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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

DIZ ALGO . . .

Tribunal da Georgia intima Barak Obama (...) para que ele apresente provas concretas de que é nascido de pais americanos como reza a Lei, essa dúvida foi levantada desde a sua pré-candidatura à Presidência dos EUA e nunca foi realmente provado a sua cidadania.
Sua certidão de nascimento foi considerada falsa por inúmeros peritos que a examinaram e deram o seu verdito nesse sentido.
Apesar disso, sua candidatura foi considerada legítima.
Ainda não tem a data marcada para ele apresentar provas de que realmente é cidadão americano no Tribunal Administrativo da Geórgia e, portanto, estar apto a concorrer às eleições para a Presidência da República.
Todos sabem que seu pai é nascido no Quênia sendo cidadão do Reino Unido e não, americano.
E agora, Obama?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

TERMÔMETRO DA CRISE

* PAC anti-crise de Obama inclui pacote de US$ 450 bi entre investimentos e isenções na folha de pagamento para incentivar o emprego
** PAC 2  de Lula e Dilma reúne US$ 590 bi até 2014 e também foi desdenhado pela fanfarra midiática-ortodoxa  
** Obama terá que vencer igual resistência  para viabilizar a tentativa de rerguer a economia norte-americana
** mais que os valores em jogo, o simbolismo desse confronto poderá decidir o passo seguinte da crise mundial
TERMÔMETRO DA CRISE: O APELO DE UM NEOLIBERAL AO ATIVISMO DO ESTADO.   -
"...os (títulos) do Tesouro americano para 10 anos rendiam 1,98% na (última) segunda-feira, o percentual mais baixo em 60 anos...Esses rendimentos (custos de captação) estão caindo rapidamente para um nível japonês... É inconcebível que governos dignos de crédito sejam incapazes de obter retorno bem acima de seus desprezíveis custos de financiamento por meio de investimentos em capital físico e humano, sozinhos ou em associação com o setor privado...Está ficando cada vez mais claro que o mundo desenvolvido está cometendo o (mesmo) erro japonês de conter prematuramente os gastos durante uma depressão do balanço patrimonial, mas em escala mais perigosa - e muito mais globalizada (Martin Wolf, neoliberal assumido, economista e editorialista do Financial Times; 08-09) (Carta Maior; 5ª feira, 08/09/ 2011)

sábado, 30 de julho de 2011

QUÃO LONGE DO ABISMO OBAMA NOS LEVARÁ?A Câmara  dos EUA aprovou  o pacote orçamentário republicano que adicionava  pouco mais de US$ 900 bi ao teto da dívida pública dos EUA,  valor suficiente para  Obama  governar alguns meses e ficar novamente à mercê de concessões do extremismo neoliberal. Como previsto, o Senado de maioria democrata rejeitou o projeto e tem até a madrugada deste domingo para ampliar a margem de manobra fiscal do Presidente. Ainda que contorne as armadilhas montadas pelos republicanos, Obama perdeu um pedaço precioso de sua credibilidade. Para saciar o conservadorismo ortodoxo, o democrata  já estreitou de modo perverso o acesso dos idosos à saúde pública, através do Medicare.  Não teve o mesmo rigor ao comprometer as contas do Estado para salvar o sistema financeiro da crise. Espremido, comprometeu-se agora a cortar cerca de US$ 2,7 trilhões em investimentos públicos nos próximos anos, amordaçando a própria margem de manobra na campanha eleitoral de 2012. O  discurso claudicante,  a musculatura política complacente sugere alguém disposto apenas a mitigar a aplicação do receituário ortodoxo que originou a crise. Se um dia personificou a esperança numa  superação  progressista da lógica que levou o capitalismo ao seu maior colapso desde 1929, hoje é a imagem gasta da rendição. Obama até certo ponto é refém  das circunstancias. As bases operárias e socialistas que pavimentaram o New Deal nos anos 30 não existem mais. Mas já era assim há quatro anos quando disputou com a extrema direita e venceu. Desde então, de recuo em recuo, redefiniu seu espectro político fixando estacas regressivas em Guantánamo, no Afeganistão e na rendição a Wall Street. Sobretudo, porém,  trocou de interlocutores. Obama é pop. Tem mais de nove milhões de seguidores no Twiter. Fica atrás apenas de Lady Gaga e do não menos pop Justine Bieber. Mas assim como o Twiter  não faz de Gaga uma Rosa de Luxemburgo, Obama não se tornou um Roosevelt digital. Enquanto dispara apelos à mobilização virtual contra o arrocho republicano, cede na prática a essa lógica a ponto de devolver  legitimidade à agenda que havia derrotado nas urnas. Hoje, o mundo  perplexo  sabe o que o Tea Party quer e quão perto do abismo isso significa. Mas ninguém sabe ao certo o que quer Barack Obama. E a que distancia do abismo a sua tibieza nos deixará. (Carta Maior; Sábado, 30/07/ 2011)

sábado, 23 de julho de 2011

É O FUNDO DO POÇO . . .

Por Heloisa Villela, para o Viomundo, de Nova York.
Afinal, qual é o jogo politico que o presidente Obama esta tentando jogar?
Impossível entender qual é o jogo político que o Presidente Barack Obama está tentando jogar. Ele, que nas horas vagas, faz questão de jogar basquete, será que tem uma estratégia na discussão com os republicanos? Se tem, ainda não deu para entender qual é.
Pois na última sexta-feira terminou o prazo que o presidente deu à oposição para um acordo em torno do nível de endividamento do país. O teto de endividamento tem que subir, caso contrário algo não será pago. Os juros dos títulos do tesouro, as aposentadorias, os salaries dos militares mobilizados para a chamada  Guerra contra o terrorismo. Enfim, calote em algum lugar.
Aos 45 do segundo tempo os republicanos desistiram da proposta de acordo apresentada por Obama. O Presidente da Câmara, John Boehner, em uma demonstração clara de desprezo e desrepeito ao Presidente da República, não respondeu ao telefonema de Obama na quinta-feira e somente falou com o Presidente na sexta, depois de dar uma entrevista à imprensa pra dizer que a proposta do governo não era séria.
E Obama? Foi, também, dar explicações à opinião pública. Difícil é explicar como ele ofereceu tudo que ofereceu e ainda teve a proposta recusada. Uma verdadeira bofetada. Então vejamos: cortes dramáticos na rede de serviços sociais (tudo que os democratas odeiam e os republicanos amam). US$ 3,5 trilhões  em cortes de gastos nos próximos dez anos. Um aumento de impostos muito mais modesto do que no plano conjunto de senadores republicanos e democratas. E nada do fim das benesses em isenções fiscais para as empresas de petróleo e gás, que Obama tanto insistiu em incluir nas negociações.
Ou seja: tudo que os republicanos queriam. Nada do que os democratas almejavam. Risco político sério de comprometer o apoio de boa parte do eleitorado.  Obama conseguiu fazer o plano mais à direita que os republicanos poderiam sonhar em ver um democrata propor. Mas se Obama decidiu ocupar o espaço da direita e não o centro-direita como fez Bill Clinton, qual é o movimento óbvio dos republicanos?
Ficar ainda mais à direita, para se diferenciar do Presidente. E por isso mesmo, foi graças à intransigência dos radicais do Tea Party (a turma da Sara Palin), que os programas de assistência social se livraram dos cortes que Obama ofereceu, gentilmente, à oposição.
É  o velho ditado, quando mais você se abaixa… E Obama só tem feito reverência. Não chama para o confronto. Não impõe limites. A impressão que ele passa é de que quer estar acima do bem e do mal, ser o fiel da balança. O sujeito cool, que nunca levanta a voz. Mas cada vez menos a classe média, os pobres e as minorias têm dificuldade de ver, nele, um líder.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A CRISE DA DIVIDA DOS EUA

