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domingo, 6 de novembro de 2011

EDITORIAL,  do Portal Vermelho.
A reunião de cúpula do G20 acabou na sexta-feira (4) em Cannes, França, deixando no ar mais uma forte sensação de fracasso. O saldo final são declarações de boas intenções, como o estímulo ao mercado interno nos países superavitários, vendidas como um plano de ação para estimular o emprego, ameaças contra os paraísos fiscais e a promessa de injetar novos recursos no Fundo Monetário Internacional, o FMI, cuja principal ocupação no momento consiste em receitar e monitorar a aplicação de pacotes recessivos nos países endividados da Europa.
A crise prossegue, indiferente às deliberações dos chefes de Estado reunidos em Cannes, e na Zona do Euro, seu principal centro de irradiação ao lado dos EUA, terá por resposta a radicalização dos ajustes fiscais. A perspectiva da OCDE é de estagnação do velho continente no próximo ano, mas o futuro pode reservar novas surpresas negativas.
As divergências no interior do G20, destacadamente entre as velhas potências capitalistas e os chamados emergentes, são maiores e mais relevantes que as convergências e não é razoável esperar unidade em torno de questões consideradas centrais.
Os emergentes evitaram o compromisso de investir no fundo de resgate europeu, criado e recentemente ampliado para fazer frente à crise da dívida, o que consternou a senhora Angela Merkel, chanceler da Alemanha. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, obteve o apoio da Argentina e do Brasil para a criação de um imposto mundial sobre operações financeiras, mas o presidente dos EUA, Barack Obama, não gostou e vetou a ideia.
A China sofreu pressões generalizadas para adotar o câmbio flutuante, mas os dirigentes do país não pretendem abrir mão do controle sobre as cotações de sua moeda, o iuan, que tem valorizado ao longo dos últimos anos dentro de limites estabelecidos pelo Estado para proteger a produção industrial.
É preciso ressalvar que os chineses têm razão quando argumentam que estão se protegendo da instabilidade monetária internacional provocada pelos desequilíbrios dos EUA e a política monetária do Federal Reserve. O câmbio flutuante no Brasil é uma causa dos problemas da indústria nacional. A óbvia necessidade de uma nova moeda mundial, em substituição ao dólar, não chegou a ser abordada, embora defendida por Sarkozy.
As contradições que predominam no grupo impõem também seus limites. Cabe recordar que o G20 foi criado em 1999 durante reunião do G7, por iniciativa da União Europeia e de George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos. Significou certamente um reconhecimento constrangido pelos ricos da época das mudanças que estavam em curso objetivamente na economia internacional, decorrentes do desenvolvimento desigual das nações. Mas é apenas uma tentativa um pouco mais ampla de coordenação e preservação de uma ordem internacional que já caducou.
O fortalecimento do FMI, instituição remanescente dos acordos de Bretton Woods que não parece sujeita a reforma, é um caminho errado eleito inclusive pelos emergentes como via de solução para a crise. Basta atentar para a tragédia grega e o drama europeu para ver que as receitas do fundo obedecem exclusivamente aos interesses do sistema financeiro e agravam a crise da economia real com a promessa de solucioná-la.
O mundo demanda uma nova ordem mundial, com um novo sistema monetário e novas instituições. O que não é mais racional, como sugeriu Hegel, não merece subsistir. A solução para a crise, que traduz também o esgotamento da ordem internacional hegemonizada pelos EUA, não virá da reunião de cúpula. Mas é provável que venha das ruas, da guerra de classes que hoje tem como um palco privilegiado as ruas da velha Europa, onde a classe trabalhadora resiste com energia e determinação ao retrocesso social e à ofensiva talvez sem paralelo dos governos capitalistas contra suas históricas conquistas e o chamado Estado de Bem Estar Social.

sábado, 18 de junho de 2011

LULA AGRADECE A BLOGOSFERA

“Sei o bem que vocês fizeram ao povo”
Por André Cintra, no Vermelho.
Sete meses depois de ter concedido a primeira entrevista coletiva de um presidente da República a blogueiros e tuiteiros, Luiz Inácio Lula da Silva voltou, na noite desta sexta-feira (17), para os braços da blogosfera. Ovacionado por um público que não parava de aplaudi-lo e entoar palavras de ordem como “Lula / guerreiro / do povo brasileiro”, o ex-presidente roubou a cena na abertura do 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, em Brasília (DF). Embora já tivesse escrito seu discurso, Lula, na hora H, improvisou — mas cumpriu a promessa de fazer uma exposição breve, de menos de 15 minutos. Foi tempo suficiente para ele disparar uma série de críticas à grande mídia e à direita brasileira. E tempo, sobretudo, para retribuir o apoio que recebeu nos oito anos de seu governo, particularmente em 2010, durante as acirradas eleições presidenciais.
Lula ao Vermelho: “Quero lançar o blog sem estardalhaço”“Como ex-presidente, sei o bem que vocês fizeram ao povo deste país e à democracia”, afirmou Lula, referindo-se à disputa eleitoral entre Dilma Rousseff e José Serra. “Não vou esquecer o papel que vocês tiveram na defesa da liberdade de imprensa. Vocês evitaram que a sociedade fosse manipulada pelos falsos formadores de opinião — que já não formam opinião nem na casa deles.”
Segundo Lula, os abusos da mídia hegemônica não ocorrem apenas no Brasil. “Já visitei 16 países desde que deixei a Presidência e sei que, em todo lugar, a imprensa confunde críticas com mentiras. Não me incomodo de ser criticado por nenhum jornalista, mas não suporto as mentiras que eles dizem.”
O ex-presidente deu ainda mais ênfase às críticas ao tucano José Serra, a quem acusou de ter inventado um “meteorito de papel” em evento de campanha no Rio de Janeiro. Para Lula, “não é admissível que alguém que queira ser presidente faça uma farsa como aquela. O estrago não foi na cabeça — foi nas urnas”.
De acordo com o ex-presidente, Serra também estimulou o ódio contra a então candidata Dilma. “Nunca vi tanto preconceito — e olha que sofri demais com isso nas cinco eleições presidenciais que disputei. Foi o único momento da história em que um candidato a presidente saiu da disputa mais fraco do que entrou.”
Banda larga.
Mesmo diante da presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, Lula cobrou avanços no Plano Nacional de Banda Larga, ressalvando que Dilma honrará o compromisso de espalhar a internet popular Brasil afora. “Hoje, temos menos computador nas casas do que devemos ter, menos gente na internet do que devemos ter, menos blogueiros do que devemos ter. É preciso coragem para fazer da banda larga um direito de todos”, disse o ex-presidente.
Ele também ponderou que qualquer mudança nas comunicações “mexe com grandes interesses”. Como exemplo, evocou o ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Franklin Martins, também presente ao evento. “Vocês sabem o quanto o Franklin apanhou só por dizer que era preciso um novo marco regulatório, já que o nosso é de 1962.”
Aos blogueiros, Lula pediu “seriedade” na luta. “A direita não brinca em serviço. Quanto mais te atacarem, mais você deve ter seriedade”, recomendou, para depois retomar os elogios. “Vocês são uma alternativa, uma possibilidade para que a sociedade possa formar a sua própria opinião. Valeu a pena vocês existirem. Tomara que ainda valha muito mais.”
Ao Vermelho, minutos depois de sua exposição, Lula garantiu que abrirá um blog, mas disse que não dará detalhes da iniciativa. O iminente blogueiro já terá, assim, mais uma motivação para participar dos próximos encontros da blogosfera progressista.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

