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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

GREVES

As greves e o princípio da realidade (Editorial) 
O Globo
As greves do serviço público dão algum sinal de arrefecimento. Mas ainda estamos muito longe da normalidade. As universidades, por exemplo, em pleno miolo do ano, estão paradas há três meses. O ministro da Educação já está falando em reposição de aulas. Como tem acontecido quase todos os anos.
Mas que ano letivo é esse, sacudido por vazios perturbadores? Onde está a discussão séria sobre a organização das universidades públicas, sobre a relação professor/aluno (insatisfatória) que elas exibem?
Em que medida a discussão das cotas nos leva um passo adiante, no que se refere à boa performance universitária? Como raciocinar, nesse quadro, em termos de país desenvolvido?
O que se pode perceber, sem nenhum esforço, é que estamos saindo de um longo período em que as centrais sindicais dormiam no colo do governo. Oriundo do sindicalismo, o ex-presidente Lula transformou quase em simbiose a relação governo/sindicatos.
Navegando em maré mansa, pôde conceder aos sindicatos (nisto incluídos os funcionários públicos) generosos benefícios que já não têm relação com os tempos de agora.
Na mudança de quadro que depois se operou, pode ter faltado ao governo Dilma experiência e habilidade para tornar menos dolorosa a transição. Mas diga-se a favor do governo que ele não tem compactuado com a demagogia.
Os aumentos agora oferecidos, face à tsunami grevista, inserem-se no território do possível, do que não ponha em risco as contas públicas num momento que ainda é de crise internacional.
A presidente Dilma também incluiu um fato novo na discussão (pelo menos em relação ao lulismo), ao declarar: “Este é um país que tem de ser feito para a maioria de seus habitantes. Não pode ser só para uma parte deles.” 
Isto é: os benefícios não podem atingir apenas determinadas classes — no caso, as que já têm garantia de emprego, e foram contempladas com aumentos expressivos no bem-bom da era Lula.
Ao contrário do que propõem as centrais sindicais, o governo trabalha com reajustes diferenciados, distinguindo os que tiveram e os que não tiveram aumentos expressivos nos últimos anos. É o princípio da racionalidade, introduzido num quadro onde vigorava apenas o desejo de agradar às chamadas bases.
É o princípio da realidade — e cair na real não costuma ser fácil. Por conta disso, a presidente Dilma tem colhido vaias, aqui e ali.
Nesse contexto, seria mais do que justo que o Congresso também fizesse a sua parte, regulamentando, por exemplo, a lei que abriu a possibilidade de greve no serviço público. Como ele não fez isso, o Supremo andou produzindo legislações temporárias, para cobrir o rombo. É pouco, e estimula os movimentos destemperados.

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Um novo patrono para o Engenhão.
Por Elio Gaspari, no O Globo.
A cada dia que passa e o estádio olímpico do Engenhão continua com o nome de João Havelange, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, confirma as palavras dos advogados da Fifa no processo que tratou do capilé de US$ 14 milhões recebidos pelo doutor e por Ricardo Teixeira: “Pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população na América Latina e na África.”
Havelange e Teixeira receberam, mas a galera que vai aos estádios e elege prefeitos leva a fama. A exposição da malfeitoria, treze anos depois das primeiras denúncias, mostra que os subornos, quando rolam no andar de cima, são protegidos por um sistema de salvaguardas especiais. No caso da dupla, a blindagem funcionou na própria Suíça, pois as principais acusações surgiram em 2006.
Havelange foi protegido ao limite do possível. Ele dirigiu a Confederação Brasileira de Desportos de 1956 a 1974, e a Fifa de 1974 a 1998, quando foi aclamado seu presidente honorário, título que ainda mantém. Afora isso, foi membro do Comitê Olímpico Internacional e fez Ricardo Teixeira, que era seu genro, presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Os dois saíram de fininho no ano passado, quando a magistratura suíça já estava atrás de suas contas.
Aos 96 anos, Havelange ensinou: “Difícil na vida não é chegar, é saber sair. Tem que sair bem.” Ele construiu seu verbete na história do esporte brasileiro e destruiu-o na saída.
Charmeur irresistível e grosseirão inesquecível, “nosso querido Havelange” (nas palavras de Lula), encantou governantes e ajudou atletas colocando-se ora como patriarca onipotente, ora como cortesão maltratado.
Quando Pelé contrariou-o, disse: “Dei todas as atenções e fiz gentilezas a esse moço.” No ano passado, a doutora Dilma tomou-lhe o passaporte diplomático e ele lamentou-se: “Eu merecia isso? É isso que dói, este é o meu país.”
Havelange e Teixeira encarnaram a transformação do futebol num empreendimento bilionário. Em 1958, quando o ex-sogrão trouxe a primeira Copa do Mundo para o Brasil, o goleiro Gilmar ganhou uma bibicleta e um terno. Hoje os craques pilotam Ferraris.
Há patrocinadores para atletas, clubes, seleções e Copas, e, se isso ajudou a profissionalizar o esporte, serviu também para montar propinodutos e lavanderias de dinheiro. A rede de interesses criada pelo progresso deu à cartolagem oportunidades para a delinquência e fez da Fifa uma central de negócios, ramificada em donatarias nacionais.
A presença da empreiteira Delta na construção de estádios para a Copa de 2014 é um solene indicador dos perigos que rondam a festa. Até bem pouco tempo Joseph Blatter, presidente da Fifa (secretário-geral ao tempo de Havelange), comportava-se nas negociações com o Brasil como se fosse um chefe de Estado, manipulando a síndrome de “vira-latas” dos burocratas com quem tratava.
O ocaso de Havelange deveria levar o prefeito Eduardo Paes a aceitar uma disputa com a Fifa. Ganhará quem chegar primeiro: os cartolas suíços extinguindo a presidência honorária da instituição ou o doutor, trocando o nome do Engenhão.
Se o prefeito entregar a escolha do nome do estádio à galera que o frequenta, mostrará que “pagamentos de subornos” não “pertencem ao salário recorrente da maioria da população” do Rio.
O prefeito Eduardo Paes e a Fifa estão com um peso nos ombros: ele se chama João Havelange.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Banco do Brasil volta a reduzir juros de empréstimos.
O GLOBO
Taxa do cheque especial caiu até 52%, para clientes com pacote especial.
Por Lino Rodrigues, O Globo
O Banco do Brasil anunciou nesta sexta-feira nova redução de juros de empréstimos para pessoas físicas, a terceira em menos de 30 dias. As principais reduções...

