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sexta-feira, 27 de julho de 2012

LONDRES

Por JOÃO BATISTA FREIRE, do Blog do Juca Kfouri.
Para saudar a abertura da Olimpíada de Londres.
“Não é nada pessoal, são apenas negócios”, diriam os mercadores do mundo dos esportes, entre eles dirigentes, empresários e agentes de variados naipes, ao ouvirem os apaixonados torcedores clamando por um pouco de garra e arte, e reclamando do excesso de “luzes” e “ribalta” que recobre com uma fina camada os “espetáculos” esportivos.
No Brasil, mais particularmente no futebol, gerações de craques acostumaram esses torcedores ao requinte artístico da bola bem tocada, do chute sutil, da finta desconcertante.
Os olhos brasileiros fartaram-se com o talento de Heleno, Leônidas, Pelé, Garrincha e Didi, e, mais recentemente, Sócrates, Rivelino, Tostão, Zico e Romário.
Já os torcedores do MMA, o novo fenômeno esportivo de massa, são ainda noviços, e deliram mesmo que nada lhes reste além da gesticulação primitiva e grotesca de seus gladiadores, que nem de longe dão pistas de revelar sementes de algum Spartacus revisitado.
Aquele que pretende, em breve, tornar-se o esporte mais popular do planeta, não passa de arremedo mal costurado de gestos emprestados ao boxe, ao karatê, ao jiu-jitsu e outras lutas, num arranjo tosco, que antes lembra um Frankenstein de octógonos que um Muhammad Ali de ringues.
Aos aficcionados dos demais esportes sobram migalhas, exceções sazonais feitas, no Brasil, ao voleibol e ao basquetebol, porque, afinal meus caros, não é nada pessoal, e, se o que importa é o lucro, desculpem, mas é mais fácil vender escândalos e chiliques de craques de futebol ou o sangue derramado pelos gladiadores do UFC que os gestos sutis dos saltadores de vara ou as piruetas delicadas de ginastas artísticas.
“Nada temos contra a beleza do esporte”, diriam os mercadores, “nós as venderíamos caso nos rendesse alguns trocados, porém, vendemos o que a educação do público compra, e quem oferece essa educação não somos nós, mas seus políticos medíocres com suas promessas risíveis.”
No mês de junho, num ato quase de redenção, um punhado de esforçados jogadores corintianos, mesmo sem o requinte dos craques do passado, ofereceu-nos alguma coisa parecida com espetáculo futebolístico, mesmo que tenha sido apenas um espetáculo de garra e amor ao clube.
Um pouco de futebol, finalmente, numa memorável noite em que os negócios, embora presentes, foram sobrepujados pela paixão.
Sem craques milionários ou o brilho ofuscante de um Sócrates, a taça é corintiana.
E o povo, finalmente, pôde passar noventa minutos acreditando que seu futebol ainda existe.
E sem que o sangue precisasse tingir a arena.

sábado, 16 de junho de 2012

MÁ-FASE


Por Juca Kfouri, do BLOG DO JUCA KFOURI.
Neymar está cansado.
Jogar sem parar, até nas férias, mais festas e campanhas publicitárias, já cobra seu preço.
NEYMAR NÃO jogou o que dele se espera e ele pode nos amistosos da seleção.
Também não decepcionou, pois basta ver como participou das jogadas mais agudas e dos gols do time olímpico do Brasil.
Piores foram suas atuações contra os argentinos do Vélez Sarsfield e, em certa medida, ainda contra os mexicanos, quando ficou encaixotado e se irritou com a marcação cerrada.
É evidente que ele precisa repensar o que quer fazer de sua vida.
Rico já está e, com um mínimo de juízo, tem garantidas a sua vida e as de seus netos apenas com investimentos conservadores.
Ninguém quer que ele abdique das delícias da juventude e da fama, mas uma de suas principais qualidades, a de não se machucar, por aparentar ser de borracha, acaba conspirando contra ele, porque Neymar não para.
Não parou depois da temporada uma vez para disputar o Pré-Olímpico, não parou depois de outra em jogos de festa e por compromissos publicitários durante as férias, em resumo, não parou além de poucos dias.
Prefere jogar mesmo quando Muricy Ramalho oferece folga e, ao mesmo tempo em que o técnico do Santos entende o comportamento, tem manifestado preocupação com o desgaste do menino craque.
Em resumo, Neymar precisa descansar.
Não nesta semana nem na outra por motivos ululantes cujo nome é Libertadores.
Aliás, nada impede que já depois de amanhã ele desminta tudo isso em cima do Corinthians.
Que queima as pestanas para encontrar quem possa pará-lo de outro jeito, o impeça de jogar com ele em campo.
Alessandro? Marquinhos? Quem sabe Jorge Henrique, homem a homem, na base do “eu não jogo, mas você também não”, desde que devidamente conscientizado de que não pode levar cartão, de que depois de cada drible tem que estar pronto para levar outro e outro.
Do mesmo modo, os técnicos do Boca Juniors e da Universidad de Chile já estão de olho nele para a decisão que tem tudo para vir.
Depois, seja no dia 4 de julho, com mais de 20 dias para a estreia da seleção brasileira na Olimpíada, seja no dia 20 de junho, será o momento de planejar uma programação que lhe permita voltar a jogar com 100% de sua capacidade.
Porque Neymar é joia ainda em lapidação.

