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domingo, 20 de novembro de 2011

BELO MONTE DE INÚTEIS

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
A contragosto – porque o assunto é chato e inútil – e a pedido de um amigo virtual assisti a uma peça publicitária que circula na internet. No vídeo, um bando de playboys e socialites militontos – autoproclamados “artistas”, mas que não passam de arroz-de-festa – destilam baboseiras sobre a futura usina hidrelétrica de Belo Monte.
Por falta do que fazer, abraçaram causa pseudo “ecológica” e doaram um tiquinho do tempo que passam torrando dinheiro em shoppings para gravar um vídeo em que o bando de branquinhos, loirinhos de classe média alta se atira à defesa de “índios” em uma peça que, se tirarem som e legendas, facilmente pensarão que foi produzida na Noruega.
Gente que provavelmente, em boa parte, nunca viu um índio de perto defendendo “índios”. Gente que só conhece por fotos a região da futura usina dando ao governo a receita “brilhante” de que, em vez de construir hidrelétricas, aumente o parque energético do país com energia “eólica” ou “solar”. Um país que tem, “apenas”, 8.514.876 km²…
O bando de “atores” e “atrizes” da Globo, porém, não teve nenhum surto de consciência social. Está apenas “trabalhando”, porque a mesma grande mídia golpista, racista e de ultradireita que vive tentando inventar um “apagão” como o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou acontecer, é contra Belo Monte.
O vídeo é uma empulhação do começo ao fim porque deixa a sensação de que a usina hidrelétrica destruirá uma região que deve ser preservada, sim, mas que tem que dar ao país ao menos essa tão necessária fração das riquezas naturais que encerra. Fizeram o mesmo com as obras no Rio São Francisco, pois são obras que colocarão o Brasil no século XXI.
Apesar de Lula ter investido pesadamente em geração de energia elétrica de forma a reverter o desastre energético que herdou de FHC, este país está no limite de sua capacidade de geração de energia. Em uma década, se tanto, sem uma matriz energética ampliada este país para. Não haverá energia eólica, solar ou nuclear que baste, sem novas hidrelétricas.
Onde vamos construí-las? Na Barra da Tijuca ou nos Jardins, onde habitam as socialites e playboys da tal peça publicitária que me consumiu preciosos minutos da vida mortal?
Com a pujança econômica que este país vem exibindo em um mundo embasbacado com ela por estar atravessando a pior crise econômica desde o início do século passado, não construir hidrelétricas capazes de sustentar esse crescimento, sobretudo em um país tão carente de redução da pobreza, seria um crime de lesa-pátria igual ao que cometeu FHC.
Que fique claro: para um país deste tamanho, energia hidrelétrica é a única alternativa de curto prazo, sendo as energias nuclear, eólica ou solar um legítimo delírio, porque jamais haveria como suprir dessa forma uma demanda energética que cresce em escala geométrica e que deve crescer ainda mais rapidamente nos próximos anos.
Não precisam acreditar em mim. Busquem informação com qualquer especialista e perguntem se há como suprir com energia nuclear, vento ou luz do sol a demanda descomunal por energia que tem hoje o país. É uma farsa, pois, acenarem com moinhos de vento ou com caríssimos painéis solares equipando casas, fábricas, comércio, hospitais etc.
O que revolta mesmo, porém, é usarem “os índios”. Será que um país deste tamanho não tem condições de oferecer outro local para as populações daquela região? Claro que se fosse verdadeira essa empulhação dos empregados da Globo de que o governo pretende jogar “os índios” no meio da rua, eu estaria entre os primeiros a cobrar consciência social. Mas é mentira.
Toda essa farsa se explica porque, ao lado do fracasso da Copa de 2014 ou de uma recessão causada pela crise internacional, um “apagão” energético neste governo, de preferência igual ou pior do que o produzido pela inépcia de FHC, está entre os objetos de desejo dessa direita insana que tenta recuperar o poder ao custo da literal sabotagem do país.
Se alguém quiser perder algum tempo de sua vida, eis, abaixo, essa peça patética que me fizeram assistir. Mas não deixe de ler, também, Belo Monte e o pensamento binário.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

