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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CADA GOVERNO FAZ O SEU

7 DE SETEMBRO: CADA GOVERNO FAZ  O SEU  - Em setembro de 2002,  nos estertores do governo do PSDB, o risco-Brasil atingia 2.443 pontos. Medida de vulnerabilidade de uma economia --do ponto de vista dos credores--  cada 100 pontos  de risco equivale a 1% de taxa adicional de juro. A chance  de um calote brasileiro então  era tida como muito alta. Para quebrar as resistências ao  passar o chapéu o governo FHC  via-se  obrigado a pagar uma sobretaxa de quase 24,5% acima do juro vigente nos EUA. Numa operação externa esta semana, o Brasil pagou a menor sobretaxa de juro de sua história:1,1%. O oposto vivido no governo do PSDB reduz  a margem de soberania de um país a zero. A  independência política é ornamental. Canta-se o Hino, hasteia-se a bandeira. Entrega-se tudo o mais que dá sustento à palavra Nação. Sem o manejo endógeno das contas externas  é impensável fazer  política de desenvolvimento ou articular a defesa da industrialização. Menos ainda avançar na defesa da principal fronteira da soberania no século XXI: a justiça social. Delega-se o destino aos banqueiros. Em setembro de 2002, depois de 8 anos nas mãos do PSDB,  o Brasil era isso: um pangaré  faminto tratado no cabo de marmelo pelos mercados. (LEIA MAIS AQUI) (Carta Maior; 5ª feira 05/09/2012)

sábado, 16 de junho de 2012

DESCARREGO


"É preciso recolocar a CPI nos trilhos da investigação para valer, valorizando o essencial, que é o desvio do dinheiro público, por meio das operações da Delta tendo Cachoeira como principal traficante de influência". - Senador Álvaro Dias (PSDB-PR)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A PIGARRA TUCANA

Por Saul Leblon, na Carta Maior. 
É  um velho truque do conservadorismo brasileiro reiterado ao longo da história: quando a raiz dos problemas repousa nas entranhas de seu aparelho administrativo ou no descaso histórico com as prioridades da população, desfralde-se a bandeira udenista da sabotagem perpetrada por 'agitadores'. 

A lenga-lenga exala naftalina e remete ao linguajar pré-golpe de 64, mas encontra em São Paulo 71 quilômetros de motivações para ser ressuscitada com regularidade suíça pela pigarra do PSDB. Nessa rede escandalosamente saturada e curta do metrô --inferior a da cidade do México, por exemplo, com 200 kms-- os registros de panes, acidentes e interrupções tem exibido frequência preocupante: só este ano foram 143 ocorrências, média de uma por dia. 
Na 4ª feira, a pigarra conservadora aproveitou a greve salarial dos metroviários para isentar a gestão temerária por trás dos transtornos renitentes. A narrativa é a de um 'jornal da tosse'; gargantas raspando pastilhas Walda emitem denúncias de sabotagem e insinuam 'incêndios do Reichstag' de olho nas eleições municipais. Agitadores conturbam o ambiente da metrópole; não fosse isso, os serviços públicos tucans deslizariam no azeite fino de oliva. 
O 'jornal da tosse' por definição é pouco informativo: faltam-lhe pernas para driblar números adversos. Em 2011, o governador Alckmin investiu R$ 1,2 bi dos R$ 4,5 bilhões previstos para a expansão do metrô e não deixou por menos na ponta ferroviária: as compras de trens caíram à metade.
No conjunto do sistema o recuo do investimento foi da ordem de 20% sobre 2010. A média tucana de expansão dos trilhos tem sido de 2,35 kms/ano. Significa que nas mãos do PSDB a rede precisará de cinco décadas para se equiparar a do México. 
O 'jornal da tosse' passa ao largo dessas minças que fazem do metrô de São Paulo o sistema de transporte mais saturado do mundo, com 11,5 milhões de passageiros/por km. Seu forte é a frase lacerdista. Com a palavra, um virtuose na arte, o comentarista da tosse José Serra, que limpa a garganta, ajeita a gengivite e sapeca: "É muito fácil hoje você paralisar o funcionamento de uma linha qualquer. Uma gravata, uma blusa na porta de uma vagão pode provocar [a paralisação]", disse o ex-governador e pré-candidato do conservadorismo ao comando da capital paulista. "Não digo que todas (as ocorrências) foram sabotagem, mas que algumas delas -- com certeza-- têm a ver com isso".(UOL 23-05).
Depois, com uma tossinha matreira o governador Geraldo Alckmin emenda:  "Ano passado não teve eleição, nem nenhuma greve, este ano tem (eleição e greve). Será que é só coincidência?" (UOL, 23-05). 
O 'jornal da tosse' tem uma visão de mundo que o dispensa de atualizar o noticiário. Em setembro de 2010, em plena eleição presidencial, o metrô de São Paulo registrou uma megapane, seguida de protestos com 17 composições apedrejadas. A pigarra tucana emoldurou então a voz do governador em exercício Alberto Goldman, que não perdoou: 'Puseram uma blusa na porta de um vagão paralisando o sistema;isso cheira a sabotagem'. 
Dias depois, perícia do Instituto de Criminalística comprovou que a pane fora causada pelo colapso técnico do metrô paulistano. 'Mas a blusa estava lá', deu de ombros o pigarrento Goldman. Justiça seja feita, a narrativa tucana tem feito esforços de renovação. Soninha Francine, do PPS, incorporou-se à bancada da tosse desde o episódio de 2010, quando era chefe de campanha de Serra na Internet e comentou assim, pelo twitter, o acidente que deixou 250 mil pessoas a pé: "Metrô de Spaulo tem problemas na proporção direta da proximidade com a eleição. Coincidência? #SABOTAGEM #valetudo #medo”.
Bela pigarreada, Soninha. No engavetamento do último dia 16, quando duas composições colidiram numa pane do comando automático, ela reafirmou a disposição de injetar ar fresco no script udenista e dedilhou toda faceira no twitter: "Metrô caótico, é? Não fosse pela TV e o Twitter, nem saberia. Peguei linha verde e amarela; sussa". Convenhamos, 'sussa', num acidente com 143 feridos é uma pérola. A Soninha achou o tom da coisa: conservadorismo fantasiado de Vila Madalena. Essa pigarra leva jeito.