sábado, 28 de abril de 2012

BOLSA ESTIAGEM

Em ano de eleição, Dilma descobriu a seca.
Por Vitor Hugo Soares, do Blog de Ricardo Noblat em O GLOBO.
Nestes dias, de geléia geral brasileira, nada poderia ter sido mais expressivo – como ato político e fato jornalístico - que a primeira visita do ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, à Brasília, depois do tratamento de câncer na laringe a que se submeteu.
A ambientação, preliminares e repercussões da conversa de Lula com a sua sucessora “foi o que há”, expressão que uma sobrinha em Salvador (profissional da publicidade arguta e antenada com os signos do poder e do marketing político) costuma utilizar para definir acontecimentos de grande impacto. Ou que são produzidos com esse objetivo.
Tapetes vermelhos (real ou simbolicamente) esparramados no Palácio da Alvorada; sessão especial de cinema, para exibir documentário sobre a posse de Dilma Rousseff; trocas de juras de amor indissolúvel e de fidelidade eterna; risos escancarados, quando em volta tudo (ou quase) gira em ritmo de alta tensão.
“Salamaleques!”, resumiria, provavelmente, se vivo estivesse e observasse essas coisas, o escritor alagoano Graciliano Ramos, sábio no pensamento e sempre econômico nas definições.
Tudo, coincidentemente (ou não?), no primeiro dia de funcionamento, no Congresso, da chamada CPI Mista do Cachoeira.
Portanto, um foco a mais para ser bem observado na capital do Brasil, sobressaltada pelos vivos e os esqueletos que se cruzam, ultimamente a cada instante, na inquieta cidade do planalto central.
Denúncias pipocam de todo lado, acompanhadas de “ruídos” e boatos que mais confundem que ajudam a esclarecer sobre “um escândalo que promete abalar Paris”, como se diz em Irecê, no nordeste baiano, assolado, junto com mais de 200 municípios, por mais uma “seca sem precedentes”.
A estiagem - assim como a praga corrupta e corruptora de Cachoeira, que contamina a política, governos, imprensa, empresas públicas e privadas - rola solta há mais três anos na Bahia e em outros tantos municípios da região Nordeste.
Neste ano de eleições para as prefeituras, coincidentemente (ou não?) a seca ganhou dramáticas cores de tragédia de umas semanas para cá, em meio ao alvoroço da CPI no Congresso.
Principalmente depois de outro encontro que merecia ser olhado (e analisado) com mais atenção.
Este, ocorrido em Aracaju, nordestina capital sergipana, no começo da semana, entre a presidente Dilma e os governadores da região.
Do encontro, além de imagens expressivas no palácio do governo, que lembram pompas de tempos imperiais e de fartura (e não as agruras da seca) resultou o anúncio, com pompa e circunstância, da polêmica “Bolsa Estiagem”, que concederá auxílio de R$ 80, por cinco meses, às famílias residentes nos municípios nordestinos atingidos pela seca”.
“Amaldiçoado quem pensar mal dessas coisas”, diriam os franceses. Mas vale lembrar que Luiz Gonzaga e Zé Dantas já alertavam, em “Vozes da Seca”, sobre o tratamento assistencialista (e eleitoreiro) dispensado, pelo governo, nas estiagens dos anos 50, no século passado: “Seu doutor uma esmola, a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”.
Mas, antes do ponto final, é preciso retornar ao ponto de partida e crucial das linhas deste artigo: o encontro de Dilma com Lula, no retorno do ex-presidente ao Planalto, onde se multiplicam gestos e sinais de harmonia entre os dois, em meio a um território convulsionado.
"Nosso relógio é suíço. Jamais ele vai ter de atrasar ou adiantar. Nunca temos de acertar os ponteiros", disse Lula – sem desmentidos ou mesmo um muxoxo de contestação da presidente - em uma das tiradas, bem ao seu estilo, reveladoras de que Lula parece recuperar a velha forma de fazer política e o humor de antes da dolorosa passagem pelo Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
A segunda “tirada de Lula” em Brasília, esta semana, também demonstra a recuperação do velho estilo pernambucano-sindicalista (e petista) de procurar briga. Foi quando ele falou da CPI Mista do Cachoeira, iniciada no dia de seu retorno à capital federal:
“Vocês vão se surpreender com o que essa CPI vai revelar”, disse o ex-ocupante da cadeira de Dilma, sem no entanto esclarecer direito quem ele imagina (ou sabe de fato) serão os surpreendidos.
Pelo tom, arrisco, parecia decidido a retomar seus antigos embates com a imprensa e com jornalistas.
A conferir...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

