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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

LULA VENCE DILMA NA INTERNET

Do Estadão.
Dilma Rousseff ultrapassou Luiz Inácio Lula da Silva em citações no Twitter, mas não na internet em geral. Um termômetro mais abrangente, a quantidade de buscas feitas por uma palavra no Google, mostra que a “criatura” ainda está atrás do “criador” quando se levam em conta as pesquisas feitas pelos nomes de
ambos. O do ex-presidente ainda tem 25% a mais de procura na média de 2011.
Mas isso se deve ao prestígio que Lula mantém no exterior. É das pesquisas na internet originadas em outros países que ele obtém toda a sua vantagem sobre Dilma. Nas buscas feitas no Google apenas a partir do Brasil, a atual presidente levanta 40% mais curiosidade do que o antecessor. O mesmo acontece nas referências em sites de notícias.
Está dentro do esperado. Como presidente em exercício, Dilma gera mais fatos novos que o antecessor, aparece mais no noticiário e desperta maior interesse dos brasileiros (para o bem e para o mal). Mas Lula surfa na popularidade internacional obtida em 8 anos de mandato e ainda é a principal referência brasileira no exterior, ao menos do ponto de vista dos internautas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

HAJA PACIÊNCIA !

Por Paulo Vinicius Coelho, no O Estado de S.Paulo.

Se você prefere ter a boa notícia antes das más notícias, vamos a ela: o Brasil roubou seis vezes a bola no ataque nos primeiros sete minutos. Pronto! Daqui para a frente, tudo o que você lerá será o relato de uma seleção estática, sem imaginação e incapaz de tornar fácil um jogo contra a Venezuela.
Se era de se imaginar a dificuldade em transformar quatro extra classes em um time de futebol, como aqui se escreveu ontem, é preciso entender os principais focos de problema. Com os principais jogadores muito presos a suas posições, não havia tabela. Neymar preso do lado esquerdo, Ganso por dentro, Robinho pela direita não se aproximavam de Pato, não apareciam para tocar e receber na frente.
Faltou a projeção dos laterais, exceto quando, aos 26 minutos, Daniel trocou passes com Robinho e cruzou. Pato chutou na trave.
Se o primeiro tempo foi ruim, o segundo foi pior. Além de não criar, o Brasil deu espaço para a Venezuela que percebeu a fragilidade do jovem time de Mano Menezes, passou a retomar a bola na intermediária e fazer a ligação com o ataque. Criou chances com Rondon, Fedor e Arango.
Não que a impressão da semana de que o Brasil tem uma geração ultratalentosa tenha de se dissolver. O problema é transformar jovens de talento e um time bem montado, articulado, capaz de disputar uma competição dura como é a Copa América.
A experiência vai aumentar, a dificuldade também. Será muito mais difícil enfrentar o Paraguai, sábado que vem, do que foi jogar contra a Venezuela, na estreia. E uma eventual derrota para os paraguaios pode colocar o Brasil na segunda posição da chave. Nesse caso, o provável adversário das quartas de final será o Uruguai.
JOGADA ENSAIADA.
O melhor time
O time mais bem montado da Copa América é o Uruguai. O único dos três gigantes que joga junto
há quatro anos e treina junto há um mês. Não que os uruguaios prometam dar espetáculo. Não é
seu estilo, nem o da Copa América, famosa por suas partidas insossas. Mas a equipe dos Diegos, Forlán e Lugano, é aquela que possui o que falta à Argentina e ao Brasil: conjunto.
Remédio argentino
Sergio Batista abandonou o discurso de tornar a Argentina uma cópia do Barcelona - até o técnico campeão mundial, Carlos Bilardo, disse publicamente que isso é uma tolice. Mais do que isso, Batista acenou com o remédio correto. Pretende escalar Aguero no lugar de Lavezzi, Pastore na vaga de Cambiasaso. Isso pode melhorar a ligação do meio-de-campo com o ataque e, consequentemente, melhorar
o desempenho do time dono da casa.

domingo, 3 de julho de 2011

DECEPÇÃO TOTAL

Brasil decepciona e empata com Venezuela.

Foto: Heuler Andrey/Agência Estado.
ASSIM COMO A ARGENTINA, SELEÇÃO BRASILEIRA JOGA MAL NA ESTREIA DA COPA AMÉRICA E NÃO CONSEGUE FURAR O BLOQUEIO VENEZUELANO.
Por Márcio Kroehn, do Brasil 247.
O capitão Lúcio alertou na véspera: não existe mais time bobo no futebol. A frase batida se encaixou perfeitamente na estreia da Seleção Brasileira na Copa América. Com muita vontade e pouca organização, o time comandado por Mano Menezes dominou a Venezuela, criou boas oportunidades de gol no primeiro tempo, mas os jogadores estavam afoitos e, aparentemente, sem confiança. Todos queriam achar um companheiro próximo ao gol ao invés de tentar o chute direto. A quantidade de passes errados foi irritante. E o resultado de 0 a 0 acabou sendo o espelho da partida.
Com uma formação ofensiva com Paulo Henrique Ganso, Robinho, Neymar e Alexandre Pato, a Seleção Brasileira entrou em campo e, com velocidade, teve três excelentes oportunidades para fazer o gol no primeiro tempo. Pato, aos 26, acertou o travessão do goleiro Renny Vega. Depois, aos 37, Neymar ajeitou para Robinho, que chutou rasteiro, colocado, para tirar do alcance de Vega. A bola ia entrar, mas o zagueiro Vizcarrondo, de forma estranhíssima, conseguiu evitar o gol com o ombro. Por fim, Ganso achou Neymar na área aos 44, mas o chute saiu torto. A Venezuela marcava e esperava uma brechinha para acertar um contra ataque.
Na etapa final ficou evidente o nervosismo e o incômodo da Seleção Brasileira com o empate. Muitos passes errados e um desentrosamento que irritou o torcedor. Os passes saíam sem direção e as chances de gol não existiram. A Venezuela passou a incomodar e pode, até, reclamar de um pênalti de Thiago Silva no atacante Nicolás Fedor. Em disputa na área, o zagueiro deixou o braço esquerdo para o venezuelano não alcançar a bola. Não fosse a encenação, o árbitro poderia ter apitado a falta.
O técnico Mano Menezes tentou dar um ânimo novo à equipe. Tirou Robinho, Ramires e Alexandre Pato e colocou Fred, Elano e Lucas, respectivamente. O efeito foi praticamente nulo. A criatividade esperada, principalmente de Ganso, não aconteceu. O Brasil aceitou a marcação da Venezuela no segundo tempo e fez muito pouco para merecer a vitória. Assim como a Seleção Argentina, o Brasil só conquistou um ponto na estreia. Será preciso fazer muito mais contra o Paraguai, no próximo sábado, 9 de julho, às 16 horas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

BANDA LARGA POPULAR . . .

Banda larga popular não garante nem 40% da velocidade contratada.