sábado, 28 de abril de 2012

AVANT-PREMIÈRE DO PSDB

1º DE MAIO: A GÊNESE DO PELEGUISMO - "Cada patrão mandou dez funcionários para cá. A gente tem que ficar até o fim [do evento] e levar o comprovante de que veio, para não descontar o dia de trabalho". A confidência foi feita por um dos participantes do primeiro congresso do "núcleo sindical" do PSDB, realizado em São Paulo, na última sexta-feira, conforme relato da Folha (27-04). Uma espécie de avant-première do 1º de Maio, o encontro liberou caciques tucanos para o feriadão prolongado com a consciência do dever cumprido. A lotação proletária foi assegurada pelo engajamento natural das bases: donos de construtoras e empreiteiras que prestam serviços ao Estado convocaram seus trabalhadores à luta, com direito a sanduíche de queijo, suco, biscoito e maçã. Mediante comprovante de comparecimento, a militância teria  o  dia abonado trocando o saco de cimento pela faiscante oratória tucana. Cada empresa foi convocada a encaminhar pelos menos dez operários ao meeting.  Serra nem gaguejou ao afirmar aos presentes que a relação do PSDB com sindicatos 'não é novidade'; em seguida, pediu apoio à candidatura a prefeito de SP. "Temos nossa primeira tarefa: mobilizar nossos sindicalistas para a campanha eleitoral deste ano", disse o ex-governador com indisfarçável mal humor diante do rival  Aécio Neves (leia mais aqui: 'Por que Serra está nervoso?'). Alckmin foi de longe o mais combativo; sapecou um  'companheiros e companheiras' na saudação e arrematou com a frase cuja autenticidade sintetiza a de todo o evento: "O PSDB é um partido que dá prevalência ao trabalho sobre o capital". (Carta Maior; Sábado 28/04/2012).