RICHARD McGREGOR,  do "FINANCIAL TIMES" - Tradução de Clara Allain.
Perto do fim de sua reunião com parlamentares na quarta-feira, Barack Obama falou em tom áspero com Eric Cantor, o líder da maioria na Câmara que vem encabeçando a posição republicana de linha dura contrária a quaisquer aumentos de receita nas discussões sobre a dívida nacional.
"Cheguei ao meu limite", disse o presidente, antes de levantar-se abruptamente e deixar a reunião, segundo relato feito pelo gabinete de Cantor. "Isto pode derrubar minha Presidência, mas não vou ceder nesta questão."
O presidente ganhou seu apelido de "no-drama Obama" (Obama sem drama) graças a sua campanha brutal para conquistar a Presidência, em 2008, e ao fato de vir administrando crises no cargo desde então. Mas sua calma foi esticada ao limite nas extremamente tensas negociações sobre o orçamento.
Uma elevação do teto de empréstimos do país é vital para pagar os juros das dívidas e manter o governo federal em operação. Se as negociações fracassarem, os EUA podem dar um calote um evento sísmico que prejudicaria ainda mais a recuperação trôpega do país e semearia o medo em uma economia global já assustada com os problemas de dívida da Europa. Se democratas e republicanos não conseguirem chegar a um acordo, isso também será um símbolo inconfundível de como um sistema político doméstico cada vez mais disfuncional não consegue mais administrar as divergências partidárias.
Para um mundo que ainda espera liderança econômica, política e diplomática dos Estados Unidos, seria um momento muito grave. "Perguntar com que cara poderia ficar a economia americana após um possível calote do Tesouro dos EUA é como perguntar 'o que você vai fazer depois de cometer suicídio?'", diz Steven Wieting, um analista do Citigroup.
Operadores influentes nos mercados financeiros já definiram os limites do que pode ser suportado; a agência de classificações Moody's ameaçou rebaixar a classificação de crédito dos EUA em função do impasse sobre o orçamento. Um calote, avisou Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, seria uma "calamidade financeira".
A última vez em que o Congresso não chegou a um acordo sobre um pacote de resgate financeiro -- em 2008, quando ele inicialmente rejeitou o programa de resgate a ativos em dificuldades, no auge da crise dos bancos -- as bolsas caíram quase 10%.
Obama vem tendo discussões diárias com líderes do Congresso na Casa Branca, tentando alcançar um acordo. Steny Hoyer, a segunda figura mais alta na hierarquia da liderança democrata na Câmara, é um dos muitos em Washington a avisar que, se as discussões fracassarem, haverá outra crise financeira pela frente.
QUAL É O PROBLEMA?
Quando Bill Clinton deixou a Casa Branca, em 2001, ele legou a George W. Bush um superávit saudável. Mas esse superávit evaporou nos oito anos seguintes, em consequência de duas guerras caras, os cortes nos impostos cobrados dos americanos mais ricos, e a recessão.
O declínio econômico agudo após a crise financeira de 2008 devastou as receitas tributárias. Um programa de estímulo de US$ 700 bilhões que Barack Obama levou o Congresso a aprovar elevou o déficit para mais de 10% do produto econômico. Hoje os Estados Unidos emprestam cerca de 40 cents por cada dólar que gastam.
Sob muitos aspectos, contudo, o déficit cíclico não passa de uma parte pequena do problema. O problema real ainda está por vir, mais à frente na década, quando a população nacional em

terça-feira, 28 de junho de 2011

ENTRE O NOVO E O VELHO MUNDO

Reação e contra reação hegemônica Os EUA enfrentam gradual perda de espaços estratégicos, proporcionais a sua crise e à vitalidade das “novas nações”. Mesmo que lenta, e até negada pelos que discordam da hipótese do declínio, esta redução é concreta, caracterizada por um avanço das nações emergentes em alianças de geometria variável, organizações internacionais governamentais e em zonas de influência tradicionais do Ocidente com a América Latina e África.
Cristina Soreanu Pecequilo, na Carta Maior -  Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP.
Enquanto a sociedade norte-americana e a europeia continuam dando sinais de desgaste, os emergentes ocupam espaços econômicos e políticos. Neste cenário destacam-se a eleição de José Graziano da Silva como chefe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a presença de Lula como chefe da Missão Diplomática na África para a 17ª Assembléia da União Africana, a inclusão da África do Sul nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), dentre outros. Com isso, os Estados Unidos enfrentam gradual perda de espaços estratégicos, proporcionais a sua crise e à vitalidade das “novas nações”.
Mesmo que lenta, e até negada pelos que discordam das hipóteses do declínio, esta redução de projeção e de eficiência é concreta, caracterizada por um avanço gradual das nações emergentes em alianças de geometria variável, organizações internacionais governamentais e em zonas de influência tradicionais do ocidente com a América Latina e África. No Oriente Médio observam-se as Primaveras Árabes e a dificuldade em sustentar no poder regimes aliados autoritários, controlar as transições posteriores depois da queda destes aliados e, em países não aliados, acelerar as movimentações populares para recuperar espaços como na Líbia ou na Síria. Independente do desfecho que venha a ter a situação de Kadafi na Líbia, incluindo o recente mandato para sua prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, é patente a dificuldade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Desde a autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas (em votação na qual os emergentes se abstiveram, Brasil, Rússia, Índia e China, ao lado da Alemanha), a OTAN tem bombardeado fortemente o território líbio, sem solução decisiva, subestimando a resistência do regime vigente.
Frente a esta realidade, desde a morte de Osama Bin Laden em maio de 2011, o Presidente Barack Obama tem empreendido uma significativa ofensiva externa, acompanhado pela Secretária de Estado Hillary Clinton. Tal ofensiva, além de representar um reposicionamento tático da administração democrata visando ocupar espaços internos diante da fragmentada

