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terça-feira, 26 de julho de 2011

Dilma lança programa com 100 mil bolsas de intercâmbio.
MÁRCIO FALCÃO, ANA FLOR, SHEILA D'AMORIM
Ao oficializar nesta terça-feira o programa "Ciência Sem Fronteira", a presidente Dilma Rousseff afirmou que tem trabalhado para criar ações que permitam acesso de pessoas pelo mérito e não pelo "quem indica".
O programa prevê 100 mil bolsas de estudo no exterior para estudantes brasileiros até 2014. São 75 mil bolsas custeadas pelo governo um investimento de R$ 3,1 bilhões. O governo espera que 25 mil bolsas sejam financiadas pela iniciativa privada.
"Nós não estamos fazendo programa baseado no quem indica. Estamos criando no Brasil ações orientadas pelo mérito dentro de um quadro de um grande esforço de garantir que as populações mais pobres tivessem acesso ao mérito. Isso para nós é muito importante", disse.
Na reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), a presidente reforçou que essa preocupação com o mérito permite a ascensão social dos brasileiros. "A partir do critério de mérito, vamos aplicar outros que podem contemplar gênero, a questão étnica. A questão do mérito é essencial, sem o que não podemos implementar o projeto. Está provado que a política de mérito no Brasil pode contemplar as camadas mais pobres da população", disse.
A presidente destacou que as bolsas são voltadas para as áreas exatas porque há uma deficiência nessa formação.
"O Brasil tem de reconhecer que tem falhas e fraquezas e se a gente as reconhece nós damos um passo em direção ao fortalecimento. Por isso o foco desse programa está nas áreas exatas. Não estamos dizendo que automaticamente vamos formar 75 mil Einstens (em referencia ao cientista Albert Einsten). Vamos forma a base de pensamento educacional do país. A expectativa é que eles voltem e se integrem à universidades, às empresas".
Na reunião de abril do CDES, a presidente já tinha anunciado que discutia o programa.
As bolsas oferecidas serão prioritariamente para engenharias, ciências exatas (matemática, física, química), computação, produção agrícola, tecnologia aeroespacial, petróleo gás e demais áreas tecnológicas.
Serão 27,1 mil bolsas para alunos de graduação, 24,5 mil para doutorado de um ano, 9.700 para doutorado integral e 2.600 para pós-doutorado. Outras 700 bolsas vão beneficiar o treinamento de especialistas, 860 serão para jovens cientistas e grandes talentos e 390 serão dedicadas a pesquisadores visitantes no Brasil.
As bolsas serão oferecidas em mais de 200 universidades fora do Brasil nas áreas de ciências da saúde, ciências da vida e engenharia e tecnologia. A seleção dos bolsistas será feita na primeira fase pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e pelo ProUni (Programa Universidade para Todos).