A MÃE QUE JOGAVA UM BOLÃO

Por Carlos Chagas.
Dois adversários empenhavam-se em acirrada disputa, tanto faz se política, artística ou esportiva. Um deles, no auge da emoção, afirmou pejorativamente  que determinada  cidade  só produzia jogadores de futebol ou prostitutas. Ofendido, o outro retrucou dizendo-se ofendido, pois  a mãe dele havia nascido e morava  naquela cidade. Caindo em si o destemperado treplicou: “Pois é. A sua mãe está jogando um bolão...”
Essas firulas verbais servem para demonstrar que certas  tertúlias tem  limite. Ao contrário de outras,  não constituem  embate de vida e de morte, havendo sempre uma janela aberta para alguém escapar. É o caso, por exemplo, do PT e do PMDB,  na luta pela prefeitura de São Paulo.
Fernando Haddad  e   Gabriel Chalita trocam farpas, não raro se agridem e fazem o impossível para continuar à tona na competição, esperando cada um passar para o segundo turno, já que o verdadeiro inimigo deles é José Serra, do PSDB, com lugar garantido. Chalita imagina contar com o apoio de Haddad, e vice-versa, na dependência dos resultados de outubro.  Por isso não chegam aos limites do rompimento definitivo, deixando sempre uma alternativa, mesmo às vezes ridícula como aquela do cidadão que elogiou os dotes futebolísticos da  mãe  do adversário.
AMIGO DA ONÇA.
De certos amigos, aliados e correligionários, é sempre bom desconfiar. Pelo menos, essa desconfiança  tomou conta do comitê de campanha de José Serra, e do próprio candidato,  depois de lida  entrevista do senador Aécio Neves, concedida ontem à Folha de S. Paulo.  Porque o ex-governador de Minas  admitiu a hipótese de Serra, elegendo-se prefeito de São Paulo, vir a renunciar, abandonando o mandato, para candidatar-se a presidente da República.
Foi um comentário digno do Amigo da Onça, porque do que menos Serra gostaria de debater, agora, seria sobre deixar dúvida em seus possíveis eleitores de  não cumprir até o fim o compromisso de governar a maior cidade do  país. Já renunciou uma vez, colhendo frustrações aparentemente desfeitas, mas relembrar o episódio, mesmo de forma indireta, pode ser prejudicial.  Em especial quando levantada a possibilidade pelo seu principal competidor no âmbito do PSDB.
Imaginar apenas boa vontade ou ingenuidade nas declarações de qualquer político mineiro equivale a correr um risco dos diabos. Estaria Aécio Neves tentando sepultar de vez a candidatura paulista, para ficar absoluto na disputa entre os tucanos?
CONTA-GOTAS INESGOTÁVEL.                                                       
Não se passa um dia sem que algum veículo de comunicação deixe de apresentar um capítulo a  mais nessa novela que tem Carlinhos Cachoeira como vilão. São transcrições de telefonemas dados ou recebidos pelo bicheiro, deixando mal seus interlocutores, como são  informações tiradas de alguma das milhares de páginas do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Monte Carlo. De graça essas coisas não acontecem, quer dizer, existe um centro de abastecimento da mídia que  alimenta permanentemente  o noticiário. Saber onde se localiza a fonte, ou as diversas fontes, constitui missão impossível. As conclusões da Polícia Federal  estão com a própria instituição, com o Supremo Tribunal Federal, com o Conselho de Ética do Senado, com a CPI mista agora instalada, com o ministério da Justiça, com a Abin e onde mais? Parece uma peneira, ou, em outra imagem, um conta-gotas   alimentado por um oceano.
FALTOU UM.
Ninguém, no Congresso, tem lutado tanto contra a impunidade do que o senador Pedro Simon. Há décadas ele bate todos os dias nessa tecla, exortando governos e sociedade a combaterem o grande mal que assola o país. Como por sua independência é visto com desconfiança pelos líderes do PMDB, jamais foi incluído numa CPI sequer. Eles tem medo da  metralhadora giratória capaz  de atingi-los,  aliás, com razão. Não se dirá que Simon faz falta na CPI do Cachoeira, porque como senador, tem todas as prerrogativas para comparecer, opinar e inquirir possíveis  depoentes.  Ficam mal aqueles que não o escalam, porque entrar em campo, ele vai entrar. Ou melhor, já entrou...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Por Luiz Carlos Azenha, Blog Vi o Mundo.
Ao relatar  o vazamento de um aúdio na internet, hoje, a Folha de S. Paulo entregou de leve o funcionamento do esquema que envolvia o senador agora sem partido Demóstenes Torres.
Disse a Folha, aqui:
Em conversa gravada, em dezembro de 2009, o dono da Delta Construções S/A, Fernando Cavendish, afirma que é possível ganhar contratos com o poder público subornando políticos. A Delta já recebeu mais de R$ 3,6 bilhões em verbas federais desde 2003 e está no centro das investigações da Polícia Federal envolvendo Carlos Cachoeira, preso pela Operação Monte Carlo por envolvimento em jogo ilegal. A PF chega a descrever Cachoeira como um sócio oculto da Delta, o que a empresa nega.
“Se eu botar 30 milhões [de reais] na mão de político, eu sou convidado pra coisa pra caralho. Se eu botasse dez pau que seja na mão dele… Dez pau? Ah… Não é que seja um monte de dinheiro não, mas eu ia ganhar negócio. Ô…”, diz Cavendish, que não se refere a um caso específico. “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado. ‘Ô senador fulano de tal, tá aqui. Se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão’”, continua o empresário.
A revista “Veja” já havia publicado trechos dessa conversa, em maio passado, sem divulgar o áudio da conversa.
Explicando. Em maio de 2011, a revista publicou reportagem acusando o ex-ministro José Dirceude fazer lobby para a construtora Delta, do empresário Fernando Cavendish. Seria a explicação para a Delta, de um empresário próximo do governador do Rio, Sergio Cabral, ter ganho tantas licitações em todo o Brasil. Dirceu diz que recebeu R$ 20 mil da Delta como consultor, mas nega se tratar de tráfico de influência (explicação dada por ele em seu blog).
Chama a atenção a frase final da reportagem de Veja:
A compra da Sigma pela Delta, como foi dito, é motivo de uma intensa disputa judicial. Graças a essa contenda é que veio à tona a confirmação de que o consultor José Dirceu age como um intermediário de oportunidades dentro do governo. Ela mostra também o perfil de cliente que busca esse tipo de serviço. Em reunião com os sócios, no fim de 2009, quando discutia exatamente as razões do litígio, o empresário Fernando Cavendish revelou o que pensa da política e dos políticos brasileiros de maneira geral: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. E disse mais. Com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo: “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado (para fazer obras). Senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na sua mão!”. Subornar pessoas com poder de decisão no governo é crime de corrupção ativa. Todo mundo sabe que isso ocorre a toda hora. Mas ouvir a confirmação da boca de um grande empresário do país, mesmo se for só bravata, é assustador.
Não há dúvida que Cavendish disse o que disse. Foi gravado. Ao ler a revista, ele deve ter se dado conta disso. Ou seja, sabe-se lá o que passou pela cabeça do dono da Delta, então. Existiriam novas gravações?
O curioso é a repercussão do fato.
Quem é que pediu que os empresários fossem chamados ao Congresso para se explicar?
Demóstenes Torres. Deu no Globo:
O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), vai procurar o PSDB e o PPS para, numa ação conjunta da oposição, apresentarem requerimento de convite aos empresários. Para Demóstenes, caberia requerimento à Comissão de Constituição e Justiça ou à de Fiscalização e Controle.
A novidade? É que hoje sabemos que a gravação, tudo indica, é originária do esquema do Cachoeira, já que coincidentemente foi divulgada com acusações contra o dono da Delta, apesar de não fazer parte da Operação Monte Carlo, no momento em que são coletadas as assinaturas para instalar a CPI.
É uma forma de colocar gente para trabalhar os telefones e tentar convencer deputados e senadores a não assinar os requerimentos para a criação da CPI. Especialmente se Cavendish doou dinheiro para campanhas eleitorais ou colocou em prática o que disse que poderia fazer, na gravação.
O esquema de Cachoeira grava, Veja expõe e Demóstenes pede explicações. Cavendish fica refém.
O áudio vaza justamente no dia em que estão sendo recolhidas assinaturas para a CPI e merece destaque da Folha.
O Brasil não é para amadores.
Definitivamente, não vai faltar assunto para esta CPMI.
Ps do Viomundo: 
O JN não perguntou, obviamente, quem deu a gravação ao dono do blog, Mino Pedrosa.

