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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

VISTO DE SAIDA

Dilma, esqueça Yoany Sánchez.
Por Dacio Malta, do Blog Alguém me Disse.
O ex-deputado Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, é proibido de entrar nos Estados Unidos.
Certa vez, a Câmara quis incluí-lo na delegação de parlamentares brasileiros que, anualmente, participam da Assembléia Geral da ONU.
Mas não obteve êxito.
Quando o filme “O que é isso, companheiro?”, baseado no livro de Gabeira, foi indicado para o Oscar, nova tentativa e nada feito.
Isso tudo ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso.
No segundo governo Lula, o ministro de Comunicação Social do Governo chamava-se Franklin Martins - assim como Gabeira, participante ativo no sequestro do embaixador norte-americano.
Franklin, mesmo como ministro, nunca conseguiu acompanhar Lula nas viagens do Presidente aos EUA.
O Governo norte-americano negou, sistemáticamente, o visto diplomático à autoridade, mesmo estando ele em missão oficial.
Agora cobram uma posição de Dilma Rousseff em favor de Yoany Sanchez, “dissidente” cubana que quer vir ao Nordeste fazer propaganda anti-castrista.
Se nem FHC, nem Lula conseguiram êxito na defesa de seus nacionais, junto aos EUA, por que diabos Dilma deve defender a vinda de uma estrangeira ao Brasil?
A tentativa de emparedar Dilma não é apenas uma falta de respeito ou cobrança fútil da mídia brasileira com a Chefe do Governo, e mais do que isso: é uma tentativa de desmoralizá-la perante a opinião pública.
Dilma vai a Cuba tratar assuntos de Estado, e não se imiscuir em assuntos internos da Ilha.
Poderia até, em conversas informais, tratar da questão dos presos políticos, de uma maneira mais ampla - assim como já fizeram, com êxito, a Espanha e o Vaticano.
Mas não cuidar de um assunto isolado - de uma blogueira que reclama não pode sair do país, mas que já viveu anos na Europa, e hoje está em Cuba, a soldo sabe-se lá de quem, sem trabalhar, com liberdade suficiente para escrever o que bem entende, e com tradução em 18 idiomas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

PEREGRINO E OS VÂNDALOS DE CABRAL

Por Dacio Malta, do Blog Alguém me disse. 
Diz o professor Fernando Peregrino em seu blog que “Ricardo Gama, Dacio Malta, Ricardo Boechat e Anthony Garotinho, independentemente das diferenças” entre eles, existem algumas coincidencias, como a de serem “críticos ferozes de governantes e autoridades, e recentemente tem sido um grande incômodo para Cabral no cenário de uma mídia comprada e silenciada”.
“Por coincidência, nos últimos 2 meses - continua o professor - o público esteve ameaçado (ou está) de ficar sem a opinião corajosa e direta de todos eles. No caso de Dácio Malta e Ricardo Boechat, pelo estranho desaparecimento dos dois.  No caso de Ricardo e Garotinho, pelo atentado que sofreram. O que está acontecendo com aqueles que “tem voz independente” no Rio de Janeiro de Cabral?” - indaga Peregrino no final.
De minha parte eu continuo vivo. E continuo crítico não só de Cabral, mas de boa parte dos que os cercam e de outra imensa parte que prefere mantê-lo a distância.
O que ocorre comigo é que estou envolvido com um documentário que fiz para comemorar o centenário de nascimento de Noel Rosa.
O que seria um programa de TV, acabou virando um filme e, modestamente, muito bem sucedido.
Como filme, já que ele foi feito em capítulos para a TV Brasil, ele estreiou na telona em maio, no Festival de Cinema Brasileiro em Paris.
No Brasil, foi exibido no CineDocumenta, em Ipatinga; e no Festival de Cinema de  Maringá, onde ganhei o honroso prêmio de melhor diretor entre 293 concorrentes.
No dia 29 de junho, será apresentado no Festival de AudioVisual do Mercosul, em Florianópolis,  em setembro no CineMúsica de Conservatória, e em outubro no Festival do Japão, a começar por Tóquio.
Essa é a explicação do meu sumiço. Quem quiser saber mais sobre ele acesse o
www.noelrosa-poetadavila.com.br.Acho que em julho estarei mais tranquilo para voltar ao blog.
Mas para mostrar que estou vivo…
Só mesmo aqui no Rio de Janeiro, bombeiros são chamados de vândalos.
Em qualquer parte do mundo, eles são heróis. Se só existisse o trabalho realizado no morro do Bumba, em Niterói - esse seria mais do que suficiente para classificá-los como heróis.
E mais: talvez eles sejam a classe mais unida, não aqui no Rio ou no Brasil, mas em todo o mundo.
Quem assistiu o filme de Michael Moore sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos, sabe do que estou falando, quando no final existe o abraço emocionado dos bombeiros cubanos e norte-americanos, que
participaram da operação no World Trade Center.
Sergio Côrtes, secretário de Saúde, ganhou o comando do Corpo de Bombeiros, no início do governo Cabral, por puro capricho.
No iníco de sua carreira, ele foi médico da corporação, e queria comandar seus ex-comandantes, e mais: por pura vaidade, sonhava em desfilar pela cidade com um um ajudante de ordens e suas dragonas.
Escândalos na sua Pasta surgiram desde o início da gestão.
E muitos, ainda, um dia serão revelados.
Como por exemplo a utilização de helicópteros da corporação, para transportar, no domingo de Carnaval do primeiro ano de governo, as fantasias de seus amigos e familiares que estavam em Mangaratiba, passando o final de semana e desfilariam a noite na Sapucaí.
Isso não é roubalheira, e lá existe aos borbotões. Isso é apenas abuso de poder.
Quanto ao nosso governador fanfarrão, nada tenho de pessoal contra ele.
Minha questão com ele é apenas política e administrativa.
Mas não estou calado por motivos outros a não ser àqueles que expliquei no início da nota.
Vou sumir de novo.
Mas prometo voltar.

