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sexta-feira, 16 de março de 2012

A desconcentração provocou o empate do Flamengo com o Olimpia, na quinta-feira à noite. Depois de sofrer um pouco no início do primeiro tempo, controlar o jogo na segunda metade do primeiro tempo e mostrar bom futebol -- Vágner Love e Ronaldinho Gaúcho, principalmente -- o Flamengo se comportou comos e tivesse vencido a partida. Esquecido-se de que um jogo tem 90 minutos. E perdido dois pontos nos 14 minutos finais.
Entregar dois pontos assim nunca é de se perdoar.
Mas é de se refletir. Se o time não entender os motivos, eles vão se repetir.
No caso do Flamengo de quinta-feira, o motivo passa pela inexperiência.
Há anos, o Flamengo não tinha cinco pratas-da-casa juntos em campo. O time titular tinha Paulo Victor, Galhardo, Muralha, Luís Antônio e Thomás.
É ótimo que o Flamengo tenha tantos garotos bons e não é acidente, porque se trata do time campeão da Copa São Paulo, há um ano e dois meses.
Mas juntar tantos garotos num jogo de Copa Libertadores tem um preço.
Não foram eles que erraram. Lembre-se de que o Flamengo reclama da qualidade de seus zagueiros e, por isso, contratou Marcos González, da Universidad de Chile. E Marcos González errou duas vezes no gol de Caballero, o segundo do Olimpia.
Mas ter experiência significa tocar a bola quando jogo aperta, se complica. O Flamengo não fez isso.
O pior disso tudo não é o vexame. É ter de jogar duas partidas fora de casa no returno da Libertadores.
Jogar contra Emelec e Olimpia fora de casa pode significar eliminação na primeira fase.
Isso sim é que seria vexame. 

domingo, 25 de dezembro de 2011

O GRANDE SEMINÁRIO

Paulo Vinícius Coelho - O Estado de S.Paulo.
Uma das primeiras missões de Andrés Sanchez como diretor de seleções da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) será viabilizar um projeto da comissão técnica para 2012.
Mano Menezes cuida da criação de um seminário envolvendo todos os setores do futebol brasileiro.
Pensava nisso bem antes da goleada do Barcelona sobre o Santos.
O congresso deve ser formatado pela Escola Brasileira de Futebol, projeto antigo, dos tempos de Carlos Alberto Parreira.
A escola hoje dá cursos para formação de treinadores, mas nunca serviu para discutir e aprofundar o futebol brasileiro.
A vitória por 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos não é um sinal da decadência do Brasil, mas da supremacia do Barça.
Oito dias antes de massacrar o Santos, o Barcelona fez 3 a 1 no Real Madrid, no Santiago Bernabéu. Só não marcou o quarto gol, porque não quis arrumar briga.
Ainda assim, Mano Menezes tem razão ao afirmar: "A derrota é uma oportunidade de discutirmos os nossos problemas."
A ideia é anunciar o seminário até março, para refletir sobre o que se está fazendo de errado no Brasil. Quem trabalha na formação de jogadores sabe o que é.
Nas divisões de base, hoje se formam bons times, mais do que bons jogadores. Trabalham-se mais as questões táticas do que os aspectos técnicos.
Isso tem a ver com a sobrevivência dos técnicos em seus empregos.
Mas cuidado com os chavões. Desde domingo, repete-se que o Brasil não exporta bons jogadores, que não há brasileiros de destaque na Europa.
Se isso é verdade, é por uma mistura da falta de craques aqui e da falta de dinheiro por lá.
O jogador brasileiro pode ter ficado pior, mas também ficou mais caro. Neymar e Lucas rejeitaram propostas de clubes europeus em 2011. Confirmam essa tese.
Digamos, então, que faltam atacantes brasileiros na Europa. Thiago Silva, do Milan, Luiz Gustavo, do Bayern, Lucas Leiva, do Liverpool, são exemplos de bons defensores.
Outro chavão. O Barcelona tem um modelo e o Brasil não tem. Mas será que é bom ter um modelo único para um país deste tamanho? Fazer os baianos jogarem como os gaúchos e os cariocas como os mineiros?
O futebol brasileiro vive entre o oba-oba e o complexo de vira-lata. Ou jogamos o melhor futebol do mundo ou o pior.
Menos!
Na derrota do Santos, o Brasil reconheceu apenas o seu passado.
O time do Barcelona é mais do que isso: é o futuro. Depois de massacrar o Real Madrid, Guardiola foi questionado se nas próximas décadas o futebol só será jogado como hoje faz o Barça em massacres sucessivos contra Arsenal, Bayern, Real Madrid... Santos!
Para chegar ao futuro e não confundi-lo com o passado é que o futebol brasileiro precisa mesmo de um grande seminário.

