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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A NECESSIDADE DE UMA PÓS-DEMOCRACIA

Por Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação.

Li recentemente  um instigante  artigo crítico  do escritor e pensador  Eduardo Portela (“Novidade à vista”),  que nos fala da possibilidade de estarmos no limiar de um período que ali se denomina “pós-democracia”.  Seria uma   consequência  praticamente inevitável dos sinais degenerativos que se percebem nas assim chamadas  instituições democráticas, incapazes de dizer ao que vêm nestes tempos de desigualdades e injustiças sociais que não escolhem espaços geográficos para proliferar.

A mídia tradicional, apegada aos princípios do neoliberalismo, trabalha estrategicamente o termo “democracia”, confundindo-o com o conceito de capitalismo, ao qual atribui qualidades libertadoras do indivíduo.

Como decorrência, identifica as ameaças a essa democracia em nações que seriam agentes contrários ao resto do “mundo livre”: Cuba, China, Coreia do Norte, Iran...  Essa identificação desses “atores do mal”, aliás, fica ao sabor de conveniências e interesses pontuais  e, às vezes, acaba se revelando até contra a intenção  do poder midiático: uma rebelião popular acabou de “descobrir”, por exemplo, que  o Egito é (ou era) um estado  antidemocrático, depois de décadas de apoio militar e econômico proveniente  do mundo da liberdade...

Que tal refletirmos um pouco sobre isso tudo?  Minha visão do que seria uma efetiva democracia, um mundo de liberdade, – que me perdoem os estudiosos e especialistas  -,  é a do senso comum, a da percepção imediata.  Para ser sincero, desde garoto absorvia com dificuldade a ideia de que o berço democrático teria sido uma sociedade escravista  – a grega -, onde mulheres e estrangeiros não tinham o