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terça-feira, 17 de julho de 2012

CRIATURA E CRIADOR . . .

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Globo é o túmulo do jornalismo, mas Collor é uma lição de vida.

Há pouco que falar sobre a extensa matéria do Fantástico que promoveu um massacre de injúrias e difamações contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello no último domingo. Aliás, além de xingar e difamar, a Globo pode ter dado curso a calúnias.
Mas esse não é o aspecto mais importante daquele quadro em um programa que vai ao ar no horário mais nobre da televisão brasileira. O mais importante é o que havia de jornalismo e o que houve de pura vingança e de uma intimidação que não se resume a Collor.
O que foi, diabos, que a Globo trouxe de novo? Jornalismo é notícia, ao menos no formato imposto àquela matéria. Que notícia a Globo deu? Que Collor é macumbeiro? Isso o falecido irmão dele disse há mais ou menos 20 anos e foi objeto de especulações por muito tempo.
A maioria das pessoas não sabe o que ocorreu naqueles anos 1990 porque ainda há mais jovens do que maduros no Brasil. E o que ocorreu àquela época, hoje perdeu todo o sentido.
Collor foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal e foi absolvido. Se por inépcia da acusação, da promotoria, como foi dito, não importa. Se fosse condenado, a condenação seria usada sem dó nem piedade; é justo que a absolvição tenha o mesmo peso que a condenação.
Um parênteses: pelo que a Globo fez com Collor, pode-se prever o que fará se os acusados principais no inquérito do mensalão (leia-se José Dirceu em primeiro lugar) forem absolvidos…
Então, a reportagem do Fantástico sobre Collor não serviu para nada. Requentou um caso que já se perdeu nos desvãos da história. E o mais interessante é que quem requentou esse escândalo é a mesma mídia que diz que a Privataria Tucana ocorreu já faz “muito tempo”.
Ah, mas Rosane Collor confirmou alguns cafés da manhã entre Collor e PC Farias antes de eclodir o escândalo. E daí? PC foi caixa da campanha de Collor à Presidência. Não tem relevância alguma essa informação. Jamais terá conseqüência.
Não havia razão para a Globo trazer esse assunto à tona depois de tanto tempo. Collor fazia macumba, é? Quanta socialite ou dona-de-casa ou pai de família ou estudante ou empresário não faz seus “trabalhos”?
Em minha opinião, aliás, a Globo deu um tiro no pé, porque “trabalhos” com “animais mortos” estão por toda parte, neste país, e ninguém fica chamando de “magia negra”.
Ridículo, estapafúrdio, arcaico, fundamentalista… É criminalização religiosa, aliás. Daqui a pouco o PIG vai pregar a formação de uma força policial para prender qualquer Pai de Santo que matar uma galinha e colocar numa cesta com velas, fitas etc. numa encruzilhada.
Aliás, a criminalização da elite a certos cultos religiosos mal identificados com a cultura afro remonta aos primórdios da colonização brasileira. Mas o mais gozado é que nessa própria elite há muita gente fazendo seus “trabalhinhos”.
Alguma novidade, até aqui? Não é o que se diz à larga na Blogosfera e nas redes sociais, que a
Globo e seus congêneres são o túmulo do jornalismo? Além de usar uma concessão pública para suas vendetas pessoais, a emissora da família Marinho ainda a usou para intimidação criminosa de membros da CPI do Cachoeira que pensem em incomodar a Veja e a própria Globo.
Resta saber qual será o prejuízo de Collor. Particularmente, penso que seu eleitorado não esteve e nem estará nem aí para o ataque que a Globo lhe fez.
Os setores que se impressionaram com as caras e bocas de “espanto” da entrevistadora Renata Ceribelli diante das “revelações” da esposa ressentida e gananciosa de Collor, que deixou ver que
fez tudo aquilo porque a amiga ganha 40 mil reais de pensão do ex-marido e ela ganha “só” 18 mil reais, já não gostavam dele antes.
Grave, porém, é o uso de concessão pública para um ataquezinho político rasteiro, maledicente, burro e preconceituoso.Em qualquer país civilizado e desenvolvido, os irmãos Marinho sofreriam um questionamento pelos órgãos de controle da mídia que funciona sob concessão do Estado.
Contudo, estamos no Brasil e deve ficar tudo por isso mesmo.
Agora, convenhamos: que lição de vida representa o que a Globo fez com Collor, hein. Ele recebeu de volta exatamente aquilo que fez com Lula em 1989 – levou sua ex-namorada Miriam Cordeiro para injuriá-lo e difamá-lo na TV.
A ironia do destino é sempre surpreendente. A vida supera a arte. É ampla a quantidade de chavões que cabe usar. Nem se tivessem escrito um romance em que, mais de vinte anos depois, o feitiço se viraria contra o feiticeiro, a cena teria sido tão irônica.
Essas pessoas que aplicam esse tipo de golpe baixo nos desafetos, com ataques pessoais de natureza miseramente maledicente e geralmente sob armações, deveriam refletir muito…
Dado o que há de surpreendente em Collor ter sido vítima da mesma baixeza que praticou, seria demais cogitar que aqueles que, na Globo, engendraram essa vingançazinha tola, baixa, mesquinha e burra poderão, um dia, ser vitimados por gente igual a si?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

TEM CHEIRO DE CONSPIRAÇÃO


Sempre digo que o primeiro passo de uma conspiração é tentar caracterizar como “teoria conspiratória” qualquer suspeita de que aquela conspiração existe.  

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CONCESSÃO NÃO É VENDA ?!?

Por Eduado Guimarães, no blog da Cidadania.
Tucanos de SP reconhecem que concessão não é privatização.
É surpreendente que a concessão pelo governo federal de três aeroportos à iniciativa privada tenha gerado “acusações” ao PT de que este “finalmente” teria se rendido à ideologia privatizante do PSDB. E o que mais surpreende é que o mesmo PSDB e a imprensa sua aliada tenham sido os autores dessa premissa.
Durante a semana que finda, causou surpresa ver “comentaristas” de Estadão, Globo, Folha e Veja e tucanos de frondosa plumagem se deliciando com o suposto ingresso do PT no clube dos privatistas porque tal “acusação” pode ser facilmente desmontada.
Imaginava-se que outros aspectos da concessão, como o financiamento dos concessionários dos aeroportos pelo Estado brasileiro, seriam alvo de ataque, ainda que até nesse ponto a diferença seja enorme, pois além de não terem sido aceitas “moedas podres” nesse negócio, o BNDES irá financiar os investimentos, não o valor da concessão, ao passo que durante a privataria tucana foi o contrário.
Todavia, parece que tanto imprensa quanto oposição apostaram na escandalosa incompetência da área de comunicação do governo Dilma Rousseff e ganharam a aposta, pois desde o anúncio do negócio bilionário tem prevalecido uma premissa absolutamente ridícula, de que a concessão dos aeroportos por excelente preço tenha algo que ver com o saque ao patrimônio público que o governo Fernando Henrique Cardoso perpetrou nos anos 1990 e que ficou conhecido como privataria devido à dimensão das negociatas.Em defesa do direito da sociedade de receber informações fidedignas e honestas, portanto, o governo federal poderia ter feito uma campanha publicitária antes de materializar a concessão dos aeroportos, de forma a explicar diferenças que são tão incontestáveis que até o próprio PSDB já as apontou em governos que comanda.
Em um momento em que o ex-presidente FHC difunde desinformação ao dizer que o PT se rendeu ao estilo de negociatas que fez durante o governo tucano, em um momento em que um assessor de imprensa tucano como o blogueiro da Globo Ricardo Noblat diz que petistas estariam fazendo “ginástica verbal” para explicarem o inexplicável (a suposta adesão deles às privatizações), que tal dar uma olhada no que o governo tucano de SP diz sobre a diferença entre concessão e privatização?