BAIXARIA NA SUPREMA CORTE

Relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) e futuro presidente da corte, o ministro Joaquim Barbosa chamou seu colega de tribunal Cezar Peluso de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativista", "desleal", "tirano" e "pequeno" em entrevista publicada nesta sexta-feira (20) no jornal "O Globo". Barbosa é desafeto de Peluso e também de Gilmar Mendes, ex-presidentes do STF. 
Nesta semana, com a posse de Carlos Ayres Britto na presidência do tribunal no lugar de Peluso, a crise entre os ministros foi escancarada. 
‘Peluso manipulou resultados de julgamentos’, diz Joaquim Barbosa.
Carolina Brígido, O Globo.
Dois dias depois de ser chamado de inseguro e dono de “temperamento difícil” pelo ministro Cezar Peluso, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa respondeu em tom duro, na entrevista, Barbosa chamou o agora ex-presidente do STF de “ridículo”, “brega”, “caipira”, “corporativo”, “desleal”, “tirano” e “pequeno”. Acusou Peluso de manipular resultados de julgamentos de acordo com seus interesses, e de praticar “supreme bullying” contra ele por conta dos problemas de saúde que o levaram a se afastar para tratamento.
Barbosa é relator do mensalão e assumirá em sete meses a presidência do STF, sucedendo a Ayres Britto, empossado ontem. Para Barbosa, Peluso não deixa legado ao STF: “As pessoas guardarão a imagem de um presidente conservador e tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade.”
Qual a opinião do senhor sobre a entrevista dada por Cezar Peluso?
Eis que no penúltimo dia da sua desastrosa presidência, o senhor Peluso, numa demonstração de “désinvolture” brega, caipira, volta a expor a jornalistas detalhes constrangedores do meu problema de saúde, ainda por cima envolvendo o nome de médico de largo reconhecimento no campo da neurocirurgia que, infelizmente, não faz parte da equipe de médicos que me assistem. Meu Deus! Isto lá é postura de um presidente do Supremo Tribunal Federal?
O ministro Peluso disse na entrevista que o tribunal se apaziguou na gestão dele. O senhor concorda com essa avaliação?
Peluso está equivocado. Ele não apaziguou o tribunal. Ao contrário, ele incendiou o Judiciário inteiro com a sua obsessão corporativista.
Na visão do senhor, qual o legado que o ministro Peluso deixa para o STF?
Nenhum legado positivo. As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade.
Dou exemplos: Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento.
Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis; não hesitou em votar duas vezes num mesmo caso, o que é absolutamente inconstitucional, ilegal, inaceitável (o ministro se refere ao julgamento que livrou Jader Barbalho da Lei da Ficha Limpa e garantiu a volta dele ao Senado, no qual o duplo voto de Peluso, garantido no Regimento Interno do STF, foi decisivo. Joaquim discorda desse instrumento); cometeu a barbaridade e a deslealdade de, numa curta viagem que fiz aos Estados Unidos para consulta médica, “invadir” a minha seara (eu era relator do caso), surrupiar-me o processo para poder ceder facilmente a pressões...
O senhor tem medo de ser qualificado como arrogante, como o ministro Peluso disse? Tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o STF não por méritos, mas pela cor, também conforme a declaração do ministro?
Ao chegar ao STF, eu tinha uma escolaridade jurídica que pouquíssimos na história do tribunal tiveram o privilégio de ter. As pessoas racistas, em geral, fazem questão de esquecer esse detalhezinho do meu currículo. Insistem a todo momento na cor da minha pele.
Peluso não seria uma exceção, não é mesmo? Aliás, permita-me relatar um episódio recente, que é bem ilustrativo da pequenez do Peluso: uma universidade francesa me convidou a participar de uma banca de doutorado em que se defenderia uma excelente tese sobre o Supremo Tribunal Federal e o seu papel na democracia brasileira.
Peluso vetou que me fossem pagas diárias durante os três dias de afastamento, ao passo que me parecia evidente o interesse da Corte em se projetar internacionalmente, pois, afinal, era a sua obra que estava em discussão. Inseguro, eu?

terça-feira, 6 de março de 2012


Apesar de ter desacelerado em 2011, o crescimento econômico do Brasil foi suficiente para ultrapassar o PIB do Reino Unido e colocar o país no sexto lugar entre as maiores economias do mundo, segundo ranking do banco alemão WestLB. 
Em 2011, o PIB brasileiro ficou em US$ 2,48 trilhões, acima dos US$ 2,26 trilhões registrados pelo Reino Unido.
O cálculo leva em conta a soma do produto trimestral dos países, convertida em dólares pela cotação média de cada período. O resultado coloca o PIB brasileiro a US$ 300 bilhões do PIB Francês, o quinto colocado em 2011 com US$ 2,56 trilhões.
Para o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, responsável pelo levantamento a economia brasileira deve ultrapassar a francesa em 2015, projeção que vai ao encontro da já feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Embora esteja no topo do ranking quando se considera o tamanho das economias, o Brasil fica na rabeira do grupo dos BRIC e abaixo de outros países emergentes quando a comparação se dá no ritmo de crescimento. Por esse critério o país teve o oitavo maior crescimento anual (dentre os 46 países que já divulgaram esse dado) e o 28º maior crescimento no quarto trimestre de 2011, comparado a igual período do ano passado, atrás de vários países asiáticos, do leste europeu e inclusive latino-americanos, como México e Peru.
O analista da Austin Rating, Alex Agostini, afirma que o desempenho das economias asiáticas está relacionado à proximidade com a China, e que no caso dos países do leste Europeu, o ritmo de crescimento se deve à baixa base de comparação dos anos anteriores.
— Muitos desses países sofreram bastante com a crise, chegando a ter uma queda de dois dígitos no PIB, enquanto o Brasil continuou crescendo — afirma.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

'A IDÉIA É QUE HAJA APENAS UMA VERSÃO DOS FATOS' - "A reeleição da presidente Cristina Kirchner, com 53,9% dos votos em primeiro turno, foi tão acachapante que a coloca, em termos de poder, em situação similar à de Hugo Chávez em 2005, quando a oposição venezuelana boicotou as eleições e os chavistas ganharam tudo (...) A força política que a presidente ganhou agora, inclusive aumentando as bancadas no Congresso, lhe garante os instrumentos para aprofundar o modelo kirchnerista, caracterizado por autoritarismo, concentração do poder, protecionismo comercial (péssimo para o Brasil), intervenção na economia e ataque sem trégua à imprensa profissional e independente. A ideia é que haja apenas a versão oficial dos fatos" (editorial do jornal 'O Globo', de 26-10, 'explica' a eleição argentina sem destinar uma linha sequer à queda nas taxas de pobreza do país, que recuaram de 60% da população,em 2003, para 10% atualmente. O Globo acusa a Casa Rosada de agir para que 'haja apenas a versão oficial dos fatos". O irônico é que se houvesse apenas a versão do jornal seria impossível entender como foi que Cristina Kirchner obteve 54% dos votos no pleito de domingo. A incompatibilidade  entre a narrativa conservadora e os fatos atingiu tal proporção que seu ponto de vista só não ofende a lógica se suprimir aspectos relevantes da realidade -- esbulho que não se limita ao caso da cobertura eleitoral argentina).  
(Carta Maior; 4ª feira, 26/10/ 2011)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