sábado, 5 de março de 2011

CADA UMA, QUE PARECE DUAS

Os 200 mil trotes nos 90 anos da ‘Folha’

Por Dacio Malta.

A Polícia Militar de Sergipe prendeu na noite de anteontem um homem suspeito de passar mais de 200 mil trotes para serviços de emergência de Aracaju.
Segundo a PM, José Uilson Santos, 20, relatava crimes inexistentes desde 2009, usando um celular. A polícia não conseguia localizar de onde eram feitas as chamadas.
Santos foi preso quando passava mais um trote, desta vez de um telefone público. A atendente percebeu que se tratava de Santos e o segurou na linha até a polícia localizá-lo.
O suspeito foi liberado. Ele pode responder por comunicação falsa de crime ou de contravenção, que prevê de um a seis meses de prisão ou multa.
É incrível como um jornal importante como é a ‘Folha’,  publique uma notícia fantasiosa como essa.
Ou o redator quis encher de glórias o responsável pela prisão do sujeito,  ou seu intento foi o de desmoralizar a polícia sergipana - vítima dessa imensidão de trotes.
Segundo a nota, os trotes começaram em 2009.
Supondo que eles tenham se iniciado no dia 1º de janeiro daquele ano, ele fez pouco caso da polícia sergipana durante 790 dias.
Duzentos mil trotes, nesse período, dividido pelo número de dias em que ele agiu, dá um total inimaginável de mais de 250 trotes diários.
Se cada duração durasse em média 1 minuto, o pobre coitado dedicava mais de quatro horas do dia para brincar com a polícia.
 A notícia da ‘Folha’ é a maior prova de que o papel aceita tudo.
Se um sujeito conseguisse passar 200 mil trotes durante 90 anos - a idade que a ‘Folha’ está comemorando - ainda assim ele teria que enganar mais de sete pessoas diariamente.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LULA, CONSELHEIRO ETERNO DO PT