Clique na imagem para ir à matéria na página da Secretária de Transportes de SP.
Será que o site da Secretaria Estadual de Transportes de São Paulo, administrada pelo PSDB de FHC e Noblat, também faz “ginástica verbal” para diferenciar concessão de privatização? Bem, é assim que a imprensa tucana, os próprios tucanos e seus teleguiados na internet chamam o que você acaba de ler e que é exatamente o que o PT vem explicando sobre a CONCESSÃO dos aeroportos.
Mas o caso não termina por aí. Por enquanto, é possível dizer que até a concessão tucana é pior, pois todos sabem o quanto os concessionários das estradas paulistas conseguiram aumentar as tarifas (pedágios) graças ao modelo do negócio imposto pelo governo tucano, coisa que o governo Dilma afirma que não acontecerá nos aeroportos. A ver.

domingo, 4 de dezembro de 2011

VERDADE OU MENTIRA !!?

A ditadura envergonhada.


Por Eduardo Guimrães, do Blog da Cidadania.
Causou comoção a foto de uma Dilma Rousseff ainda jovem sendo inquirida por militares publicada pela revista Época que chegou as bancas neste fim de semana. O olhar altivo daquela menina de 22 anos, após três semanas de sevícias na prisão, e os militares escondendo os rostos simbolizam perfeitamente aquele período de trevas.
A imagem traduz a história. Hoje, passadas quatro décadas, Dilma continua olhando altivamente para os militares. Dilma venceu.
E o que é mais: sua vitória já se pronunciava naquela foto. Sua altivez representa a de toda uma geração de heróis que, pondo a própria vida de lado, não hesitou em se atirar em uma luta épica para libertar a nação do jugo de um bando de dementes que após meio século continuam mantendo mentiras que, mais do que defesa contra o braço longo da lei, constituem um anteparo à vergonha que a verdade lhes traz, o que os leva a tentarem sufocá-la ad aeternum.
Foi-me interessante deparar com essa foto na manhã de sábado porque pouco antes recebera mensagem de leitora contendo link para texto que constitui mais uma das incontáveis farsas que esbirros dos déspotas da ditadura militar fazem diuturnamente na tentativa de reescrever a história.
Faz tempo que o texto que recebi circula na internet. Contém suposta “confissão” de uma suposta jornalista sobre sua suposta atuação como “guerrilheira” durante a ditadura. A mulher (?) criou um blog no meio do ano passado, no auge de uma campanha eleitoral que estava sendo vencida por alguém que atuou como “guerrilheira” naquele período.
Na verdade, entendi o texto mais como uma ficção escrita para simbolizar o que na verdade teria se passado com uma mulher que estava prestes a se tornar presidente da República.
A suposta autora do texto que reproduzo a seguir se diz Miriam Macedo e o texto que supostamente escreveu – e que foi publicado pela maioria dos sites e blogs de extrema-direita – intitula-se “A verdade: eu menti”.
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A verdade: eu menti.
Eu, de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade, e contar tudo: eu era uma subversivazinha medíocre e, tão logo fui aliciada, já caí (jargão entre militantes para quem foi preso), com as mãos cheias de material comprometedor.
Despreparada e festiva, eu não tivera nem o cuidado de esconder os exemplares  d’A Classe Operária, o jornal da organização clandestina a que eu pertencia (a AP-ML, ala vermelha maoísta do PC do B, a mesma que fazia a Guerrilha do Araguaia, no Pará).
Os jornais estavam enfiados no meio dos meus livros numa estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existiam em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973.
Já relatei o que eu fazia como militante*. Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS!* (O primeiro texto fala em 30 anos. Eu fui fazer as contas, são quase 40 anos, desde que comecei a mentir sobre os ‘maus tratos’. Façam as contas, fui presa em 20 de junho de 73. Em 2013, terão se passado 40 anos.)
Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos (por pudor, limitei-me a dizer que foram poucos, é verdade), que me deram socos e empurrões, interrogaram-me com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu passava noites ouvindo “gritos assombrosos” de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram – achei, depois, que fosse gravação – e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado).
Eu também menti dizendo que meus algozes, diversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um ‘trauma de escadas”, imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse.
Quanto aos ’socos e empurrões’ de que eu dizia ter sido alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos inquisidores; afinal, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Eu sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: “Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto”.
Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles 10 dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de “vítima da repressão”. A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, ameaças, gritos, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).
Torturada?! Eu?! Ma va! As palmadas que dei em meus filhos podem ser consideradas ‘tortura inumana’ se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI.
Que teve gente que padeceu, é claro que teve.  Mas alguém acha que todos nós que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido ‘barbaramente torturados’ falávamos a verdade?
Não, não é verdade. A maioria destas ‘barbaridades e torturas’ era pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos ‘barbaramente torturados’ e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de ‘torturado’, ou seja, mentira. Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: “quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre.”
Na verdade, a pior coisa que podia nos acontecer naqueles “anos de chumbo” era não ser preso(sic). Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.
Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de hérois e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer.
E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e ‘amarelões’ que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os “ômi”. Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.
Quando um dia, durante um interrogatório, perguntaram-me  se eu queria conhecer a ‘marieta’, pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que ‘marieta’ era uma corruptela de ‘maritaca’, nome que se dava à maquininha usada para dar choque elétrico). Eu não a quis conhecer. Abri o bico, de novo.
Relembrar estes fatos está sendo frutífero. Criei coragem e comecei a ler um livro que tenho desde 2009 (é mais um que eu ainda não tinha lido): “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”, escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Editora Ser, publicado em 2007. Serão quase 600 páginas de ‘verdade sufocada”? Vou conferir.
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Pode parecer incrível que alguém renegue a tortura e os assassinatos generalizados que ocorreram então, nos anos mais duros de uma ditadura que tardou duas décadas inteiras para acabar, mas o fato é que absurdos como esses são ditos reiteradamente na grande imprensa e até na televisão, no rádio etc.
As centenas de mortos e desaparecidos, os sobreviventes dos centros de tortura que carregam até hoje no próprio corpo as marcas das sevícias, as matérias jornalísticas, os livros e até as provas fotográficas da selvageria burra dos militares como a foto do jornalista Wladimir Herzog em cena de “suicídio” no DOI-CODI que uma criança de dez anos poderia concluir facilmente ser uma farsa, o texto supra reproduzido desmente.

Aí se entende não só a motivação obstinada para se instalar uma Comissão da Verdade também no Brasil, a exemplo do que já foi feito em países como Chile ou Argentina, que experimentaram processos ditatoriais análogos ao que este país viveu, mas, também, entende-se a crença de muitos no sentido de que, apesar das queixas quanto às condições que a Comissão terá para apurar fatos, é uma vitória que ela ao menos tenha sido constituída.
A Comissão da Verdade pretende sepultar para sempre barbaridades como esse texto mitômano que tive o desprazer de reproduzir, barbaridades feitas sob medida para livrarem do opróbrio eterno os esbirros da ditadura que, com sua impunidade e mentiras, continuam conspurcando e torturando a nação até hoje.
Essas tentativas incessantes de esconder a verdade que continuam mobilizando os que praticaram os crimes que a Comissão da Verdade pretende apurar permitem refletir que a ditadura que emanou do Golpe de 1964 não deve ser inscrita na história apenas como selvagem, mas como uma ditadura envergonhada dos crimes que cometeu.

