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terça-feira, 3 de junho de 2014

SOU FLOR MORENA DO NORTE

Sou flor morena do norte...
Amazonidas com muita sorte...
Meu Estado tem um legado
Diamante, ouro e cassiterita...
Sub solo rico, e florestas infinitas
E, um lavrado lindo...
Meu coração transbordante...
Provém daqui do norte distante...
Um lugar lindo de se ver...
E, ótimo pra se viver....
Natureza rara...
Monte Roraima
Que faz fronteira triáde...
Brasil azul de anil...
Venezuela com sua Gran Sabana bela...
E, Guyana Inglesa...
Que também tem sua beleza...
Neste universo distante...
Deus plantou a semente
Da flor morena do norte...
Uma mulher guerreira
E, forte...
Sensivel e suave como as petálas
Aveludadas de uma rubra rosa carmim...
Sou delicada e refinada pela ternura...
Que exala do teu amor de fragância de jasmim...
Notívagamente e amanhecedoura
Em sua plenitude...
Mas, também posso ser como leoa que brada...
Quando vejo a injustiça surgir...
Escolhi o amor com escudo...
Minha essência é assim...
É, rubra rosa é sim...
O amor faz parte integrante de mim...
Amor que exala em meu ser...
A vontade de poder viver...
Aqui em meu Roraima querido...
Aqui tive o prazer de nascer...
E, continuo a viver...
Quero ficar aqui,e pra sempre adormecer...
Na grande Iniciação
E, poder eternizar nosso amor...
Meu eterno João...
Meu amorzão...
Sou Flor morena do norte...
Ray Nascimento eu sou...

quinta-feira, 8 de março de 2012

POESIA

Por Ivo Salvany.
Natureza Mulher.
Mulher: mãe, esposa ou amante,
És matriz, raiz, começo da vida,
Fiel apaixonada, tua presença irradia,
Cintilante aura de irresistível atração,
Num rastro de eterno e puro amor.
Conduzes a alma da humanidade,
És intuição, esperança e compaixão,
Teu corpo, alma e espírito perfeitos,
Encerram o resumo do universo. 
Sonho realizado das criações infinitas,
Cálice da embriagues das paixões,
Divina e sublime no abismo do amor,
Por ti compreendi a natureza-mulher,
Em teus braços encontrei-me com Deus.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem, que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu; parágrafo único, o homem confiará no homem como um menino confia em outro menino". Poeta Thiago de Melo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

TELÊ SANTANA


Por ROBERTO VIEIRA.
O chão de ferro viu nascer o fio de esperança.
Poesia em movimento.
Fernando Morais pensou que ele seria o rei do Brasil.
Engano.
O menino maluquinho Paolo Rossi não quis.
O anjo pornográfico o considerava não menos que santo.
O irmão do anjo sonhou que ele era um Deus.
Magro com o perfil do Aleijadinho.
Minas.
Drummond, o Roberto, apresentou-lhe Hilda.
Mas Hilda amou Valentim.
A camisa do moleque de Itabirito ardeu em chamas.
Mão seca.
Rastilho de pólvora.
A seleção era um grande sertão veredas.
Bota ponta!
Volta, Telê!
As palavras em Minas são curtas e tardias.
Baú de ossos assassinado na escuridão.
Travessia.
Quando você foi embora fez-se noite no futebol.
Máscaras singulares.
Ídolos de pano.
Oitenta anos, Telê.
Oto Vieira não estava errado.
Lembra do Bangu?
Tinha medo de Didi.
Descobriu-se perdido em ti.
Sabino dizia que a bola tinha encontro marcado.
Um encontro marcado com quem mais a amava.
Tinha um Telê no meio do caminho.
No meio do caminho tinha um Telê no clube da esquina.
Primeiro campeão brasileiro.
Um 14 Bis surge no céu anunciando que estamos perdidos em Abbey Road.
Ou será no Sarriá?
Quando você chegou ao céu teve festa do divino.
Tutu à mineira.
Tem quem prefira 1994.
São os grandes mentecaptos.
Convocaram novamente a canarinho.
Canarinho que é página virada no coração do torcedor brasileiro.
Ontem.
Descobri uma foto sua no DVD do Skank.
1951.
Você tinha vinte anos.
Véspera de decisão.
Jurando jogar com limpo contra o Bangu.
Quer saber?
Só mesmo você, Mestre Telê…