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ORTODOXIA TREME

OBAMA QUER UM BANCO  ESTATAL  COMO O BNDES - Diante de uma crise que não cede, mesmo depois de o governo despejar US$ 1,3 trilhão no metabolismo dos mercados, retidos, em boa parte, nos cofres da banca privada --que prefere investir em títulos públicos ou especular nas bolsas de commodities a financiar a demanda e o  investimento-- o presidente Barack Obama cogita agora criar um banco de desenvolvimento estatal, semelhante ao BNDES brasileiro. A intenção é ter uma ferramenta contracíclica, induzindo investimentos em infraesterutura para injetar algum oxigênio à atividade econômica. A crise e sua longa convalescência evidenciaram o custo elevado do desmonte do aparato público promovido por três décadas de neoliberalismo nos EUA, iniciado com Reagan, em 1981, passando por Clinton nos anos 90 até o seu esfarelamento completo com Bush. Em 2007/2008, quando os mercados entraram em parafuso com a crise das sub-primes, o governo não dispunha de mecanismos para se contrapor à lógica pró-cíclica, sobretudo das finanças, que agem como manada, exacerbando períodos de alta e agravando as dinâmicas recessivas. A reação de Obama , algo tardia, mas sobretudo amesquinhada pela resistência republicana que deseja impor limite acanhados à instituição - no ano passado, por exemplo,  o BNDES concedeu US$ 96,32 bilhões em empréstimos, 3 vezes mais que o BID  controlado pelos EUA, com US$ 28,8 bi-- traz importantes lições ao Brasil. Um dos maiores acertos do governo Lula foi ter preservado e expandido o fôlego do sistema financeiro público que permitiu ao país resistir e reverter a espiral recessiva  e voltar a crescer. Entre 2008 e 2010, quando a banca privada deixou o país na mão criando uma crise de crédito, o BNDES  aumentou sua fatia no financiamento produtivo  de 9,4% para 22,5%  O dispositivo midiático demotucano fez fogo e criticou as tendências estatizantes do empréstimo público subsidiado (a taxa de juro do BNDES é de 6% contra Selic de 12,25%). A intenção de Obama agora  reafirma a relevancia desse ferramental num mundo onde nações se tornam reféns da incerteza financeira, que imobiliza governos e partidos desprovidos de instrumentos para enfrentá-la.  Os textos inéditos de Luiz Gonzaga Belluzzo publicados nesta pág. explicam a natureza centralizadora do sistema financeiro no capitalismo. Seu poder estrutural de 'coordenar' a economia não pode ficar subordinado à lógica privada. (Carta Maior; 2º feira,13/06/ 2011)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

DEU NO NEW YORK TIMES

OBAMA BOMBARDEIA O IÊMEN - EUA realizam bombardeios secretos contra insurgentes no Iêmen em defesa do ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, que luta para permanecer no poder. Os bombardeios ocorrem no momento em que Abdullah Saleh encontra-se refugiado  na Arábia Saudita,  após ser ferido em um ataque rebelde ao palácio presidencial.  Enquanto as bombas 'democráticas' despencam sobre o Iêmen, Obama & Hillary emitem ameaças contra a ditadura Líbia... (Carta Maior; 5º feira, 09/06/ 2011)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

É MEDO MESMO

Não existe coragem nas atitudes de Obama. É medo mesmo.
Antes era só na Africa. Aí chegou no Oriente Médio. Foi se espalhando até a Síria. Aí aconteceu o que ninguém imaginava, começou a chegar em Israel (de fora pra dentro, é verdade, mas chegou), chegou na Espanha (e como chegou), já está indo para Portugal, não demora, chega nas terras da rainha e já está embrionário no Wisconsin.
Como disse aquele assessor do Clinton: “É a economia, estúpido”. A onda de rebeliões populares se alastra sem controle pelo mundo e começa a bafejar a América. Ou Obama começa a mostrar serviço pra valer ou vai ver o pessoal acampar no Lincoln Memorial e invadir o Capitólio.
Aí, sai de baixo….
Deixa eu ver se eu entendi: O país dominado pelos judeus dando ultimato ao país judeu?
A única parte que eu entendi, sem dúvida, foi a de “desmilitarizar” a Palestina. Tipo a campanha do desarmamento no Brasil que só tira a arma do cidadão… Bandido mandando bandido se comportar. 2012, vem logo, que esse mundo tem que acabar!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

TÁI ISSO EU QUERO VÊ

Obama muda tom e diz que Estado palestino deve ter fronteiras de 1967.

FotoPRESIDENTE DOS EUA, BARACK OBAMA
Mudando o tom em relação a pronunciamentos anteriores, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta quinta (19) que um futuro Estado palestino deve ser baseado nas fronteiras existentes antes do conflito de 1967 – reivindicação feita pelos palestinos e rejeitada por Israel. “Os Estados Unidos acreditam que as negociações devem resultar em dois Estados, com fronteiras palestinas permanentes com Israel, Jordânia e Egito e fronteiras israelenses permanentes com a Palestina”, afirmou. “As fronteiras entre Israel e Palestina devem ser baseadas no traçado de 1967, com trocas acordadas mutuamente, para que fronteiras seguras e reconhecidas sejam estabelecidas para ambos os lados”, disse. Segundo analistas, as declarações marcam uma mudança na política dos Estados Unidos, que até então costumavam afirmar apenas que “os palestinos desejam” um Estado com as fronteiras de 1967, e agora parecem manifestar apoio a essa reivindicação.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