Por Dacio Malta, do Blog Alguem me disse.
O presisidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, concedeu a repórter Vera Rosa uma entrevista na semana em que o partido comemora 31 anos.
Nela, Dutra disse que o PT não tem o que reclamar, já que “está mais representado no governo da Dilma do que no do Lula do ponto de vista de peso e de importância de ministério”.
Na quinta-feira, Lula torna-se presidente de honra do PT. “Ele vai ser sempre um conselheiro de todos nós”.
Eis a entrevista:
- Quais os principais desafios do PT pós-governo Lula, ao completar 31 anos?- O grande desafio do PT, neste momento em que exerce seu terceiro mandato, com a primeira mulher presidente, é ter a capacidade de influir no governo para aprofundar as mudanças adotadas por Lula. E fazer com que a sociedade e o Congresso se convençam da urgente necessidade da reforma política.
- A presidente Dilma pôs entre as prioridades a reforma política, que já havia sido promessa de Lula. O que será diferente agora?- Agora há um sentimento mais arraigado de que, do jeito que está, não dá para continuar. Podemos aprovar um modelo este ano para entrar em vigor só em 2018. Haveria menos resistência, porque em 2018 você não sabe quem vai estar governando, quem vai estar popular ou não.
- Quais os pontos essenciais dessa reforma?- Todos os partidos têm de sentar e ver quais os pontos que os unem. É preciso caminhar, por exemplo, para o financiamento público das campanhas. Eu também acho que temos de estar abertos a discutir o voto distrital misto. O modelo que temos hoje está falido.
- O financiamento público acaba com o caixa 2 nas campanhas?- Sem dúvida alguma vai contribuir muito para acabar com o caixa 2, porque as campanhas ficarão mais baratas.
- O que Lula fará depois de receber o título de presidente de honra do PT? Ajudará na construção desse pacto?- Não podemos prescindir da ação política de Lula, que terá papel importante nessa mobilização. Lula vai ser sempre um conselheiro de todos nós. A única condição que ele impôs é que a gente não o convide para reuniões nos fins de semana.
- O sr. é favorável à volta do ex-tesoureiro Delúbio ao PT?- Em 2009, Delúbio retirou (o pedido de refiliação), em nome de um acordo pelo qual ele o reapresentaria mais tarde (após as eleições). Como terei de me posicionar, prefiro não emitir opinião neste momento. Mas não vou ficar em cima do muro. Esse é um assunto que o PT precisa discutir com tranquilidade até porque não existem penas eternas.
- Então, o sr. já está concordando com um dos argumentos de Delúbio.- Não é um argumento dele. É uma constatação da sociedade civilizada.
- O julgamento dos réus do mensalão está previsto para o segundo semestre. O sr. é favorável à absolvição de José Dirceu e à anistia para ele na Câmara?- Se ele for absolvido, é claro que terá de ser anistiado. Espero que o julgamento (no Supremo Tribunal Federal) seja baseado em provas, e não em questões midiáticas. Não se pode transformar esse julgamento num julgamento do governo Lula. Eu tenho a mais absoluta convicção de que o chamado mensalão - no sentido de pagamento para parlamentares votarem a favor do governo - não existiu. Houve ilegalidades, claro. Caixa 2 também é um crime.
- Mas não foi só caixa 2. A denúncia diz que houve também desvio de dinheiro público…- É falsa a tese de que houve dinheiro público nessa operação.
- O ex-presidente do PT Ricardo Berzoini lidera um cordão de descontentes com a falta de interlocução no governo Dilma. O que pode ser feito para contornar essa crise?- Eu desconheço essa realidade. Mas é natural que, numa bancada de 88 deputados, como na do PT, você tenha divergências em relação a questões relativas à composição de governo.
- Mas o PT não tem, com Dilma, a mesma interlocução que tinha com Lula… Isso é um fato.- Eu sou presidente do PT e tenho interlocução permanente com ela. O PT tem 17 ministros. Está mais representado no governo da Dilma no que no do Lula do ponto de vista de peso e de importância de ministério. O perfil da Dilma é que é diferente. O Lula personifica o PT.
- O ex-presidente Lula admitiu a possibilidade de voltar a concorrer em 2014. A expectativa do PT é de que Dilma fique numa espécie de mandato-tampão?
- Não é mandato-tampão. A presidente Dilma é o nome natural para disputar a reeleição. Agora, estamos no início do governo e não quero ficar fazendo previsões. Não há dúvida de que Lula continuará sendo um quadro importantíssimo no cenário político nacional.
- A montagem do governo Dilma escancarou a briga por cargos entre o PT e o PMDB. Como evitar que a insatisfação tenha troco nas votações do Congresso?- Sempre haverá conflitos. No governo Lula também houve insatisfeitos e problemas no Congresso. Essa é uma dinâmica que será desenvolvida a cada votação e tema polêmico.
- O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que perdeu o controle sobre Furnas, disse que “quem com ferro fere com ferro será ferido”. Segundo ele, desvios na estatal ocorreram na época em que os dirigentes foram indicados pelo PT. Como o sr. responde a essas acusações?- Não vou gastar verbo com Eduardo Cunha. Se há irregularidade é preciso investigar e punir os responsáveis, independentemente de quem indicou.
- Aliados reclamam do apetite do PT e dizem que há latifúndio petista no governo. Está havendo falta de habilidade nas negociações pelo fato de a presidente não ter experiência política?- De forma alguma. Todos os partidos têm grande apetite e isso é natural. Quando você nomeia alguém para um cargo público gera dez insatisfeitos e um ingrato.
- Quem será o líder da oposição agora? O senador Aécio Neves (PSDB-MG) tem esse perfil?- A oposição tem de encontrar o seu eixo. É importante que isso ocorra logo porque precisamos ter diálogo com a oposição também. Aécio tem toda a capacidade de liderar a oposição. Não sei se ele se disporá a fazê-lo nem se permitirão que isso aconteça.
- A seu ver, qual será o futuro do ex-governador José Serra?- Eu acompanho o Serra pelo Twitter e acho que ele está profundamente raivoso. A raiva e a mágoa nunca foram boas conselheiras. O futuro dele vai depender muito da capacidade de administrar esse processo.
- O que o sr. diria, hoje, para quem vai receber um salário mínimo de R$ 545, se a proposta do governo for aprovada, enquanto os parlamentares aumentam os seus vencimentos em quase 62%? Dá para viver com isso?- É claro que, se você comparar com o salário que vige no meio político, não dá. Agora, a comparação que tem de ser feita é com o poder aquisitivo do salário mínimo de hoje e o de alguns anos atrás. Vamos lembrar que, há muito tempo, a briga histórica no Brasil era para se ter um mínimo de US$ 100. Hoje, estamos falando de quase US$ 300. Há muita demagogia.
- O exercício do poder deixou o PT mais pragmático e até a bandeira da ética foi manchada. O que diferencia hoje o PT dos outros partidos?- Primeiro, a capacidade de organização, de debate e democracia interna. O PT é o único partido que elege sua direção com o voto dos seus filiados. Estamos vendo, claramente, um ponto que mostra a diferença entre nós e o PSDB. Fala-se agora em definir o presidente do PSDB por meio de um abaixo-assinado.
- A formação do PT em tendências ainda faz sentido nos dias atuais?- Faz. É um processo que muitas vezes extrapola o limite do razoável, mas tem sido um dos elementos de efervescência do partido. Eu sempre prefiro a disputa entre correntes a caciques ou visões regionais.
- Como o sr. define o PT hoje? É um partido de centro? Socialista já não é mais…- O PT é um partido de esquerda e socialista. A questão, hoje, é definir o que é o socialismo. O chamado socialismo real - modelo que vigorou no Leste Europeu - mostrou-se inviável. Mas a luta por justiça social vai continuar existindo. Quando você consegue tirar mais de 20 milhões de pessoas da miséria está dando um passo no sentido da diminuição da desigualdade.