EM DEFESA DO BRASIL E DOS PEQUENPOS CAMPONESES

Editorial, Portal Vermelho.
Código Florestal: em defesa do Brasil e dos pequenos camponeses.
Finalmente se encerrou na madrugada de terça (24) para quarta-feira a batalha legislativa em torno do Código Florestal no âmbito da Câmara dos Deputados. Agora a matéria será tema de debate e deliberação no Senado. Houve renhida batalha, idas e vindas, adiamentos, acordos, rompimentos e reconciliação de posições. Mas no final revelou-se ampla maioria a favor do novo Código Florestal, que garantiu esmagadora vitória das forças que defendiam o Relatório, elaborado com rara competência política pelo deputado comunista Aldo Rebelo.
Além de defender justas posições, Aldo valeu-se da sua profícua experiência parlamentar, no exercício da qual ocupou o mais alto cargo da Câmara dos Deputados, para conduzir com sobriedade, firmeza e flexibilidade as negociações que, em determinados momentos, pareciam ter chegado a um impasse.
Uma peça legislativa não é o alfa e o ômega dos problemas, nem de sua solução. Assim, não se pode depositar na lei aprovada as expectativas de solução das contradições do modelo agrícola brasileiro nem das questões ambientais. A agricultura, como o meio ambiente no Brasil, não sofre as agruras da existência ou não de leis. Ambos padecem as injunções do sistema capitalista e em especial do modelo agrícola vigente no país. Malgrado isso, a existência de um Código Florestal moderno estabelece um importante marco legal e ajuda a disciplinar as ações dos agentes econômicos e sociais e de indivíduos isolados. O país, que se modernizou nas últimas décadas, não pode ser regido por leis anacrônicas, como era o anterior Código, ainda mais quando estas tornam ilegal a ação produtiva de milhões de pequenos e médios agricultores.
Entre outros, o novo Código Florestal tem dois grande méritos: uma visão equilibrada entre desenvolvimento econômico e defesa ambiental e a defesa dos interesses do agricultor familiar, do pequeno e médio produtor rural, num país de enorme concentração da propriedade da terra.
A ideologização no debate entre o que se convencionou chamar de “ruralistas” e “ambientalistas”, com uma visível instrumentalização de argumentos funcionais a interesses antinacionais e antissociais, foi um fator negativo e mais confundiu que esclareceu. A mídia e políticos folclóricos, falsos esquerdistas e demagogos, fizeram seu jogo no sentido de aumentar a confusão.
Foi o próprio Aldo Rebelo quem se encarregou de evidenciar a questão social envolvida na polêmica, ao demonstrar que são os pequenos e médios agricultores e aqueles dedicados à agricultura familiar os mais prejudicados com os condicionamentos existentes no anterior código à produção agrícola.
Os latifundiários capitalistas, um dos setores mais reacionários das classes dominantes brasileiras, dedicados ao grande agronegócio exportador, estes já depredaram à vontade o meio ambiente, tão impunemente como dilapidam a economia nacional. Não estão preocupados nem com a segurança alimentar do povo brasileiro, para a qual a pequena agricultura dá importante contribuição, nem com a soberania nacional do país, nem com o equilíbrio ambiental. Seus superlucros estão vinculados a um modelo econômico dependente. Estão ligados por mil e um fios não só aos ciclos de demanda internacional, como também ao capital financeiro.
Um dos principais entraves a que o Brasil seja um país plenamente desenvolvido continua sendo o latifúndio. O modelo agrícola prevalecente, voltado principalmente para a exportação de commodities, cada vez mais entrelaçado com o capital financeiro internacional, os grandes produtores mundiais de insumos, implementos, sementes transgênicas, etc., contribui enormemente para manter o país dependente e põe em risco a segurança alimentar do povo brasileiro.
O engajamento a favor do novo Código Florestal de entidades corporativas dos latifundiários, ideologicamente de direita, com forte influência política e posições destacadas nos grandes partidos das classes dominantes, nada tem a ver com aliança de interesses, opiniões, orientações e estratégias com as forças políticas progressistas que apoiaram o novo Código. Tais entidades, assim como políticos herdeiros da famigerada UDR, continuam sendo figadais inimigos dos camponeses, dos trabalhadores agrícolas em geral e do povo brasileiro.
Por outro lado, muita especulação foi feita durante os debates do Código Florestal, sobre o ambientalismo. Aqui as posições variavam entre o pitoresco, o oportunismo, a hipocrisia e o entreguismo.
Não cabem dúvidas de que o problema ambiental se tornou um dos mais agudos em todo o mundo. A maioria dos críticos não tem coragem de dizer por quê. Está na essência do sistema capitalista-imperialista o produtivismo predador. Hoje interessadas em conter o desenvolvimento dos países que se mantiveram no atraso econômico e social e no controle das suas riquezas naturais, incluindo a biodiversidade, as potências capitalistas querem descarregar sobre os países chamados emergentes a responsabilidade pela solução dos – insanáveis sob o sistema capitalista – problemas ambientais.
Por isso, acionam suas agências de diversionismo e provocação que se escondem sob o disfarce de organizações não governamentais de “defesa do meio ambiente”, financiadas com o dinheiro do capital financeiro internacional. Tais ONGs não só não ajudam a vincar um pensamento correto sobre a defesa do meio ambiente no nosso país, como atuam na direção contrária aos interesses nacionais.
O movimento popular brasileiro e as forças progressistas não podem dividir-se entre latifundiários capitalistas e “ambientalistas” a serviço das estratégias do imperialismo. Têm uma plataforma de luta, entre as quais se inclui a reforma agrária antilatifundiária e a soberania alimentar do povo brasileiro.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