CRÔNICA DE UMA VISITA ANUNCIADA

Obama vem ao Brasil para acertar maneiras de diminuir o prejuízo que os EUA têm acumulado no Continente Americano por conta de uma política desastrosa, pavimentada por governos anteriores, mas que ele mesmo ainda não mostrou sinais de que irá reverter.
Antonio Lassance, da Carta Maior.
Obama vem ao Brasil: e daí? O que isso significa? O que vem ele fazer por aqui? Encontrar-se com nossa presidenta, Dilma Rousseff, proferir discursos (um dos esportes favoritos de Obama), acenar boas intenções, distribuir sorrisos, visitar comunidades. Quem sabe, vestir a camisa de algum de nossos times de futebol, ou da Seleção Brasileira, e declarar seu amor pelo Brasil. Tudo isso faz parte de uma obrigação para a qual os presidentes são especialistas, ou são treinados a aprender rapidamente: a arte de namorar a opinião pública.
Mas Obama vem fazer, sobretudo, diplomacia presidencial. Diplomacia presidencial é quando um presidente, ou presidenta, em consonância com sua política externa, entra em campo e joga o jogo em meio a seus diplomatas, claro que com destaque especial. Algo parecido com o que Zico fazia no Sumimoto, time japonês que depois ganharia o nome de Kashima Antlers.
Tal diplomacia é própria de países presidencialistas e que dão grande importância às suas relações internacionais. É o caso dos EUA, a ponto de alguns especialistas dizerem que a Presidência daquele país são duas: uma para a política interna, outra para a política externa. Os presidentes se dedicam diretamente não só a acompanhar, como a orientar e direcionar o rumo de seus agentes diplomáticos, em apoio a sua própria atuação.
Nos EUA, a política externa é um assunto extremamente politizado, por uma razão muito simples: ela implica em gastos que serão pagos pelos contribuintes, em ações que terão consequências diretas e drásticas para os cidadãos (principalmente quando eles são mandados para guerras) e podem também render inúmeros benefícios: acordos comerciais, abertura de oportunidades em países estrangeiros, dentre tantos outros. O assunto é objeto de debates apaixonados e calorosos, de divergências explícitas, mas também de um alto grau de consenso nas comissões ativas no Congresso. A diplomacia faz parte da atuação de cada integrante do governo, seja ele qual for. O Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, esteve no Brasil em fevereiro deste ano e tratou até do desejo dos EUA de venderem caças para a FAB. Pode um negócio desses? Para os EUA, não só pode como deve.
O Brasil começou a trilhar os passos de uma diplomacia presidencial mais proeminente com o Presidente Lula, e tem tudo para avançar durante o governo Dilma. Mais uma vez, cabe o “nunca antes na história desse país”.
Mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso, que anteriormente havia sido chanceler, embora tenha intensificado o ritmo das viagens internacionais (foi quando ele ganhou o apelido de “Viajando Henrique Cardoso”), manteve um padrão recuado de atividade diplomática direta. Suas visitas eram eminentemente protocolares e cerimoniosas. Sua agenda presidencial interna era consumida pelo foco na política de equilíbrio fiscal, marcada também pela gestão de sucessivas crises econômicas e políticas - um período que muitos teimam em caracterizar, apologeticamente, como de “estabilidade”.
Imperava a concepção segundo a qual os esforços do Brasil deveriam se concentrar, após a conquista da estabilidade, em incluir o País no G-7 (o grupo das sete maiores economias do globo). Quando isso acontecesse, o Brasil alcançaria naturalmente destaque entre as grandes potências. Assim está declarado pelo próprio FHC em seu no livro de memórias.
As chances de FHC eram ainda mais diminutas tendo em vista que sua política externa era obsessivamente voltada para os Estados Unidos, que não davam ao Brasil a mínima importância. Foi um caso clássico de amor não correspondido. Menos mal que tal postura fosse um padrão para toda a América do Sul, numa fase apelidada pelos estudiosos como de “déficit de atenção”. Ainda hoje, o feito considerado mais emblemático da diplomacia presidencial de FHC é o de ter virado amigo de Bill Clinton, com direito a tomar refrigerante na Casa Branca. Ah, sim, quase ia me esquecendo: e eles conversaram sem a necessidade de tradutor.
A visita de Obama, ao contrário, deveria servir como uma oportunidade para se perceber o quanto um presidente é importante para a política externa de seu país. Trata-se de um daqueles óbvios ululantes de Nélson Rodrigues, segundo o qual, de tão óbvios, corre-se o sério risco de não lhes dar a devida atenção.
Os presidentes fazem muita diferença na política externa. É para isso que as pessoas os elegem: para que cumpram o preceito constitucional de serem os responsáveis por conduzir as relações exteriores, o que requer direcionar sua burocracia diplomática e apoiá-la. No Brasil, há quem defenda que a diplomacia brasileira é assunto técnico. Algo paradoxal, dado que a natureza política está escrita na carteira de identidade da "Política" Externa. Por aqui também estamos cada vez mais acostumados a saber que técnico é quem manda no time e, de vez em quando, fica às margens do campo berrando no ouvido de seus jogadores. Se as viúvas do tradicionalismo em política externa estivessem hoje novamente em campo, teriam que aguentar em seus ouvidos algo como “é a política, estúpido”.
O Brasil vive um novo momento. Abriu espaços consideráveis no cenário internacional. Tal protagonismo é benéfico para os esforços de paz, a diminuição da assimetria econômica entre os países, a prevalência do diálogo, em relação às sanções e retaliações.
É certo que boa parte da festa da vinda de Obama já está sendo comemorada pelos que insistem em manter a “lanterna na popa” (para lembrar um defensor incondicional dos EUA no Brasil, Roberto Campos). Muitos ainda não percebem que os EUA estão lutando para não ficar para trás, com o avanço da China. Ficar para trás é algo que já aconteceu para os EUA no Brasil, desde que a China se tornou nossa principal parceira comercial. De sobra, os yankees desgastaram seus canais de interlocução ao patrocinar golpes ou financiar oposições golpistas em países da América Latina (do mesmo jeito como fizeram no Brasil, nos anos 60). Além disso, como lembrou Lula recentemente, os EUA “terceirizaram” sua política externa neste continente, deixando-a a cargo de uma diplomacia subalterna e despreparada, cujo nível foi exposto pelos vazamentos de informações do Wikileaks.
Obama vem ao Brasil ciente desse contexto. É disso que se trata. Ele vem para acertar maneiras de diminuir o prejuízo que os EUA têm acumulado por conta de uma política desastrosa, pavimentada por governos anteriores, mas que ele mesmo ainda não mostrou sinais de que irá reverter.
Obama será recebido no Brasil com a cordialidade que só Sérgio Buarque de Hollanda seria capaz de nos explicar. Ele é bem vindo em um país em que todos são bem vindos, diferentemente do que acontece nos EUA, dada sua atual política imigratória. Ele será tratado como um governante que precisa ser respeitado por representar seu povo, que tem méritos como o de ter declarado, antes mesmo da Revolução Francesa, que todas as pessoas são livres e iguais, e de ter firmado uma das democracia mais inovadoras, no século XIX, principalmente durante a presidência de Andrew Jackson.
A cordialidade brasileira, embora seja a mesma que Lula dispensou a Bush, já tem sido levada à praça da apoteose como um desfile para marcar que a fase de atrito entre Brasil e EUA é página virada. Pode ser que sim. O que não se diz é que o atrito faz parte do jogo de uma política internacional soberana. Portanto, a melhoria da relação entre os dois países depende da diminuição dos pontos de atrito. A mudança de postura do Brasil depende de uma mudança de postura dos EUA, no sentido de diminuir suas barreiras comerciais, deixar de promover a instabilidade política no mundo inteiro e de promover a valorização do dólar, política com a qual temos sido pacientes, ou, por que não dizer, coniventes.
Os que são acometidos pelo complexo de vira-latas (para lembrar Nélson Rodrigues mais uma vez) vão se comportar, claro, como cachorro em frente ao açougue. Os adeptos da política de “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil” já devem ter pré-fabricados seus comentários sobre o sucesso da visita e sobre as diferenças em relação ao governo Lula. Já percebemos seu empenho na tentativa de desconstruir a imagem de Lula e diferenciá-lo do governo Dilma. Mesmo a emblemática visita da presidenta à Argentina, reafirmando os fundamentos de oito anos de política externa brasileira, parece não ter importado aos olhos e ouvidos dos que têm por estratégia descolar a presidenta de tudo o que ela representa, de modo a esvaziar o capital político que foi decisivo em sua campanha eleitoral (o discurso da continuidade das mudanças).
Sejamos sempre cordiais, mas tenhamos clareza do jogo que está sendo jogado.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O FARAÓ, CAMELOS E O FACEBOOK

Os cientistas e acadêmicos ocidentais, seguidos apressadamente pela mídia, sempre declararam a inexistência de uma “opinião pública” no Mundo Árabe. Mesmo no Egito, onde uma poderosa elite e uma importante classe média bem educada, falante de inglês, possuem raízes profundas, era negada qualquer possibilidade de existência de uma “sociedade civil”.