terça-feira, 7 de junho de 2011

A Educação e a prova dos nove
Apesar de inúmeros avanços nos últimos anos, estamos apenas caminhando em uma área na qual o País precisaria estar voando. O que impera é não só o dissenso, fustigado pelo obscurantismo, como uma disputa sobre o papel do sistema público, seu peso no orçamento do Estado e sua relação com o mercado da educação, um dos mais rentáveis do País.
Antonio Lassance, na Carta Maior.
Ao contrário do que parece, não existe e nunca existiu no Brasil o propalado consenso sobre a importância da educação. O que impera é não só o dissenso, fustigado pelo obscurantismo, como um disputa sobre o papel do sistema público, seu peso no orçamento do Estado e sua relação com o mercado da educação, um dos mais rentáveis do País.
É curioso, mas dificilmente fruto de uma mera coincidência, que o fogo cruzado contra o ministro da Educação, Fernando Haddad, tenha se intensificado justamente quando o debate sobre o Plano Nacional de Educação e sobre o futuro de suas políticas no País deveria ser o mais relevante a ser travado neste momento.
Apesar de inúmeros e significativos avanços nos últimos anos, estamos apenas caminhando em uma área na qual o País precisaria estar voando.
O principal obstáculo decorre do fato de que a educação sofreu um profundo processo de fragmentação, confusão gerencial, subfinanciamento, desmonte de suas estruturas e desarticulação dos setores defensores do sistema público.
A Constituição de 1988 promoveu uma positiva institucionalização da autonomia dos sistemas estaduais, municipais e da universidade. Promoveu a descentralização e a expansão da oferta de vagas, rumo à quase universalização do ensino fundamental.
Todavia, sobretudo a partir dos anos 1990, o federalismo brasileiro passou por um processo de grave distorção. A falência econômica de muitos Estados, por conta de gestões irresponsáveis ao longo dos anos 1980, e suas políticas de terra arrasada (torrar recursos e deixar a casa destruída para governos seguintes) levaram a um contexto favorável ao ajuste fiscal rígido.
Estados e Municípios foram obrigados a reduzir custos, e a educação foi um dos setores prioritários da operação-desmonte. Salários dos professores foram achatados e proliferaram os contratos temporários. Muitos se tornaram “concurseiros”, policiais, funcionários de bancos, analistas de carreiras vinculadas à gestão da máquina do Estado (tributação, orçamento, administração) e tudo o que, com salários bem mais elevados, demonstrava que a educação não era prioridade.
Ao mesmo tempo, escolas desmoronavam sobre a cabeça de alunos e professores. O ensino técnico havia sido abandonado. O ensino médio, excluído do Fundef, foi deixado à míngua. A maioria dos governadores, na prática, abandonou por completo seu compromisso com a educação, preferindo redirecionar a missão essencial dos Estados às políticas de desenvolvimento econômico, com estímulo à guerra fiscal e obsessão por atrair empresas e e empreendimentos que guardariam relação direta com o financimento de campanhas políticas.
A educação chegou ao fundo do poço, e é por isso que ainda é tão difícil esperar que ela dê saltos. Cada tentativa tem o provável resultado de bater com a cabeça na parede.
A fragmentação é tal que há diferenças muito pronunciadas de desempenho entre Estados vizinhos, em uma mesma região, e mesmo de escolas vizinhas, em um mesmo município. A depender do governador, do prefeito e até do diretor, a cada quatro anos tudo pode ser perdido, e a educação passar do vinho ao vinagre. Avanços de uma gestão podem ser revertidos pelas gestões seguintes.
O governo Lula patrocinou grandes conquistas, sob o comando do ministro Haddad. Elevou o gasto com educação e transformou o Fundef em Fundeb, finalmente abrangendo o Ensino Médio. Lula também tomou a decisão crucial de suspender a Desvinculação das Receitas da União (a famigerada DRU), que diminuía o valor dos recursos a serem repassados para a educação. Desde 2003, foram construídos 214 centros de formação profissional e tecnológica, mais do que os 140 erigidos desde 1909. Há 14 novas universidades, além de mais de 30 novos campi ligados às universidades já existentes.
O Judiciário brasileiro também deu uma contribuição importante, recentemente, derrotando cinco governadores que haviam pedido a decretação da inconstitucionalidade do piso salarial dos professores estabelecido nacionalmente.
Reverteu-se a absurda situação anterior, na qual, em nome da “responsabilidade” fiscal, o Governo Federal se desincumbia de cumprir sua responsabilidade com a educação.