domingo, 17 de julho de 2011

O BRASIL NÃO SE LIGA

Paulo Vinícius Coelho - O Estado de S.Paulo.
Os agentes alemães que passaram pela Copa América deixaram claro que não estão atrás de jogadores brasileiros. Observam colombianos, chilenos, peruanos, até venezuelanos. A razão é econômica: "Os brasileiros estão muito caros!"
Os alemães não são afeitos a negócios como o que o Corinthians acenou ao Manchester City, por Tevez. À parte o delírio de oferecer um ano inteiro de sua cota de TV para pagar a rescisão de Carlitos, o episódio é mais um indício de que o Brasil está perto de entrar no mercado do futebol internacional.
Mercado movido pelo dinheiro e pelos delírios dos dirigentes. O caso Tevez mostra que as duas coisas existem no Brasil.
Falta um requisito fundamental para convencer jogadores e empresários de que é bom negócio jogar no Brasil: o campeonato.
"Para os atletas, é fundamental estar na Champions League e disputar uma liga forte, como a espanhola ou a inglesa", diz Wagner Ribeiro, que conversa com o Real Madrid sobre a venda de Neymar. "O Brasil já paga salários de nível europeu, mas não tem um grande campeonato."
Na Argentina, os mesmos agentes que reclamam dos preços dos brasileiros descrevem a distância das cifras dos clubes dos dois países. A Petrobrás renovou contrato de patrocínio com o River Plate por R$ 4,1 milhões por ano. O Corinthians fatura R$ 38 milhões com contratos de patrocínio.
Se quisesse comprar o espaço na manga de um clube brasileiro, a Petrobrás gastaria mais do que paga pelo peito do River. Isso vale para o Boca, patrocinado pela LG.
O governo de Cristina Kirchner comprou os direitos de TV do Campeonato Argentino há dois anos. Paga R$ 300 milhões, menos de um terço do que os brasileiros receberão por ano, pelo novo contrato com a Rede Globo.
Nas últimas sete edições de Libertadores, os argentinos venceram duas e chegaram a duas finais, uma com o Boca Juniors, outra com o Estudiantes. O Brasil chegou a todas as finais, com sete clubes diferentes e conquistou quatro títulos.
Pela Libertadores, o campeão recebe perto de R$ 3,5 milhões. Em outras palavras, a Libertadores não vai se tornar o torneio que seduzirá os jogadores a ficar no Brasil.
"Hoje, o Brasil tem potencial para ser a quarta liga do mundo", diz o agente alemão Johan Löesch. Isso não se faz com varinha de condão. Faz-se com marketing, melhoria de estádios e de venda de ingressos, transmitindo jogos para o mundo todo.
A rodada de hoje do Brasileirão, dividida com a Copa América, e os jogos de quarta-feira, que podem mudar de horário por causa da seleção, mostram que o crescimento econômico é inversamente proporcional ao preparo de quem deveria trabalhar para criar o Brasileirão de verdade.
O primeiro sinal. O terceiro gol do Brasil contra o Equador nasceu de uma bola roubada por Alexandre Pato, no campo de ataque. Há tempos, Mano Menezes tem treinado esse tipo de marcação. Contra o Paraguai, o contra-ataque em que a seleção sofreu o primeiro gol nasceu de uma jogada em que Daniel Alves tentou roubar a bola no ataque. Deixou o setor às suas costas desprotegido.
Acontece até com o Barcelona. O time que mais marca por pressão no mundo sofreu um do Arsenal, em fevereiro, por tentar e não conseguir roubar uma bola no ataque.
Hoje, o Brasil precisa cuidar para não sofrer gols do Paraguai em lances assim. Os paraguaios marcam assim há mais tempo e melhor do que a seleção de Mano Menezes.
Mas o gol contra o Equador é o primeiro sinal de que os treinos para roubar bolas no ataque começam a dar resultado.
A primeira estaca. Os edifícios administrativo e esportivo do novo clube do Palmeiras estão com suas estruturas construídas e, na sexta-feira, colocou-se a primeira estaca do estádio. Previsão de inauguração é abril de 2013, mesmo com o pedido de paralisação da obra pelo Ministério Público. Mais importante: o custo. A Arena custará R$ 350 milhões, mas R$ 50 milhões são referentes às obras no clube. Nenhum estádio da Copa será tão barato. Por quê?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

HAJA PACIÊNCIA !

Por Paulo Vinicius Coelho, no O Estado de S.Paulo.

Se você prefere ter a boa notícia antes das más notícias, vamos a ela: o Brasil roubou seis vezes a bola no ataque nos primeiros sete minutos. Pronto! Daqui para a frente, tudo o que você lerá será o relato de uma seleção estática, sem imaginação e incapaz de tornar fácil um jogo contra a Venezuela.
Se era de se imaginar a dificuldade em transformar quatro extra classes em um time de futebol, como aqui se escreveu ontem, é preciso entender os principais focos de problema. Com os principais jogadores muito presos a suas posições, não havia tabela. Neymar preso do lado esquerdo, Ganso por dentro, Robinho pela direita não se aproximavam de Pato, não apareciam para tocar e receber na frente.
Faltou a projeção dos laterais, exceto quando, aos 26 minutos, Daniel trocou passes com Robinho e cruzou. Pato chutou na trave.
Se o primeiro tempo foi ruim, o segundo foi pior. Além de não criar, o Brasil deu espaço para a Venezuela que percebeu a fragilidade do jovem time de Mano Menezes, passou a retomar a bola na intermediária e fazer a ligação com o ataque. Criou chances com Rondon, Fedor e Arango.
Não que a impressão da semana de que o Brasil tem uma geração ultratalentosa tenha de se dissolver. O problema é transformar jovens de talento e um time bem montado, articulado, capaz de disputar uma competição dura como é a Copa América.
A experiência vai aumentar, a dificuldade também. Será muito mais difícil enfrentar o Paraguai, sábado que vem, do que foi jogar contra a Venezuela, na estreia. E uma eventual derrota para os paraguaios pode colocar o Brasil na segunda posição da chave. Nesse caso, o provável adversário das quartas de final será o Uruguai.
JOGADA ENSAIADA.
O melhor time
O time mais bem montado da Copa América é o Uruguai. O único dos três gigantes que joga junto
há quatro anos e treina junto há um mês. Não que os uruguaios prometam dar espetáculo. Não é
seu estilo, nem o da Copa América, famosa por suas partidas insossas. Mas a equipe dos Diegos, Forlán e Lugano, é aquela que possui o que falta à Argentina e ao Brasil: conjunto.
Remédio argentino
Sergio Batista abandonou o discurso de tornar a Argentina uma cópia do Barcelona - até o técnico campeão mundial, Carlos Bilardo, disse publicamente que isso é uma tolice. Mais do que isso, Batista acenou com o remédio correto. Pretende escalar Aguero no lugar de Lavezzi, Pastore na vaga de Cambiasaso. Isso pode melhorar a ligação do meio-de-campo com o ataque e, consequentemente, melhorar
o desempenho do time dono da casa.

