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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

GOOGLE HOMENAGEIA TOM JOBIM COM DOODLE ESPECIAL

Doodle especial tem chapéu, óculos, piano e praia.
O Google homenageia nesta terça-feira o compositor e maestro Antônio Carlos Jobim com um doodle especial. Se fosse vivo, Tom completaria 84 anos neste 25 de janeiro.
Na imagem, estão um chapéu panamá, óculos e piano, objetos característicos no músico. Completa a paisagem uma praia ao fundo, provavelmente do Rio de Janeiro, onde nasceu o maestro. Autor de canções como Águas de Março, Insensatez e Garota de Ipanema - essas duas em parceria com Vinicius de Moraes - Tom Jobim, foi um dos criadores da Bossa Nova. Ele morreu em 1994, aos 67 anos.
Os logotipos comemorativos do Google são vinculados sempre em datas importantes e durante eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. Em 2010, um dos que mais chamaram a atenção do público foi no 70º aniversário de John Lennon. O logotipo virou um vídeo com a música Imagine de trilha sonora.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O HAVER DE VINICIUS DE MORAES

PASQUALE CIPRO NETO.
Dizer o quê, caro Poeta? Que são sentimentos nobres? Que traduziste o que vai por certas almas?
MARCUS VINICIUS da Cruz de Mello Moraes morreu em julho de 1980. Passados 30 anos da morte do Poetinha, que também era diplomata, o presidente Lula sancionou um projeto de lei que promoveu a embaixador o grande Vinicius.
Graduado em letras e em direito, em 1936 Vinicius entrou para o serviço público, como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica. Pois até como censor Vinicius foi genial: demitiram-no por absoluta incompetência e inatividade (o Poetinha não censurou absolutamente nada).
Exonerado sumariamente (em 1969) do Itamaraty, onde entrou em 1946, por concurso público, Vinicius foi um dos tantos brasileiros que o golpe de 64 violentou. Na sua antológica letra de "Samba da Bênção" (a melodia é de outro gênio, Baden Powell), Vinicius se autodefinia como "poeta e diplomata". Após a exoneração, ele mesmo alterou a letra ("poeta e ex-diplomata"). Vinicius enfatizava o "ex-diplomata" quando cantava o samba.
Ao sancionar o projeto que promove Vinicius a embaixador, o presidente Lula, que, em 1979, levou o escritor ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo para uma sessão de leitura de poemas, paga um pouco do haver a que esse grande brasileiro tinha direito.
Esse "haver" que acabo de empregar tem aí o sentido de "crédito". Com esse sentido, o termo (comum na linguagem comercial) é mais usado no plural ("os haveres"), mas usei no singular de propósito, para fazer referência a um dos antológicos poemas de Vinicius, "O Haver". Sempre digo que os poetas são seres enviados por Deus para traduzirem a alma humana às vezes, a alma de poucos humanos. Pois é assim que vejo o memorável "O Haver", do qual destaco estas três estrofes:
"Resta essa vontade de chorar diante da beleza / Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido / Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa / Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil. / Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado / De pequenos absurdos, essa tola capacidade / De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil / E essa coragem de comprometer-se sem necessidade. / Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza / De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser / E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa / Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje".
Choro diante da beleza, cólera cega em face da injustiça, desejo ridículo de ser útil, coragem de comprometer-se sem necessidade... Dizer o quê, caro Poeta? Que são sentimentos nobres, nobilíssimos? Que foste capaz de traduzir fidelissimamente o que vai por certas almas? Que sofrias uma dor indizível, inefável -a dor ser homem-, mas que, como Poeta, conseguias dizê-la?
Em outro de seus grandes poemas ("Pátria Minha" -leia-o todo, caro leitor!), disseste isto: Nossa pátria, Poeta, um dia será mesmo liberta. E um pouco dessa libertação passa também pelo "pagamento" da dívida que ela tinha contigo, pagamento que de certa forma representa a assunção e o explicitamento dos crimes dela no passado em vez do apagamento deles. Sem essa purgação, Poeta, o haver não tem fim. Teríamos de escrever muitos e muitos versos que começassem por "Resta... ". A bênção, grande e caro Vinicius. É isso.
"Mais do que a mais garrida a minha pátria tem / Uma quentura, um querer bem, um bem / Um libertas quae sera tamem / Que um dia traduzi num exame escrito: / "Liberta que serás também" / E repito!" Que genial foste, Poeta, ao dizeres (e ainda dirias, se vivo estivesses) "E repito!".