E AGORA? MINHA FANTASIA

Cidade do Samba teria 7 mil sprinklers.

Por Dacio Malta
O ex-prefeito Cesar Maia publicou, em seu blog, um release da RioUrbe da época em que foi construída a Cidade do Samba:
“O sistema de reaproveitamento de águas de chuva, outra novidade do projeto, é composto por dois reservatórios com capacidade para 300 mil litros cada e fornece água para limpeza interna e externa e para o sistema de combate a incêndio, outra grande preocupação na concepção do projeto. O sistema de combate a incêndio também inclui mais de 7 mil sprinklers distribuídos em todos os barracões. Os perfis metálicos das  estruturas dos prédios possuem uma proteção especial anti-fogo, garantindo ainda mais segurança na confecção dos materiais”.
Se tudo isso na verdade foi construído, se torna mais impressionante a proporção da tragédia na Cidade do Samba.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

VIVA O CRIME ! !

Por Dacio Malta, do Blog Alguém me Disse.
O Globo Online tem como manchete uma reportagem redigida por um de seus contorcionistas. Ele tenta provar que a criminalidade no Rio está caindo.
Para isso,  compara o número de homícidios em 2010 com os de 1991.
O roubo de veículos é comparado com o ano de 1997.
Para o latrocínio, o ano escolhido foi o de 1999.
Roubos de rua, o site preferiu o ano de 2006.
Ou seja: compara-se o que quiser.
Mas se formos comparar o mês de janeiro de 2010, com o dezembro de 2010 verificaremos que:
1 - O homicidio doloso começou com 174 na capital, e acabou em 136. Já na Baixada ele aumentou: de 121 para 144.
2 - A lesão corporal dolosa era de 5.596 em janeiro - em pleno verão - e em dezembro, durante as festas natalinas, ela subiu para 5.921.
3 - O estupro deu um salto, sendo que na Capital ele quase dobrou: foi de 96 para 177.
4 - O trânsito na capital também piorou: foram 34 homicídios culposos e 1.577 lesão corporal culposa em janeiro. Em dezembro, os mesmos crimes subiram para 64 e 1.715, respectivamente.
5 - Menos armas foram apreendidas e menos veículos foram recuperados.
6 - Ainda na Capital, em janeiro foram feitas 27.280 ocorrências policiais; em dezembro foram 28.996.

