O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que o partido poderá romper com o PSB do governador Eduardo Campos em 2014. Para ele, há uma sinalização do PSB em lançar candidatura própria em 2014 e se aliar aos tucanos. “Acho que há uma disposição do PSB de se fortalecer, colocando na ordem do dia a possibilidade de disputar 2014 fora do nosso bloco”, disse em entrevista concedida na semana passada, antes que o deputado João Paulo Cunha (PT) desistisse de concorrer à prefeitura de Osasco após ser condenado pelo mensalão - Falcão trabalhava então com a hipótese de absolvição.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
O FIM OU O COMEÇO?
Por Carlos Chagas.
Na, sexta-feira, 13, a pergunta que se fazia em Brasília era sobre se a presente onda de greves é o fim de uma velha aventura retomada pelas centrais sindicais ou, ao contrário, se é o começo de uma nova. Pode ser o último ataque de um exército posto na reserva depois da vitória ou, no reverso da medalha, a retomada de métodos que, no passado, eram desenvolvidos contra adversários, mas ironicamente, hoje, vem sendo praticados contra aliados, ou melhor, contra o estado-maior que deveriam estar protegendo.
Traduzindo: as centrais sindicais, estimuladas pelo PT, voltam a desencadear movimentos grevistas no serviço público federal, claro que aproveitando-se de reivindicações justas e de situações inadmissíveis, como os salários de fome dos professores universitários. Preparam-se, a CUT, a Força Sindical e penduricalhos, para instigar a paralisação nas atividades privadas, a começar pelos metalúrgicos, já em agosto.
Estariam as entidades de trabalhadores saudosas da ação de anos atrás, quando acutilavam a ditadura através de greves variadas? Mas como justificar adotarem agora a mesma estratégia quando estão no poder aqueles precisamente levados por eles?
Suprema contradição, caso se prolongue, é assistir a CUT contribuindo para obturar a máquina pública através do estímulo à paralisação dos funcionários federais. Ou amanhã, a greve dos metalúrgicos, capaz de tornar ainda mais críticas as dificuldades econômicas.
É preciso seguir adiante com o chavão popular: tem azeitona nessa empada. Não é de graça que as forças sindicais se prestam para conturbar a ação de um governo que ajudaram a criar. Fossem apenas as centrais e ainda se alegaria o arroubo juvenil de que estão contaminados seus velhos líderes. Mas tem mais. Por trás dessa investida contra o governo do PT encontra-se o próprio PT. Muitos de seus chefes imaginaram ocupar o governo Dilma como as hordas de Gengis Khan ocuparam metade do mundo. Repelidos pela própria natureza das coisas, tentam desestabilizar a presidente, obrigando-a a ceder aos grevistas em concessões impossíveis ou, como alternativa, em ver paralisada parte de seu governo.
A hora seria de o Lula dar um basta na pantomima. Afinal, Dilma Rousseff foi sua criação. Durante oito anos ele conseguiu enquadrar as centrais, impedindo-as de atuar contra os objetivos por elas mesmo conquistados. Vão desfazer tudo?
Em suma, fica em aberto a resposta: estão terminando uma aventura ou começando outra?
A INVASÃO DAS GUIANAS.
Agora que por força de lei vem sendo divulgados documentos secretos e sigilosos do passado, seria bom que algum pesquisador buscasse conhecer os originais de patética instrução dada em 1961 pelo então presidente Jânio Quadros ao Estado Maior das Forças Armadas, no sentido de preparar a invasão das Guianas. Porque a determinação existiu e foi feita por escrito. A megalomania daquele Hitler felizmente frustrado previa a busca de mais espaço vital para o Brasil... A desculpa era impedir a influência de Cuba na parte Norte do subcontinente.
Em nossa História, apenas D. João VI, ainda príncipe regente, ousou invadir a Guiana Francesa, forma de reagir a Napoleão, que o havia expulsado da Europa. Por terra e pelo mar, auxiliadas pela marinha inglesa, as tropas portuguesas tomaram Caiena e lá ficaram algum tempo.
Com a derrota definitiva do corso e a prevalência da Santa Aliança, tivemos que devolver a Guiana à França de Luís XVIII.
Uma lambança, que Jânio Quadros tentou repetir.
Seria bom para a memória nacional obter a comprovação.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
UMA ALIANÇA COM A DIGNIDADE
Uma grande frente da direita brasileira se move na
ansiosa tentativa de preservar o comando da maior capital do país. O comboio
transporta interesses pesados: não
perder sua maior vitrine política é um deles; propiciar ao candidato da derrota
conservadora em 2002 e 2010 um holofote de sobrevida até 2014, outro Há também
o orçamento: R$ 40 bilhões, maior que o de vários Estados. Serra teria hoje 30%
das intenções de votos na corrida pela prefeitura de São Paulo; seu principal
oponente, Fernando Haddad, 3%. Lula adoeceu no meio do caminho e já se
recuperou. Mas a convalescença pode reduzir a decisiva participação em uma
disputa com DNA nacional. O conservadorismo
atrelava vagões ao comboio e exultava a cada tropeço do outro lado. A frustrada
tentativa de cooptar Kassab parecia ter subtraído ao PT até mesmo o discurso da
polaridade ideológica. Com Marta ressentida e afastada, Serra chocava a serpente ao abrigo de confrontos
constrangedores. A incubação conservadora ia bem até que uma palavra que
desequilibra o lado contra o qual ela se volta entrou no jogo: dignidade, ou
Luiza Erundina. Essa mulher nordestina e socialista, que alguns criticam por
excesso de zelo e ética com a causa popular, será a parceira de Haddad para
devolver a São Paulo algo de inestimável
valor: o resgate do voto como um engajamento que faz sentido outra vez, ao
anseio de construir e viver numa cidade melhor. Bem-vinda (Carta Maior; 6ª feira 15/06/2012)
quinta-feira, 14 de junho de 2012
NO CEARÁ . . .
PT rebate Luizianne e se nega a fazer oposição a Cid Gomes.
Os
deputados petistas do Ceará, Camilo Santana e Nelson Martins - ex-secretários
do governo de Cid Gomes (PSB-CE) - rebateram as declarações da prefeita
Luizianne Lins, presidente estadual do PT, sobre a sigla fazer oposição ao
governador, caso houvesse rompimento da aliança para a sucessão em Fortaleza.
"A prefeita não decide nada só. Existe um partido para discutir. Se ela
deu essa declaração, é um equívoco dela. Não podemos olhar só para
Fortaleza", disse Camilo Santana. "Mesmo que saiam duas candidaturas
no primeiro turno (uma do PT e outra do PSB), podemos ter aliança no segundo
turno", acrescenta Nelson Martins.
Os dois ex-secretários destacaram que
PT e PSB têm alianças formadas e a caminho da formalização em diversos
municípios cearenses, como Sobral e Juazeiro do Norte, além de integrarem a
coligação que detém o poder estadual e federal.
sábado, 28 de abril de 2012
A MÃE QUE JOGAVA UM BOLÃO
Por Carlos Chagas.
Dois adversários empenhavam-se em acirrada disputa, tanto faz se política, artística ou esportiva. Um deles, no auge da emoção, afirmou pejorativamente que determinada cidade só produzia jogadores de futebol ou prostitutas. Ofendido, o outro retrucou dizendo-se ofendido, pois a mãe dele havia nascido e morava naquela cidade. Caindo em si o destemperado treplicou: “Pois é. A sua mãe está jogando um bolão...”
Essas firulas verbais servem para demonstrar que certas tertúlias tem limite. Ao contrário de outras, não constituem embate de vida e de morte, havendo sempre uma janela aberta para alguém escapar. É o caso, por exemplo, do PT e do PMDB, na luta pela prefeitura de São Paulo.
Fernando Haddad e Gabriel Chalita trocam farpas, não raro se agridem e fazem o impossível para continuar à tona na competição, esperando cada um passar para o segundo turno, já que o verdadeiro inimigo deles é José Serra, do PSDB, com lugar garantido. Chalita imagina contar com o apoio de Haddad, e vice-versa, na dependência dos resultados de outubro. Por isso não chegam aos limites do rompimento definitivo, deixando sempre uma alternativa, mesmo às vezes ridícula como aquela do cidadão que elogiou os dotes futebolísticos da mãe do adversário.
AMIGO DA ONÇA.
De certos amigos, aliados e correligionários, é sempre bom desconfiar. Pelo menos, essa desconfiança tomou conta do comitê de campanha de José Serra, e do próprio candidato, depois de lida entrevista do senador Aécio Neves, concedida ontem à Folha de S. Paulo. Porque o ex-governador de Minas admitiu a hipótese de Serra, elegendo-se prefeito de São Paulo, vir a renunciar, abandonando o mandato, para candidatar-se a presidente da República.
Foi um comentário digno do Amigo da Onça, porque do que menos Serra gostaria de debater, agora, seria sobre deixar dúvida em seus possíveis eleitores de não cumprir até o fim o compromisso de governar a maior cidade do país. Já renunciou uma vez, colhendo frustrações aparentemente desfeitas, mas relembrar o episódio, mesmo de forma indireta, pode ser prejudicial. Em especial quando levantada a possibilidade pelo seu principal competidor no âmbito do PSDB.
Imaginar apenas boa vontade ou ingenuidade nas declarações de qualquer político mineiro equivale a correr um risco dos diabos. Estaria Aécio Neves tentando sepultar de vez a candidatura paulista, para ficar absoluto na disputa entre os tucanos?
CONTA-GOTAS INESGOTÁVEL.
