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domingo, 24 de outubro de 2010

FRANÇA E O MUNDO EM 2010

O vermelho refulgente da bandeira tricolor.
Os franceses não querem que as políticas neoliberais do seu atual presidente se expandam. Aliás, estas são praticamente as mesmas daquele que se tem de vencer por aqui. Cresce, internacionalmente, a agenda antineoliberal e a crítica contundente a qualquer medida que piore a situação de vida das maiorias.
Luís Carlos Lopes, Carta Maior
Os últimos acontecimentos na França estão repercutindo em todo o mundo. O grau de magnitude dos mesmos impede que sejam escondidos pelas grandes mídias lidas e vistas no Brasil. Os noticiários vistos pela a maioria dos brasileiros não explicam o que está acontecendo em maiores detalhes, mas são obrigados, meio a contragosto, a noticiar o que vem sendo reproduzido pela imprensa mundial. Os trabalhadores se levantaram e junto com os estudantes rebelados transformaram as ruas das cidades francesas em uma grande festa popular. O que tanta gente quer?
A pauta é longa, cheia de reivindicações. Existe uma condenação geral do governo Sarkozy, um descontentamento imenso com suas políticas e com a presente situação do país. A crise econômica mundial teve graves conseqüências por lá e quem está pagando a conta são, para variar, os trabalhadores. O desemprego aumentou e as perspectivas de mudanças são para o longo prazo. A ofensiva neoliberal não parou com a crise. As burguesias locais e seus êmulos políticos continuam achando que o remédio consiste em desmontar o Estado, tirando o máximo possível das conquistas dos trabalhadores. A população está acostumada aos benefícios sociais do que já foi um dos maiores Estado do Bem-Estar da Europa. Saúde, educação, cultura e trabalho garantidos para a grande maioria, bem como aposentadorias dignas e acompanhamento social por toda a vida.
Sete em cada dez franceses apóiam as manifestações de rua e as greves. Não querem perder o que têm há muito tempo, desde o fim da Segunda Guerra. A empáfia do presidente e as medidas neoliberais que vem implantando criaram um grande descontentamento. Seu discurso parafascista de culpar os imigrantes pelos problemas nacionais, não está mais funcionando. Certamente, que muitos dos seus eleitores se arrependeram e, agora, desejam que sua era desapareça do cenário histórico.
O problema do aumento de dois anos na idade mínima para a aposentadoria, de 60 para 62 anos, foi, apenas, um dos itens motivadores da indignação popular. O Senado francês, ultraconservador, impôs ontem uma derrota aos manifestantes, ao aprovar a medida proposta pelo governo, contrariando o que as ruas clamam. Possivelmente, uma vitória de Pirro, que irá atiçar ainda mais a revolta. O vermelho da bandeira tricolor está refulgindo. O jeito imperial do presidente e a repressão policial não têm conseguido vitórias expressivas. Ao que parece, a situação está longe de estar pacificada.
Este retorno das lutas de classe na França e em vários países europeus demonstra que a história continua seu passo firme e soberano. Os sistemas de dominação capitalistas não

sábado, 2 de outubro de 2010

LIBERDADE

Liberdade, liberdade, desça do céu e veja a verdade da vida dos homens.
Sem o sonho, não se podem imaginar as possibilidades do futuro. Isto Cervantes sabia, há quatro séculos. Seus moinhos de ventos, armaduras e lanças de ataque continuam disponíveis a todos os ibero-americanos que não renegam sua história.
Luís Carlos Lopes.
A questão da liberdade de opinião retornou mais uma vez ao cenário sociomidiático brasileiro. Novamente, poderosas forças se digladiam dizendo que suas opiniões e suas visões do que é a liberdade são as corretas. Quem é contra as mesmas é porque defende o totalitarismo. Neste, a única liberdade seria a permitida pelo governo, e as opiniões possíveis de serem aceitas consistiriam nas acreditadas pelo poder político de plantão. O justificado medo da verdade oficial dos regimes de força é manipulado e aplicado em situações que nada tem a ver com as várias tragédias políticas vividas no Brasil e no mundo nos últimos cem anos. Faz-se o jogo retórico de palavras misturando propositadamente termos complexos que permitem as mais diversas leituras. Como no dizer de um velho irracionalista televisivo: “Eu vim para confundir!” Não há nenhum interesse em convencer com base na compreensão dos fatos e das idéias. Esta é substituída pela emissão de palavras-conceito vazias de sentido. Isto leva a impossibilidade de um diálogo frutificante, aberto e desarmado onde se possa chegar à verdade, como pensavam os filósofos gregos.
A liberdade e a opinião vazias de objetividade servem a qualquer propósito e a qualquer sujeito. Facilmente, articulam-se para impedir que se tenham opiniões livres da manipulação, imaginando-se que se viva no reinado possível e relativo da mesma. O reino absoluto da liberdade de pensar é quimérico, logo, impossível de ser alcançado em sociedades com imensas diferenças sociais, culturais, políticas e ideológicas. Ela é, para os múltiplos barões das mídias, poder continuar usando dos artifícios da manipulação, lucrando com a omissão, a mentira e a intriga. Se alguém questionar esta ‘liberdade’ deve ser esmagado, por não respeitar o poder aristocrático dos barões. A liberdade de imprensa de que falam é, de fato, a liberdade das empresas que detêm em dizer o que bem entendam, de acordo com suas ligações e redes de interesses. É antiga a defesa da ‘liberdade’ em abstrato, sem esclarecer o que de fato se defende, ou melhor, o que está por trás da alegação que a mesma está em perigo. O velho liberalismo a praticou desde a revolução francesa. O recentíssimo neoliberalismo também se esmerou em se camuflar como campeão da liberdade, ‘de mercado’.
Como é fácil mobilizar pessoas de grande notoriedade para causas de um subjetivismo absurdo. Elas ficam bem quietas frente às várias questões candentes do mundo atual. Assistiram, por exemplo, os professores de São Paulo serem massacrados sem nenhum protesto. Pouco se manifestam sobre problemas efetivos como os relacionados à miséria e à ignorância de milhões. Todavia, atendem ao primeiro chamado, quando se imagina qualquer possibilidade de se questionar suas certezas, seus mundinhos particulares que as protegem da vida real da maioria. Assinam manifestos e participam em manifestações sem fazer qualquer esforço para entender a que senhores estão de fato servindo. Alguns estão muito velhos para serem chamados de ingênuos, mas, paradoxalmente, demonstram como não é difícil aceitarem a manipulação sem maiores objeções.
Imaginar mídias livres reais, talvez utopicamente, - O que seria de nós sem as utopias, mesmo discordando delas! - seria o mesmo que dizer que a sociedade controlaria diretamente e efetivamente todos os meios de comunicação. Estas mídias ideais seriam propriedades coletivas das populações que escolheriam os conteúdos e as formas do que