Governo e operadoras firmam acordo de internet de 1 mega a R$ 35.
Segundo o ministro das Comunicações, o documento será assinado hoje à tarde pelas operadoras e será publicado em edição extra do Diário Oficial da União
Karla Mendes, da Agência Estado.
Depois de muita queda de braço, as empresas de telefonia assinarão hoje um termo de compromisso para que os brasileiros tenham internet de 1 mega a R$ 35 no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse à Agência Estado que o documento será assinado hoje à tarde pelas operadoras e será publicado em edição extra do Diário Oficial da União.
Para chegar a um consenso, a presidente Dilma Rousseff concordou em retirar do documento a obrigação de as empresas garantirem no mínimo 40% de velocidade contratada, mas exigiu da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a aprovação, até 31 de outubro, dos regulamentos que garantirão maiores velocidades aos usuários de telefonia fixa e móvel. “Ela abriu mão dessa exigência, mas deixou claro que vai pegar no pé na questão da qualidade. Tanto que a data para que a Anatel aprove e publique os regulamentos constará no decreto”, afirmou Bernardo.
Conforme antecipou ontem a Agência Estado, a reunião entre governo e empresas foi interrompida na noite da última terça-feira, por determinação da presidente, para a inclusão de parâmetros de qualidade e velocidade da banda larga. Dilma queria que as operadoras assumissem a obrigação de garantir no mínimo 40% da velocidade contratada e 70% de velocidade média até 2014.
As empresas se surpreenderam com as metas de qualidade, que superam até os padrões internacionais e argumentaram que não teriam condições de avaliar o impacto financeiro nas propostas em um prazo tão exíguo. Mas só depois de o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, ter sido convocado ontem à noite e assumir o compromisso de acelerar a votação dos regulamentos de qualidade da banda larga é que Dilma abriu mão dessa exigência.
Hoje, no caso da banda larga móvel, as operadoras só garantem 10% da velocidade contratada. Com as novas normas, esse porcentual subirá para o mínimo de 30% nos horários de pico e 50% nos horários de menor tráfego. Um ano depois, esses índices subirão para 50% e 70%, respectivamente.
O governo não abriu mão de aplicação de sanções caso as operadoras descumpram as metas do PNBL. As penalidades vão de antecipação de metas a multas. “As multas têm os mesmos valores aplicados pela Anatel, mas o trâmite de aplicação das penalidades será diferente”, explicou Bernardo.
O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, disse à Agência Estado que está “otimista” na assinatura do acordo com o governo hoje. “Há uma boa probabilidade. Estamos otimistas”, disse. O executivo afirmou, no entanto, que ainda precisam ser feitos alguns ajustes. A Oi tem posição semelhante. “A intenção de todo mundo é fechar. Mas há algumas questões em aberto para serem pactuadas ainda”, afirmou uma fonte da empresa.
A pressa do governo para publicar o termo de adesão ao PNBL é porque hoje vence o prazo de vigências das antigas metas de universalização das concessionárias de telefonia fixa. Como as empresas estavam resistentes em aderir ao PNBL, o governo fez uma negociação cruzada, ao retirar algumas metas em troca da adesão ao programa do governo.

sábado, 2 de abril de 2011

OS DEPUTADOS E SEUS ASSESSORES

O Estado de S.Paulo.
A pressa, a discrição e a perfeita harmonia com que a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de São Paulo e 92 dos 94 deputados estaduais atuaram para a aprovação, quase em surdina e em tempo recorde, do projeto de lei que dobra o número de assessores que cada parlamentar pode contratar para trabalhar em seu gabinete não deixam dúvidas de que os integrantes do Legislativo não queriam expor o tema a amplo debate público. O número de assessores que um deputado pode contratar à custa do erário passa de 16 para 32.
Os deputados passaram por cima de uma questão ética. Trata-se do uso de dinheiro público para custear uma atividade privada, que é a estrutura montada pelo deputado para conquistar votos. Na prática, esses assessores não passam de cabos eleitorais, cuja remuneração deve ser paga por quem os contrata, não pelo contribuinte. Além disso, aprovado o aumento do número de assessores, o próximo passo será o aumento de sua remuneração.
Iniciativa da Mesa da Assembleia, o projeto foi publicado no dia 24 de março e quatro dias úteis depois estava aprovado. Causa estranheza o fato de a decisão ter sido tomada no dia em que a sessão ordinária da Casa havia sido suspensa em razão do falecimento do ex-vice-presidente da República José Alencar. Mas o interesse dos parlamentares no assunto mostrou ser muito mais forte do que seu desejo de render homenagens ao ex-presidente e, assim, eles convocaram, sem alarde, uma sessão extraordinária para aquela mesma noite, sendo o principal item da pauta o famigerado projeto.
Apoiado por todas as lideranças partidárias, exceto a do PSOL, o projeto foi aprovado por votação simbólica. Dos 94 deputados, apenas 2 - Carlos Giannazi (PSOL) e Olímpio Gomes (PDT) - se manifestaram contra ele.
O texto agora segue para a sanção ou o veto do governador Geraldo Alckmin, que disporá de 15 dias para decidir sobre o assunto. Se o governador nada fizer nesse prazo, o projeto será sancionado pelo presidente da Assembleia, deputado Barros Munhoz (PSDB). A expectativa dos deputados é de que o governador ignore o assunto e não se manifeste no prazo de que dispõe. Para isso, poderia até justificar-se politicamente, alegando que se trata de assunto interno da Assembleia. Assim, evitaria problemas com os deputados.
A medida tem, no entanto, um impacto sobre as finanças públicas que, ao lado das razões éticas, justificaria o veto do governador, que, entre outros compromissos, assumiu o de reduzir o custeio da máquina pública.
Os deputados alegam que, como não haverá aumento da verba de gabinete para o pagamento de mais assessores, a medida não terá impacto financeiro. Se um deputado contratar mais pessoas, terá de reduzir os salários dos que já trabalham para ele. Se tiver um assessor que ganha R$ 5 mil e contratar mais um, cada um dos assessores ganhará metade desse valor, exemplificam os deputados, para garantir que a medida não criará gastos.
Assim, estaria havendo apenas um "redimensionamento dos gabinetes, de acordo com as necessidades do mandato", ou uma "melhora da estrutura dos gabinetes", sem aumento de gastos com pessoal, como disseram alguns deputados.
Aumento de gastos haverá, sim, se aumentar o número de assessores pessoais dos deputados, como é previsível que ocorra. Cada assessor, além dos vencimentos normais - que, com o projeto, podem variar de R$ 1.828 a R$ 8.918, dependendo do número de assessores do deputado -, terá direito a auxílio-refeição, entre outros benefícios trabalhistas adicionais. Atualmente, o total de assessores não pode passar de 1.504; com a mudança, o número pode chegar a 3.008. Se todos os deputados contratarem o número máximo de assessores, os gastos da Assembleia com benefícios trabalhistas podem aumentar até R$ 11,2 milhões por ano. É esse o dinheiro adicional que o Legislativo consumirá para assegurar que, à custa do contribuinte, cada deputado possa contratar o dobro de cabos eleitorais. 

sexta-feira, 25 de março de 2011

FÓRMULA 1

A temporada 2011 da Fórmula 1.
Saiba o que muda na disputa e conheça a situação de cada carro, equipe e piloto da competição. LIVIO ORICCHIO (textos), MILTON PAZZI JR. (edição) e CARLOS LEMOS (montagem) - estadão.com.br.

segunda-feira, 14 de março de 2011

TABELA DO BRASILEIRÃO

estadão.com.br
Campeonato Brasileiro terá oito clássicos na última rodada em 2011.
Objetivo da nova tabela é evitar que equipes facilitem para prejudicar rivais, avisa a CBF.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou na tarde desta segunda-feira a tabela do Campeonato Brasileiro da Série A de 2011. A principal novidade será a realização de oito clássicos regionais na última rodada da competição.
A medida, uma solicitação do presidente Ricardo Teixeira, é para evitar a 'entrega' de partidas. Tanto em 2009 como em 2010, clubes foram acusados de facilitar jogos para prejudicar arquirrivais que estavam na disputa pelo título.
A rodada 38 do Brasileirão terá Corinthians x Palmeiras, São Paulo x Santos, Internacional x Grêmio, Cruzeiro x Atlético-MG, Atlético-PR x Coritiba, Avaí x Figueirense, Botafogo x Fluminense e Vasco x Flamengo. As exceções serão os confrontos Atlético-GO x América-MG e Bahia x Ceará.
De acordo com a CBF, "estão previstos igualmente clássicos regionais, envolvendo clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo, também na penúltima rodada, a de número 37". Nesta rodada, serão dois clássicos estaduais: Palmeiras x São Paulo e Fluminense x Vasco.
O campeonato começa no dia 21 de maio (com horários a confirmar), e a primeira rodada terá: Grêmio x Corinthians, Palmeiras x Botafogo, Santos x Internacional, Fluminense x São Paulo, Flamengo x Avaí, Ceará x Vasco, Figueirense x Cruzeiro, América-MG x Bahia, Atlético-MG x Atlético-PR e Coritiba x Atlético-GO.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dilma usará avião digno de príncipe árabe em suas viagens.