A OAB VOLTA A FLERTAR COM O VOTO DE LISTA

Élio Gaspari, do O Globo.Dentro de algumas semanas, o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil apreciará o relatório de um seminário que organizou para discutir a reforma política. Nele reapareceu, em grande estilo, a proposta de adoção do voto de lista para a escolha dos deputados.
Pelo sistema atual, na eleição de 2006, um cidadão votou em Delfim Netto e elegeu Michel Temer. Pelo voto de lista, o eleitor simplesmente perde o direito à escolha nominal de seu candidato. Fica obrigado a votar num partido, e irão para a Câmara os candidatos listados pela caciquia, na ordem que ela tiver estabelecido.
O relatório dos doutores argumenta que só 10% dos deputados chegam à Câmara tendo atingido a marca necessária para assegurar-lhes a cadeira. Os demais elegem-se com os votos dos outros, como sucedeu em São Paulo com os partidos coligados ao palhaço Tiririca.
Tudo bem, mas fica uma questão: 100 % dos eleitores votam no candidato que preferiram. Esse direito querem tirar à patuleia. Quem quis votou em Delfim e quem quis votou em Temer, assim como outros decidiram-se por Tiririca. É o jogo jogado.
Quando os generais quiseram qualificar os votos, deu no que deu. Em 1969, eles descobriram que o voto de um general que comandava uma mesa não valia o mesmo de um colega que comandava uma tropa.
A Ordem dos Advogados do Brasil é a guilda dos advogados brasileiros. Há profissionais que gostam do sistema atual, outros preferem as listas, assim como há partidários das diversas modalidades de voto distrital. Por que a Ordem pode pretender falar em nome de todos em assuntos estranhos à profissão?
Isso, fazendo-se de conta que todos os advogados são democratas, o autor do Ato Institucional nº 5, Luis Antonio da Gama e Silva, era veterinário, e não ex-diretor da Faculdade de Direito do largo São Francisco. Seu sucessor, Alfredo Buzaid, que também dirigiu a faculdade, seria astrônomo. O AI-5 vigorou por dez anos, metade desse tempo, com os dois doutores no Ministério da Justiça.
Além de um vício de representatividade, há nessa iniciativa a marca do partidarismo. Em 2007, com o apoio expresso da caciquia petista açoitada pelo mensalão, a OAB já insinuou seu patrocínio ao voto de lista. Depois a sugestão foi arquivada. Mais: a Câmara dos Deputados já rebarbou essa proposta em duas ocasiões.
Sobra uma bonita campanha: enquanto as seccionais da OAB são eleitas pelo voto direto dos advogados, sua direção nacional é escolhida por um conselho. A Ordem podia organizar outro seminário, para discutir uma palavra de ordem com a qual escreveu uma das mais belas páginas de sua história: “Diretas-Já”.
*Élio Gaspari é jornalista e escreve para a ‘Folha’ e ‘O Globo’.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

DILMA, A CARA !!!

Houve tempo em que o Presidente da República, logo depois de eleito e, antes mesmo da posse, viajava aos Estados Unidos para o beijo mão do colega norte-americano, na Casa Branca.
Dilma Roussef quebrou o tabu.
Ela não foi a Washington, e Obama anunciou que virá ao Brasil em março - em sua primeira visita a América do Sul.
Dilma tem tudo para ser chamada de “a cara”.

domingo, 26 de dezembro de 2010

ARY BARROSO E A MININSTRA DA CULTURA

Por Dacio Malta.
    