O fato de o Brasil ocupar, segundo a Unesco, o 88º lugar, entre 127 países, e o 53º, entre 65 países pesquisados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem muito a ver com o fato de a educação ser, igualmente, não a primeira, mas a 53ª ou a 88ª prioridade de muitos governos estaduais e municipais.
É fácil jogar toda a culpa, ou a maior parte dela, sobre o Ministério da Educação (MEC), e mais especificamente, sobre os ombros do ministro Fernando Haddad. Fácil, mas simplista.
Certamente, o MEC cometeu vários erros. O ministério não se empenhou por consolidar a coalizão de defesa do sistema público para além de suas reuniões com outros governos. Demorou muito para fazer a Conferência Nacional de Educação e está longe de ter uma boa relação com as organizações nacionais de professores. Não priorizou o tema da gestão democrática, verdadeira pedra de toque da autonomia do ensino, mas que precisa de parâmetros claros para que não seja mais um ingrediente de desagregação do sistema.
Também não conseguiu estabelecer uma nova estratégia de relacionamento com Estados, Municípios e DF. Hoje, a política do Governo Federal para a educação não é uma política de educação nacional. O que existe são diferentes políticas educacionais espalhadas pelo país, e o esforço do MEC no sentido de harmonizá-las por estratégias de apoio e cooperação.
Mas os ataques que Haddad tem sofrido ultimamente vêm de quem nunca o aplaudiu, quando de seus acertos. A coalizão que mira no MEC quer acertar na testa destes avanços proporcionados em menos de uma década
Quem conhece um pouco da história da educação no Brasil sabe que inúmeras tentativas de transformá-la mais profundamente são estigmatizadas com pesadelos e fantasmas.
Por exemplo, nos anos 1930, o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto, chamou para conduzir seu projeto de reforma do ensino ninguém menos do que o honorável Anísio Teixeira, velho batalhador da educação pública, laica e inovadora. Ambos criaram, como modelo, a Universidade do Distrito Federal. Entre em seus quadros, estavam nomes que reinventaram as ideias sobre o Brasil, como Sérgio Buarque de Holanda, Cândido Portinari, Heitor Villa Lobos, Cecília Meirelles, Álvaro Vieira Pinto, Josué de Castro, Gilberto Freyre e Mário de Andrade. Portanto, gente de todos os matizes.
O que isso rendeu a Pedro Ernesto? A acusação, feita pelos conservadores, de abrigar comunistas, de ser um ateu, contrário ao ensino da palavra de Deus. Anísio Teixeira demitiu-se. O prefeito foi exonerado e preso, acusado de simpatia com comunistas. A UDF foi absorvida, no Estado Novo, pela Universidade do Brasil (atual UFRJ) e seus professores passaram a ser contratados com crivo sobre suas convicções ideológicas e religiosas, sob a lupa de Alceu Amoroso Lima e do Cardeal Leme.
O projeto de Anísio Teixeira retornou revigorado, décadas depois, em Brasília, no projeto de Escola Parque, de tempo integral, e com Darcy Ribeiro, com a Universidade de Brasília. Nova ditadura, a de 1964, interrompeu o experimento.
A educação no Brasil, sucessivamente golpeada pelo autoritarismo, em períodos democráticos é bloqueada quando pretende avançar. É por isso que ela se arrasta vagarosamente. A primeira Lei de Diretrizes e Bases só foi promulgada em 1961, sendo que estava prevista desde a Constituição de 1934 (na forma de um Plano Nacional de Educação). Foram 13 anos de tramitação, desde o envio de seu projeto, em 1948. A segunda LDB, estabelecida pela Constituição de 1988, só chegaria à sua redação final em 1996.
A institucionalização das regras nacionais para a educação é sempre muito lenta. Isso nada tem a ver com democracia e tempo de debate. Pelo contrário. Esses projetos são deliberadamente entregues a uma tramitação modorrenta, com parlamentares que se esmeram por mantê-los em total monotonia, enquanto agridem a compreensão pública com polêmicas disparatadas. Atiram para todos os lados em questões pontuais, enquanto agem solenemente em prol do silêncio de cemitério, trilha sonora mais comum do debate sobre os rumos da educação.
Enquanto esperamos que o MEC seja rápido para corrigir seus erros e evitar que eles se repitam (como no caso do 10-7=4), é preciso ter clareza dos grandes desafios que se tem pela frente. O importante já não é apenas superá-los, evitando retrocessos, mas fazê-lo ainda mais rapidamente. O atraso histórico amargado pelo sistema público de educação é de tal monta que mesmo alguns resultados exuberantes colecionados nos últimos anos deixam a sensação de uma vitória de Pirro para professores e estudantes.
Mais do que dar continuidade ao que foi feito, seria hora de uma guinada