Não se passa um dia sem que algum veículo de comunicação deixe de apresentar um capítulo a mais nessa novela que tem Carlinhos Cachoeira como vilão. São transcrições de telefonemas dados ou recebidos pelo bicheiro, deixando mal seus interlocutores, como são informações tiradas de alguma das milhares de páginas do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Monte Carlo. De graça essas coisas não acontecem, quer dizer, existe um centro de abastecimento da mídia que alimenta permanentemente o noticiário. Saber onde se localiza a fonte, ou as diversas fontes, constitui missão impossível. As conclusões da Polícia Federal estão com a própria instituição, com o Supremo Tribunal Federal, com o Conselho de Ética do Senado, com a CPI mista agora instalada, com o ministério da Justiça, com a Abin e onde mais? Parece uma peneira, ou, em outra imagem, um conta-gotas alimentado por um oceano.
Ninguém, no Congresso, tem lutado tanto contra a impunidade do que o senador Pedro Simon. Há décadas ele bate todos os dias nessa tecla, exortando governos e sociedade a combaterem o grande mal que assola o país. Como por sua independência é visto com desconfiança pelos líderes do PMDB, jamais foi incluído numa CPI sequer. Eles tem medo da metralhadora giratória capaz de atingi-los, aliás, com razão. Não se dirá que Simon faz falta na CPI do Cachoeira, porque como senador, tem todas as prerrogativas para comparecer, opinar e inquirir possíveis depoentes. Ficam mal aqueles que não o escalam, porque entrar em campo, ele vai entrar. Ou melhor, já entrou...
quarta-feira, 14 de março de 2012
RELAÇÕES TENSAS, APESAR DA FESTA
Por Carlos Chagas.
Não se espantou quem assistiu a chegada de Dilma Rousseff, ontem, ao Congresso, para ser homenageada com o Prêmio Berta Lutz, destinado a exaltar as mulheres que se destacam nas campanhas feministas. Mesmo chegando com trinta minutos de atraso, a presidente cumprimentou efusivamente José Sarney, Marco Maia e muitos parlamentares que a esperavam na entrada do Salão Negro, junto com dezenas de senadoras e deputadas. Além do vice-presidente Michel Temer. Até o ex-líder do governo, Romero Jucá recebeu afagos, apesar de demitido na véspera.
O singular na solenidade, além dos tradicionais beijinhos para todo lado, foi que nenhum dos presentes demonstrou o menor constrangimento, a começar por Dilma, apesar da delicadeza que marca o relacionamento entre Executivo e Legislativo. Os presidentes da Câmara e do Senado andam agastados com Dilma. Michel Temer, também. Para não falar de Jucá.
À margem da festa, dos papagaios e das papagaias de pirata, vistos em profusão, acima e além dos discursos protocolares, registre-se que desde sua posse a presidente Dilma não havia retornado ao Congresso. Como também jamais enfrentou situação tão incômoda no diálogo com as forças partidárias que a apóiam. Sua presença no plenário do Senado não terá sido bastante para desfazer tensões.
O interregno dessa celebração do papel das mulheres na vida nacional, na manhã de ontem, não foi suficiente para afastar a sombra de mais dias de tensão entre o governo e os partidos que o apóiam. Dilma abriu brechas no PMDB a ponto de a bancada de deputados do partido haver-lhe enviado manifesto de protesto contra o que chamaram de discriminação favorável ao PT. Para não falar na súbita defenestração de Romero Jucá da liderança do governo, substituído por Eduardo Braga, não propriamente nas graças de dirigentes como José Sarney e Renan Calheiros. Mesmo disposta a prestigiar o PDT e o PR, devolvendo a seus parlamentares os ministérios do Trabalho e dos Transportes, obstáculos ainda turvam o dialogo entre a presidente e esses partidos.
Nesta semana poderão ser votados na Câmara e no Senado projetos polêmicos de interesse do governo. Caso sobrevenha outra derrota, como no caso da rejeição de Bernardo Figueiredo para a Agencia Nacional de Transportes Terrestres, pelo Senado, fica evidente que o palácio do Planalto irá retaliar.
José Sarney e Marco Maia despejaram monumentais elogios sobre Dilma, do tipo “popularidade ímpar”, “excepcional capacidade política”, “criatura extraordinária”, “grande liderança” e outros. Mais beijinhos, abraços e sorrisos, entre diplomas, placas e flores, mas a pergunta feita por parlamentares, claro que em surdina, era a respeito de qual o próximo lance nesse delicado jogo de xadrez. Nada de xeque-mate, mas, quem sabe, xeque à rainha?
REAÇÃO NA SOMBRA.
De público, nenhum companheiro confirmará, mas a verdade é que no PT não apenas paulistano e paulista, mas nacional, registram-se sinais de que se Fernando Haddad não decolar nas próximas pesquisas, poderá não chegar a outubro como candidato. A situação do ex-ministro da Educação complicou-se a partir da decisão de José Serra candidatar-se a prefeito. Líderes petistas começam a refletir que se Haddad perder de forma espetacular, sequer indo para o segundo turno, a derrota fatalmente se refletirá nas eleições gerais de 2014. Depois de chegar a dispor da maior bancada na Câmara dos Deputados, o que aconteceria se o PT perdesse a posição? Melhor aguardar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
FEDERALIZADA OU NACIONALIZADA !?!
O Governo Trabalhista vem se consolidando como
uma solução para o Brasil.
A direita firmou sua base em alguns Estados e
Municípios.
A eleição para a Prefeitura em São Paulo esta federalizada ou
nacionalizada.
É o local do grande confronto.
Quem vem de outro país sem
conhecer o Brasil, pensará que o único lugar onde haverá eleições este ano é em
São Paulo, tamanha a agitação.
O PSDB sem zé (bolinha de papel) Serra não tem qualquer chance. Com zé (bolinha de papel) Serra esquenta o debate. Mas vai disputar muitos votos contra os outros
candidatos e não com Haddad, pois o paulistano tem forte rejeição ao PT.
Essa
tendência conservadora e tradicionalista se tornou um dogma sem razão, sem
crítica. São torcidas e não eleitores.
O PiG vai pavimentar os caminhos do
PSDB. E já está em plena campanha. Pelo que já se conhece de Serra mil outras
bolinhas de papel e dossiês falsos virão. Vai ser uma campanha guiada pelo tudo
ou nada. Se não ganhar as eleições, fim de sua vida pública (Harre!). Mas para
ele, para o PSDB e para o conservadorismo paulistano sua vitória é uma questão
de honra ou de sobrevivência.
A história do DEM que o diga.
Já Haddad, além
dos seus próprios méritos, conta com o apoio carismático de Lula. Que levou
Dilma Rousseff a uma vitória, que nem todos acreditavam possível no início da campanha em
2010.
Sua candidatura, ao contrário de zé (pedágio) Serra, deve sofrer todo o ataque possível
e imaginário do PiG. Mas tem a Privataria Tucana, que poderá ser um elemento
decisivo. Ainda deve se considerar que militância do PT, sempre tão decisiva,
está esperando algum fato que renove o ânimo.
Para o PT e para os setores
progressistas, não é questão de sobrevivência, mas sim de expansão estratégica
de território.
Essa polarização provavelmente será capitalizada pelos outros
candidatos, que deverão tirar proveito da carnificina que certamente ocorrerá.
Se eu morasse em São Paulo meu voto seria de Haddad.
Tem muito tempo e muito por
acontecer, mas está parecendo que nem Haddad e nem o zé (bolinha de papel) Serra levarão pelos desgastes
que terão no debate entre si.
Infelizmente.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
**ESPANHA SE LEVANTA CONTRA A DIREITA: centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas das principais cidades espanholas neste domingo em manifestação unitária convocada pelas centrais sindicais
** país protesta contra reforma laboral do governo Rajoy que barateia a demissão sumária de trabalhadores e permite a redução de salário por decisão unilteral dos patrões
** AUSTERICÍDIO: perto de completar dois meses de sua volta ao poder em 21 de dezembro, a direita espanhola acumula feitos notáveis
** além do massacre trabalhista, a edição do jornal El País, deste domingo, documenta o caos da austeridade imposto ao sistema de público de saúde, onde as filas aumentam e alas inteiras de hospitais são fechadas por economia
** a revista 'Nature' denuncia, ainda, o "suicídio científico espanhol", fruto dos cortes de gastos que incentivam a debandada de pesquisadores e jovens especialistas.DIREITA SE UNIFICA CONTRA O PT EM SP.
Juntos, outra vez, Serra e Kassab trouxeram confetes e serpentinas ao camarote desbotado da direita brasileira. Este ano, mais que nunca, a sucessão na prefeitura de São Paulo reafirma a dimensão estratégica de uma disputa que extrapola os limites do poder municipal. A direita sabe que precisa inaugurar um divisor em sua declinante presença no cenário nacional. Manter São Paulo sob a sua guarda pode, no mínimo, refrear a debandada da coalizão demotucana e regenerar laços da aliança para 2014. Seria apenas um passo, mas sem ele sobra pouco a fazer.Daí a mobilização total de esforços em torno de Serra. Daí, também, a tentativa frustrada do PT de inviabilizar o arco conservador, arrastando Kassab para dentro da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (Carta Maior; Domingo, 19/02/ 2012)
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
CPI DA PRIVATARIA
AS SIRENES DO SILÊNCIO - Passados 11 dias desde o lançamento de 'A privataria Tucana', de Amaury Ribeiro Jr, os colunistas de política da Folha --Clóvis Rossi, Fernando Rodrigues, Catanhede e Lo Prete-- mantém um pacto de silêncio e cumplicidade em relação às denúncias de corrupção ali reunidas. A omissão coletiva e deliberada diante do documento político mais explosivo dos últimos anos lança uma suspeita de parcialidade sobre tudo o que já escreveram ou possam escrever sobre o tema que agora evitam. Há casos em que o silêncio jornalístico grita mais do que as sirenes que pretende abafar. Esse é um deles. Como explicarão aos seus leitores a criação de uma CPI, cuja motivação lhes foi sonegada até o último minuto, a exemplo do que fez a Globo na campanha das 'Diretas Já' , em 1984? Nesta 4ª feira, o deputado Protógenes Queiróz protocolou o pedido de abertura de CPI sobre o tema, com 185 assinaturas. Reabrir a discussão sobre a alienação do patrimônio público, mas sobretudo, arguir as condições em que isso se deu, que restrições impôs à macroeconomia do desenvolvimento brasileiro e a quem beneficiou-- depende agora do PT e da base aliada do governo. Um bom começo seria indagar os motivos que levaram 19 mandatados pelo PT a não assinarem o requerimento da CPI. (Carta Maior;5ª feira; 22/12/ 2011)
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
COLUNA DO CLAUDIO HUMBERTO.
