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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Por Nizan Guanaes, da Folha

Nosso lugar no pódio. . .
Escrevo emocionado do estádio de Wembley, uma das grandes catedrais do mundo, como a de Notre-Dame ou a de São Pedro. Até uma anta futebolística como eu sente o peso do lugar, que, mesmo reformado como o Maracanã, será sempre o histórico Wembley.
Tudo numa Olimpíada é carregado de significado. A glória e a derrota: entramos na historia e saímos dela em frações de segundos.
Ver Michael Phelps conquistar a 18ª medalha de ouro é estar num momento do século que não passará. E há muito de shakespeariano no choro de Rebecca Adligton, de quem a Inglaterra esperava mais ouro neste ano e que terá de remoer seus bronzes pela vida inteira. A trama era digna de Glória Perez: a feia e simpática inglesa disputando com uma italiana sensual que posou nua para a "Vogue". Só que Lady Gold virou as costas para as duas favoritas, num enredo superado apenas por Carminha e Nina.
Esporte é novela, teledramaturgia pura, reality show de alto nível.
Rezo apenas para que o Brasil --nosso povo, nossos governantes em todos os níveis, nossos empresários grandes, médios e pequenos-- entenda que agora é a nossa hora.
A mais difícil e a mais bela. Como diria Churchill, "our finest hour".
Terei 56 anos na nossa Copa e 58 na Olimpíada. Os dois eventos formam oportunidade única de o Brasil assumir o lugar que já é dele. A questão desses tempos é ser e não ser. Não basta ser, você tem de ser percebido.
O Brasil melhorou muito nos últimos três governos. Mas nossa história não pode ser contada pelos mercados e por seus interesses. Ela tem de ser contada por nós, "we, the people", como lindamente escreve a Carta americana.
Temos de cuidar de nossos interesses e de como nossos filhos, nossas empresas, nossos produtos, nossos livros e nossa arte são percebidos no mundo neste século. E este século pode ser nosso.
Digo isso não por megalomania. Não precisamos dominar o mundo, mas podemos encantá-lo. O Brasil tem tudo para ser a "soft" potência do século. O que não pode acontecer agora é a montanha parir um rato. Nestes próximos quatro anos, todos os olhos do mundo estarão voltados para nós. Não é hora de "forfait". É hora de brio, de amor próprio, de sangue nos olhos.
É preciso ter senso de história. A velhinha inglesa que se despede de nós depois de um dia de sol e de um anoitecer gelado tem isso no seu dedicado sorriso de voluntária da Olimpíada. A Inglaterra, que de história entende bem, até escalou sua rainha de 86 anos para brilhar como "Bond girl" neste mundo midiático.
A discussão sobre ser o dinheiro da Copa ou da Olimpíada mais bem usado na saúde ou na educação é uma discussão mal posta. Dinheiro mal usado é mal usado em qualquer lugar. Se usarmos esse dinheiro apenas para sediar dois eventos, sem dúvida o custo será maior que o benefício. Mas o Rio de Janeiro, o Estado e a cidade, já está usando a Olimpíada para se posicionar como marca, lugar de negócios, sociedade e destino.
Estou em Londres a convite de um dos patrocinadores da Olimpíada, a revista "Fortune", que realizou um dos muitos eventos empresariais paralelos. Tudo foi bancado com o dinheiro chinês da municipalidade de Changdun, onde ocorrerá o próximo fórum global da revista, com a presença do líder chinês e dos maiores empresários do mundo, ou seja, enquanto a bola ou o cronômetro correm, a grana corre também.
É um jogo grande, e o Brasil entrou nele por conta própria. Volto feliz do evento sob a lua cheia de Londres, e o "dean" da Harvard Business School, que participou do fórum da "Fortune", com sorriso maroto e cabeça brilhante, me diz: "It's you, guys, in four years", e todos os olhos do ônibus se dirigem a mim.
Meus amigos e inimigos, ninguém mais é uma pessoa. Agora somos todos um país. Se um de nós em Santa Catarina ou na Bahia atropelar um ciclista francês, o Brasil terá atropelado um ciclista francês. Os olhos do mundo estarão postos em nós. Cheios de curiosidade, de preconceito e de inveja.
Não é hora de amarelar nem de ser soberbo. Nem de vir com burrice, achando que se trata de jogo de futebol ou de vôlei. O que está em jogo é a evolução do país das commodities para o do valor agregado.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

AS COPAS DE 2014

NIZAN GUANAES.
Enquanto em campo se joga a Copa do Mundo da África do Sul, nos bastidores se joga a do Brasil.
ESTOU NA África do Sul. Vim para o Fórum Global que "Fortune", "Time" e CNN realizaram na Cidade do Cabo, reunindo alguns dos mais importantes empresários, políticos, jornalistas, nomes do entretenimento, do esporte e de ONGs. Sou, para minha tristeza, o único brasileiro num mar de chineses e indianos.
O lugar do fórum não foi escolhido à toa. O de 2012 será na China, e vou lutar intensamente para que o Fórum Global de 2014 aconteça no Brasil.
A Copa do Mundo é um evento extraordinário e múltiplo em que, simultaneamente, muitas coisas estão em jogo. A África do Sul, enquanto recebe, joga para sediar uma Olimpíada, e sinceramente acho que seria uma linda competição na Cidade do Cabo.
Enquanto em campo se joga a Copa do Mundo da África do Sul, nos bastidores se joga a Copa do Mundo do Brasil.
Empresas de mídia, marketing, esporte e infraestrutura buscam parceiros, oportunidades e informação sobre a Copa do Mundo no Brasil. Martin Sorrell, número um da propaganda mundial (CEO do Grupo WPP), e Ted Forstmann, dono da IMG, não estavam aqui falando do futuro do esporte sem propósito.
Há muito em jogo mesmo. O Brasil não deve se deslumbrar nem ser "blasé" em relação à Copa e à Olimpíada. É equivocado pensar que a Copa do Mundo é algo que se realiza em um mês e passa deixando estádios e corações vazios.
Os Bafana Bafana da África do Sul perderam no Mundial, mas esse povo sorridente celebra com razão. Eu vim e, com fé em Deus, voltarei e trarei muitos outros. O país é lindo. Cabo é uma cidade global para visitar sempre. E o continente é um dos grandes continentes para investir.
Em resumo, minhas pessoas físicas e jurídicas voltarão à África. Enquanto a Copa de 2010 se realiza em campo, e a de 2014, nos corredores, sonhos de futuros mundiais começam a ser desenhados.
O ex-presidente dos EUA Bill Clinton veio à África do Sul não só para fazer a palestra principal do Fórum Global, mas como presidente de honra da candidatura dos EUA à Copa do Mundo de 2018 ou 2022.
E quem teve a oportunidade de acompanhar de perto seus passos, como eu tive, não tem dúvida do seu empenho. Eu e minha família acompanhamos Clinton durante a partida na qual jogaram Estados Unidos e Gana, no sábado, dia 26.
Fomos a Rustenburgo com o presidente Clinton, um aparato forte de segurança e alguns dos mais