domingo, 20 de novembro de 2011

BELO MONTE DE INÚTEIS

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
A contragosto – porque o assunto é chato e inútil – e a pedido de um amigo virtual assisti a uma peça publicitária que circula na internet. No vídeo, um bando de playboys e socialites militontos – autoproclamados “artistas”, mas que não passam de arroz-de-festa – destilam baboseiras sobre a futura usina hidrelétrica de Belo Monte.
Por falta do que fazer, abraçaram causa pseudo “ecológica” e doaram um tiquinho do tempo que passam torrando dinheiro em shoppings para gravar um vídeo em que o bando de branquinhos, loirinhos de classe média alta se atira à defesa de “índios” em uma peça que, se tirarem som e legendas, facilmente pensarão que foi produzida na Noruega.
Gente que provavelmente, em boa parte, nunca viu um índio de perto defendendo “índios”. Gente que só conhece por fotos a região da futura usina dando ao governo a receita “brilhante” de que, em vez de construir hidrelétricas, aumente o parque energético do país com energia “eólica” ou “solar”. Um país que tem, “apenas”, 8.514.876 km²…
O bando de “atores” e “atrizes” da Globo, porém, não teve nenhum surto de consciência social. Está apenas “trabalhando”, porque a mesma grande mídia golpista, racista e de ultradireita que vive tentando inventar um “apagão” como o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou acontecer, é contra Belo Monte.
O vídeo é uma empulhação do começo ao fim porque deixa a sensação de que a usina hidrelétrica destruirá uma região que deve ser preservada, sim, mas que tem que dar ao país ao menos essa tão necessária fração das riquezas naturais que encerra. Fizeram o mesmo com as obras no Rio São Francisco, pois são obras que colocarão o Brasil no século XXI.
Apesar de Lula ter investido pesadamente em geração de energia elétrica de forma a reverter o desastre energético que herdou de FHC, este país está no limite de sua capacidade de geração de energia. Em uma década, se tanto, sem uma matriz energética ampliada este país para. Não haverá energia eólica, solar ou nuclear que baste, sem novas hidrelétricas.
Onde vamos construí-las? Na Barra da Tijuca ou nos Jardins, onde habitam as socialites e playboys da tal peça publicitária que me consumiu preciosos minutos da vida mortal?
Com a pujança econômica que este país vem exibindo em um mundo embasbacado com ela por estar atravessando a pior crise econômica desde o início do século passado, não construir hidrelétricas capazes de sustentar esse crescimento, sobretudo em um país tão carente de redução da pobreza, seria um crime de lesa-pátria igual ao que cometeu FHC.
Que fique claro: para um país deste tamanho, energia hidrelétrica é a única alternativa de curto prazo, sendo as energias nuclear, eólica ou solar um legítimo delírio, porque jamais haveria como suprir dessa forma uma demanda energética que cresce em escala geométrica e que deve crescer ainda mais rapidamente nos próximos anos.
Não precisam acreditar em mim. Busquem informação com qualquer especialista e perguntem se há como suprir com energia nuclear, vento ou luz do sol a demanda descomunal por energia que tem hoje o país. É uma farsa, pois, acenarem com moinhos de vento ou com caríssimos painéis solares equipando casas, fábricas, comércio, hospitais etc.
O que revolta mesmo, porém, é usarem “os índios”. Será que um país deste tamanho não tem condições de oferecer outro local para as populações daquela região? Claro que se fosse verdadeira essa empulhação dos empregados da Globo de que o governo pretende jogar “os índios” no meio da rua, eu estaria entre os primeiros a cobrar consciência social. Mas é mentira.
Toda essa farsa se explica porque, ao lado do fracasso da Copa de 2014 ou de uma recessão causada pela crise internacional, um “apagão” energético neste governo, de preferência igual ou pior do que o produzido pela inépcia de FHC, está entre os objetos de desejo dessa direita insana que tenta recuperar o poder ao custo da literal sabotagem do país.
Se alguém quiser perder algum tempo de sua vida, eis, abaixo, essa peça patética que me fizeram assistir. Mas não deixe de ler, também, Belo Monte e o pensamento binário.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

VEJA ILUSTRA POR QUE A MÍDIA PRECISA DE LEIS

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
O silêncio da grande imprensa em torno dos fatos que culminaram com a reportagem de capa da edição da revista Veja desta semana, tem duas explicações: a primeira é a de que a matéria é um amontoado de suposições e de “escandalização” do nada; a segunda, é o crime que o veículo cometeu na tentativa de conseguir alguma sustentação para o que publicou.
A matéria, primeiro. Constata que José Dirceu tem relações com políticos do PT, alguns dos quais estão no governo. A matéria poderia ter ido mais longe. Dirceu tinha relações com Lula quando presidente e agora tem com Dilma. Se ela não o visita, ele a visita. O fato de ele estar sendo investigado no inquérito do “mensalão” não o impede de ter relações políticas.
Tudo passaria como apenas mais uma demonstração de jornalismo irresponsável e antiético entre tantas outras que a revista da família Civita já deu. Desta vez, porém, ocorreu um fato espantoso, a despeito das suposições da revista sobre irregularidade que inexiste no fato de Dirceu se reunir com membros de seu partido ou de outros. Esse fato é o gerador do silêncio.
A Veja foge de se aprofundar no fato de ter hospedado seu jornalista no hotel em que José Dirceu se reúne com políticos em Brasília e de que este tentou invadir o apartamento do ex-ministro. Entrar no apartamento alheio em um hotel enganando a camareira, é crime. Pouco importa o que Dirceu estava fazendo.
Mesmo se o repórter tivesse conseguido esconder um equipamento de escuta no quarto de Dirceu, ou uma câmera, ou coisa que o valha, nada do que obtivesse por tais métodos seria legal. Na verdade, seria criminoso.
Há dúvida de que o repórter da Veja tentou invadir o quarto? Os testemunhos de funcionários do hotel não valem? O Boletim de Ocorrência não é nada? O fato de o repórter ter pedido para ficar no quarto ao lado do de Dirceu, não indica nada? Há alguma diferença entre os métodos da Veja e os do jornal britânico The News of the World?
E o principal: quem investigará o que ocorreu? A Polícia Federal? A de Brasília? O Congresso? A classe política aceitará que órgãos de imprensa invadam suas casas em busca de provas contra seus membros? É democrático e republicano que se possa invadir a casa de alguém sem ordem judicial, sem sustentação nenhuma?
O cerne da questão é a regulação da imprensa. A “reportagem” da Veja deixou claro que a brasileira usa métodos iguais ou piores dos que já se vai descobrindo que eram usados por parte da imprensa britânica e que, por lá, estão gerando um escândalo de proporções gigantescas, que inclui até prisão de jornalistas.
E ninguém fala em “censura”, por lá.
O que a Veja acaba de fazer só comprova que este país não avançará sem leis específicas e abrangentes para o exercício da atividade jornalística e sem limites éticos a tal atividade, e que não se pode justificar que a imprensa cometa crimes alegando que os comete para combater outros supostos crimes.
O silêncio em torno da constrangedora matéria da Veja e do ataque criminoso da revista não esconde pudor, mas consciência de que, se esse debate avançar, ficará muito claro o caráter imprescindível de um projeto de lei com regras e limites ao exercício da atividade jornalística e com mecanismos de punição de excessos como o que acabamos de ver.
Se mesmo com a comprovação cabal de que a imprensa brasileira comete crimes iguais ou piores do que os da britânica o governo Dilma não enviar de uma vez ao Congresso um projeto de lei de regulação da mídia, haverá uma crise institucional no Brasil. E todos nós sabemos como sempre acabaram as crises institucionais neste país.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O TEMPO SE ESVAI . . .