Modelo luxuoso foi emprestado à Presidência enquanto jatos oficiais passam por manutenção.
Agência Estado
A presidente Dilma Rousseff terá à sua disposição um avião de príncipe árabe. Trata-se de uma aeronave Lineage 1000, o maior e mais caro jato da Embraer, uma versão especial para 19 passageiros do modelo 190, que normalmente leva até 122 pessoas.
Cheios de eletrônica e luxo, cada Lineage não sai por menos de US$ 50,4 milhões. Dilma, porém, não está comprando a aeronave, nem vai pagar por seu uso - a Embraer cedeu por empréstimo, sem qualquer custo, o modelo para o GTE (Grupo de Transporte Especial), o esquadrão da Força Aérea responsável pela frota da Presidência da República.
Sob a matrícula FAB 2592, o grande jato será usado para substituir os dois Embraer 190 comprados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para viagens locais e regionais. As duas unidades vão para a revisão, um por vez, até dezembro.
A presidente vai usar o Lineage nesse período. O jato já foi pintado com as cores oficiais da Presidência e recebeu as insígnias formais.
Luxo.
A cabine da aeronave é dividida em cinco áreas. Tem quatro salas: uma de estar, outra para refeições, uma para reuniões e uma ampla seção privativa. Há ainda uma suíte isolada, com ducha, cama e televisão. O bagageiro pode ser acessado em voo. Os passageiros dispõem de dois ou três lavatórios.
A conexão de internet está disponível em toda a cabine, e o conjunto eletrônico é de última geração.
O avião tem duas turbinas e pode voar a 890 Km/h. Mede 36,20 metros de comprimento e 28,70 metros de envergadura. Pode decolar de Brasília e pousar em Madri, na Espanha, sem escala. Seu alcance é de 8.300 quilômetros.
O Lineage é um avião de xeque - o primeiro cliente foi a empresa Al Jaber Aviation, de Abu Dabi. É de um nobre árabe, hoje o maior usuário do avião.
Outros nove jatos foram negociados. Dois deles, mais simples e funcionais, servem ao Planalto. Os clientes exigem segredo de suas identidades.
O GTE começou a operar a nova aeronave na última quinta-feira, para que a tripulação se familiarize com o modelo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A LUTA CONTRA A CENSURA

Do repórter Jotabê Medeiros, do Estadão.
Foi protocolado na quarta-feira, às 19 h, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o projeto de lei que permite a divulgação da imagem e informações biográficas de pessoas de notoriedade pública. A autora passa a ser a deputada Manuela D”Ávila (PC do B-RS) - originalmente, o projeto era de autoria do então deputado Antonio Palocci (hoje ministro da Casa Civil da Presidência) e obteve parecer favorável do relator, José Eduardo Martins Cardozo (hoje também ministro).
Mas, segundo revelou o Estado de S.Paulo no dia 5 deste mês, o projeto foi engavetado sorrateiramente no dia 31 de janeiro, após três anos de trâmite no Congresso Nacional. Após a informação ter se tornado pública, escritores, intelectuais e jornalistas se manifestaram, e o próprio Palocci e Martins Cardozo passaram a pressionar para que retornasse à pauta.
“Num ato de cortesia”, Manuela D”Ávila comunicou a Palocci e Cardozo sua intenção de reapresentar o projeto - ele só poderia ser desarquivado pelo próprio Palocci, mas este não tem mais mandato de deputado. Segundo Manuela, o texto vai ter o mesmo trâmite que o antigo, e deverá passar agora pelas Comissões de Educação e Cultura e de Constituição e Justiça da Câmara. “Como já foi relatado, acredito que vai ter um trâmite mais rápido”, disse a deputada.
Ela informou que não foi feita nenhuma alteração no texto. O projeto visava a uma ementa ao artigo 20 do Código Civil brasileiro que trata do direito à imagem. Há um acúmulo de casos em que famílias de artistas (ou os próprios) têm ido à Justiça (com sucesso) para impedir a publicação de livros de terceiros que contem suas vidas, como foi o caso recente do livro Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César Araújo. Autores como Ruy Castro e Fernando Morais foram vítimas desse desvio da legislação.
Para Manuela D”Ávila, tal dispositivo, se mantido como vigora, ameaça a liberdade de expressão em outros níveis até um caderno especial de um jornal ou verbetes da Wikipedia com informações biográficas podem ser objeto de restrição por parte de autores e familiares.
O relator do projeto antigo, o então deputado José Eduardo Martins Cardozo, defendeu que a modificação na lei se justificava para “melhor ponderar situações de conflito que ocorrem cotidianamente entre o direito à imagem e à privacidade de um lado e o direito à liberdade de informação e ao acesso à cultura”.
Segundo Palocci, sua grande preocupação era com o risco que o gênero e a sociedade correm de ver histórias fundamentais simplesmente se perderem. “Penso que é fundamental para a sociedade conhecer sua história. As biografias de pessoas de interesse público têm um papel muito importante nesse sentido. Afinal, a soma de cada uma das histórias dessas personagens, inclusive com suas diferentes e quase sempre visões conflitantes de mundo e dos fatos em si narrados, é que escreve a história de um povo e de uma nação.”
Autores de biografias vivem sob a ameaça de perderem os investimentos de tempo e recursos em trabalhos que podem não se concretizar. É o caso, por exemplo, do jornalista Edmundo Leite, do Estado, que escreve biografia sobre Raul Seixas e, também em 2009, recebeu o seguinte telegrama de Kika Seixas (quarta das cinco ex-mulheres de Raul): “Caso o senhor insista na realização irregular de tal biografia, serão tomadas as medidas judiciais cabíveis”.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

