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terça-feira, 17 de maio de 2011

Série B é segundo golpe da Globo sobre RedeTV!.

Por Erich Beting.
A disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro teve um segundo round na última semana, quando a Band foi oficializada como a emissora oficial da Série B do Campeonato Brasileiro a partir do próximo dia 21 de maio. A emissora da família Saad tirou da RedeTV! os direitos de exibir a competição. A decisão é mais um baque para o canal que já havia ganho, mas sem levar, os direitos de exibir o Brasileirão da Série A entre 2012 e 2014.
Mesmo sem aparecer, a Globo foi a principal vencedora dessa história. A Band comprou, em tese, os direitos de exibir o campeonato da Sportpromotion, agência de marketing que é responsável pela gestão comercial da Segundona em parceria com a CBF. A Globo é a principal detentora dos direitos para TV aberta, TV fechada e pay-per-view, mas geralmente só tem exibido as partidas do campeonato nos seus canais pagos. Nos últimos seis anos, a RedeTV! ficou com a transmissão em TV aberta do torneio, com raras aparições da Globo nos anos em que clubes de grande torcida participaram da competição.
Para este ano de 2011, a dobradinha Globo e Band será feita nas duas principais divisões do futebol brasileiro, dando mostras de que deverá continuar também quando terminar de ser resolvida a transmissão do Brasileirão entre 2012-2015.
Fica cada vez mais claro que está bem longe de acontecer a via de conciliação entre Globo e RedeTV! (particularmente, esse era o caminho que eu considerava o mais racional para ser tomado pelas duas partes) para acomodar os interesses do processo de aniquilação do Clube dos 13. Sinal de que poderemos ter guerras de liminares ou brigas intermináveis na Justiça.
Para o mercado, e para o torcedor, o mais provável, neste momento, é que Globo e Band continuem a reinar soberanas no direitos de transmissão do futebol no país.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O abismo entre EUA e Brasil no marketing esportivo
No último final de semana, a cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo, recebeu a etapa seletiva do Campeonato Brasileiro de Beisebol Universitário. Em sua segunda edição, o torneio é um dos poucos ligados à modalidade, quase sempre disputada pela colônia japonesa aqui no Brasil.
O detalhe dessa vez ficou por conta do patrocínio que o torneio conseguiu atrair. A edição de 2010 da competição terá o apoio da Major Legaue Baseball, a liga de beisebol dos Estados Unidos e organizadora da mais importante competição da modalidade no mundo.
O apoio da MLB ao beisebol brasileiro revela um pouco mais do abismo que existe quando se trata de marketing esportivo nos mercados dos EUA e do Brasil. Enquanto ainda engatinhamos nos conceitos relativos à promoção do esporte, os americanos cruzam fronteiras e colocam o seu estilo agressivo de atuar em todos os cantos do mundo.
O esporte tem de entender que ele está inserido na indústria do entretenimento e, como tal, precisa atrair o maior número de consumidores para si. O futebol do final de semana concorre com as outras modalidades esportivas, com a família, com o restaurante, com o cinema, o shopping, o teatro, etc. A disputa não é entre os dois times que ali estão. Pelo contrário. Eles são "sócios" desse produto.
É assim em todos os esportes. E é assim que o americano enxerga o seu campo de atuação. Ao apoiar o beisebol no Brasil, a MLB consegue atrair um grupo de pessoas para o seu esporte. Esse atleta em potencial no Brasil pode preferir o beisebol ao futebol, à praia, ao parque, ao cinema, ao computador, etc. E, se isso acontecer, ele muito provavelmente terá a MLB como referência para consumir o esporte.
Há anos que o futebol brasileiro confunde internacionalização de marca com conquistas em território estrangeiro. Ser campeão do mundo é, para muitos, sinônimo de ser um time reconhecido internacionalmente. Para que isso aconteça, não basta disputar uma competição durante duas semanas. É preciso promover a sua marca no exterior.
É o conceito que a MLB implanta agora no Brasil, e que o basquete e o futebol americano já fizeram há décadas. O Brasil tem muito o que aprender com o estilo americano de promoção do esporte. Do contrário, continuaremos a aceitar que a liga de beisebol dos EUA venha desenvolver a modalidade no país. Por que não fazermos o movimento contrário em relação ao futebo, por exemplo?
O abismo ainda é muito grande entre Brasil e EUA.

domingo, 15 de agosto de 2010

MARKETING ESPORTIVO

Nizan, Ronaldo e a vez dos grandes do marketing.
O mercado de marketing esportivo, finalmente, se agita por conta da realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil nesta década. O publicitário Nizan Guanaes tornou-se sócio majoritário da Reunion. O atacante Ronaldo se associou ao grupo WPP para montar uma agência de marketing esportivo. O grupo frances Havas mapeia o mercado em busca de uma boa oportunidade de aquisição de uma agência para começar a atuar na área. A Octagon volta ao país, agora cuidando da conta de ativação do patrocínio da Ab-Inbev no futebol.
Mas o certo é que esse movimento era algo até certo ponto esperado (e um pouco tardio) por conta de o Brasil ter se tornado o foco do investimento no esporte pelos próximos seis anos, pelo menos.
Só que, num primeiro momento, os megaeventos farão também com que essas empresas busquem megaprojetos no país. Viveremos, pela próxima década, uma era de grandes ideias e muito dinheiro sendo investido no esporte. Esse mercado estará aberto apenas para esses gigantes. Se, até hoje, microempresas e algumas outras de médio porte dominaram os negócios no esporte brasileiro, agora chegou a vez de os grandes movimentarem ainda mais dinheiro.
A boa notícia é essa: a bola do marketing esportivo nunca esteve tão cheia. A má é que, a partir de 2017, ela vai murchar até encontrar seu ponto de equilíbrio, quando os grandes não serão tão grandes e os pequenos terão sido absorvidos.

RODEIO NO BARRETÃO

BLOG DO ERICH BETING.
O que há de diferente no rodeio de Barretos.
No próximo dia 19 começa o famoso rodeio internacional de touros na cidade de Barretos, interior de São Paulo. A despeito da discussão sobre a esportividade ou não de uma competição de rodeio, o que mais me chama a atenção no rodeio de Barretos é a organização do evento. Mais do que qualquer outra coisa, é curioso observar o conceito que está envolvido na concepção do rodeio e que pode ser transferido para a atividade esportiva que quisermos.
A competição esportiva em Barretos acontece durante os 11 dias de evento. Mas, paralelamente a ela, uma série de minieventos, envolvendo não apenas o esporte. Até mesmo a cantora Mariah Carey foi contratada para dar um show!
O resultado desse esforço de fazer um evento que vai muito além da competição esportiva é o que faz Barretos ser tão diferente. A partir do momento em que os organizadores transformam o rodeio no menor dos motivos para o torcedor comparecer ao evento, a chance de ele ser um sucesso é ainda maior. Afinal, ao criar um megaevento na cidade, Barretos atrai não apenas os fãs do esporte, mas cria uma situação que agrade uma família inteira.
No Brasil, o evento relacionado ao esporte teima em manter como único atrativo ao consumidor a disputa. Ela é a coisa mais valiosa que existe, sem dúvida. Mas, se não oferecer chance de relacionamento com outros tipos de público, a chance de se obter sucesso com isso é menor. Hoje, Barretos consegue, nos 11 dias de rodeio, um faturamento maior do que em qualquer outra data no ano. E a competição touro-peão é apenas um dos motivos para isso...