EM DEFESA DO BRASIL E DOS PEQUENOS CAMPONESES ?

"O engajamento a favor do novo Código Florestal de entidades corporativas dos latifundiários, ideologicamente de direita, com forte influência política e posições destacadas nos grandes partidos das classes dominantes, nada tem a ver com aliança de interesses, opiniões, orientações e estratégias com as forças políticas progressistas que apoiaram o novo Código. Tais entidades, assim como políticos herdeiros da famigerada UDR, continuam sendo figadais inimigos dos camponeses, dos trabalhadores agrícolas em geral e do povo brasileiro" (editorial do site Vermelho, órgão do PCdoB, em apoio a seu filiado, deputado Aldo Rebelo, com o título: 'Código Florestal: em defesa do Brasil e dos pequenos camponeses') (Carta Maior; 5º feira 26/05/ 2011)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FHC DESAGRDA A TUCANOS

E escancara viés elitista do PSDB.
O polêmico artigo “O Papel da Oposição”, assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e divulgado na terça-feira (12), constrangeu lideranças do PSDB e acirrou a crise dos partidos oposicionistas. Num momento em que tucanos como o governador Geraldo Alckmin (SP) e o senador Aécio Neves (MG) tentam se aproximar das centrais sindicais e de segmentos populares, FHC apregoa, no texto, que o PSDB deve abrir mão tanto dos movimentos sociais quanto do “povão”.
Por André Cintra, no Portal Vermelho.
“As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental”, escreve o ex-presidente. Segundo ele, o PSDB tem de dialogar com “toda uma gama de classes médias” — único público que, a seu ver, não sofre a influência do “lulopetismo”.
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos”, dispara FHC, numa crítica indireta aos atuais governadores e parlamentares tucanos. Para o ex-presidente, o governo Lula “aparelhou” e “cooptou” as centrais, “os movimentos organizados da sociedade civil”, as “massas carentes” e até a grande mídia (“com as verbas publicitárias”).
A reação ao artigo foi imediata. Acostumados a criticar as opiniões de FHC apenas nos bastidores, vários tucanos expressaram, publicamente, divergências frontais com o texto. Também o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), rebateu o ex-presidente e declarou que a oposição deve “sair do Congresso e ganhar as ruas”, para “ampliar sua capacidade de se comunicar com todos os segmentos sociais”.
Para o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), a “sensibilidade social” de uma legenda partidária “deve estar voltada justamente às camadas mais pobres da população. Essas camadas devem ser a prioridade do partido”. O desafio, segundo Dias, é “encontrar meios de falar às camadas mais pobres” sem passar pelos movimentos sociais.
Aécio Neves avalia que o PSDB precisa “se inserir no Nordeste" e se aproximar nacionalmente dos movimentos sociais. De acordo com senador, os tucanos já conseguiram tal feito em Minas Gerais — opinião mais do que discutível, já que, nas eleições presidenciais de 2010, o eleitorado mineiro preferiu Dilma Rousseff a José Serra (58,45% a 41,55%).
O artigo de FHC, de quebra, alimentou a imagem elitista do tucanato. Na opinião do jornalista José Roberto de Toledo, o texto “ficará lembrado como um reforço à imagem de demofobia do PSDB”, especialmente de Fernando Henrique. “A maioria das pessoas, as tais ‘massas carentes e pouco informadas’, vai entender: o PSDB deve esquecer o ‘povão’.”
Para Jairo Nicolau, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, no Rio de Janeiro, “é uma fantasia imaginar uma volta ao poder sem uma base popular”. Fábio Wanderley Reis, da UFRJ, agrega: “É uma abdicação problemática. Um partido existir e governar, na democracia, tem a ver com maiorias. Abdicar do povão é condenar-se a ser minoria sempre”.
O sociólogo Humberto Dantas é mais taxativo. Ao comentar a expressão “pouco informadas” — usada por FHC —, ele aconselha o ex-presidente a "se perguntar o que o PSDB tem feito para educar politicamente esses eleitores". E emenda: “Ao invés de abandonar o povão, candidatando-se a continuar oposição, o partido deveria entender o que esse povão quer e por que ele tem apoiado as políticas do governo.”

quarta-feira, 9 de março de 2011

SEMPRE ELA

Internautas atribuem vitória da Beija-Flor ao "poder" da Globo.

A Beija-Flor é a vencedora de 2011 do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Com o título, a escola de samba de Nilópolis afirma a hegemonia no Carnaval carioca, levando seis dos últimos nove campeonatos. A azul e branco foi a última a desfilar, já no começo da manhã de terça (8), levou à Sapucaí o enredo A simplicidade de um Rei, que fez uma homenagem ao cantor Roberto Carlos.

