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domingo, 29 de maio de 2011

EBC desiste de Série 'C' do Brasileirão
A Empresa Brasil Comunicação anunciou na sexta-feira (27), que vai abrir mão da transmissão dos jogos da Série C do Campeonato Brasileiro. Em um comunicado, a estatal afirma que após várias reuniões com a Confederação Brasileira de Futebol e da avaliação de contratos, sua situação financeira não permitiria que a compra dos direitos de transmissão fosse realizada.
De acordo como texto, no próximo ano a EBC entrará novamente em negociação  com a CBF para a elaboração de um possível acordo.

sábado, 13 de novembro de 2010

QUAL É O PÚBLICO DA TV PÚBLICA ?


Por Délcio Teobaldo, Observatório da Imprensa.

No primeiro dia de trabalho como presidenta da República, provavelmente, Dilma Rousseff deve encontrar sobre sua mesa uma pasta onde se destaca uma forma ovóide azul anil, vazada pelas iniciais EBC, da Empresa Brasil de Comunicação. Não deve ignorá-la; nem se orgulhar dela. A reação dúbia, contraditória, tem uma explicação simples: a EBC pode ser a via de mão dupla através da qual o governo Dilma manterá a comunicação com os eleitores dos cinco complexos geográficos que a sagraram nas urnas; no entanto, convém ao bom senso que se contenha a euforia, ao verificar que esse diálogo necessário e possível pode continuar se arrastando sem efetivação pela segunda década do século 21 ou "pelos séculos dos séculos, amém", se a TV Pública não disser ao público a que veio.
Não é tarefa fácil, considerando que a EBC foi criada numa conjunção de eventos contraditórios, numa quase encruzilhada, em junho de 2006, ou seja, cinco meses antes da eleição que daria ao governo Lula o segundo mandato presidencial e dezembro de 2007. No primeiro evento, Lula instituiu o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre, o polêmico padrão japonês SBTVD-T, e onze meses depois da posse pôs no ar a TV Pública, cuja estreia coincidiu com chegada da TV digital ao mercado. Estratégia perfeita se não fosse irônico o Estado viabilizar as utopias de sonhadores como Edgard Roquette-Pinto e Gilson Amado, que acreditavam na radiodifusão como promotora do consumo e formadora de cidadãos, sem questionar se o Brasil estava pronto, no vinco ou no assumido desalinho, para a se expor através do padrão digital ou High Resolution Definition Televison (HDTV).
Uma coisa é assistir à nossa diversidade, às nossas contradições, às nossas desigualdades, ouvir reivindicações, especular corrupções captadas e divulgadas no padrão atual de 480 linhas. Outra é ver a mesma realidade em 1.080 linhas. Estaria o país democraticamente preparado para se expor tão clean, claro e explícito? O país está pronto para isto? É impossível mascarar a tecnologia HDTV; impossível ludibriar uma câmera capaz de captar o som do bater das asas de um querubim e de acompanhar a trajetória de uma bala, do estampido ao alvo.
O HDTV é exigente. Não se deixa enganar por bolinhas de papel, fitas crepes, alfinetes, nem pelo crayon que marcava rugas de expressão. Já notaram que os velhos atores, cultores das honoráveis rugas naturais, estão voltando à cena? A TV Pública está pronta pra isto? Em termos técnicos, sim, pois em 2008 e 2009 foram realizados investimentos elevados em equipamentos e tecnologia e este ano a EBC dispôs, ou melhor, dispõe, de um orçamento básico de R$ 453 milhões para sua consolidação.
Saber que a tecnologia audiovisual amplia nosso alcance visual e aumenta nosso poder de voz não basta; é preciso consciência de que necessita de ideias e de ideais para operá-la. Neste quesito, a EBC investiu pouco. Basta comparar os discursos de Beth Carmona, diretora-presidente que participou da gestação do projeto da TV Pública, e de Tereza Cruvinel, atual gestora do projeto: "Hoje não basta diferenciar a TV pública utilizando a premissa da programação de qualidade. Hoje não basta diferenciar a TV pública só por seu conteúdo nacional, pois outros já se apoderaram dessas marcas. Hoje, a rede pública que faz sentido se dará pela possibilidade de diversificar as opiniões, de abrir os conteúdos, de tratar de todos os temas e abordar todas as localidades. Essa será sua marca e sua qualidade. Hoje, no Brasil, é preciso abrir as oportunidades, ouvir outras vozes e ver e propiciar outros modelos e formatos", afirma Carmona.
Na opinião de Cruvinel, a TV Pública deve apostar "naquilo que a TV comercial não mostra e que venha ao encontro de anseios da cidadania. Revelando Brasis que a TV comercial, por sua própria lógica, não revela. Renovando-se, renovando a linguagem e recorrendo a este grande filão de qualidade e criatividade que é a produção audiovisual independente no Brasil, em todas as regiões." Ora, quando as ideias batem é porque falta o debate.
Falta um modelo? Ora, a experiência da genial PRE-8 (a Rádio Nacional, uma das emissoras da EBC) está aí para ensinar como a radiodifusão entretém, enquanto estimula o uso do sabonete, da escova dental e do detergente. Faltam diretrizes? No segundo parágrafo deste artigo citei Roquette-Pinto e Gilson Amado. Mirem-se no exemplo deles. Falta um público mais exigente? Acredito que este público esteja vivo e ávido para adquirir voz própria. Basta que as duas perguntas anteriores sejam respondidas.
Um público ávido para adquirir voz própria.
Abrir oportunidades, ouvir outras vozes e propiciar modelos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Operador Único da Rede Nacional de TV Pública Digital