OBESSÃO PELA LIBERTADORES

Por Antero Greco, no Viramundo
A maior ameaça ao Corinthians.
O corintiano está com o coração na mão, por causa do jogo com o Tolima, na noite desta quarta-feira. Com razão. Nem tanto por desconfiar da capacidade do time – não entusiasma como dois anos atrás, mas também não é um cardume de cabeças de bagre. A apreensão se deve ao peso que, no Parque São Jorge, se dá à Libertadores. É excessivo, fora de propósito.
A obsessão pelo torneio continental fez a desgraça do Corinthians em diversas ocasiões. Só pra lembrar algumas: duas vezes caiu diante do Palmeiras, duas também foram as trombadas que levou do River Plate. No ano passado, o sonho de conquista no centenário virou fumaça contra o Flamengo. Fora outras tentativas frustradas que a Fiel prefere apagar da memória.
Pressinto tensão idêntica no segundo confronto com os colombianos. Em circunstâncias normais, o Tolima estaria longe de tirar o sono alvinegro. Mas tirou. Como franco-atirador, deu sufoco no 0 a 0 da semana passada no Pacaembu. Como continua no lucro e não tem nada a perder em casa, volta a preocupar – Tite e jogadores reconhecem que a responsabilidade recai sobre o Corinthians, o mais forte, mais famoso e mais popular nesse duelo.
A ansiedade é inimigo mais devastador do que o Tolima. Portanto, maior obstáculo a ser superado. O segundo, que também se refere apenas ao Corinthians, é a fixação pela Libertadores, esse complexo de inferioridade em relação a Santos, São Paulo e Palmeiras, rivais paulistas que já botaram a mão na taça. Não é a ausência desse troféu que vai diminuir a importância do clube no futebol brasileiro.
O terceiro desafio está no futebol que o Corinthians apresentou até agora. Exceto no primeiro tempo do jogo com a Lusa (na abertura do Paulistão), as apresentações seguintes mostraram um time irregular, ainda sem fôlego e com baixo poder de fogo. No torneio paroquial, até que essas deficiências não farão muita diferença como se classificam oito para as quartas de final certamente haverá um lugar garantido.
As limitações técnicas podem emperrar a vida na Colômbia. Tite tratou de se coçar, ao tirar Bruno César, antes visto como cérebro do meio-campo e agora relegado à reserva. Paulinho entra para tornar o setor mais pegador. A ausência de Roberto Carlos também pode ser um baque. Apesar de tudo, não vejo um quadro para catástrofe. Dá para beliscar a vaga, pelo menos com empate de 1 a 1. Superado o medo, será necessário jogar muito, mais muito mais, na fase de grupos. Não poderá ter bola meio murcha.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

É bom o Corinthians abrir o olho desde já. Tem a pré-Libertadores…
Por Antero Greco
Não sou da turma dos alarmistas nem vejo desgraça em cada esquina. Mas é bom o Corinthians abrir o olho logo, como se dizia no meu velho e querido Bom Retiro. Bairro, aliás, onde nasceu o glorioso alvinegro 100 anos atrás. É só começo de temporada, porém os resultados não entusiasmam. Mais do que isso, o desempenho do time preocupa, sobretudo agora que se aproximam os duelos com o Deporte Tolima, pela pré-Libertadores.
O corintiano ficou com a pulga atrás da orelha, depois do empate por 1 a 1 com o Noroeste, no final da tarde deste domingo. Nem é pra menos. Assim como havia acontecido no meio da semana, diante do Bragantino (também 1 a 1), a equipe mostrou limitação na parte física (o fôlego acabou logo), vários jogadores continuam a carecer de melhor preparo e o equilíbrio do conjunto fica muito aquém do desejado. Por isso, velhos fantasmas voltam a assombrar.
O temor da Fiel não se limita ao Campeonato Paulista. Na verdade, o torneio estadual permite reação, até com várias derrapadas, porque o regulamento é muito generoso. Como se classificam oito para as quartas de final, o Corinthians só se complicará se tiver incompetência inédita. O que não será o caso. A questão é a competição sul-americana. O Tolima não é muito melhor do que um Noroeste, mas a pressão será infinitamente maior.
O Corinthians ensaiou apenas enquadrar o rival de Bauru, sobretudo no primeiro tempo, quando Jorge Henrique, Dentinho, Roberto Carlos, Moacir e Bruno César tinham gás para ir à frente. Enquanto essa turma estava bem de pulmões e pernas, deu para animar a torcida. E a vantagem, no gol de Dentinho, foi consequência do domínio.
No segundo, porém, o time desabou. Parecia ter colocado o pé no freio, como estratégia, mas faltou mesmo melhor preparo. Os jogadores que antes se destacaram diminuíram o ritmo, Ronaldo passou em branco mais uma vez e o Noroeste cresceu. Chegou ao empate por falha de Roberto Carlos (perdeu a bola no meio-campo) e, se apertasse mais um pouco, poderia ter provocado estrago maior. Por sorte, também é limitado e se contentou com o pontinho ganho.
Não está aceso o vermelho lá pelas bandas do Parque São Jorge – nem é o caso. Ainda. Mas está na hora de o time acordar, de preferência a partir de quarta-feira. Cochilos na Libertadores não serão permitidos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NEYMAR É MESMO UM MOSTRO

Por Antero Greco.
Meses atrás, na dividida que resultou na demissão do técnico Dorival Júnior, não faltou quem enxergasse em Neymar um monstro embalado e mimado na Vila Belmiro. O chilique do rapaz foi visto como sinal de temperamento descontrolado, irrecuperável. O momento de explosão e de reconhecida má educação poderia levá-lo à internação em alguma instituição correcional, se dependesse da vontade de algumas pessoas que não suportam ver um jovem em destaque. Ele perdeu até uma convocação para a seleção de Mano Menezes.
Pois Neymar provou, na noite desta segunda-feira, que está a transformar-se num monstro da bola – e com categoria para devastar defesas rivais. A joia santista arrasou na estreia do Brasil no Sul-Americano Sub-20, em Tacna, Peru. Não só por ter feito todos os gols da turma amarelinha, nos 4 a 2 sobre o Paraguai. E olha que já por aí mereceria elogios retumbantes.
Mas foi além: chamou o jogo pra si, comportou-se como líder, como jogador que resolve, quando percebeu que alguns companheiros perdiam a cabeça – Zé Eduardo e Henrique foram expulsos e colocaram em risco a exibição inicial da equipe de Ney Franco. Sorte que Neymar estava em campo. Atrevido, moleque e consciente de sua extraordinária qualidade, foi pra cima dos paraguaios e fez a festa. Marcou de tudo quanto foi jeito: de pênalti, em dividida com goleiro, driblando zagueiros incautos ou por cobertura.
Há quem não goste da dicção de Neymar, ou de seu vocabulário de moço pouco letrado. Já vi gente torcendo o nariz para os cortes de cabelos próprios da rapaziada ou para os óculos escuros, os brincos e outros badulaques com os quais se exibe. Evidente que aumenta as hordas de quem só enxerga nele um pós-adolescente mascarado e deslumbrado.
Pra mim, deslumbrante mesmo é o futebol de Neymar. Dias atrás, ele afirmou, todo pimpão, que seu estilo se assemelharia mais ao de Garrincha do que ao de Pelé. Pelo visto, o Anjo das Pernas Tortas o cobriu de bênçãos. Que assim seja para sempre.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DIREITOS HUMANOS