Com 299.8 pontos, 1.4 à frente da Unidos da Tijuca, segunda colocada, a Beija-Flor conquistou o seu 12º título. Fundada em 1948, a escola representada pelas cores azul e branca foi campeã do carnaval carioca nos anos de 1976, 1977, 1978, 1980, 1983, 1998, 2003, 2004, 2005,2007, 2008 e 2011.
As últimas colocações ficaram com a Porto da Pedra e a São Clemente. Apesar da punição e consequente desconto de um ponto, a Acadêmicos do Salgueiro terminou em quinto lugar. A Estação Primeira de Mangueira, que assumia a liderança até o final da contabilização do segundo quesito (mestre-sala e porta-bandeira), ficou com a medalha de bronze, com 297.2 pontos. Na sequência, Vila Isabel somou 297. Em sexto, Imperatriz Leopoldinense, com o enredo A Imperatriz adverte: Sambar faz bem à saúde. Mocidade Independente de Padre Miguel, com 295.5, terminou o Carnaval 2011 na sétima colocação.
Beija-Flor de Nilópolis teve nota dez de todos os jurados em 5 quesitos dos 10 quesitos avaliados: harmonia, conjunto, fantasias, alegorias e enredo. Também tiveram nota dez de todos os jurados o enredo e o samba da Mangueira e as fantasias do Salgueiro.
O intérprete Neguinho da Beija-Flor disse que a escola fez um desfile perfeito com o enredo sobre Roberto Carlos. "Foi uma alegria contar a história do rei na avenida e mais ainda dar esse campeonato para Roberto Carlos. Agora é ir para Nilópolis e comemorar o campeonato".
O governador do Rio, Sérgio Cabral, parabenizou a vitória da Beija-Flor no carnaval deste ano. Através de seu Twitter, Cabral lembrou ainda que a festa transcorreu sem problemas no Rio.
"Parabéns à Beija-Flor, campeã do carnaval de 2011. E ao Rei Roberto Carlos tão querido do povo brasileiro!!! Mas parabéns principalmente a todos os foliões que estiveram no nosso estado. Este foi um carnaval de muita paz!", disse o governador.
Reclamações na internet.
Na internet, particularmente na rede de microblogs Twitter, a comemoração pela vitória da Beija-Flor teve que ceder espaço para a indignação de milhares de internautas que reclamavam das notas baixas obtidas por outras escolas e insinuavam um eventual favorecimento da escola de Nilópolis por causa do enredo que homenageava Roberto Carlos, artista que tem contrato de exclusividade com a Rede Globo.
As reclamações foram tantas que as hashtags "Roberto Marinho" e "#marmelada" passaram boa parte do dia entre os dez assuntos mais comentados do Twitter.
Entre as mensagens mais "retweetadas" (reproduzidas por vários internautas) destacavam-se: "Beija-Flor anuncia próximos enredos p/ser maior vencedora: Kamel, Xuxa, JNacional, Galvão Bueno, Jô, AI-5, Jabor, ACM e Roberto Marinho"; "A Globo do Roberto Marinho manipula no carnaval, na política ,no futebol. #ForaGlobo! #marmelada"; "A beija-flor anuncia: depois de homenagear roberto carlos, homenageará roberto marinho em 2012"; .
Também houve muita reclamação dos internautas por causa da nota 9 dada por um dos jurados à bateria da Mangueira. Como "sugestão de vingança", apoiadores da Tijuca e da Mangueira twitaram: "Ano que vem a Tijuca e Mangueira deveriam homenagear o Edir Macedo só pra sacanear a Globo!". O bispo Edir Macedo é da igreja Universal, controladora da Rede Record, principal concorrente da Rede Globo.
O blog "Carnaval Mania", apesar de ter conseguido acertar com antecedência de um dia as quatro primeiras colocadas numa avaliação interna, também questionou o resultado: "Há algumas coisas estranhas no julgamento das escolas, visto que, quando se tira pontos da Beija-Flor é no máximo um décimo, a mesma medida não vale para as outras escolas. Existe também uma profusão de notas dez muito esquisitas. O título vai, justamente, para Nilópolis, mas a diferença não condiz com o que passou na avenida, isso ajuda a desgastar a credibilidade do carnaval do Rio", disse o blog.
Reclamação da concorrência.
Após a conclusão da apuração, dirigentes da Unidos da Tijuca, insatisfeitos com o resultado e com as notas da própria escola, reclamavam.
O carnavalesco da escola, Paulo Barros, disse que a Beija-Flor faz desfiles antiquados, ao responder à crítica de Luís Fernando do Carmo, o Laíla, diretor de Carnaval da Beija-Flor, campeã de 2011 no Rio.
"Ele só faz desfile dos anos 70. Eu faço espetáculo", declarou Barros.
Antes, Laíla fizera uma crítica velada a Barros. "Há 51 anos eu sei fazer desfile de escola da samba. Isso aqui é um concurso de escola da samba, não de espetáculo", disse o diretor da Beija-Flor.
Barros, assim como demais integrantes da Tijuca, estava revoltado com a vitória da Beija-Flor por uma ampla diferença 1,4 pontos sobre a Tijuca, vice-campeã. Para ele, todas as demais escolas foram prejudicadas. Ele citou até mesmo uma nota 9 atribuída à bateria da Mangueira.
"Não foi uma coisa isolada, só com a gente. Não tiraram só pontos da Tijuca. Foi uma coisa descarada", disse o carnavalesco.
Ele foi irônico ao responder sobre o que a Tijuca está pensando para o próximo Carnaval.
"Estava pensando em falar da Madonna. Mas acho que vou falar sobre o Neguinho (da Beija-Flor, cantor da escola de Nilópolis). Talvez ganhe só nota 10", observou.
O presidente da Unidos da Tijuca, Francisco Horta, disse que pretende questionar o resultado junto à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).
"A Beija-Flor não foi melhor que a Tijuca, e vamos provar isso no sábado (12), no Desfile das Campeãs. Tem que perguntar pra liga o porquê de tantas notas 10 para a Beija-Flor", reclamou.
"A comissão da Tijuca foi a única que surpreendeu. Foi a única que devia ter recebido 10", disse o carnavalesco Paulo Barros. "A cabeça dos jurados é assim mesmo. E a gente vai tentar fazer melhor ano que vem", afirmou Fernando Horta, presidente da agremiação.
Veja o resultado final da apuração, lembrando que Portela, Grande Rio e União da Ilha desfilaram mas não foram julgadas por causa dos problemas causados pelo incêndio na Cidade do Samba.
1º Beija-Flor 299,80
2º Unidos da Tijuca 298,40
3º Mangueira 297,20
4º Vila Isabel 297,00
5º Salgueiro 296,20
6º Imperatriz Leopoldinense 295,50
7º Mocidade Independente 295,50
8º Porto da Pedra 293,40
9º São Clemente 290,90