BELO MONTE E A QUESTÃO INDÍGENA

Indígenas contra Belo Monte, a favor de outro desenvolvimento.
Seminário e protesto em Brasília reúnem movimentos sociais e indígenas da região da Volta Grande do Xingu que se opõem à construção da hidrelétrica de Belo Monte. Manifestantes colocam em questão, não apenas os impactos sócio-ambientais da usina, mas a racionalidade econômica e política do projeto de desenvolvimento que ela encarna.
Texto de Rodrigo Nunes, fotos de Eduardo Seidl.
Quem vê como os indígenas reagem ao cacique Raoni Metuktire percebe estar diante de uma figura que, para uma parcela da população brasileira, tem o porte de um Martin Luther King ou um Nelson Mandela. Quando o líder kayapó entrou no auditório onde se realizava o Seminário “Belo Monte e a questão indígena”, os índios mais jovens se levantaram de seus assentos para, com câmeras fotográficas, filmadoras ou celulares, tentar guardar um pequeno registro digital de sua presença física.
O seminário ocorreu no dia 7 de fevereiro e pôs ao redor da mesa acadêmicos, representantes de ONGs e lideranças indígenas e de movimentos sociais da região da Volta Grande do Xingu para debater o projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O evento, de iniciativa da Associação Brasileira de Antropologia e a Fundação Darcy Ribeiro, foi organizado em pouquíssimo tempo a fim de criar um espaço para dar resposta à recente concessão, pelo IBAMA, de uma “licença parcial” permitindo o início do desmatamento na área onde serão instalados os canteiros de obra. E logo no seu início, quando foi convidado a juntar-se à mesa, numa fala em kayapó cheia de ênfases e pausas dramáticas, Raoni evidenciou um dos porquês de sua autoridade entre os indígenas: a vivência acumulada em décadas de lutas dos povos indígenas da Amazônia.
Decepção e denúncias.
“Com Juscelino Kubitschek não foi assim. Com Sarney não foi assim”, disse ele, explicitando um ponto ao qual muitos voltariam: o sentimento de traição gerado pela maneira como os governos Lula e Dilma conduziram o processo de Belo Monte até aqui. Se não foi o único a manifestar essa decepção, Raoni também não foi o único a recorrer à genealogia do projeto – de sua concepção inicial pelo regime militar até sua forma atual, passando pela vitoriosa mobilização para pará-lo no final dos anos 80, quando a hidrelétrica se chamaria Kararaô – para indicar tanto as dimensões do problema presente, quanto a esperança de ainda poder detê-lo.
As denúncias em relação ao período desde 2004 – quando o projeto foi ressuscitado, já sob o nome de Belo Monte – são muitas; as queixas, doloridas. Alguns, como a Vice-procuradora Geral da República Deborah Duprat, chamaram atenção para as irregularidades legais do processo. Segundo ela, não existe um Estudo/Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) conforme o regulamento que define tais instrumentos – a Resolução 001 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) –, pois não houve avaliação do impacto do projeto sobre a população humana. Assim sendo, todo o processo de audiências públicas na região, iniciado sem esse material, é irregular e inválido. As irregularidades se acumulam com a concessão da “licença parcial”, figura inexistente na legislação ambiental brasileira.