Os últimos acontecimentos no Egito, em especial os últimos 18 dias entre 25 de janeiro e 11 de fevereiro colocam por terra algumas teses tradicionais das ciências políticas e da percepção política e social do Mundo Árabe pela opinião pública ocidental. A tese, velha da Guerra Fria, sobre a pretensa “excepcionalidade árabe”, da sua incapacidade para a democracia e, portanto, a aceitação alegre, pelo Ocidente, de todo tipo de ditadura pós-colonial (claro, sendo pró–ocidental). Da mesma forma, a crença na inexistência de uma opinião pública no mundo árabe, explicaria a ausência de democracia. Ambas as teses devem, agora, ser severamente revistas.
O Egito de Hosni Mubarak.O Egito é um país central para o mundo árabe, para os muçulmanos em geral e para o equilíbrio no Oriente Médio e no Mediterrâneo. Os últimos dados confiáveis – já que o censo demográfico, e conseqüentemente o acesso à condição de eleitor, é um dado secreto, só sabido pelas forças de segurança – dão ao país pouco mais de 80 milhões de habitantes, extremamente concentrados no Cairo e na longa e estreita faixa fértil ao longo do Nilo. Isso faz do Egito o país árabe mais populoso do mundo (o país muçulmano mais populoso é a Indonésia, logo seguida do Paquistão, países não-árabes). Ao mesmo tempo a população egípcia é extremamente jovem. Cerca de 33% de todos os egípcios possuem menos 15 anos de idade e a média nacional de idade é de 24 anos.
Temos aqui um primeiro dado que ilumina profundamente a revolta, e a conseqüente revolução, no país: a extrema juventude da população, a maioria nascida quando Mubarak já era o raís – o líder e chefe – do Egito. Estes jovens não são contemporâneos da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e da Guerra do Yom Kippur, de 1973, nas quais Hosni Mubarak conquistou suma fama de defensor da pátria. É em verdade uma juventude marcada pela presença da globalização, dos meios eletrônicos e da busca de uma boa carreira profissional e um padrão de vida melhor (a média salarial egípcia está em torno de 100 euros mensais).
Contudo as vantagens param por aí: apenas 71% desta imensa população é alfabetizada, sendo que entre as mulheres apenas 59% delas podem ler e escrever. Tal restrição não decorre, como rapidamente poder-se-ia dizer no Ocidente, do Islã. Muitas mulheres egípcias ocupam postos importantes na universidade, nos hospitais e nas escolas. Trata-se, em verdade, de deficiência do regime.
As reformas falhadas.A economia egípcia depende de uma agricultura tradicional, centrada na produção de algodão, arroz, trigo aos quais se soma a indústria têxtil e a exploração do petróleo, apenas relevante. Contudo o turismo e os direitos decorrentes do trânsito do Canal de Suez geram grande parte da riqueza do país e o fato de serem atividades diretamente controladas pelo Estado são, também, fontes da ampla corrupção e do enriquecimento ilícito da elite mantida pelo regime de Mubarak.
Mubarak buscou, desde a crise de 2008, “abrir” o país aos investimentos e aos capitais estrangeiros, nomeando um ministério de tecnocratas altamente influenciados por um impiedoso neoliberalismo tardio. Os resultados foram catastróficos. O deficit público atingiu 8% do PIB e o desemprego espraiou-se por toda a população, atingido quase 10% da população ativa do país, enquanto a inflação saltava para 12% ao ano. Assim, somava-se à ausência de democracia e a imposição do espetáculo da corrupção das elites, a pobreza crescente das populações. Não é de estranhar que o primeiro egípcio a se imolar contra o regime Mubarak fosse um desempregado.
O Egito é, ainda, um dos mais importantes parceiros na “ajuda” militar dos Estados Unidos, logo abaixo de Israel e pouco antes da Colômbia. A grande parceria entre Estados Unidos e Egito emergiu quando Anwar Al-Sadat (o sucessor de Gamal Abdel Nasser e que governou entre 1970 e 1981) rompeu as tradicionais relações com a então URSS, em 1972, expulsou milhares técnicos e militares russos, e voltou-se para o Ocidente. Em troca de uma política externa “aceitável” para o Ocidente – ou seja, garantia de segurança para Israel, manutenção da liberdade de navegação no Canal de Suez e fechamento do acesso aos palestinos na região de Gaza – os EUA mantêm as FFAA do país em alto nível de desempenho e com o equipamento necessário para dar aos militares egípcios o sentimento de superioridade e segurança no Mundo Árabe.
A elite militar.O país, contudo, gasta 3.4% do seu PIB de U$ 500 bilhões com os militares, que formaram ao longo dos trinta anos de regime Mubarak (1981-2011), uma elite muito acima dos níveis sociais do conjunto da nação. O próprio marechal Mohamed Hussein Tantawi, de 75 anos, que acumulava o ministério da defesa e a chefia das FFAA e agora é o chefe do Conselho Supremo que governa o

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O ETANOL INVADIRÁ OS ESTADOS UNIDOS?