Planalto: acusação contra Pimentel é 'fogo amigo'
Planalto: acusação contra Pimentel é 'fogo amigo'
O Planalto já mapeou as denúncias de supostas irregularidades contra o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial) e concluiu que se trata de “fogo amigo”. As acusações seriam obra da ala xiita do PT-MG, do deputado estadual Rogério Correia, que se opôs à aliança PT-PSDB-PSB, vitoriosa na eleição municipal de Belo Horizonte, em 2008. Correia nega, atribuindo as denúncias ao PSDB de Aécio Neves.
Liderança incômoda.
Os xiitas do PT também estariam preocupados com pesquisas em que Fernando Pimentel lidera a corrida para o governo mineiro, em 2014.
Tráfico de influência.
Fernando Pimentel é acusado de “tráfico de influência” na prefeitura de BH, utilizando-se de sua empresa de consultoria.
Disfarça, disfarça.
O ministro Gilberto Carvalho disfarça a armação para fazer do assessor José Feijoo ministro do Trabalho. Agora diz que não abre mão dele.
Briga de pelegos.
Gilberto Carvalho, Feijoo e o PT do ABC queriam transferir da Força Sindical para a CUT o controle do Ministério do Trabalho. Recuaram.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
A CANDIDATURA DO LULA
Por Carlos Chagas.
A entrevista do ex-.presidente Lula à revista New Yorker foi concedida antes de descoberto o câncer que ele tem na garganta. É fácil concluir que seu estado de espírito era um, depois ficou outro. Mesmo assim, quando indagado se disputaria outra vez a presidência da República, ele ficou em cima do muro, claro que com óbvia tendência de pular para o lado da candidatura: “não tenho coragem de dizer que vou concorrer, como não tenho coragem de dizer que não vou concorrer.”
Até o diagnóstico incômodo o Lula colocava nas mãos de Dilma Rousseff a decisão, quer dizer, deixava a presidente de saia justa, sabendo que quando chegasse a hora ela devolveria o raciocínio: “se você quiser voltar em 2014 eu não disputarei a reeleição”. Seria a resposta natural e leal da criatura que chegou ao palácio do Planalto exclusivamente por ato de vontade do criador.
Agora, tudo depende do tratamento a que o primeiro-companheiro se vê submetido, bem como de sua recuperação. Talvez não repita mais o conceito exposto aos jornalistas americanos, de considerar-se um ser eminentemente político. Pode estar concluindo que antes de político, é um ser humano. Toda doença faz o doente repensar sua vida, mesmo depois de recuperado.
O Lula já não será tão candidato quanto era. A disposição de voltar ao poder talvez não o sensibilize como antes. Seus valores serão outros.
Como a vida é sempre mais estranha e fascinante do que a ficção, vale ressaltar que a presidente Dilma passou pela mesma situação do antecessor. O câncer também a acometeu, não constituindo obstáculo para sua eleição. Supõe-se que tenha, da mesma forma, meditado sobre a própria existência. Mais quatro anos seria sacrifício necessário à sua biografia?
Em suma, acima e além de ambições, de arroubos e de estoicismo, abre-se uma pausa na prospecção do futuro.
UNIDOS OUTRA VEZ.
Rússia e China só estiveram unidos por pouco tempo, depois da vitória da revolução do presidente Mao.
Rapidamente desfez-se a aliança socialista, chegando as duas nações a preparar-se para uma guerra que por sorte não se deflagrou. Mas permaneceram, desde os tempos de Kruchev, numa pax armada plena de diatribes e insultos.
Pois agora a situação é outra, gerada desde o fim da União Soviética e da transformação da China em potencia mais ou menos capitalista. As diferenças são enormes, ainda que lentamente se aproximem no plano político.
China e Rússia acabam de condenar a agressão da Otan ao Paquistão, como antes haviam condenado a interferência na Líbia. Leia-se terem os governos de Moscou e Pequim enviado um alerta a Washington, pois a Otan nada mais é do que uma fachada dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, se não apóiam o regime dos aiatolás, no Irã, também não formam no grupo que prega a invasão daquele país. Muito pelo contrário.
Acrescente-se a concentração de forças russas na Síria, sinal evidente de que o mundo ocidental pensará duas vezes antes de promover o bombardeio de Damasco.
Arma-se um novo quadro na política mundial. É bom prestar atenção.
O TERTIUS USA BIGODE.
Renan Calheiros não esconde o desejo de voltar à presidência do Senado e já trabalha para isso, ainda que falte muito para o biênio 2013-2014. Eis que surge outro candidato, também do PMDB: o senador Garibaldi Alves, hoje ministro da Previdência Social mas preparado para a reforma ministerial de janeiro. Da mesma forma que Renan, ele já presidiu a casa.
Prenuncia-se uma briga de foice em quarto escuro no âmbito do partido, unido apenas na disposição de não ceder a presidência ao PT, num suposto rodízio no qual ninguém mais acredita.
Para evitar o racha, procura-se um tertius na bancada. Aliás, ele já existe e usa bigode.
José Sarney pode candidatar-se a mais dois anos, conforme o regimento interno. Vai recusar?
APESAR DAS NEGATIVAS, PODE SER ELE.
Nem são necessárias pesquisas. Está no ar que a gente respira a conclusão de que José Aníbal, Andréa Matarazzo, Bruno Covas, Ricardo Trípoli e João Dória Júnior perdem a eleição para prefeito de São Paulo, qualquer deles que venha a ser candidato. Encontra-se o PSDB numa arapuca, da qual apenas se livrará com um nome: ele mesmo, José Serra. Apesar de suas negativas, cresce entre os tucanos a evidência de que só o ex-governador terá chances de bater os concorrentes.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
POLÍTICA SEM SONHOS
FERREIRA GULLARNinguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será este partido, o PSD, que não diz a que vem.
Estou longe de me ver como um comentarista político, de modo que as considerações que às vezes faço aqui, em torno desse assunto, na verdade atendem à necessidade que tenho, como qualquer pessoa, de entender o que está acontecendo e pode ser que atendam também à necessidade de um ou outro leitor. De qualquer maneira, além do mais, me divirto com isso, já que pensar -certo ou errado- é a minha cachaça. E foi assim que, meses atrás, levantei aqui a hipótese de que os dois partidos nascidos de uma discordância ideológica radical com o regime militar -PT e PSDB- já esgotaram sua vida útil e, agora, surgiram novas lideranças, com outra história e outra visão do problema político, do modo de formulá-lo e conduzi-lo.
Dizendo de outra maneira: a nova geração de políticos, que vem substituir a de Fernando Henrique, Lula e José Serra, não teve que enfrentar a ditadura, não conheceu o exílio e, por essa e outras razões, tem uma visão menos ideológica, mais pragmática das questões políticas e sociais. Em razão disso, Serra não chegará à Presidência da República e o PT, se continua no poder, é porque já deixou de ser um partido (pretensamente) revolucionário: hoje é um partido sem compromissos ideológicos, que, para se manter no poder, aliou-se a cobras e lagartos, do PC do B, que já nada tem de comunista, aos evangélicos do bispo Macedo.
Pois bem, e não é que, de repente, Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, inventa um outro partido que, segundo ele mesmo, não era nem de direita, nem de esquerda, nem de centro? Alguém diria então que não era um partido. Essa foi minha conclusão, em face da primeira notícia, uma vez que os partidos nascem para pôr em prática uma opção política ou ideológica. Então, que partido seria esse, que vinha para defender nada, sem tomar nenhuma posição? Ele agora diz que o PSD é de centro.
Em abril deste ano, quando Kassab anunciou a criação do PSD, escrevi uma crônica qualificando-o de oportunista por inventar um partido que, sem projeto para o país, visa somente o poder.
Errando e aprendendo. Para minha surpresa, porém -e de muita gente mais-, o partido inventado por Gilberto Kassab cresceu em seis meses de maneira surpreendente, a ponto de se tornar, ao que tudo indica, a terceira maior representação na Câmara dos Deputados, desbancando o PSDB.
Realmente, não fui o único a me espantar, e não era para menos. Às vésperas de findar o prazo para a inscrição de candidaturas às eleições do ano que vem, o número de prefeitos filiados ao PSD chegava a 600, e o de vereadores, a mais de 6.000. Segundo a avaliação dos entendidos, o PSD lançará cerca de 12 mil candidatos a vereador e 1.400 candidatos a prefeito.