BATE-BOCA

Bate-boca entre Humberto Costa (PT-CE) e Mário Couto (PSDB-PA)
Adriana Vasconcelos, O Globo
O líder do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), e o senador Mário Couto (PSDB-PA) tiveram um bate-boca nesta quarta-feira no plenário do Senado. A discussão entre os dois começou quando o líder petista criticava da tribuna a estratégia da oposição de insistir na criação da CPI da Corrupção e sua tentativa de atribuir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma herança maldita.
Diante da reação exaltada do senador tucano, que o acusou de defender a corrupção no governo, Humberto Costa se irritou e solicitou providências à Mesa, reclamando que as agressões do colega normalmente não eram repreendidas com o argumento de que se "tratava de um louco ou débil mental".
A briga prosseguiu no cafezinho Senado, onde o líder petista se refugiou, depois de ter garantido o direito de responder Mário Couto da tribuna. O tucano cutucou Humberto Costa e disparou:
- Débil mental não!
Apesar dos conselhos de seus assessores para que não desse importância à provocação do senador tucano, Humberto Costa mais uma vez reagiu:
- Débil mental sim! Você precisa respeitar os outros.
- E você é um safado! - retrucou o tucano.
- Safado é você! - revidou o petista.
Diante da exaltação dos dois parlamentares, um grupo de assessores entrou no meio da discussão para evitar que os dois partissem para as vias de fato. Apesar da turma do deixa disso, Mário Couto ainda gritou:
- Você é que responde a processo na justiça. Da próxima vez, vou dizer isso da tribuna - ameaçou o tucano.
- Você está pensando que eu sou moleque? Vai ter de aprender a respeitar os outros - rebateu líder do PT.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

PREÇOS, O ABSURDO BRASILEIRO

Martha Beck e Paulo Justus, de O GloboQuem é brasileiro sabe e sente no bolso: o país é um dos mais caros do mundo quando se trata de preços de itens como energia elétrica, combustíveis e passagens aéreas. Se o Brasil participasse de uma Olimpíada que premiasse os países com os maiores custos, certamente estaria entre os medalhistas nessas modalidades. A valorização do real está entre os principais fatores recentes que levaram ao aumento dos custos na comparação com outros países nos últimos anos.
Um setor aéreo concentrado e com entraves à concorrência faz com que o Brasil seja hoje o país com as passagens aéreas mais caras do mundo entre os grandes mercados. Levantamento preparado para o GLOBO pela consultoria econômica MicroAnalysis mostra que o quilômetro percorrido de avião nas rotas mais movimentadas - como Rio-São Paulo ou São Paulo-Brasília - custa, em média, US$ 0,36 nos horários de pico (de 6h às 9h e de 18h às 21h). Trata-se de uma tarifa 227% mais cara do que nos Estados Unidos, onde esse valor é de US$ 0,11. Ou 157% maior do que na Europa, onde sai por
US$ 0,14.Segundo o levantamento, a tarifa no trecho São Paulo-Brasília, por exemplo, que representa uma distância de 1.015 quilômetros, custa, em média, US$ 378,37. O valor é quase três vezes maior do que uma tarifa no trecho Nova York-Chicago, que é de US$ 144 e representa uma distância de 1.149 quilômetros. Ainda de acordo com a pesquisa, o trecho Berlim-Paris (1.094 quilômetros), custa US$ 200. Neste caso, a passagem brasileira é quase duas vezes mais cara.
- Quando comparada com outros lugares do mundo, a tarifa brasileira é muito elevada - afirma Cleveland Prates, sócio-diretor da MicroAnalysis e ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O trabalho da consultoria faz também um levantamento das tarifas para um passageiro que busca uma passagem para embarque no próprio dia em horário de pico. Neste caso, o preço do quilômetro no Brasil é de US$2,41 e só perde para o Canadá, US$ 2,83. Nos Estados Unidos, o valor é de US$ 0,45 e na Argentina, de US$ 0,48. Procurado, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) não comentou o estudo.
Segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), o país tem hoje o terceiro maior custo de energia elétrica para a indústria no mundo, atrás apenas de Itália e Eslováquia. O ranking, elaborado pela Abrace com dados de 2010, analisou custos de 26 países.
- O Brasil vive uma situação curiosa: embora esteja em condição geográfica única no mundo para ter energia barata e renovável, tem uma energia das mais caras do mundo. Isso ocorre por causa de encargos e ineficiências no sistema - diz Paulo Pedrosa, presidente da Abrace.
Outro estudo, sobre o custo da energia residencial, também coloca o Brasil na terceira posição, atrás de Alemanha e Áustria. O levantamento, feito pela Trevisan Escola de Negócios com 17 países, considerou o gasto de uma família que consome 300 quilowatt-hora por mês.
A conta de luz paga anualmente pela família brasileira ficou em US$ 914, contra US$ 1.108,8 na Alemanha e US$ 918 na Áustria. O valor está bem distante dos gastos anuais americanos (US$ 478,8) e mexicanos (US$ 295,2) que tiveram os menores preços da amostra.
A renovação a partir de 2015 de parte das concessões do setor elétrico, que conta com contratos de mais de 50 anos, é a grande esperança para reduzir o valor da conta de luz dos brasileiros. Segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os novos leilões poderiam cortar o valor médio do megawatt-hora de R$ 90 para até R$ 20, porque os novos contratos já não incluiriam mais a amortização dos investimentos para a construção das usinas, mas apenas os gastos com manutenção.
- Na hidrelétrica, que responde pela maior parte da energia gerada no país, o que é caro é o investimento. Quem entrar nos novos leilões não vai mais contabilizar o investimento, só o custo de operação e manutenção - diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
O custo dos combustíveis também está entre os maiores do mundo. De acordo com levantamento da Sociedade Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ, na sigla em alemão), feito em novembro de 2010, o Brasil tem a segunda gasolina mais cara das Américas, cotada a US$ 1,58 o litro. O país só perde para Cuba (US$ 1,72/litro), que em setembro do ano passado decretou uma alta de 18% no combustível por causa da instabilidade do preço do petróleo.
O Brasil é o único país entre os Bric que está na categoria de países com a gasolina mais cara do mundo, dentre as quatro classificações da GIZ. São economias em que o preço do litro do combustível custa entre US$ 1,47 e US$ 2,54 o litro. Na Índia, a gasolina saiu por US$ 1,45, contra US$ 1,11 na China e US$ 0,84 na Rússia.
A situação é semelhante com o diesel brasileiro, que é também o mais caro entre os Brics e o terceiro mais caro das Américas, cotado a US$ 1,14 o litro, atrás de Uruguai e Cuba. Entre os quatro grupos de países classificados de acordo com a faixa de preço pela GIZ, o Brasil está em segundo lugar, na faixa que tem preço entre US$ 0,85 e US$ 1,36 o litro, por causa de impostos.
Na telefonia, o Brasil fica na posição intermediária, na 53ª entre os 161 países que tiveram a cesta de serviços básicos de telefonia fixa analisada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). Apesar disso, o valor da cesta no país, de US$ 13,43, é superior à média de todos os países (US$ 12) e também o mais alto entre os Brics. Para a análise, a UIT se baseou no valor cobrado em 2009 para uma cesta de serviços de telefonia fixa composta pela assinatura e 30 chamadas locais de três minutos cada, sendo 15 em horário de tarifa reduzida.
Os preços de banda larga também mostram o Brasil como o mais caro entre os Brics. O país é o 97º mais caro entre 161 países analisados no mundo, com valor de US$ 28,033 pela assinatura básica de internet, com 1 gigabyte incluído. Na banda larga, o Brasil fica abaixo da média de todos os países (US$74,15),
distorcida pelos altos preços de países como a República Centro Africana, em que o plano básico custa US$ 1.329,49.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ALENTO AOS DESOLADOS COM A IGREJA