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Dilma Rousseff deve a sua eleição a um slogan de campanha que fez todo o sentido para este povo. Dizia que deveríamos votar na candidata indicada por Lula “Para o Brasil seguir avançando”. Aos poucos, porém, o que vai parecendo é que há uma diferença abissal entre o que a maioria da sociedade entendeu e o rumo que este governo está tomando.
“Seguir avançando”, para a presidente parece ser uma coisa e para os diversos setores da sociedade que a elegeram parece ser outra. E mais: para cada um desses setores, esse bordão significa uma coisa diferente.
Acabar com a miséria no Brasil é um grande objetivo, mas não pode ser o único. Há avanços que alguns setores esperam e que não se resumem a ter dinheiro no bolso para consumir.
Há quem espere, por exemplo, que, ao fim do mandato da presidente Dilma, o país tenha uma educação apenas fraca em vez catastrófica. Há quem espere que tenhamos um serviço público de saúde que não trate a população pior do que gado de raça, que, aliás, freqüentemente é muito mais bem tratado do que os humanos.
E há, até, quem espere que, até 2014, tenhamos uma comunicação de massas que sirva ao país em vez de servir-se dele.
O governo Lula foi um sucesso estrondoso porque fez o país dar um salto. Hoje, enquanto o mundo rico afunda, o Brasil nada de braçadas. Isso em um país que este blogueiro, aos 51 anos de idade, só viu fora de crise de alguns poucos anos para cá. Um país em que a maioria deixou de ser pobre e se tornou remediada.
Pode parecer pouco, mas diante do país de 2002 é um salto gigantesco.
Mas que salto o Brasil dará, nos próximos anos? Continuaremos a ter uma legião de analfabetos mais populosa do que as populações da maioria dos países vizinhos? Meia dúzia de bilionários continuarão fazendo das concessões públicas de rádio e tevê um instrumento de defesa de uma elite minúscula que concentra parte indecente da renda nacional?
Não há promessas além da de acabar com a miséria. Não que seja pouco, mas no estágio a que o país chegou ao fim do governo Lula, é insuficiente. Não se está falando de um salto, propriamente. No máximo, será um passo mais largo. Isso se ocorrer.
É pouco.
As tensões já se manifestam inclusive entre os setores majoritários e diversificados da sociedade que apoiaram o governo Lula. A sensação que se tem é a de que o país é dirigido pelo piloto automático. Segue no rumo, mas não salta e não nos é feita a promessa de que irá saltar.
Não admira que dia sim, outro também a mídia martele a idéia de que Dilma recuou. Prestem atenção que todos irão notar que esse é o mote do discurso da direita que luta para retomar o poder com um só objetivo: impedir a distribuição de riquezas.
Dilma não quer marola, não quer contrariar a elite. Por isso, tenta se fingir de morta e deixar o país navegar no piloto automático no qual Lula programou o rumo. Acredita que chegará a 2014 com o país menos pobre, consumindo mais e que, assim, todos ficarão satisfeitos.
O ser humano não é assim. Tende a querer mais. Se o governo continuar nesse ritmo pouco ambicioso, a direita retomará o poder. O salto da era Lula já terá sido esquecido e os ganhos que propiciou já terão sido contabilizados. A cada dia que passa, o passado em que a direita governava ficará mais distante e o que já se conquistou será visto como “o mínimo”.
Falta ambição, a este governo. E falta coragem. Isso já está claro. Dilma cede, cede e cede. Nos seus primeiros seis meses de governo não fez outra coisa além de ceder às pressões da elite midiática conservadora.
Neste momento, estamos vendo uma nação milenar como a Inglaterra se reinventar. O escândalo na imprensa britânica fará o país dar um salto na comunicação que enterrará o poder de desmandos do maior instrumento das elites contemporâneas, a imprensa.
A Europa toda deve ver esse salto acontecer. E o que é pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista: aqui mesmo, na América do Sul, boa parte dos países já está chegando ao patamar minimamente civilizado da comunicação que há no mundo rico. Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela, pelo menos, já criaram regras de Primeiro Mundo para as suas mídias.
Um oitavo do governo Dilma passou e não se vislumbra que o país saia do piloto automático. Com essa mídia que temos, bastará algum problema na economia para a direita retomar o poder e inverter os avanços sociais e o processo redistributivo.
Promessas mentirosas de avanços em meio a um ritmo morno de governança terão sucesso onde o denuncismo sempre falhou. Quanto tempo irá demorar até a oposição reacionária e sua mídia acordarem e darem espaço a novas lideranças que tenham algum projeto verossímil – ainda que falso – de país para apresentar no lugar de denúncias que não colam mais?
O tempo se esvai e Dilma o gasta como se dispusesse de todo o de que precisa. Preciosos seis meses foram gastos com crises políticas artificiais que poderiam ser criadas em qualquer governo simplesmente porque qualquer governo sempre terá algum espertinho tentando se locupletar. A presidente parece não ter a menor noção de tempo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

IMAGINEM SE FOSSE O DUNGA

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Luiz Antônio Venker Menezes, mais conhecido como Mano Menezes, assumiu o comando da Seleção Brasileira em 23 de julho do ano passado. Substituiu o técnico Dunga após a derrota do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Desde então, a equipe que treinou não logrou vencer um só adversário de peso.
A primeira partida da Seleção sob o comando de Menezes foi contra os Estados Unidos, equipe reconhecidamente fraca que vencemos por 2 a 0. Para aquela partida, convocou-se os tão pedidos Neymar e Paulo Henrique Ganso, que não foram para a Copa do Mundo e provocaram verdadeira crucificação de Dunga pela mídia, muito mais por sua briga com a Globo durante o Mundial de 2010.
O segundo jogo da Seleção foi contra a equipe reserva do Barcelona, que o Brasil venceu por 3 a 0. Depois venceu o Irã por 3 a 0 e a Ucrânia por 2 a 0.
Apesar dos adversários, a mídia passou a exaltar Menezes pelo “feito” de ter conseguido três vitórias em suas três primeiras partidas, dizendo que isso não acontecia desde Carlos Alberto Parreira na década de 90. A exaltação não levou em conta que os jogos foram contra adversários para lá de pífios.
A quarta partida da seleção sob o comando de Mano Menezes foi contra a Argentina, em novembro do ano passado. O Brasil perdeu por 1 a 0. Neste ano, em fevereiro, voltamos a perder da França, desta vez por 1 a 0 em um jogo amistoso.
Em março, o Brasil voltou a vencer outro adversário pífio, a Escócia, por 2 a 0. A seleção ainda jogou os amistosos preparatórios para a Copa América, empatando contra os Países Baixos (0 a 0) e vencendo a Romênia (1 a 0).
No primeiro torneio do novo técnico, a Copa América de 2011, os resultados foram medíocres. Empatamos contra a Venezuela (0 a 0) e contra o Paraguai (2 a 2). E foi só vencermos a pífia seleção do Equador (4 a 2) para a mídia voltar a exaltar o técnico que as más línguas dizem que a Globo impôs a Ricardo Teixeira.
Apesar do linchamento da mídia contra Dunga, a Seleção treinada por ele venceu 21 dos 26 jogos amistosos que disputou, conquistou a Copa América de 2007, a Copa das Confederações de 2009 e foi a primeira colocada nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. E a Seleção Olímpica, que Dunga também treinou, venceu oito dos nove jogos que disputou.
A mera comparação das críticas da mídia contra Dunga com o tratamento dispensado a Menezes, que não conseguiu vencer um só jogo contra um adversário de peso, diz tudo sobre a derrota vergonhosa sofrida pela Seleção neste domingo diante do Paraguai, quando o Brasil perdeu nada mais, nada menos do que QUATRO pênaltis consecutivos.
Quem acha que a mídia – sobretudo a Globo – só prejudica o Brasil no que diz respeito ao seu partidarismo político, agora pode ver que, ao fazer de Ricardo Teixeira o dirigente eterno da Seleção, prejudica este país em muitas outras áreas. Política e futebol são apenas duas delas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