Isso significa que milhares de políticos, filiados a outros partidos, os abandonaram para se inscreverem no partido de Kassab. Dezenas de prefeitos dos mais diversos Estados deixaram seus partidos e a ele se filiaram. Os governadores do Amazonas e de Santa Catarina também mudaram de barco, arrastando consigo prefeitos, deputados e vereadores. Ao que tudo indica, o PSD se tornará em breve o terceiro maior partido do país.
Qual a razão disso? Como se explica tal fenômeno? Certamente haverá mais de uma razão para que tanta gente deixe seu partido e embarque numa aventura como essa, já que ninguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será esse partido, que não diz a que vem. Surpresa maior ainda foi, no apagar das luzes, a filiação de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo Lula que pertencera ao PSDB e depois ao PMDB. Ele transferiu seu título de eleitor de Goiânia para São Paulo a fim de se candidatar, pela novel agremiação, a prefeito da capital paulista. Mas ele afirma que sua filiação ao PSD não tem objetivo eleitoral, pois visa tão somente ajudar na construção de um grande partido nacional. Ou seja, o lugar está vago.
Se vai fazê-lo ou não, pouco importa. O que fica evidente, porém, é que Kassab, ao se dar conta do vácuo político surgido do esgotamento do PT e do PSDB, viu que era chegada a hora de criar um partido que, ao contrário daqueles, não se define ideologicamente e no qual, por isso mesmo, cabe todo mundo.
Dizendo de outra maneira: a nova geração de políticos, que vem substituir a de Fernando Henrique, Lula e José Serra, não teve que enfrentar a ditadura, não conheceu o exílio e, por essa e outras razões, tem uma visão menos ideológica, mais pragmática das questões políticas e sociais. Em razão disso, Serra não chegará à Presidência da República e o PT, se continua no poder, é porque já deixou de ser um partido (pretensamente) revolucionário: hoje é um partido sem compromissos ideológicos, que, para se manter no poder, aliou-se a cobras e lagartos, do PC do B, que já nada tem de comunista, aos evangélicos do bispo Macedo.
Pois bem, e não é que, de repente, Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, inventa um outro partido que, segundo ele mesmo, não era nem de direita, nem de esquerda, nem de centro? Alguém diria então que não era um partido. Essa foi minha conclusão, em face da primeira notícia, uma vez que os partidos nascem para pôr em prática uma opção política ou ideológica. Então, que partido seria esse, que vinha para defender nada, sem tomar nenhuma posição? Ele agora diz que o PSD é de centro.
Em abril deste ano, quando Kassab anunciou a criação do PSD, escrevi uma crônica qualificando-o de oportunista por inventar um partido que, sem projeto para o país, visa somente o poder.
Errando e aprendendo. Para minha surpresa, porém -e de muita gente mais-, o partido inventado por Gilberto Kassab cresceu em seis meses de maneira surpreendente, a ponto de se tornar, ao que tudo indica, a terceira maior representação na Câmara dos Deputados, desbancando o PSDB.
Realmente, não fui o único a me espantar, e não era para menos. Às vésperas de findar o prazo para a inscrição de candidaturas às eleições do ano que vem, o número de prefeitos filiados ao PSD chegava a 600, e o de vereadores, a mais de 6.000. Segundo a avaliação dos entendidos, o PSD lançará cerca de 12 mil candidatos a vereador e 1.400 candidatos a prefeito.
Isso significa que milhares de políticos, filiados a outros partidos, os abandonaram para se inscreverem no partido de Kassab. Dezenas de prefeitos dos mais diversos Estados deixaram seus partidos e a ele se filiaram. Os governadores do Amazonas e de Santa Catarina também mudaram de barco, arrastando consigo prefeitos, deputados e vereadores. Ao que tudo indica, o PSD se tornará em breve o terceiro maior partido do país.
Qual a razão disso? Como se explica tal fenômeno? Certamente haverá mais de uma razão para que tanta gente deixe seu partido e embarque numa aventura como essa, já que ninguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será esse partido, que não diz a que vem. Surpresa maior ainda foi, no apagar das luzes, a filiação de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo Lula que pertencera ao PSDB e depois ao PMDB. Ele transferiu seu título de eleitor de Goiânia para São Paulo a fim de se candidatar, pela novel agremiação, a prefeito da capital paulista. Mas ele afirma que sua filiação ao PSD não tem objetivo eleitoral, pois visa tão somente ajudar na construção de um grande partido nacional. Ou seja, o lugar está vago.
Se vai fazê-lo ou não, pouco importa. O que fica evidente, porém, é que Kassab, ao se dar conta do vácuo político surgido do esgotamento do PT e do PSDB, viu que era chegada a hora de criar um partido que, ao contrário daqueles, não se define ideologicamente e no qual, por isso mesmo, cabe todo mundo.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
POBRE PROFESSOR LIPMANN
No começo do século passado havia na Sorbonne, em Paris, um monumental catedrático de Física, mestre dos mestres, o professor Lipmann. A ele cabia, todos os anos, dar a aula inaugural para os jovens estudantes da matéria.
Sem meias palavras, dirigia-se aos alunos enfatizando ter pena deles. Dó. Comiseração. Humilhava a todos indagando porque tinham escolhido estudar Física, porque a Física já estava pronta, arrumada, acabada e empacotada. Nada haveria mais a pesquisar e a descobrir.
Sem meias palavras, dirigia-se aos alunos enfatizando ter pena deles. Dó. Comiseração. Humilhava a todos indagando porque tinham escolhido estudar Física, porque a Física já estava pronta, arrumada, acabada e empacotada. Nada haveria mais a pesquisar e a descobrir.
Pobre professor Lipmann, que felizmente para ele morreu antes de saber da existência de Einstein, da Física Quântica, da Partícula de Deus e de tanta coisa a mais, descoberta e por descobrir.
Passa-se coisa parecida no PT, mesmo a gente resistindo à tentação de fulanizar o seu professor Lipmann. Entendem os atuais dirigentes do partido que nada mais existe para desenvolverem. Já chegaram ao poder, nele se instalaram e agora a palavra de ordem é conduzir o governo de acordo com suas concepções. Imobilizaram-se. E até aproveitam das benesses inerentes a quem conduz o processo político.
Jovens que se interessam em ingressar no PT são recebidos com a mesma arrogância e petulância do francês catedrático de Física. O partido está pronto, arrumado, acabado e empacotado. Não há mais metas a alcançar nem programas a engendrar. Muito menos uma sociedade a modificar. Seria bom que os companheiros seguidores do professor Lipmann tomassem cuidado. As próximas eleições poderão revelar novidades e descobertas profundas, no âmbito do partido.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
O PT E O SISTEMA ELEITORAL
Marcos Coimbra
Na Resolução aprovada em seu 4º Congresso, realizado no começo do mês, o PT dedica uma seção inteira ao tema da reforma política. Natural, pois era de esperar que o partido se pronunciasse sobre algo que está no centro das discussões políticas desde o início do ano.
Primeiro, tivemos uma comissão especial no Senado, criada para elaborar uma proposta que contivesse os pontos fundamentais e menos polêmicos, assim permitindo que as mudanças na legislação pudessem ser rapidamente adotadas.
Seu trabalho parece, no entanto, não ter servido de muito, pois está sendo ignorado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa, onde a matéria hoje tramita. Ela desdiz, praticamente, tudo que a comissão especial havia dito.
Em sua resolução, o PT não apresenta propostas para mudar de forma ampla nosso sistema político. É menos ambicioso.
O documento afirma que são dois os “objetivos programáticos estratégicos do PT” na reforma política: a adoção do financiamento público exclusivo das campanhas e do voto em lista nas eleições de deputados (federais, estaduais e distritais), assim como de vereadores.
Além dessas, outras três mudanças são sugeridas. Duas são bem específicas: a proibição das coligações nas eleições proporcionais e a “garantia da presença de sexos diferentes na lista”. A terceira, ao contrário, é difusa: a “ampliação da participação direta na política através da remoção de obstáculos que hoje a dificultam”.
Salvo a última, as ideias formam um todo coerente. São questões que o sistema político discute há tempo e que possuem larga sustentação em nosso pensamento e tradições democráticas. Não é o que se poderia dizer dessa da “participação direta”, que, se não for claramente delimitada, conflita com os fundamentos
da democracia representativa.
É difícil entender de onde os autores do documento tiraram a noção de que “a campanha pelas leis cidadãs é a melhor resposta que podemos dar à crise internacional”. Como se leis de iniciativa popular fossem superiores e mais eficazes do que as originadas no parlamento! Elas e os plebiscitos e referendos, igualmente defendidos no texto, são instrumentos que se devem usar de forma muito parcimoniosa e que estão longe de ser panaceias para os problemas da democracia.
O curioso é que as quatro propostas básicas do PT são quase idênticas às que a comissão especial do Senado aprovara. Lá, os notáveis dos principais partidos haviam chegado às mesmas recomendações dos petistas.
Financiamento público exclusivo, voto em lista, fim das coligações nas proporcionais e fixação de uma cota de 50% das listas para candidatas mulheres, todas constavam do relatório da comissão especial. É a CCJ que as está suprimindo (com exceção da proibição das coligações nas eleições proporcionais, que ninguém defende). Se depender do parecer do relator, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), delas não restará nada.
Essas propostas, especialmente as que o PT chama “objetivos estratégicos”, são inovações em nossa legislação destinadas a fortalecer os partidos políticos. Adotadas em conjunto, mudariam as condições institucionais de seu funcionamento e organização.
Na opinião unânime dos estudiosos, o voto proporcional favorece os partidos, sendo o voto majoritário seu adversário potencial. O sistema em que ganha o mais votado, independente de sua filiação partidária, faz com que os candidatos se bastem e prescindam da votação de seus companheiros de legenda.