domingo, 3 de julho de 2011

A COPA DA PACIÊNCIA

Paulo Vinícius Coelho - O Estado de S.Paulo.
A juventude era a maior adversária do Brasil na última disputa de Copa América na Argentina. Em 1987, a seleção tinha Careca e Carlos, titulares no Mundial de 86, mas lançava uma geração de esperanças como Raí, Ricardo Rocha e Valdo. Como hoje, estreou contra a Venezuela. Voltou para casa depois de levar 4 a 0 do Chile - o segundo jogo também era em Córdoba.
Há mais coincidências entre as campanhas de 1987 e a de 2011. Como daquela vez, Mano Menezes dirige hoje a mais jovem das candidatas ao título - média de 25,6 anos, contra 26,8 da Argentina, 26,6 do Uruguai. O time entra em campo um mês depois de a revista inglesa Four Four Two decretar a morte do futebol brasileiro, com o título R.I.P. (Descanse em paz).
Naquela época, foi a revista francesa France Football que publicou capa com o título Qual é o seu futuro, Brasil? Com foto de Josimar, a reportagem perguntava se a seleção voltaria algum dia a ser campeã mundial.
A resposta demorou sete anos e alguns vexames para aparecer. Veio em 1994, com Romário e Bebeto
Renovação não é simples e não basta ter três craques no ataque para forjar um time campeão. Especialmente se eles têm 19 anos, como Neymar, 21 anos, como Pato e Ganso.
Há números para desconstruir o processo de renovação conduzido por Mano Menezes. Dunga foi campeão da Copa América com 12 jogadores que nenhum outro treinador havia convocado antes. Mano chamou primeiro apenas sete dos que estão na Argentina.
Não importa que Pato, Lucas e Ramires tenham estreado na gestão passada. As referências da equipe mudaram, a renovação é um fato.
Fala-se em Ganso, Pato e Neymar como se escalar os três juntos fosse garantia de formar um grande time. Espera-se a entrada de Lucas como se ganhar uma Copa América com um quarteto com idade média de 19,7 anos fosse comum.
Oito vezes a Argentina foi sede do torneio, ganhou seis e perdeu duas para o Uruguai. O Brasil não está em La Plata a passeio e nunca participou de nenhum torneio sem a pretensão de vencê-lo. A ideia é ganhar, mas não perca a noção da realidade.
A revista El Gráfico diz que o envelhecimento precoce de Kaká e Ronaldinho Gaúcho forçou o rejuvenescimento do time. É verdade. Mas na entrevista coletiva de sexta-feira, uma das perguntas a Mano Menezes questionou como é dirigir a seleção com força máxima na Copa América.
A força total, sem Kaká, jogou oito vezes. A Argentina disputou 13 partidas com o técnico Sergio Batista e o Uruguai joga junto há quatro anos.
De todas as análises, a melhor é a de Mano Menezes: "Primeiro precisamos ganhar os jogos, com as vitórias conquistar confiança e então tentar jogar bonito. Não acredito em queimar etapas"".
É possível ganhar o título. Não é o mais provável.
Mudou o parâmetro. Wagner Ribeiro, empresário de Neymar, questionado nesta semana sobre o Real Madrid trazer 45 milhões de euros para pagar a multa rescisória e oferecer 4 milhões de euros de salário anual ao craque do Santos, respondeu: "Quanto ganha o Kaká? Oito, nove milhões por ano? Por que o Neymar tem de ganhar muito menos do que isso?""
O repórter Marco Ruiz, do diário AS, veio ao Brasil acompanhar as finais da Libertadores. Voltou à Espanha dizendo que será difícil um clube europeu levar Neymar agora. "A história vai se prolongar até depois da Copa América, mas percebi um jogador disposto a permanecer no Santos. Ele é muito feliz aqui"", disse.
Na Espanha, já se percebe que o futebol brasileiro ficou mais caro. Pagar 45 milhões de euros pela multa rescisória é mais do que qualquer clube pretendia, mas é possível. Mais difícil é igualar o salário.
Hoje, Thiago Silva recebe 300 mil euros mensais do Milan. Salário alto. Quando foi para o Real Madrid, em 2005, Robinho recebia 2 milhões de euros anuais. Hoje, o clube da capital espanhola acena com 4 milhões anuais a Neymar. Esse valor pode representar empate com os ganhos anuais do craque, se ficar no Santos. O caso Neymar pode ser o primeiro a colocar o futebol brasileiro na economia do futebol mundial.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ARRANCADA FINAL

Na improvável virada, uma vingança possível para o Botafogo.

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Por Paulo Vínicus Coelho
A seis rodadas do fim do Brasileirão, o Botafogo tem exatamente a mesma situação do Flamengo no ano passado 51 pontos, contra 57 do líder. O que ainda atenua a situação alvinegra é ser o quarto colocado, enquanto o Flamengo era o sexto, com 51 pontos. Então, a virada em direção ao título é possível.
Não que seja provável. O Flamengo tinha mais elenco, mais craques... Mas uma coisa precisa ser dita. Ninguém acreditava no Fla, assim como hoje quase ninguém acredita no Botafogo.
Se uma virada vier contra o Fluminense, com seis pontos a menos e seis jogos a disputar, a referência evidente é o Campeonato Carioca de 1971, vencido pelo Fluminense contra o Botafogo, com vitória por 1 x 0, gol de Lula, no jogo do título. Gol polêmico, por causa de uma falta cometida pelo lateral Marco Antônio no goleiro Ubirajara.
Naquela campanha, o Fluminense tinha quatro pontos a menos, quando faltavam quatro rodadas e a vitória somava apenas dois pontos. Nos últimos quatro jogos, o Fluminense venceu o América, por 3 x 1, o Vasco, por 2 x 0, o Flamengo por 2 x 0 e o Botafogo por 1 x 0.
O Botafogo empatou com o América por 0 x 0, com o Bonsucesso, por 0 x 0, perdeu para o Flamengo por 2 x 0 e para o Fluminense por 1 x 0. Apesar dos três tropeços, o Botafogo ainda jogou pelo empate o jogo do título. E perdeu.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CONFIANÇA ? ?