sábado, 26 de maio de 2012

Respire e relaxe por duas semanas porque, em seguida, seis grandes clubes brasileiros mobilizarão o país do futebol nos dias 13, 14, 20 e 21 de junho, com as semifinais da Taça Libertadores da América e da Copa do Brasil.
Pela Libertadores, o tricampeão Santos, no ano de seu centenário, e o Corinthians, em busca de sua primeira taça, se enfrentarão para definir qual será o representante do Brasil em mais uma final da taça continental.
Será a oitava final seguida com pelo menos um time brasileiro na final, a décima decisão com brasileiros das 12 neste século 21.
O Corinthians tem a vantagem do segundo jogo em casa.
Já pela Copa do Brasil, São Paulo e Coritiba farão uma semifinal, os dois em busca de sua primeira taça e Grêmio e Palmeiras a outra, os gaúchos em busca da quinta copa e os paulistas atrás de sua segunda.
Haverá sorteio para definir os mandos dos jogos.
Entre Grêmio e Palmeiras, teremos também um duelo particular entre os dois técnicos: Vanderlei Luxemburgo já ganhou uma Copa do Brasil, pelo Cruzeiro, em 2003, e Felipão já ganhou três, pelo Criciúma, em 1991, Grêmio, em 1994 e Palmeiras em 1998.
Dos seis clubes envolvidos, nada menos  que quatro são paulistas, exatamente os quatro grandes de São Paulo.
Cariocas e mineiros estão de fora e o sul do país é representado por gaúchos e paranaenses.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

QUEM VIVER VERÁ !?


Por Juca Kfouri, do Blog do Juca Kfouri.
Aleluia! Acabou a terra de ninguém!
A notícia abaixo, da assessoria de imprensa do STF, tem como importância fundamental o reconhecimento de que a autonomia das entidades esportivas é relativa e não as transforma, como até hoje foi tratado, em terra de ninguém.
Em bom português: se o legislador assim quiser, intervém em nome do Direito e da Justiça.
A festa da impunidade, dos falsos argumentos que confundiam autonomia com estar acima do bem e do mal, como se as entidades esportivas fossem soberanas e inatingíveis, A C A B O U!
STF declara constitucionalidade do Estatuto de Defesa do Torcedor.
“Por unanimidade de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou nesta quinta-feira a constitucionalidade do Estatuto de Defesa do Torcedor.
Inúmeros dispositivos da norma foram questionados pelo PP (Partido Progressista) por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada totalmente improcedente nesta tarde.
O entendimento seguiu o voto do presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, relator do processo.
Na ação, o PP afirmou que o Estatuto de Defesa do Torcedor significava uma afronta aos postulados constitucionais da liberdade de associação, da vedação de interferência estatal no funcionamento das associações e, sobretudo, da autonomia desportiva. A agremiação acrescentou que a norma teria extrapolado o limite constitucional conferido à União para legislar sobre desporto, que é concorrente com os estados e o Distrito Federal, e conteria lesões a direitos e garantias individuais.
Em seu voto, o ministro Cezar Peluso rechaçou todos os argumentos do PP: “a meu ver, não tem razão ”, disse.
Segundo ele, o Estatuto do Torcedor é um conjunto ordenado de normas de caráter geral, com redação que atende à boa regra legislativa e estabelece preceitos de “manifesta generalidade”, que “configuram bases amplas e diretrizes gerais para a disciplina do desporto nacional” em relação à defesa do consumidor.
O ministro ressaltou que, ao propor o texto do Estatuto, a União exerceu a competência prevista no inciso IX do artigo 24 da Constituição Federal.
O dispositivo determina que a União, os estados e o Distrito Federal têm competência concorrente para legislar sobre educação, cultura, ensino e desporto. “A lei não cuida de particularidades nem de minudências que pudessem estar reservadas à dita competência estadual concorrente”, disse.
O relator acrescentou ainda que, na medida em que se define o esporte como um direito do cidadão, este se torna um bem jurídico protegido no ordenamento jurídico em relação ao qual a autonomia das entidades desportivas é mero instrumento ou meio de concretização.
Por fim, ele afirmou não encontrar “sequer vestígio de afronta” a direitos e garantias individuais na norma, como alegado pelo PP. “Os eventuais maus dirigentes, únicos que não se aproveitam da aplicação da lei, terão de sofrer as penalidades devidas, uma vez apuradas as infrações e as responsabilidades, sob o mais severo respeito aos direitos e garantias individuais previstos no próprio Estatuto”, concluiu o ministro Cezar Peluso.
Todos os ministros presentes à sessão acompanharam o relator.
“Compartilho da compreensão de que o Estatuto, na verdade, visa assegurar ao torcedor o exercício da sua paixão com segurança. Isso implica imputar responsabilidade aos organizadores dos eventos esportivos”, afirmou a ministra Rosa Weber.
“Não me parece que tenha havido qualquer exorbitância na (lei)”, concordou a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.
Para o ministro Ayres Britto, o Estatuto protege o torcedor-consumidor. “É dever do Estado fomentar práticas desportivas como direito de cada um de nós, de cada torcedor”, ponderou.
No mesmo sentido votaram os ministros Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello“.