Mostrando postagens com marcador ELIANE CANTANHÊDE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ELIANE CANTANHÊDE. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2011

ELIANE CANTANHÊDETucanos caem como patinhos.
As fotos de Dilma com Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia dizem muito -sobretudo da estratégia dilmista de se descolar de escândalos e escandalosos e se aproximar da oposição e de independentes.
Dilma, que não é PT na origem e na alma, tem problemas na base aliada, com o malcriado PR articulando operação-padrão com PTB, PP, PSC e setores do PMDB. Mas o que é melhor: uma foto com Alfredo Nascimento e os quase 30 demitidos dos Transportes ou com FHC, Alckmin e Anastasia? O apoio caríssimo de Wagner Rossi ou um elogio de Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Cristovam Buarque?
A presidente já tinha trocado gentilezas com FHC na festa da Folha, foi justa e carinhosa numa carta de aniversário para ele, ofereceu-lhe vaga à mesa de Barack Obama no Itamaraty. Tudo isso é bom, republicano, mas é preciso avaliar perdas e ganhos.
O aparato marqueteiro que Dilma herdou de Lula não dá ponto sem nó: a solenidade do Brasil sem Miséria com o tucanato foi justamente em São Paulo, coração do PSDB e do seu eleitorado.
E o aparato político cuida da aritmética no Congresso: o PR faz beicinho? Chama o PSD! Dilma se reuniu com Kassab em Brasília no mesmo dia da festinha com tucanos em São Paulo. Coincidência...
Assim, enquanto se discute se Dilma faz mesmo uma "faxina ética", ou apenas deixa rolar e se beneficia dela, a presidente vai virando estrela de uma frente pluripartidária contra a corrupção e contra a miséria. Só tem a ganhar. CPI da Corrupção? Esquece.
Lula virou "pai dos pobres", e Dilma se firma como "mãe anticorrupção". O PSDB corrobora alegremente, e assim ela vence resistências entre os 40 milhões que votaram na oposição, contra Lula e o lulismo. Por trás do discurso de que o Brasil sai ganhando, a oposição não lucra nada, Dilma fica com tudo. E Dilma é Lula.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os escânadalos no Ministério dos Transportes já produziram 16 baixas, inclusive a do ministro Alfredo Nascimento.
Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que outras demissões ainda ocorrerão nas cúpulas do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e Valec (estatal de ferrovias).
Para a colunista da Folha Eliane Cantanhêde, Dilma foi da palavra aos atos. "Ela disse que as siglas (partidárias) não salvariam a pele de ninguém". Eliane refere-se ao pedido demissão do diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron, o primeiro petista a ser punido no escândalo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

PARA NÃO ESTRAGAR A FESTA

ELIANE CANTANHÊDE
Com a posse do 11º ministro, Luiz Fux, num ato protocolar de 15 minutos, o Supremo Tribunal Federal voltou ontem a ter, digamos, lotação completa. Tem mais chances, assim, de se livrar de sucessivos e constrangedores empates em temas da maior relevância -e, às vezes, até de menor.
Mas, na posse, o constrangimento era outro, bem dissimulado: o fato de um réu do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ter sido eleito na véspera presidente justamente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a estratégica CCJ, "mãe das comissões".
A questão não é João Paulo em si. Ele pode ser ético, honesto, um cara boa praça e até vir a ser declarado inocente na maior lambança do governo Lula. A questão é que um réu num processo nada mais nada menos que no Supremo Tribunal Federal não pode nem deve presidir a CCJ. Não importa se João, José, Pedro ou Manuel.
O resultado é que o Supremo vai ter que conversar (o verbo "negociar" poderia gerar más interpretações) com um réu sobre temas complexos: o pacto republicano entre os três Poderes, que envolve a reforma do Judiciário, mais as reformas dos processos do Código Civil e do Código Penal. Sem falar em algo particularmente delicado: os vencimentos da magistratura e dos funcionários do Judiciário.
No sentido oposto, o Congresso também tem questões de seu interesse correndo no Supremo: a Lei da Ficha Limpa, a definição do salário mínimo por decreto ou não; se quem assume são os suplentes dos partidos ou os das coligações.
Um réu na CCJ é dessas coisas que ministros, demais autoridades dos três Poderes e ilustres da iniciativa privada não discutem abertamente entre uma taça de vinho e outra, um salgadinho e outro, até para não estragar a festa. Mas que paira sobre as relações entre Poderes e azeda ainda mais a imagem do Congresso, ninguém ali tinha a menor dúvida disso.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PMDB NÃO MORDE, ABOCANHA.