Os eleitos se tornam os únicos senhores dos votos que receberam e, portanto, dos mandatos.
O multipartidarismo não é impossível, mas fica difícil quando se adota o voto majoritário nas eleições legislativas. Os países onde prevalece o voto distrital são, quase sempre, bipartidários, pois a eleição do representante local tende a se tornar polarizada entre apenas duas correntes (como ocorre nas eleições para prefeito, que, na maioria dos municípios brasileiros, particularmente os menores, costumam ser resolvidas entre os dois “lados” da vida política local).
A lista partidária preordenada, em que o eleitor vota no partido e os candidatos são eleitos de acordo com sua posição na lista, conflita com nossa experiência eleitoral. Segundo as pesquisas de opinião, a vasta
maioria da população a rejeita. Muitas vezes, com a ilusão de que, no modelo atual, é mais livre para escolher.
Não há, no entanto, como negar coerência ao PT nas propostas que faz de reforma política. Nada mais lógico que o maior partido que já tivemos em nossa história seja favorável ao fortalecimento dos partidos.
Primeiro, tivemos uma comissão especial no Senado, criada para elaborar uma proposta que contivesse os pontos fundamentais e menos polêmicos, assim permitindo que as mudanças na legislação pudessem ser rapidamente adotadas.
Seu trabalho parece, no entanto, não ter servido de muito, pois está sendo ignorado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa, onde a matéria hoje tramita. Ela desdiz, praticamente, tudo que a comissão especial havia dito.
Em sua resolução, o PT não apresenta propostas para mudar de forma ampla nosso sistema político. É menos ambicioso.
O documento afirma que são dois os “objetivos programáticos estratégicos do PT” na reforma política: a adoção do financiamento público exclusivo das campanhas e do voto em lista nas eleições de deputados (federais, estaduais e distritais), assim como de vereadores.
Além dessas, outras três mudanças são sugeridas. Duas são bem específicas: a proibição das coligações nas eleições proporcionais e a “garantia da presença de sexos diferentes na lista”. A terceira, ao contrário, é difusa: a “ampliação da participação direta na política através da remoção de obstáculos que hoje a dificultam”.
Salvo a última, as ideias formam um todo coerente. São questões que o sistema político discute há tempo e que possuem larga sustentação em nosso pensamento e tradições democráticas. Não é o que se poderia dizer dessa da “participação direta”, que, se não for claramente delimitada, conflita com os fundamentos
da democracia representativa.
É difícil entender de onde os autores do documento tiraram a noção de que “a campanha pelas leis cidadãs é a melhor resposta que podemos dar à crise internacional”. Como se leis de iniciativa popular fossem superiores e mais eficazes do que as originadas no parlamento! Elas e os plebiscitos e referendos, igualmente defendidos no texto, são instrumentos que se devem usar de forma muito parcimoniosa e que estão longe de ser panaceias para os problemas da democracia.
O curioso é que as quatro propostas básicas do PT são quase idênticas às que a comissão especial do Senado aprovara. Lá, os notáveis dos principais partidos haviam chegado às mesmas recomendações dos petistas.
Financiamento público exclusivo, voto em lista, fim das coligações nas proporcionais e fixação de uma cota de 50% das listas para candidatas mulheres, todas constavam do relatório da comissão especial. É a CCJ que as está suprimindo (com exceção da proibição das coligações nas eleições proporcionais, que ninguém defende). Se depender do parecer do relator, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), delas não restará nada.
Essas propostas, especialmente as que o PT chama “objetivos estratégicos”, são inovações em nossa legislação destinadas a fortalecer os partidos políticos. Adotadas em conjunto, mudariam as condições institucionais de seu funcionamento e organização.
Na opinião unânime dos estudiosos, o voto proporcional favorece os partidos, sendo o voto majoritário seu adversário potencial. O sistema em que ganha o mais votado, independente de sua filiação partidária, faz com que os candidatos se bastem e prescindam da votação de seus companheiros de legenda.
Os eleitos se tornam os únicos senhores dos votos que receberam e, portanto, dos mandatos.
O multipartidarismo não é impossível, mas fica difícil quando se adota o voto majoritário nas eleições legislativas. Os países onde prevalece o voto distrital são, quase sempre, bipartidários, pois a eleição do representante local tende a se tornar polarizada entre apenas duas correntes (como ocorre nas eleições para prefeito, que, na maioria dos municípios brasileiros, particularmente os menores, costumam ser resolvidas entre os dois “lados” da vida política local).
A lista partidária preordenada, em que o eleitor vota no partido e os candidatos são eleitos de acordo com sua posição na lista, conflita com nossa experiência eleitoral. Segundo as pesquisas de opinião, a vasta
maioria da população a rejeita. Muitas vezes, com a ilusão de que, no modelo atual, é mais livre para escolher.
Não há, no entanto, como negar coerência ao PT nas propostas que faz de reforma política. Nada mais lógico que o maior partido que já tivemos em nossa história seja favorável ao fortalecimento dos partidos.
domingo, 4 de setembro de 2011
E A AGORA , PT ? ? ?
O PT realizou os objetivos a que se propunha quando se fundou como partido: elegeu e reelegeu seu principal dirigente, Lula, como presidente e elegeu sua sucessora. Conseguiu recolher o Brasil numa profunda recessão, com as desigualdades acentuadas na sociedade um Estado reduzido à sua mínima expressão, o perfil internacional reduzido à sua mínima expressão. Chegou ao final do governo Lula com a diminuição sensível das desigualdades, com o desenvolvimento econômico retomado, o Estado recuperando seu papel de indutor do crescimento econômico e se projetando como nunca no plano internacional com uma política externa soberana.
Tudo foi feito no marco de um governo de alianças de centro esquerda, sem poder alterar elementos estruturais herdados, como a hegemonia do capital especulativo, o peso determinante do agronegocio no campo, a ditadura da mídia privada na formação da opinião pública, entre outros.
Como principal partido da esquerda brasileira, qual sua função no período político que se abre?
Como partido de esquerda, sua função essencial é lutar pela hegemonia da esquerda no marco dessas alianças de governo. Mas o que isso significa?
Parece haver um consenso geral no PT em torno de iniciativas importantes, como a diminuição substancial da taxa de juros, a aprovação de uma reforma política que inclua o financiamento público das campanhas e outras iniciativas democratizantes, a aprovação da Comissão da Verdade, a rejeição das reformas do Código Florestal com a anistia para o desmatamento, a aprovação do marco regulatório da mídia. Representa um conjunto importante de posições.
Mas qual o marco estratégico geral pelo qual lutamos? Qual o tipo de sociedade pela qual lutamos? Que tipo de Estado necessitamos para isso?
A característica fundamental do mundo contemporâneo é a hegemonia do modelo neoliberal no marco do capitalismo. Esse modelo transformou profundamente nossas sociedades. A América Latina foi vítima privilegiada desse modelo. Depois de ditaduras militares que quebraram a capacidade de resistência do movimento popular em alguns dos principais países do continente, da crise da dívida que atingiu a todo o continente, vieram os governos neoliberais que se generalizaram praticamente por toda a região.
As transformações regressivas acumuladas incluíram a fragmentação social, em particular do mundo do trabalho; a redução do Estado a suas mínimas proporções; a desproteção dos mercados inernos; a desnacionalização das economias, entre outras. Porém o modelo neoliberal se esgotou de forma mais ou menos rápida. A crise mexicana de 1994, a brasileira de 1999 e a argentina de 2002-03, decretaram sua falência. Foi nesse marco que foram surgindo os governos de reação contra o neoliberalismo, que receberam, no entanto, pesadas heranças.
O neoliberalismo tratou de mercantilizar todas as relações sociais, incluindo o próprio Estado. O objetivo da esquerda hoje é superar o neoliberalismo, gerando as condições de uma sociedade solidaria, integrada, democrática, soberana, uma sociedade pós-neoliberal.
A avaliação do período atual, do momento em que nos encontramos e das tarefas de um partido de esquerda decorrem da avaliação de quanto avancamos na superação do neoliberalismo, das conquistas, que são pontos de apoio para avançar, e dos obstáculos a superar.
Um elemento estratégico do modelo neoliberal é a hegemonia do capital financeiro. Ao promover a desregulamentação, o neoliberalismo favoreceu essa hegemonia, porque liberado de regulamentações, o capital não se dirigiu à produção – o capital não é feito para produzir, mas para acumular, já nos ensinava Marx -, mas à especulação, onde ganha mais, com menos impostos e liquidez praticamente total.
Quebrar essa hegemonia e impor uma dinâmica predominane de crescimento econômico com expansão do mercado interno de consumo popular, com a correspondente distribuição de renda é um objetivo estratégico da luta da esquerda hoje. O capital especulativo não produz bens, nem empregos, é essencialmente um capital parasitário, que vive as custas dos outros setores, fragiliza a soberania do Estado, chantageia a sociedade, induz os piores aspectos da globalização para dentro do país.
Combinar regulamentação da circulação do capital financeiro com taxações e uso de outros mecanismos é a forma de obter esse objetivo, ao lado da indução da expansão produtiva e do crescente fortalecimento das demandas do mercado interno de consumo popular. A obtenção da taxa de juros de 2% ao final do mandato – compromisso da Dilma – será o termômetro para medir o quanto avancamos nessa direção essencial.
O poder do agronegócio no campo, com todas suas consequências negativas em termos de concentração de terras, da sua deterioração, em detrimento da economia familiar, que produz alimentos para o mercado interno e gera empregos é outro dos elementos de um modelo que tem que ser superado. O que significa avançar na democratização do acesso à terra e de apoio à economia familiar em ritmo maior do que a demanda chinesa pela exportação da soja.