Maria do Rosário quer priorizar direitos de crianças e adolescentes sob tutela do Estado e evitar debate sobre punição a torturadores.
Roldão Arruda – O Estado de S.Paulo.
A política da Secretaria de Direitos Humanos deverá mudar de rumo no governo de Dilma Rousseff. A nova ministra, a deputada gaúcha Maria do Rosário (PT), não seguirá a trilha de seus antecessores petistas, Nilmário Miranda e Paulo Vannuchi, que puseram em primeiro plano a política de apuração de violações de direitos humanos ocorridos na ditadura. A prioridade agora serão os direitos das crianças e dos adolescentes.
Uma das primeiras ações do ministério será avaliar se o Estado brasileiro respeita os direitos das crianças que mantém sob sua tutela em abrigos públicos. De acordo com números oficiais, existem no País 2.400 abrigos desse tipo, destinados a crianças sem família, abandonadas, retiradas do meio familiar por ordem judicial porque sofriam algum tipo de violência ou porque não eram bem tratadas, vítimas de abuso sexual, dependência de drogas. No total são 54 mil abrigados.
O que chama a atenção da ministra é que, embora exista uma fila de 28.988 famílias querendo adotar os moradores desses abrigos, apenas 5.369 estão aptos para a adoção. O que acontece com os outros? Seriam vítimas de uma política de Estado que está preparada para abrigar as crianças, mas não se preocupa em desabrigá-las.
Muitas, segundo Maria do Rosário, foram recolhidas por causa de uma dificuldade temporária da família natural e acabaram esquecidas nos abrigos. Tecnicamente não se destinam à adoção, mas, após anos sob a tutela do Estado, também não estão em condições de voltar para a família natural, porque não são mais desejadas, porque foram esquecidas ou por outras razões.
“Quem garante que os direitos dessas crianças estão sendo respeitados?”, indaga a ministra, cuja pasta é responsável pelo estabelecimento de políticas para os abrigos, mantidos por prefeituras e governos estaduais. “Esses lugares não são, com toda certeza, os melhores para crescer.”
Maria do Rosário vai promover ações, com o apoio do Judiciário, do Ministério do Desenvolvimento Social e outras instituições públicas, para avaliar a situação dessas crianças e encontrar formas de devolvê-las às famílias, ou, quando não for possível, abrir portas para a adoção.
O tema das crianças e adolescentes constitui o eixo da carreira política da ministra, desde que se elegeu vereadora pela primeira vez, em 1992, Porto Alegre. Na semana passada, durante encontro com a reportagem do Estado, ela se emocionou tanto ao falar de meninas e meninos vítimas de exploração sexual que, em dois momentos, ficou com os olhos marejados.
Quem a conhece sabe que isso é comum. Acontecia com frequência entre 2003 e 2004, quando atuou como relatora da comissão parlamentar de inquérito que investigou as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes no País – atividade que, apesar da ampla divulgação, teve poucos resultados. Segundo levantamento da Polícia Federal Rodoviária Federal, de 2010, ao longo das rodovias federais existem 1.800 locais identificados como pontos de exploração sexual de crianças e adolescentes: um a cada 26 quilômetros.
Homofobia.
Maria do Rosário também pretende dar mais atenção às questões que envolvem os direitos dos idosos, dos deficientes físicos e dos homossexuais. No fim deste mês ela se encontrará com representantes de organizações de homossexuais, em São Paulo, para debater medidas de combate à homofobia.
A questão dos mortos e desaparecidos na ditadura militar não ficará fora de sua agenda. A diferença, em relação aos antecessores, é que não pretende manter o tema na boca. Também evitará debates públicos com o ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB).
Na quarta-feira, ao chegar à sede do Ministério da Defesa, para um encontro com Jobim, Maria do Rosário entrou pela garagem, para evitar perguntas de jornalistas sobre as divergências entre Defesa e Direitos Humanos a respeito de apurações de crimes ocorridos na ditadura. Mas, ao término do encontro, que foi dos mais amistosos, Jobim insistiu para que saísse pela porta da frente, ao lado dele.
“Tenho a melhor relação possível com o ministro Jobim”, diz Maria do Rosário ao Estado. “Não há nenhuma possibilidade de dissenso entre o meu trabalho e o dele.”

sábado, 11 de dezembro de 2010

REBELIÃO DIGITAL

"O gênio saiu da garrafa e pode ser muito difícil colocá-lo de volta novamente"
Jonathan Wood, analista da Global Risks sobre a rebelião digital desencadeada por centenas de milhares de ativistas especializados no campo tecnológico, que desfecharam ataques coordenados contra websites de entidades que estariam tentando silenciar o WikiLeaks. Foram alvos dessas ações o Mastercard, Visa e um banco suíço todos haviam bloqueado pagamentos ao WikiLeaks, aparentemente sob pressão dos EUA. As páginas do governo e da promotoria da Suécia, que pediram a extradição de Assange por crimes sexuais, também foram atacados. Defensores do WikiLeaks dizem que a repressão contra o site e seu dirigente tem motivação política, após o vazamento dos 250 mil telegramas da diplomacia americana, um robusto mapeamento da rede de espionagem mundial arquitetada pela Casa Branca e o Departamento de Estado. (com informações Reuters/Estadão; 11/12). Apoio ao WikiLeaks já reúne mais de 525 mil adesões:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O QUE ELES NÃO FAZEM ! ?

WikiLeaks revela espionagem dos EUA sobre a ONU e segredos do Irã.

Site vaza 250 mil documentos diplomáticos secretos e expõe política externa americana.