Dilma assumiu num dia e, no dia seguinte, já começaram as dores de cabeça inevitáveis. E a mais inevitável delas era justamente a convivência com o PMDB, tão necessário quanto problemático. Ruim com ele, pior sem ele...
Com a maior bancada no Senado e a segunda maior na Câmara, o partido tem a Vice Presidência da República, a presidência do Senado e uma penca de ministérios, mas já abriu fogo para guerrear com o PT pelos polpudos cargos de segundo escalão.
Para citar alguns: Banco do Brasil, Infraero, Correios e Furnas. Não é pouca coisa, não. Mais vale um Banco do Brasil na mão do que um ministeriozinho de Assuntos Estratégicos voando por aí sem ninguém saber para onde.
A cúpula do PMDB é aquela que a gente já conhece de cor e salteado: Sarney, Renan, Romero Jucá, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, Waldir Raupp... Uma turma da pesada. Sem falar no vice Michel Temer, mais polido, e no novo ministro Moreira Franco (Ah! O de Assuntos Estratégicos. )
Foi essa mesma turma que boicotou, descaradamente, as posses, pelo menos, do novo ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, que cuida do varejo no Congresso, e do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, antecessor de Luiz Sérgio na articulação política e agora encastelado numa vaga antes peemedebista.
Ato contínuo, Henrique Eduardo, líder na Câmara, passou a ameaçar o governo de votar no Congresso um salário mínimo maior do que R$ 540, o que obrigou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em pessoa, a avisar que, neste caso, a presidente Dilma Rousseff vai vetar.
Ou seja: o PMDB passaria de bonzinho para a opinião pública, aprovando um mínimo, por exemplo, de R$ 560, enquanto caberia a Dilma a ingrata tarefa de vetar, em favor das contas públicas, logo no início do mandato.
Há ainda outros pontos fáceis de chantagem com o governo além do mínimo: o aumento do Judiciário, a volta da CPMF, a criação da Comissão da Verdade para investigar crimes da ditadura militar.
A lista é robusta. E, para onde o PMDB for, a votação tenderá a ir também. Porque, hoje, ele está com o governo; amanhã, poderá estar com o PSDB e o DEM numa votação qualquer.
Mas, vamos pensar um pouco juntos e revisitar a tática do PMDB com o governo, qualquer governo: é do tipo que ameaça, obtém o que quer e não costuma cumprir ameaça nenhuma. Sabe a velha história? "Cão que ladra não morde..."
Mas, no caso do maior partido do país, ele é do tipo de cão que não morde, mas abocanha nacos substanciais de poder.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O NOVO MUNDO

Para além dos objetivos geoestratégicos dos EUA de reforçar um contrapeso para o furacão China, o que importa diretamente ao Brasil no apoio que Barack Obama deu publicamente à entrada da Índia no Conselho de Segurança da ONU é que foi o primeiro aval ostensivo da maior potência mudial à reforma do conselho.
Como está evidente, não apenas para o Planalto e para o Itamaraty, mas também para a oposição interna e para as publicações internacionais, é que, em havendo a reforma, o Brasil estará naturalmente dentro. Portanto, a batalha brasileira é pela reforma antes de mais nada.
Aliás, não apenas ele e a Índia estarão dentro, mas também o Japão e a Alemanha, caracterizando a sonhada inclusão da América Latina e a ampliação do espaço da Ásia e da Europa. E quanto à África? Aí o problema é mais complicado, porque três países se estapeiam por uma cadeira no conselho: África do Sul, Nigéria e Egito. Um anula o outro.
Lula passou oito anos fazendo estripulias internacionais (em meio a enormes êxitos, é verdade) para emplacar o Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança, sem sucesso. Mas Dilma Rousseff poderá ter melhor sorte. O caminho está aplainado. Agora, é uma questão de tempo.
Fazem parte do conselho hoje os EUA, a França, o Reino Unido, a Rússia e a China, que recebem o reforço de outros países, inclusive do Brasil, em sistema de rodízio. Essa configuração, que reflete o mundo de 1945, é um dos fatores de descrédito e de crescente perda de influência da ONU. Mas os cinco temem que a entrada de "concorrentes" regionais possa subtrair-lhes poder.
Daí porque, quando Obama acena com a entrada da Índia, ele dá o "start" para o debate real da reforma e cria condições para a oxigenação do ainda principal organismo internacional. Com a inclusão de novos membros e representando melhor o novo equilíbrio mundial, dificilmente, por exemplo, George W. Bush teria ficado tão à vontade para invadir o Iraque sem autorização do conselho e, pior ainda, sob pretextos fajutos!
O Brasil, além de comemorar o precedente, aproveita também para marcar mais uma vez sua posição de independência em relação a Washington. A indicação da Índia foi considerada uma "boa notícia", mas com a ressalva e aquela pitadinha maliciosa de que, se a Índia é um dos principais parceiros norte-americanos, o Brasil "não precisa de padrinho". Tem força própria para entrar pelos próprios méritos.
Isso, em si, já indica que tipo de conselho, que tipo de ONU e que tipo de mundo o governo brasileiro de hoje e de amanhã vislumbra: com o Brasil (entre outros) mandando mais e os EUA mandando cada vez menos.