O marco regulatório da mídia pode permitir no avanço para a formação democrática – e não a monopólica atualmente existente – da opinião pública, sem a qual nunca haverá uma democracia real no Brasil.
Esses aspectos são alguns dos que representam superar o processo de mercantilização generalizada que o neoliberalismo buscou impor, fortalecendo a esfera dos direitos, aquela que busca estender os direitos da cidadania a todas as esferas da sociedade.
Para isso não precisamos apenas com uma reforma democrática do processo eleitoral. Preciso de um novo tipo de Estado. O Estado que temos foi construído para perpetuar o domínio das minorias, ele tem que ser radicalmente reconstruído, refundado, para dar lugar à construção de um Estado que reflita as novas relações de poder na sociedade, governos que expressam os interesses da maioria da sociedade, em um processo de democratização que tem que se estender a todos os rincões do país, incluído o próprio Estado.
Um partido de esquerda tem que centrar sua luta na superação do neoliberalismo, na construção de um tipo de sociedade não fundado na mercantilização na competição generalizada de todos contra todos, na subordinação aos interesses externos, mas na solidariedade, na fraternidade, na generalização dos direitos a todos, no humanismo.
Tudo foi feito no marco de um governo de alianças de centro esquerda, sem poder alterar elementos estruturais herdados, como a hegemonia do capital especulativo, o peso determinante do agronegocio no campo, a ditadura da mídia privada na formação da opinião pública, entre outros.
Como principal partido da esquerda brasileira, qual sua função no período político que se abre?
Como partido de esquerda, sua função essencial é lutar pela hegemonia da esquerda no marco dessas alianças de governo. Mas o que isso significa?
Parece haver um consenso geral no PT em torno de iniciativas importantes, como a diminuição substancial da taxa de juros, a aprovação de uma reforma política que inclua o financiamento público das campanhas e outras iniciativas democratizantes, a aprovação da Comissão da Verdade, a rejeição das reformas do Código Florestal com a anistia para o desmatamento, a aprovação do marco regulatório da mídia. Representa um conjunto importante de posições.
Mas qual o marco estratégico geral pelo qual lutamos? Qual o tipo de sociedade pela qual lutamos? Que tipo de Estado necessitamos para isso?
A característica fundamental do mundo contemporâneo é a hegemonia do modelo neoliberal no marco do capitalismo. Esse modelo transformou profundamente nossas sociedades. A América Latina foi vítima privilegiada desse modelo. Depois de ditaduras militares que quebraram a capacidade de resistência do movimento popular em alguns dos principais países do continente, da crise da dívida que atingiu a todo o continente, vieram os governos neoliberais que se generalizaram praticamente por toda a região.
As transformações regressivas acumuladas incluíram a fragmentação social, em particular do mundo do trabalho; a redução do Estado a suas mínimas proporções; a desproteção dos mercados inernos; a desnacionalização das economias, entre outras. Porém o modelo neoliberal se esgotou de forma mais ou menos rápida. A crise mexicana de 1994, a brasileira de 1999 e a argentina de 2002-03, decretaram sua falência. Foi nesse marco que foram surgindo os governos de reação contra o neoliberalismo, que receberam, no entanto, pesadas heranças.
O neoliberalismo tratou de mercantilizar todas as relações sociais, incluindo o próprio Estado. O objetivo da esquerda hoje é superar o neoliberalismo, gerando as condições de uma sociedade solidaria, integrada, democrática, soberana, uma sociedade pós-neoliberal.
A avaliação do período atual, do momento em que nos encontramos e das tarefas de um partido de esquerda decorrem da avaliação de quanto avancamos na superação do neoliberalismo, das conquistas, que são pontos de apoio para avançar, e dos obstáculos a superar.
Um elemento estratégico do modelo neoliberal é a hegemonia do capital financeiro. Ao promover a desregulamentação, o neoliberalismo favoreceu essa hegemonia, porque liberado de regulamentações, o capital não se dirigiu à produção – o capital não é feito para produzir, mas para acumular, já nos ensinava Marx -, mas à especulação, onde ganha mais, com menos impostos e liquidez praticamente total.
Quebrar essa hegemonia e impor uma dinâmica predominane de crescimento econômico com expansão do mercado interno de consumo popular, com a correspondente distribuição de renda é um objetivo estratégico da luta da esquerda hoje. O capital especulativo não produz bens, nem empregos, é essencialmente um capital parasitário, que vive as custas dos outros setores, fragiliza a soberania do Estado, chantageia a sociedade, induz os piores aspectos da globalização para dentro do país.
Combinar regulamentação da circulação do capital financeiro com taxações e uso de outros mecanismos é a forma de obter esse objetivo, ao lado da indução da expansão produtiva e do crescente fortalecimento das demandas do mercado interno de consumo popular. A obtenção da taxa de juros de 2% ao final do mandato – compromisso da Dilma – será o termômetro para medir o quanto avancamos nessa direção essencial.
O poder do agronegócio no campo, com todas suas consequências negativas em termos de concentração de terras, da sua deterioração, em detrimento da economia familiar, que produz alimentos para o mercado interno e gera empregos é outro dos elementos de um modelo que tem que ser superado. O que significa avançar na democratização do acesso à terra e de apoio à economia familiar em ritmo maior do que a demanda chinesa pela exportação da soja.
O marco regulatório da mídia pode permitir no avanço para a formação democrática – e não a monopólica atualmente existente – da opinião pública, sem a qual nunca haverá uma democracia real no Brasil.
Esses aspectos são alguns dos que representam superar o processo de mercantilização generalizada que o neoliberalismo buscou impor, fortalecendo a esfera dos direitos, aquela que busca estender os direitos da cidadania a todas as esferas da sociedade.
Para isso não precisamos apenas com uma reforma democrática do processo eleitoral. Preciso de um novo tipo de Estado. O Estado que temos foi construído para perpetuar o domínio das minorias, ele tem que ser radicalmente reconstruído, refundado, para dar lugar à construção de um Estado que reflita as novas relações de poder na sociedade, governos que expressam os interesses da maioria da sociedade, em um processo de democratização que tem que se estender a todos os rincões do país, incluído o próprio Estado.
Um partido de esquerda tem que centrar sua luta na superação do neoliberalismo, na construção de um tipo de sociedade não fundado na mercantilização na competição generalizada de todos contra todos, na subordinação aos interesses externos, mas na solidariedade, na fraternidade, na generalização dos direitos a todos, no humanismo.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
A GRANDE FARSA CONTINUA
Por Carlos Chagas.
Presumindo-se que nenhuma reforma política ou eleitoral de vulto venha a ser aprovada no Congresso até outubro, e há quem preveja muitos outubros, não apenas o próximo, a conclusão é de que as eleições municipais do ano que vem transcorerão conforme as regras atuais do jogo. Resultado: continuarão ilimitadas as contribuições do empresariado para candidatos e partidos; o caixa dois seguirá incólume engre as candidaturas; permanecerão as coligações partidárias; lançarão candidatos os partidos de aluguel para negociar apoio nos segundos turnos; entre os candidatos a vereador prevalecerá o “cada um por si e Deus por todos”.
Nada vai mudar, ou seja, em especial nas grandes cidades, onde se multiplicam obras públicas de toda espécie, as empreiteiras estarão atentas para colaborar com os possíveis eleitos e, depois, reclamarem sua parte nos contratos, sinecuras e superfaturamentos. Os partidos menores cobrarão participação nas administrações, na base do fisiologismo. Os vereadores, em maioria, assumirão desvinculados de compromissos partidários, estabelecendo canais diretos e perigosos com os prefeitos.
O ensaio geral do próximo ano faz prever a repetição dos mesmos vícios nas eleições gerais de 2014. Ao Congresso, que poderia alterar o quadro, interessa que ele permaneça. E aos partidos, também. A grande farsa continua, mesmo sob debates e discussões a respeito da reforma político-eleitoral.
AS ARMAS, DE ONDE VIERAM?Para não dizer que as lambanças se restringem ao Brasil, vale olhar para fora e verificar o que acontece na Líbia. As telinhas estão repletas de imagens mostrando o avanço e a vitoria dos rebeldes. Não dá para ignorar o armamento sofisticado que eles utilizam. Obuses, quer dizer, canhões, de útima geração, podem ser vistos vomitando petardos sucessivos. Manobrando-os estao cidadãos sem farda, mas armados com submetralhadoras modernas. Mesmo ficando em terra, abstraindo-se os mísseis e foguetes lançados pela Otan, a pergunta que se faz é como esses dissidentes conseguiram recursos para adquirir armamento de primeira linha? E de onde vieram os canhões, as metralhadoras e os veículos de transporte, se na Líbia não há produção nem indústria bélica?
Claro que tujdo provém dos países empenhados em afastar o ditador Kadaffi. Se forem examinadas com lupa, as fotografias mostrarão, entre os amotinados, certas figuras também em trajes civís, mas sem semelhança com com a massa rebelada. São os instrutores, eufemismo para designar oficiais e técnicos americanos, ingleses, italianos e franceses, encarregados de conduzir a guerra. No fundo, os contratos de petróleo.
TEM MAIS GENTE.Mário Negromonte, das Cidades, e Pedro Novais, do Turismo, não são os únicos que começam a esvaziar gavetas, aguardando o fim do ano com resignação. No Congresso, admite-se que mais seis ministros encontram-se na linha de tiro da reforma ministerial. Fulaniza-los seria maldade e até correr o risco de referências a quem não merece, ou omissõs de quem merece. A impressão é de que 2012 começará sob nova direção em oito ou mais ministérios. Nos partidos da base oficial, responsáveis por muitas indicações, o clima não é de pânico, mas de expectativa: a promessa é de que manterão os ministérios, mesmo precisando indicar gente de maior competência.