Por Carlos Chagas
A vinda de Barak Obama ao Brasil, em março, faz acender luzes de euforia no palácio do Planalto mas gera cones de sombra na Petrobrás. Porque o presidente dos Estados Unidos,  se não mudar de idéia, deverá propor monumental exportação do nosso etanol para o seu país.
Pretende, de início em cinco estados americanos, adicionar etanol  à gasolina   e ver se seus patrícios aceitam a mistura. Dando certo a operação, importará tudo o que pudermos produzir, até levantando certas barreiras alfandegárias  hoje existentes por lá.
Claro que Obama exigirá compensações, a maior delas que as montadoras americanas instaladas em nosso território venham a ser aquinhoadas  com facilidades, benefícios e incentivos  maiores do que os já existentes, de forma a triplicarem  sua produção de veículos, para grande exportação.  A azeitona na empada será o aumento de empregos no Brasil. É possível que a pimenta envolva a compra dos caças F-18.
A superprodução de etanol fará a alegria dos usineiros,   mas já começa a ser vista de soslaio pela Petrobrás, interessada em concentrar os esforços nacionais no pré-sal e temerosa de que o governo possa entregar  toda  a   energia não poluente à  Eletrobrás.
De qualquer forma, é bom não contar com o ovo enquanto na barriga da galinha. O cartel internacional do petróleo é poderoso e não quer ouvir falar do ingresso maciço do etanol no seu quintal.
TERCEIRIZAÇÕES EXAGERADAS.
Pode ser  que o governo volte suas atenções para o exagero das terceirizações, que se eliminaram encargos trabalhistas  na administração direta e nas empresas estatais, vem servindo para penalizar trabalhadores de todas as categorias, além de enriquecer  ilicitamente grupos e pessoas empenhadas em tirar  tudo do governo e repassar muito pouco para os contratados. Essa observação vale para as mais variadas atividades, desde serviços de limpeza e de segurança em órgãos públicos à prestação de serviços de imprensa e construção de imagem em ministérios.  Até a Polícia Federal vale-se desse expediente:  nos aeroportos e repartições de contato com o público, trabalham funcionários terceirizados,  sem garantia de emprego e mal   remunerados.  O exagero também atinge, e muito, os poderes Legislativo e Judiciário, tendo se espalhado pelos estados e municípios. Continuando as coisas como vão, logo pensarão em terceirizar as forças armadas.
FALTA UM PROJETO ESTRATÉGICO.
A menos que o ministro Moreira Franco se encontre  trabalhando em silêncio, falta ao governo Dilma Rousseff um projeto  estratégico.  Para onde vamos? Que metas e objetivos essenciais estão sendo traçados, além da extinção da pobreza absoluta e da miséria? Qual nosso papel no continente e no mundo desenvolvido a que aspiramos? O poder nacional, onde anda?
No governo Lula a tarefa foi entregue a  Mangabeira Unger, que começou a trabalhar nesse sentido mas estranhamente demitiu-se antes de completar um ano no cargo de ministro  de Assuntos Estratégicos. Talvez tenha reagido à superposição de tarefas.
TODOS  NA ENCOLHA.
Pela primeira vez em muitas décadas e variados governos, deixamos de assistir ministros batendo cabeça e disputando no tapa as atenções da mídia e da opinião pública. Andam todos na encolha, preferindo ocultar-se e deixando de divulgar planos, projetos e realizações. É de supor-se que se encontrem trabalhando e produzindo, mas estranhamente escondem-se no fundo de seus gabinetes. Não deve ser por  descaso da mídia, sempre ávida por   notícias. Pelo jeito, o ministério anda temeroso  de desagradar e por isso não agrada. Some.
Para decifrar o enigma,  há uma chave com nome próprio. Chama-se Dilma Rousseff. A turma tem medo dela, que em poucos dias de governo desautorizou Guido Mantega, o general José Elito Siqueira, Mirian Belquior, Fernando Haddad  e Nelson Jobim.
De lá para cá, nem eles nem ninguém mais abre  a boca.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

OBAMA SOB FOGO INTENSO

Começa na próxima semana o embate entre a maioria republicana do Congresso e o governo Barack Obama. Os republicanos assumiram o comando da Câmara ontem e chegaram dispostos, nas suas palavras, ' a desfazer tudo o que Obama fez nos últimos anos, a começar pela reforma do sistema de saúde, alvo da ofensiva neoconservadora a partir da próxima 2º feira. Muitos dos 242 congressistas republicanos (os democratas somam 193 cadeiras) inspiram-se nos preceitos do rastejante conservadorismo vocalizado pelo Tea Party. Para esse núcleo duro da direita norte-americana, Obama é comunista e seu governo está suprimindo o espaço de livre arbítrio dos cidadãos da  América. Por exemplo, ao propugnar que todos tem direito a um serviço de assistência de saúde e que o conjunto da sociedade, sobretudo os endinheirados, devem bancar o acesso dos mais pobres a essa prerrogativa. A repulsa anti-social dos neocons gringos lembra o comportamento de uma certa coalizão política  em relação aos programas sociais do governo Lula. Puro ódio de classe. (Carta Maior; Quarta-feira, 05/01/2011)

sábado, 11 de dezembro de 2010

OBAMA E LULA

A perda rápida de prestigio de Obama revela duas coisas: a primeira é que se pode ganhar eleição centrado no marketing, mas não se pode governar centrado no marketing. A segunda é que não se muda a mentalidade conservadora, forjada durante décadas, em uma campanha eleitoral, embora se possa avançar nessa direção, contanto que esses avanços sejam consolidados por politicas governamentais.
Apesar do enorme apoio popular e mesmo dos meios de comunicação e do apoio irrisório com que contava Bush no momento das eleições, Obama venceu por uma margem pequena de votos – 4%. O que refletia a enorme virada conservadora que os EUA tinham sofrido várias décadas antes – desde a vitória de Nixon, em 1968, apelando para a chamada “maioria silenciosa”. Não apenas a opinião publica deu uma virada conservadora, como as estruturas de poder – da Justiça à educação – que passaram, por sua vez, a consolidar um pensamento de direita no conjunto da sociedade.
Na presidência, Obama não se mostrou à altura das suas promessas. Salvou o sistema bancário, com a ilusão de que este salvaria o país e deixou abandonadas as vítimas principais da crise: os desempregados e os devedores das hipotecas bancárias. Na politica externa, mudou a linguagem, mas não os pontos essenciais da estratégia imperial: Cuba, Guantanamo, Iraque, Afeganistão.
Foi penalizado, à esquerda – com a abstenção e a desilusão – e à direita – com forte mobilização conservadora – e perdeu a maioria eleitoral, ficou em minoria na Câmara, terminando penosamente sua lua-de-mel com o eleitorado.
O marketing tinha possibilitado sua vitória, mas ela não se consolidou com política que se enfrentasse à hegemonia conservadora na sociedade, mesmo dispondo da crise social para demonstrar politicas distintas de enfrentamento da crise.
No Brasil, ao contrário, o marketing eleitoral foi positivo, porque se assentava em um governo enraizado fortemente nas camadas majoritárias da população, beneficiárias das politicas sociais. A comparação entre os governos FHC e Lula era inquestionavelmente favorável a este, em todos os níveis. Daí que a oposição buscou um atalho para chegar a setores da população através da exploração de preconceitos de caráter religioso. A retomada da esfera politica como essencial, determinou finalmente a vitória de Dilma.
A diferença entre Lula e Obama é que, com o primeiro, o marketing está apoiado em medidas concretas de um governo de caráter popular, cujas políticas defenderam os direitos da população durante a crise e estendem esses direitos com seu modelo econômico e social. Por isso Lula saiu vitorioso e Obama foi derrotado. Lula fortaleceu os bancos públicos para combater a crise, enquanto Obama confiou em que a recuperação dos bancos privados em crise alavancaria a recuperação da economia, se equivocou e foi derrotado.
Uma imagem eleitoral pode ser construída tecnicamente, porém só se sustenta se estiver apoiada em um governo e em uma liderança sólida e coerente politicamente.

