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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ONDE CHEGAMOS

PF: comportamento de milícia de segunda.
A greve da Polícia Federal, além de ilegal é tremendamente abusiva. 
Seus métodos em relação ao povo que lhes paga o salário é uma falta de vergonha imensurável. Esses caras se portam como se fossem membros de uma milícia de quinta categoria de um país africano. 
Demonstram que não tem um pingo de civismo em suas mentes e ganham de "presente" o desprezo e a a antipatia da população afrontada com suas grosserias descabidas em aeroportos e outros pontos onde atuam. 
É isso o que dá quando elementos ingressam na Força através de concursos fraudados como acontece com inúmeros policiais federais. 
Essa PF mais se parece com estivadores de um porto de Moçambique. 
Onde nós chegamos!

sábado, 28 de abril de 2012

GOLPISTA

Por Altamiro Borges, do Blog do Miro.
#Vejagolpista vai ecoar no Congresso?
Pela segunda vez nas duas últimas semanas, a revista Veja é destaque no twitter. Com a hashtag #vejagolpista, ela hoje ocupou os primeiros lugares na rede social a partir de 17h45. 
Na quarta-feira passada (18), a publicação da famiglia Civita também ostentou por vários minutos o primeiro lugar no Brasil e entre os mais comentados no mundo. Na ocasião, com a hashtag #vejabandida.
O vídeo criminoso do Hotel Nahoum.
Com sacadas criativas e muitas dicas de leitura, os ativistas digitais demonstraram toda sua indignação com uma revista que virou sinônimo de golpismo e bandidagem – nada tendo a ver com jornalismo. Os últimos vazamentos das escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal instigaram esta revolta. Eles comprovam as estreitas ligações entre o mafioso Carlinhos Cachoeira e a direção da Veja.
Um dos casos mais graves, denunciado pelo blogueiro Luiz Carlos Azenha, confirma que a quadrilha de Cachoeira forneceu o vídeo do Hotel Nahoum onde estava hospedado o ex-ministro José Dirceu. A ação ilegal virou capa da Veja contra o “poderoso chefão”. O golpismo só foi abortado porque o “repórter” da revista foi flagrado quando tentava invadir o apartamento do ex-ministro.
Altivez ou covardia?
Contra estes e outros atos criminosos, os internautas deram o seu grito de revolta no twitter. Será que ele ecoará no Congresso Nacional? Será que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada para investigar as ramificações da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, vai convocar o capo do Grupo Abril, Bob Civita, e seus asseclas travestidos de jornalistas?
Ou os deputados e senadores vão se acovardar mais uma vez diante das chantagens e ameaças do império midiático? Boa parte deles sempre quis sair nas páginas da Veja e outra sempre temeu ter a sua reputação assassinada pelos jagunços da revista. Como os parlamentares se comportarão? Com altivez ou covardia? Eles valorizarão a democracia ou se curvarão diante desta ditadura midiática?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Receita e PF desarticulam quadrilha que fraudava no comércio exterior.
A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram nesta segunda (23) a Operação Estrada Real, que pretende combater organização criminosa suspeita de cometer fraudes no comércio exterior. Segundo os órgãos, sete pessoas foram presas. A operação apura indícios de prática de diversos crimes, como descaminho, evasão de divisas, sonegação de tributos federais e estaduais e lavagem de dinheiro. 
A Receita Federal iniciou a apuração dos fatos há três anos, após suspeita de fraude na constituição de empresas. A estimativa é de que o prejuízo aos cofres públicos tenha chegado a R$ 100 milhões. As ações ocorrem simultaneamente em três estados: São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Estão sendo cumpridos 13 mandados de prisão e 30 mandados de busca e apreensão nas empresas e residências dos suspeitos.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