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A INTERNET JÁ DISPUTA COM A TELEVISÃO

Por Pedro de Oliveira, do Vermelho

Gradualmente a internet vai se equiparando à televisão como a principal fonte de informação nacional e internacional do público norte-americano. Em uma pesquisa conduzida pela empresa especializada PEW Research Center for the People and the Press – realizada de 1 a 5 de dezembro do ano passado, com 1 500 pessoas - cerca de 41% dos pesquisados declaram ser a internet a fonte primária de noticias nacionais e internacionais, o que em relação ao ano de 2007 significava apenas em 17%.
A televisão continua sendo ainda a referência principal de noticias para 66% dos norte-americanos, índice que por sua vez significava 74% há três anos e 82% em 2002. Esta mesma pesquisa constatou que a maioria das pessoas busca informações sobre notícias mais pela Internet do que pelos jornais impressos como sua principal fonte de referência.
Este dado mostra a continua curva de crescimento da internet e a queda constante da leitura de jornais: o índice de leitura era de 34% em 2007 e é de apenas 31% atualmente. Já a proporção do índice de ouvintes de notícias pelo rádio manteve-se relativamente estável. Este índice hoje é de 16% dos que procuram notícias nacionais e internacionais.
Pela primeira vez na série histórica desenvolvida pela PEW – que é um instituto independente de pesquisa sobre a mídia – em 2010 a internet superou a televisão como a principal fonte de informações nacionais e internacionais para as pessoas com menos de 30 anos de idade. Desde 2007 o índice de pessoas de 18 a 29 anos que citaram a internet como fonte principal de informações saltou de 34% para 65%, enquanto que no mesmo período o índice de jovens que citaram a televisão como fonte principal diminuiu de 68% para 52%.
A televisão ainda predomina entre os menos escolarizados.
Os estudantes universitários nesta pesquisa afirmam buscar como fonte principal de informações a internet com o índice de 51%, enquanto os que procuram a televisão se situam em 54%. Os de nível secundário se colocam de outra forma: 51% citam a internet como fonte principal e 63%, a televisão. O extrato com educação mais inicial faz um bom contraste com os melhores escolarizados: 29% apenas buscam na internet as fontes principais de informação e a maioria de 75% procura a televisão em primeiro lugar.
No caso da televisão brasileira – num levantamento de outra pesquisa publicada no jornal Folha de S.Paulo em 6/01/2010 -, o SBT perdeu quase 50% do seu público de 2000 até 2010. Ou seja, caiu de 10,4 pontos de média no país para apenas 5,9 pontos, que foi a média do ano passado. A Rede Record cresceu 31% na década passada, pulando de 5,5 pontos para 7,2 pontos como média em 2010. Enquanto a Rede Globo, por sua vez, caiu 8,5% na década. Registrou no ano de 2000 média de 19,9 pontos e 18,2 pontos em 2010.
Ou seja, no ambiente brasileiro também se pode verificar o crescimento das redes mais voltadas para um publico menos escolarizado, enquanto que os programas mais sofisticados vão sendo consumidos cada vez mais pelos canais pagos e pela internet.
O crescimento vertiginoso das redes sociais.
Se é verdade que as pesquisas detectam este gradual crescimento da internet em relação à televisão como fonte primária de informações, no caso das redes sociais o aumento é explosivo: a contagem de tweets aumentou de 5.000 por dia em 2007 para 90.000.000 (noventa milhões) diários em 2010. Somente o Facebook passou de 30 milhões de usuários em 2007 para mais de 500 milhões atualmente.
Exatamente em função deste poder gigantesco que estas redes sociais foram adquirindo nos últimos anos é que o Departamento de Estado dos EUA, já sob direção da candidata derrotada nas primárias para indicação do candidato a presidente pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, anunciou em janeiro de 2010 que o governo americano faria um grande investimento para o desenvolvimento de ferramentas desenhadas para reabrir o acesso à internet em países que restringem sua utilização. Este tipo de política teria como alvo impedir que Estados como a República Popular da China impeça websites como o Google, YouTube ou o New York Times atuem como queiram em seu país.
Alguns programas foram criados com este objetivo como o Freegate e o Haystack, mas acabaram não se tornando úteis para o objetivo do imperialismo, transformando-se ao contrário numa ferramenta a mais para impedir que as empresas norte-americanas infiltrassem idéias e conceitos para combater o governo central na China.
De fato, a questão das redes sociais tornou-se um problema de Estado cada vez mais importante para os interesses norte-americanos no mundo. A capa da principal revista de relações internacionais dos EUA – Foreign Affairs – edição de janeiro/fevereiro de 2011, é dedicada ao tema sob o titulo “O poder político da mídia social”.
A tese principal do artigo é que os Estados Unidos perderam a guerra na tentativa de impedir outros países controlarem a rede social de mídia e que deveriam se voltar para “a luta pelas liberdades políticas nestas sociedades de forma geral”, como se isso tivesse sido em algum momento um dos objetivos do imperialismo americano através da história.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