Confiança garante estádio de Itaquera na Copa.

O recorte de jornal acima é de 1978, ano em que foi feita a concessão do terreno de Itaquera. Em 32 anos, o Corinthians construiu um belo Centro de Treinamento no local, que recebeu também a estação de Metrô Corinthians-Itaquera, bem ao seu lado.
A lembrança não está aqui para detonar o sonho corintiano de um estádio na semana de seu centenário. Longe disso.
Mas dizer que Itaquera foi escolhido para abrir a Copa do Mundo de 2014, porque o presidente da CBF confia no Corinthians é um pouco demais.
O Morumbi está fora porque tem problemas técnicos, mas principalmente porque tem problemas políticos. Em outras palavras, a CBF não confia no São Paulo.
Mas cobrou projetos que mudaram para se adaptar à Fifa até chegar à exorbitância de 600 milhões de reais por uma reforma. Projeto aprovado, a CBF e a Fifa ainda diziam que havia a garantia de semifinal, não da abertura.
Então, a Fifa cobrou o plano de viabilidade econômica.
Sem garantia da abertura, o São Paulo apresentou o plano de viabilidade econômica do projeto de R$ 260 milhões. Foi quando a Fifa tirou o Morumbi da Copa.
Veja que foi a Fifa, não a CBF, como a CBF cansou de dizer. A CBF não tinha nada com isso.
Então, por que tem agora? Porque o estádio de Itaquera, do Corinthians e da Odebrecht abrirá a Copa apenas porque o presidente da CBF confia no presidente do Corinthians?
E por que confiar que um estádio cujo projeto existe há 32 anos sairá do papel agora?
Pode sair, não há dúvida. Mas para estar na Copa, era preciso um pouco mais do que confiança.

domingo, 15 de agosto de 2010

GUERRA POR NEYMAR

PAULO VINICIUS COELHO
É nosso novo complexo de vira-lata julgar que só há carreira para atletas que atuam na Europa.
UMA INFORMAÇÃO que a família de Neymar precisa ter, antes de responder à proposta do Chelsea, é quanto dinheiro o clube gastou em contratações do passado. Pelo inglês Wright-Phillips, € 36 milhões (cerca de R$ 81,4 milhões), pelo zagueiro português Ricardo Carvalho, US$ 38 milhões (R$ 67,3 milhões). São atletas inferiores a Neymar e que custaram mais do que sua multa rescisória de € 35 milhões (cerca de R$ 79,1 milhões). Se o Chelsea quer mesmo Neymar, basta não pechinchar.
O Santos não pergunta qual o preço justo para vender seu craque. Diz apenas que ele renovou contrato e não está à venda. Foi assim com Robinho, em 2005. E o que fez Robinho, quando o Santos avisou ao Real Madrid que não o venderia? Fez greve.
O conselheiro de Robinho era o mesmo Wagner Ribeiro que hoje aconselha a família Neymar.
Como em 2005, o Santos diz que não vende, e o jogador provavelmente avisará que quer ir. O Santos responderá que a única alternativa para sair é pagar a multa de rescisão. Se o próximo passo de Neymar será a greve, não se sabe. Mas há muita gente interessada nessa guerra.
Os agentes julgam que é possível depositar em juízo os € 21 milhões (R$ 47,5 milhões) equivalentes aos 60% do Santos e embarcar Neymar para Londres. O clube responde que a lei garante que receba o valor da multa integralmente e só depois repasse os 40% a que o grupo DIS tem direito. O Santos tem aval jurídico, mas conversa com um agente interessado no negócio mostra como o clube é frágil.
Na última quinta-feira, o noticiário dizia que o Chelsea pagaria € 25 milhões (R$ 56,5 milhões) por Neymar, sendo 4 milhões (R$ 9 milhões) ao grupo DIS. "O DIS não vai ficar com € 4 milhões, mas com 40% desses € 25 milhões", disse o agente. Retruquei: "O Santos não o liberará sem receber pelo menos 21 milhões, 60% do valor da multa. O que acontecerá nesse caso?".
"O DIS ficará na posição de espectador", ele assegurou. Quer dizer: os agentes torcem pelo litígio, para Neymar forçar a transferência e embolsarem 40% do negócio.
Vale lembrar que o Santos elabora desde janeiro projeto econômico para aproximar os ganhos de seus atletas ao padrão europeu e exibirá o plano a Neymar. O clube não freia a carreira do menino, mostra uma alternativa. Quase ninguém acredita.
É nosso novo complexo de vira-lata julgar que só existe carreira para que atua na Europa. Se ganhar a guerra, o Santos prestará serviço a todo o país

