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domingo, 16 de outubro de 2011

POLÍTICA SEM SONHOS

FERREIRA GULLARNinguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será este partido, o PSD, que não diz a que vem.
Estou longe de me ver como um comentarista político, de modo que as considerações que às vezes faço aqui, em torno desse assunto, na verdade atendem à necessidade que tenho, como qualquer pessoa, de entender o que está acontecendo e pode ser que atendam também à necessidade de um ou outro leitor. De qualquer maneira, além do mais, me divirto com isso, já que pensar -certo ou errado- é a minha cachaça. E foi assim que, meses atrás, levantei aqui a hipótese de que os dois partidos nascidos de uma discordância ideológica radical com o regime militar -PT e PSDB- já esgotaram sua vida útil e, agora, surgiram novas lideranças, com outra história e outra visão do problema político, do modo de formulá-lo e conduzi-lo.
Dizendo de outra maneira: a nova geração de políticos, que vem substituir a de Fernando Henrique, Lula e José Serra, não teve que enfrentar a ditadura, não conheceu o exílio e, por essa e outras razões, tem uma visão menos ideológica, mais pragmática das questões políticas e sociais. Em razão disso, Serra não chegará à Presidência da República e o PT, se continua no poder, é porque já deixou de ser um partido (pretensamente) revolucionário: hoje é um partido sem compromissos ideológicos, que, para se manter no poder, aliou-se a cobras e lagartos, do PC do B, que já nada tem de comunista, aos evangélicos do bispo Macedo.
Pois bem, e não é que, de repente, Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, inventa um outro partido que, segundo ele mesmo, não era nem de direita, nem de esquerda, nem de centro? Alguém diria então que não era um partido. Essa foi minha conclusão, em face da primeira notícia, uma vez que os partidos nascem para pôr em prática uma opção política ou ideológica. Então, que partido seria esse, que vinha para defender nada, sem tomar nenhuma posição? Ele agora diz que o PSD é de centro.
Em abril deste ano, quando Kassab anunciou a criação do PSD, escrevi uma crônica qualificando-o de oportunista por inventar um partido que, sem projeto para o país, visa somente o poder.
Errando e aprendendo. Para minha surpresa, porém -e de muita gente mais-, o partido inventado por Gilberto Kassab cresceu em seis meses de maneira surpreendente, a ponto de se tornar, ao que tudo indica, a terceira maior representação na Câmara dos Deputados, desbancando o PSDB.
Realmente, não fui o único a me espantar, e não era para menos. Às vésperas de findar o prazo para a inscrição de candidaturas às eleições do ano que vem, o número de prefeitos filiados ao PSD chegava a 600, e o de vereadores, a mais de 6.000. Segundo a avaliação dos entendidos, o PSD lançará cerca de 12 mil candidatos a vereador e 1.400 candidatos a prefeito.
Isso significa que milhares de políticos, filiados a outros partidos, os abandonaram para se inscreverem no partido de Kassab. Dezenas de prefeitos dos mais diversos Estados deixaram seus partidos e a ele se filiaram. Os governadores do Amazonas e de Santa Catarina também mudaram de barco, arrastando consigo prefeitos, deputados e vereadores. Ao que tudo indica, o PSD se tornará em breve o terceiro maior partido do país.
Qual a razão disso? Como se explica tal fenômeno? Certamente haverá mais de uma razão para que tanta gente deixe seu partido e embarque numa aventura como essa, já que ninguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será esse partido, que não diz a que vem. Surpresa maior ainda foi, no apagar das luzes, a filiação de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo Lula que pertencera ao PSDB e depois ao PMDB. Ele transferiu seu título de eleitor de Goiânia para São Paulo a fim de se candidatar, pela novel agremiação, a prefeito da capital paulista. Mas ele afirma que sua filiação ao PSD não tem objetivo eleitoral, pois visa tão somente ajudar na construção de um grande partido nacional. Ou seja, o lugar está vago.
Se vai fazê-lo ou não, pouco importa. O que fica evidente, porém, é que Kassab, ao se dar conta do vácuo político surgido do esgotamento do PT e do PSDB, viu que era chegada a hora de criar um partido que, ao contrário daqueles, não se define ideologicamente e no qual, por isso mesmo, cabe todo mundo.