segunda-feira, 27 de junho de 2011

FENANDO PESSOA - SOPHIA DE MELLO BREYNER

Teu canto justo que desdenha as sombras
Limpo de vida viúvo de pessoa
Teu corajoso ousar não ser ninguém
Tua navegação com bússola e sem astros
No mar indefinido
Teu exacto conhecimento impossessivo
Criaram teu poema arquitectura
E és semelhante a um deus de quatro rostos
E és semelhante a um deus de muitos nomes
Cariátide de ausência isento de destinos
Invocando a presença já perdida
E dizendo sobre a fuga dos caminhos
Que foste como as ervas não colhidas
 Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, Portugal, 6 de novembro de 1919 - Lisboa, Portugal, 2 de julho de 2004) - Poeta portuguesa de grande importância, foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões de Literatura. Também traduziu algumas grandes obras para o português como "Purgatório" de Dante, Hamlet e Muito Barulho por Nada, de Shakespeare e Medéia de Eurípedes. Publicou poemas, ensaios, peças de teatro, contos infantis e prosa ao longo de sua carreira literária.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um poema de Carlos Drummond de Andrade:

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O GLORIOSO

Ser Botafogo é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca, “Ser Poeta”

terça-feira, 19 de outubro de 2010

PROJETO PATATIVA

Caminhão-museu estaciona no Congresso com obra de Patativa do Assaré.Em comemoração ao centenário de nascimento do poeta cearense Patativa do Assaré, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) autografa nesta quarta-feira (20) o livro Patativa do Assaré - Poeta Universal, organizado pelo parlamentar.
O evento será realizado no caminhão-museu que integra o Projeto Patativa Encanta em Todo o Canto, mantido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. O veículo abriga diversas obras escritas por Patativa do Assaré e percorre o país desde o início do ano passado. Nesta quarta, estará estacionado na Alameda das Bandeiras, na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional.
A visitação (gratuita) ao museu itinerante será aberta às 10h e encerrada às 17h. Às 11h, será realizada uma palestra sobre vida e a obra do poeta e, às 16h, o senador Inácio Arruda autografa o livro.
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, é considerado um dos maiores ícones da cultura popular nordestina.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dilma: a esperança para não voltarmos ao passado do atraso, da privataria e da exclusão social.

Mais uma vez o Brasil
Vê-se numa encruzilhada;
Um gancho de dois caminhos
Se apresenta em sua estrada,
Um é claro, outro é escuro;
Um aponta pra o futuro
O outro é água passada!

Um caminho é de avanço
O outro é de retrocesso;
Um representa o atraso,
O outro aponta o sucesso;
Um é farol, luz e fé
O outro é a marcha-à-ré
Na manobra do regresso!

Quem não lembra do Brasil
Há oito anos atrás,
Quando demos e tucanos
Com seu instinto voraz
E aquela gula nojenta
Venderam cento e oitenta
Das empresas nacionais.

Venderam empresa em leilão,
Por telefone e por fax,
Quase que o BB e à Caixa
Tomam uma dose de Antrax;
Petrobrás quase caia
Nas mãos da Privataria
Com o nome de Petrobrax!

Foi um tempo de desgraças
De fome e de desemprego,
Violência, epidemias,
Corrupção e chamego,
Quando o FMI
Vivia vindo aqui
Destruir nosso sossego!

Era um Brasil de joelhos,
Era uma nação rendida,
Onde a ganância estrangeira
Era tão bem recebida
Com bajulações e palmas,
Que na Bacia das Almas
Nossa Pátria era vendida!

