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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ONTEM, GORDO; HOJE, MITO

sábado, 29 de janeiro de 2011

O MOSQUITO ARGENTINO

Por Marcelo Migliaccio, do Rio Acima - JORNAL DO BRASIL.
Enquanto não arranjarem uma guerra entre Brasil e Argentina esses idiotas não vão sossegar.
Agora, foi a prefeitura de Barretos (SP), aquela progressista cidade onde se torturam animais numa grande festa brega anual. Fizeram lá uma campanha contra a dengue em que um mosquito aedes aegypit estilizado aparece vestindo a camisa da seleção argentina.
O ministro da Saúde do país vizinho, Juan Manzur, claro, reclamou da infelicidade da campanha. Aí, o diretor do Departamento de Comunicação da prefeitura de Barretos (SP), Marcelo Murta, disse que a intenção não foi ofender o povo argentino.
Então, qual foi a intenção?
Lhes digo: a intenção foi usar um preconceito que está cada vez mais enraizado entre nós para tentar estabelecer uma comunicação rápida com o público-alvo da campanha. Associar os argentinos a vilões, assim como o mosquito que transmite a doença, foi a saída mais inteligente que os cérebros da propaganda de Barretos conseguiram achar para a campanha de saúde local.
Todas as vezes em que o Brasil joga contra a Argentina, seja em que esporte for, mas especialmente no futebol, sempre um desses locutores esportivos descerebrados, arrogantes e recalcados que abundam nos microfones do rádio e da TV vem com aquela pérola:
-- Ganhar da Argentina tem um sabor especial! Vencer os argentinos é muito mais gostoso!
Por quê?
Porque os argentinos são os melhores jogadores de futebol do planeta ao lado dos brasileiros. Porque Diego Maradona foi o único jogador que pôde ser comparado a Pelé. Porque éramos fregueses da Argentina até bem pouco tempo atrás (se é que ainda não somos).
São violentos? Também somos.
São desleais? Também somos.
São craques? Também somos.
Fazem bons filmes? Nós idem.
E pode ser também porque a Argentina é um país menor, mais pobre e mais organizado que o Brasil. Porque seu povo é mais civilizado que o nosso. Porque as ruas lá são mais limpas...
Claro que lá também existem espíritos de porco que alimentam uma rusga com os brasileiros, mas nós deveríamos dar-lhes uma lição, parando com essa rivalidade artificial oportunista, que só serve para vender jornal e promover eventos esportivos na TV.
Toda vez que uma ofensa gratuita é jogada ao vento, alguém paga por ela. Pode ser um argentino roubado no Brasil, ou um brasileiro agredido em Buenos Aires. E, pode ser também, que um dia um lunático do governo daqui ou de lá (lembra-se da Guerra das Malvinas?) ache que provocando um conflito entre os dois países.
Aí, milhares de pessoas vão sofrer por causa dessas leviandades ditas em tom de brincadeira e eivadas de uma raiva latente e sem sentido.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