Leonardo Boff*
Atualmente há muita desolação com referência à Igreja Católica institucional. Verifica-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam concretamente a Igreja; e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem mais como um lar espiritual. Continuam a crer apesar da Igreja.
E não é para menos. O atual papa tomou algumas iniciativas radicais que dividiram o corpo eclesial.  Assumiu uma rota de confronto com  dois importantes episcopados, o alemão e o francês, ao introduzir a missa em latim; elaborou uma esdrúxula reconciliação com a Igreja cismática dos seguidores de Lefebvre; esvaziou as principais intuições renovadoras do Concílio Vaticano II, especialmente o ecumenismo, negando, ofensivamente, o título de “Igreja” às demais Igrejas que não sejam a Católica e a Ortodoxa; ainda como cardeal mostrou-se gravemente leniente com os pedófilos; sua relação para com a AIDs beira os limites da desumanidade. A atual Igreja Católica mergulhou num inverno rigoroso. A base social de apoio ao modelo velhista do atual papa é constituída por grupos conservadores, mais interessados nas performances mediáticas, na lógica do mercado, do que propor uma mensagem adequada aos graves problemas atuais. Oferecem um “cristianismo-prozac”, apto para anestesiar consciências angustiadas, mas alienado face à humanidade sofredora.       
Urge animar estes cristãos em vias de emigração com aquilo que é essencial ao cristianismo. Seguramente, não é a Igreja que não foi objeto da pregação de Jesus. Ele anunciou um sonho, o Reino de Deus, em contraposição com o Reino de César, Reino de Deus que representa uma revolução absoluta das relações desde as individuais até as divinas e cósmicas.
O cristianismo compareceu primeiramente na história como movimento e como o caminho de Cristo. Ele é anterior a sua sedimentação nos quatro evangelhos e nas doutrinas. O caráter de caminho espiritual é um tipo de cristianismo que possui seu próprio curso. Geralmente, vive crítica da instituição oficial. Mas nasce e se alimenta do permanente fascínio pela figura e pela mensagem libertária e espiritual de Jesus de Nazaré.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

PETRÓLEO

Opep diz que reservas de petróleo da Venezuela ultrapassaram as da Arábia Saudita.
As reservas confirmadas de petróleo cru da Venezuela ultrapassaram em 2010 as da Arábia Saudita, segundo o relatório anual da Organização do Países Exportadores de Petróleo (Opep). De acordo com a agência de notícias Dow Jones, o documento indica as reservas confirmadas da Venezuela chegaram a 296,5 bilhões de barris em 2010, o que representa um crescimento de 40,4% em relação ao ano anterior. A Arábia Saudita, diz o mesmo estudo, tem reservas de 264,5 bilhões de barris.
Não se sabe ainda se todas as descobertas de petróleo da Venezuela são economicamente viáveis. O levantamento confirma o anúncio feito pelo governo venezuelano em janeiro, dando conta de que essa marca já havia sido atingida. Houve aumento também nas reservas do Irã e do Iraque, que, junto com a Venezuela, defendem preços mais elevados para o petróleo no mercado internacional.  

domingo, 10 de julho de 2011

QUEM AUTORIZOU ?

Luiz Fernando Veríssimo, no O Globo.
Nos países em que as eleições são sempre plebiscitárias vota-se em tudo, até em normas para se recolher o cocô do cachorro nas calçadas. Li, certa vez, que num desses países - acho que era a Noruega - não era incomum um eleitor ficar até meia hora na cabine eleitoral, marcando numa célula tamanho ofício suas opções, não só entre candidatos para representá-lo mas entre grandes e pequenas questões da vida comunitária, como usinas nucleares, sim ou não? Ou: cocô na calçada, quem é o responsável?
Pensei nesse eleitor e no seu poder de escolha lendo as notícias sobre as lambanças no nosso Ministério dos Transportes. Não podemos querer imitar os escandinavos e trocar nossas maquininhas de votar ligeiro por plebiscitos demorados, certo. Mas quando foi que nos perguntaram se concordávamos que o
Ministério do Transportes fosse doado ao PR? Quem autorizou o feudo com seu voto?
Quem, entre os eleitores, sabia da cláusula de exclusividade do acordo com o PR, quem aprovou a troca de um ministério, e um ministério cheio de dinheiro, por votos no Congresso? E logo com o PR, um partido que - pelo que se sabe - não representa nada a não ser sua própria gana?
Claro, ao apertar os botões da maquininha de votar o eleitor está dando aos candidatos da sua escolha o direito de fazer o que for necessário para governar, inclusive barganhas - ou alianças, que fica mais bonito. Está votando implicitamente em tudo que imagina que os candidatos pensem e pretendem. Quem votou em Dilma ou no PT na maquininha fez, de certa forma, todas as opções que encontraria numa cédula plebiscitária, inclusive sobre como dispor do cocô de cachorro, para insistir na metáfora nojenta. O acordo com o PR foi feito pelo Lula, decepcionando quem esperava que esse tipo de aliança o PT nunca fizesse.
Mas a Dilma presidente também foi feita pelo Lula, que certamente sabia das suas implicâncias e da sua determinação. Dilma, desfazendo o acordo, estará redimindo Lula e o PT dos seus pecados por associação.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

NÃO TEM JEITO

Serra e a mania de perseguição.
Do colunista Ilimar Franco, em seu Panorama Político, de ‘O Globo’:
A cena aconteceu no gabinete do líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). José Serra entra na sala e aborda o presidente mineiro dos tucanos, deputado Marcus Pestana. Serra atacou: “Nós somos amigos! Você fica falando mal de mim! Você vai sossegar agora”. Pestana reagiu: “Você tá doido!” O bate-boca não parou aí. Foi preciso que a turma do deixa-disso entrasse em campo para abafar o acalorado embate.
Na plateia, uns 20 parlamentares tucanos.

domingo, 3 de julho de 2011

A GRANDE ESTRELA . . . O CÃO

Cachorro invade campo e ganha a cena na partida entre Brasil e Venezuela.  
O Brasil jogou tão ruim que o cachorro chamou muito mais atenção do que o próprio jogo!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

IMPERIALISMO PRESIDENCIAL !!!!