sábado, 14 de abril de 2012

190 MILHÕES DE BURROS

Por Carlos Chagas. 
Ou este que vos escreve é burro, hipótese mais do que verdadeira, ou o presidente do PT, Rui Falcão, supõe ser o Brasil um país de 190 milhões de burros. Porque  não dá para entender, como ele falou, ser  a CPI do Carlinhos Cachoeira capaz de  neutralizar, abafar e desmoralizar o julgamento de  38 réus do mensalão, caracterizados como  quadrilha pelo Procurador Geral da República.   Se uma coisa é uma coisa e outra coisa, outra coisa, de que maneira imaginar que a CPI servirá para desfazer o que o dr. Falcão chama de “farsa do mensalão”? O escândalo existiu, levou a demissões no ministério Lula e a expulsões no PT. O processo foi admitido no Supremo Tribunal Federal, agora em vias de concluir o julgamento.  
De que forma as   investigações sobre o bicheiro empenhado em corromper políticos e governantes anularia a ação e a decisão da mais alta corte nacional de Justiça?
Os crimes porventura desvendados agora fariam desaparecer os crimes praticados em 2005Só mesmo admitindo que o  presidente do partido pretende aproveitar-se de um  escândalo recém-descoberto para salvar o pescoço de companheiros envolvidos em  escândalo anterior,  como José Dirceu, Delúbio Soares e outros.
Se existem  novos criminosos, importa revelá-los, mas sem esquecer os antigos. E se integram outros partidos, como o PSDB e o DEM, como antes e possivelmente agora também o PT, pau neles.
Acresce que uma CPI não  julga. Apenas revela. Suas conclusões, se vierem  a existir,  serão encaminhadas ao Ministério Público, para abertura de processos.
EXPLICAÇÃO.
Os presidentes José Sarney e Marco Maia decidiram, segunda-feira, que a CPI do Carlinhos Cachoeira seria formada ainda esta semana, mas adiaram o evento para a próxima. Por que? Porque desconfiaram ser o tempo muito curto, podendo a constituição da CPI acontecer hoje, uma sexta-feira, 13. 
“De jeito nenhum!” – terá raciocinado Sarney, fiel submisso às artes do além.
 De qualquer forma, ainda pairam dúvidas a respeito de que partidos indicarão o presidente e o relator da CPI. Aos líderes caberá selecionar os onze senadores e os onze deputados e apenas se tem uma certeza: de forma alguma  Renan Calheiros indicará Pedro Simon, apesar de constituir-se no mais completo  parlamentar para exercer qualquer uma das duas funções.
RESPINGOS.
De toda essa lambança envolvendo as relações do bicheiro, perdão, do corretor zoológico Carlinhos Cachoeira, começa a emergir a empresa Delta, acusada de distribuir contribuições eleitorais e propinas para políticos e governantes. Trata-se da maior concessionária de obras do PAC e de contratos polpudos com os governos de Brasília,   Rio de Janeiro e outros. As gravações promovidas pela Polícia Federal  envolvem ex-funcionários da Delta e comparsas de Cachoeira, além de referências a altas figuras  das referidas administrações. Já estão ocupados os dois maiores advogados criminalistas do país,  Almeida Castro, com Demóstenes Torres, e Márcio Thomas Bastos, com Carlinhos Cachoeira, mas não faltarão  grandes nomes para a Delta contratar, sempre a peso de ouro.
REZANDO DO LADO ERRADO.
Em  termos políticos, a Igreja Católica tem prestado inestimáveis serviços às instituições, em especial quando,  depois de alguns desvios e hesitações, passou a formar na primeira linha de resistência à ditadura militar.
Era março de 1964 e  marinheiros desvairados rebelaram-se,  tentando criar um soviete na Marinha. Anistiados pelo então presidente João Goulart, depois de recolhidos a um quartel do Exército  foram libertados e saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas, no Rio. Ao passarem pela igreja da Candelária, os líderes  convenceram a massa a   agradecer a Deus  não ter havido  derramamento de sangue. Quando se encaminhavam para a entrada  principal do templo,  tiveram barrada sua pretensão: alguns padres trancaram as vastas portas gritando que “comunistas não rezam aqui”.
Anos depois, na missa de sétimo dia do estudante Edison Luís, assassinado pela  repressão militar, centenas de jovens  que iam  deixar a cerimônia souberam estar a igreja cercada por tropa armada, cavalaria e agentes policiais de cassetete em punho, prontos para investir sobre eles. Seria uma carnificina. Quando as portas se abriram,  a surpresa: na frente dos estudantes saíram dezenas de padres, todos paramentados, de mãos dadas, obrigando  os soldados apavorados a recuar até que,  entrando pela Avenida Rio Branco, aquela singular procissão conduziu os jovens à segurança.
Essas duas histórias se contam a propósito do que aconteceu quarta-feira na Praça dos Três Poderes, quando uns poucos frades, vestidos a caráter, primeiro ajoelharam-se em oração e depois saíram em procissão diante do Supremo Tribunal Federal.  Só que  rezavam do lado errado, contra a mais do que humanitária decisão dos ministros de autorizar a interrupção da gravidez no caso de anencefalia do feto, quer dizer, da comprovação de que o bebê nasceria sem cérebro e morreria em seguida, colocando em risco a vida da mãe. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

ZÉ BOLINHA DE PAPEL

O intrincado jogo de xadrez da política brasileira está revelando a principal personagem do tabuleiro: Gilberto Kassab. 
Para valorizar seu passe, “rompeu” com o DEM, juntou à sua volta uma fileira de co-adjuvantes dos mais variados matizes, criando o PSD, teoricamente uma nova linha de pensamento ideológico. 
A integração do novo partido em torno do PSDB e do Democratas, revela a sua inteligência, visto que levará sob seu comando, o apoio dos seus filiados por força da fidelidade partidária, que jamais votariam ou trabalhariam a favor de zé (bolinha de papel) Serra.

domingo, 25 de março de 2012

HUNANIMIDADE?!?


CONVENÇÃO TUCANA EM SP: VENCE A DESAGREGAÇÃO?
"Caso Serra seja o escolhido nas prévias do PSDB (de hoje) para concorrer à Prefeitura de São Paulo, será também escolhido o mais novo lema do partido: em time que está perdendo não se mexe. A pior forma de solidão é a companhia de José Serra. É por isso que o PSDB está na iminência de cometer mais um erro político: escolhê-lo como candidato a prefeito de São Paulo. O candidato derrotado por Dilma Rousseff de maneira acachapante não prima por ser um homem partidário. Não custa lembrar o que ele fez na última eleição para prefeito de São Paulo: apoiou um candidato de outro partido, Gilberto Kassab, fazendo tudo para que Geraldo Alckmin, o candidato do PSDB, fosse derrotado. (...) diante da eleição para governador de Estado em 2014, caso Kassab seja candidato enfrentando Alckmin, o prefeito da capital vai apoiar Kassab. Ele já fez isso uma vez (...) É impressionante que haja tucanos dispostos a apoiar um político que fez isso" (Alberto Carlos Almeida, sociólogo do grupo aecista; em artigo publicado no jornal Valor. (Carta Maior; Domingo/25/03/ 2012)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

FEDERALIZADA OU NACIONALIZADA !?!


