.
Os “sobrinhos de Odebrecht” cobram bastante os trabalhadores e, segundo Joaquim*, ex-alojado e demitido, segundo a empresa, pelos protestos do dia 17 de junho, esquecem, também, de defender o “time” que lideram. “Não adianta pressionar uma equipe de 15 sendo que para cinco trabalhadores o pagamento não sai. E ele, como encarregado, não toma posição e não tenta resolver esse tipo de problema junto ao setor de recursos humanos da empresa. (Para ele,) o peão que se lasque”, critica.
Os encarregados, de acordo com os funcionários ouvidos pela reportagem, além de pressionar, também intimidam os funcionários. De acordo com João, o trabalhador em Santo Antônio não pode se posicionar reivindicando direitos junto à empresa. “Quem faz isso é despedido ou perseguido lá dentro”, revela. “Dá para ver encarregados fazendo filmagens para ‘dar quita’”, conta Antônio.
Ele garante que os acidentes que puderem ser abafados pela empresa, o são. Segundo Antônio, quando um cabo de aço se soltou do guindaste, no fim de junho, um rapaz da área de concretagem tirou fotos. Porém, rapidamente, seguranças e encarregados o cercaram e forçaram para que ele as apagasse.
João, que preenche as armações metálicas de concreto, conta uma história parecida. Após uma estrutura ter caído por cima de três operários, ocasionando duas mortes e deixando um trabalhador gravemente ferido, ele revela que a informação só vazou quando foram iniciados os protestos a partir do dia 17 de junho, em que alguns ônibus foram queimados por trabalhadores e parte do alojamento foi depredada. “A propaganda lá fora era que aqui seria o jardim do Éden e quando chega aqui só se encontra a serpente e nada mais. Nem a árvore do fruto proibido se encontra aqui”, ironiza o trabalhador.
* Com medo de represálias, os trabalhadores entrevistados solicitaram que a reportagem utilizasse nomes fictícios.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PARTAM PARA BRIGA

Lula diz que 'burocratas com a bunda na cadeira' atrasam licenças para obras do PAC
BERNARDO MELLO FRANCO - Folha de São Paulo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o governo de São Paulo, administrado pelo PSDB, de atrasar a liberação de licenças ambientais para obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Estado.
Ao inaugurar nesta sexta-feira um conjunto habitacional em Diadema, região metropolitana de São Paulo, ele pediu que os prefeitos "partam para a briga" para conseguir a autorização para as obras.
"Não é apenas em Diadema que as licenças não saem. Em vários lugares deste Estado me parece que tem uma pessoa que não sei quem é, que cria dificuldades para dar as licenças ambientais para a gente fazer as coisas. É importante que os prefeitos partam para a briga", disse o presidente.
Lula subiu o tom ao criticar os órgãos responsáveis pelo licenciamento no Estado.
"Nossa passagem pela Terra é curta. E a gente não pode ficar a vida inteira esperando a vontade de um burocrata que tá com a bunda na cadeira, com ar-condicionado, sentado, sem se preocupar como é que o povo está vivendo".
Em seguida o presidente justificou os termos usados para se referir aos servidores paulistas.
"Eu já estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que sempre falei neste país".
Ao lado do prefeito Mário Reali (PT), Lula entregou as chaves de 252 apartamentos construídos na antiga favela Naval, comunidade conhecida por episódios de violência policial nos anos 90.
O conjunto habitacional faz parte do PAC, e teve investimentos de R$ 13,8 milhões.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

SEMPRE VIGILANTE

A sociedade civil precisa ficar alerta, falar em impugnação é querer vencer a eleição no tapetão! A interpretação da legislação eleitoral tem gerado insegurança jurídica para a sociedade por falta de clareza e objetividade, uma vez que a interpretação de uma manifestação política pode ser criminalizada ou não, depende de quem a manifesta e de quem a julga. Por exemplo: o deputado Índio da Costa pediu voto na internet para o Zé (vampiro) Serra fora do período de campanha e não foi penalizado. Já o presidente Lula, não pede voto para a candidata Dilma nos eventos públicos, mas reconhece a responsabilidade da ex-ministra por vários empreendimentos desenvolvimentistas, como: o Trem bala, o PAC, o programa Minha Casa Minha Vida, etc. A direita neoliberal utiliza-se da interpretação subjetiva para querer castrar a liberdade e o direito político do presidente de expressar opinião. Por que condenar o fato subjetivo e não o concreto?