Gilmar Mendes na festa de 80 anos de FH, critica "imperialismo presidencial" de Lula no caso Battisti.

Gilberto Scofield Jr., do O Globo
A presença dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na festa de 80 do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na noite de hoje em São Paulo acabou transfomando o caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti num dos assuntos mais populares do coquetel. O ministro Gilmar Mendes criticou duramente o fato de o tribunal ter aceitado manter no Brasil Battisti, como havia sido decidido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa postura que Mendes qualifica de "submissa a um presidencialismo imperial".
-O papel do STF sai diminuído deste episódio. Como eu disse no meu voto, nós viramos um clube litero-poético-recreativo e acredito que não foi a melhor decisão - disse o minsitro. - Se de fato o STF serve para isso, para o que o Supremo decidiu no caso Battisti, é melhor que o tribunal perca logo essa competência. Que se confie logo a decisão ao Executivo, criando uma espécie de presidencialismo imperial ou que se confie a outro órgão judiciário, não ao STF.
Gilmar Mendes prevê que o ato terá consequências no futuro.
-Haverá organizações para impedir extradições. Daqui a pouco teremos consultorias e lobbies para isso - afirmou.
O ex-governador José Serra criticou a libertação de Battisti e afirmou que a Itália tem todo o direito de entrar com um pedido de anulação da decisão no Tribunal de Haia.
-Foi um equívoco e a decisão vai transformar o Brasil num paraíso de delinquentes - disse Serra. - Ele não foi condenado por um regime de exceção, mas por um país democrático.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que, se fosse o presidente, não tomaria a decisão de libertar Battisti.
-Mas o STF declarou que é o presidente que resolve a questão, então...
A ministra Ellen Gracie Northfleet não quis comentar o assunto, afirmando que a decisão já foi tomada, mas o ministro Marco Aurélio de Mello saiu em defesa do tribunal e se disse perplexo com a decisão da Itália de recorrer ao Tribunal de Haia.
-A decisão de acolher está no campo da normalidade. É um ato de soberania do Executivo do próprio Estado e deve ser respeitado - disse Marco Aurélio Mello.

TOQUE FEMENINO . . .

Ninguém vai obrigar Dilma a fazer o que não queira.
O Globo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado hoje às lideranças petistas que tentaram emplacar o nome do novo ministro de Relações Institucionais do governo. Antes mesmo de a presidente Dilma Rousseff anunciar o nome de Ideli Salvatti, atual ministra da Pesca, para o cargo, Lula afirmou que o PT e suas imposições não terão qualquer efeito sob Dilma.
- Eu vou dar um conselho. Quem conhece a presidenta Dilma vai aprender uma coisa. Jamais alguém a obrigará a fazer uma coisa que ela não queira fazer. O PT não irá impor ministério a ela como nunca impôs a mim. Da mesma forma que eu não aceito imposição, tenho certeza que ela não aceita - resumiu Lula, durante um encontro com o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, em São Paulo.
Acusada pela oposição e por aliados de não ter habilidade política no relacionamento com o Congresso, Dilma, segundo Lula, mostrou-se nessa primeira crise política como "senhora da situação".
- A companheira Dilma é senhora da situação - disse ele, que chegou a ir a Brasília na semana passada para conversar com petistas sobre o caso do ex-ministro Antonio Palocci, que deixou o governo na quarta-feira passada. A intervenção do ex-presidente foi interpretada como um sinal de fraqueza de Dilma no enfrentamento do problema.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SERÀ QUE RACHOU MESMO ? ? ?