Foi preciso um operário
Que perdeu três eleições
Quebrar a lei da exclusão
Vencer discriminações
Derrotando o preconceito
Para o Brasil ter conceito
No Concerto das Nações!

Lula, que em 2002
Assumiu a Presidência
Juntando os cacos da Pátria,
Colando com paciência
Os pedaços dos retalhos
Costurando os agasalhos
De um embrião de potência!

Hoje o Brasil é Brasil
Com um “s” e não com “Z”;
Um Brasil dos brasileiros
Que o mundo inteiro já vê
Com respeito e amizade,
Um chão de felicidade
A rir pra mim e você!

Lula governou pra todos
Pra Sem terra e fazendeiro,
Doutor e analfabeto
Servidor público e banqueiro;
Hoje o catador de lixo
Diz com orgulho e capricho
Sou feliz, sou brasileiro!

Bolsa-Família trazendo
Renda mínima garantida,
SAMU erguendo milhares
Do chão duro da avenida,
Luz Para Todos brilhando
E o ex-Sem teto gritando:
Minha casa, Minha Vida!

No campo a fome sumindo
Dos levantados do chão;
As estradas sem pedágio
Conduzem a nova nação,
Pré-Sal e biocombustível
Estão tornando possível
Outro Brasil pra o povão!

Com transferência de renda,
Guinada educacional
Crescimento acelerado,
Vê-se que o Brasil real
Foge do fogo do inferno,
Bebendo o leite materno
Da inclusão social!

Por isso que Lula tem
Estupenda aprovação;
Se ele quisesse ficar,
Pelo gosto do povão
Para executar seus planos
Ficava cinquenta anos
Sem perder uma eleição.

Mas Lula não quer assim;
Quer que a lei tenha valia,
Que o rodízio no poder
Azeite a democracia,
Que a lei da República avance
E que todos tenham chance
À luz da cidadania!

Por isso agora ele sai
Pois cumpriu bem seu mister,
Porém não quer entregar
O País a um qualquer,
Que queira mudar a prosa...
Quer ver a mão caprichosa
Do carinho da mulher.

Escolheu DILMA ROUSSEFF
Mulher de fibra e de flores;
Que viu a dor da tortura,
Do parto sentiu as dores
Venceu a dor da doença,
Mas age, respira e pensa
Bordando a vida de amores!

Soube ser esposa digna,
Sabe ser mãe e avó,
Sabe o poder da ministra,
Sabe as lágrimas da vovó,
Sabe o valor da família
Sabe mandar em Brasília
Pra desatar qualquer nó!

Mãe de Paula e Mãe do PAC
Conhece o trono e a cruz;
Fez quase um milhão de casas
Seu “Luz Pra Todos” reluz.
Sua estrela sobe e brilha
E está junto à filha
Pois a Paula deu à luz!

Temos milhões de motivos
Pra gente em Dilma apostar,
Mas vamos destacar 13,
Por que 13, é bom lembrar,
Que 13 é o número dela
Vai ter o 13 na tela
Quando a gente for votar!
CRISPINIANO NETO

domingo, 29 de agosto de 2010

FRAGMENTO

Romério Rômulo
Escrever poemas aos entulhos
no revérbero de estradas e atropelos
pisar os corpos como fossem gelos
e as estradas como fossem muros.
a vida, amigo, é poço mais e mais
e os homens que se mostram em desmazelos
são todos eles uns caudais de pelos
que atravessam as noites de punhais.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

TRIO ESPERANÇA

Mário Cesar Serafim
Houve uma época em que um povo forte,
Era dominado por uma elite tola e servil,
Que achava que ser um escravo do norte,
Era o único destino reservado ao Brasil.
Mas um dia surgiram três grandes brasileiros,
Que num gesto de amor à terra e à sua gente,
A libertaram da exploração dos estrangeiros,
E fizeram dela a maior potência do ocidente!
Eles enfim colocaram o país no prumo,
E essa nação não caminhou mais a esmo,
Tendo finalmente encontrado seu rumo!
A elite podre que contenha sua gula,
Pois o Brasil não será mais o mesmo,
Depois de Getúlio, Brizola e Lula!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