OS SÓCIOS DA DROGA ESTÃO EM GUERRA NO RIO

Por Marcelo Migliaccio, do JB
A hipocrisia recomeçou. Toda vez que o sistema estabelecido se vê numa sinuca de bico, sai-se com uma pirotecnia dessas.
Toda a PM nas ruas, folgas suspensas, férias ameaçadas ("se você quer rir, tem que fazer rir"), operações em 15 favelas. Meia dúzia de gatos pingados foram detidos e uma porção de drogas igual à que Keith Richard tem no bolso, apreendida.
O tráfico está fulo da vida. Perdeu as bocas da Zona Sul e da Tijuca. E se há produtos procurados em bairros como Copacabana e Ipanema, são eles maconha e cocaína. Milhões em venda de drogas, bailes funk, taxa disso e daquilo foram perdidos. Agora, a venda é formiguinha. Equivale a fechar um hipermercado e abrir uma carrocinha de churros.
Aí, os bandidos das favelas ocupadas, agora acoitados em fortalezas como o complexo do Alemão (onde a PM não dá as caras há dois anos por causa do PAC) foram para as ruas queimar carros e esculachar a classe média. Que, como sempre, acaba pagando o pato nessas horas.
Basta um chefão do tráfico preso em Catanduvas ser mandado para a solitária que as ruas escuras do Rio viram uma roleta russa.
No fundo, todo esse enfrentamento que vemos agora nos telejornais, com helicópteros e caveirões a desfilar nas vielas, é uma grande cortina de fumaça, alimentada pelos dois lados da moeda. A polícia-poder-público de um lado e a marginália do outro. Esse confronto é apenas um curto-circuito num sistema simbiótico e corrupto. O ano inteiro a PM pega o arrego nas bocas de fumo. Isso está nos filmes Tropa de Elite, é corriqueiro, é rotina, é o sistema.
A grana da droga é muito alta. A demanda é crescente, porque, além da tradicional inquietude do ser humano, há um sistema de propaganda subliminar incentivando as pessoas a saírem do ar. Desde bebê, a criança assiste a propaganda de droga na TV. A introdução é sempre com o álcool, consumido dentro de casa pelos familiares e à venda em qualquer esquina. É droga, sexo ou dinheiro. Escolha sua opção de fuga!
Impunidade, corrupção, falta de emprego, miséria e má distribuição de renda, além de escolas sofríveis, completam o pacote de incentivo a que milhares de adolescentes mandem tudo pro inferno e mergulhem no entorpecente.
A maioria vai acabar numa clínica, sendo tratada como uma criança de 3 anos por mercenários de branco ou ocupando seu lugar no cemitério antes do tempo. Isso, talvez, depois de contribuir por alguns meses ou anos para a nossa supelotação carcerária.
E a bala comendo no asfalto e nas favelas. Lucro sensacional e crescente para os comerciantes de fuzis e granadas. Lucro para os que vivem da blindagem de carro, das câmeras de segurança, da segurança privada. Lucro para os que vivem do medo, como as emissoras de TV: fiquem todos bonitinhos em casa à noite, vendo a novela, porque sair às ruas é perigoso demais...
Aqui e ali, um ou outro já fala em legalizar as drogas (se o álcool é liberado, por que as outras são proibidas?). Já é um avanço. Países que liberaram viram a criminalidade despencar. Mas é difícil demais para algumas pessoas verem as outras se matando em praça pública. Para nós, brasileiros, ainda é melhor que se matem numa cracolândia imunda escondida numa favela do que na Praça General Osório.
Por isso, a proibição continua. E o faroeste também. Pela hipocrisia dos que querem colocar o problema embaixo do tapete, estamos no meio desse fogo cruzado entre os dois principais sócios da indústria da droga.
Não basta liberar a droga. O comércio deve ser entregue a esses mesmos que vivem da venda ilegal nos morros. Talvez com a receita do tóxico, entrem na legalidade e parem de nos atormentar. Temos que jogar essa mão de obra armada no mercado formal. Se tiverem suas barraquinhas legalizadas, esses vendedores não precisarão andar armados. A criminalidade e as máfias durante a Lei Seca nos Estados Unidos nunca foram tão avassaladoras.
Quanto aos viciados, isso se combate com educação, divisão de renda, famílias estruturadas e clínicas de recuperação. O crack é pesado? E a cachaça, cuja garrafinha vendida a R$ 2 no supermercado leva um homem a enfiar a cara na sarjeta?
Mas a ninguém interessa resolver o problema de uma vez.

domingo, 3 de outubro de 2010

SUA EXCELÊNCIA, O TIRIRICA

Por Marcelo Migliacco - JB
Tiririca roubou a cena. Alguns apostam que terá mais de 1 milhão de votos.
O palhaço de circo que encontrou trabalho na TV liderou as pesquisas para deputado em São Paulo. Na propaganda gratuita, apareceu fantasiado e dançando. Disse que nem sabia o que faz um deputado federal.
A massa se viu representada. A intelectualidade estrilou.
Uma revista o acusou de analfabeto. A justiça prometeu apurar se é ou não.
Vão submetê-lo a um ditado? Transmitido em rede nacional?
Nas retretas e nos velórios (como diria o mais citado cronista nacional), só se fala em Tiririca.
Acho que ele tem todo o direito de se candidatar, caso saiba mesmo ler e escrever, que é o mínimo a se exigir de alguém que vá encaminhar e votar projetos de lei. Mas o fato de ele se fantasiar e falar asneiras para pedir voto é uma opção dele.
Vota nele quem quer, quem acha que deve.
A experiência já nos mostrou que para sujar o nome do Legistativo não precisa estar vestido de palhaço. Os deputados pianistas, flagrados votando duas vezes, não estavam. Vestiam terno, assim como os anões da Comissão de Orçamento, lembra? Os atos secretos e indecentes no Senado também não foram assinados por ninguém que usasse um nariz vermelho de bolota.
Todo cidadão que paga impostos e vive na nossa sociedade pode sim postular um cargo público. Querer impedir nossos milhões de tiriricas de participarem da democracia é puro preconceito. É negar nosso povo e nossa realidade. É pressupor que todo ignorante é ladrão. Melhor do que abrir guerra contra um palhaço de circo é educar direito as crianças, investir mais e mais em escolas e universidades. Na verdade, toda essa celeuma é medo de saber quantos tiriricas há em São Paulo.
Bem-vindo ao Congresso, Tiririca.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A BANCA DOS HORRORES