REVISTA 'VEJA': COMO TRABALHA; A QUEM SERVE

O dispositivo midiático demotucano  tem martelado em tom de condenação sumária que a construtora Delta -- suspeita de ser uma espécie de caixa de compensação bancária do esquema Cachoeira/Demóstenes--  é a empresa com o maior volume de contratos junto ao PAC. Esse traço evidenciaria, sugere o tom do noticiário, um  comprometimento automático do governo e do PT com a quadrilha manejada por Cachoeira. Mais de 80% das licitações  vencidas pela Delta são de obras sob a responsabilidade do  Dnit, o Depto Nacional de Infraestrutura de Transportes. Dos R$ 862,4 milhões pagos à construtora  em 2011, 90% vieram do órgão. Nesta 3ª feira, uma pequena nota escondida num canto de página da Folha, baseada em escutas da PF mostra que: a) o Dnit estava insatisfeito com a qualidade e irregularidades das obras tocadas pela Delta; b) desde 2010 o Dnit iniciou uma série de processos que poderiam levar a perdas de contratos pela construtora, ademais de submetê-la a investigações da PF e do Tribunal de Contas; c) o agravamento dos atritos levou a Delta a acionar  Cachoeira e seu grupo, que passaram a trabalhar pela queda do então diretor-geral do Dnit,  Luiz Antonio Pagot, uma indicação do PR, o Partido Republicano; d) em gravações feitas pela PF no primeiro semestre de 2011, Cachoeira diz a Claudio Abreu, diretor da Delta, que já estava fornecendo informações sobre irregularidades no Dnit para a revista "Veja"; e) a presidente Dilma Rousseff pediu o afastamento  de Pagot no dia 2 de junho, depois que 'denúncias' contra o Dnit  foram publicadas pela 'Veja', envolvendo suposto esquema de propinas que beneficiariam o PR; f) Pagot alegou inocência e resistiu até o dia 26 de julho, quando entregou a carta de demissão, em meio a uma crise que já havia derrubado toda a cúpula do ministério dos Transportes ligada ao PR (incluindo o ministro) ; g) o ex-presidente Lula tentou evitar a queda de Pagot. Não por acreditar em querubins. Preocupava-o a rendição recorrente ao denuncismo gerado por disputas entre quadrilhas associadas a órgãos de imprensa. Lula estava certo. (Carta Maior; 4ª feira 18/04/2012)

sábado, 16 de julho de 2011

DNIT . . .

Governo considerou algemar o diretor do DNIT.
Causou indignação até no Palácio do Planalto a denúncia de que a Ana Paula Batista Araújo, dona da Construtora Araújo Ltda, ganhou contratos de pelo menos R$ 18 milhões do DNIT, onde o marido dela, José Henrique Sadok de Sá, é o poderoso diretor-executivo. A notícia deixou a presidenta Dilma tão irritada que o governo considerou prender Sadok em flagrante e retirá-lo do cargo algemado pela PF.
Jornais não demitem . . .
Após o ímpeto de meter Sadok na cadeia, a turma do “deixa disso” convenceu o governo a só afastá-lo, “para não dar trela à imprensa”.
Dono da caneta . . .
Alem de diretor-executivo, o maridão da dona da empreiteira era diretor-geral interino do DNIT, nas atuais “férias” de Luiz Pagot.
É a mãe . . .
Já teve o filho do ministro dos Transportes superfaturando, agora a mulher do diretor do DNIT. Só falta colocar a mãe de outro no meio.
Pacto . . .
São do PAC, menina dos olhos de Lula e Dilma, as obras nas BR's 174, 432 e 433, que a construtora da mulher do diretor-executivo do DNIT José Sadok de Sá ganhou, e ele diz que “não tem nada com isso”.

domingo, 26 de junho de 2011

ESPERANÇA DE QUE ?! ?!