A VERDADEIRA CAUSA.As sucessivas escaramuças verificadas entre PMDB e PT transcendem a votação de projetos de interesse do governo, na Câmara. No fundo está a futura eleição para a presidência da casa, que deve ser decidida em meados do próximo ano, mas já envolve cálculos e ambições. Pelas regras anteriores, o cargo passaria ao PMDB, já que o atual presidente é do PT. Esse troca-troca na dependência, é claro, de haver a mesma alternância no Senado, onde o PMDB deu o presidente e o PT aguarda a vez.
O problema é que José Sarney tem direito a mais um biênio, no caso de 2013-2014,sendo o PMDB amplamenta majoritário entre os senadores. Se o partido não quiser entregar a presidência ao PT, a reação virá da Câmara, que também não entregará a dele, mesmo com pafrte dos companheiros inclinados a substituir Marco Maia.
No PMDB, o candidato antes selecionado por seus deputados era Henrique Eduardo Alves, atual líder. Como ele tem criado sucessivos casos com o palácio do Planalto e até com a presidente Dilma, é possível que os dissidentes da bancada optem por outro candidato tirado de sua cúpula. Em suma, pacificação, só depois de solucionada essa dúvida.
Nada vai mudar, ou seja, em especial nas grandes cidades, onde se multiplicam obras públicas de toda espécie, as empreiteiras estarão atentas para colaborar com os possíveis eleitos e, depois, reclamarem sua parte nos contratos, sinecuras e superfaturamentos. Os partidos menores cobrarão participação nas administrações, na base do fisiologismo. Os vereadores, em maioria, assumirão desvinculados de compromissos partidários, estabelecendo canais diretos e perigosos com os prefeitos.
O ensaio geral do próximo ano faz prever a repetição dos mesmos vícios nas eleições gerais de 2014. Ao Congresso, que poderia alterar o quadro, interessa que ele permaneça. E aos partidos, também. A grande farsa continua, mesmo sob debates e discussões a respeito da reforma político-eleitoral.
AS ARMAS, DE ONDE VIERAM?Para não dizer que as lambanças se restringem ao Brasil, vale olhar para fora e verificar o que acontece na Líbia. As telinhas estão repletas de imagens mostrando o avanço e a vitoria dos rebeldes. Não dá para ignorar o armamento sofisticado que eles utilizam. Obuses, quer dizer, canhões, de útima geração, podem ser vistos vomitando petardos sucessivos. Manobrando-os estao cidadãos sem farda, mas armados com submetralhadoras modernas. Mesmo ficando em terra, abstraindo-se os mísseis e foguetes lançados pela Otan, a pergunta que se faz é como esses dissidentes conseguiram recursos para adquirir armamento de primeira linha? E de onde vieram os canhões, as metralhadoras e os veículos de transporte, se na Líbia não há produção nem indústria bélica?
Claro que tujdo provém dos países empenhados em afastar o ditador Kadaffi. Se forem examinadas com lupa, as fotografias mostrarão, entre os amotinados, certas figuras também em trajes civís, mas sem semelhança com com a massa rebelada. São os instrutores, eufemismo para designar oficiais e técnicos americanos, ingleses, italianos e franceses, encarregados de conduzir a guerra. No fundo, os contratos de petróleo.
TEM MAIS GENTE.Mário Negromonte, das Cidades, e Pedro Novais, do Turismo, não são os únicos que começam a esvaziar gavetas, aguardando o fim do ano com resignação. No Congresso, admite-se que mais seis ministros encontram-se na linha de tiro da reforma ministerial. Fulaniza-los seria maldade e até correr o risco de referências a quem não merece, ou omissõs de quem merece. A impressão é de que 2012 começará sob nova direção em oito ou mais ministérios. Nos partidos da base oficial, responsáveis por muitas indicações, o clima não é de pânico, mas de expectativa: a promessa é de que manterão os ministérios, mesmo precisando indicar gente de maior competência.
A VERDADEIRA CAUSA.As sucessivas escaramuças verificadas entre PMDB e PT transcendem a votação de projetos de interesse do governo, na Câmara. No fundo está a futura eleição para a presidência da casa, que deve ser decidida em meados do próximo ano, mas já envolve cálculos e ambições. Pelas regras anteriores, o cargo passaria ao PMDB, já que o atual presidente é do PT. Esse troca-troca na dependência, é claro, de haver a mesma alternância no Senado, onde o PMDB deu o presidente e o PT aguarda a vez.
O problema é que José Sarney tem direito a mais um biênio, no caso de 2013-2014,sendo o PMDB amplamenta majoritário entre os senadores. Se o partido não quiser entregar a presidência ao PT, a reação virá da Câmara, que também não entregará a dele, mesmo com pafrte dos companheiros inclinados a substituir Marco Maia.
No PMDB, o candidato antes selecionado por seus deputados era Henrique Eduardo Alves, atual líder. Como ele tem criado sucessivos casos com o palácio do Planalto e até com a presidente Dilma, é possível que os dissidentes da bancada optem por outro candidato tirado de sua cúpula. Em suma, pacificação, só depois de solucionada essa dúvida.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
BATE-BOCA
Bate-boca entre Humberto Costa (PT-CE) e Mário Couto (PSDB-PA)
Adriana Vasconcelos, O GloboO líder do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), e o senador Mário Couto (PSDB-PA) tiveram um bate-boca nesta quarta-feira no plenário do Senado. A discussão entre os dois começou quando o líder petista criticava da tribuna a estratégia da oposição de insistir na criação da CPI da Corrupção e sua tentativa de atribuir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma herança maldita.
Diante da reação exaltada do senador tucano, que o acusou de defender a corrupção no governo, Humberto Costa se irritou e solicitou providências à Mesa, reclamando que as agressões do colega normalmente não eram repreendidas com o argumento de que se "tratava de um louco ou débil mental".
A briga prosseguiu no cafezinho Senado, onde o líder petista se refugiou, depois de ter garantido o direito de responder Mário Couto da tribuna. O tucano cutucou Humberto Costa e disparou:
- Débil mental não!
Apesar dos conselhos de seus assessores para que não desse importância à provocação do senador tucano, Humberto Costa mais uma vez reagiu:
- Débil mental sim! Você precisa respeitar os outros.
- E você é um safado! - retrucou o tucano.
- Safado é você! - revidou o petista.
Diante da exaltação dos dois parlamentares, um grupo de assessores entrou no meio da discussão para evitar que os dois partissem para as vias de fato. Apesar da turma do deixa disso, Mário Couto ainda gritou:
- Você é que responde a processo na justiça. Da próxima vez, vou dizer isso da tribuna - ameaçou o tucano.
- Você está pensando que eu sou moleque? Vai ter de aprender a respeitar os outros - rebateu líder do PT.
domingo, 14 de agosto de 2011
A FARSA DA TERCEIRIZAÇÃO
Por Carlos Chagas.
Começou com Fernando Collor no palácio do Planalto, mas a grande distorção aconteceu nos oito anos de Fernando Henrique e foi continuada no governo Lula.
A pretexto de diminuir o tamanho do estado, ou imaginando reduzir despesas, os governos neoliberais começaram a contratar empresas privadas para fazer o trabalho que sempre coube ao poder público. Foi a chamada terceirização.
Nos ministérios, nos tribunais, na administração direta, até na presidência da República, no Congresso, nos governos estaduais e nas prefeituras, a moda pegou.
Não se contrataram mais funcionários, individualmente, senão empresas, por coincidência a maior parte delas cujos donos eram amigos, parentes, interessados, ex-funcionários e gente ligada aos governos, mesmo sem experiência. No máximo, aconteceu a troca de tucanos por companheiros. Ou companheiros que eram tucanos mudaram rápido, por interesse financeiro.
Para fazer serviços de segurança, de limpeza, de alimentação, de distribuição de eletricidade, de água, telefones, computadores, merenda escolar e, mais ainda, serviços de publicidade, propaganda, promoção pessoal, pesquisas e até jornalísticos, de comunicação.
O poder público “terceirizou”, quer dizer, entregou a tarefa a empresas privadas, celebrando com seus proprietários contratos multimilionários, e com uma característica: os trabalhadores, os empregados, eram e são contratados a preços vis, na maioria dos casos ficam meses sem receber, sob o pretexto de que as verbas não foram liberadas. Foram, mas para os donos.
O pior dessa história é que mesmo agora, em plena crise econômica, tudo continua igual. Com raras exceções, os donos dessas empresas locupletam-se e os empregados comem o pão que o diabo amassou.
TRIBUNAL PARA CRIMES ECONÔMICOS.
Funciona na Holanda um tribunal internacional para julgar crimes contra a Humanidade. De quando em quando ouve-se que um ex-ditador foi condenado, houve até um que cumpriu pena, acusado de genocídio na antiga Iugoslávia.
Por que não viabilizar um tribunal internacional para julgar crimes econômicos? A idéia foi proposta décadas atrás pelo então senador Marcos Freire, num seminário em Canelas, Rio Grande do Sul, sobre o “Diálogo Norte-Sul”, promovido pelo governo da Alemanha. Até Fernando Henrique, então apenas sociólogo, estava presente.
O mundo vive uma de suas piores crises econômicas dos tempos modernos. Recessão, estagnação, crescimento negativo, falências aos montes e, acima de tudo, desemprego em massa. Como essas coisas não acontecem por coincidência, fica evidente a existência de responsáveis. De culpados. Parece fácil identificá-los, como acontece nos Estados Unidos. São os especuladores, os banqueiros que jogaram com o crédito, os dirigentes de grandes empresas ávidos de locupletar-se em seus falsos lucros.