Existem certas pessoas que mereceriam uma estátua.
Uma delas chama-se Omar Jubran, professor aposentado de Biologia, que adora musica e, sem filhos, resolveu adotar Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.
Noel foi o primogênito.
Durante 11 anos, ele pesquisou a obra musical de Noel e conseguiu, com seus próprios e parcos recursos, reunir as 227 gravações originais do ‘Filósofo do Samba’.
Foi um trabalho monstruoso. Para concluí-lo, Omar teve de vender até o velho Fusca que o levava para o trabalho na faculdade.
Omar chegou a colar um disco de 78rpm partido em três partes. E o trabalho deu certo.
Apreendeu, por sua conta, a técnica de remasterização, e deu ao país uma caixa com a obra completa de Noel em 14 CDs.
Um detalhe: ele não ganha um único tostão por caixa vendida.
Há seis anos, Omar fez o mesmo trabalho com o filho do meio, Ary Barroso. São mais de 300 gravações originais que ocupam 20 CDs.
Patrocinio para editá-los?
Nenhum. Só promessas.
Sergio Cabral, o bom, já chegou a fazer um apelo publico para o magnata Eike Batista: “Tomara que ele goste do Ary Barroso”, brincou Cabral.
Há quatro semanas, Omar Jubran relatou sua saga para uma platéia amante de Noel, na Casa de Rui Barbosa, no Rio.
Nos debates, ele respondeu a uma única pergunta. Era de uma jovem senhora que já conhecia o seu drama, e colocou ali uma enorme escada para Omar brilhar ainda mais,  e ser aplaudido de pé.
A autora da pergunta foi Ana de Hollanda, hoje a toda poderosa ministra da Cultura do futuro Governo Dilma.
Ana sabe, como ninguém, da importância do trabalho de Omar Jubran.
E, agora, que está no poder, deveria eleger isso como prioridade.
Ana precisa resolver logo essa questão.
Mas precisa fazer com urgência.
Não durante o seu governo, mas nos primeiros 100 dias.
É preciso liberar Omar, para que possa nascer Lamartine Babo - o seu terceiro filho.

O DESTINO DO TAPIOCA

Por Dacio Malta.
Elio Gaspari diz hoje em sua coluna que “a permanência do deputado Pedro Novais (PMDB-MA) no Ministério do Turismo e da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) no da Pesca são um mau presságio para um governo que nem começou. Revelam ligeireza com o dinheiro da Viúva, onipotência e descaso pela opinião pública. Novais recebeu da Câmara R$ 2.156 por conta de uma nota fiscal do motel Caribe, de São Luís, relacionada com despesas feitas no estabelecimento durante a noite de 28 de junho. A senadora, que recebe R$ 3.800 mensais para custear sua moradia na Capital, cobrou à Viúva R$ 4.606 referentes a diárias de hospedagens no hotel San Marco, de Brasília, entre janeiro e dezembro deste ano”.
Gaspari tem razão, embora ele saiba muito bem que esse ministério não é para valer.
Se fosse, Orlando Silva, o da Tapioca, não continuaria ministro.
Se Novais devolverá R$ 2 mil, e Idali promete devolver quase R$ 5 mil, o que falar do ministro do Esporte que confessou despesas irregulares com o cartão de crédito do Governo no valor de quase R$ 30 mil. E por isso devolveu a importância.
Deixa as coisas se acalmarem, que Dilma acerta o ministério.
Sem prejuízo das cotas partidárias, tem ministro já com os dias contados.
E não são apenas esses três…

terça-feira, 2 de novembro de 2010

TODO PODER AS MULHERES

Por Dacio Malta.

Quando Michele Bachelet foi eleita presidenta do Chile, ela entregou um terço de seu ministério as mulheres.
Se Dilma Rousseff fizesse isso, o Brasil teria pelo menos 10 ministras de Estado.
Quando Lula assumiu o primero governo, em 2002, ele nomeou quatro ministras:
1 - A própria Dilma Rousseff, nas Minas e Energia.
2 - Marina Silva, do Meio Ambiente, a primeira pessoa do ministério a ser anunciada.
3 - Benedita da Silva, na Assistência Social.
4 - Emília Fernandes, na Secretaria de Direitos da Mulher.
 O governo Dilma terá de aumentar essa cota, miserávelmente, em pelo menos 50%.
Assim, ela iniciaria seu governo com seis ministras.
E, mais do que uma participação quantitativa, será necessário uma participação qualitativa.
As mulheres merecem Pastas importantes.
Dilma é sensível a essa necessidade, tanto que deixou Erenice Guerra, de péssimas lembranças, na chefia da Casa Civil.
Bem ou mal, também, Zélia Cardoso Mello foi a poderosa ministra da Economia do Governo Collor.
Se Dilma não promover as mulheres, ela começará mal o seu governo