NEM TODA UNANIMEDADE É BURRA

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Há um fenômeno tremendamente danoso à democracia que se abateu sobre o Brasil. No grande debate público da história recente vêm se formando ondas, correntes de opinião esmagadoras que se valem da chantagem e da intimidação ideológica para conduzirem as pessoas àquela posição única considerada “aceitável”.
A virulência contra quem não adere a consensos que reúnem a grande mídia e as correntes político-ideológicas de A a Z se traduz por menoscabo, bastando citar que alguém não concorda com a premissa impositiva de turno para automaticamente desqualificá-lo moralmente.
Note-se, aqui, que não se fala de truísmos, verdades incontestáveis ou evidentes por si mesmas, tão óbvias que não precisam sequer ser mencionadas. É um truísmo dizer que a pedofilia é uma monstruosidade, uma violência inominável. Não é um truísmo considerar alguém culpado sem provar a sua culpa.
Simples assim.
Em vários episódios recentes da política, por exemplo, começaram a se formar ondas contra isto ou aquilo que não enfrentaram praticamente nenhuma resistência entre os formadores de opinião – ainda que não existam provas de que a maioria da sociedade venha seguindo essas “lideranças” opinativas que apresentam polêmicas como se fossem truísmos.
Foi assim, por exemplo, no caso Palocci. Apesar de ser, inquestionavelmente, alguém sem ligações com o poder, com partidos ou sindicatos, os inevitáveis desafetos que minhas opiniões me geram passaram a me atacar pela discordância daquela demissão da forma como ocorreu.
Por não concordar com a queda do principal ministro de Dilma no quinto mês de seu mandato de quatro anos, a mera citação de que não apoiei sua derrubada pretendeu me colocar como uma espécie de cúmplice intelectual dos pecados atribuídos ao ex-ministro.
De novo, agora nesse caso da fusão dos supermercados Carrefour e Pão de Açúcar, formou-se – em escala inferior, mas fortemente impositiva e abrangente – outro desses consensos dos quais ninguém quer divergir para não ser “enquadrado” como defensor do indefensável, apesar de ter objeções.
No sábado, 2 de julho, jornais trazem manchete que soterra um desses consensos intimidadores, açodados e autoritários que não cobram apenas concordância, mas profissões de fé públicas. Surgiram fortes evidências de que o ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Khan pode ser inocente da acusação de estupro.
Devido ao caráter hediondo desse tipo de crime, pôr em dúvida a acusação de uma mulher negra e humilde, a camareira que Strauss-Khan teria “estuprado”, era temerário. Afinal, o estupro sempre foi um dos crimes que mais ficaram impunes.
Surgindo a hipótese de um homem branco, rico, influente e europeu ter violado uma mulher negra, pobre e imigrante de um país africano, não havia escolha: seria inaceitável duvidar da ocorrência do crime mesmo diante de elementos que gritavam para ser notados. Como fiquei em dúvida, cheguei a ser chamado de defensor de estuprador.
Como já disse, nem toda unanimidade é burra. Não é burrice que todos julguem a pedofilia um crime inominável, mas é burrice e injustiça condenar uma pessoa só pela gravidade de uma acusação. Quando se quer destruir alguém com acusação falsa, essa acusação tem que ser grave mesmo.
Este blog surgiu em um desses momentos de catarse que vão ganhando força e unanimidade. Surgiu durante o escândalo do mensalão, em 2005. Aliás, surgiu por conta dele, pois as forças progressistas da nação estavam intimidadas pelas evidências de que o partido que sempre se apresentara como exemplo de ética havia infringido os próprios dogmas.
Criei este espaço em 2005 justamente para dizer o que ninguém queria dizer, que julgava que estavam transformando um caso envolvendo alguns parlamentares governistas que receberam doações de campanha “por fora” em um esquema de suborno de parlamentares pelo governo. E achava que o objetivo era o de derrubar aquele governo.
O jeito que encontrei para nadar contra a corrente foi reunir aqui pessoas que pensavam como eu mas que tinham medo de se manifestar porque a onda que se formara em favor daquela premissa única que engolfava o país tratava de criminalizar qualquer discordância.
Nesses casos recentes relatados, bem como na época da criação deste blog, recebi inúmeras mensagens privadas daqueles que discordavam dos consensos impositivos, mas não tinham coragem de dizer. Sentiam-se intimidados porque, dizendo o que pensavam, logo alguém trataria de transformá-los, por exemplo, em mini Paloccis.
Você não deve divergir só por divergir, só para ser do contra. Mas não pode jamais concordar só para não ser estigmatizado por sua opinião divergente. Quando você enxerga que a corrente daquele rio o levará a despencar do alto de uma catarata, por exemplo, só lhe resta nadar contra ela. Por mais cansado que esteja.
Nem toda unanimidade é burra. Só aquela que é imposta a quem discorda. Essa, além de burra, é ditatorial. Não se esqueça de que toda e qualquer corrente nunca será mais forte do que o mais fraco de seus elos. As correntes não podem prescindir de cada um de seus segmentos. Um elo que se rompe destrói a corrente inteira.
Correntes podem ser bem ou mal usadas. Podem aprisionar ou sustentar. Se não gosta do uso que está sendo feito daquela corrente, seja seu elo de ruptura. Não tenha medo. O único medo que deve ter é o de ser acorrentado por aquilo em que não acredita.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Antes de tocar o barco, vale fazer um esclarecimento. Por muito tempo, a blogosfera vinha sendo acusada de ter uma voz única e governista. O caso Palocci mostra que não é verdade. Aliás, tanto não é verdade que vários blogueiros companheiros meus estão sendo acusados injustamente de terem “se vendido” ou “mudado de lado”.
Divirjo de todos os que queriam Palocci fora do cargo pela questão levantada pela Folha de São Paulo e turbinada pelo resto da grande mídia, ainda que alguns consigam ver na Globo ou na Veja algum tipo de boa vontade com Palocci que reportagens absurdas como a da revista no fim de semana sobre o apartamento alugado pelo ex-ministro mostram que inexiste.
Todavia, foram tantos atores diferentes que se inclinaram pela derrubada de Palocci que é perigoso colocar todos no mesmo saco ou começar a chamar as pessoas de “traidoras”.
Algumas dessas pessoas que estão sendo acusadas por divergirem dos que queriam presunção da inocência e provas contra o ex-ministro, conheço muito bem. Os outros blogueiros que comigo militam na organização do Encontro Nacional de Blogueiros, por exemplo.
Posso lhes dar a minha opinião? Acho um show que Azenha, Renato Rovai, Leandro Fortes, Maria Fro, Rodrigo Vianna e Paulo Henrique Amorim mostrem que é mentirosa essa história de que são governistas ou oposicionistas. Eles têm a opinião deles, respeito, e tenho a minha. E sei que as deles são legítimo produto da mais pura convicção.
Há gente de má fé que quis a queda de Palocci. Muita gente de má fé. Mas há gente que acredita que está fazendo o melhor ao chegar ao ponto de ter opinião análoga à da mídia e da oposição. A sua opinião pode coincidir, mas tem origem diametralmente diferente.
A dúvida de algumas pessoas sobre isso me preocupa porque os objetos dessa visão podem ficar marcados por terem mantido uma opinião por nela acreditarem sem que existisse razão oculta para acalentá-la.
Não quero particularizar a questão. Só acho que todos temos que ter cuidado ao julgar uma opinião como bem ou mal-intencionada. O quadro político é muito complexo – e continua se complicando – e todos, em algum momento, podem ter posições que divirjam deste ou daquele grupo.
O caso Palocci, em si, nem importa neste texto. Escrevo pelo direito de se pensar como se quer sem ser acusado de postura antiética. Essa é uma caça às bruxas que não leva a lugar nenhum.
Tenho preocupações com esses movimentos massificados em que todos falam a mesma coisa. Quando toda a mídia, toda a oposição e até setores do partido do governo falam a mesma coisa e não há, nesses grandes meios, espaço para o contraditório, se não se produzir o contraponto prevalece um debate burro.
Este blog foi criado para impedir que o pensamento único se disseminasse. Foi isso o que fez agora, mas não é possível que, como subproduto dessa ação, tenhamos uma difamação de quem achou que o lado certo era o que coincidiu com o da direita midiática e, assim, teve a coragem de enfrentar até parte de seu próprio público.
Às idéias, companheiros. As pessoas são detalhes, mas nem por isso podem deixar de ser tratadas como pessoas. Essa é uma postura na vida que interessa a todos, e por razões muito mais do que óbvias.