domingo, 15 de agosto de 2010

CONTINUIDADE E ALTERNÂNCIA

FERREIRA GULLAR  
Qual dos candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
ATÉ O MOMENTO em que escrevo esta crônica, a situação dos dois principais candidatos à Presidência da República continua indefinida. A menos que haja uma súbita mudança na avaliação deles pelo eleitorado, a disputa deve se manter acirrada até o último momento.
Na opinião de Lula e do PT, Dilma Roussef vencerá o pleito e até, dizem eles, no primeiro turno. É natural que o digam, ainda que da boca para fora, porque se deixarem transparecer a mínima dúvida quanto à vitória, sua candidatura se desfará como um castelo de cartas.
E a razão disso é que essa candidatura se apoia única e exclusivamente na possibilidade de transferência da popularidade de Lula para a candidata que ele inventou.
Ela mesma, Dilma, nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo, muito menos ao posto supremo da nação. Lula a inventou candidata apesar disso, mesmo porque não havia muito o que escolher dentro de seu partido.
A hipótese de Lula é que, apresentando Dilma como a continuadora de seu governo, que conta com mais de 70% de aprovação, ela seria eleita. Parece lógico, mas talvez não seja tão simples quanto parece.
Tudo depende de como o eleitor receberá a proposta de Lula, e depende também de como o candidato do PSDB se comportará em face dela. Se José Serra, de fato, não confrontar a tese de Lula, ela prevalecerá e

