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sábado, 5 de novembro de 2011

POLÍTICA CORONELISTA NO BRASIL

Por Leandro Fortes, da Carta Capital.
Voto distrital e o Brasil-Colônia.
O problema não está no sistema eleitoral, mas na qualidade do eleitor. Quem vota em Paulo Maluf, por exemplo, não vai deixar de ser um mau caráter do voto proporcional para virar uma reserva moral do voto distrital. O que certa direita nervosa pretende, com essa propaganda infantil sobre as benesses do voto distrital, é minar as representações coletivas no Parlamento, sobretudo aquelas vinculadas aos movimentos sociais.
A crescente estruturação desses movimentos, notadamente os de caráter progressista e de origem popular, tem gerado uma ampliação razoável do espectro de representação política no Legislativo e, ato contínuo, pressionado os demais poderes a se curvar a outros interesses, que não só aos dos suspeitos de sempre.
Numa recente palestra que dei aos acampados do MST, em Brasília, esses milhares de trabalhadores que a mídia agora anuncia não mais existirem, ouvi de uma liderança uma explicação definitiva sobre a relação apavorada das elites brasileiras com a dinâmica do movimento: “Eles não estão mais somente preocupados com o fato de ter gente ocupando terras, mas, principalmente, porque essa gente está pensando, discutindo, se preparando para algo maior”.
Esse algo maior é a política. O capital eleitoral dos movimentos sociais é enorme, na verdade, incalculável, mas a dispersão territorial e de objetivos comuns ainda gera distorções de caráter colonial. O fato de a bancada ruralista – de latifundiários, escravagista, reacionária – ser maior do que a de trabalhadores rurais, é só a mais impressionante delas.
A submissão dos governos do PT, ditos progressistas, às tradicionais alianças políticas de governabilidade, mantém o País estagnado na poça cultural do velho acordo das elites nacionais, donde se cria e recria paraísos falsamente plurais de participação popular, desde que sob o comando das mesmas forças de outrora, sejam os coronéis de terras, seja a velha mídia, esta que ora decide que ministros deve a presidenta colocar ou não a correr.

terça-feira, 19 de julho de 2011

SOB A ÉGIDE DA PASMACEIRA

Por Carlos Chagas.
Houve tempo, não faz  muito, em que as associações da sociedade civil substituíam os partidos  políticos. Mesmo depois da extinção do partido do “sim”, a Arena, e do “sim, senhor”, o MDB, prevaleciam entidades verdadeiramente  representativas da opinião pública. Nas denúncias,  nas crises e   nas necessidades,  a Ordem dos Advogados do Brasil, o Instituto dos Advogados, a Associação Brasileira de Imprensa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a União Nacional dos  Estudantes, a Central Única dos Trabalhadores, os Sindicatos dos Jornalistas do Rio e de São Paulo, o Clube de Engenharia, a FIESP, o MST  e outras organizações  falavam e agiam por todos nós.
Mesmo depois dos anos de chumbo, mantiveram-se presentes. Basta lembrar como despertaram a  indignação geral  depois do assassinato  de Wladimir Herzog ou como  mobilizaram o país  encaminhando ao Congresso o pedido  de impeachment de Fernando Collor.
Hoje… Hoje, com exceção da brava OAB, as demais associações dão a impressão de haverem  saído pelo ralo. Sumiram. Mergulharam em seus mundinhos corporativos, cuidando de interesses de classe, quando cuidam, mas dissociadas por completo da realidade nacional.   Muitas  entregaram-se aos governos e às suas tentações publicitárias, desde os oito anos de Fernando Henrique  até os oito anos do  Lula.  Outras agiram por convicções políticas e ideológicas. Tanto faz.  A verdade é que se omitem quando da eclosão de  eventos de magnitude indiscutível, como ainda agora o escândalo da corrupção no ministério dos Transportes e alhures. Por onde andam, diante  do crescimento desenfreado da violência urbana e rural?
Trata-se de fenômeno digno de análise profunda a que se dedicará algum sociólogo desocupado.  Estariam, essas entidades omissas, desanimadas ou  desesperançadas de resultados? Faltam a elas lideranças efetivas?  Ou, invertendo-se a equação,    terá esse marasmo  raízes na apatia social generalizada que o  neoliberalismo criou?  Quem quiser que responda, mas estamos sob a égide da pasmaceira.
“VIVA LA DEMOCRÁCIA”.
Antes de se mandar para as estepes e de reportar como ninguém os dez dias que abalaram o mundo,  John Reed estava na cidade do México quando, em 1914, lá entraram as tropas revolucionárias de Francisco Madero, Emiliano Zapata e Pancho Vila.  Extasiou-se com a bela capital  invadida por milhares de peões a cavalo, sombrero e fitas de balas cruzadas no peito, todos
Bom jornalista que  já  era, o americano  preocupou-se em conversar com o maior número possível daqueles camponeses  revolucionários, procurando saber o significado do   grito de guerra entoado com tanta emoção.   A maioria respondia “tratar-se de uma saudação à mui honrada e distinta  senhora esposa  do doutor Francisco Madero, dona Democrácia”…
A historinha se conta a propósito da invasão do Congresso pelo  PT e o PMDB, que nos últimos seis meses   mandaram  em tudo e comemoraram até com  bolo uma união muito parecida com a de Pancho Vila e Emiliano Zapata. Gritam estar agindo para transformar o Brasil numa grande nação, mas buscam tanto esse objetivo quanto os rebeldes mexicanos buscavam a democracia.