O momento é muito sensível. 
O Governo Trabalhista vem se consolidando como uma solução para o Brasil. 
A direita firmou sua base em alguns Estados e Municípios. 
A eleição para a Prefeitura em São Paulo esta federalizada ou nacionalizada. 
É o local do grande confronto. 
Quem vem de outro país sem conhecer o Brasil, pensará que o único lugar onde haverá eleições este ano é em São Paulo, tamanha a agitação.
O PSDB sem zé (bolinha de papel) Serra não tem qualquer chance. Com zé (bolinha de papel) Serra esquenta o debate. Mas vai disputar muitos votos contra os outros candidatos e não com Haddad, pois o paulistano tem forte rejeição ao PT. 
Essa tendência conservadora e tradicionalista se tornou um dogma sem razão, sem crítica. São torcidas e não eleitores.
O PiG vai pavimentar os caminhos do PSDB. E já está em plena campanha. Pelo que já se conhece de Serra mil outras bolinhas de papel e dossiês falsos virão. Vai ser uma campanha guiada pelo tudo ou nada. Se não ganhar as eleições, fim de sua vida pública (Harre!). Mas para ele, para o PSDB e para o conservadorismo paulistano sua vitória é uma questão de honra ou de sobrevivência. 
A história do DEM que o diga.
Já Haddad, além dos seus próprios méritos, conta com o apoio carismático de Lula. Que levou Dilma Rousseff a uma vitória, que nem todos acreditavam possível no início da campanha em 2010. 
Sua candidatura, ao contrário de zé (pedágio) Serra, deve sofrer todo o ataque possível e imaginário do PiG. Mas tem a Privataria Tucana, que poderá ser um elemento decisivo. Ainda deve se considerar que militância do PT, sempre tão decisiva, está esperando algum fato que renove o ânimo. 
Para o PT e para os setores progressistas, não é questão de sobrevivência, mas sim de expansão estratégica de território.
Essa polarização provavelmente será capitalizada pelos outros candidatos, que deverão tirar proveito da carnificina que certamente ocorrerá. Se eu morasse em São Paulo meu voto seria de Haddad. 
Tem muito tempo e muito por acontecer, mas está parecendo que nem Haddad e nem o zé (bolinha de papel) Serra levarão pelos desgastes que terão no debate entre si. 
Infelizmente.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A VINGANÇA . . .

Temos que fazer com a privataria tucana o que os tucanos fizeram nos últimos 9 anos contra o governo popular: INSISTIR na punição do crime de CORRUPÇÃO praticado pelos doutos sorbonnards do inglório período FHC.
Com a pequena, porém significante, diferença: as denúncias contra a tucanalha vêm acompanhadas de PROVAS contundentes, e não alfarrábios de um dossier fajuto “intelectualmente” forjado em algum quartinho fétido do bairro de Higienópolis (ou Leblon).  Pena que FHC tenha partido subitamente rumo a Paris, para espairecer… 
Ah, Paris, Paris, je voudrais y vivre …
É o sr. GUR-JÔ!! O Graaaaaaaande Procurador… (me refiro ao diâmetro).
“O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

CARTA CAPITAL

“Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.


da Carta Capital
Não, não era uma invenção ou uma desculpa esfarrapada. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. realmente preparava um livro sobre as falcatruas das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Neste fim de semana chega às livrarias “A Privataria Tucana”, resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial
Na edição que chega às bancas nesta sexta-feira 9, CartaCapital traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 páginas, publicado pela Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo). A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.
Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.
O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.
A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.
Na entrevista a seguir, Ribeiro Jr. explica como reuniu os documentos para produzir o livro, refaz o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro da campanha eleitoral de 2010 e afirma: “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.
CartaCapital: Por que você decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso?
Amaury Ribeiro Jr.: Em 2000, quando eu era repórter de O Globo, tomei gosto pelo tema. Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.
CC: Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?
ARJ: Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.
CC: Ficou surpreso com o resultado da investigação?
ARJ: A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).
CC: O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?
ARJ: Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.
CC: Você foi chamado para acabar com os vazamentos?
ARJ: Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.
CC: Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?
ARJ: Havia dentro do grupo de Serra um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.
CC: Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?
ARJ: Aquilo foi uma armação, pagaram para um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.
CC: E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?
ARJ: Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.
CC: Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas.
ARJ: É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

COLUNA DO CLAUDIO HUMBERTO.
Planalto: acusação contra Pimentel é 'fogo amigo'
O Planalto já mapeou as denúncias de supostas irregularidades contra o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial) e concluiu que se trata de “fogo amigo”. As acusações seriam obra da ala xiita do PT-MG, do deputado estadual Rogério Correia, que se opôs à aliança PT-PSDB-PSB, vitoriosa na eleição municipal de Belo Horizonte, em 2008. Correia nega, atribuindo as denúncias ao PSDB de Aécio Neves.
Liderança incômoda.
Os xiitas do PT também estariam preocupados com pesquisas em que Fernando Pimentel lidera a corrida para o governo mineiro, em 2014.
Tráfico de influência.
Fernando Pimentel é acusado de “tráfico de influência” na prefeitura de BH, utilizando-se de sua empresa de consultoria.
Disfarça, disfarça.
O ministro Gilberto Carvalho disfarça a armação para fazer do assessor José Feijoo ministro do Trabalho. Agora diz que não abre mão dele.
Briga de pelegos.
Gilberto Carvalho, Feijoo e o PT do ABC queriam transferir da Força Sindical para a CUT o controle do Ministério do Trabalho. Recuaram.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A CANDIDATURA DO LULA