Cerca de 10 capangas do madeireiro José Avelino Siqueira, o "Junior da Semente", invadiram na noite deste sábado com motos e um caminhão o assentamento do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, popularmente conhecido como "Assentamento Dorothy Stang", onde a freira foi assassinada há seis anos, a 55km de Anapu (PA). Com ameaças aos assentados e armado, o bando recuperou toda a madeira ilegal extraída do local e apreendida pela Polícia Federal, cujo fiel depositário da madeira é o Incra. A PF e a Polícia Civil do Pará foram acionadas por Jane Dwyer, a sucessora de Dorothy no assentamento. O Assentamento Esperança, com 30 mil hectares de mata virgem e que faz divisa com a reserva dos Caiapós, vinha sendo invadido e desmatado pelo madeireiro desde janeiro de 2009. Ano passado, uma operação da PF flagrou a exploração e apreendeu a madeira. Os assentados fecharam a entrada do local com guaritas, construídas pelo Incra, mas inacabadas. Sem proteção constante da PM e da PF, o clima é tenso neste domingo na região, porque o grupo ameaçou voltar ao local se denunciado. Nos últimos meses, cinco trabalhadores rurais já morreram no estado vítimas de pistoleiros na briga por terras. Jane Dwyer disse à coluna que já acionou a Força Nacional, a PF e a Polícia Civil, mas nenhuma medida foi tomada ainda pelas corporações.

terça-feira, 7 de junho de 2011

BIOPIRATARIA

Empresa dos EUA vende amostras de sangue de índios brasileiros por US$ 85.

Foto
A empresa norte-americana Coriel Cell Repositories, sediada em Camden Nova Jersey, mantém à venda em seu site amostras de sangue de índios brasileiros, por US$ 85 (R$ 134,13). A oferta do sangue ocorre há mais de uma década. No ano 2005 o caso veio à tona. À época, a CPI da Biopirataria pediu explicações à Fundação Nacional do Índio, que anunciou ter acionado a Polícia Federal e o Itamaraty para solicitar ao governo dos EUA a suspensão da venda. Mércio Pereira da Silva, então presidente da Funai, anunciou no dia 13 de abril de 2005, que todas as medidas haviam sido adotadas no sentido de coibir o comércio. Seis anos se passaram e o sangue dos índios do Brasil e de outros países ainda é oferecido. O jornal The New York Times destaca o assunto em primeira página, na edição do dia 20 de junho de 2007. A reportagem mostra que o material, supostamente obtido sem o consentimento dos índios, foi coletado sem que as autoridades brasileiras soubessem que procedimentos científicos estavam sendo realizados nas tribos protegidos por lei federal. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso. Porém, nenhum dos suspeitos foi preso. Informações da Agência Amazônia

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dilma escolhe delegado responsável por investigação de assassinato no Pará.

FotoJOSÉ CLÁUDIO, AMBIENTALISTA MORTO JUNTO À MULHER
O delegado da Polícia Federal, Marcelo Seiler, foi o escolhido da presidenta Dilma Rousseff para ser o responsável pela investigação da morte dos ambientalistas, José Cláudio Ribeiro e sua esposa, Maria do Espírito Santo, assassinados na última terça (24) em Macaranduba, no Pará. O nome de Seiler, que já está no estado, foi revelado ao presidente da Comissão de meio Ambiente da Câmara, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), com quem deve se encontrar para tratar do caso já na próxima semana. A morte dos extrativistas teve grande repercussão internacional e chegou a ser citada em jornais, como, o The Guardian e The New York Times, que se referiram a José Cláudio como "um defensor da floresta brasileira"