Vitória apertada

Por Dacio Malta

‘O Globo’, de hoje, abre sua manchete, na primeira página, dizendo que Dilma Rousseff teve menos votos que Lula,  em 2006, e insinua que sua vitória foi apertada.
Então vamos aos números.
São Paulo é a cidade mais populosa do país, da América e de todo o Hemisfério Sul.
A diferença de Dilma para Serra foi uma São Paulo inteira e mais um milhão de habitantes da periferia.
Os 12 milhões de votos que distanciaram Dilma de Serra correspondem a dois Rio de Janeiro ou a cinco Belo Horizonte.
Ou quase quatro Uruguais.
Ou um Portugal inteiro.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

BEATO JOSÉ

Por Dacio Malta.
Aécio trabalha para 2014, que fique claro o seguinte.
Aécio Neves não quer eleger José Serra, e não fará nada para que isso aconteça.
Se tivesse empenhado na candidatura tucana, ele ficaria trabalhando em Minas até o dia 31. Como vai percorrer o país, o que Aécio trabalha, desde já, é a sua própria candidatura para 2014, quando não correrá nenhum risco: em caso de derrota, continuará Senador por mais quatro anos.

MARINA VOTARÁ EM DILMA

Por Dacio Malta
Na última semana do primeiro turno, Marina repetiu inúmeras vezes:
- O país quer uma mulher na Presidência.
Era o seu desejo de ir para o segundo turno contra Dilma.
Como Marina é ética, consciente, transparente e, mais do que tudo, coerente, ela votará em Dilma Rousseff no dia 31.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

UMA DESPESA DESNECESSÁRIA

BLOG ALGUÉM ME DISSE -  Dacio Malta
A eleição, como todos sabem, tem dois turnos. Isso para os cargos majoritários.
Para as funções legislativas, tudo é decidido no primeiro.
Lula foi eleito duas vezes Presidente da República, tendo de ir sempre ao segundo turno. Agora com Dilma não será diferente, ela disputará, mais uma vez, a eleição no dia 31 de outubro.
Mas isso só prorrogará a agonia de José Serra.
No fundo, não há o que reclamar.
O que tinha de ser definido no primeito turno, foi decidido a contento.
Arthur Virgilio, Heráclito Fortes, Tasso Jereissati e outros menos - mas muito menos votados - estão fora do Senado.
O mala do senador Mão Santa foi para o espaço.
Até mesmo alguns ajustes de percurso foram corrigidos, como a derrota de Netinho, do PCdoB, em São Paulo.
Os jornais que já se mostravam conformados com a derrota de seu candidato, ganham agora novo alento. Com isso o denuncismo voltará a mil.
Teremos mais um mês de mentiras e promessas.
No primeito turno, o candidato da oposição prometeu salário minimo de R$ 600,00, 10% para os aposentados, 13º do Bolsa Família e aposentadoria integral para os servidores.
Para vencer, Serra terá de prometer ainda mais.
E se avacalhar uma enormidade.
É pena que o Brasil seja obrigado a gastar mais R$ 1 bilhão numa campanha para, no final, chegar a um resultado que todos já conhecem.

QUARO NOVO

Por Dacio Malta
Patrícia volta às origens.
Patricia Gomes, atual senadora pelo PDT cearense, preferiu voltar a ser deputada estadual.
Foi a mais votada do partido (63.704) votos, e a 11ª mais votada do Ceará.
Os encontros de Collor.
O povo de Alagoas não ajudou, e Fernando Collor continuará no Senado.
Já imaginaram como será o encontro de Collor com Lindberg Farias, no plenário da Casa?
Lindinho, presidente da UNE, foi o líder da campanha dos caras pintadas contra o então Presidente da República, Melhor que isso, só mesmo o encontro de Collor com o seu vice Itamar Franco, senador por Minas Gerais.
O mineiro é atrevido o bastante para lhe negar um cumprimento.
E Collor, ousado o suficiente, para fazer coisa pior.
Hélio Costa perde o rumo.
A vitória de Antonio Anastasia, para o goveno de Minas, foi acachapante.
Ele teve o dobro dos votos do concorrente Hélio Costa.
O ex-ministro acaba voltando pra Nova York.
Perillo vai morrer na praia.
Marconi Perillo, que tentou o governo de Goiás, tem tudo para morrer na praia.
Iris Rezende, seu concorrente, não tem nada de bobo.
Quem viver verá
Tiririca não fez estrago.
Tiririca com seu 1,3 milhão de votos foi um fenômeno restrito a si próprio.
Ao contrário do que se imaginava, o palhaço não levou nenhum outro Tiririca com ele.
O mais notório deles, o cantor Agnaldo Timóteo - que se dizia herdeiro dos votos de Clodovil - ficou de fora. Teve apenas 25 mil votos.
Até mesmo gente mais séria, como é o caso do deputado José Genoíno não se elegeu.
Ele teve 50 mil votos a mais que o último eleito, mas ficou na primeira suplência.
Alguém de sua bancada precisará ir para um ministério para que Genoíno volte a Câmara.
Roberto Freire, presidente do PPS, voltará a ser deputado.
Se fosse concorrer em seu Estado, Pernambuco, estaria derrotado. São Paulo o salvou.