Por Carlos Chagas.
A entrevista do ex-.presidente Lula à revista New Yorker foi concedida antes de descoberto o câncer que ele tem na garganta. É fácil concluir que seu estado de espírito era um, depois ficou outro. Mesmo assim, quando indagado se disputaria outra vez a presidência da República, ele ficou em cima do muro, claro que com óbvia tendência de pular para o lado da candidatura: “não tenho coragem de dizer que vou concorrer, como não tenho coragem de dizer que não vou concorrer.”
Até o diagnóstico incômodo o Lula colocava nas mãos de Dilma Rousseff a decisão, quer dizer, deixava a presidente de saia justa, sabendo que quando chegasse a hora ela devolveria o raciocínio: “se você quiser voltar em 2014 eu não disputarei a reeleição”. Seria a resposta natural e leal da criatura que chegou ao palácio do Planalto exclusivamente por ato de vontade do criador.
Agora, tudo depende do tratamento a que o primeiro-companheiro se vê submetido, bem como de sua recuperação. Talvez não repita mais o conceito exposto aos jornalistas americanos, de considerar-se um ser eminentemente político. Pode estar concluindo que antes de político, é um ser humano. Toda doença faz o doente repensar sua vida, mesmo depois de recuperado.
O Lula já não será tão candidato quanto era. A disposição de voltar ao poder talvez não o sensibilize como antes. Seus valores serão outros.
Como a vida é sempre mais estranha e fascinante do que a ficção, vale ressaltar que a presidente Dilma passou pela mesma situação do antecessor. O câncer também a acometeu, não constituindo obstáculo para sua eleição. Supõe-se que tenha, da mesma forma, meditado sobre a própria existência. Mais quatro anos seria sacrifício necessário à sua biografia?
Em suma, acima e além de ambições, de arroubos e de estoicismo, abre-se uma pausa na prospecção do futuro.
UNIDOS OUTRA VEZ.
Rússia e China só estiveram unidos por pouco tempo, depois da vitória da revolução do presidente Mao.
Rapidamente desfez-se a aliança socialista, chegando as duas nações a preparar-se para uma guerra que por sorte não se deflagrou. Mas permaneceram, desde os tempos de Kruchev, numa pax armada plena de diatribes e insultos.
Pois agora a situação é outra, gerada desde o fim da União Soviética e da transformação da China em potencia mais ou menos capitalista. As diferenças são enormes, ainda que lentamente se aproximem no plano político.
China e Rússia acabam de condenar a agressão da Otan ao Paquistão, como antes haviam condenado a interferência na Líbia. Leia-se terem os governos de Moscou e Pequim enviado um alerta a Washington, pois a Otan nada mais é do que uma fachada dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, se não apóiam o regime dos aiatolás, no Irã, também não formam no grupo que prega a invasão daquele país. Muito pelo contrário.
Acrescente-se a concentração de forças russas na Síria, sinal evidente de que o mundo ocidental pensará duas vezes antes de promover o bombardeio de Damasco.
Arma-se um novo quadro na política mundial. É bom prestar atenção.
O TERTIUS USA BIGODE.
Renan Calheiros não esconde o desejo de voltar à presidência do Senado e já trabalha para isso, ainda que falte muito para o biênio 2013-2014. Eis que surge outro candidato, também do PMDB: o senador Garibaldi Alves, hoje ministro da Previdência Social mas preparado para a reforma ministerial de janeiro. Da mesma forma que Renan, ele já presidiu a casa.
Prenuncia-se uma briga de foice em quarto escuro no âmbito do partido, unido apenas na disposição de não ceder a presidência ao PT, num suposto rodízio no qual ninguém mais acredita.
Para evitar o racha, procura-se um tertius na bancada. Aliás, ele já existe e usa bigode.
José Sarney pode candidatar-se a mais dois anos, conforme o regimento interno. Vai recusar?
APESAR DAS NEGATIVAS, PODE SER ELE.
Nem são necessárias pesquisas. Está no ar que a gente respira a conclusão de que José Aníbal, Andréa Matarazzo, Bruno Covas, Ricardo Trípoli e João Dória Júnior perdem a eleição para prefeito de São Paulo, qualquer deles que venha a ser candidato. Encontra-se o PSDB numa arapuca, da qual apenas se livrará com um nome: ele mesmo, José Serra. Apesar de suas negativas, cresce entre os tucanos a evidência de que só o ex-governador terá chances de bater os concorrentes.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

