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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

CENTENÁRIO

Centenário de Nelson Rodrigues.
Diante da corrupção institucionalizada, mensalão, mentiras, escândalos em profusão, falta de escrúpulos da era comunista/socialista lulista vale evocar as sábias palavras do mestre das crônicas (sic): “Eu sou um anticomunista. Conhecíamos o canalha, o mentiroso, o vampiro de Düsseldorf. 
Todos os pulhas de todos os tempos e de todos os idiomas, mas, ainda assim, homens. O comunismo inventou alguém que não é homem. 
Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade é um preconceito burguês. Para o comunista, o pequeno-burguês é um idiota absoluto justamente porque tem escrúpulos.” 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O FAVORITO


Na crônica passada afirmei sem pestanejar: o Botafogo teria que ganhar do Atlético de Goiás como quem chupa uma laranja. Parecia que ia, a laranja quase já tinha virado o mais mucho dos bagaços quando o último caroço engasgou-nos, dificultando todo o processo de obtenção do suco cítrico. Não fosse o tapinha nas costas para desengasgar, mais conhecido como apito final do juiz, a laranja poderia apodrecer. Esse é o Botafogo, meus caros.  
Jogar como quem chupa uma laranja é uma expressão do tricolor Nelson Rodrigues. Para falar do nosso ídolo que eu não vi, mas dizia o Nelson que "jogador é o Didi, que joga como quem chupa uma laranja". Alguma comparação como nosso elenco de hoje? Acho que não, o time é bom, mas para jogar bem assim se esforça como quem chupa um limão. Tudo que eu quero é que eles se engasguem na acidez!
Mas volto a usar o Nelson para explicar o "literatura(?)" colocado aí no título da coluna. Botafogo todo mundo é, opinião todo mundo tem. A literatura é só para constar que aqui o espaço é para sonhar. Não me importam tanto as formações táticas, os números (detesto-os) tudo isso é um pormenor da paixão. Meus caros, na vida o que importa é única e exclusivamente a paixão pelo Botafogo. Pelo menos enquanto você lê esta coluna. 
Aqui, o Botafogo é favorito ao título. E se os comentaristas dizem que não, pior para os comentaristas, parafraseando o Rodrigues novamente. Aqui há espaço para o sonho, e o que vier além dele. Há de se rebaixar o fato e o que vier junto com ele. 
Temos muitos representantes desse jeito literário de ser na imprensa oficial, e cada vez os mesmos deixam mais saudades. Além do tricolor Nelson Rodrigues, relembro João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó, João Moreira Sales, e o Garrincha, que escrevia seus versos em campo, só para ficar nos botafoguenses. Recentemente, naquele texto do "El Loco no estaba acá" o jornalista Gustavo Poli deu traços que ainda há salvação entre aqueles que só vêem o fato. Um esplendor de texto. 
Enfim, acabam-se as palavras, o recado está dado, e já que leram tanto, até aqui, não custa ler o supracitado Nelson Rodrigues. 
"Quanto a mim, com satisfação o confesso: – acredito piamente em milagre. Ou por outra: – só acredito em milagre. A meu ver o fato normal, o fato lógico, o fato indiscutível merece apenas a nossa repulsa e o nosso descrédito. É preciso captar ou, melhor, extrair de cada acontecimento o que há, nele, de maravilhoso, de inverossímil e, numa palavra, de milagre. E não vejo como se possa viver e sobreviver sem esse milagre."
Botafogo x Avaí? Não me importa como nem porquê, temos é que vencer. Eu não quero saber quem é o defunto, eu quero é rezar. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

UMA RARIDADE

Crônica de Nelson Rodrigues sopbre Pelé, datada de 25 de Março de 1.958, num Santos 5 x 3 América no Maraca, jogo era válido pelo TORNEIO RIO-SÃO PAULO. Tudo indica que é a primeira crônica de Nelson sobre Pelé.
Depois do jogo América x Santos, seria uma crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade Albert Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — dezessete anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racionalmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.
O que nós chamamos de realeza é, acima de todo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: — “Quem é o maior meia do mundo?”. Ele respondeu, com a ênfase das certeza eternas: — “Eu”. Insistiram: — “Qual é o maior ponta do mundo?”. E Pelé: — “Eu”. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção, que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.
Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!”. De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: — a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.
Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, certeza, de otimismo, que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível em qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e mesmo insolente que precisamos. Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PAULA TOLLER

Gente estúpida, gente hipócrita.
A população, na sua sabedoria, costuma pensar que “político é tudo igual”. Embora não seja exatamente assim, é forçoso reconhecer que é menos errado este conceito do que imaginar que a maioria é diferente entre si.
A política brasileira, faz tempo, passou a governar-se pelo marketing. Nem sempre, embora frequentemente, o da promoção pessoal-eleitoral. Mas também o das “idéias óbvias”. Óbvias e burras, como já consagrou Nélson Rodrigues ao cunhar a expressão “idiotas da objetividade”.