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CORTE DE VERBA PREJUDICA VIGILÂNCIA DAS FRONTEIRAS

Queda do número de agentes da PF ameaça ações de combate ao narcotráfico.
Posto policial é fechado na fronteira com o Peru; em Ponta Porã, agentes federais compram combustível fiado.
KÁTIA BRASIL, DE MANAUS - RODRIGO VARGAS, ENVIADO ESPECIAL A PONTA PORÃ.
O corte no orçamento da Polícia Federal para este ano afetou a fiscalização em regiões de fronteiras e as ações de combate ao narcotráfico e contrabando de armas.
O dia a dia das operações foi prejudicado devido à suspensão dos gastos com diárias para delegados e agentes, segundo os policiais.
Há relatos de problemas estruturais, como o fechamento de um posto na fronteira com o Peru, e da falta recursos para manutenção de carros, compra de combustíveis e coletes à prova de bala.
A redução vem na esteira do contigenciamento no Orçamento da União, determinado por decreto assinado em fevereiro pela presidente Dilma Rousseff.
No Ministério da Justiça, com orçamento previsto de R$ 4,2 bilhões para 2011, o corte foi de R$ 1,5 bilhão.
Agentes relataram à Folha que os cortes comprometeram a Operação Sentinela, feita com a Força Nacional de Segurança e a Polícia Militar nos Estados.
A ação combate crimes como tráfico internacional de drogas, entrada de armas, contrabando e imigração ilegal. Houve redução do efetivo desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul.
No Brasil, a atuação da PF nas fronteiras abrange uma linha de 16.399 km.
Projetos como o Vant, de fiscalização com um avião não tripulado, devem atrasar. No Pará, uma patrulha que monitorava o rio Amazonas em Óbidos foi retirada.
No Amazonas, o posto de Eirunepé, próximo ao Peru, não está funcionando desde o mês passado.
O superintendente da PF no Estado, Sérgio Fontes, disse que na fronteira com a Colômbia e o Peru a Operação Sentinela será levada apenas "até onde der". "O corte foi muito severo."
FIADO.
Em Mato Grosso do Sul, a redução no efetivo chegou a 60% nas delegacias da PF de Corumbá e Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Segundo agentes federais, foram suspensas blitze preventivas nas rodovias.
Policiais que atuam em Ponta Porã descreveram à Folha um cenário crítico.
Carros estão parados por falta de manutenção e equipes estão comprando combustível fiado.
Com o contingenciamento, a maior parte do efetivo vindo de outros Estados teve de deixar a cidade. O sindicato dos policiais diz que a delegacia opera hoje com menos da metade do pessoal em relação a 2010.
Na fronteira do Rio Grande do Sul, outro importante ponto de combate à entrada de armas, também houve redução no número de policiais, segundo os agentes.
"Onde trabalhavam dois agentes, agora tem um", disse Paulo Paes, que preside o sindicato local dos policiais.
Em Porto Mauá e Porto Xavier, há quatro agentes para cobrir 150 km do rio que separa o Estado da Argentina.
Centenas de caminhões atravessam diariamente a fronteira, mas na prática o trabalho dos agentes se resume ao controle de migração.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O ETANOL INVADIRÁ OS ESTADOS UNIDOS?