domingo, 5 de junho de 2011

GUILHOTINA CEGA DO JN FALHA AO TENTAR DECAPITAR PALOCCI

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”
Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania.
Cada um viu o que quis, mas a maioria viu o que não queria mesmo sem enxergar um palmo diante do nariz.
As previsões eram de que a entrevista de Antonio Palocci ao Jornal Nacional seria o golpe de misericórdia que ele receberia – ou daria em si mesmo, pois, segundo um importante analista, o ministro teria optado pela “guilhotina”.
Não foi o que se viu. E pude confirmar isso indo ao Twitter provocar opiniões sobre a entrevista.
Apesar de alguns mais inconformados com o fato de que acusar quando o acusado se defende é mais difícil terem optado por teimar que teria havido a materialização da decapitação, a maioria reconhecia que Palocci fora bem, sim, mas atribuía ao fato de que a Globo o teria “ajudado”.
Diante disso, coube-me uma pergunta óbvia: se o JN aliviou, não fez as perguntas que devia, o que você perguntaria ao ministro para, digamos, arrasá-lo ao vivo e à cores? Recebi dezenas de mensagens. Dezenas. E nenhuma resposta.
Palocci foi bem simplesmente porque se manteve calmo e porque mostrou ao repórter Julio Mosquera e ao público que toda aquela história de que ele estaria “se escondendo” não se justificava, como se viu.
E o que se viu, em vez da decapitação, foi quase um chá das cinco ao melhor estilo bretão.
Palocci deixou claro que todas as perguntas que lhe fazem sobre quem são seus clientes, quanto lhe pagaram etc. serão respondidas aos “órgãos de controle”, ou seja, à Procuradoria-Geral da República, ainda que esta já tenha avaliado os dados antes de ele entrar no governo.
Logo, os pistoleiros do PIG começaram a rever a teoria da decapitação. O ministro, provavelmente, não cairia mais. A decapitação não ocorreria já, apesar de que era dada como favas contadas.
Pode ser, claro, que ocorra por razões políticas, sem provas, mas será dado à direita midiática e à manada útil o direito de punir alguém sem julgamento, sem provas e sem meros indícios.
E há outro motivo pelo qual a decapitação de Palocci não ocorrerá. Reportagem da revista IstoÉ de 1999, sobre o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, ajudará a entender por que.
Fraga deixou de receber um salário 20 vezes maior como empregado do mega investidor George Soros para trabalhar no governo FHC por 7 mil reais. À diferença de Palocci, porém, ninguém exigiu maiores explicações sobre a razão da troca de emprego.
Leiam, abaixo, a reportagem. Os mais sagazes entenderão tudo rapidamente, outros precisarão de explicação para entender e alguns não entenderão simplesmente porque não querem, o que não mudará nada.
Revista IstoÉ.
N° Edição:  1532 |  10 de fevereiro de1999.
Ao mestre com carinho.
Ligação com o especulador George Soros é virtude e defeito de Armínio Fraga, novo presidente do BC.
ANDRÉ VIEIRA.
Dinheiro em dobro. Foi o que garantiu Armínio Fraga Neto, o novo presidente do Banco Central (BC), aos investidores que lhe confiaram suas poupanças no final de 1992. Quem investiu a quantia de US$ 100 mil no fundo Quantum Emerging Growth – gerido por Fraga – colheu cerca de US$ 199 mil em dezembro, mesmo com a quebradeira generalizada dos países emergentes, como México, os Tigres Asiáticos e a Rússia neste período. O desempenho só não foi melhor porque o fundo perdeu 29,4% em 1998. Experiente operador, Fraga deveria causar uma sensação de bem-estar à frente da mesa de operações do BC, exceto por um detalhe. Quem irá preservar o valor da moeda mais derretida dos últimos tempos – o real –, afastando do

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Há um homem público que, apesar de ser apenas um homem, honrou todos os votos de confiança que venho lhe dando desde 1989. Esse homem que a tantos assustou durante tanto tempo, que já foi considerado um louco que incendiaria o país, desde que surgiu na política sempre me passou confiança, sinceridade e uma coragem épica.
Sim, sou o que chamam de “lulista”. Porque todas as nações, todos os povos, durante toda a história da humanidade sempre seguiram líderes. E Lula é o meu líder político. Apesar de não concordar com absolutamente tudo o que diz – discordo de sua recusa em reagir a certos ataques da forma cabível –, em questões sobre as quais só ele tem condições de opinar eu o sigo sem pestanejar.
O caso Palocci é um daqueles em que a opinião de Lula pesa muito sobre a minha. Quando ele diz que se a mídia e a oposição conseguirem derrubar Palocci passarão os próximos quatro anos derrubando ministros e inviabilizando o governo Dilma, acredito.
Apesar dos amigos queridos que discordam de mim, não posso ceder ao rigor ético deles quando diverge tanto do meu, apesar de respeitar a todos os que, de boa fé, crêem na lenda que a direita midiática está conseguindo vender de que derrubar o principal ministro de Dilma aos cinco meses de gestão seria “bom” para o seu governo.
Lula defende Palocci e grande parte daqueles que o seguiram quando defendeu Sarney, por exemplo, agora recusam a sua liderança. É perfeitamente aceitável. É direito de cada um. Contudo, será direito dele, como fiquei sabendo, aposentar-se da política se a sua intuição não for seguida.
Esse homem pelo qual lutei para que governasse este país sabe tudo o que Palocci fez nos verões passados. Nomeou-o quando governava e foi por sua influência que foi nomeado neste governo para o segundo posto depois da presidente Dilma. Se acreditasse que Lula defenderia um corrupto, deixaria de me envolver em política.
Mas não só. Como não acredito que Lula defenderia Palocci sem uma boa razão, se o meu líder político deixar a sua militância devido a esse episódio, terá a minha companhia.
Há muito tempo que penso em me dedicar à literatura. Meu sonho sempre foi escrever um romance e vê-lo publicado. Posso muito bem criar um blog para começar a enveredar pela arte. Literatura, pintura, poesia, crônicas, contos… É a isso que me dedicarei se o presidente Lula se aposentar da política pelo caso Palocci.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Á CLASSE MÉDIA ARROGANTE E ILETRADA

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Se você é da classe média arrogante, iletrada, que gosta de entremear suas frases com expressões em inglês como o ridículo feedback e outros estrangeirismos idiotas e ficou se achando muito inteligente por conseguir compreender que infringe a norma culta dizer “os livro”, agora chegou a hora de você descobrir o mico que pagou ao criticar o livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloisa Ramos, adotado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Abaixo, sob dica do blogueiro Miguel do Rosário, reproduzo vídeo do programa Entre Aspas, da insuspeita Globo News, no qual a apresentadora Monica Waldvogel tomou uma surra lingüística de gente que tem credenciais para julgar esse caso. Descubra agora o mico que você pagou. E não esqueça de que foi avisado por pessoas como eu, o Miguel e outros que aprenderam a se relacionar com o idioma de forma não-arrogante, porque é assim que vemos o povo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