terça-feira, 24 de maio de 2011

AMANDA GURGEL

A Leila Lopes (in memorian) do PSTU.
Por Raymundo Araujo Filho, do Correio do Brasil.
A precocemente falecida atriz Leila Lopes ganhou notoriedade em uma novela da Rede Globo, onde fazia papel de simpática professorinha, que virou símbolo frugal do Brasil, durante algum tempo. Seu último trabalho foi um filme pornô de quinta categoria.
Vi rapidamente o depoimento da professora Amanda Gurgel, que está “bombando” no you tube. Mas, principalmente li a sua entrevista no jornal O Globo, segundo alguns, da extrema direita brasileira, e segundo eu mesmo, um jornal a favor dos Ventos Uivantes, sejam quais forem, mesmo com ressalvas, para parecerem críticos e exigirem mais concessões.
Mas, a simpática professorinha é identificada como uma “militante do PSTU” que “separa muito bem a sua vida partidária DO RESTO DE SUAS ATIVIDADES CLASSISTAS”. Diz também a simpática e iluminada figura (agora sob os holofotes prestimosos d’O globo’) que “não tinha pensado em se candidatar, mas acha a possibilidade possível “a partir de agora”.
Quem conhece a militância do PSTU sabe que não é usual que militantes deste Partido isolem a sua vida Sindical da Partidária, muito ao contrário. Portanto, se assim agia, não age mais, como atestam as suas declarações no jornal O Globo, sobre a sua, agora possível, candidatura.
Depois, não posso deixar de concordar com as críticas que faz a falta de priorização e interesse do Estado fornecer Educação ao Povo Brasileiro, “como um plano internacional para manter-nos na ignorância”, o que concordo plenamente.
Mas, a minha pergunta à esta professora é a seguinte:
Como conciliar este clamor pela BOA EDUCAÇÃO PÙBLICA aqui no Brasil, com a oposição ferrenha (maior até do que a que alguns conservadores fazem) aos governos de Cuba e da Venezuela, além de baterem forte em Evo Morales, da Bolívia?
Ora! É fato não contestável que estes três países alcançaram patamares de excelência na Educação Pública, não existindo por ali, NENHUM Analfabeto ou pessoa que não saiba interpretar minimamente um texto. São países que ganharam vários prêmios internacionais neste quesito educacional, onde desenvolve-se sistemas educacionais reconhecidos mundialmente.
Se os povos destes países ainda estão sofrendo das iniquidades da pobreza, certamente estão também de posse de instrumentos para que as gerações futuras possam ter instrumentos para a sua libertação.
Assim, a professorinha Agnes de Deus, ooops, Amanda Gurgel nos deve uma explicação sobre esta conciliação malabarística entre a crítica aos governos neoliberais de Lulla e DiLLma, além de FHC e outros estaduais, no quesito educação, mas fazendo ecoar também as falas do Império contra Cuba, Venezuela e Bolívia, que têm notável desempenho neste quesito, que ela mesmo prioriza.
P.S – 1) Não considero isento de falhas e equívocos, qualquer destes governos que cito mas, ao menos, tenho senso do ridículo.
2) Tô muito velho para cair em esparrelas da internet, dando como inocente, uma macaca velha da militância partidária do PSTU.
Que me desculpem os trouxas….

quinta-feira, 10 de março de 2011

USP É PRETERIDA POR 25% DOS ALUNOS

Um em cada quatro candidatos aprovados na primeira chamada do vestibular da USP desistiu antes de fazer a matrícula em 2011. A universidade convocou este ano o maior número de alunos em segunda chamada: foram 2.562. Em alguns cursos, principalmente no interior de São Paulo, as vagas não estão preenchidas nem com a terceira lista. A avaliação é da própria USP, do MEC e de cursinhos.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ENSINO PÚBLICO ESTA MELHOR

De 2005 a 2009, diferença entre ensinos público e privado diminuiu em todos os níveis, diz pesquisa.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado pelo Ministério da Educação, nesta segunda-feira, mostra melhora nas médias nacionais entre os anos de 2007 e 2009. No entanto, o índice registrou queda em mais de mil municípios. No Brasil, apenas 5,7% das escolas do ensino fundamental conseguiram alcançar a nota 6. A nota é a média dos países desenvolvidos que o MEC adotou como meta a ser alcançada até 2021.
As notas se referem aos anos finais do ensino fundamental, que equivale à 5ª à 8ª série (6º ao 9º ano). Nos anos iniciais, da 1ª à 4ª série (1º ao 5º ano), foram 15% das cidades. Ao todo, 5.404 municípios tiveram nota computada no Ideb na 4ª série.
Para avaliação, o Ideb considera dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho na Prova Brasil.
Entre as cidades com as piores notas no Ideb do ano passado na 4ª série estão cinco municípios baianos, dois do Piauí, dois da Paraíba e um do Pará. A pior nota, 0,5, foi registrada em Apuarema, na Bahia. A meta da cidade era 2,6. Em 2005, o município teve 2,1 e em 2007 teve 2,7. O Ideb é calculado a cada dois anos.
Já na 8ª série, as piores notas foram em cinco cidades da Bahia, três do Rio Grande do Norte, duas de Alagoas, uma da Paraíba, uma do Maranhão e uma de Sergipe. A nota mais baixa foi de Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte, que obteve 1,6. A meta do governo federal para a localidade em 2021 é 4,6, enquanto a do Brasil é 5,5.
As melhores notas no ensino fundamental estão concentradas em 20 municípios do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina. A melhor nota registrada da 4ª série é de Dois Lajeados, no Rio Grande do Sul, com 7,3, e na 8ª série é de Jeriquara, em São Paulo, com 6,6.