Aqui no Brasil é a mesma coisa. A crise nos pegou de jeito, conforme números divulgados há muito, mas explodindo esta semana. Serão os culpados apenas os estrangeiros? Nem pensar. Aí estão os bandidos do colarinho branco, que todo mundo conhece.
Não seria o caso, ao menos enquanto o tribunal internacional não é criado, de o Congresso aprovar um tribunal nacional? O diabo é quando os processos chegarem à fase da identificação dos colaboradores, co-réus, incrustados na máquina pública...
MINAS E A AVENIDA PAULISTA.
Estrilou o governador Aécio Neves, sustentando que a partir da Avenida Paulista não se constroem candidatos presidenciais. Falou diretamente contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje defensor da sagração imediata de José Serra como candidato tucano, sem prévias nem pré-campanhas. Uma estocada para ninguém botar defeito.
O singular nessa história é que a Avenida Paulista não prepara apenas candidatos à presidência da República. Agora mesmo está sendo colocado o nome do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para governador do estado. Pode até constituir-se numa boa opção, capaz de reduzir impostos e de desonerar as empresas. Passando de estilingue a vidraça, porém, precisará estender sua vista até a periferia e o interior.
QUEM SABE UMA MULHER RESOLVERÁ?
Nestes dias em que tanto se fala da necessidade de mulheres assumirem o poder político, até a presidência da República, os elogios vão para o presidente da Câmara e até ontem presidente do PMDB, Michel Temer. Mesmo sem renunciar, ele licenciou-se da direção do partido, entregando a presidência à deputada Íris Araújo, primeira vice-presidente. Parlamentar por Goiás, experiente mas até agora sem maiores oportunidades, tem tudo para surpreender. Não precisará rezar pela cartilha do senador Jarbas Vasconcelos, mas disporá de condições para dar uma balançada no PMDB, até mesmo no diálogo com o presidente Lula. Afinal, os seis ministros que o partido possui serão, sob certo aspecto, seus representantes no governo. Precisarão prestar vassalagem à nova presidente.
Aliás, dona Íris deve cuidar-se, porque a turma da pesada começou a articular-se para a eleição de um presidente definitivo, coisa que só aconteceria no caso da renúncia de Michel Temer e da convocação de uma convenção extraordinária. Será que o machismo vencerá?
DÚVIDA CRUEL.
Ciro Gomes vive dias de dúvida. Seus amigos e correligionários encontram-se à espera da definição fundamental, sobre ser ou não ser candidato á sucessão do ano que vem. Tentam convencê-lo de que entre Dilma Rousseff e José Serra existe amplo espaço para sua candidatura, mas desde que inicie logo a campanha. Sabe que não terá o apoio do presidente Lula, no primeiro turno. Nem dos tucanos. Na hipótese de passar para o segundo turno, porém, estará respaldado pelas forças que tiverem sido derrotadas. E por razão simples: seu perfil aproxima-se do PT se precisar enfrentar o PSDB. E contará com o PSDB caso o adversário venha a ser o PT.
Falta de recursos não será surpresa para Ciro Gomes, nas duas campanhas anteriores foi assim.
A pretexto de diminuir o tamanho do estado, ou imaginando reduzir despesas, os governos neoliberais começaram a contratar empresas privadas para fazer o trabalho que sempre coube ao poder público. Foi a chamada terceirização.
Nos ministérios, nos tribunais, na administração direta, até na presidência da República, no Congresso, nos governos estaduais e nas prefeituras, a moda pegou.
Não se contrataram mais funcionários, individualmente, senão empresas, por coincidência a maior parte delas cujos donos eram amigos, parentes, interessados, ex-funcionários e gente ligada aos governos, mesmo sem experiência. No máximo, aconteceu a troca de tucanos por companheiros. Ou companheiros que eram tucanos mudaram rápido, por interesse financeiro.
Para fazer serviços de segurança, de limpeza, de alimentação, de distribuição de eletricidade, de água, telefones, computadores, merenda escolar e, mais ainda, serviços de publicidade, propaganda, promoção pessoal, pesquisas e até jornalísticos, de comunicação.
O poder público “terceirizou”, quer dizer, entregou a tarefa a empresas privadas, celebrando com seus proprietários contratos multimilionários, e com uma característica: os trabalhadores, os empregados, eram e são contratados a preços vis, na maioria dos casos ficam meses sem receber, sob o pretexto de que as verbas não foram liberadas. Foram, mas para os donos.
O pior dessa história é que mesmo agora, em plena crise econômica, tudo continua igual. Com raras exceções, os donos dessas empresas locupletam-se e os empregados comem o pão que o diabo amassou.
TRIBUNAL PARA CRIMES ECONÔMICOS.
Funciona na Holanda um tribunal internacional para julgar crimes contra a Humanidade. De quando em quando ouve-se que um ex-ditador foi condenado, houve até um que cumpriu pena, acusado de genocídio na antiga Iugoslávia.
Por que não viabilizar um tribunal internacional para julgar crimes econômicos? A idéia foi proposta décadas atrás pelo então senador Marcos Freire, num seminário em Canelas, Rio Grande do Sul, sobre o “Diálogo Norte-Sul”, promovido pelo governo da Alemanha. Até Fernando Henrique, então apenas sociólogo, estava presente.
O mundo vive uma de suas piores crises econômicas dos tempos modernos. Recessão, estagnação, crescimento negativo, falências aos montes e, acima de tudo, desemprego em massa. Como essas coisas não acontecem por coincidência, fica evidente a existência de responsáveis. De culpados. Parece fácil identificá-los, como acontece nos Estados Unidos. São os especuladores, os banqueiros que jogaram com o crédito, os dirigentes de grandes empresas ávidos de locupletar-se em seus falsos lucros.
Aqui no Brasil é a mesma coisa. A crise nos pegou de jeito, conforme números divulgados há muito, mas explodindo esta semana. Serão os culpados apenas os estrangeiros? Nem pensar. Aí estão os bandidos do colarinho branco, que todo mundo conhece.
Não seria o caso, ao menos enquanto o tribunal internacional não é criado, de o Congresso aprovar um tribunal nacional? O diabo é quando os processos chegarem à fase da identificação dos colaboradores, co-réus, incrustados na máquina pública...
MINAS E A AVENIDA PAULISTA.
Estrilou o governador Aécio Neves, sustentando que a partir da Avenida Paulista não se constroem candidatos presidenciais. Falou diretamente contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje defensor da sagração imediata de José Serra como candidato tucano, sem prévias nem pré-campanhas. Uma estocada para ninguém botar defeito.
O singular nessa história é que a Avenida Paulista não prepara apenas candidatos à presidência da República. Agora mesmo está sendo colocado o nome do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para governador do estado. Pode até constituir-se numa boa opção, capaz de reduzir impostos e de desonerar as empresas. Passando de estilingue a vidraça, porém, precisará estender sua vista até a periferia e o interior.
QUEM SABE UMA MULHER RESOLVERÁ?
Nestes dias em que tanto se fala da necessidade de mulheres assumirem o poder político, até a presidência da República, os elogios vão para o presidente da Câmara e até ontem presidente do PMDB, Michel Temer. Mesmo sem renunciar, ele licenciou-se da direção do partido, entregando a presidência à deputada Íris Araújo, primeira vice-presidente. Parlamentar por Goiás, experiente mas até agora sem maiores oportunidades, tem tudo para surpreender. Não precisará rezar pela cartilha do senador Jarbas Vasconcelos, mas disporá de condições para dar uma balançada no PMDB, até mesmo no diálogo com o presidente Lula. Afinal, os seis ministros que o partido possui serão, sob certo aspecto, seus representantes no governo. Precisarão prestar vassalagem à nova presidente.
Aliás, dona Íris deve cuidar-se, porque a turma da pesada começou a articular-se para a eleição de um presidente definitivo, coisa que só aconteceria no caso da renúncia de Michel Temer e da convocação de uma convenção extraordinária. Será que o machismo vencerá?
DÚVIDA CRUEL.
Ciro Gomes vive dias de dúvida. Seus amigos e correligionários encontram-se à espera da definição fundamental, sobre ser ou não ser candidato á sucessão do ano que vem. Tentam convencê-lo de que entre Dilma Rousseff e José Serra existe amplo espaço para sua candidatura, mas desde que inicie logo a campanha. Sabe que não terá o apoio do presidente Lula, no primeiro turno. Nem dos tucanos. Na hipótese de passar para o segundo turno, porém, estará respaldado pelas forças que tiverem sido derrotadas. E por razão simples: seu perfil aproxima-se do PT se precisar enfrentar o PSDB. E contará com o PSDB caso o adversário venha a ser o PT.
Falta de recursos não será surpresa para Ciro Gomes, nas duas campanhas anteriores foi assim.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Por PT, prefeitos ficam sem emendas.
A presidenta Dilma Rousseff barrou a liberação de emendas de deputados e senadores para prefeituras, inclusive as de aliados. Não apenas pela meta de corte. Segue um projeto político do PT para as eleições de 2012. Dilma não quer farra com obras eleitoreiras, como é tradição neste período. O PT comanda 558 prefeituras e quer conquistar 1.150. Considerados rivais, o PMDB tem 1.207, e o PSDB, 788.
Magoou.
Dilma leva à risca o projeto a ponto de o deputado Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, ir de pires ao Palácio pedir a liberação. Em vão.
Bico.
Com ministérios como Saúde e Desenvolvimento Social, os petistas vão priorizar programas para seus prefeitos, reclama um deputado do PMDB.
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