EM DEFESA DO EX-PRESIDENTE LULA

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Meu nome é Eduardo Guimarães. Tenho 51 anos, quatro filhos (duas moças, uma menina e um rapaz), uma neta (10 anos) e uma cadelinha poodle. Sou natural de São Paulo e residente na cidade desde que nasci. Trabalho com comércio exterior e jamais tive ligações políticas ou financeiras com partidos, sindicatos ou corporações que não fossem de direito privado.
Em 2005, tornei-me blogueiro e, posteriormente, passei ao ativismo político independente fundando a ONG Movimento dos Sem Mídia. Enveredei por esse caminho porque julguei que um governo que estava realizando o que sempre esperei que um governo brasileiro realizasse estava incomodando setores abastados da sociedade que tendiam a impedir distribuição de renda que aquele governo promoveu e, assim, tentavam derrubá-lo.
Após os oito anos do governo Lula, aqueles mesmos setores, agora tentando se valer da ajuda do Ministério Público e de juízes de diversas instâncias (inclusive do STF), parecem dispostos a destruir o ex-presidente a qualquer preço, se possível tornando-o inelegível por meio de processos penais por “corrupção”, pois temem que volte a se candidatar em 2014 ou até em 2018.
Recentemente, várias acusações mal-fundamentadas têm sido feitas pela imprensa e por seções estaduais do Ministério Público, com destaque para a polêmica dos passaportes dos filhos do ex-presidente e tentativas de vinculá-lo ao inquérito do “mensalão”, que tem previsão de ser julgado entre o fim deste ano e o próximo.
No caso dos passaportes, os jornais andaram requentando o caso porque os familiares de Lula, amparados pelo Itamaraty, que lhes atesta a legalidade e a regularidade (dos passaportes), vêm se recusando a devolver os documentos. Setores do Ministério Público ligados ao PSDB e ao DEM tentam, em conjunto com setores da imprensa, passar a idéia de que haveria alguma decisão da Justiça sobre o caso, mas o que há é só uma reclamação daqueles setores do MPF.
Agora, um procurador do RS que tem uma longa história de oposição desabrida ao ex-presidente Lula quer envolvê-lo no escândalo do mensalão. Detalhe, o procurador em questão foi denunciado no Amapá por diversos crimes segundo o blog Ponto e Contraponto, cuja postagem você pode ler na seqüência deste texto.
Sinto-me no dever de me posicionar politicamente, como cidadão. Não aceito tramóias e julgamentos prévios contra um ex-presidente que, a meu ver, honrou o voto que lhe dei nas urnas. É preciso muito mais do que meras acusações sem forte embasamento probatório para pôr em xeque um homem de vida limpa e obra edificante como Luis Inácio Lula da Silva.
Os que julgam que conseguirão destruir seu legado para a posteridade com base em ilações e acusações sem provas ou verificação de mérito podem ter certeza de que encontrarão oposição firme, decidida e massiva de dezenas de milhões de brasileiros, entre os quais se perfila este cidadão brasileiro em perfeito gozo de seus direitos civis e constitucionais.
Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Mais um degrau foi galgado na escalada de canalhice que começou no fim do ano passado com aquela garota do interior de São Paulo que pregou o assassinato de nordestinos pelo Twitter, passando pelo crime impune de racismo cometido pelo deputado Jair Bolsonaro e que acaba de desembocar na apologia ao estupro pelo integrante do programa CQC Rafinha Bastos.
O “humorista” do programa da TV Bandeirantes faz piadas com estupro, aborto, doenças e deficiência física. Acaba de dizer que toda mulher que reclama de estupro é “feia” e deveria “agradecer” a violência. Segundo os adeptos desse tipo de “humor”, este não pode ser feito sem mau gosto, sem desumanidade e insensibilidade. A “graça” estaria em pisotear os que já foram pisoteados pela vida.
Esse homem, em reportagem do jornal The New York Times, foi considerado a pessoa mais influente do mundo no Twitter. Mas o que isso quer dizer? O que é ser influente nessa rede social que cada vez mais vai abrigando toda sorte de horrores? Significa ser “retuitado”, ou seja, as pessoas que lêem esse tipo de “pensamento” passam para frente, em efeito multiplicador.
Bastos é influente no Twitter porque tem cerca de DOIS MILHÕES de seguidores na rede social e eles não só compram as aberrações que diz, mas as difundem. Ele os influencia, portanto. Ou seja: faz com que essas pessoas, sobretudo jovens, emulem seu comportamento e suas idéias doentias. E o sucesso que vem fazendo só o estimula a ir cada vez mais longe.
Parece bastante razoável, portanto, dizer que a sociedade brasileira – e, sobretudo, nossos jovens – está moralmente doente. Uma geração em que há tantas pessoas frias, cínicas, empedernidas é a que irá governar o Brasil do futuro. Uma geração diferente de todas as que a terão precedido, capaz de rir das desgraças alheias e de pregar atos criminosos como afogar ou estuprar pessoas.
Como sempre, os adeptos dessa “ideologia” virão dizer que seu ícone não disse o que disse, ou buscarão desculpas para alguém que difunde (com inegável sucesso) um tipo de comportamento que, entre as mentes mais fracas, acabará incentivando a que passem da retórica à ação…
Como não é crime desejar, pregar, incentivar o desprezo pelos valores humanos mais essenciais, e como as autoridades de todos os níveis e instâncias parecem não dar a menor bola para o assunto, essa onda amorfa e repugnante só tende a crescer.
Caberia uma campanha publicitária de iniciativa do Estado exaltando valores humanistas e condenando esse tipo de mentalidade. Contudo, devido à sua crescente popularização a classe política demonstra claramente que não pretende se indispor com contingentes tão amplos de cidadãos. Enquanto isso, a onda vai crescendo.
Está se formando uma geração de bestas-feras, insensíveis, truculentas, perversas, que, um dia, terá poder sobre as vidas de todos os brasileiros. E não há autoridade que faça a menor menção de se opor a esse horror por conta dos interesses mesquinhos e da covardia da classe política. Espero não viver o suficiente para ver esse Brasil que está sendo gestado.

terça-feira, 3 de maio de 2011

POR QUE MATARAM BIN LADEN ?

Por Eduaardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
A teia de mentiras com que os Estados Unidos cercaram a ação militar que teria matado Osama Bin Laden impede que se tenha uma única certeza sobre o caso. Não se pode confiar nem no anúncio de que teria sido morto ou na descrição das circunstâncias em que isso teria acontecido.
Bin Laden nem era mais o comandante da Al Qaeda. Estava doente, debilitado e acuado. O bunker em que se escondia, era precário. Apesar de a mídia ter deixado a impressão de que seria uma fortificação à altura do homem que desafiou os EUA por uma década, seu abrigo não lhe permitiu resistir quase nada à ofensiva americana, a qual, cada vez mais, vai parecendo que o assassinou a sangue frio.
Por que o mataram, então? Vivo, Bin Laden teria sido extremamente útil. Poderia fornecer informações preciosas sobre a Al Qaeda. Aliás, um estadista prenderia o terrorista e faria um acordo com ele. Não aceitaria? Duvido. A Al Qaeda, Bin Laden, os EUA, ninguém lucra com aquela loucura toda. Lula faria um acordo com essa turma com um pé nas costas.
O problema são os EUA. Querem sempre ficar por cima. E, além de truculentos, assassinos, covardes, mentem compulsivamente. A desinformação que difundem sobre a “morte” de Bin Laden começou com a divulgação de foto falsa de seu cadáver por autoridades paquistanesas. Em seguida, as pessoas começaram a acordar para todo o resto.
Por que os EUA matariam um arquivo vivo?
Como acreditar que não haveria técnicas para prendê-lo vivo num ataque surpresa?
Por que difundiram a história de que ele teria se escudado, primeiro, atrás DA própria mulher e, depois, DAS mulheres de seu harém, para, ao fim, dizerem que nada disso ocorreu?
Por que se livraram do corpo tão rápido?
Por que não divulgam imagens do corpo?
Os americanos dizem que sumiram com o corpo para impedir que um seu túmulo conhecido se tornasse um local de peregrinação que serviria de incentivo a que outros seguissem seus passos.
É piada, não? Jesus Cristo não tem túmulo. Ah, Bin Laden não é Jesus? Ora, para seguidores fanáticos é, sim. E fotos? Ah, eles dizem que não divulgam para não ferir a sensibilidade da Al Quaeda com imagens tão feias. Parece brincadeira… Querem que o mundo acredite em suas versões sem apresentar nenhuma prova.
Finalmente, depois de tanta mentira, agora dizem que a própria guarda de Bin Laden o assassinou para que não desse informações. Como no caso da ou das esposas, pode ser só mais outra invenção. Aliás, fica difícil achar que não é…
Mas o pior vem agora. Os jornais estampam hoje a ameaça insana que decorre da morte de Bin Laden. A notícia até já envelheceu. Na segunda-feira, eu mesmo escrevia no Twitter que me chegavam links de matérias em inglês e espanhol dando conta de ameaça que o Wikileaks divulgara anteriormente de que, se algo ocorresse com Bin Laden, haveria uma “reação nuclear”. Fui chamado até de “catastrofista” por uma seguidora.
Segundo a ameaça feita antes mesmo de Bin Laden ser (?) morto, a Al Qaeda teria escondido um artefato nuclear na Europa. A notícia foi amplamente repercutida pela agência France Press e por veículos como o jornal alemão Der Spiegel.
É incompreensível, esse “assassinato”. Além de não desarticular a Al Qaeda, pois o alvo tornara-se inócuo, levantou ameaça ao mundo de retaliação (nuclear?) pela organização, ameaça que os jornais todos estampam hoje na primeira página. Por que diabos, então, os EUA “mataram” Bin Laden?