Por Marcelo Migliaccio - BLOG RIO ACIMA.
Ontem, confesso que tive calafrios ao me aproximar de uma banca de jornal. Sabe como é, o último domingo antes da eleição... eu sabia que o chumbo viria pesado.
Veja só o que estava exposto.
A revista que pensa que o leitor é cego acusa Lula e o PT de quererem acabar com a liberdade de imprensa.
Só que a liberdade de imprensa já foi assassinada há muito tempo, inclusive pela própria revista e seus co-irmãos, que mataram a pluralidade formando um time de articulistas que se repete na mesma ladainha. Não só lá como nos jornais caipiras e nas organizações biscoito de praia. É um samba de uma nota só: a nota zero para o governo Lula.
Todos os jornalistas da grande imprensa hoje sonham ser como aquele articulista que dirigiu o filme mais chato de todos os tempos, Eu sei que vou te amar. E aqui não vai nenhuma crítica cinematográfica com motivação ideológica, o filme é um purgante mesmo.
Você pega um desses órgãos (genitais) de imprensa e, da primeia à última linha, é uma competição entre medíocres para ver quem acha o pior adjetivo para o presidente mais bem avaliado de todos os tempos no Brasil. Nunca na história deste país, a imprensa esteve tão dissociada da realidade das ruas. Nem no tempo das receitas de bolo e da ditadura militar, o noticiário foi tão esquizofrênico.
Falam mal de tudo que cheire a governo. Escondem de suas páginas e telejornais dados fundamentais como comida no prato, carteira assinada, casa própria com fogão e geladeira, filho na escola etc.
O negócio é saber quem foi o sabujo que andou roubando e dedicar páginas e mais páginas ao mar de corrupção que inundou o país.
Esses articulistas de aluguel acham que nos enganam, mas não enganam nem seus patrões, que, no fundo, não têm por eles o menor respeito. Tratam-os, intimamente, como meros cães de guarda, papagaios ensinados a dizer coisas que os barões das rotativas e das parabólicas nunca tiveram peito para gritar em seus próprios microfones.
- Currrupaco, currrupaco, neoliberalismo, neoliberalismo! Currupaco, liberdade de empresa, quer dizer, de imprensa!
Nesses mastodontes da desinformação, o jornalista que descobrir que a namorada do filho do ex-braço direito da Dilma tem um cargo no governo ganha até prêmio Esso, mesmo que sua bombástica denúncia não mude as pesquisas em um ponto percentual sequer.
Como todo governo tem corruptos, há sempre o que descobrir. Pena que a Justiça seja tão benevolente com quem é apanhado com a boca na propina. Lugar de rato é na cadeia.
É escândalo que não acaba mais. Tomara que quando os tucanos voltarem ao poder esses mesmos baluartes da denúncia não tirem férias de quatro anos. Que continuem tão combativos como estão agora.
A imprensa que eu vi na banca ontem só dá espaço ao que é ruim.
E olhe que, há 35 anos, Raul Seixas já cantava:
Todo jornal que eu leio
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh, baby, oh baby
A gente ainda nem começou
Aquela outra revista, que não estudou, se deu mal nas provas e ficou em segunda época, colocou oTirica na capa, diante do Congresso e dissse que aquela vai ser a nova cara do Legislativo. Uma generalização calhorda. Depois, acusam Lula de antidemocrata. A revista usa um palhaço que virou candidato para desmoralizar um dos três poderes e ainda chama o presidente de ditador.
Deveriam passar uma temporada com Hugo Chávez para ver como Lula é bonzinho

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

POSTAS DE CARNE

Por: Marcelo Migliaccio
Nessa, você não vai acreditar.
Ontem eu estava passando pela Rua Aires Saldanha, em Copacabana, e ela estava lá, ajoelhada na calçada, nuazinha como veio ao mundo. Ela mesmo, Cleo Pires, a sensação do momento. Que curvas, que cabelos, que pezinho lindo!
Levei um susto. Nós, mortais, quando nos deparamos inesperadamente com um desses ícones venerados em todos os canais da mídia, temos até tremedeira. Mas a Cleo estava lá, de joelhos, em tamanho natural!
Depois de esfregar os olhos, acordei do sonho. Era só uma peça promocional da revista Playboy, que abriu seus cofres para estampar fotos íntimas da atriz da Globo em sua edição comemorativa de aniversário. A Cleo Pires de papelão, no entanto, estava lá (e em mais milhares de bancas de jornal) a exibir seus segredos para qualquer um que passasse.
Não sou a favor da burca, mas acho que uma mulher deve pensar dez vezes antes de se desnudar em público. Fico imaginando a Cleo de agora em diante andando pelas ruas. De que jeito ela será olhada pelos homens quando for vista pessoalmente. O motorista de ônibus, o borracheiro, o jornaleiro, o jornalista, seus colegas atores, a torcida do Flamengo e a do Corinthians... todos agora a conhecem a fundo.
Não sei se ela está incomodada com isso. Talvez tenha pensado mais ultimamente em como gastar a fortuna que a revista lhe pagou pelo ensaio fotográfico.
Nunca curti revistas de mulher nua. Prefiro ao vivo, nem que tenha que ficar sem nada. Às vezes, passo por um desses camelôs que vendem publicações antigas e vejo aquela profusão de capas de Playboy com mulheres nuas. A maioria das divas sumiu no tempo. Delas, ninguém se lembra sequer do nome. Postas de carne não têm nome, são apenas postas de carne expostas para serem consumidas pelo imaginário masculino (ou, cada vez mais, feminino também).
Tive um colega de trabalho cuja irmã teve seu momento de glória pelada na capa de uma dessas revistas. Como é mesmo o nome dela...?
Lembro o nome do meu amigo, mas não o da sua irmã, que, por fotos, conheci tão bem.