Outros, como o cacique Ozimar Juruna, falaram de tentativas de aliciamento a comunidades para que passassem a apoiar a construção. “Esse governo tem feito coisas que nem o governo militar fazia: comprando pessoas por um prato de comida”, acusou Antônia Mello, do Movimento Xingu Vivo para Sempre – cujos representantes enfrentaram uma viagem de ônibus de dois dias para vir a Brasília. O cacique Josinei Arara, por outro lado, invocou uma reunião com Lula em que este teria garantido que Belo Monte não seria “empurrado goela abaixo” dos povos do Xingu. “Ele nos deu a palavra e, portanto, nos deve”, anuiu Antônia Mello. Como observou o deputado Domingos Dutra (PT-MA), arrancando muitos aplausos, “esse governo tem de tudo. Tem gente do bem e gente do mal. E se os gritos das ruas não forem mais altos, os gritos das sombras vão levá-lo para o caminho do mal.”
Projetos de desenvolvimento.
Mas lembrar as origens do projeto na política do “Brasil Grande” da ditadura militar também serve como ângulo para pensar o seu significado para o futuro. Como sugerido por muitos dos participantes das mesas, o desenvolvimentismo encarnado em Belo Monte não está distante daquele da “modernização conservadora” dos anos 60 e 70, seja em sua concepção de relação com o ambiente, seja no seu modelo concentrador de renda, seja na lógica em que opera.
Essa lógica foi objeto da apresentação de Andréa Zhouri, do GT de Povos Tradicionais da Associação Brasileira de Antropologia e da Universidade Federal de Minas Gerais, que a caracterizou nos seguintes termos: consideração de impactos humanos e ambientais como “obstáculos” a projetos de “desenvolvimento”; crença na gestão como técnica “neutra” de resolução de conflitos, que são desqualificados sempre que aparecem; e mobilização do discurso de “interesse nacional” contra o que é descrito como interesses “particulares”, ou até mesmos “mesquinhos” – palavra usada, segundo ela, por um funcionário do IBAMA em audiência com povos do Xingu. Isso demonstra uma relação com o ambiente onde este ainda é pensado como possibilidade infinita de uso, aproveitamento e transformação; e, ao mesmo tempo, como natureza intocada, separada do elemento humano. Essa é a concepção por trás do argumento de que mega-projetos hidrelétricos seriam energia “limpa”: isso pode ser verdade se os comparamos a uma matriz como a petrolífera; mas como contabilizar os custos sociais e culturais acarretados pela destruição das áreas ancestrais, das relações e dos meios de subsistência de diversas comunidades?
Mas o problema, salientaram os especialistas, vai além. Em primeiro lugar, Belo Monte não é tão limpa em termos de emissões de gases causadores do aquecimento global – o metano, liberado tanto pelas turbinas quanto pela matéria orgânica em decomposição das áreas alagadas de floresta, tem 25 vezes mais impacto sobre o aquecimento global por tonelada que o gás carbônico, conforme as atuais conversões do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC). Tampouco é tão eficiente, para um investimento dessa envergadura: no período de seca, de julho a outubro, sua produtividade tende a ficar em 10% da alardeada capacidade instalada de 11 mil megawatts – trazendo a média anual a cerca de apenas 40% da capacidade. Tudo isso, ao custo da inundação de 100.000 hectares de floresta, impactos permanentes na bacia hidrográfica do Xingu (não considerados no atual EIA-RIMA) e a remoção de mais de 40 mil pessoas. E a um preço que o próprio setor privado estima poder chegar a 30 bilhões, essencialmente pago com