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O CLÁSSICO MUDOU

PAULO VINICIUS COELHO Prancheta do PVC.
O CORINTHIANS mudou com Adilson Batista. Tanto pelo futebol mediano, quanto pelo empate, você pode reclamar. Para o futuro, vale mais a pena observar a mudança do desenho tático. Adilson gosta de um losango no meio-campo e foi assim que o Corinthians enfrentou o Palmeiras.
Elias descia pela direita, Jucilei, pela esquerda. Alguém dirá que os três volantes são responsáveis pelo desempenho insosso. Mas... "Elias nunca foi volante", disse Mano Menezes, na semana passada, ao explicar a escolha de Jucilei para a reserva de Sandro e avalizando, sem querer, a opção de Adilson Batista por liberar Elias um pouco mais.
Com três volantes, o Corinthians jogou ótimos 20 minutos. Teve a armação de Bruno César e velocidade no contra-ataque, responsável pelo gol. O jogo mudou quando Felipão alterou o jeito de seu Palmeiras jogar.
Começou posicionado com dois volantes e três armadores, com Márcio Araújo aberto pela direita. Como perdia o meio-campo, deslocou Márcio Araújo para terceiro volante, pela esquerda. Ele duelava com Elias, Edinho revezava-se com Pierre na marcação a Bruno César e, ao mesmo tempo, acompanhava a subida de Jucilei. Controlado, Bruno César entregou-se.
A mudança, aliada à força de Kleber, exército de um homem só, mudaram a cara do jogo nos 15 minutos finais do primeiro tempo.
Na prática, tanto a mudança tática do Corinthians quanto a alteração tática de Felipão não causam efeito prático. Nem o Corinthians voltou à liderança nem o Palmeiras venceu a primeira com o técnico-ídolo. Adilson tem o argumento de Mano não ter vencido nenhum de seus quatro primeiros clássicos. Felipão também empatou seu primeiro, em 1997. Pensando bem, o clássico não muda nada.
OUSADIA
Ricardo Gomes obteve o melhor desempenho do São Paulo com dois meias e dois atacantes no jogo com o Ceará: Marlos, Fernandão, Dagoberto e Ricardo Oliveira.
BOM SINAL
Técnico da seleção tem de ir ao estádio e sinalizar aos atletas que aqui atuam que não precisam sair do país. Mano Menezes deu o primeiro sinal disso ontem e fez sua obrigação: foi ao Maracanã.

domingo, 1 de agosto de 2010

O ÍDOLO E O TÍTULO

PAULO VINICIUS COELHO.
Contratar astros pode dar prazer momentâneo, mas há trabalhos que conduzem às conquistas.
O PRESIDENTE do Corinthians, Andres Sanchez, definiu em uma frase o que pensa sobre o clube que dirige: "O maior ídolo dos corintianos é o Corinthians".
O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, pagou R$ 13 milhões por Valdivia e explicou por que o clube fez sozinho esse sacrifício. "Nós queremos ter um time que recupere o orgulho de torcer pelo Palmeiras."
Era essa também a intenção em 2009, quando o Palmeiras liderou o Brasileirão por 19 rodadas, pagou caro para contratar Muricy Ramalho, para contar com Vagner Love, impediu a negociação de Pierre, não ouviu propostas por Cleiton Xavier e Diego Souza. Montou um time forte. Por alguns meses, o palmeirense teve orgulho do Palmeiras. Depois, sentiu vergonha pela maneira como perdeu o título.
Não se pode culpar o presidente por isso, mas é de se ponderar até que ponto esforços como o que o Palmeiras faz para ter Valdivia dão mais resultado do que a atuação mais controlada do Corinthians, desde que caiu para a Série B.
O Corinthians chegou à decisão da Copa do Brasil de 2008, venceu a Série B e voltou à elite em meio a comentários de que sua nova equipe era fraca para a Série A. Com ela, foi campeão paulista invicto e conquistou a Copa do Brasil de 2009. Fracassou no Brasileirão 2009, na Libertadores de 2010, mas o corintiano estufa o peito para mostrar, orgulhoso, o escudo de seu clube.
Não se esquece aqui todo o esquema para contratar Ronaldo. Mas a frase de Andres Sanchez é um retrato fiel da maneira como o torcedor brasileiro se comporta. É ótimo o esforço para oferecer ídolos à torcida. O Palmeiras faz bem em reforçar seu time com Valdivia, em contratar Felipão, em juntá-los a Marcos e formar um paredão de referências para sua torcida. Mas o esforço que mais vale a pena mesmo é o de entender exatamente onde está a fronteira entre um trabalho que dá satisfações momentâneas e aqueles que levam aos títulos. Nos últimos três anos, o Corinthians entendeu melhor onde está essa fronteira.
Hoje, a torcida do Palmeiras será maioria no Pacaembu, fruto do mando de campo, não da presença de Felipão ou da ausência de Valdivia.
Na terça-feira, Belluzzo falou sobre o clássico e defendeu que Palmeiras x Corinthians segue sendo a maior rivalidade do Estado.
Houve um tempo em que não era preciso usar argumentos para defender essa ideia. Os títulos dos dois lados garantiam isso.

terça-feira, 27 de julho de 2010

SELEÇÃOZINHA MEQUETREFE

PAULO VINICIUS COELHO.
Na primeira vez, Mano já coloca dedo na ferida do nosso futebol.
A maior contribuição de Mano Menezes, na primeira convocação, não foi baixar a média de idade da seleção, dos 28,7 anos da Copa, para 23. Nem foi melhorar a qualidade dos volantes. Ninguém pode chamar Sandro, Lucas e Hernanes de brucutus.
A maior contribuição, porém, foi pôr o dedo na ferida em relação a duas questões. A primeira, a necessidade de um coordenador que ajude a fazer a interligação entre todas as seleções. A segunda, exibir como os atletas das divisões de base da seleção não têm sido titulares nos clubes.
Mano exibiu autoridade ao citar questões vitais do futebol do país. Chamou Ganso, que já merecia, mostrou ciência do futebol de fora ao incluir o bom David Luiz e chamou 14 atletas de Mundiais ou Sul-Americanos sub-20 ou sub-17. E exibiu querer volante que sabe jogar, como Sandro, Hernanes e Lucas.
Não era fácil fazer a lista e renovar em plena pré-temporada europeia. Pois Mano foi bem e montou time que sinaliza ser mais brasileiro.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O FELIPÃO DE SEMPRE