domingo, 8 de agosto de 2010

DE FIDEL, PARA OBAMA

Fidel pede a Obama que evite a guerra nuclear.
Fidel disse que Obama tem a única oportunidade real de paz no mundo.
No último dia 3 de agosto, Fidel Castro escreveu uma CARTA ABERTA a Barack Obama, na qual reagiu ao anúncio feito pelo almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, feito três dias antes, de que aquele país tinha pronto UM PLANO DE ATAQUE MILITAR AO IRÃ.
Na carta, Fidel expõe uma situação de conflito global com ameaças sérias à sobrevivência do planeta e conclamou o presidente dos Estados Unidos a conter o iminente desastre, já que “está em suas mãos oferecer à humanidade a única possibilidade real de paz.”
Fidel trata das questões ambientais e se aprofunda no desastre da Bristish Petroleum no Golfo do México para questionar uma sociedade movida pelo consumo que destrói o planeta, e afirma que “evitar a antecipação do apocalipse exige questionar os mitos da modernidade –como mercado, desenvolvimento, estado uninacional-, todos eles baseados na razão instrumental.”
Fidel disse que Obama tem a única oportunidade real de paz no mundo.
Com diversas fontes de informação, quase todas públicas, Fidel traça um mosaico vertiginoso, que desemboca na questão iraniana e nos riscos que ela traz de uma nova conflagração global de proporções apocalípticas. O líder cubano faz uma escalada de notícias, que no que se refere aos conflitos bélicos começa no dia 29 de julho, quando a Agência France Press (AFP) informa o “jamais imaginado”: Osama Bin Laden era um homem do serviço de inteligência dos EUA. “…Osama Bin Laden aparece nos informes secretos publicados pela Wikileaks como um agente ativo, presente e prestigiado por seus homens na zona afegã-paquistanesa”.
Escreve Fidel: No dia 29 de julho, prossegue Fidel, “foi publicada a foto de um jovem americano de 22 anos, Bradley Manning, analista de inteligência, que entregou ao site Wikileaks 240 mil documentos secretos. Não foi falado de sua culpa ou inocência. Não poderão lhe tocar um fio entretanto. Os integrantes da Wikileaks juraram mostrar a verdade ao mundo.”
“Era sabido que, na luta dos afegãos contra a ocupação soviética do Afeganistão, Osama cooperou com os EUA, mas o mundo supunha que em sua luta contra a invasão estrangeira, aceitou o apoio dos EUA e da OTAN como uma necessidade e que, uma vez libertado o país, rechaçava a ingerência estrangeira, criando a organização AL Qaeda para combater os EUA. Muitos países, Cuba entre eles, condenam seus métodos terroristas que não excluem a morte de incontáveis vítimas inocentes. Qual seria agora a surpresa da opinião mundial ao saber que a Al Qaeda era uma criação do governo americano? Foi a justificativa para a guerra contra os talibãs no Afeganistão e um dos motivos, entre outros, para a posterior invasão e ocupação do Iraque pelas forças militares dos EUA. Dois países onde milhares de jovens americanos foram mortos e um grande número deles foi mutilado. Entre ambos, mais de 50 mil soldados americanos estão comprometidos por tempo indefinido, e junto a eles, integrantes das unidades da organização bélica da OTAN e outros aliados, como Austrália e Coréia do Sul.”
Em 30 de julho, a AFP publica: “A República Popular da China ‘desaprova as sanções unilaterais’ adotadas pela União Europeia conta o Irã, declarou hoje o porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu”. Do mesmo modo, a Rússia protestou energicamente contra as sanções.
Ainda em 30 de julho, outra notícia da AFP informa que o ministro de defesa de Israel declarou: “As sanções que a ONU impôs ao Irã […] não os farão suspender suas atividades de enriquecimento de urânio em busca da bomba atômica.”
Em 1º de agosto, um telegrama da AFP informa que “um alto chefe militar dos Guardiões da Revolução advertiu, hoje, aos EUA, contra um possível ataque ao Irã”.
“Israel não descartou uma ação militar contra o Irã para deter seu programa nuclear”.
“A comunidade internacional, encabeçada por Washington, intensificou recentemente sua pressão sobre o Irã, acusado de tentar obter a arma nuclear com o encobertamento do programa nuclear civil”.
“As afirmações de Javani precederam uma declaração do chefe de estado maior americano, Michael Mullen, que assegurou este domingo que um plano de ataque dos EUA contra o Irã está previsto para impedir que Teerã obtenha a arma nuclear”.
Em 2 de agosto, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad desafiou Obama para um conversa frente a frente, perante os meios de comunicação, para tratar das questões mundiais. “Mas o presidente Ahmadinejad advertiu que o diálogo deverá ser baseado no respeito mútuo”.
“Se acreditam que podem balançar um bastão e nos dizer que devemos aceitar tudo o que dizem, isso não acontecerá. As potências ocidentais ‘não entendem que as coisas mudaram no mundo, acrescentou”.
Fidel afirma que os iranianos declararam que dispararão 100 foguetes contra cada um dos barcos americanos e de Israel que bloquearem o Irã. “De modo que, quando Obama der a ordem de cumprir a Resolução do Conselho de Segurança, estará decretando o naufrágio de todos os navios de guerra americanos naquela zona. Uma decisão tão dramática nunca recaiu sobre nenhum presidente dos EUA. Devo prevê-lo”, escreveu.
Nesse momento, Fidel se dirige diretamente a Obama com o pedido para que evite o conflito:
“O senhor deve saber que está em suas mão oferecer à humanidade a única possibilidade real de paz. Somente em uma ocasião o senhor poderá lançar mão de suas prerrogativas ao dar a ordem de disparar.
É possível que depois, a partir desta traumática experiência, se encontrem soluções que não nos conduzam outra vez a esta apocalíptica situação. Todos em seu país, inclusive seus piores adversários de esquerda ou de direita, com segurança lhe agradecerão, e também o povo dos EUA, que não é em absoluto culpado pela situação criada.
Solicito-lhe que se digne a escutar este apelo que em nome do povo de Cuba transmito-lhe.
Compreendo que não se pode esperar, nem você daria nunca, uma resposta rápida. Pense bem, consulte seus especialistas, peça opinião sobre o assunto a seus mais poderosos aliados e adversários internacionais.
Não me interessam honrarias nem glórias. Faça-o!
O mundo poderá libertar-se realmente das armas nucleares e também das convencionais.
A pior de todas as variantes será a guerra nuclear, que é já virtualmente inevitável.
Evite-a!”

sábado, 29 de maio de 2010

JOGA Á TOALHA, OBAMA.