domingo, 1 de agosto de 2010

NESS PAÍS

FERREIRA GULLAR.
Em Sucupira, nem todos são Odorico.
Ao contrário dos que fingem que trabalham, Bernardinho trabalha; o técnico é exemplo para nós.
NUM PAÍS onde impera a safadeza -onde se faz que faz, mas não faz, onde se faz comício para assinar contrato de obras que não serão feitas-, país que é, na verdade, a Sucupira de Odorico Paraguaçu, uma personalidade como Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei, tem que servir de exemplo.
Ao contrário dos que fingem que fazem, ele faz; ao contrário dos que fingem que trabalham, ele trabalha; ao contrário dos enganadores irresponsáveis, ele é responsável, competente, dedicado inteiramente ao compromisso que assumiu. Um exemplo para todos nós, cidadãos de Sucupira!
Fora isso, ele é mesmo um exemplo de técnico, um exemplo não só de dedicação, mas também de competência. Seria um absurdo atribuir simplesmente à sorte a quantidade de vitórias que conquistou, culminando agora com o nono título de campeão da Liga Mundial de Vôlei. Até domingo passado, o Brasil empatava com a Itália, de oito a oito. Com a vitória sobre a Rússia, ultrapassou os italianos.
No futebol, acho um exagero quando se atribui tudo ao técnico, se o time ganha e, especialmente, quando perde: se perder várias vezes seguidas, dança. Acho injusto, porque o jogo se decide no campo, não basta o técnico ser bom. Mas, e no vôlei, o jogo não se decide na quadra? Por que então atribuir o êxito ao Bernardinho?
O argumento é procedente: no vôlei, como no futebol, se ganha é jogando bem e não é o técnico que joga por todos ali. Sim, mas há uma diferença, que tem a ver com o tamanho da quadra de vôlei, muito menor que o campo de futebol e onde há menos gente jogando. Daí a influência maior do técnico no resultado de uma partida de vôlei.
É uma teoria, claro. Penso o seguinte: no vôlei, como há menos jogadores num espaço menor, pode o técnico ter mais controle sobre as probabilidades das jogadas, como atuará o adversário, que possibilidades tem de neutralizá-lo etc.
Já no futebol, com tantos jogadores em campo, deslocando-se num espaço enorme e com muito maior liberdade, o grau de probabilidades é muito alto, e, por isso, foge à previsão do técnico. É claro que, tanto num caso como noutro, o talento dos jogadores é decisivo, uma vez que, com maus jogadores, nenhum técnico montará um time vencedor, tanto no futebol quanto no vôlei.
Mas é impossível ignorar que, numa disputa como esta da Liga Mundial de Vôlei, que o Brasil acaba de vencer, em que todos os times são excelentes e os jogadores, do mais alto nível, por que, então, o Brasil vence sempre? E mais: o time que venceu domingo passado era quase todo de novos jogadores. Se os jogadores mudaram e o time continuou vencendo, temos que reconhecer que o craque maior desse time é mesmo o Bernardinho.
E já que falei em Sucupira e em Odorico Paraguaçu, é quase inevitável perguntar: e se o Bernardinho se candidatasse a prefeito ou governador? Nem pensar!
A análise que fiz, comparando futebol e vôlei, vale muito mais para a política: aqui, não só o campo de atuação é muito maior, o número de "jogadores" também é maior. Neste jogo, ninguém obedece às regras: pelo contrário, está todo mundo a fim de burlá-las. Vence quem "dribla" mais...
E já que falei em Sucupira e Odorico Paraguaçu, falo agora de "Odorico, o Bem-Amado", peça de Dias Gomes, que, depois de enorme sucesso na televisão, chega agora ao cinema. Fui ver o filme dirigido pelo talentoso Guel Arraes e me diverti muito. O Zeca Diabo, de José Wilker, está genial.
E durante o tempo todo me lembrava de meu amigo e parceiro, um de nossos maiores dramaturgos que, morto, não tem recebido as homenagens que merece, embora os personagens que criou tenham se incorporado à nossa vida. Há, no Rio, cidade onde viveu quase toda a sua vida, algum teatro, alguma rua, algum beco, com seu nome?
Não, mas há uma estátua do grande Ibrahim Sued, na avenida Atlântica. E por que a TV Globo, quando se refere a suas novelas e minisséries, não lhe cita o nome? É que a TV Globo as escreveu, virou dramaturga?
Mistérios difíceis de decifrar. E agora o "Bem Amado" se torna filme, mas aparece como sendo "baseado na obra de Dias Gomes". Baseado?! A história é a mesma, os personagens os mesmos, as falas as mesmas, as piadas as mesmas, a trama a mesma, o desfecho o mesmo. Quem é então o autor?.