PAULO VINICIUS COELHO - Prancheta do PVC
FELIPÃO traz de seus oito anos pela Europa e pela Ásia o apreço pelo sistema da moda. Seu novo Palmeiras joga com dois volantes, três armadores, um atacante, com Ewerthon completando o meio pela esquerda e Márcio Araújo descolando dos volantes, pela direita. É o mesmo 4-2-3-1 com que levou Portugal ao vice europeu, em 2004. Diga-se que, naquele tempo, o sistema ainda não estava na moda.
Fora isso, Felipão é o mesmo de sempre, com uma velha qualidade: tentar explorar a vantagem numérica, quando seu adversário tem um jogador a menos.
Pois ter tentando vencer é a primeira acusação que pode receber. Com um a mais, lançou quatro atacantes nos dez minutos finais. Tinha Ewerthon, Kleber, Vinícius e Tadeu, quando Roberto invadiu a área e foi derrubado por Léo. Bom zagueiro, que falha uma vez por jogo, Léo foi expulso. Ao tentar o empate, agora com igualdade numérica, o Palmeiras sofreu o quarto gol.
Incrível que Felipão tenha colhido fama de retranqueiro, quando foi técnico do Criciúma e do Grêmio.
Sua primeira passagem pelo Palmeiras ficou marcada por partidas épicas, como a virada sobre o Flamengo, na Copa do Brasil de 1999. Empatando por 2 a 2 aos 40 do segundo tempo, precisando vencer por dois gols de diferença, juntou Euller e Evair a Paulo Nunes e Oséas. Com quatro atacantes, venceu por 4 a 2.
Felipão é o mesmo e se ainda não tem o time para ousar, como tentou em Florianópolis, faz as mesmas caras e bocas do passado.
Caretas em marcações erradas do árbitro ou passes errados do time. Ontem, foi mais pelos equívocos da equipe. Aquela que terá de montar, para que confirme a esperança que o primeiro resultado desmentiu.
O MELHOR MEIA
Desde Douglas, o Corinthians procurava um meia. Tentou Danilo, Tcheco, Defederico. Nenhum foi tão perfeito quanto Bruno César. Seu gol confirma a liderança.
COORDENADOR
Se chamou Parreira para coordenador, Ricardo Teixeira pensou certo. Precisa de alguém para coordenar as seleções. Mas contradiz o discurso "tudo novo". Teixeira, em 21 anos, não formou ninguém.

domingo, 18 de julho de 2010

A ÚLTIMA CHANCE

PAULO VINICIUS COELHO.
O retorno de Felipão e Kleber e o término da dependência da Traffic fazem o Palmeiras sonhar.
LUIZ FELIPE SCOLARI volta hoje ao banco do Palmeiras, dez anos e um mês depois de sua despedida. Seu último jogo, a final da Libertadores de 2000, foi perdido para o Boca Juniors em 21 de junho daquele ano. Depois da derrota, a ruptura. Juntos, saíram Felipão, a Parmalat, os títulos.
O retorno marca a última chance de o projeto Muda Palmeiras fechar seu ciclo dando ao clube um pouco do que prometeu. Há 60 dias, parecia impossível ter mais uma chance. Que esperança havia, afinal, depois de fracassar com dois dos melhores técnicos do país -Luxemburgo e Muricy-, de se aliar à Traffic e de perder o Brasileirão 2009 mesmo depois de bancar a permanência de ídolos como Pierre, Diego Souza e Cleiton Xavier?
Tudo isso somado às derrotas no Paulistão e na Copa do Brasil de 2010 fazia do Palmeiras um clube à espera do fim do ano só para confirmar mais uma temporada de fracassos.
Felipão muda tudo.
Sua reestreia, três dias depois da vitória sobre o Santos, eleva a autoestima palmeirense e coincide com outras rupturas do clube. Com a Traffic, por exemplo. As saídas de Cleiton Xavier e Diego Souza deixam o elenco palmeirense com apenas um jogador da velha parceira: Lenny. Além dele, a Traffic só tem participação mínima no contrato do zagueiro Danilo.
O Palmeiras não rompeu formalmente com a Traffic nem pretende fazer isso. Mas se dá ao direito de não ter exclusividade com a empresa, mesmo porque a empresa jamais teve exclusividade com o Palmeiras. Um exemplo foi dado pela Traffic ao colocar o lateral Carlinhos no Fluminense, depois de o jogador ter acertado tudo para jogar no Parque Antarctica. Desde que Vanderlei Luxemburgo foi demitido, em junho de 2009, a Traffic não fez mais nenhum esforço pelo Palmeiras.
O Palmeiras, então, deu seu grito de independência. Contratou Kleber, fechou com Felipão, tem chance de trazer Valdivia de volta. Tudo com suas próprias pernas. Isso não esconde que a gestão Belluzzo destruiu o clube politicamente. A seis meses das eleições, o Palmeiras continua em pé de guerra. Mas...
Mas há dois meses, seria um delírio imaginar o Palmeiras lutando para ser campeão brasileiro. Hoje, é um sonho difícil de ser realizado. Há dois meses, o Palmeiras contava dias, no calendário, à espera do final do mandato de Belluzzo. Hoje, Felipão está de volta. Talvez nem ele saiba quanto isso representa para o Palmeiras.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

