Mostrando postagens com marcador IPOJUCA PONTES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IPOJUCA PONTES. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de outubro de 2010

SETENTINHA DE PELÉ

Por Ipojuca Pontes.
Agora, 23 de outubro, Pelé completa 70 anos. É uma vida que se faz eterna, e extraordinária, num cenário de dimensão planetária.
Há uns dez anos Nelson Mandela, insuspeito líder sul-africano, criou o Prêmio Pelé, destinado a personalidades que contribuam para a harmonia entre os povos do continente africano. Na década de 1980, um Comitê Internacional de Esportes, reunido em Paris pela revista “L`Equipe”, o elegeu Atleta do Século. No início do ano 2000, o New York Times apontou-o como uma das personalidades do século XX. Antes, a Rainha da Inglaterra já havia concedido ao rei do futebol o título de Sir, honraria só facultada aos britânicos. Isso sem falar de pesquisa da Agência Ogilvy que apontou a Coca-Cola, o Papa e Pelé como os três primeiros nomes imediatamente reconhecidos em todo mundo.
Pelé! - Desde o fim dos anos 50 a imagem do atleta perfeito (e do homem singular) é acompanhada por sucessivas gerações, nos mais longínquos rincões da terra.
Nesse colossal testemunho coletivo, o mundo se transforma e Pelé – com seu sorriso, elegância e otimismo – fica.
E fica como um referencial de vitalidade que se identifica com a eternidade. Sim, porque ao lado de ser um fenômeno esportivo, ele é aceito como um prodígio ontológico, na medida em que representa o melhor latente em todos e cada um dos mortais. Assumido como ícone, ele tornou-se para os contemporâneos, com suas conquistas – tal qual Apolo ou Dionísio para os gregos –, uma divindade venerada em todo mundo.
Em todo mundo, menos no Brasil. Aqui, a despeito de feitos e glórias, Pelé, para uma minoria que se autoproclama “progressista”, não passa der um negro rico, “de direita”, vendido aos americanos - e que mete as ventas onde não é chamado. Quando, por exemplo, ao fazer o milésimo gol de sua carreira no Maracanã dedicou a conquista às crianças desamparadas do Brasil, e para elas pediu atenção, foi logo considerado pela minoria recalcitrante como um demagogo vulgar, um “tirador de média”.
Talvez não fosse apropriado dizer que há um preconceito da esquerdalha contra Pelé por ser ele um negro rico (não tanto quanto merece), pois o jargão no Brasil é de que o preconceito é contra o pobre. Por outro lado, a má vontade contra Pelé parte justamente de um tipo de gente que se diz empenhada na ascensão da pobre, constituída, em sua maioria, pelos negros.
Fosse ele um fanático defensor de Fidel Castro ou solidário à visão da história como uma eterna luta de classe, é provável que ele hoje estivesse consagrado no panteão do “divino maravilhoso”. Mas como é democrata, acredita em Deus e admite a propriedade privada, é visto pela esquerdalha como um estorvo.
Mas é preciso enfatizar que o ser humano Pelé, antes de tudo, é o cidadão religioso, o amigo generoso, o talento que compõe e interpreta, o filho atencioso, o pai solidário, o homem elegante e gentil, o eterno viajante de todas as horas a levantar a bandeira da paz e da harmonia entre homens e povos – independente de credo, cor ou condição social.
Ademais, sem fazer alarde, quase omitindo o feito fora do âmbito familiar ou do restrito ambiente profissional, Pelé luta a seu modo e de forma concreta pela decantada “inclusão social”, mantendo creches e escolas para crianças abandonadas com dinheiro do próprio bolso – uma atitude impossível de se ver entre a espumosa gente do nosso “beautiful peoble” ou do festivo (e milionário) “showbizz” tupiniquim.
Pelé, óbvio, como todo ser humano, tem virtudes e defeitos. Aos que o detratam, no plano esportivo, responde: “Para ser Pelé, é preciso fazer 1.283 goals, ganhar três copas do mundo, duas vezes o mundial de clubes, dezenas de campeonatos estaduais e uma centena de competições nacionais e internacionais”. Aos que o atacam como indivíduo ele apenas cala.
Quando a mim, por força de filme que fizemos juntos, “Pedro Mico”, pude testemunhar, na refrega cotidiana do set de filmagens, toda sua humilde grandeza de ser humano distinto, talentoso e disciplinado. Foram dois meses de inspirada colaboração, inesquecíveis, inclusive para Pelé segundo garante ele até hoje em livros, depoimentos e entrevistas.
Bem, eis o que eu queria dizer: mais do que simples ator, Pelé é um ser convergente dotado do melhor da capacidade humana. Ao contrário de tipos como Lula, por exemplo, ele tudo vê, tudo ouve e tudo compreende – afetiva e criticamente - razão de ser de sua Majestade Universal.
Vida longa ao Rei Pelé!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O BICO DOCE DE FHC

Por Ipojuca Pontes.
Fernando Henrique Cardoso volta a atacar, desta feita com um livro intitulado “Xadrez internacional e social-democracia” (Editora Paz e Terra, 2010, Rio), uma coletânea de textos requentados (daí, o preço “irrisório”: R$ 29,00) sobre as transformações econômicas e políticas do mundo atual, em especial da América Latina e do Brasil.
O trololó de FHC tem fôlego curto e, como sempre, fica no terreno da típica “embromation” uspiana: em síntese, para ele, desenvolvimento econômico e social são fenômenos circunscritos às relações de poder. E como o Bico Doce enxerga o mundo feito um tabuleiro de xadrez, no qual se joga a estratégia (macabra) dos partidos políticos (de esquerda) para manter o poder, o que importa na sua visão de “intelectual orgânico” é como se tramar novas regras à frente do governo para melhor tungar, com maior ou menor dose de esperteza, a patuléia ignara.
FHC marcou ponto no mundo acadêmico esquerdista ao laborar a malsinada “Teoria da Dependência”, segundo a qual os países subdesenvolvidos deveriam se associar entre si para atingir o ponto ótimo da riqueza – uma sandice sem limites, pois, conforme comprovam os fatos, miséria só gera miséria.
(Enquanto sociólogo da USP, Fernando Henrique Cardoso et caterva mantiveram a pretensão de contestar Gilberto Freyre, que, no clássico “Casa Grande & Senzala”, obra fundamental para a vida inteligente do país, assinalou o valor e a supremacia da mestiçagem na formação histórica da sociedade brasileira; FHC, dentro dos padrões estabelecidos pelo receituário marxista, condenava, em tal teoria, o patriarcalismo brasileiro como de natureza discriminatória, uma evidente impostura, visto que o próprio FHC, nascido com o “pé na cozinha” - frase dele - chegou à presidência da República por força da permeabilidade social preconizada pelo Mestre de Apipucos).
Há muito que contar sobre FHC, herdeiro da derrocada de Collor de Mello, contra quem tramou tanto - ou mais - do que o sindicalista Lula da Silva. Mas o fato concreto é que o nosso eterno Bico Doce, uma vez à