O site WikiLeaks divulgou que, mais de 250 mil documentos diplomáticos secretos dos EUA enviados para mais de 250 embaixadas e consulados americanos em todo o mundo, revelando iniciativas e bastidores polêmicos sobre a política externa de Washington.
Os documentos, divulgados pelos jornais The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido), Le Monde (França), El País (Espanha) e pela revista Der Spiegel (Alemanha), fazem parte do maior vazamento de material diplomático da história e colocam Washington em uma situação delicada.
O material revela ordens de espionagem sobre membros da Organização das Nações Unidas (ONU) por parte do Departamento de Estado americano e informações sobre o programa de mísseis do Irã. Veja os principais tópicos dos documentos revelados pelo WikiLeaks e clique nos links para saber mais detalhes sobre cada caso.
Espionagem sobre a ONU - Os papéis mostram que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mandou diplomatas espionarem a liderança da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre os alvos estão o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon e representantes de Reino Unido, França, China e Rússia, países com assento permanente do Conselho de Segurança.
Segundo os documentos vazados pelo WikiLeaks, Hillary ordenou que especialistas elaborassem relatórios com detalhes sobre os sistemas de comunicação utilizados pelos principais diplomatas da ONU, incluindo senhas e códigos de segurança usados em redes privadas e comerciais para as contatos oficiais da entidade.
Os documentos afirmam que as principais agências de inteligência dos EUA estão envolvidas na espionagem sobre a ONU. O Serviço Secreto dos EUA, o FBI e a CIA foram acionados pelo Departamento de Estado para "serviços de coleta de informações". Espionagens sobre oficiais e propriedades da ONU são expressamente proibidas pela convenção de 1946.
Arábia Saudita pede ataque contra o Irã - Outro ponto citados nos documentos são os repetidos pedidos do rei Abdullah, da Arábia Saudita, às lideranças americanas que atacassem o Irã para acabar com o programa nuclear do país persa.
Os documentos revelam que vários países árabes pressionaram os EUA para um ataque contra as instalações nucleares iranianas e expõem os bastidores das tensões sobre o programa de enriquecimento de urânio mantido pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad. As mensagens teriam sido enviadas para embaixadas americanas para todo o Oriente Médio.
Parceria de mísseis entre Irã e Coreia do Norte - O WikiLeaks também revelou que o Irã obteve acesso a um sofisticado sistema de mísseis capaz de atingir o oeste da Europa graças à ajuda da Coreia do Norte. Os foguetes são muito mais poderosos do que qualquer arma publicamente conhecida do arsenal iraniano.
Os mísseis, baseados no design do foguete russo R-27, dão ao Irã a capacidade de atacar capitais no oeste europeu ou cidades russas. Desde 2006 especula-se que a Coreia do Norte poderia vender ao Irã os armamentos.
A versão coreana do míssil, conhecido como BM-25, pode levar material nuclear explosivo. Embora os especialistas acreditem que o Irã ainda não tenha tecnologia o suficiente para produzir material nuclear com finalidades bélicas, especula-se que esse seja o objetivo do programa atômico iraniano.
Negociações pelo fim de Guantánamo - O material vazado revela que diplomatas americanos pressionaram outros países para receber os detidos da prisão em Cuba, e para isso estabeleceram "negociações". Para a Eslovênia, por exemplo, disseram que as lideranças do país só teriam receberiam uma visita do presidente Barack Obama se recebessem um prisioneiro. Para a Bélgica, receber um prisioneiro seria uma "via de baixo custo para obter maior proeminência na Europa".
Usina iraniana de Qom - Segundo o WikiLeaks, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) receberam das autoridades iranianas plantas apenas parciais das obras da usina de secreta de Qom. A atitude elevou ainda mais as suspeitas de que o complexo deva ser usado pelo Irã para a produção de armas nucleares.
Boicote à posse de Ahmadinejad - Os documentos revelam que embaixadores da União Europeia concordaram em boicotar a posse de Mahmoud Ahmadinejad como presidente do Irã. Os diplomatas mantiveram a decisão em segredo. Os europeus se viram em uma situação dupla - precisavam mostrar que não apoiavam as controversas eleições iranianas, mas tinham de reconhecer que o poder estava nas mãos de Ahmadinejad e do supremo aiatolá Ali Khamenei.
Fornecimento de armas a militantes - Nos documentos, diplomatas americanos descrevem os esforços falhos dos EUA em prevenir a Síria de fornecer armas para o grupo militante Hezbollah, atuante no sul do Líbano, que ampliou seu arsenal significativamente desde a guerra de 2006 com Israel. Uma semana depois de Bashar al-Assad, presidente sírio, prometer não enviar mais armas para os militantes, os EUA reclamaram de que a Síria continuava a armar os rebeldes.
Crise no Paquistão - Os cabos mostram a preocupação dos EUA com a presença de material radioativo em usinas nucleares do Paquistão, que Washington temia ser usado em ataques terroristas. As comunicações revelam que, desde 2007, os EUA vinham tentando remover urânio altamente enriquecido de um reator usado para pesquisas no Paquistão.
Em um cabo emitido em 2009, a embaixadora dos EUA no Paquistão, Anne W. Patterson, diz que o país se recusa a aceitar uma visita de especialistas dos EUA. Segundo ela, autoridades do Paquistão disseram que uma visita seria vista pelos paquistaneses como "se os EUA estivessem tomando as armas nucleares do Paquistão".
China e infiltração cibernética - Os documentos revelam preocupação sobre o suposto uso em grande escala, pelo governo chinês, de técnicas de infiltração e sabotagem cibernética. Alguns dos cabos diplomáticos afirmam que uma rede de hackers e especialistas em segurança foram contratados pela China a partir de 2002, e que essa rede conseguiu acesso a computadores do governo e de empresas dos EUA, além de aliados ocidentais e do Dalai Lama.
Os cabos citam um contato chinês que disse à embaixada dos EUA em Pequim que o governo chinês estaria por trás da infiltração do sistema de computadores do Google no país em janeiro.
O WikiLeaks é um site que se dedica a revelar documentos militares secretos dos EUA e de outros países. Neste ano, o site divulgou cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra do Iraque. Antes disso, o WikiLeaks já havia divulgado 90 mil relatórios confidenciais sobre abusos cometidos no Afeganistão. O site promete mais vazamentos nos próximos dias.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

NÃO TEMOS DE ESPERAR O G 20

Controle de capitais :a resposta ao salve-se quem puder de Obama?


Não temos de esperar o G-20, afirma Maria da Conceição Tavares.A professora Maria da Conceição Tavares não tem falado ultimamente com o presidente Lula nem com a presidente eleita Dilma Rousseff. Mas tem na ponta da língua várias recomendações a fazer. A ex-deputada federal e militante do PT propõe a adoção de mecanismos para controlar a entrada de capitais e redução imediata dos juros para tratar o que considera como questão mais urgente do novo governo: a valorização do real ante o dólar americano.Descrente da possibilidade de o encontro do G-20, amanhã e sexta-feira, gerar algum tipo de acordo efetivo sobre o assunto, Conceição acredita que cabe ao governo brasileiro acelerar a adoção de medidas de proteção. "Sem acordo para ordenar essa porcaria, doa a quem doer, nós temos de nos defender e, se for necessário, façamos controle de capitais, não tem nada de mais", defendeu ontem a economista durante debate no Congresso.
Além do controle na entrada de dólares, a professora também defende redução da taxa de juros, o que reduziria o apetite dos investidores estrangeiros em trazer recursos ao Brasil. "Temos de usar todos os instrumentos possíveis e não precisamos pedir licença a ninguém. Quem tem de se defender é o Brasil, e não ficar esperando G-20, 22, 23 ou 24."
Aos 80 anos, Conceição continua verborrágica. Em pouco mais de três horas de debate, defendeu um aumento maior do salário mínimo em 2011 - descontando parte do reajuste a ser concedido em 2012 -, a volta da CPMF e o fim da briga de gato e rato entre Banco Central e Ministério da Fazenda, que classificou como "jogo perigoso".
Para combater a guerra cambial, ela deixou claro que, se dependesse de seu voto, Henrique Meirelles não continuaria à frente do BC. "Mas isso sou eu." Depois que Conceição Tavares admitiu no debate que chegou a sonhar em comandar o BC na década de 1980, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu que agora seria a oportunidade de transformar o sonho em realidade. Para não deixar dúvidas que continua a mesma, a professora foi direta: "De jeito nenhum. Agora eu não aceitaria porque tenho 80 anos e estou com o pé na cova". (O Estado de S. Paulo, 10-11)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


Apple aposta em nova era da computação.

Por The New York Times.
Post publicado no:

Por Nick Bilton, Tradução de Celso M. Paciorni.
Lembram do disquete? Aposto que Steve Jobs lembra. Também aposto que ele  lembra de quando o matou.Foi em 1998, para ser preciso, e a arma do crime foi o novo iMac, um computador que não tinha o leitor de disquete que era padrão nos computadores da época.No mês passado, Jobs assinou a sentença de morte para outra peça de tecnologia: os discos ópticos como DVDs e CDs.Para essa execução, sua arma escolhida foi o novo MacBook Air, com uma ajuda extra da loja do iTunes, é claro.Durante o anúncio da nova linha MacBook Air, Jobs disse que esses computadores eram laptops da próxima geração. Isso foi reiterado nos comerciais dos computadores, em que uma narração em off os chama de “a próxima geração de Macbooks”.
A versão do Mac em 1984 ainda incluia leitor de disquete. FOTO: PAUL SAKUMA/AP
Em outras palavras, não esperem um slot de DVD em seu próximo laptop Mac, ou em seu próximo computador desktop, aliás. A Apple espera substituir esses discos por um iCloud branco felpudo em que software, vídeo e seu próprio conteúdo pessoal esvoaçam em torno no ar como gaivotas felizes numa praia.
A Apple tem muita coisa em jogo com sua iniciativa rumo a essa nova era de computação.O desastroso lançamento do MobileMe, que oferece armazenamento online e sincronização entre dispositivos, foi um dos maiores fiascos da empresa nos últimos anos. Embora o serviço funcione relativamente bem agora, ele ainda é muito caro, ao preço de US$ 100 por ano, e o software de armazenamento iDisk é muito mais lento  que produtos de terceiros como ZumoCast e Box.net. Para aumentar a pressão, a Apple também está enfrentando o Google, uma companhia que cresceu basicamente na computação em nuvem e construiu alguns serviços bem-sucedidos para esta nova era de software.Nada disso é novo para Steve Jobs. Na semana passada, um relatório observou que o centro de processamento de dados de 500 mil metros quadrados e US$ 1 bilhão em que a companhia vem trabalhando há anos está ficando pronto para entrar em operação. E Peter Oppenheimer, diretor financeiro da Apple, disse recentemente que o centro de processamento de dados abriria “a qualquer momento”. Quando o centro na Carolina do Norte estiver pronto, as pessoas podem esperar todo tipo de serviço baseado em nuvem em seus computadores Mac.
Fotos e música poderiam começar a fluir entre computadores sem a necessidade de fios incômodos, e pode-se até imaginar um tempo em que o sistema operacional de seu computador não é simplesmente um desktop, mas um “cloudtop”, onde todo tipo de arquivo salvo em sua máquina é automaticamente emitido para o espaço virtual, tornando-se acessível em iPads, iPhones e outros dispositivos Apple. Mas a companhia ainda não está com pressa de mudar cada um e todos para a computação em nuvem. A Apple quer fazer a coisa certa desta vez, e os consumidores provavelmente verão essas mudanças ocorrerem lentamente.Uma coisa é certa, porém: preparem-se para guardar todos os velhos DVDs e CDs numa caixa junto com seus videoteipes e disquetes.