8ª FESTA LITERÁRIA DE PARATY
FHC afaga e apedreja Freyre na Flip
Na abertura da festa, ontem, sociólogo diz que é fácil, mas não justo, apenas criticar autor de "Casa Grande & Senzala"
Ex-presidente elogia estilo de Freyre, mas reprova "afirmações inaceitáveis" sobre negros, índios e judeus
PLÍNIO FRAGA - FABIO VICTOR
A mão que apedreja também afaga. A ambiguidade -traço definidor da obra de Gilberto Freyre- foi a tônica da conferência do ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso sobre o intelectual pernambucano, na abertura da 8ª Festa Literária Internacional de Paraty, ontem à noite.
"É fácil criticar Gilberto Freyre, só não é justo apenas criticá-lo. Ele abre flanco para todo lado. É muito fácil massacrar", expôs FHC, após ser apresentado pelo historiador Luiz Felipe Alencastro, professor da Universidade de Paris, em Sorbonne.
FHC lembrou que são usuais em livros de Freyre "afirmações inaceitáveis", por exemplo, sobre negros, índios, judeus e brancos.
Mas declarou que sua obra permanece porque ousou contestar o pensamento dominante nos anos 1930 (defensor de um Estado forte e autoritário), inovando na abordagem de criar um ideário próprio a partir da vivência cultural e das relações cultivadas pelas pessoas.
"Ele qualificava as pessoas a todo o instante. Mas dizia que somos produtos de culturas, não de raças."
DISCORDÂNCIAS
O ex-presidente disse ter preparado um texto de cem páginas para embasar sua palestra. "Deu um trabalho danado, mas sou um acadêmico. Tinha de fazê-lo."
FHC historiou as origens das discordâncias dos intelectuais de sua geração com a obra de Freyre -"Casa Grande & Senzala" é da década de 1930 e nomes como Florestan Fernandes se debruçaram sobre a questão racial a partir da década de 1950.
"Tínhamos um amor ao cientificismo que nos fazia ir dar aulas de bata branca", relembrou. "Daí a ideia que se criou de que Freyre era melhor ensaísta do que pesquisador", afirmou.
FHC rememorou que Freyre tinha contato com autores modernistas e conhecia literatura. "Na linguagem acadêmica se usam palavras quase que para o outro não entender [risos da plateia]. Gilberto Freyre não escreve desta maneira. Ele escrevia em espiral. Você se perde todo, mas ele te leva no embalo. E isso foi o que lhe deu, de certa forma, perenidade. Mesmo não estando de acordo, você vai na onda."
Segundo o ex-presidente, o central na obra de Freyre foi o "amor ao patriarcalismo" e a tentativa de caracterizar o país como promovedor do "equilíbrio entre contrários".
"Freyre não diz que o Brasil é uma democracia racial. Defende a ideia de que há aqui um equilíbrio entre contrários. É uma ideia dialética que nunca se realiza, nunca chega a uma síntese."
CONTRAPONTO
A plateia permaneceu em silêncio reverente durante a explanação de 1h28 minutos, iniciada com Alencastro apontando pontos de interseção entre a obra de FHC e a de Freyre. Simpatizante petista, Alencastro afirmou que evitaria citar a gestão de FHC na Presidência, porque esta "esmagaria" o papel do intelectual, tal sua relevância na vida cotidiana do país.
FHC sugeriu que o homenageado do próximo ano da Flip fosse Sérgio Buarque de Holanda, contemporâneo de Freyre e, em sua visão, melhor contraponto à obra do pernambucano.
Citou que Freyre se mostra defensor do patriarcalismo nordestino, e Holanda fala das massas urbanas e da necessidade do cumprimento das regras.
"Quando Sérgio fala do brasileiro cordial, não faz um elogio. É uma crítica ao horror do brasileiro pelo ritual, por optar por dar um jeitinho, por driblar a regra. Não quero falar do presente, mas sem ritual não há democracia", afirmou FHC, numa crítica indireta ao informalismo do presidente Lula.
FHC encerrou sua explanação inicial dizendo: "Essa ambiguidade que está em Gilberto Freyre talvez esteja em todos nós". Foi aplaudido por quase três minutos. Levantou-se, juntou as palmas das mãos, e baixou a cabeça: "É como eu digo nestas horas: se deixarem eu dou bis e falo tudo outra vez".