OS PARTIDOS NA CRISE QUE ATINGE O PC DO B

Por Carlos Chagas.
Debaixo das cinzas tem brasa. Até fogo. Fala-se da situação do ministro dos Esportes, Orlando Silva. Na última sexta-feira ele recebeu da presidente Dilma uma espécie de licença provisória para seu estabelecimento  continuar funcionando, como deixou claro o ministro Gilberto Carvalho. Jamais um certificado permanente, muito menos  uma carta de alforria. Como as denúncias continuam, menos envolvendo o ministro, mais a lambança praticada  no ministério através de ONGs fajutas ligadas ao PC do B, a conclusão surge desfavorável para Orlando Silva. Por quanto tempo suportará a pressão do Congresso, da mídia e do próprio governo?
Nessa novela de trapalhadas, todos os grandes partidos, menos um, posicionam-se contra a permanência do ministro: o PT, de olho na importância dada aos Esportes, pelas vultosas verbas agora descobertas em suas estruturas e pela Copa do Mundo de 2014; o PSDB, pela obrigação de fazer oposição; o DEM, vendo no episódio forma de   recuperar-se, como tem deixado claro o líder ACM Neto; até o PDT, sequioso de ver queimada a casa do vizinho,  imaginando salvar a sua.
Mas o PMDB, por  que se mantém em respeitoso silêncio? Solidariedade do vice Michel Temer para com a hesitação da presidente?  Malandragem para aspirar a um novo ministério?  Demonstração de desconforto  diante de Dilma, por conta da falta de nomeações para o segundo  escalão?
Na realidade, os partidos assistem a fritura de um ministro isolado como se assistissem ao ensaio de um ato isolado da peça que em poucos meses vai estrear: a reforma ministerial. Cada  legenda tem suas ONGs e suas empreiteiras atuando mais ou menos como o PC do B tinha as suas. A  hora é de reforçarem as defesas, porque a tempestade vem aí.
NHAMBÚS E JACUS.
Diz-se em Minas que em briga de nhambú, jacu não entra.  Fica de lado, no outro galho, assistindo as bicadas entre os primos. Vale a imagem para a equipe econômica brasileira diante  da  crise que parece longe de terminar na Europa. A Grécia pega fogo, Portugal também. Na França, Espanha e Itália movimenta-se especialmente a classe média,  para impedir a adoção da receita do FMI e da União Européia,  de aumento de impostos, reduções salariais, demissões em massa e cortes nos investimentos sociais.  Protesta-se, naqueles países, contra a blindagem estabelecida por seus líderes em torno dos  lucros da especulação financeira. Aliás, nos Estados Unidos também, através da ocupação de Wall Street. Por enquanto, escapamos dos efeitos da confusão vivida pelas economias daqueles países. A presidente Dilma deu sucessivos sinais de que não adotaremos as soluções da ortodoxia das elites. Até quando?
TIRO PELA CULATRA?
Invadiram o Iraque, depuseram e mataram Saddam Hussein e agora vão embora,  em choque com o novo governo títere que, em Bagdá, pretende cada vez mais enquadrar-se na lei islâmica. No Egito, incentivaram a queda desonrosa  de Hosny Mubarack e assistem a população inclinar-se pelo estabelecimento de um estado teocrático, mais próximo do Irã e afastado de Israel. Agora, é o governo provisório da Líbia que anuncia a prevalência da lei islâmica na organização do novo estado, depois de uma guerra civil financiada e dirigida pelo Ocidente, coadjuvante no assassinato de Muhamar Kadaffi.    Quer dizer: livraram-se de ditadores com os quais, mesmo a contragosto,  mantinham relações comerciais e econômicas. Poderão encontrar surpresas.
MAIS UM GALO NO TERREIRO.
Engana-se quem supõem o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disposto a esperar  a reeleição de Dilma Rousseff  ou a nova eleição do Lula.  Ele faz parte do rol dos novos políticos  dispostos a suplantar os avôs. Neto de Miguel Arraes, que tinha tudo para ser presidente da República e não foi, Eduardo Campos está próximo de Aécio Neves, neto do presidente Tancredo Neves, que não pode assumir. Uma disputa entre os dois seria fascinante, mas há quem suponha uma conjunção explosiva para o PT: porque não Aécio para presidente e Campos para vice?  Pernambuco, é claro,  pensa na equação ao contrário. Afinal, PSDB e PSB devem ter mais identidades do que a vã filosofia pode supor.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

BATE-BOCA

Bate-boca entre Humberto Costa (PT-CE) e Mário Couto (PSDB-PA)
Adriana Vasconcelos, O Globo
O líder do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), e o senador Mário Couto (PSDB-PA) tiveram um bate-boca nesta quarta-feira no plenário do Senado. A discussão entre os dois começou quando o líder petista criticava da tribuna a estratégia da oposição de insistir na criação da CPI da Corrupção e sua tentativa de atribuir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma herança maldita.
Diante da reação exaltada do senador tucano, que o acusou de defender a corrupção no governo, Humberto Costa se irritou e solicitou providências à Mesa, reclamando que as agressões do colega normalmente não eram repreendidas com o argumento de que se "tratava de um louco ou débil mental".
A briga prosseguiu no cafezinho Senado, onde o líder petista se refugiou, depois de ter garantido o direito de responder Mário Couto da tribuna. O tucano cutucou Humberto Costa e disparou:
- Débil mental não!
Apesar dos conselhos de seus assessores para que não desse importância à provocação do senador tucano, Humberto Costa mais uma vez reagiu:
- Débil mental sim! Você precisa respeitar os outros.
- E você é um safado! - retrucou o tucano.
- Safado é você! - revidou o petista.
Diante da exaltação dos dois parlamentares, um grupo de assessores entrou no meio da discussão para evitar que os dois partissem para as vias de fato. Apesar da turma do deixa disso, Mário Couto ainda gritou:
- Você é que responde a processo na justiça. Da próxima vez, vou dizer isso da tribuna - ameaçou o tucano.
- Você está pensando que eu sou moleque? Vai ter de aprender a respeitar os outros - rebateu líder do PT.

domingo, 21 de agosto de 2011

ELIANE CANTANHÊDETucanos caem como patinhos.
As fotos de Dilma com Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia dizem muito -sobretudo da estratégia dilmista de se descolar de escândalos e escandalosos e se aproximar da oposição e de independentes.
Dilma, que não é PT na origem e na alma, tem problemas na base aliada, com o malcriado PR articulando operação-padrão com PTB, PP, PSC e setores do PMDB. Mas o que é melhor: uma foto com Alfredo Nascimento e os quase 30 demitidos dos Transportes ou com FHC, Alckmin e Anastasia? O apoio caríssimo de Wagner Rossi ou um elogio de Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Cristovam Buarque?
A presidente já tinha trocado gentilezas com FHC na festa da Folha, foi justa e carinhosa numa carta de aniversário para ele, ofereceu-lhe vaga à mesa de Barack Obama no Itamaraty. Tudo isso é bom, republicano, mas é preciso avaliar perdas e ganhos.
O aparato marqueteiro que Dilma herdou de Lula não dá ponto sem nó: a solenidade do Brasil sem Miséria com o tucanato foi justamente em São Paulo, coração do PSDB e do seu eleitorado.
E o aparato político cuida da aritmética no Congresso: o PR faz beicinho? Chama o PSD! Dilma se reuniu com Kassab em Brasília no mesmo dia da festinha com tucanos em São Paulo. Coincidência...
Assim, enquanto se discute se Dilma faz mesmo uma "faxina ética", ou apenas deixa rolar e se beneficia dela, a presidente vai virando estrela de uma frente pluripartidária contra a corrupção e contra a miséria. Só tem a ganhar. CPI da Corrupção? Esquece.
Lula virou "pai dos pobres", e Dilma se firma como "mãe anticorrupção". O PSDB corrobora alegremente, e assim ela vence resistências entre os 40 milhões que votaram na oposição, contra Lula e o lulismo. Por trás do discurso de que o Brasil sai ganhando, a oposição não lucra nada, Dilma fica com tudo. E Dilma é Lula.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ESPIONAGEM TUCANA