REI DO BAIÃO

Recife celebra aniversário de Luiz Gonzaga.
No dia 13 de dezembro de 1912, nascia Luiz Gonzaga. Não é por menos que hoje se comemora, também, o Dia Nacional do Forró, em homenagem a seu nome mais famoso. A segunda-feira (13), portanto, será de festa em várias partes do país, principalmente no Recife, onde será lançado o livro O Rei e o Baião, totalmente dedicado ao cantor e compositor pernambucano. As reverências não terminam aí, já que Gonzagão também é tema de museu e há planos de se produzir um filme sobre sua vida.
O lançamento do livro O Rei e o Baião, do artista plástico, poeta e compositor Bené Fonteles, será realizado hoje à noite, na cidade de Recife. A data marca a abertura da Exposição Viva Luiz! que culminará, no dia 29 de dezembro, com o lançamento oficial das obras do Cais do Sertão Luiz Gonzaga. A exposição se estende até 12 de janeiro, na Torre Malakoff, em Recife, sob a organização e curadoria do próprio Bené Fonteles.
Durante a abertura do evento, o público pernambucano poderá assistir ao recital de Nonato Luiz e Cláudio Almeida, a partir das 19 horas. Na mesma noite, ocorrerá também, a abertura da mostra O Imaginário do Rei com os artistas Arievaldo Viana, Ciça Fittipaldi, Cícero Santana, Demóstenes F., Din, Dona Benícia Pereira, Elias Santos, Francisco de Almeida, Francorli & Carmem, Frank Castro, Gustavo Moura, João Pedro do Juazeiro, José Lourenço, Liara Leite e Seu Espedito Seleiro. A mostra traz xilogravuras, fotografias, pinturas, esculturas, que destacam a história do sertão nordestino e de Luiz Gonzaga.
O livro O Rei e o Baião é uma referência para a compreensão da cultura sertaneja e da herança comportamental e artística de um dos maiores intérpretes e compositores da Música Popular Brasileira. A obra de Bené reúne ensaístas textuais e visuais, compondo uma edição rica em iconografia e resenhas sobre muito do que já foi realizado acerca da grande arte de Luiz Gonzaga, conhecido como Mestre Lua. "A minha expectativa é que a obra de Luiz Gonzaga seja mais divulgada e que possamos rediscutir e redimensionar a memória que temos dele", revelou Bené Fonteles, autor da obra.
Com a exposição, será celebrado o legado de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, à cultura brasileira e nordestina, proporcionando uma outra dimensão e leitura da iconografia reunida no livro, tornando mais invisível a fronteira entre a poesia e a pesquisa que marcam o conjunto das obras envolvidas.
Para a posteridade.
O Museu Luiz Gonzaga será o primeiro museu nacional hi-tech de alto porte em Pernambuco e destacará a importância deste ícone do sertão nordestino para a cultura e o imaginário brasileiro. O lançamento oficial do museu ocorrerá no dia 29 de dezembro, com o show do sanfoneiro e compositor Dominguinhos, Targino Gondim e outros cinco sanfoneiros. Os sanfoneiros se apresentarão, no Marco Zero, a partir das 19h,com a presença do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministro da Cultura, Juca Ferreira.
O museu será um equipamento cultural que busca valorizar e revitalizar a história da capital pernambucana. "Luiz Gonzaga reinventou o Nordeste e tirou a região do ostracismo que se encontrava. Ele reinventou e redimensionou a cultura brasileira", explica Bené.
O memorial nordestino, em fase de construção, é resultado de uma parceria entre o Ministério da Cultura, Governo do Estado de Pernambuco e do Porto de Recife e representa um investimento de R$ 26 milhões, sendo R$ 21 milhões investidos pelo governo federal.
Na telona.
Para completar, outra boa notícia é que Breno Silveira, diretor de 2 filhos de Francisco, já anunciou que prepara um novo longa-metragem, Gonzaga de Pai para Filho, mostrando a trajetória de ambos, Gonzagão e Gonzaguinha. Ele pretende começar a filmar em breve, lá mesmo, em Exu, terra natal de Luiz Gonzaga. O trabalho, que contaria com trilha sonora recheada de grandes nomes da MPB, além do próprio compositor pernambucano, deve ser lançado em 2012, quando será celebrado o centenário de Luiz Gonzaga.
Fonte: Gazeta Digital

domingo, 17 de outubro de 2010

HORÁRIO DE VERÃO III

Começou hoje o horário de verão em três regiões do país.
Começou neste domingo (17), em dez Estados das Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país, o horário de verão. Os ponteiros do relógio devem ser adiantados em uma hora. A medida vai valer até zero hora do dia 20 de fevereiro de 2011.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que as companhias aéreas vão seguir o horário de verão desde a hora da virada, mas recomenda aos passageiros que procurem as empresas em casos de dúvida.
Os estabelecimentos bancários em todo o país também vão se adaptar ao novo horário. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que nos Estados em que não vigorará o horário de verão, as agências deverão antecipar em uma hora a abertura e o fechamento para atendimento ao público. "Essa medida tem o objetivo de assegurar o perfeito funcionamento do serviço de compensação", diz a Febraban, em nota.
Os Estados que terão alteração no horário de abertura das agências bancárias são: Acre, Amapá, Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.
Economia.
O horário de verão proporciona uma redução de cerca de 5% no consumo de energia elétrica nos momentos de pico de demanda no Sudeste, Centro-Oeste e Sul do País. A estimativa é do secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Ildo Grüdtner. Segundo ele, esse porcentual de redução na demanda é o mesmo dos anos anteriores. O principal objetivo do horário de verão é aliviar a carga entre 19h e 21h, período em que a maioria das pessoas chega em casa, toma banho, e a iluminação pública é acionada. Como os relógios são adiantados em uma hora, esse pico do consumo é diluído, pois a luz natural do dia é aproveitada por mais tempo.
Segundo Grüdtner, no Sudeste e no Centro-Oeste a diminuição da demanda no horário de ponta será de 1.945 megawatts (MW), duas vezes o consumo de Brasília nesse horário. No Sul, a redução será de 585 MW. A redução geral do consumo, considerando todo o dia e não só o horário de pico, deve ser de 0,5%. A AES Eletropaulo, concessionária que atende 24 municípios de São Paulo, prevê redução de até 6% na demanda de energia, o que corresponde a 430 MW.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ANÁLISE DO DEBATE