sábado, 23 de outubro de 2010

Os 70 anos do Rei do Futebol.
Pelé completa 70 anos em excepcional forma, e sua marca está cada vez mais forte.
Wilson Baldini Jr,O Estado de S. Paulo.
Os professores de Educação Física Laércio e Walter se preparam para mais uma aula com os alunos do Ensino Fundamental 1 do Colégio Madre Alix, em São Paulo. Antes da corrida inicial, uma pergunta para os garotos e meninas de até 6 anos de idade. "Quem conhece o Pelé?" A resposta das crianças é rápida e decidida, como era característica do maior jogador de futebol de todos os tempos: "Eu, eu, eu." Em 2007, na entrega do Prêmio de Melhor do Mundo da Fifa, em Zurique, Suíça, Kaká, Messi e Cristiano Ronaldo disputavam o 1.º lugar, mas quem chamou a atenção do seleto público foi Edson Arantes do Nascimento.
São dois exemplos da imortalidade de um personagem esportivo que se transformou na maior marca pessoal do esporte já existente, e que hoje completa 70 anos de vida. Sem chutar uma bola profissionalmente desde 1977, Pelé permanece com credibilidade, respeito e admiração por parte do público, o que o torna alvo predileto dos mais diversos tipos de produtos para os quais negocia quantias milionárias e assim liga sua imagem a comerciais para todos os tipos de mídias pelo mundo. Um estudo dos autores ingleses Des Dearlove e Stuart Crainer, especialistas em poder das grifes, diz que a marca Pelé poderia atingir US$ 1 bilhão, superando os astros Michael Jordan, Tiger Woods e Muhammad Ali.
Levantamento recente da revista Dinheiro, aponta que, para se explorar a marca Pelé nos próximos 20 anos, seriam necessários R$ 600 milhões, o que garantiria ao Rei do Futebol R$ 30 milhões anuais, o mesmo que Cristiano Ronaldo recebe para defender o Real Madrid. O salário do português é o maior do futebol. Ibrahimovic, do Milan, Messi, do Barcelona, Samuel Eto'o, da Internazionale, e Kaká, do Real Madrid, na ordem, ficam atrás do eterno camisa 10 do Santos e da seleção.
Mas o que faz Pelé ser diferente de outros grandes ídolos do futebol, que também já pararam e, com o tempo, perderam parte da aura que acumularam em suas carreiras? Muitos especialistas indicam que o maior "golaço" do Rei não foi nenhum dos 1.281, que estufaram as redes adversárias em duas décadas. Mas sim ter ido jogar nos Estados Unidos em 1975, defender o Cosmos, de Nova York. Além dos salários de US$ 4,5 milhões por ano (excepcionais para a época) e a divulgação de um esporte com pouco interesse na terra do Tio Sam, Pelé teve a oportunidade de conviver com grandes investidores dos EUA, que lhe abriram as portas para vantajosos contratos publicitários. Há tempos, Pelé sonha com a aposentadoria. Mas parece que essa disputa ele não vai vencer nunca.
O MELHOR DO MUNDO.
O meio esportivo debate, frequentemente, qual o melhor atleta de cada modalidade. No futebol, não é diferente. As discussões são eternas, e jamais haverá consenso. "Ninguém teve maior domínio de bola que Diego Maradona", apontam os argentinos. "O conhecimento tático de Johan Cruyff foi indiscutível", assinalam os holandeses. "Não existiu alguém que driblasse como Garrincha", apontam os botafoguenses. "Nenhum jogador teve a classe e categoria do francês Zinadine Zidane", reverenciam os franceses. "Zico foi o maior cobrador de faltas da história", anunciam os flamenguistas. Pois bem, cada grupo ressalta o que cada um de seus ídolos fez de melhor em sua carreira.
Nessa briga de opiniões, os brasileiros, principalmente os torcedores do Santos, se sentem à vontade para destacar que o futebol de Pelé foi inigualável. Isto porque o eterno camisa 10 conseguiu realizar todos os fundamentos sempre muito bem feitos. Sabia driblar curto, carregar a bola (sem olhar para ela) em uma velocidade quase sempre superior à de seus marcadores. Tocava a bola e finalizava a gol com a mesma precisão e potência com ambas as pernas. Tinha total controle sobre ela e seu passe, na maioria das vezes, deixava seus companheiros na cara do goleiro adversário. Como herança de seu pai, Dondinho, sabia cabecear de olhos abertos, para procurar o local mais longe do alcance dos goleiros. Tinha técnica para cobrar faltas e até se apresentava com totais condições para atuar no gol. Enfim, Pelé conseguiu reunir a habilidade para realizar todas as características que cada um dos gênios citados anteriormente conseguia fazer.
Este dom lhe proporcionou atingir marcas que se transformam a cada dia cada vez mais intransponíveis. Pelé não foi o único a atingir a marca de 500 gols. Chegou aos 1.281. O detalhe é que tal feito foi atingido aos 21 anos e dez meses, enquanto Romário só foi alcançar aos 31 anos e Bebeto, aos 35.
E mais. Em 1958, temporada em que completou 18 anos, apenas a sua segunda pelo time do Santos, Pelé anotou 58 gols só no Campeonato Paulista. Três anos depois, chegou à marca impressionante de 111 gols, com média de 1,48 gols/jogo.
Em 21 anos de carreira (1956 a 1977), Pelé somou 59 conquistas. Foram dez Campeonatos Paulistas, seis torneios nacionais (Taça Brasil ou Roberto Gomes Pedrosa). Campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes em 1962/1963, o Santos só não venceu mais estas duas competições, porque não era dada muita atenção para estes torneios. A diretoria santista da época preferia levar a equipe para excursões no exterior, onde muito dinheiro era pago a cada apresentação de Pelé e Cia.
Além do talento e das conquistas, Pelé sempre soube valorizar suas aparições e cuidar de sua imagem. Sempre simpático, jamais se negou a dar um autógrafo para um fã ou responder a uma pergunta de um repórter. Vinculou seu nome a centenas de produtos, mas jamais se vendeu a bebidas alcoólicas ou cigarros.
Tal postura, sempre sorrindo, fez com que todos os presidentes dos Estados Unidos se encontrassem com o Rei de um esporte não muito apaixonado pelos norte-americanos. Os papas Paulo VI e João Paulo II o receberam no Vaticano. A rainha Elizabeth II chegou a quebrar o protocolo e fazer um pedido para que o maior craque de todos fosse atuar pelo seu time do coração, o Liverpool.
Por isso, pode-se discutir os melhores em cada fundamento do futebol, mas não há discussão quanto àquele que soube ser o melhor juntando-se todos eles.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ENCONTRO DAS ÁGUAS