Em setembro de 2010, o governo Yeda Crusius (PSDB) foi alvo de novas denúncias envolvendo o uso do aparato de segurança do Estado para espionar jornalistas, adversários políticos e outras autoridades. As denúncias surgiram a partir da prisão do sargento César Rodrigues de Carvalho, da Brigada Militar, que estava lotado na Casa Militar do governo tucano, onde trabalha como segurança da então governadora, entre outras funções. O Sargento foi preso acusado de extorquir proprietários de máquinas caça-níqueis e de obstaculizar as investigações sobre o caso. Amílcar Macedo, promotor que conduziu o caso, revelou mais tarde que o sargento também tinha a atribuição de executar serviços especiais de espionagem.
A lista de espionados era longa, incluindo políticos, filhos de políticos, jornalistas (entre os quais estou incluído), delegados, oficiais de polícia e das forças armadas, uma desembargadora, entre outros. Segundo as investigações da promotoria, o sargento fazia, pelo menos, dois tipos de investigações: uma para levantar dados sobre a vida do investigado e outra para saber se a pessoa estava sendo investigada por alguma instituição.
Agora, em agosto de 2011, a revista Isto É publicou reportagem afirmando que os governos tucanos em São Paulo desenvolveram uma prática similar a essa atribuída ao governo Yeda Crusius. Intitulada “Central tucana de dossiês”, a matéria de Pedro Marcondes de Moura afirma que “mais de 50 mil documentos encontrados no Arquivo Público de São Paulo mostram como a polícia civil se infiltrou e investigou partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos em pleno governo de Mário Covas”. A reportagem afirma:
“Agentes infiltrados em movimentos sociais, centenas de dossiês sobre partidos políticos, relatórios minuciosos com os discursos de oradores em eventos políticos e sindicais. Tudo executado por policiais, a mando de seus chefes. Estas atividades, típicas da truculenta ditadura militar brasileira, ocorreram no Estado de São Paulo em plena democracia, há pouco mais de dez anos. Cerca de 50 mil documentos, até então secretos e que agora estão disponíveis no Arquivo Público do Estado, mostram como os quatro governadores paulistas, eleitos pelas urnas entre 1983 e 1999, serviram-se de “espiões” pagos com o dinheiro dos contribuintes para monitorar opositores. Amparados e estimulados por seus superiores, funcionários do Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil realizavam a espionagem estatal”.
Entre os alvos dessas operações na administração do PSDB, diz ainda a matéria, aparecem principalmente lideranças do PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Há dezenas de dossiês com informações sobre as duas entidades e seus principais expoentes. Já as investigações a respeito dos tucanos e seus aliados foram suspensas a partir de 1995, quando Covas assumiu o governo de São Paulo”.
Há algumas semelhanças gritantes entre as denúncias que surgem agora envolvendo governos do PSDB em São Paulo e aquelas feitas ao governo de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Os dois casos envolvem o uso do aparato de segurança do Estado para espionar adversários políticos, contando com o silêncio e, possivelmente, a cumplicidade de setores da mídia. O desenrolar das investigações e dos processos em curso no Rio Grande do Sul talvez possam inspirar algum procedimento semelhante em São Paulo.
Acusado de espionagem era informante da RBS
Em maio deste ano, o juiz Fernando Alberto Corrêa Henning, da 3ª Vara Criminal de Canoas (RS), recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra o sargento da Brigada Militar, o ex-chefe de gabinete de Yeda Crusius, Ricardo Luís Lied, e Frederico Bretschneider Filho (tenente-coronel da reserva e ex-assessor de gabinete da ex-governadora) por acesso ilegal ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
A acusação feita pelo Ministério Público e aceita pela Justiça atualizou denúncias feitas pelo ex-ouvidor da Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, que deixou o governo Yeda fazendo justamente essa acusação: uma estrutura de espionagem política ilegal havia sido montada no Palácio Piratini. Ao longo das investigações, essa estrutura apresentou ramificações midiáticas um tanto obscuras, envolvendo a RBS, o maior grupo de comunicação da região sul do país.
O sargento César Rodrigues de Carvalho era informante de jornalistas do Grupo RBS. O fato foi admitido pela própria empresa em uma nota publicada no dia 10 de setembro de 2010 no jornal Zero Hora. “O nome do sargento até agora não havia sido mencionado nas reportagens dos veículos da RBS em respeito ao princípio constitucional de proteção do sigilo de fonte”, disse a nota. Ainda segundo a RBS, “as informações se referiam a passagens por presídios, situação de criminosos foragidos e o tipo de crime em que estavam envolvidos, incluindo, em alguns casos, fotos”.
No mesmo período, um email foi enviado a vários jornalistas do Estado afirmando que o sargento “prestava serviços a jornalistas no acesso a dados”, em especial para a RBS. Segundo o jornalista Vitor Vieira, do site Vide Versus, jornalistas do grupo teriam recebido dez senhas de acesso ao Sistema de Consultas Integradas. Esse sistema, cabe lembrar, é de uso exclusivo das forças de segurança do Estado, não se destinando a servir como fonte privilegiada para jornalistas. Protegidas pelo sigilo que cerca o processo, há muitas informações sobre esse caso que ainda não vieram a público. Os veículos da RBS, como era de se esperar, não tocaram mais no tema da relação entre seus jornalistas e o sargento acusado de espionagem política e outros crimes.
As revelações sobre episódios de espionagem política patrocinados por governos tucanos em São Paulo e no Rio Grande do Sul lançam um pouco de luz em uma zona sombria da relação entre poder político, aparato policial e mídia que não fica devendo nada ao escândalo Murdoch.