domingo, 10 de outubro de 2010

NÓS E VOCÊS CONTRA EU E VOCÊ

Por Eliane Cantanhêde

A diferença de Dilma Rousseff para José Serra caiu de 14,3 pontos nas urnas do dia 3 para 8 pontos na primeira pesquisa Datafolha no segundo turno, considerando-se os votos válidos. Essa é uma pesquisa fundamental, porque traça as condições da largada.
Tal como na aritmética, a conclusão é simples: tem jogo. A oposição anima-se principalmente porque esse não é apenas o retrato do momento, mas a confirmação da tendência de queda que Dilma vem registrando desde a reta final do primeiro turno. O governo demonstra não apenas perplexidade como dúvida sobre o caminho a seguir.
Esse estado de ânimo se reflete claramente sobre os dois candidatos, porque a imagem de vitoriosa que Dilma exibiu durante toda a campanha ruiu e a postura insegura de Serra evoluiu para um gestual mais otimista, mais afirmativo. Ela parece desconfortável, ele passa a impressão d e estar mais à vontade. É assim que os dois candidatos chegam hoje à noite ao primeiro debate do segundo turno, na TV Bandeirantes. Dilma perde votos e Serra ganha segurança, mas os dois estão igualmente numa encruzilhada: não podem ficar meramente na defesa, passando de boa moça e de bom moço, mas muito menos podem partir para o ataque. Ataques na TV costumam ter efeito bumerangue, voltando-se contra quem ataca. Principalmente se o duelo é entre um homem e mulher. Tem de ser milimetricamente ajustado.
Dilma certamente falará da inclusão de 28 milhões de pessoas e insistirá na comparação das obras dos últimos oito anos com os oito de FHC, enfatizando o seu "partido", diga-se "o presidente Lula" e "o nosso governo".
Serra vai mostrar o que "eu fiz", fazendo uma nova excursão sobre o Ministério da Saúde, a Prefeitura de São Paulo, o governo do Estado. Mas vai ter de falar de Erenice, mas sem falar da Erenice. Como? Não faço a menor ideia. Mas eles devem estar quebrando a cabeça com isso.
Dilma vai insistir em grudar em Lula, ou seja, no "nós". Serra vai forçar a comparação direta, cara a cara, falando no "eu".
Pelos dados do Datafolha, Dilma está na frente graças ao Nordeste (62%), ao interior, aos homens e aos de menor renda. Serra tem vantagem nas demais regiões dentro da margem de erro e ganha no Sul, nas capitais, vence com pequena margem entre as mulheres.
Os espaços de crescimento parecem ser mais promissores para Serra: os 51% dos votos de Marina (Dilma tem apenas 22%) e os indecisos saíram principalmente de Dilma. Podem até voltar, mas tendem a manter a marcha até migrar para a candidatura de oposição. A ver, dependendo dos rumos da campanha.
Como faltam três semanas, muita coisa pode acontecer. Mas, pelas linhas da pesquisa, uma coisa é certa: o tempo corre contra Dilma, a favor de Serra. E nenhum dos dois lados pode errar. Qualquer tropeço é tombo na certa.

domingo, 3 de outubro de 2010

VERMELHO, AZUL, VERDE E ... BRANCO

Por Elaine Cantanhêde.
O fim de semana amanheceu nublado, e o eleitor poderá enfrentar chuvas e trovoadas para votar nos candidatos que considera melhores para o seu país, o seu Estado, a sua região. Mas o esforço pode resultar em milhões de votos na lata do lixo.
Cerca de 1.300 candidatos estão "sub judice", atingidos pela Ficha Limpa, por falta de documentação e por prestações de contas vetadas, numa situação absurda: tiveram seus registros negados, mas estão disputando e têm o futuro indefinido. Vota-se num cidadão que pode não ser diplomado ou, pior, pode ser diplomado e passar todo o mandato com a faca no pescoço.
Nunca antes neste país se viu indefinição jurídica tal, o que projeta uma sucessão de vexames e frustrações. O candidato é eleito, mas cai; está no segundo turno e é substituído pelo terceiro colocado; puxa cinco ou seis outros correligionários para a Câmara, mas seus votos são considerados nulos e eles são trocados. Um pesadelo.
A confusão começa no Congresso, que vota leis imperfeitas e de múltiplas interpretações, mas o troféu lambança desta eleição vai para o Supremo Tribunal Federal, que brindou o país com o 5 a 5 sobre a vigência da Ficha Limpa, a mudança da regra do duplo documento de votação às vésperas do pleito, o telefonema entre Gilmar Mendes e José Serra e, finalmente, as fitas do genro de Ayres Britto trocando figurinhas com o campeão da Ficha Suja, Joaquim Roriz.
Para a Presidência, os troféus vão para Lula, que jogou tudo e todos a favor de sua candidata; para Dilma Rousseff, exemplar ao se moldar no figurino; para José Serra, pela coleção de desafetos que reuniu na campanha; para Marina Silva, a Verde que usou mais advérbios de modo (lamentavelmente, estrategicamente...) do que propostas.
E o grande prêmio vai para... Erenice Guerra! Ela é o símbolo desta eleição e, ganhe quem ganhar, imagine quantas erenices já não estão se assanhando por aí.
Bom voto! !