quinta-feira, 29 de abril de 2010

BELO MONTE III.

Insensatez.
É insensata a onda que se faz contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, quase uma nova Itaipu e a terceira maior usina do mundo. Quando se suscitou a ideia de que a obra prejudicaria alguns grupos de índios, um comentarista de economia de certa estação de televisão observou que o empreendimento pode prejudicar centenas de índios, mas beneficia 195 milhões de brasileiros. Assim, não dá para entender toda essa campanha que se empreende contra Belo Monte. Tem sentido, como acaba de advertir Lula, no seu programa de rádio "Café com o Presidente", abandonar a construção daquela usina hidrelétrica para utilizar usinas termoelétricas movidas a óleo diesel e muito mais caras e poluentes? Seria o Brasil abandonar as posições que assumiu nos congressos internacionais em defesa do meio ambiente. Lula lembrou que o projeto de Belo Monte está sendo discutido há 30 anos.
Licença.
O presidente também observou que a área de alagamento da usina será muito menor a que foi concebida no projeto original, o que significa que afetará menos áreas indígenas e comunidades ribeirinhas. Lula acaba também de lembrar que a licença ambiental para a construção da usina só foi concedida depois de cinco anos de estudos técnicos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

BARRAGEIRAS - BELO MONTE.

Lula: desistência de empresas privadas não impedirá Belo Monte.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou a desistência de empresas privadas na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e garantiu que o governo fará a obra por conta própria caso seja necessário.
"E se alguma empresa privada não quiser participar de uma obra, nós faremos a obra. Deus queira que elas queiram participar de todas. Porque para nós o ideal é essa parceria público-privada, mas se elas não quiserem fazer, se o preço estiver acima da conta, nós faremos por conta própria", afirmou.
Lula avaliou que críticas contra o leilão para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte fazem parte do discurso da oposição. Segundo ele, os adversários do governo torceram para que o leilão de Belo Monte fracasasse. "E, portanto, (as hidrelétricas) de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, são coisas que os nossos adversários torcem para não dar certo", afirmou Lula nesta quinta-feira após participar de cerimônia no Itamaraty, em Brasília.
O presidente disse que as organizações não-governamentais (ONGs) contrárias ao leilão de Belo Monte têm entre seus integrantes funcionários do governo anterior.
"Tem uma instituição aí, que eu não sei se é ONG, que tem muita gente que trabalhou em 2001 no apagão. Essas pessoas que trabalham nesta empresa, que eu não sei a sigla dela, trabalhavam no governo que teve o apagão em 2001.
Então, essa gente, desde que eu tomei posse em 2003, eles levantam de manhã e vão dormir fazendo figa para que tenha um apagão neste país para eles poderem dizer que o governo foi incompetente na questão energética".

terça-feira, 20 de abril de 2010

CHESF, QUEIROZ GALVÃO.

NORTE ENERGIA CONSTRUIRÁ BELO MONTE.
Em pouco menos de dez minutos, terminou o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, que teve início às 13h20. Extra-oficialmente, fontes que acompanharam o leilão estão informando que o consórcio liderado pelo Grupo Bertin e da qual a estatal Chesf faz parte foi o vencedor da licitação. Teriam feito uma oferta bastante agressiva a partir da tarifa-teto de R$ 83 o megawatt-hora MwH, valor do qual o grupo encabeçado pela Andrade Gutierrez teria se aproximado.
O consórcio Norte Energia, liderado pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) e pela construtora Queiroz Galvão, ofereceu tarifa de 78,03 reais por megawatt-hora no leilão da usina de Belo Monte, vencendo a disputa contra o consórcio Belo Monte Energia, liderado pela Andrade Gutierrez.
O valor significa um deságio de 5,98 por cento em relação à tarifa-teto de 83 reais por megawatt-hora, estipulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica

sábado, 17 de abril de 2010

BELO MONTE

Dois consórcios se inscrevem para leilão de Belo Monte.
Dois consórcios depositaram as garantias e se inscreveram na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para disputar o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, previsto para acontecer na terça-feira, dia 20 de abril.
O primeiro deles será formado por Bertin e as construtoras Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, J. Malucelli e Cetenco. A Chesf, empresa do grupo Eletrobrás, terá 49,9% do consórcio.
O outro grupo será o da Andrade Gutierrez, Vale, Neoenergia e Votorantim, que acabou de fazer o depósito das garantias. As estatais Furnas e Eletrosul serão as parceiras desse grupo.
O projeto atual de Belo Monte, com as áreas que serão inundadas em azul.
EM TEMPO; Uma das peleias dessa usina e que fez a Camargo Correia torcer o nariz, é o preço das tarifas. Queriam uma espécie de “franquia” a la FHC. Assim é fácil, tirando doce de criança.
Uma premissa: precisamos de energia para sustentar o crescimento. Energia da água é limpa e se atendido quesitos razoáveis da legislação ambiental, respeitado o direito dos atingidos, mãos à obra.
Quanto a estrangeiros darem pitaco: já passou esse tempo. Salvo uns entreguistas, oportunistas de última hora, tais caboclos que falam inglês, foi-se com o fim da ditadura militar.
A tomada de imensas áreas do nosso território pode ser legal. Mas deve barrar em parâmetros que atendam nossos interesses e mantenham a nossa soberania. Antes que seja tarde.
O cara faz uns filmezinhos milionários em recursos e miseráveis em conteúdo e já fica achando que é”the King of the world”, pode achar o que quiser e fazer todo o barulho do mundo, pode estar certo ou errado, o que me irritou foi o cara chegar querendo uma audiência com o Lula. Um reles zé mané. isso aqui não é um botequim, isso é um país.
Vai te catá ô james “Camarão”!
http://www.socioambiental.org/esp/bm/index.asp