GOL É UM DETALHE

PAULO VINICIUS COELHO - PRANCHETA DO PVC
NÃO IMPORTA que a Espanha tenha se tornado a campeã com pior ataque. Ou que o gol de Iniesta tenha acontecido depois do 16º chute a gol da Fúria. Digo, da Roja, apelido que os espanhóis hoje preferem, por se adequar mais a um time mais cerebral que furioso.
O risco espanhol de demorar demais para definir suas jogadas ficou mais sério à medida que o time caiu na arapuca holandesa, de picar o jogo com faltas, tirar velocidade dele, impedir que a Espanha a afogasse na defesa como fez com a Alemanha na semifinal.
Aí a Holanda passou da medida. Contra um time como a Espanha, que marca por pressão e tem posse de bola, como manda seu DNA herdado do Barcelona, a Holanda mereceu ser chamada de "antifutebol total". O avesso do que fez o mundo admirar seu estilo.
A Espanha não fez seu melhor jogo na Copa. Correu riscos por entrar no nervosismo holandês, foi ameaçada no contra-ataque que, por duas vezes, Robben desperdiçou diante de Casillas. Mas ficou mais forte quando Fàbregas entrou, no fim do jogo. Ganhou um armador, que ofereceu o passe a Iniesta, herói do título.
A Espanha venceu 49 de seus 54 jogos nos últimos três anos, empatou três e só perdeu dois. Os números exigem que se dê a ela o título de melhor seleção do mundo, num tempo em que as seleções perdem para os clubes a primazia de mostrar o melhor futebol. Num tempo em que se repete que não há mais novidade.
Como não? Não é novidade um time que encurrala alemães e holandeses e rouba bolas no campo de ataque aos 25 minutos do primeiro tempo, como aconteceu na semifinal e na decisão? Hoje a Espanha só é Fúria pela ânsia de roubar a bola em qualquer parte do campo. Fora isso, é cérebro. É sinônimo de futebol.
NASCEU NA BASE
Xavi, Casillas e Marchena formam, junto com Maradona e sete brasileiros, um time de 11 campeões da Copa depois de ganharem o Mundial sub-20. A Espanha só virou a melhor seleção do mundo porque trabalhou para isso.
GANHOU A ARTE
A Espanha ganhou com futebol de toque de bola, à velha moda brasileira. Que nunca mais se repita que não se vence Copas jogando bonito.

RISCO ESPANHOL

PAULO VINICIUS COELHO
Desempenho ofensivo ruim pode tornar a Espanha campeã com a menor média de gols.
A ESPANHA É observada pelo mundo como representante do futebol bonito na Copa. Até um limite, é mesmo. Mas está prestes a entrar na história por um recorde negativo capaz de mudar essa visão.
Se bater a Holanda por qualquer placar inferior a quatro gols, a Espanha se tornará a campeã com o pior ataque de todos os tempos. Só a Inglaterra, em 1966, e a Itália, em 1938, ganharam o troféu depois de chegarem à decisão com sete gols marcados, como os espanhóis. Mas ambas venceram a final por 4 a 2, terminaram a campanha com 11 e com número de jogos menor a Inglaterra jogou seis vezes, a Itália quatro, a Espanha faz hoje seu sétimo jogo.
O risco espanhol não é ser o pior ataque da história. É perder a final por culpa da atuação ofensiva ruim. A Espanha chutou a gol 103 vezes, mas só 35 chutes foram no alvo e sete balançaram a rede. Significa que a Espanha chuta 14 vezes para fazer um gol. Já a Holanda só precisa de seis chutes. Em 80 arremates, 41 foram no alvo e 12 estufaram a rede.
A troca de passes espanhola é brilhante, seu time foi concebido com trabalho de formação de jogadores que serve de modelo para o Brasil, mas é inevitável dizer que, às vezes, seu jogo tique-taque não sai do lugar. Na Euro-2008, com Fernando Torres em forma, a Fúria marcou oito gols só nos três jogos da primeira fase. Foi campeã com 12, o melhor ataque.
Em 2010, é o time do 1 a 0 nas oitavas de final contra Portugal, nas quartas contra o Paraguai, na semifinal contra a Alemanha. Daí o risco de a profecia do holandês Kluivert, por óbvia que seja, concretizar-se: "A final será vencida por quem marcar primeiro".
Em 2002, o Brasil tinha o melhor ataque, e a Alemanha chegou à decisão ganhando do Paraguai, nas oitavas, dos EUA, nas quartas, e da Coreia do Sul, na semifinal, sempre por 1 x 0. Contra o Brasil, não reagiu ao primeiro gol de Ronaldo.
Aquele Brasil foi o primeiro campeão a vencer todos os sete jogos. A Holanda pode ser o segundo e ainda pode igualar o Brasil de 70, vencendo todos os jogos das eliminatórias e da Copa.
Isso pode acontecer se o ataque da Espanha não funcionar outra vez, se confirmar ser o pior na comparação com todos os campeões.
Ah, sim... Se a Espanha, que joga bonito, não sofrer gol hoje, terá a segunda melhor defesa da história dos campeões.

sábado, 10 de julho de 2010

ESTILO CRUYFF

PAULO VINICIUS COELHO - PRANCHETA DO PVC
A ESPANHA joga como o Barcelona, e o Barcelona é o herdeiro do estilo da Holanda de 1974. Essa lembrança apareceu em matéria do diário espanhol "El País", ontem, com o título "La Final de Cruyff". Cruyff diz que é holandês, mas defende o estilo jogado pela Espanha.
A lembrança de Cruyff é justa, mas é preciso incluir outro personagem na história: Rinus Michels. O Barcelona não era campeão havia 13 anos quando contratou Michels para treinador. E Michels levou Johan Cruyff. O Barça voltou a ser campeão na temporada 1973/74, a primeira com os dois, um mês antes de a Holanda encantar na Copa-74.
Campeão, Michels assumiu a seleção apenas três amistosos antes da estreia na Copa do Mundo. Fez a Holanda marcar por pressão e trocar passes de modo incansável. Pressão e posse de bola, o DNA do Barcelona e da Espanha de hoje.
A Holanda festeja a presença na final, mas não o seu jeito de jogar. Na semifinal contra o Uruguai, 13,7 milhões de aparelhos de TV estavam ligados, recorde absoluto num país de 17 milhões de habitantes. Há um carnaval em Amsterdã pelos resultados, não pelo prazer de ver a Holanda jogar.
Talvez o jeito espanhol de jogar ainda fosse holandês se Cruyff tivesse sido técnico da seleção. Só não foi porque Michels não deixou. "O velho treinador morreu odiando Cruyff, por puro ciúme", diz o jornalista Tiemen van der Laan, da revista "Voetbal International".
Em 1990, os jogadores pediram a saída do técnico Thijs Libregts, substituído por Leo Beenhaker antes da Copa da Itália. A Holanda era campeã europeia, e os atletas queriam Cruyff no comando. Michels era manager da federação e o vetou. Cruyff continuou técnico do Barcelona. O Barça ficou ainda mais holandês. A Holanda, um pouco menos.
O CARROSSEL
Não é verdade que a Holanda invertia posições o tempo todo. Ela jogava num 4-3-3. Havia inversões esporádicas dos dois laterais e dos dois pontas nos lados do campo. Cruyff circulava por todo o campo. E o time fazia linha de impedimento e marcação por pressão. O Barça de Michels e o Ajax, campeão europeu com ele e com Stefan Kovacs, faziam o mesmo. Com Cruyff, o estilo era igual, mas o sistema era o 3-4-3.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ADIMISSÃO DE CULPA