AÇÃO

Procuradora estuda ação que pode tirar Dilma do pleito.
MARIÂNGELA GALLUCCI - Agência Estado.
A vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau disse que requisitou as fitas da cerimônia de lançamento do edital do trem-bala para estudar a possibilidade de entrar com uma ação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por abuso de poder político e uso da máquina pública em favor da candidata do governo, Dilma Rousseff.
A ação também pode ser feita contra a candidata do PT. Sandra disse que, pelo que ela leu nos jornais, em tese, houve abuso de poder político e uso da máquina pública. "Isso é absolutamente proibido", afirmou. Esse tipo de ação que Sandra estuda ingressar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se acatada, pode resultar até na cassação da candidatura da pessoa beneficiada pelo uso da máquina do governo.
Pela ação, o presidente Lula pode ser punido com multa e até responder uma ação por abuso de poder político. Na terça-feira, durante a cerimônia oficial de lançamento do edital do trem-bala que ligará São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, o presidente Lula promoveu Dilma, atribuindo a ela a responsabilidade pelo projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV).
"A verdade é a seguinte: eu não posso deixar de dizer que nós devemos o sucesso disso tudo que a gente está comemorando a uma mulher", disse o presidente, em solenidade no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo. "Na verdade, nem poderia falar o nome dela porque tem um processo eleitoral, mas a história a gente também não pode esconder por causa de eleição", completou.
"A verdade é que a companheira Dilma Rousseff assumiu a responsabilidade de fazer esse TAV, e foi ela quem cuidou, junto com a Miriam Belchior, junto com a Erenice (atual ministra da Casa Civil)", continuou, sob aplausos de uma plateia de funcionários comissionados, políticos da base aliada e militantes.

PROJETO SEM VELOCIDADE

Editorial, Jornal do Brasil.
É preocupante a informação de que o prazo máximo para a construção do trem-bala – que ligará as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas – será o ano de 2017, conforme divulgado ontem, durante o lançamento do edital de contratação das empresas. Se levado até o limite, o cronograma desconsidera a importância do projeto para a realização dos dois maiores eventos do esporte mundial que o Brasil sediará, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, marcados, respectivamente, para 2014 e 2016.
O trem-bala já vem sendo discutido há alguns anos, mas não na velocidade necessária e condizente com que transportará passageiros entre as duas principais cidades do país (275 km/h em média). É certo que um projeto de tal magnitude, com investimentos estimados em cerca de R$ 33 bilhões, não pode ser conduzido com pressa. É preciso um estudo aprofundado de viabilidade, que leva em conta obstáculos geográficos (como rios e montanhas), fundiários (envolvendo a complicada questão de desapropriações), políticos (o lobby de cidades que querem abrigar ou alterar os locais das estações previstas) e, claro, financeiros.
Tudo isso justifica, em parte, a demora. Outra parte deve ser creditada à já conhecida burocracia brasileira e à lentidão com que obras são tocadas no país, seja por que governo for. A construção do trem-bala para a Copa do Mundo de 2014 – que seria factível, caso o ritmo fosse o adequado – não será mais possível. Está muito perto. Que se apresse, ao máximo, então, sua inauguração para a Olimpíada de 2016.
Durante o lançamento do edital, que marca o leilão do trem-bala para 16 de dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar nesta possibilidade, desde que se trabalhe em mais de um turno e até aos sábados e domingos.
O empreendimento do trem de alta velocidade, antes de mais nada, é um projeto de infraestrutura, independentemente da realização da Copa e da Olimpíada. Mas sua realização deve ser tomada como um símbolo da capacidade de organização e de planejamento do Brasil.
Lula, durante a cerimônia do edital, aproveitou para reclamar da pressão da Fifa. A entidade máxima do futebol, logo após terminada a Copa da África, no último domingo, disse estar preocupada com os prazos para o Mundial de 2014, ao cobrar os estádios, aeroportos e melhoria no sistema de transporte.
Para Lula, o tom foi excessivo, como se “nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e definir as nossas prioridades”. A resposta deve ser entendida como forma de evitar novas e futuras reprimendas que ultrapassem os limites. Mas é preciso compreender também que, se o privilégio de abrigar um evento internacional traz bônus (materiais e imateriais, econômicos ou não, como os créditos políticos que certamente serão reivindicados nas próximas eleições), ele implica igualmente ônus.