CABRAL TRAIU DILMA

DO BLOG ALGUEM ME DISSE - Por Dalcio Malta
Cabral traiu Dilma.
Quando Dilma se debruçar sobre o mapa eleitoral, examinando Estado por Estado, ela constatará o crescimento de Marina Silva no Rio de Janeiro.
E a batata de Sergio Cabral vai assar.
Ficará claro que ele nada fez pela candidata, nem na Capital, nem no interior do Estado.
Como o governador adora imitar Aécio Neves, ele decidiu ter o mesmo comportamento que o mineiro.
Cabral fez por Dilma, o mesmo que Aécio fez por Serra. Zero. As Organizações Globo agradecem.
Os votos de Garotinho.
Garotinho levou sete com ele, agora levará chumbo de tudo quanto é lado, os sem votos, vão insistir na sua impugnação, para que quase 700 mil legendas sejam redistribuídas entre os derrotados. Como a pressão será enorme, é possível até que consigam.
O que se precisa saber, é se os votos de Garotinho são deles ou do partido.
Se forem do partido, os sem votos conseguiram apenas uma cadeira.
Se forem de Garotinho, sete vagas estarão em disputa.
Garotinho está incurso na Lei da Ficha Limpa, mas alguém sabe por que Garotinho é ficha suja?
Se fizerem uma pesquisa com a população do Rio, é possível que 100% dos entrevistados não saibam qual foi o crime de Garotinho.
Agora que os votos foram contados e os eleitos proclamados, é bom que se diga: o que fazem contra o ex-governador é uma covardia.
Quem não ganhou na urna, quer ganhar agora no tapetão.
Os responsáveis pela campanha que agora se inicia são os verdadeiros fichas sujas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

COM DILMA NO 1º TURNO

Isabel Lustosa*
Você não se lembra?
Do que foram os anos de política neoliberal no Brasil? Da pauperização da classe média que dela resultou?
De quantos colegas competentes foram demitidos ou convencidos a se demitir do serviço público na ilusão de que o “mercado” os acolheria, e só encontraram pobreza e abandono?
Dos professores das universidades públicas que, em virtude dos salários praticamente congelados, preferiram se aposentar e buscar emprego nas universidades particulares?
De como foram contratados professores em caráter precário ganhando até 500 reais por mês nas universidades públicas, esvaziando com isto as reivindicações dos professores de carreira?
De como ficaram sucateadas as repartições públicas, em que tudo faltava, não só pessoal como o material básico de limpeza? Do exército de terceirizados que, recebendo salários miseráveis, veio ocupar o lugar de seus colegas na administração dessas mesmas repartições e só fizeram fortuna dos empresários desse ramo?
Das filas enormes em frente aos guichês do INSS por falta de pessoal para o atendimento?
De como caíram monumentos históricos por falta de pessoal especializado em restauração e conservação que nunca foram contratados naqueles anos sombrios?
Das tantas vezes em que pegou um táxi e o motorista era um engenheiro ou economista de uma estatal que tinha sido vítima do “enxugamento” da máquina pública?
Das fábricas fechadas e do aspecto deprimente que tomou a Avenida Brasil, outrora rica e ocupada por tantos negócios promissores?
Da miséria em que vivia o povo do Nordeste sem o mínimo do necessário para sobreviver e que hoje vive em casas de alvenaria com luz elétrica, geladeira e televisão? Das tantas meninas prostituídas pelas condições miseráveis de suas famílias? Dos índices de mortalidade infantil que então tínhamos?
Dos tantos jovens que optaram pelo crime porque não tinham qualquer perspectiva de inserção no mercado de trabalho por conta de uma política econômica que considerava isto apenas um efeito perverso de um modelo que um dia ia fazer do Brasil um país rico?
É muito importante que você se lembre que aquele Brasil da desesperança e do pessimismo só foi superado no segundo governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Só foi superado quando assumiu as rédeas do governo uma mulher identificada com