LAMBIDO DO O GLOBO
Onze dos 20 clubes que integram o Clube dos 13 vão negociar diretamente os direitos de televisão. Além dos quatro grandes do Rio e o Corinthians, Santos, Palmeiras, Vitória, Goiás, Bahia e Grêmio devem anunciar no máximo nesta quinta-feira que também não participam mais de negociação por meio do Clube dos 13.
Atlético-PR, Coritiba, Cruzeiro, Guanrani e Sport estão em cima do muro, mas tudo indica que também vão seguir a maioria. Continuariam no Clube dos 13 apenas apenas Atlético-MG, Portuguesa, São Paulo e Inter.
A negociação dos direitos de transmissão pela televisão dos jogos do Campeonato Brasileiro a partir de 2012 provocou um racha no Clube dos 13 . Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco decidiram conduzir eles mesmos a discussão de seus interesses, sem a intermediação do grupo, que foi criado em 1987 e desde então representa os principais clubes do Brasil. O Corinthians foi além e anunciou nesta quarta-feira sua desfiliação da entidade. (Leia mais no blog do Renato Maurício Prado)
Os quatro grandes times do Rio anunciaram que vão negociar em conjunto os direitos de transmissão de TV e informaram, em nota assinada pelos quatro presidentes , que não reconhecem mais "como adequada a forma pela qual, até aqui, o Clube dos 13 conduziu, perante seus associados, o projeto para o novo contrato de transmissão". Os presidentes de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco darão uma coletiva nesta quinta-feira no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, para prestarem mais esclarecimentos sobre a decisão.
Os clubes cariocas só não se desfiliaram do Clube dos 13 porque têm dívidas com a entidade. Os quatro devem, juntos, R$ 60 milhões e precisariam pagar o montante para deixar o grupo. Até setembro de 2011, eles não têm nada a receber de cota de TV porque ganharam antecipação, dada pelo Clube dos 13.
Em carta divulgada no seu site oficial , o clube paulista anunciou que estava se desligando do grupo porque, segundo o presidente corintiano, Andrés Sanchez, o Clube dos 13 realizou contratações irregulares e não prestou contas aos times participantes. O presidente do Corinthians não concorda com o modo como estão sendo negociados os direitos de transmissão do Brasileirão de 2012.
- Isso tudo (o racha) se resume à transmissão de TV. Isso é muito maior e envolve dinheiro. A discussão toda é de dinheiro - disse o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, negando que o racha seja causado por questões políticas ou a polêmica da Taça das Bolinhas.
O presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, não acredita que haverá uma debandada da entidade.
- Não acredito em debandada. O que podemos fazer é uma assembleia com os insatisfeitos e conversar para chegarmos a um acordo.
Polêmica na negociação com as TVs.
Toda a polêmica que provocou o racha no clube dos 13 tem a ver com a negociação dos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro entre 2012 e 2014. Segundo o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, integrante da comissão do Clube dos 13 que negocia direitos de transmissão, um edital será lançado nesta quinta-feira com o valor mínimo de R$ 500 milhões a ser pago apenas para a transmissão em TV aberta. Pay per view, internet e outras mídias estão fora dessa disputa.
Três emissoras de TV estão na briga para transmitir os jogos. O Clube dos 13 colocou uma cláusula com uma exigência: para que uma outra TVs substitua a emissora que atualmente transmite a competição teria que pagar pelo menos 10% a mais. Os clubes consideram que esse percentual seria necessário para compensar o retorno de publicidade que eles não teriam em outra emissora que não a atual. Corinthians, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, porém, não concordam com a forma como o Clube dos 13 conduz a negociação.
O Clube dos 13 afirma, porém, que os times não conseguirão um valor maior do que receberiam negociando no varejo. Pelo acordo, se o valor fechado for de R$ 600 milhões, por exemplo, Vasco e Flamengo receberiam R$ 42 milhões e Fluminense e Botafogo, R$ 30 milhões, por ano.
O racha pode acabar fazendo com que o torcedor não veja alguns jogos do Brasileirão pela TV. Isso porque se um clube que negociou com uma emissora for enfrentar outro clube que tem contrato com outra emissora, seria preciso que os dois times autorizassem a transmissão, pois o mando de campo não se reflete no direito de tramissão de TV.
- Ele (o Corinthians) pode fazer (outra negociação), mas eu posso quando for jogar com o Corinthians pedir mais (dinheiro) ou não autorizar a transmissão - disse Kalil, ressaltando que estava falando como presidente do Atlético-MG.
Fazem parte do clube dos 13 os 20 times de maior torcida do país. Além do Corinthians e dos cariocas, participam Santos, Palmeiras, São Paulo, Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Sport, Atlético-PR, Coritiba, Portuguesa, Guarani, Goiás e Vitória.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