domingo, 4 de julho de 2010

MADE IN CHINA

FERREIRA GULLAR
Não resta dúvida, tudo o que se fabrica na China não dura. O difícil, porém, é escapar dessa armadilha.
ENTREI NUMA loja para comprar um par de sapatos e me encaminhei à prateleira onde havia sapatos de sola e couro, do tipo tradicional. Os preços variavam de R$ 80 a R$ 120, mas, na prateleira ao lado, havia outros, também de sola e couro, que custavam menos da metade, entre R$ 30 e R$ 40. Chegou um freguês e começou a examiná-los, quando um homem se aproximou dele e falou: "Não compre isso, é sapato chinês, não presta. Comprei um par desses que durou exatamente dois meses".
Ouvi aquilo e concordei, mercadoria feita na China não presta. No meu caso não foi sapato, foi guarda-chuva. Como não tenho paciência de ir de loja em loja à procura do que necessito comprar, sou presa fácil dos camelôs. Assim foi que, como perdera meu décimo guarda-chuva, adquiri o primeiro que me foi oferecido na esquina. Custava R$ 5, uma pechincha, mas, em compensação, não durou três meses. Era chinês e eu não sabia e, por isso, comprei outro, de outro camelô, que durou menos ainda. Decidi, então, comprar numa loja e foi isso o que fiz. Esse custou R$ 20 e não durou mais que os outros. Fui verificar a origem dele e lá estava o "made in China".
Não resta dúvida, tudo o que se fabrica na China não dura. O difícil, porém, é escapar da armadilha, já que mesmo os produtos com marca conhecida -que você identifica como sendo alemã ou inglesa ou norte-americana- são feitos na China, porque lá se pagam os mais baixos salários do mundo, suas mercadorias invadiram todos os países e desbancaram os fabricantes nacionais.
Esses fabricantes, para não falirem, transferiram suas fábricas para a China, onde produzem artigos de preços competitivos e de baixa qualidade.
Este é um fenômeno surpreendente com que se defronta o mundo atual: surgiu no planeta um país onde a classe operária é cativa do Estado e, por isso, ganha o baixo salário que o governo determina. E esse governo é comunista! Como pode um regime marxista entregar a classe operária à exploração capitalista, quando o sonho de Marx era libertá-la? Pois é, em vez da ditadura do proletariado, a ditadura contra o proletariado.
Quando o meu quarto guarda-chuva quebrou, dei-me ao trabalho de verificar por que quebrara: as hastes de alumínio eram tão delgadas que foi até um milagre terem durado tanto. Nunca mais comprei nada que suspeitasse ter sido feito na China e só compro em loja, onde o risco é menor.
Foi, portanto, numa sucursal das Lojas Americanas que adquiri um aquecedor Britania para enfrentar o frio que cedo começou aqui no Rio. Frio pode ser exagero da minha parte, porque, para outros, a temperatura estava amena. É que eles não são, como eu, só pele e osso.
O aquecedor era bonito, leve, fácil de transportar de um cômodo a outro. Depois, como o tempo melhorou, deixei o aquecedor de lado, até recentemente, quando esfriou para valer. Liguei duas, três vezes; na quarta, ele pifou. Otimista que sou, não quis acreditar, dei um tempo, quem sabe ele voltaria a acender. Não voltou.
Como ainda estava na garantia, fui à procura da nota de compra e achei-a, mas -coisa curiosa- tudo o que nela estava escrito se apagara. Agora é assim: as notas que saem daquela maquininha, apagam com poucos meses -e como vou eu agora provar que comprei o aquecedor nas Lojas Americanas? Não posso, é claro. Em matéria de safadeza, o comércio capitalista é mesmo invencível!
O jeito foi levar o aquecedor ao Lucas, que conserta esses aparelhos, aqui perto de casa. Ele o abriu, examinou e verificou que três resistências haviam queimado. Telefonou, então, para lojas autorizadas, mas nenhuma delas tinha as tais resistências, que são importadas e não se sabe quando voltarão a recebê-las.
Diante disso, sem poder trocar o aquecedor nem consertá-lo, saí em campo atrás de outro para comprá-lo, desde que não fosse Britania. Andei por Copacabana inteira, fui de loja em loja e a resposta era a mesma: aquecedor, não temos mais, acabou o estoque. Sem alternativa, voltei à loja onde fizera a compra malograda e somente lá havia aquecedores, mas iguais ao que pifara. Pelo sim, pelo não, decidi verificar a procedência deles: "made in China".