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O POETINHA

COLUNA DO CLAUDIO HUMBERTO.
Vinícius será promovido a embaixador.
Há alguns mortos — agregados ao nosso afeto — que ao longo do tempo deixam mais saudades que outros. Vinícius de Moraes, por exemplo, é um desses que, 30 anos depois da morte, continua a me fazer muita falta.
O poeta — celebrado hoje no Palácio do Itamaraty em Brasília — deixou, além da grande poesia e da bossa nova, um legado singular aos que o conheceram: a vontade sistemática de tê-lo por perto e a falta de uma presença luminosa, generosa, oportuna.
O presidente Lula assinará decreto, hoje (16/08), promovendo postumamente a embaixador o poeta, escritor, compositor e diplomata Vinicius de Moraes falecido em 1980, sim, porque nosso poeta sempre foi embaixador de fato. Aonde ele chegava, em qualquer cidade do mundo, era saudado como representante da cultura, da poesia, da literatura e da música do Brasil.
Em 1968, Vinicius de Moraes foi aposentado compulsoriamente por meio do Ato Institucional (AI) nº 5 sob a alegação de que seu comportamento boêmio não condizia com a carreira pública. Durante 26 anos, ele atuou na diplomacia brasileira, em geral em atividades burocráticas, servindo em Los Angeles (Estados Unidos), Paris (França) e Roma (Itália). Na época de sua demissão, havia uma verdadeira caça a homossexuais e a bêbados, na carreira. Reza a lenda que Vinícius, em coletiva, se apressou em esclarecer: "estou entre os bêbados".

sexta-feira, 9 de julho de 2010

VINICIUS DE MOARES

30 anos sem Vinicius de Moraes.
Vinicius de Moraes se foi, mas o "poetinha" - como era conhecido - deixou, diferentemente do seu apelido, uma obra vasta e grandiosa de suma importância para toda a cultura brasileira.
Há exatos 30 anos, o Brasil e o mundo davam adeus a um dos maiores artistas brasileiros do século 20. Poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata, Vinicius de Moraes foi não somente um multiartista, mas um homem lírico, que levou poesia sempre a seu lado em tudo que realizou nos seus 66 anos de vida.
Nascido no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, Marcus Vinicius de Moraes morreu em 9 de julho de 1980, deixando uma extensa obra na literatura, música, teatro e cinema, com parcerias na música brasileira que incluem nomes como Tom Jobim, Toquinho, João Gilberto, Chico Buarque, Carlos Lyra e Baden Powell.
Boêmio, era fumante inveterado e grande admirador de uísque. Poeta, amou as mulheres como poucos, retratando o amor idealizado e/ou consumado em suas canções e poemas. Casou-se oito vezes: em 1939 com Beatriz Azevedo de Mello, com quem teve os filhos Suzana e Pedro; em 1951 com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli com quem teve as filhas Georgiana e Luciana; em 1958 com Maria Lúcia Proença; em 1961 com Nelita Abreu Rocha; com Cristina Gurjão em 1969; com a atriz Gesse Gessy em 1971, com a qual tem a filha Maria; com Marta Rodrigues Santamaria em 1976; e, finalmente com Gilda de Queirós Mattoso em 1978, com quem permaneceu até a morte.
O interesse de Vinicius pela poesia começou aos 14 anos quando, estudante de uma escola de padres jesuítas, cantava no coral e montava pequenas peças de teatro. Aos 17 anos, já era graduando em Ciências Jurídicas e Sociais, da qual se formou em 1933, mesmo ano da publicação de seu primeiro livro, Caminho para a Distância. Em 1928 escreve sua primeira canção registrada (Loira ou Morena), com Haroldo Tapajós, e torna-se grande amigo do romancista Otávio Faria, que foi seu grande incentivador na carreira literária, além de nomes importantes como os poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
Estudou língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford e, de volta ao Brasil, tornou-se crítico de cinema no jornal A Manhã, além de colaborador da revista Clima. Nos anos 40 torna-se vice-cônsul em Los Angeles, seu primeiro cargo diplomático, sem deixar de lado a vida boêmia e cultural, revezando as horas vagas para encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda.
Consagra-se em 1956 com a peça de teatro Orfeu da Conceição, transposto para o cinema pelo diretor francês Marcel Camus com o título de Orfeu Negro, que levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1959.
Nessa época, sua carreira musical decola de vez ao conhecer Tom Jobim, com quem desenvolveu uma das mais produtivas parcerias musicais, com canções como Lamento no Morro, Se Todos Fossem Iguais a Você, Um Nome de Mulher, Mulher Sempre Mulher, Eu e Você, A Felicidade, Chega de Saudade, Eu Sei Que Vou Te Amar, Insensatez, Água de Beber e a emblemática Garota de Ipanema. Inspirada em Helô Pinheiro, Garota de Ipanema foi escolhida, em 2005, como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano.
No final de 1968, o AI-5 imposto pelo Regime Militar o destitui do cargo, alegando que a boemia de Vinicius atrapalhava suas funções como diplomata. Em 1970 torna-se próximo do músico Toquinho, outra parceria que rende belos frutos à MPB.
Operado no dia 17 de abril para a instalação de um dreno cerebral, Vinicius volta ao trabalho e, na noite de 8 de julho, enquanto prepara os acertos finais do álbum Arca de Noé com o amigo Toquinho, alega cansaço e se retira. Na manhã do dia 9, passa mal na banheira e, mesmo socorrido pela empregada, pelo amigo Toquinho e pela mulher Gilda Mattoso, morre de um edema pulmonar em sua casa na Gávea, Rio de Janeiro.
Confira fotogaleria 

30 ANOS DE AUSÊNCIA

Ausência.
Vinícius de Moraes.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.