sexta-feira, 30 de julho de 2010

POEMA

Cruzei a esquina do bairro com a mente povoada de recordações da adolescência e coração crivado de saudade dos amigos mortos ou distanciados.
Velha rua do meu bairro, onde senti as primeiras intensas emoções do encontro sempre conflitivo com a maturidade.
Velhos companheiros dos encontros febris da nossa camaradagem.
Eu daria tudo que tivesse para reviver aqueles momentos.
Mas o passado não volta mais, o futuro teima em me impor medos, e o presente quase sempre é um sobressalto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

30 ANOS DE AUSÊNCIA

Ausência.
Vinícius de Moraes.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

terça-feira, 29 de junho de 2010

JOAQUIM CARDOZO

CANTO DO ALVORECER
Cantar eu canto o alvorecer
Canto as asas dos pássaros voando;
Já muito cedo na manhã
Livres, libertos, as asas esfoleando.
Eu canto o canto dos canários,
Nos ares limpos navegando,
No alvorecer do dia novo,
O amanhecer venho cantando.
Na planície vai surgindo o sol. . .
Que bem cedo será estrela nova.
Vai nascendo o sol, o sol e o brilho
De ser estrela nossa e a nossa prova.
Nascendo sobre os verdes marítimos
Entre as nuvens que pairam sobre as águas,
Verde escuro, verde seiva, verde virente
Verde a desfazer dores e mágoas.
O vento assobia, passa zunindo,
Por vários dias vai cantando
O Mistral; o Minuano
Tem cursos longos de comunicação.
O que diz no seu sibilo
Deve ser uma história longa
E assim vagueia como uma voz
Longínqua e telefônica.
O vento navega, flutua;
Com se reúnem, como se organizam
Para marchar nos planaltos,
Soprando nos ares o seu segredo.
E os signos que não falam
Exprimem uma sensação;
O touro que corteja as novilhas
Os bezerros apojando as vacas-leiteiras
São acompanhados de signos sem conteúdo.
O rumor das palmas dos coqueiros
Parece que conversam sobre o vento.
Há passarinhos que imitam outros passarinhos
Há papagaios que falam
E repetem tal qual o que lhes dizem.
Há pássaros que cantam
Em mais de dois mil tons:
As patativa sendo um deles.
Muitos outros podem ser citados:
Os sabiás, as arapongas,
O papa-capim, papa-arroz, caboclinhos
Muitos outros bons cantores.
Outros pássaros canoros são freqüentes,
Corruíra, guapuru:
Que imita todas as outras aves.
Outros signos se conhecem e se louvam;
Quase todos foram gravados em disco
E os seus cantos são diversos e raros.
Apesar de tudo, não chegam
A exprimir um conteúdo
Como o da linguagem dos homens.
Em vez de pássaros podem ser
As folhas das belas árvores
Revestidas de cores as mais diversas.
Estas cores entre si são signos
Signos da cor entre cores diversas.
É tão verdadeiro, como o canto das aves
São signos puros e musicais.
As abelhas, as formigas, as térmitas
Nos seus signos apenas encerram o seu trabalho.