segunda-feira, 21 de junho de 2010

QUANDO O ERRADO ESTÁ CERTO

FERREIRA GULLAR.
Sabe-se que, para a maior parte dos linguistas, não existe isso de falar errado: todo o mundo fala certo.
MUITA GENTE torce o nariz quando um chatola, como eu, começa a reclamar dos erros de português que se cometem nos jornais e na televisão. Desses, muitos dos que os cometem são profissionais, mas estão pouco ligando para o que consideramos escrever e falar errado.
Sabe-se que, para a maioria dos linguistas, não existe isso de falar errado: todo o mundo fala certo. Admitem existir uma "norma culta", que obedece às regras gramaticais, mas violá-las não é propriamente errar. Ouvi de um deles que está tão certo dizer "pobrema" como "problema". Obtuso como sou, tenho dificuldade de entender por que eles mesmos vivem escrevendo livros e colunas em jornais, ensinando como se deve escrever. Ora, se não existe falar errado, por que ensinar?
Não deve o leitor concluir daí que sou aquele morrinha que vive catando os deslizes de cada um, mesmo porque não posso me considerar um grande conhecedor da língua. Gosto dela, prezo-a ou, melhor dizendo, considero-a uma das extraordinárias criações do gênio humano. Não é maravilhoso imaginar que, muito antes de surgirem os gramáticos, nossos ancestrais já falavam obedecendo às normas que tornaram o idioma meio de comunicação entre as pessoas e de invenção do nosso mundo cultural?
Pense bem nesta maravilha: a palavra "este" indica algo que está perto de mim; "esse", o que está perto de você; e "aquele", o que está longe de nós dois. Eis a linguagem expressando as relações reais do sujeito e das coisas do mundo. Não obstante, todos os locutores de rádio e televisão, como a maioria dos jornalistas, referindo-se ao que está perto de si, usam "esse" em lugar de "este". E isso é hoje tão frequente que já nem se repara.
Ninguém vai morrer por isso, mas não deixa de ser preocupante observar as pessoas deformarem e empobrecerem a língua, usando, por exemplo, "sobre" como regência de quase todos os verbos.
Em vez de "comentou os fatos" dizem "comentou sobre os fatos"; em vez de "quando falou do problema", dizem "quando falou sobre o problema"; em vez de "alertado do ataque", dizem "alertado sobre o ataque", e por aí vão.
Em certas frases, o uso de "sobre" chega ao limite do desatino: "o deputado aguarda o desmentido sobre a denúncia", quando seria muito mais simples e elegante dizer "aguarda o desmentido da denúncia". Vá você, agora, explicar como surgiu essa mania do sobre, que espero seja apenas uma mania, como outras que surgiram e se foram.
Lembram-se da época em que todos usavam a expressão "a nível de"? Servia para qualquer coisa, como ouvi um entrevistado afirmar que, "a nível de ração para porcos, o melhor seria...". Felizmente, essa mania passou, o que me faz crer que a língua termina por excluir de si as excrescências que nela se introduzem. Mas parece que nem sempre, porque, às vezes, o mau uso se generaliza e até mesmo se oficializa.
Existe coisa mais descabida do que chamar de "sambódromo" uma passarela para desfile de escolas de samba? Em grego, "-dromo" quer dizer "ação de correr, lugar de corrida", daí as palavras autódromo e hipódromo. É certo que, às vezes, durante o desfile, a escola se atrasa e é obrigada a correr para não perder pontos, mas não se desloca com a velocidade de um cavalo ou de um carro de Fórmula 1.
Muitas vezes, à irreverência junta-se a ignorância, a pouca leitura dos bons escritores. Não é que tenhamos de escrever como escrevia Camões, mas o conhecimento do idioma, em seus diferentes momentos históricos e em suas mudanças, ajuda-nos a preservar a língua no que tem de essencial como também a transformá-la sem lhe trair a natureza. É essa ignorância que leva alguns redatores de televisão a substituir "risco de vida" por "risco de morte", achando que esta é a expressão correta. Ganha-se em obviedade e perde-se em elegância.
Já mencionei aqui, noutra ocasião, a tal lei da termodinâmica, segundo a qual os sistemas tendem à desordem. Sendo a língua um sistema, está sujeita a desorganizar-se, como o atestam os exemplos citados, tanto mais hoje em dia, quando a TV induz milhões de pessoas a falar errado. Essa mesma TV que poderia se tornar um instrumento decisivo na luta contra a entropia. Ou será que escrever certo é elitismo?