domingo, 18 de julho de 2010

RÉQUIEM PARA O JB E A GAZETA

ELIANE CANTANHÊDE.
O fim melancólico da versão impressa do "Jornal do Brasil" dói no coração de gerações de leitores e de jornalistas brasileiros, como já havia ocorrido quando do último suspiro, ou da última edição, da "Gazeta Mercantil". Foram ambas mortes lentas e anunciadas, deixando exposta a má administração de excelentes produtos.
Pelo JB, fundado em 1891, passaram desde Rui Barbosa até dezenas de repórteres, fotógrafos e colunistas que estão na ativa e viveram grandes momentos e grandes histórias num jornal que tinha vida e energia. Mas não tinha gestão.
Na "Gazeta Mercantil", que começou a circular em 1920 e atravessou décadas como leitura obrigatória dos três Poderes, dos bancos, das empresas e de diferentes áreas das universidades, foram formados alguns dos mais importantes jornalistas de economia do país, como Celso Pinto, que deslanchou o "Valor Econômico". Mas, como o JB, a Gazeta tinha talentos jornalísticos, não tinha competência gerencial.
Nos dois casos, repetindo o que se viu na Varig, as empresas sangraram ano após ano, vendo esvair seu principal capital: a força da marca, a credibilidade, a excelência de seus profissionais. Seus donos tentaram vender as dívidas e manter o controle editorial. A aritmética e a esperteza não fecharam.
Ouve-se daqui e dali que o fim da Gazeta e agora do JB impresso prenuncia a decadência inevitável e um rápido fim dos jornais. Há controvérsias. Os dois geraram suas próprias crises, que não tiveram nada a ver com a agressiva entrada da TV no jornalismo, o fortalecimento do noticiário 24 horas no rádio e muito menos com o vigor e a ascensão da internet. Foram crises particulares, não do setor.
Eles se foram, mas seus jornalistas estão por aí, em toda parte, aprendendo sempre e a cada dia numa profissão que é um aprendizado ininterrupto. A eles, meus queridos colegas tanto do JB quanto da Gazeta, um abraço de saudade e de reconhecimento.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ELIANE CANTANHÊDE. - (kkkkkkk)

Foi uma cacetada.
O solene "não" de Aécio Neves para ser vice na chapa de José Serra pega a oposição de jeito e deixa o candidato na mão. A alternativa para vice era Aécio ou Aécio. Em não sendo ele, ocorrem automaticamente dois efeitos: os partidos da coligação tendem a se engalfinhar pela vaga, e qualquer um que seja escolhido será sempre o que foi porque Aécio não quis. Não chega a ser emocionante.
Há também a questão da oportunidade, pois a negativa de Aécio ocorre justamente quando Dilma Rousseff empata com Serra, deixando a oposição nervosa. Uma interpretação legítima é que Aécio fez os cálculos, olhou o horizonte e não apostou nas chances de vitória.
E há, por fim, um punhado de interrogações no rastro da decisão de Aécio: sem ser vice, até que ponto ele vai se envolver com a campanha além das formalidade e atrair votos para Serra? E como fica o poderoso eleitorado de Minas, segundo colégio eleitoral do país?
O passado condena Aécio, que é inequivocamente o principal líder político de Minas, sempre tem expressivas votações e já mostrou que é capaz de transferir montanhas de votos. Mas tem que querer. Há sérias dúvidas se realmente quis em 2002, quando Serra foi o candidato tucano, e em 2006, com Geraldo Alckmin concorrendo. Lula deu de lavada no Estado nas duas vezes.
Olhando para a frente, Serra tem três opções. Pela ordem: indicar um vice do PP, que engrossaria o tempo de TV; pinçar um do DEM no Nordeste; e, "se não tem tu, vai de tu mesmo" - a chapa puro-sangue.
Péssimo para Serra? Mas ainda pode piorar. Basta ele chegar à convenção de 12 de junho só, sem Aécio e sem vice nenhum.
As perspectivas de Aécio, porém, não são melhores: quatro anos num Senado às traças, para bater de frente com o candidato Lula em 2014, não é o melhor dos mundos. A não ser que, ao contrário de Serra para a vice, Aécio tenha um mirabolante plano B. A ver.