BP falha mais uma vez em contenção do vazamento no golfo do México.
Mais um desastre ambiental causado pelos EUA que fatalmente atingirá toda a Humanidade e a Hilary Clinton ainda vem dizer que o acordo com o Irã é que é perigoso? Me poupe.
As dimensões desse desastre serão piores que os da bomba atómica, pois vão contaminar todos os oceanos, matando fauna e flora marítima.
É impressionante a incompetência dos engenheiros envolvidos nessa operação!Está vazando petróleo porque existe pressão do óleo de baixo para cima, então façam um favor: Perfurem novo furo (Poço 2) cerca de 500 metros do furo (Poço 1) que esta a vazar, com a devida válvula instalada, nesta altura fecha-se o primeiro poço, que não oporá resistência porque a pressão será aliviada pelo segundo poço colocando uma nova sonda por onde o óleo possa subir e ser explorado como vinha acontecendo anteriormente, toda a pressão do óleo vai sair pela nova sonda, instalem uma nova plataforma no mesmo local daquela que afundou e resolvam isso.

sábado, 22 de maio de 2010

É A CONTA-GOTAS.

                                      
E então, Mr. Obama, sua carta não vale mais?
“Obama disse em carta a Lula que acordo com Irã criaria confiança”. A agência inglesa Reuters afirma que teve acesso a trechos da correspondência do presidente norte-americano e que, neles, os termos exigidos pelos EUA para reabrirem negociações com o país islâmico são os mesmos que foram aceitos no acordo deste com Brasil e Turquia.
Trancrevo o despacho da Reuters, literalmente:
“Nela (na carta), Obama retoma os termos do acordo que o Grupo de Viena havia proposto no ano passado, cujos principais elementos constam no acerto entre Brasil, Turquia e Irã”Do nosso ponto de vista, uma decisão do Irã de enviar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para fora do país geraria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano” de LEU (urânio levemente enriquecido na sigla em inglês), diz Obama, segundo trechos obtidos da carta.”(…)
“O Irã continua a rejeitar a proposta da AIEA e insiste em reter seu urânio de baixo enriquecimento em seu próprio território até a entrega do combustível nuclear”, afirmou Obama na carta.
Segundo a Declaração de Teerã, “a República Islâmica do Irã expressa estar pronta a depositar seu LEU dentro de um mês”.
Obama manifestava, ainda na carta, preocupação com a possibilidade de o Irã acumular, no prazo de um ano, estoque necessário para construir “duas ou três armas nucleares”.
“Para iniciar um processo diplomático construtivo, o Irã precisa transmitir à AIEA um compromisso construtivo de engajamento, através dos canais oficiais, algo que não foi feito até o momento. No meio tempo, insistiremos na aprovação de sanções.”
A Declaração de Teerã deixa claro, ainda, que o acordo para a “troca de combustível nuclear é um ponto de partida para o começo da cooperação e um passo positivo e construtivo entre as nações”.
No texto, acrescendo, o Irã assumia o compromisso de enviar os termos do acordo á Agência Internacional de Energia Atômica em uma semana.”
E agora, Mr. obama, vai dar uma de Fernando Henrique e pedir que “esqueçam o que eu escrevi”?
PS. Esse Obama é uma decepção. Quando o Obama escreveu isso, tinha certeza de não haver acordo. Deu com os burros n’água. Ele e todos os urubus carniceiros de plantão…Como tratá-los (os da mídia “anti-nacional”) agora, hein? ….. os pontinhos ficam à disposição para o xingatório adjetivado contra colonistas destrambelhados: - Mídia….., vai pedir desculpas ou se recolher em sua insignificância? Lula é mesmo um gênio: Deixou os colonistas estrebucharem-se e, no momento certo, desmoraliza-os em conta-gotas, um a um. E o povo ri das inconveniências e palhaçadas dos Jabores, Nêumanes Pintos, Merval´s, Reinaldo´s e companhia lerda e mesquinha. O torneiro mecâncio vai arrochando, calculada e lentamente, a orelha enferrujada da torneira das águas turvas mediáticas.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PHOTOSHOPADO

O que é bom para os EUA, é bom para o Brasil.
Fui ver o Viomundo e dei de cara com este pastiche. Hoje, mais cedo, na banca de jornal, uma moça olhou a capa da ESPIA e disse: “mas essa da VEJA de querer o Serra parecer simpático é demais”.Agora vejo que não é só o slogan de Serra que é cópia do Yes, we can do Obama. Não é nem uma questão de apoiarem o Serra, o que espanta é a sabujice e a falta de inteligência- encoberta pela sofisticação aparente – e a de criatividade.
Já se disse de algum jornal que era tão falso que duvidavam até da data impressa na capa. Como a da Veja é adiantada, verdadeiro ali só mesmo o código de barras.
EM TEMPO; Primeiro, o da direita é tão extrema direita quando o da esquerda, e vice-versa.
Segundo, agora entendi porque o Zé Trolloló só veste azul.
Terceiro, a foto do Zé está “photoshopada”, para usar o jargão da área. Há vários indícios.
Quarto, o código de barra também deve estar “photoshopado”.
Quem por necessidade, hábito, ou circunstância cósmica freqüenta algum lugar que ainda tenha essa “coisa” supostamente destinada a leitura, poderia ter uma ou mais cópias de revistas progressistas, como a Carta Capital e esquecer por lá.

sábado, 10 de abril de 2010

LULA ME MATA DE ORGULHO.

Frase do Presidente Lula, hoje em São Bernardo do Campo: “Não basta copiar Obama e dizer nós podemos mais, porque Obama já disse que eu sou o cara!”
“Não vale copiar o Obama, dizendo que ‘nós podemos mais’, porque ele já disse que ‘eu sou o cara’, e eu já disse pro Obama que vocês [da plateia] é que são ‘os caras’”.
“Eles nem tiveram a coragem de usar o ‘nós’. usaram ‘o Brasil’.(em referência ao nós podemos mais)… Do Presidente Lula
Lula considerou o slogan do candidato José Serra uma “cópia” do usado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua campanha eleitoral. “Nunca pensei que, com tanta inteligência que têm nossos adversários, eles fossem copiar o slogan de Obama”, afirmou Lula, se referindo ao slogan “Yes, we can” (“Sim, nós podemos”) que Obama usou em 2008.
“Quando eles falam ‘O Brasil pode mais’, nós falamos: ‘nós fazemos mais, nós fazemos muito mais’, disse Lula, “Eles querem e nós fazemos. Essa é a diferença substancial”, afirmou o Presidente.
Amo mutio o Lula..