sábado, 19 de junho de 2010

CHICO BUARQUE, 65

Um poema de Vicente de Carvalho em homenagem ao aniversário (19/06) de Chico Buarque, que hoje faz 65 anos.
Felicidade.
Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.

sábado, 12 de junho de 2010

CASTRO ALVES

Vozes d'África.
Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...
Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
- Infinito: galé! ...
Por abutre - me deste o sol candente,
E a terra de Suez - foi a corrente
Que me ligaste ao pé...
O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.
Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.
Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.
Por tenda tem os cimos do Himalaia...
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais ...
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
- Pagodes colossais...
A Europa é sempre Europa, a gloriosa! ...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista - corta o mármore de Carrara;
Poetisa - tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã! ...
Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela - doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.
Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro... bebe o pranto a areia ardente; talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão...
E nem tenho uma sombra de floresta...
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador...
Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
"Abriga-me, Senhor!..."
Como o profeta em cinza a fronte envolve,
Velo a cabeça no areal que volve
O siroco feroz...
Quando eu passo no Saara amortalhada...
Ai! dizem: "Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz. . . "
Nem vêem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
Lá no solo onde o cardo apenas medra
Boceja a Esfinge colossal de pedra
Fitando o morno céu.
De Tebas nas colunas derrocadas
As cegonhas espiam debruçadas
O horizonte sem fim ...
Onde branqueia a caravana errante,
E o camelo monótono, arquejante
Que desce de Efraim
Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?...
E que é que fiz, Senhor? que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!
Foi depois do dilúvio... um viadante,
Negro, sombrio, pálido, arquejante,
Descia do Arará...
E eu disse ao peregrino fulminado:
"Cão! ... serás meu esposo bem-amado...
- Serei tua Eloá. . . "
Desde este dia o vento da desgraça
Por meus cabelos ululando passa
O anátema cruel.
As tribos erram do areal nas vagas,
E o Nômada faminto corta as plagas
No rápido corcel.
Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir - Judeu maldito -
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d'Europa - arrebatada -
Amestrado falcão! ...
Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos - alimária do universo,
Eu - pasto universal...
Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais... irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.
Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito... escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

GETUBRILU.

Soneto que é uma simples homenagem a tres brasileiros adimiráveis!
Houve uma época em que um povo forte
Era dominado por uma elite tola e servil
Que achava que ser um escravo do norte
Era o único destino reservado ao Brasil.
Mas um dia surgiram três grandes brasileiros
Que num gesto de amor à terra e à sua gente,
A libertaram da exploração dos estrangeiros
E fizeram dela a maior potência do ocidente!
Eles enfim colocaram o país no prumo,
E essa nação não caminhou mais a esmo,
Tendo finalmente encontrado seu rumo!
A elite podre que contenha sua gula,
Pois o Brasil não será mais o mesmo
Depois de Getúlio, Brizola e Lula!
Mário Cesar Serafim

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O ENCONTRO DAS ÁGUAS.

Vê bem, Maria aqui se cruzam: este
É o Rio Negro, aquele é o Solimões.
Vê bem como este contra aquele investe,
como as saudades com as recordações.
Vê como se separam duas águas,
Que se querem reunir, mas visualmente;
É um coração que quer reunir as mágoas
De um passado, às venturas de um presente.
É um simulacro só, que as águas donas
D’esta região não seguem o curso adverso,
Todas convergem para o Amazonas,
O real rei dos rios do Universo;
Para o velho Amazonas, Soberano
Que, no solo brasílio, tem o Paço;
Para o Amazonas, que nasceu humano,
Porque afinal é filho de um abraço!
Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto.
Aquela outra parece amarelaça,
Muito, no entanto é também limpa, engana:
É direito a virtude quando passa
Pela flexível porta da choupana.
Que profundeza extraordinária, imensa,
Que profundeza, mais que desconforme!
Este navio é uma estrela, suspensa
Neste céu d’água, brutalmente enorme.
Se estes dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!…
Poeta Quintino Cunha.