PAULO VINICIUS COELHO
Em 21 anos, Ricardo Teixeira não fez do Brasil um centro de excelência em futebol.
RICARDO TEIXEIRA apresentou o logotipo da Copa de 2014 e já disse que em duas semanas haverá uma solução para o estádio paulista. Quer dizer que nos próximos 14 dias não se dedicará de maneira integral à seleção brasileira. Há dois pedaços distintos do Mundial-14. A organização, missão para Ricardo Teixeira. E a seleção, missão para... Ricardo Teixeira também.
Não se sabe se ele terá o bom senso de criar um cargo de coordenador de futebol, diretor de seleções ou como queira que se chame o emprego. Até que tome essa decisão, Teixeira manda recados. A CBF faz saber que não suportará mais uma negativa de Luiz Felipe Scolari. Seu diretor de comunicação, Rodrigo Paiva, também disse que um nome como o de Leonardo dificilmente teria a aprovação do presidente. Seria uma experiência semelhante à de Dunga, sem experiência para o posto. Boa análise.
Leonardo pensa diferente. Nas entrevistas que concedeu nos últimos três dias, tratou a possibilidade de trabalhar na seleção como um sonho. "Não conversei com ninguém, apenas respondo às questões colocadas na imprensa. Eu me preparei para ser treinador nos últimos dois anos", disse Leonardo.
Importante lembrar que esse preparo se deu na Europa. Não se sabe exatamente se Leonardo é um técnico estrangeiro nascido no Brasil ou um técnico brasileiro formado no exterior.
Técnicos brasileiros formados no país, como Mano Menezes, também procuraram aperfeiçoamento na Europa. Mano acompanhou o trabalho de Arsène Wenger, no Arsenal. Em parte, pela busca por aprimoramento. Em parte, porque o Brasil oferece pouco a profissionais que, como ele, queiram estudar aqui dentro.
A hipótese de contratar um técnico estrangeiro nascido no Brasil, como Leonardo, parece ser a assinatura de Teixeira em mais um atestado de sua própria incompetência. Se, em 21 anos, o presidente da CBF não conseguiu ter um único estádio cinco estrelas, também não fez do Brasil um centro de excelência em futebol. Um centro para formar treinadores segundo seu próprio estilo e história.
Não que o Brasil não tenha treinadores aptos a dirigir a seleção. Mano Menezes é um deles, Muricy Ramalho é outro, Vanderlei Luxemburgo foi até pouco tempo atrás. Tentar Felipão é obrigação. Contratar Leonardo, uma admissão de culpa.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SEMIFINAL-ARTE

PAULO VINICIUS COELHO - Prancheta do PVC
FORAM 20 minutos de pura marcação por pressão. Se você acha que espetáculo é só jogar com a bola no pé, a Espanha jogou também.
Até mesmo os grandes times montados para jogar assim -e são raros os montados para marcar por pressão- passam dez, 15 minutos no máximo, marcando no campo de ataque.
Pois a Espanha roubou uma bola de Trochowski aos 20min e puxou mais um ataque. O enésimo em 20 minutos. Daí ter mais de 60% do tempo com a bola no pé no primeiro tempo.
A única questão era entrar na área. Eles tentaram. Inverteram as posições de seus meias. Iniesta começou à direita, com Pedro à esquerda. Trocaram.
O armador central, Xavi, não saía da marcação de Khedira ou de Schweinsteiger. Quanto mais os dois volantes alemães marcavam, menos pulmão tinham para fazer o primeiro passe.
Mas o problema da Alemanha, que sofreu o jogo inteiro, não foi tanto a saída da marcação por pressão, mas sim prender a bola no ataque. Sem Müller, a equipe chegava à frente e via a bola escapar de Trochowski, Özil e Podolski.
O melhor time da Copa até antes da semifinal se encolheu. A Alemanha não conseguiu jogar. A Espanha tem a bola e sabe que, para tê-la, é preciso recuperá-la.
Ah, sim! Você já ouviu tantas vezes de técnicos brasileiros que esse é o conceito do futebol moderno. E tantas vezes isso serviu como desculpa para marcar. Na Espanha, a marcação é o pretexto para jogar.
A Espanha tinha um vício, o gol de David Villa. Dos seis marcados até então, cinco eram do artilheiro da Copa, empatado com Sneijder. O time também não tinha marcado de bola parada. O vício sumiu. Gol de escanteio, de Puyol. A Espanha joga bem, joga bonito e está perto de ser campeã.
A GRANDE CHANCE
Por mais que a Espanha tenha tido a posse de bola, as grandes chances foram em tiros de fora da área. A maior exceção veio aos 13min do segundo tempo, em jogada de Iniesta. Villa errou por pouco.
MEIAS DE VERDADE
O grande defeito da Alemanha foi não prender a bola no ataque. Pressionada, acertava o passe, tinha zagueiros bem colocados, mas Özil, Podolski e Trochowski... Nada!