Por Carlos Chagas
A vinda de Barak Obama ao Brasil, em março, faz acender luzes de euforia no palácio do Planalto mas gera cones de sombra na Petrobrás. Porque o presidente dos Estados Unidos,  se não mudar de idéia, deverá propor monumental exportação do nosso etanol para o seu país.
Pretende, de início em cinco estados americanos, adicionar etanol  à gasolina   e ver se seus patrícios aceitam a mistura. Dando certo a operação, importará tudo o que pudermos produzir, até levantando certas barreiras alfandegárias  hoje existentes por lá.
Claro que Obama exigirá compensações, a maior delas que as montadoras americanas instaladas em nosso território venham a ser aquinhoadas  com facilidades, benefícios e incentivos  maiores do que os já existentes, de forma a triplicarem  sua produção de veículos, para grande exportação.  A azeitona na empada será o aumento de empregos no Brasil. É possível que a pimenta envolva a compra dos caças F-18.
A superprodução de etanol fará a alegria dos usineiros,   mas já começa a ser vista de soslaio pela Petrobrás, interessada em concentrar os esforços nacionais no pré-sal e temerosa de que o governo possa entregar  toda  a   energia não poluente à  Eletrobrás.
De qualquer forma, é bom não contar com o ovo enquanto na barriga da galinha. O cartel internacional do petróleo é poderoso e não quer ouvir falar do ingresso maciço do etanol no seu quintal.
TERCEIRIZAÇÕES EXAGERADAS.
Pode ser  que o governo volte suas atenções para o exagero das terceirizações, que se eliminaram encargos trabalhistas  na administração direta e nas empresas estatais, vem servindo para penalizar trabalhadores de todas as categorias, além de enriquecer  ilicitamente grupos e pessoas empenhadas em tirar  tudo do governo e repassar muito pouco para os contratados. Essa observação vale para as mais variadas atividades, desde serviços de limpeza e de segurança em órgãos públicos à prestação de serviços de imprensa e construção de imagem em ministérios.  Até a Polícia Federal vale-se desse expediente:  nos aeroportos e repartições de contato com o público, trabalham funcionários terceirizados,  sem garantia de emprego e mal   remunerados.  O exagero também atinge, e muito, os poderes Legislativo e Judiciário, tendo se espalhado pelos estados e municípios. Continuando as coisas como vão, logo pensarão em terceirizar as forças armadas.
FALTA UM PROJETO ESTRATÉGICO.
A menos que o ministro Moreira Franco se encontre  trabalhando em silêncio, falta ao governo Dilma Rousseff um projeto  estratégico.  Para onde vamos? Que metas e objetivos essenciais estão sendo traçados, além da extinção da pobreza absoluta e da miséria? Qual nosso papel no continente e no mundo desenvolvido a que aspiramos? O poder nacional, onde anda?
No governo Lula a tarefa foi entregue a  Mangabeira Unger, que começou a trabalhar nesse sentido mas estranhamente demitiu-se antes de completar um ano no cargo de ministro  de Assuntos Estratégicos. Talvez tenha reagido à superposição de tarefas.
TODOS  NA ENCOLHA.
Pela primeira vez em muitas décadas e variados governos, deixamos de assistir ministros batendo cabeça e disputando no tapa as atenções da mídia e da opinião pública. Andam todos na encolha, preferindo ocultar-se e deixando de divulgar planos, projetos e realizações. É de supor-se que se encontrem trabalhando e produzindo, mas estranhamente escondem-se no fundo de seus gabinetes. Não deve ser por  descaso da mídia, sempre ávida por   notícias. Pelo jeito, o ministério anda temeroso  de desagradar e por isso não agrada. Some.
Para decifrar o enigma,  há uma chave com nome próprio. Chama-se Dilma Rousseff. A turma tem medo dela, que em poucos dias de governo desautorizou Guido Mantega, o general José Elito Siqueira, Mirian Belquior, Fernando Haddad  e Nelson Jobim.
De lá para cá, nem eles nem ninguém mais abre  a boca.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LEITE SOB SUSPEITA

Após o escândalo de 2007, quando a Polícia Federal detectou até soda cáustica em amostras de leite adulterado, era de esperar que o controle sobre o produto tivesse sofrido sensível melhora.
Não foi o caso. Naquele ano, 31,5% da produção eram comercializados sem fiscalização sanitária; em 2009, último dado disponível do IBGE, foram 33%.
É alarmante que um terço do volume de um produto de consumo tão popular fique sem controle. A contaminação bacteriana é um risco sempre presente. Além de poder causar distúrbios gastrointestinais, o leite não inspecionado é um transmissor potencial de doenças mais graves, como brucelose e tuberculose.
Produtores de leite, em geral de pequeno porte, estão espalhados pelo país todo. A fiscalização depende de uma cooperação entre autoridades sanitárias dos três níveis de governo -municipal, estadual e federal- que, tudo indica, não funciona a contento.
As normas de higiene, que vão da pavimentação do local de ordenha a prazos para pasteurização, nem sempre estão ao alcance da capacidade econômica do pequeno produtor. Como o preço de compra oferecido por indústrias e cooperativas muitas vezes não lhe parece atraente, acaba por vendê-lo "in natura" em redes locais de comércio, seja para consumo direto, seja para fabricação de queijo também ela sem inspeção.
A venda informal talvez jamais seja erradicada, mas precisa reduzir-se a proporções marginais. Há indícios, por exemplo, de que algumas pizzarias paulistanas -alvos menos dispersos para controle sanitário- utilizam queijo sem procedência conhecida.
Cabe, ainda, estruturar a cadeia produtiva para eliminar as barreiras à entrega do leite nas instalações de processamento inspecionadas. Há regiões em que estradas ruins dificultam o cumprimento dos prazos; noutros lugares, a solução pode estar em incentivos para que produtores locais se organizem em cooperativas capazes de arcar com o custo de unidades processadoras adequadas às normas sanitárias.
Poder público e entidades de produtores não podem cruzar os braços diante da deterioração da confiança na qualidade do leite.