Governo quer grupo nacional na TV digital
Planalto estimula a participação de empresas nacionais em leilão para construção de torres para a rede pública.
Edital está em fase final de elaboração e deve ser enviado para o TCU nos próximos dias; leilão deve ser em novembro
LEILA COIMBRA, LARISSA GUIMARÃES.
O governo prepara um leilão para a construção da infraestrutura da rede pública de TV digital, um contrato de R$ 2,8 bilhões por 20 anos a ser gerido pela estatal EBC (Empresa Brasileira de Comunicação). A licitação prevê a construção, pela iniciativa privada, de 256 torres de transmissão de sinal digital de TV em todo o país.
E já atraiu a atenção de grandes multinacionais de tecnologia, como a americana Cisco, a francesa TDF e a japonesa Marubeni, que articulam consórcios com construtoras nacionais como Engevix, OAS e Andrade Gutierrez, para as obras civis.
As torres, apesar de públicas, poderão abrigar antenas de emissoras privadas, sob pagamento de aluguel.
A preocupação do Palácio do Planalto é incluir nesses consórcios empresas nacionais de tecnologia para conter o avanço das gigantes estrangeiras numa área estratégica e fomentar a indústria nacional de TV digital.
O Brasil adotou um padrão de TV digital híbrido, baseado no japonês, mas que ainda não possui escala de venda interna e tampouco em mercados externos que tenham provocado o desenvolvimento do parque industrial nacional. Sem forças para fazer frente às múltis, a indústria local procura acordos com a bênção do governo.
Sob coordenação da Casa Civil, a Marubeni já fechou pré-acordo com a nacional Linear, fabricante de transmissores com sede em São Paulo, mais a Engevix, para formação de um consórcio.
Outra japonesa, a NHK, também deverá integrar o grupo. Outra empresa nacional, a mineira STB (Superior Technologies in Broadcasting), conversa com os franceses da TDF e com os executivos americanos da Cisco. Outras empresas brasileiras, como a Telavo e a Tecsys (ambas de SP), conversam com a italiana Screen Service Technologies e a sueca Ericsson.
A participação de empresas nacionais nos consórcios é fator primordial para o acesso ao empréstimo do BNDES. O chefe de telecomunicações e fontes alternativas da área de infraestrutura do BNDES, Alan Fischler, explica que a instituição financia apenas a compra de equipamentos nacionais na área de telecomunicações, e os consórcios têm interesse nos recursos do banco.
MODELO.
O modelo de empréstimo para o projeto ainda não foi definido, segundo Fischler, mas poderá cobrir em média 70% do valor total.
O edital está em fase final de elaboração no Ministério do Planejamento e deve ser enviado ao Tribunal de Contas da União nos próximos dias. O objetivo, segundo o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, é que a versão final saia até setembro para que o leilão ocorra em novembro ou dezembro.
O projeto do Operador Único da Rede Nacional de TV Pública Digital inclui, além da EBC, as TVs do Executivo (NBR), do Legislativo (Câmara e Senado), do Judiciário (TV Justiça) e a TV Brasil, que exibirão seus programas em tecnologia digital.
As 256 torres serão distribuídas em todo o país. A principal delas, a operadora nacional de rede, ficará em Brasília. Haverá outras 48 torres em capitais e cidades de grande porte. As demais ficarão em municípios com cerca de 200 mil habitantes.