O vermelho refulgente da bandeira tricolor.
Os franceses não querem que as políticas neoliberais do seu atual presidente se expandam. Aliás, estas são praticamente as mesmas daquele que se tem de vencer por aqui. Cresce, internacionalmente, a agenda antineoliberal e a crítica contundente a qualquer medida que piore a situação de vida das maiorias.
Luís Carlos Lopes, Carta Maior
Os últimos acontecimentos na França estão repercutindo em todo o mundo. O grau de magnitude dos mesmos impede que sejam escondidos pelas grandes mídias lidas e vistas no Brasil. Os noticiários vistos pela a maioria dos brasileiros não explicam o que está acontecendo em maiores detalhes, mas são obrigados, meio a contragosto, a noticiar o que vem sendo reproduzido pela imprensa mundial. Os trabalhadores se levantaram e junto com os estudantes rebelados transformaram as ruas das cidades francesas em uma grande festa popular. O que tanta gente quer?
A pauta é longa, cheia de reivindicações. Existe uma condenação geral do governo Sarkozy, um descontentamento imenso com suas políticas e com a presente situação do país. A crise econômica mundial teve graves conseqüências por lá e quem está pagando a conta são, para variar, os trabalhadores. O desemprego aumentou e as perspectivas de mudanças são para o longo prazo. A ofensiva neoliberal não parou com a crise. As burguesias locais e seus êmulos políticos continuam achando que o remédio consiste em desmontar o Estado, tirando o máximo possível das conquistas dos trabalhadores. A população está acostumada aos benefícios sociais do que já foi um dos maiores Estado do Bem-Estar da Europa. Saúde, educação, cultura e trabalho garantidos para a grande maioria, bem como aposentadorias dignas e acompanhamento social por toda a vida.
Sete em cada dez franceses apóiam as manifestações de rua e as greves. Não querem perder o que têm há muito tempo, desde o fim da Segunda Guerra. A empáfia do presidente e as medidas neoliberais que vem implantando criaram um grande descontentamento. Seu discurso parafascista de culpar os imigrantes pelos problemas nacionais, não está mais funcionando. Certamente, que muitos dos seus eleitores se arrependeram e, agora, desejam que sua era desapareça do cenário histórico.
O problema do aumento de dois anos na idade mínima para a aposentadoria, de 60 para 62 anos, foi, apenas, um dos itens motivadores da indignação popular. O Senado francês, ultraconservador, impôs ontem uma derrota aos manifestantes, ao aprovar a medida proposta pelo governo, contrariando o que as ruas clamam. Possivelmente, uma vitória de Pirro, que irá atiçar ainda mais a revolta. O vermelho da bandeira tricolor está refulgindo. O jeito imperial do presidente e a repressão policial não têm conseguido vitórias expressivas. Ao que parece, a situação está longe de estar pacificada.
Este retorno das lutas de classe na França e em vários países europeus demonstra que a história continua seu passo firme e soberano. Os sistemas de dominação capitalistas não