BIOGRAFIAS AUTORIZADAS

Por Luciana Martinez e Mauro Ventura, de O Globo:
Dois projetos de lei apresentados na Câmara dos Deputados na última terça-feira podem permitir que o leitor brasileiro tenha acesso irrestrito a informações biográficas de figuras públicas. Os projetos dos deputados Newton Lima (PT-SP) e Manuela D”Ávila (PC do B-RS) acabam com a proibição às biografias não autorizadas, que causam tantos problemas aos autores.
Ruy Castro, por exemplo, teve o livro “Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha” impedido de circular por 11 anos. Mas Garrincha não é uma estrela solitária. A seleção de notáveis que volta e meia enfrenta problemas para entrar em campo - ou melhor, em livrarias - é grande e inclui Roberto Carlos, Noel Rosa, Manuel Bandeira, Pixinguinha, Guimarães Rosa, Raul Seixas, Di Cavalcanti e Almirante.
Manuela desarquivou o projeto 3.378/08 de Antonio Palocci, atual ministro da Casa Civil, mantendo o texto original. A proposta, que tinha sido encaminhada à Câmara em 2008, teve parecer favorável do relator - o atual ministro da Justiça José Eduardo Cardozo -, mas acabou engavetada. Entre os principais adversários, estava Paulo Maluf (PP-SP). Ela ironiza:
- É claro que alguns deputados foram contra, porque não queriam que sua vida viesse a público.Já Lima se inspirou no projeto de Palocci para fazer o seu. O PL 393/2011, dele, e o 395/2011, de Manuela, propõem a alteração do artigo 20 do Código Civil de 2002, que dá aos biografados e seus herdeiros, mesmo indiretos, o poder de vetar biografias não autorizadas.
- Meu projeto é uma tentativa de tirar esse resquício de censura do Código Civil. Recebi um tweet da Manuela falando que ela tinha escrito algo similar. Fiquei feliz, e vamos conversar - diz Lima.
Roberto Feith, diretor da editora Objetiva, festeja os projetos:
- São vitais não só para escritores e editoras, mas para o país. É um grau de absurdo que beira o surreal os protagonistas da vida brasileira terem direito à proibição. É sem precedentes. Nenhuma outra sociedade democrática tem algo parecido, tanto que acabaram de ser lançadas lá fora as biografias de Obama, Sarkozy e Tony Blair.
Mas ele deixa claro que é para se publicar o que está documentado.
- Se publicar mentira, você responde por isso - diz Feith, para quem “a vida do homem público não pertence só a ele”.
Sérgio Machado, da Record, concorda com seu colega.
- Se você quer ser artista ou político, está abdicando de sua privacidade. Daqui a pouco, não vamos mais poder lançar nem livro de História - diz ele, que já teve que recusar uma publicação “sobre uma personalidade brasileira que tem repercussão no exterior”.
- Não pude publicar, e foi vendido lá fora.
Ele acabou de perder um processo por “Meu nome não é Johnny”.
- Uma pessoa se identificou no livro. Tem um traficante cadeirante na história, e ele se sentiu prejudicado, porque num trecho há um diálogo em que conta a João Estrella como faz para transar. A conversa existiu. O próprio traficante confirmou. E, como o autor não fala quem é, há preservação da imagem.
O historiador e escritor Paulo Cesar de Araújo, que teve a biografia “Roberto Carlos em detalhes” recolhida, diz que, até a promulgação do Código Civil, o direito à privacidade e o direito à liberdade de informação eram regulados pela Constituição:
- O artigo 20 tem um viés altamente retrógrado e conservador. Ele tira o equilíbrio que havia e bota em segundo plano o direito à informação. O projeto do Palocci acaba com esse retrocesso.
Na entrevista coletiva que deu esta semana, Roberto Carlos foi informado pelo GLOBO sobre a possibilidade de mudança na lei.
- Não vou desistir, vou continuar lutando na Justiça contra o livro. Tem coisas equivocadas, com que não concordo - disse, reafirmando que fará uma biografia com o jornalista Okky de Souza.
Feith detalha o artigo 20:
- Quem fez o Código preocupou-se em fortalecer certos direitos individuais, como a privacidade. Só que se esqueceu de diferenciar o cidadão privado da personalidade pública. Um texto criado para proteger o cidadão comum cerceia o acesso à informação sobre personalidades.
Ruy Castro critica o “oportunismo” dos herdeiros:
- São parasitas. Alguns nem gostavam dos biografados e se aproveitam dos parentes ilustres. Tenho várias ideias de livros que não farei, como os de Di Cavalcanti e Guimarães Rosa, porque a dificuldade vai ser tanta que não tenho paciência.
Ele tem razão em ter receios. O curta que Glauber Rocha fez no enterro de Di, “Di-Glauber”, foi proibido pela Justiça a pedido de parentes do pintor. E a biografia de Rosa de Alaor Barbosa foi recolhida.
- O livro (”Sinfonia de Minas Gerais - A vida e a literatura de Guimarães Rosa”) estava nas livrarias havia cerca de cinco meses quando recebemos a notificação - lembra Antonio Carlos Navarro, editor executivo da LGE. - Tivemos apenas 48 horas para retirar todos os exemplares, um prazo impraticável.
Vilma Guimarães Rosa diz que o pai não gostava de biografias.
- Ele sempre falava que achava muito pessoal - justifica ela, que, no entanto, fez uma obra sobre Rosa. - Antes de morrer, eu lhe falei que ia escrever um livro sobre a vida dele, mas meu pai disse para fazer só com os grandes momentos.
Ela defende o pedido de permissão aos parentes.
- A partir da família, é possível conhecer melhor o biografado - diz. - Tem muita gente que gosta de escrever biografia de gente famosa para ganhar dinheiro ou fazer sensacionalismo.
Em artigo recente no GLOBO, o acadêmico Lêdo Ivo criticou os herdeiros de Manuel Bandeira. Ele era amigo do poeta e quer usar em livro fotos que ganhou de Bandeira e que fez dele. “A atual legislação me proíbe de publicar as incontáveis fotos que possuo de Manuel Bandeira. Proíbe-me até mesmo de usar aquelas em que estou a seu lado”, escreve. Ele pede a Dilma que livre a obra de Bandeira “dos herdeiros famélicos, dos fominhas póstumos e a entregue ao nosso povo”.
O livro do escritor e crítico literário Paulo Polzonoff sobre Manuel Bandeira para a coleção Perfis do Rio também não vê a luz do dia. Foi impresso, mas armazenado. O agente literário Alexandre Teixeira, que representa os direitos do poeta, não quis se manifestar. Mas o advogado Antonio Manoel Bandeira Cardoso, sobrinho-neto do escritor, ficou indignado com as frases de Ivo.
- A família não é mercenária. A gente pode até liberar, mas tem que pedir autorização. E direito autoral é um bem - conta ele, que diz que se cobra conforme o nome. - É o preço da fama. Bandeira é, para a literatura, o que Ivo Pitanguy é para a medicina. Um grande expoente.
O pesquisador Carlos Didier teve problemas em dois livros:
- Em “Nássara passado a limpo”, a caricatura do Almirante não entrou porque a filha dele ficava enrolando e não entregava a autorização. E a do Pixinguinha ficou de fora porque a família queria dinheiro, e se você paga para um, tem que pagar para todos. Já na biografia do Noel Rosa (feita com João Máximo), estamos sendo processados (por duas sobrinhas) por danos morais. Mencionamos os suicídios da avó e do pai de Noel. Mas eles já haviam sido publicados. O do pai, em outras biografias. E o da avó, em jornais.
O jornalista Edmundo Oliveira Leite Júnior enfrenta problemas antes mesmo da publicação de sua biografia de Raul Seixas. Uma das ex-mulheres de Raul, Kika Seixas avisou que iria processá-lo se lançasse o livro. À coluna Gente Boa, do GLOBO, ela disse: “Lançar biografia não autorizada no Brasil é suicídio.”
- Foi uma frase muito infeliz - diz Leite Júnior. - Ela foi uma das primeiras pessoas que procurei, tenho longas entrevistas com ela. Mas nunca desisti, pretendo terminar o livro este ano. Mesmo com ameaças, sei de editoras interessadas.
Um dos casos mais emblemáticos envolveu o livro sobre Garrincha: Ruy Castro disse que inicialmente houve uma tentativa de “achaque” por parte de duas filhas, que pediram R$ 1 milhão.
- Se a editora tivesse aceitado, nunca mais haveria biografias no Brasil. Foi um sacrifício, que custou 11 anos de tribunal para a Companhia das Letras, mas foi importante para guardar o direito de liberdade do país - diz ele, contando que enfim houve acordo, com cada filha levando R$ 30 mil.
- Minha frase clássica é: o biografado ideal tem que ser solteirão, filho único, órfão, estéril e broxa”.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

É TRISTE

É triste, mas a história se repete, é uma evidência ver mortes e desabamentos sem poder tomar providência Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo embaixo de lama, o estado do Rio de Janeiro pede ajuda, implora, clama.
No ano passado, a tragédia foi no réveillon, nas ilhas de Angra, belas igual: deslizamentos nas encostas, perdas e inúmeras sequelas, mas parece que Cabral, o governador, não sabe ou se esqueceu.
De férias na Europa? Como pode? Não agora! Entendeu?
É momento de usar o que sobrou e se tem em mãos já que, mais uma vez, faltaram políticas de prevenção Defesa Civil precisa reforçar a ação e conscientização residências irregulares tem destino certo: desabarão com a tragédia anunciada, o governador, já de volta, mostra o que restou das estradas, FGTS, muito bem, será liberado para quem precisar e para aqueles que não tem mais onde morar do Governo Federal virá um bilhão para reparos, para as famílias de 600 vítimas é difícil o amparo a reconstrução terá apoio de todos, amigos e parentes.
E se possível, senhor, uma estiagem de políticos negligentes.