Encontro das águas é tombado provisoriamente.
Até decisão final do patrimônio histórico, região entre rios Negro e Solimões está protegida; construção de porto fica parada.
 Liège Albuquerque - O Estado de S.Paulo
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou provisoriamente o Encontro das Águas, fenômeno no qual as águas escuras do Rio Negro se misturam com às barrentas do Rio Solimões, formando o Rio Amazonas, numa área de cerca de 30 quilômetros quadrados. A medida entrou em vigor ontem e valerá até que o Conselho Consultivo do órgão se reúna para decidir tombar ou não a área em definitivo.
RODRIGO BALEIA-06/1/2009Ícone. Navio do Greenpeace navega próximo ao encontro do Rio Negro com o Rio Solimões
A próxima reunião do conselho está prevista para começo de novembro, mas ainda não há uma pauta definida - ou seja, o tema pode não ser discutido neste encontro e a decisão final ser adiada para o ano que vem.
De acordo com o superintendente do Iphan no Amazonas, Juliano Valente, o tombamento provisório é um "passo preventivo" para preservar a área até a decisão definitiva. "Normalmente, o Conselho Consultivo, se há um tombamento provisório, que é prerrogativa da presidência do Iphan, segue pelo mesmo caminho, mesmo que solicite outros estudos para embasar o julgamento", explica.
Até lá, a obra do Porto das Lajes, a 2,4 quilômetros do fenômeno e orçada em R$ 220 milhões, continua embargada. Por conta da falta de licenciamento ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a construção já está paralisada há cinco meses. O projeto foi concebido para servir à Zona Franca de Manaus.
O problema em torno do porto é que ele ficará diante do Encontro das Águas e ao lado de um sistema de captação de água prestes a ser inaugurado. O Ministério Público teme que a construção do porto destrua um fenômeno natural e contamine a água que abastece 300 mil pessoas.
O tombamento da área, contudo, não condena em definitivo a obra: caberá à superintendência regional do órgão decidir sobre qualquer construção privada na área tombada, depois da sentença final. Segundo o texto publicado ontem no Diário Oficial da União, no prazo de quinze dias, "assiste aos proprietários dos bens abrangidos pela poligonal de tombamento a faculdade de anuir ou impugnar a iniciativa".
Delimitação. Segundo o estudo o Iphan, a área delimitada toma como ponto de partida, chamado de Ponto 1 (as coordenadas 3°6''58.21"S e 59°54''21.30"O). Desse Ponto 1 traça-se uma linha reta de 4,5 quilômetros até as bordas da margem direita do Rio Negro, no encontro do leito do rio com a Ilha do Xiborema, cortando esta por uma linha semi-circular de 4,5 quilômetros de raio.
A delimitação da área continua até a margem direita do Rio Solimões, de onde atravessa o leito do Rio Amazonas até a desembocadura da lagoa intermitente localizada à margem esquerda do mesmo rio, nas proximidades da Colônia Antônio Aleixo.
O perímetro abarca a lagoa e ainda uma faixa de terra de 200 metros da margem esquerda do Amazonas, até encontrar novamente o Ponto 1

sábado, 25 de setembro de 2010

Ibope: Serra sobe, vantagem diminui, mas Dilma ainda vence no 1º turno.Petista tem 9 pontos porcentuais a mais que a soma de todos os adversários; há uma semana essa dianteira era de 14 pontos.
Daniel Bramatti - O Estado de S.Paulo
Em uma semana, a preferência dos eleitores pela petista Dilma Rousseff caiu de 58% para 55% dos votos válidos, enquanto os que optam pelo tucano José Serra aumentaram de 28% para 31%. Marina Silva (PV) tem 13% dos votos válidos. A candidata governista venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

A contagem dos votos válidos exclui nulos e em branco, além de indecisos. São esses os números que o Tribunal Superior Eleitoral divulgará na apuração oficial. Em relação ao total dos votos, Dilma oscilou de 51% para 50%, enquanto seu principal adversário subiu de 25% para 28%. O crescimento do tucano se deu sobre os eleitores indecisos - os que não sabem em quem votar caíram de 8% para 5%. Marina oscilou um ponto para cima, de 11% para 12%.
Há uma semana, a candidata do PT tinha 14 pontos porcentuais de vantagem sobre a soma dos adversários, no cálculo dos votos totais. Agora, essa diferença diminuiu para 9 pontos. Se a soma dos adversários ultrapassar o índice de Dilma, haverá segundo turno.
Na hipótese de uma segunda rodada eleitoral entre a petista e o tucano, ela é favorita: venceria por 54% a 32%.
Efeitos do escândalo. É a primeira pesquisa Ibope a captar integralmente a repercussão da demissão de Erenice Guerra do cargo de ministra-chefe da Casa Civil, após denúncias de tráfico de influência envolvendo parentes dela, ex-braço direito de Dilma.
Segundo o Ibope, 46% dos eleitores tomaram conhecimento da queda da ministra. Pouco mais de um terço do total de entrevistados disse saber o motivo da demissão - a acusação de que parentes se utilizavam da influência de Erenice para intermediar negócios de empresários com o governo federal, em troca de vantagens. Para 22% do total, a acusação é verdadeira, e, para 21%, tem um fundo de verdade, mas foi exagerada. Outros 6% consideraram a denúncia falsa, e 52% não souberam responder.
Entre os eleitores com escolaridade superior - os mais bem informados sobre o escândalo -, Serra subiu de 30% para 33%. Mas Dilma não caiu - permaneceu com 37%, índice que apresenta desde o início de agosto.
No segmento com até quatro anos de estudo, a petista oscilou de 56% para 55%, quanto Serra subiu de 22% para 29%. Nessa faixa, o número de indecisos caiu praticamente pela metade - de 11% para 6%.
Geografia do voto. O crescimento de Serra se concentrou em duas regiões. No Sudeste, ele subiu de 24% para 30%. No Nordeste, foi de 16% para 20%. Nas mesmas regiões, Dilma passou de 48% para 45% e de 66% para 64%.
Na divisão do eleitorado por renda, o tucano melhorou sua performance em todas as faixas. Seu melhor índice ocorre entre quem ganha mais de cinco salários mínimos: chega a 34% (eram 29%) e fica a apenas cinco pontos da candidata petista, que tem 39%.
A uma semana da eleição, a pesquisa mostra que 72% acham que Dilma será a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - mesmo índice da semana passada. Os que acreditam em uma vitória de Serra eram 14% e passaram para 15%.
Os índices de rejeição apenas oscilaram: 21% para Dilma e 27% para Serra.
Pouco menos da metade dos entrevistados (48%) se declararam dispostos a votar no candidato apoiado pelo presidente Lula da Silva. Apenas 9% preferem eleger um representante da oposição, e 38% afirmam que não levarão em conta a posição de Lula na hora de votar.
A parcela do eleitorado que sabe que Dilma é a candidata de Lula é de 92%, Cerca de 1% acha que o representante do PSDB é o preferido pelo presidente, e o restante não sabe ou preferiu não responder.
Governo. O Ibope também avaliou o grau de satisfação do eleitorado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 80%, a gestão é ótima ou boa. Apenas 4% da população considera o governo ruim ou péssimo. Entre os que têm avaliação positiva do governo, 60% se mostram inclinados a votar em Dilma, e apenas 23% no principal candidato da oposição.