Por Manuela d'Ávila
Uma análise inicial sobre o debate da Band.
Quero escrever algumas linhas sobre o que assisti no debate de ontem. Alguns exclamarão: “como assim?!? Ela já tem candidata! É óbvio que concordará com o que Dilma disse.” A esses respondo: me sinto com o mesmo direito de análise que tem, por exemplo, o jornal Estadão (a diferença é que eles declararam o voto em Serra após 60 dias de cobertura pretensamente neutra. Eu sou Dilma desde que ela é candidata) .
Esse formato de debate não abre tanto espaço para a discussão de propostas concretas. São feitos para o enfrentamento de projetos. Talvez por isso não sejam muitos os votos disputados em debates. Alguns especialistas afirmam que os candidatos participam com dois objetivos centrais: o primeiro é condensar a base de apoio, dar argumentos para quem já decidiu o voto; o segundo é não perder votos. Eu incluiria outros: responder dúvidas legítimas dos eleitores; desconstruir determinadas imagens e opiniões.
Ontem gostei da participação de minha candidata no debate. Primeiro porque usou o espaço mais nobre da eleição, a televisão, para desconstruir a campanha baixíssima feita contra ela.
Quando Dilma teve coragem de pautar o tema do aborto, tirou o tema do submundo da eleição (cartazes e panfletos anônimos, montagens de internet etc.) e o teve a possibilidade de esclarecer aos cidadãos. Afinal, o uso que determinados setores tem feito desse tema é assustador. Primeiro porque ela e Serra têm exatamente a mesma opinião. A lei atual, de 1940, deve ser cumprida, garantindo que o SUS dê segurança para mulheres que correm risco de vida na gravidez ou que sejam vitimas de estupro. Mesmo que ambos tivessem outra opinião, deveriam submeter na forma de projeto de lei, ao Congresso Nacional. Porque fazem essa campanha, então? Porque esse tema desperta paixões nas pessoas. E as paixões estão localizadas fora da racionalidade. As pessoas ouvem e nem questionam: qual a posição do outro? Isso é possível? Também usam porque sabe que, por Dilma ser mulher, isso “pega”. Homens, a princípio, por não terem útero, não são chamados a refletir sobre o aborto. Ou seja, também é uma pauta que surge para aproveitar os traços culturais ainda machistas de setores da sociedade.
Mesmo no ambiente de confronto (que não é o ideal para propostas serem apresentadas) Dilma conseguiu politizar o debate. Ao insistir no tema das privatizações trouxe a tona mais do que o governo Fernando Henrique (escondido por Serra). Fez com diferenças centrais entre dois projetos aparecessem. Muitos cidadãos afirmam na época das eleições: “todos os programas são iguais! Todo mundo diz que vai melhorar a saúde, a educação, a segurança.”
Sim. Isso é, em parte, verdade. Na TV muitos programas partidários podem soar parecidos. Mas na essência são muitos distintos. As privatizações são “a cara” dessas diferenças. “Por que?”, alguns podem perguntar. Porque expressam o tipo de Brasil que queremos. De todos ou de poucos. Público ou privado. Serra diz que esse é um tema do passado. Não é verdade. Foi também um tema do passado. Aliás, eu mesma comecei a fazer política para combater o processo de privatização da universidade pública. Mas este tema não está superado. Vejamos o Pré-sal.
Nós defendemos que esse dinheiro deve ser a alavanca para o desenvolvimento de nosso país de maneira estruturante. Custear a educação, pesquisas cientificas, por exemplo. Se o petróleo acaba, devemos transformar esse dinheiro em coisas que não acabam, ou seja, na melhoria da capacitação de nosso povo! Isso é futuro. É decisão do próximo presidente. A turma do Serra defende a privatização da exploração dessa riqueza natural brasileira. Dilma, que foi Secretaria e Ministra de Minas e Energia defende que o recurso do Pré-sal é público.
Aliás, o tamanho político de cada candidatura foi resumido de maneira brilhante pelo Senador Sergio Guerra (Presidente do PSDB). Disse ele: “Aborto é tema de interesse nacional, privatização é tema do PT”.
Porque digo que ele foi brilhante? Porque de fato, apesar de Dilma e Serra terem a mesma opinião sobre o aborto, os tucanos tentam fazer desse tema (de forma passional e machista) o tema da campanha. Não querem comparar os governos, não querem dizer o que pensam sobre o Estado Nacional e o patrimônio

domingo, 12 de setembro de 2010

UMA SURRA AMAZONENSE

Luciano Rezende.
Que pensar de um senador que ameaça nada menos que o presidente de uma nação democrática de lhe dar uma surra? Foi justamente isto que Arthur Virgílio Neto, representante do grandioso estado do Amazonas e líder do PSDB no Senado, prometeu dar ao presidente Lula em discurso raivoso proferido da tribuna daquela casa. E o nobre senador ainda se gaba de ser diplomata de carreira (imagina se não fosse).
Por ironia, esse cidadão representa justamente o estado ao qual Lula bate todos os recordes de popularidade e é mais querido por esse povo que em todos os outros estados da Federação. Por isso mesmo, antes de tudo, foi uma surra no povo do Amazonas que não merecia ter sua imagem vinculada à violência, truculência e intolerância representada por um de seus porta-vozes no Senado da República. Praticante do Jiu-jitsu, deveria saber que mesmo essa luta é avessa à agressão física fortuita.
A deputada Vanessa Grazziotin foi uma das vozes lúcidas do Congresso Nacional que se levantou de imediato contra esse pronunciamento fascistóide. Disse, sem titubear, que antes de bater em Lula, Virgílio Neto teria que bater nela própria.
Agora, os dois estão tecnicamente empatados na disputa por uma vaga para o Senado Federal. A briga é eleitoral e Vanessa terá a chance de surrar nas urnas o maior inimigo de Lula e fazer vingar o sentimento de milhões de brasileiros e amazonenses que se sentiram ultrajados pela ameaça do tucano.
Quem acompanhou minimamente a atuação de Arthur Virgílio no Senado sabe que a promessa de dar uma coça em Lula não foi um ato isolado ou fortuito. Nos oito anos de mandato ele sempre foi o pitbull do PSDB para enfrentar o governo. Sempre na oposição encarniçada, foi incapaz de, ao longo dos anos, fazer um discurso que fosse reconhecendo algo positivo no governo. Tropa de choque da oposição, sempre teve espaço privilegiado na Rede Globo para protagonizar o papel de pugilista que tenta a todo custo nocatear um governo que é amado pelos seus conterrâneos e que tanto tem feito pelo Amazonas.
Mesmo com todo o apoio midiático e financeiro, como um mercenário que recebe seu soldo por ter feito o serviço sujo, corre sério risco de perder sua vaga no Senado. Com uma campanha milionária por todo o vasto território do Amazonas se vê obrigado a inventar, mentir e fantasiar dados. Tem a cara de pau de dizer que foi o responsável pela prorrogação da Zona Franca de Manaus e de ter liberado as verbas, junto ao Banco Mundial, para a consecução do Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus).
É também inimigo declarado do governador Eduardo Braga (PMDB) que atinge níveis recordes de aprovação popular e que administrou o estado em sintonia com o governo Lula.
Agora o eleitor amazonense tem a chance que todo brasileiro eleitor de Lula e de Dilma gostaria de ter: dar uma sova democrática nas urnas naquele que envergonha a figura lendária de Ajuricaba.
Para o bem do Amazonas e do Brasil, Arthur Virgílio Neto precisa ser derrotado nestas eleições. E vai ser.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