domingo, 10 de abril de 2011

Por Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania.
Sete de abril de 2011 ficará marcado em nossa história como o dia em que um fenômeno que já vinha se anunciando fez do Brasil um país assustador. O jovem que entrou naquela escola em Realengo, no Rio, e disparou contra dezenas de pessoas, matando até crianças, não tinha razões pessoais para fazer o que fez. Agiu por ódio.
Ódio da juventude. Eis um fenômeno que vem se tornando cada vez mais visível desde a campanha eleitoral do ano passado.
Hordas de jovens, no dia em que terminou a eleição presidencial, em 31 de outubro, manifestaram ódio na internet contra negros e nordestinos, culpando-os pela vitória de Dilma Roussseff. Jovens passaram a perpetrar seguidos ataques a homossexuais na via pública, ataques que visavam exterminar as vítimas. No dia da posse de Dilma, jovens pregavam seu assassinato por um franco-atirador…
Agora, neste dia trágico, o Brasil se vê na contingência de ter que implorar por sangue humano para salvar a vida de crianças inocentes.
É emblemático que a tragédia do atirador tenha ocorrido dentro de uma escola. Ainda que a instituição não tenha relação com o que moveu o atirador, o ocorrido simboliza a situação comatosa da educação no Brasil. A escola brasileira jamais foi um ponto de apoio àqueles que, acima de tudo, precisam de orientação para a vida, mas que não recebem nem o básico.
Este país não tem problemas ideológicos e religiosos como têm os Estados Unidos, por exemplo, onde esse tipo de barbaridade ocorre amiúde. O pior que podemos fazer é confundir o que acontece em um país em que o ódio tem uma origem com o que aconteceu por aqui, onde a origem pode até existir, mas provém da perda de valores humanistas por uma geração.
Assistindo ao primeiro capítulo da nova novela do SBT, Amor e Revolução, que versa sobre a ditadura militar, comentei no Twitter como era espantoso lembrar que há poucas décadas este país tinha uma juventude idealista que se dispôs a morrer pela pátria e pelos seus semelhantes acalentando anseios de justiça social.
Não sei o que fizemos com os nossos filhos e netos. Tornaram-se seres avessos a sentimentos, mais frios, mais cínicos, mais hipócritas, sem ideais, materialistas até o âmago. Até nas relações amorosas, hoje cultua-se o sexo muito mais do que o amor. Meninas querem ser “cachorras”, meninos querem ser “bad boys”.
O culto ao ter em lugar de ao ser, a prevalência avassaladora do materialismo, do consumismo e da falta de respeito ao semelhante são o zeitgheist brasileiro, o espírito assustador de uma época em que, cada vez mais, a sociedade brasileira precisa parar, pensar e repensar os seus valores enquanto ainda há tempo, se é que tempo ainda há.

terça-feira, 29 de março de 2011

BOLSONARO E CLUBES MILITARES SÃO FACES DA MESMA MOEDA

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
Os clubes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica divulgaram, na tarde da última segunda-feira, nota conjunta para lembrar os 47 anos do movimento ilegal que derrubou do poder o presidente João Goulart por meio de golpe de Estado e que deu início ao regime militar, que durou até 1985, portanto mais de 20 anos.
A nota em questão foi mais uma da série de atos iguais que esbofeteiam a nação periodicamente ao exaltarem o regime criminoso que afundou o país, matou, torturou e roubou desbragadamente sem que ninguém pudesse dizer uma vírgula. Leiam essa peça patética, abaixo, que, em seguida, sigo comentando:
Há quarenta e sete anos, nesta data, respondendo aos reclamos da opinião pública nacional, as Forças Armadas Brasileiras insurgiram-se contra um estado de coisas patrocinado e incentivado pelo Governo, no qual se identificava o inequívoco propósito de estabelecer no País um regime ditatorial comunista, atrelado a ideologias antagônicas ao modo de ser do brasileiro.
À baderna, espraiada por todo o território nacional, associavam-se autoridades governamentais entre as quais Comandantes Militares que procuravam conduzir seus subordinados à indisciplina e ao desrespeito aos mínimos padrões da hierarquia.
A história, registrada na imprensa escrita e falada da época, é implacável em relatar os fatos, todos inadmissíveis em um País democraticamente organizado, regido por Leis e entregue a Poderes escolhidos livremente pelo seu povo.
Por maiores que sejam alguns esforços para “criar” uma história diferente da real, os acontecimentos registrados na memória dos cidadãos de bem e transmitidos aos seus sucessores são indeléveis, até porque são mera repetição de acontecimentos similares registrado pela história em outros países.
Relembrá-los, sem ódio ou rancor, é, no mínimo, uma obrigação em honra daqueles que, sem visar qualquer benefício em favor próprio, expuseram suas carreiras militares e até mesmo suas próprias vidas em defesa da democracia que hoje desfrutamos.
Os Clubes Militares, parte integrante da reação demandada pelo povo brasileiro em 1964, homenageiam, nesta data os integrantes das Forças Armadas da época que, com sua pronta ação, impediram a tomada do poder e sua entrega a um regime ditatorial indesejado pela Nação Brasileira.
Novamente, um ato de insubordinação de militares contra um presidente apesar de que, nas democracias, presidentes são os comandantes-em-chefe das Forças Armadas. Os militares que divulgaram nota exaltando a ditadura militar deveriam ser presos por insubordinação, se a lei fosse cumprida em relação a esses que chantageiam a nação com ameaça de romperem de novo a ordem institucional se forem disciplinados.
A nota dos militares mente desbragadamente. Afirma que o golpe foi dado devido à vontade do povo, o que é uma mentira facilmente identificável porque, se o povo não apoiava mais o governo que elegera – do qual Jango Goulart era o representante –, bastava esperar a eleição seguinte.
A nota ainda diz que Jango pretendia instalar uma ditadura comunista. Outra mentira. Não havia nenhum exército sendo formado para isso. Não havia como enfrentar as Forças Armadas para romper a ordem constitucional. Só havia planos de uma reforma agrária ainda mais tímida do que a de hoje e a legítima ideologia de Jango.
Aliás, surgiu fortuitamente o melhor exemplo de quão energúmenos são esses fantasmas da ditadura que vivem assombrando o país: as declarações racistas, homofóbicas e criminosas que o deputado fascista Jair Bolsonaro, do PP fluminense, proferiu na TV no mesmo dia da nota insubordinada dos clubes militares, usando a imunidade parlamentar para delinqüir.
Entre outras barbaridades, Bolsonaro disse estas:
Que se “pegasse” um filho fumando maconha, o torturaria. E que nem lhe passa pela cabeça a hipótese de ter um filho gay porque deu aos seus filhos “uma boa educação”, dizendo-se um pai “presente”;
Questionado sobre cotas raciais, disse: “Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista”;
Insultou a cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil, quando ela lhe perguntou o que faria se o filho se apaixonasse por uma negra. As palavras de Bolsonaro “Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”.
A conclusão que se tira de tudo isso é a de que oficiais militares acham que podem cometer crime de racismo, insubordinarem-se contra a presidenta da República, enfim, violarem as leis e afrontarem a sociedade sob proteção de ameaças veladas que fazem de nova ruptura institucional. Essa é a leitura que salta aos olhos, nesses episódios.
Bolsonaro e a verborragia espúria desses clubes militares constituem o melhor símbolo do regime criminoso de 1964. Quando militares dizem que estão preocupados com a nova novela do SBT, que versará sobre a ditadura militar, porque a obra os difamaria, deveriam refletir que ninguém consegue difamá-los mais do que eles mesmos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
O mínimo que devemos esperar de nós mesmos é que conheçamos nossos amigos e inimigos.
Partindo disso, e tendo a clareza de que disparadaemente Lula é e vai continuar sendo por muito tempo a maior expressão política e profundamente identificado com seu partido está clara a razão de todas essas intervenções da mídia no que diz respeito a comparativos entre Dilma e ele.
Se entendermos isso bem, a quase totalidade do problema estará entendida e portanto saberemos o que fazer como antídoto. De nossa parte, precisamos entender que Dilma não obstante ser identificada com Lula, com o PT e com a defesa da distribuição de renda e construção de um país cada vez mais altivo, é outra pessoa e não Lula e mais, é uma mulher. É natural por isso tudo que tenha nuances que no fundo servem para identificá-la e não desmerece-la. E temos que cuidar também para não demonstrarmos com isso mesmo que subliminarmente um viés machista!
Dilma foi testada de várias formas, teve uma peculiar, o pau de arara, é bom que nos lembremos disso