HIDRELÉTRICAS DA AMAZÔNIA

Jaime Sautchuk.
As hidrelétricas em operação, em construção e previstas até o ano 2016 na Amazônia brasileira, juntas, somarão área inundada superior a 40 mil km², o que equivale ao estado do Rio de Janeiro. Isto, sem contar as 15 usinas das bacias dos rios Araguaia e Tocantins.
A opção brasileira pela energia vinda dos rios competirá, assim, com a ocupação desordenada e o desmatamento na célere degradação da maior floresta tropical do mundo. São previstas 12 usinas, totalizando 16,1 milhões de kw/h de potência instalada. Duas delas na margem Norte do Amazonas, nos rios Jarí e Trombetas.
A conta fica mais robusta se acoplar os lagos das pequenas usinas previstas em lei, para uso localizado, e das linhas de transmissão, que percorrem longos percursos com “faixas de servidão” (aceiro de proteção) de até 100m de largura.
O linhão de Tucuruí, por exemplo, vai sair do rio Tocantins, no Sul do Pará, onde está a usina, cruzará o rio Amazonas até o Amapá e, de lá, seguirá até Manaus (AM). São 1.700 km, com torres de até 300m de altura (um prédio de cem andares).
Essas obras constam dos planos de Expansão de Energia (PDE) 2007/2016 e de Energia (PNE) 2030, do Ministério de Minas e Energia (MME). Os dois documentos, elaborados em parceria com universidades e empresas do setor, definem a matriz de energia elétrica das próximas décadas. A rigor, pouco muda.
A de fonte hídrica, que hoje supre 81,2% do consumo, ficará em 75,3% em 2016 e se manterá nesta faixa em 2030. A de fontes limpas (eólica, solar, marés, bioenergética...) continuará como secundária. A

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O RADICALISMO DEMO-TUCANO

Luciano Rezende - Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Da direção estadual do PCdoB - MG.
A revista Veja se especializou em acusar o PT, o governo Lula/Dilma e a esquerda em geral como “radicais”. Sem entrar no mérito sobre o verdadeiro significado do termo e seu sentido para os progressistas e democratas, mas seguindo a mesma lógica depreciativa e do senso comum em relação a essa expressão tão massificada pela grande mídia como sinônimo de truculência e sectarismo, é cada vez mais notório, para a maioria do povo brasileiro, quem são realmente estes tais “radicais”.
Qual seria o grau de “radicalismo” de um parlamentar do campo popular se ele ameaçasse publicamente alguém de lhe dar uma surra como fez o senador tucano Arthur Virgílio (mais conhecido como Virgílio Neto em seu estado natal, o Amazonas) usando o microfone daquela casa para ameaçar de porrada nada menos que o presidente Lula? Também seria menos “radical” a proposta do ilustre candidato à vice-presidência, Índio da Costa, de multar o cidadão comum que der alguma esmola a um pedinte de rua?
Enquanto o governo Lula prioriza o diálogo e quer estreitar relações com a Venezuela, os “radicais” demo-tucanos se articularam para tentar impedir a entrada deste país fronteiriço no Mercosul, fazendo uso da mesma “ideologização” que tanto criticam na esquerda, de um debate de interesse nacional, o qual deveria ser suprapartidário. Estes “radicais” são muito intolerantes.
Enquanto o governo Lula/Dilma veste o boné do MST ao mesmo tempo em que dialoga com os ruralistas, os “radicais” do PSDB e do DEM botam lenha na fogueira para criminalizar os movimentos sociais, dificultando o convívio democrático, apelando mais e mais para o mesmo enfrentamento que no governo de Fernando Henrique resultou em massacres como o de Corumbiara e Eldorado dos Carajás. Estes “radicais” preferem a repressão ao diálogo.
Enquanto o governo Lula/Dilma promove a Conferência Nacional de Comunicação e cria a TV Brasil, os “radicais” demo-tucanos tentam impedir a qualquer custo o democrático debate pela democratização dos meios de comunicação no Brasil. Estes “radicais” são avessos à pluralidade de ideias.
Enquanto o governo Lula/Dilma tem a sensibilidade necessária para tratar projetos sociais, como o bolsa-família, qual uma ferramenta de distribuição de renda, os “radicais” de direita se incomodam por não terem mais um bolsa-banco do naipe de um Proer, instituído pelo presidente “radical” Fernando Henrique Cardoso. Estes “radicais” têm gula insaciável pelo poder e querem viver eternamente na Belíndia.
Enquanto o governo Lula/Dilma promove a integração entre os países latino-americanos, os “radicais” do campo político de José Serra defenderam o confronto contra a Bolívia. Estes “radicais” são intolerantes com os que pleiteiam suas independências e autonomias.
Enquanto o governo Lula/Dilma alcança índices de popularidade nunca antes vistos no Brasil, por adotar justamente uma agenda política diametralmente oposta da sua, os “radicais” demo-tucanos se remoem de ódio e tentam sabotar o país, na espreita para no melhor momento promover alguma ação desestabilizadora. Estes “radicais” têm o DNA golpista e histórico a favor de ditaduras.
Enquanto o governo Lula/Dilma goza do apoio de todos os democratas e pacifistas do mundo, os “radicais” do PSDB e do DEM são apoiados pelos poderosos interesses norte-americanos e servem como ponta de lança do imperialismo no continente. Estes “radicais” querem ver de novo a velha América Latina desunida e em conflito.
Os verdadeiros “radicais”, no sentido pejorativo adotado por Veja e suas congêneres, sempre foram os seus clientes, patrocinadores e simpatizantes. Porta voz do pior “radicalismo”: a intolerância e o desprezo por quem pensa e age diferente de seu receituário. Daí para a ditadura é um passo. Estes “radicais” apostam nisso.